sexta-feira, janeiro 27, 2006

A Razão da Consciência

consciencia
Nos dias que correm fala-se muito em consciência (e nos dias que andam a passo também). Pede-se ao País que tome consciência do período difícil que atravessa. Pede-se às pessoas que ajam em consciência nos momentos considerados decisivos para Portugal. Exige-se que os contribuintes se consciencializem que só pagando mais impostos, mais taxas e mais tachos é que o País poderá, em consciência, saír da crise. Pede-se muita coisa em nome da consciência. E isso está profundamente errado.
Ser consciente em Portugal é um acto de contra-natura. E está historicamente provado: Viriato e o seu grupo de amigos pastores, à calhauzada nos Montes Hermínios contra o exército mais organizado do Mundo, eram conscientes? Não.
Afonso Henriques agiu em consciência quando ficou a dever ao Papa o dinheiro que habilitava Portugal a ser considerado, aos olhos de Deus, um País? Não.
Eram conscientes aqueles gajos que se meteram em casquinhas de noz para irem descobrir novos mundos? Também não.
Foram conscientes os tipos do Corpo Expedicionário que foram combater os alemães na 1ª Guerra Mundial utilizando, por falta de armas, os métodos da calhauzada imortalizados por Viriato? Obviamente que não.

Se nós somos um povo que sempre cresceu à conta de uma bela e imensa dose de inconsciência, porque raio querem agora que sejamos conscientes? Que inconsciência!

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