Nunca levantes a mão para os teus filhos;
deixas as partes baixas desprotegidas.
OPOSIÇÃO s.f. Resistência que se opõe a uma acção; hostilidade. / Empecilho, obstáculo, estorvo, dificuldade. / Contraste. / Declaração pela qual uma pessoa impede legalmente o cumprimento de um acto. / Acção empreendida contra um governo. / Conjunto de aqueles que se opõem ao governo.
O mercado político português padece deste mal de falta de concorrência, o que não é mérito do governo, mas demérito de todos os partidos que se sentam numa bancada que eufemisticamente se identifica como oposição. Governo e oposição, para nosso mal, exibem a mesma característica fundamental: falta de qualidade humana e intelectual. Este debate sobre o Estado da Nação veio novamente demonstrar o patético e gratuito que é ser político em Portugal.
A oposição parlamentar nacional age sobre um velho princípio que contamina toda a sociedade portuguesa desde os tempos mais remotos: a contradição. Na realidade a oposição não faz oposição, faz contradição. Naquelas cabecinhas loiras, tudo o que é proposto por um partido que não seja o deles não faz sentido nenhum, mesmo que o faça para a sociedade portuguesa. E é aqui que surge o grande equívoco da oposição nacional – são eleitos por nós para gerar evolução e bem estar social numa perspectiva global e acabam por se transformar em varinas ressabiadas a defender a sua própria agenda política, encerrados nas suas próprias propostazinhas e destruindo as propostazinhas dos outros.
Conclusão: como a consciência social está subjugada aos interesses do partido, a oposição é tão construtiva e efectiva como um mosquito irritante numa noite de verão – zumbe que se farta, as suas mordidelas causam uma ligeira comichão que desaparece na manhã seguinte, e acabam sem glória a sua miserável existência, encastrados num qualquer pára-brisas governamental.
Episódio 1
HN decide desvincular-se da empresa onde trabalhava e vende a sua quota. O Estado cobra-lhe um imposto de mais valia e leva uma percentagem valente da quota de HN. Passado algum tempo o Estado distrai-se e cobra indevidamente o mesmo imposto de mais valia a HN. Irritado com a dupla tributação HN decide deixar de pagar impostos até que o Estado lhe devolva o que, incompetentemente, lhe roubou. A situação dura quatro anos e algumas resmas de papel. No final dos 4 anos, o Estado não só ainda não tinha devolvido o dinheiro como descobriu que HN trabalhava noutra empresa, tendo compulsivamente congelado o ordenado de HN até que este pagasse os seus impostos. Nessa altura HN fica mesmo muito aborrecido e escreve uma carta onde insulta violentamente o funcionário público responsável pela repartição de finanças da sua zona. A carta insultuosa surte efeito e o assunto é resolvido em apenas um mês: o Estado devolve o que roubou e HN apresenta as 4 declarações de IRS em atraso.
Moral da História: Os funcionários do Estado são incompetentes e tornam-se produtivos quando levam pontapés na boca.
Episódio 2
TN, uma contribuinte muito mais cumpridora que HN, tem uma casa de férias no litoral alentejano, onde costuma passar os fins de semana. Num belo dia de semana os vizinhos de TN vêem chegar lá à porta a polícia judiciária acompanhada por um funcionário do tribunal local que diligentemente tenta arrombar a porta para fazer a penhora da casa de TN. Segundo o diligente funcionário público, o dono daquele imóvel (um tal de LC) tem dívidas ao Estado e portanto o imóvel passará a ser pertença do Estado até as dívidas estarem saldadas. A dada altura alguém explica ao jumento diligente do funcionário público que o proprietário daquela casa não é LC mas sim TN. Quando olha para a morada que tem na ordem de penhora, o jumento incompetente e diligente funcionário público vê que se tinha enganado na rua. Se os vizinhos não tivessem agido, TN teria a sua casa de fim de semana fechada pelo Estado, até provar que a propriedade era sua, simplesmente por causa da boçalidade e incapacidade de uns quantos funcionários do Estado.
Moral da História: Os funcionários do Estado são incompetentes e não têm um grande sentido de orientação, mas quem se lixa és tu.
Episódio 3
TN, a mesma vítima do episódio anterior, para além da casa também tem um terreno à beira de uma estrada no litoral alentejano. A dada altura vê surgir no seu terreno umas estruturas gigantescas que albergam cartazes 8x3m com a recandidatura dos responsáveis (?) à câmara municipal daquela zona. Como TN não deu autorização para a invasão abusiva do seu terreno, pediu por várias vezes à câmara municipal que desmontasse as estruturas instaladas no seu terreno. Nunca obteve qualquer resposta. Um belo dia, TN manda os cartazes todos abaixo. TN está actualmente em tribunal indiciada por vandalismo e destruição de propriedade do Estado, incapacitada de viajar para fora da cidade onde vive sem ter autorização do tribunal, arriscando-se a pagar ao Estado uma pesada indemnização só porque um chico esperto de um funcionário público decidiu fazer campanha eleitoral no seu terreno sem lhe perguntar se podia.
Moral da História: Os funcionários do Estado são uns estafermos incompetentes sem grande conhecimento de direito de propriedade privada, e mais uma vez quem se lixa sempre és tu.
Pegando nestes três episódios recentes, todos eles passados nos últimos três meses, digam-me: como é que eu posso ter respeito pelo funcionalismo público e pelo Estado que o alimenta? É claro que não posso!
O conto infantil que melhor retrata a história da humanidade é, sem dúvida, a História dos Três Porquinhos. Esta história simbolicamente divide o mundo em 4 tipos de gente, cada um dos tipos correspondendo a uma personagem:
- Temos os indigentes, representados por Cícero (o porco preguiçoso), que gostam pouco de alancar e preferem esticar a mão ao fim do mês e receber os subsídios do Estado.
- Temos os tipos que trabalham, trabalham e trabalham, representados por Heitor (o porco trabalhador), que nunca têm o seu esforço recompensado e que no final de cada mês vêem o seu dinheirinho escoar-se em impostos para pagar a inércia dos Cíceros deste mundo.
- Temos a malta inteligente, representada por Práctico (o porco construtor civil) que lá se vai safando com algum custo.
- E finalmente temos os gajos que querem lixar a vida a todos os outros (representados pelo Lobo Mau) e que, trabalhando afincadamente para o Estado (essa abstracção incómoda) acabam inevitavelmente por lixar os Cíceros e Heitores da vida.
O conto contém requintes de malvadez: as personagens consideradas «boazinhas» são uma vara de porcos, o que não abona muito a favor de todos nós. Todos têm um nome próprio à excepção do lobo que, tal como o Estado, não é personalizável. Quem é esperto dedica-se à construção civil à séria. E o Estado é representado por um predador insistente e sem escrúpulos (um silogismo, portanto).
A história só não é perfeita porque um dos porcos acaba por se safar à conta de um trabalho bem feito e de uma criteriosa escolha de materiais de construção. É aqui que tudo entra no mundo das fábulas, porque sabemos bem que no mundo real o porco nunca teria este discernimento profissional e veria a sua obra embargada sine die para mais tarde ser implodida com pompa e circunstância ou, na melhor das hipóteses, untava as mãozinhas do lobo e de todos os seus colegas de partido para evitar ser envolvido numa escandaleira qualquer envolvendo práticas esquisitas com leitõezinhos e tâmaras frescas.
Ainda assim fica o registo de uma boa tentativa para nos retratar.
Ligou o computador, sentou-se na secretária e ficou a olhar para o ecran negro que ganhou umas cores enquanto carregava o sistema operativo. O anti-virus informou-o que se estava a actualizar. Uma janelinha no canto do monitor indicava 15 mails por abrir.
Abriu o browser e entrou na página de edição do seu blog. Perdeu a noção do tempo e, duas horas depois, ainda ali estava sentado na secretária a olhar para um ecran luminoso, que lhe mostrava uma página de edição em branco. Não tinha conseguido escrever nada. Nem uma palavra. Tornou a perder a noção do tempo e só voltou a si quando foi assolado por uma sensação esquisita de náusea. Sentiu-se dentro de uma centrifugadora alucinada: começou a ver o escritório a andar à volta. Por momentos ainda conseguiu distinguir os objectos, o ecran em branco, o cinzeiro atestado de beatas, várias chávenas vazias de café. Mas com o aumento da centrifugação tudo se misturou num padrão esquisito e multicolorido. Ainda teve tempo de pensar que aquilo era capaz de dar um quadro giro, daqueles quadros impressionistas. Pensou também no post que não escreveu. Depois disso não se lembrou de mais nada. Não se lembrou se vomitou ou não. O padrão esquisito e multicolorido transformou-se numa imensidão de negro.
Foi encontrado pela empregada da limpeza no dia seguinte. Morto em frente a um ecran luminoso que mostrava a página de edição do seu blog. Em branco.
O senhores do CSI da esquadra da Brandoa disseram que tinha morrido por sufocamento. Tinha perdido a capacidade de inspirar. Só expirava. E expirou.
Nádegas: A área na traseira do corpo humano (por vezes referida como glutaeus maximus) que se encontra entre duas linhas imaginárias que correm em paralelo até ao chão quando uma pessoa está de pé, sendo que a parte superior dessa linha está meia polegada acima da clivagem superior dos glúteos (i.e., a proeminência formada pelos músculos que partem da parte detrás da coxa e que seguem até à parte detrás da perna); e a parte inferior dessa linha está meia polegada abaixo do ponto mais baixo de curvatura de uma protuberância de carne (por vezes designada de dobra gluteal), e por entre duas linhas imaginárias, uma em cada lado do corpo (as «linhas exteriores»), linhas exteriores essas que são perpendiculares ao chão e às linhas horizontais descritas acima, e que tocam os pontos mais longínquos em que cada glúteo encontra o lado exterior de cada perna...
Recentemente, assisti a uma coisa que nunca irei esquecer: um eclipse da Terra. Mas, por ser um eclipse da Terra, não havia sítio para observar. Então olhei para a Terra e, enquanto olhava, a Terra ficou muito escura. No entanto, o período de escuridão foi muito breve por estarmos próximos da Terra. Lembrem-se, meninos e meninas, nunca olhem directamente para um eclipse. Peçam sempre a alguém para vos contar como foi.
George Carlin
Para mim o Golfe é tão desporto como a Bisca Lambida ou o Levantamento do Copo. Sejamos sérios. Caminhar calmamente (quando não se usa um carrinho eléctrico) sobre um campo relvado à stickada numa bola de reduzidas dimensões, tentando enfiá-la em 18 buracos diferentes é, no mínimo, um passatempo de gosto duvidoso.
Desporto é quando um tipo se esforça a sério, quando sua, quando sofre lesões e traumatismos irrecuperáveis. Já alguma vez viram um golfista ser transportado de maca, para fora do teeing ground (eles chamam isto ao relvado) porque se lesionou? Já alguma vez viram um golfista suado? Claro que não. Isto porque o Golfe é o equivalente da Bisca Lambida para uma mão cheia de velhotes com dinheiro, e para umas valentes resmas de empresários e executivos que, por não terem a cheta dos velhotes, passam a vida a jogar com eles para ver se aquilo da conta bancária se pega por osmose, ou então para lhes sacarem mesmo o dinheiro que permitirá terem uma vida santa a arrastarem-se diariamente entre 18 buracos. Se aqueles velhotes fossem uns tesos iríamos provavelmente encontrá-los a jogar à bisca lambida num dos muito parques da cidade, ou numa tasca qualquer do Bairro Alto a levantar o copo.
A diferença mais visível entre um praticante de bisca lambida e um praticante de golfe está na sua conta bancária. Os primeiros normalmente não a têm.
A quem não conhece um campo de golfe recomendo vivamente a visita: está pejado de velhotes grisalhos armados ao desportista vivaço. É patético. Eu acho que há uma relação entre a disfuncionalidade da próstata e a capacidade de jogar golfe: aparentemente o bom funcionamento da próstata dificulta a aprendizagem do golfe, e é precisamente quando ela é removida que o praticante consegue fazer os mais perfeitos «pares» e os mais arrepiantes «birdies». É mais uma vez a próstata disfuncional que dá origem à expressão «handicap», que determina o nível do jogador de golfe – quanto mais pequeno o handicap, maior o nível de perícia e consequentemente maiores os indícios que ali já não há próstata. Aliás tenho uma teoria sobre aquelas posições de rabinho espetado antes da tacada: acho que aquilo foi toque rectal a mais.
Já tiveram alguma vez a impressão de que a impressão que causam nos outros pode por vezes deixá-los tão mal impressionados que até lhes faz impressão? Há quem diga que a primeira impressão é a que conta e que determina tudo o resto, o que me faz alguma impressão se querem que vos diga. É impressionante a importância da impressão. E não há duas iguais. Há boas impressões que não nos deixam grandemente impressionados, assim como há más impressões que nos deixam uma forte impressão que mais valia não termos tido qualquer impressão.
Ficar bem impressionado implica que não nos façam impressão certas coisas, o que, se pensarem bem, é perfeitamente paradoxal: como impressionar sem ter impressão, mas apenas fazendo-a? Como podemos fazê-la sem ficar com ela? É assim uma coisa altruísta em que no momento que a fazemos nos descartamos dela?
E uma má impressão? Poderá uma má impressão deixar-nos bem impressionados ou inevitavelmente não nos impressionará nada, até pelo contrário, e ficaremos estupidamente mal impressionados? É curioso ver que para uma má impressão tanto faz que tenhamos uma impressão ou façamos qualquer impressão: é indiferente.
Este raciocínio todo já me está a fazer uma imensa impressão. É impressionante o que uma pessoa se lembra quando não tem impressões nenhumas. Até me faz impressão...
Quem me lê normalmente deve achar que eu não suporto espanhóis, o que não anda muito longe da verdade. Mas o meu desconforto pelos espanhóis não é nada comparável aos meus dois ódios de estimação: os ingleses e os holandeses. Sobre os ingleses vou falar mais tarde, esses pulhas rabetas que gostam de dizer que têm connosco o «mais antigo tratado do mundo». Hoje vou falar sobre os laranjinhas, por muitos considerados os melhores alunos da Europa, e por mim rotulados como os vermes chupistas mais badalhocos da história da humanidade. Diz a história que os laranjinhas nunca tiveram grande sorte com os portugueses: não só no futebol, como nos episódios históricos onde nos temos cruzado. Pessoalmente acho que os laranjinhas são bons a fazer aquilo que os tornaram num país: parasitismo. Os holandeses são, na realidade, o povo mais parasita do planeta. Umas verdadeiras rêmoras alaranjadas coladas na barriga de um tubarão qualquer. Enquanto os espanhóis e portugueses definiam o Tratado de Tordesilhas (um tratado bem diferente daquele que falei há pouco com os ingleses), os holandeses, esses bostas sem imaginação que falam a escarrar, andavam atrás de nós, a sacar meticulosamente o que nós andámos a descobrir. Um bom exemplo disso é a cidade de Recife, no Brasil, descoberta por portugueses, tomada pelos badalhocos dos holandeses, para logo a seguir serem dali corridos por um joint venture de portugueses e indígenas. Hoje em dia, entalados no meio da Europa ocidental, os holandeses continuam a praticar o parasitismo ancestral que sempre os caracterizou. De vez em quando lixam-se. Assim como hoje. Isto porque quando têm que contar com eles próprios, e não com a sua propensão para chupar aqueles que andam à sua volta, os laranjinhas lixam-se. Lixam-se à grande.
Arrotem pelintras!
Ontem foi oficialmente aberta a época de Verão. O Verão, como provavelmente saberão, é uma das quatro estações do ano. Já alguma vez perguntaram qual a hierarquia do Verão nas quatro estações? Qual é a ordem das estações? Há quem diga que o Verão é a segunda estação, dado que a Primavera é a estação de todos os inícios. A malta acredita que a vida começa na Primavera e que depois se despe à brava no Verão. Mas isso não interessa nada para o post de hoje. O que interessa mesmo é a razão do Verão se chamar Verão. Já pensaram nisso? Aposto que não. Nunca vos ocorreu pensar nisso, o que é um bom princípio, porque assim vão dar-me mais uns segundos da vossa atenção.
Não é difícil perceber porque o Verão é chamado de Verão. As razões são várias:
É nesta altura do ano que vocês verão a ruiva da paragem de autocarro com aquele micro bikini num fim de semana na Caparica, facto que vos dará novo alento no Inverno, quando a virem ali especada de sobretudo e com aquele ar de que lhe chuparam o sanguezinho todo (provavelmente no Verão passado).
É nesta altura em que vocês não verão aquelas intermináveis, inconsequentes, bacocas, provincianas e estupidificantes discussões na Assembleia da República porque os bostas estarão todos de férias a gozar o Verão.
É nesta altura que vocês verão que o melhor que têm a fazer é apanhar um belo sol e mamar umas belas cervejas em boa companhia e esquecer o patrão e os clientes, ambos chatos como a potassa.
Também verão a vossa pele a ficar mais escurinha, a vossa barriga a acusar os excessos de patuscada, as tardes a ficarem mais compridas e as noites a fundirem-se com a madrugada.
Verão nascer novas amizades e novos amores. Verão morrer malta em barda pelas estradas. Verão pôres do sol inesquecíveis, fins de dia irrepetíveis, noites perfeitamente olvidáveis, e nasceres do sol inenarráveis.
Um estudo realizado por uma universidade portuguesa demonstrou uma correlação entre a taxa de corrupção de um país e o copianço puro e duro nas escolas desse país. Em suma, se os alunos copiam barbaramente o mais provável é virem a contribuir para, anos mais tarde, já instalados nas suas vidinhas profissionais, se virem a demonstrar uns cábulas corruptos.
Não é novidade nenhuma verificar neste estudo que os alunos nórdicos são os que menos copiam (apenas 5%) e que os portugueses, espanhóis, e brasileiros se destacam orgulhosamente na muy real arte do cabulanço.
Não acredito que haja uma solução para o cabulanço. E consequentemente, a fazer jus às conclusões do estudo, também não acredito que haja uma solução para a corrupção. No entanto acredito que há males que podem ser minimizados, sendo que este é um deles. Bastava para isso proibir, ou mesmo coibir (recorrendo à violência física moderada – uns pontapés bem aplicados nas gengivas, por exemplo), que cada aluno cábula pudesse vir, no futuro, a desenvolver as suas tendências corruptivas. Uma coisa seria certa: a nossa classe política teria umas gengivas muito mais saudáveis.
É curioso ver o que um objecto esférico de couro e onze gajos para cada lado fazem a um país. Não deixa de ser curioso de ver como cada povo convive com a sua nacionalidade e o seu patriotismo quando confrontado com o fenómeno do desporto a um nível mais ou menos global. Para variar, hoje nem vou falar mal dos portugueses que, provavelmente porque já levaram tanto na tromba em Mundiais de futebol, até estão bastante contidos com o facto de terem chegado (pela segunda vez em quarenta anos) aos oitavos de final desta competição. A contenção portuguesa até me deixa uma pontinha de orgulho, pela maturidade (para não lhe chamar outra coisa) que estamos a demonstrar.
Hoje vou falar dos nossos hermanóides (nuestros hermanos mongolóides). Eles merecem. Eu só não acho que vivo no país mais ridículo do planeta porque tive a sorte de nascer ao lado de Espanha. É verdade. Os nossos hermanóides (desculpa lá Marco, mas é mais forte que eu) estão no Mundial como estão na vida: cheios de tesão nos primeiros minutos, a acharem que vão partir esta merda toda, verdadeiramente convencidos de que são os melhores do mundo até levarem (e o mais ridículo de tudo é que levam sempre) com a puta da realidade pelos «cuernos arriba». E aí, como bons espanhóis, reagem sempre da mesma maneira: negam. Negam tudo. Negam que o Mundial existe. Negam que alguma vez lá estiveram. E desligam rapidamente os aparelhos de televisão esquecendo que afinal, até à próxima, não são os melhores. É assim o patriotismo vizinho. Se Portugal é o cu da Europa, a Espanha é o seu membro fálico. Com ejaculação precoce. Opá vamo a por el Mundial!
George Carlin
Um dos conceitos com menos conteúdo em Portugal é o do Potencial. Quando afirmamos que alguém tem o potencial para se tornar outra coisa qualquer num futuro mais ou menos próximo, estamos tacitamente a dizer que, no presente, nesse preciso momento que vaticinamos o potencial do indivíduo, ele não tem aquilo que é necessário. Até poderá vir a ter, mas de momento não o tem. Essa é que essa. É a filosofia de «se a minha avó tivesse rodas seria um camião de oito rodados» em todo o seu esplendor.
O Potencial é um dos nossos complexos nacionais: fartam-se de nos dizer que o país tem imenso potencial (eu tenho sérias dúvidas) mas apesar disso não sai do seu costumeiro e ancestral «chove não molha». Este potencial nacional é perfeitamente questionável, se pensarmos bem. Temos o potencial de quê e para quê?? Não o temos certamente nos recursos naturais, onde somos líderes a descascar sobreiros e a extraír urânio empobrecido; não o temos nas práticas de gestão privada ou estatal que, como vamos sabendo, continuam a fazer-nos cair nos rankings da produtividade e da competitividade; poderíamos pensar que o potencial está no povo português mas... olhem lá para o povo português e digam-me sinceramente se descortinam algum potencial escondido.
Apesar disto, Portugal continua a ser encarado como um país com potencial para os imigrantes que já representam 7% do nosso PIB; para os investidores espanhóis que cada vez ganham mais dinheiro aqui; e para os «caçadores de cérebros», que encontram em Portugal um manancial de gente inteligente, barata, e cheia de potencial que já não tem paciência para queimar nem mais um neurónio para transformar esta telenovela mexicana numa série de culto.
Uns tipos com muito tempo livre apareceram por aí muito excitadinhos a afirmar que hoje, dia 6 de Junho de 2006, é o Dia da Besta. Isto porque numericamente a data tem a configuração 666, normalmente associada a uma Besta qualquer.
Não fazendo ideia do significará hoje ser o Dia da Besta, gostaria de dedicar este post a todas as bestas que conheço, e em especial:
Li hoje que o Estado gasta 16,2 milhões de euros por ano para manter em funcionamento 12 centros educativos de jovens delinquentes. Dado que o número total identificado de jovens delinquentes em Portugal é de 271, isto significa que a cada menor cabe a generosa quantia de 4.981 euros por mês (13 vezes o ordenado mínimo nacional).
A todos vós que estudam e estudaram durante dezenas de anos para engrossarem a lista de desemprego com um canudo inútil na mão, um conselho: dediquem-se ao crime, e já agora iniciem também os vossos filhos, porque pelos vistos aqui na telenovela mexicana a coisa compensa. E o Estado recompensa.
Ficou toda a gente escandalizada quando o Expresso publicou recentemente uma entrevista onde mostrava criancinhas portuguesas a trabalhar árdua e ilegalmente numa fábrica que fornece as lojas Zara. É interessante esta polémica do trabalho infantil no Portugal civilizado. Ficamos muito chocados e aborrecidos quando seres humanos com uma idade física abaixo dos 15 anos são postos a trabalhar e a ganhar ordenados miseráveis. E o que dizer dos gajos que têm uma idade mental abaixo dos 5 anos e que diariamente trabalham na Assembleia da República a ganhar ordenados duplos e a acumular regalias pornográficas? Alguém se chateia com estes? Não. Nisto do trabalho infantil, como noutras muitas coisas, temos dois pesos e duas medidas.
Foto: José Sócrates explica aos membros do parlamento a técnica correcta para tirar macacos do nariz.
Se há coisinha que diariamente acho fascinante é a quantidade de mamíferos que vem parar a este blog por mero acaso enquanto andam à procura das coisas mais aberrantes no motor de busca do Google. Mas mais fascinante que isso são os temas que estes mamíferos procuram na internet. Tiro o meu chapéu ao Google que, pelas minhas contas, está calmamente a construir a base de dados mais completa de todos os estúpidos, tarados e javardos do planeta. Graças ao Google será possível, daqui a uns anos, circunscrever estes palermas todos num local determinado e empandeirar-lhes uma tribo somali que lhes tirará quaisquer dúvidas que possam ter sobre a retractabilidade de um esfíncter.
Enquanto isso não acontece, vou partilhar convosco alguns exemplos do que tem sido procurado neste blog nas últimas 24 horas:
O povo português é estranho.
Quando uma figura pública desaparece choram baba e ranho, mas ao saberem que essa pessoa não é exemplar, em vez de colocarem a mão na consciência e dizer que "era uma pessoa como as outras", preferem efectuar a "super técnica Carrilho" e dizer que tudo são calúnias sem fundamento.
Enquanto que reclamam pela falta de qualidade de vida, pela miséria e pobreza em que vivem, gastam autênticas fortunas pelos seus clubes "do coração".
Idolatram milionários que não fazem mais do que ser bons profissionais mas aparentemente ninguém dá qualquer importância aos milhares de portugueses espalhados pelo mundo que em muito contribuem para o avanço da Humanidade, ganhando provavelmente pouco mais que um ordenado dito comum.
Um "Sr. Mister" pede que tenham orgulho no país e que o demonstrem colocando a bandeira Portuguesa nas janelas e o povo cumpre de imediato, fazendo com que o mercado da contrafacção cresça significativamente. Ao mesmo tempo demonstrando que nem sequer sabem colocar a bandeira sem ser de pernas para o ar! Mas enfim, suponho que o facto pode ser interpretado como uma crítica ao estado de coisas "se o país está de pernas para o ar, porque não haverá de estar a bandeira?".
Passa a ser obrigatório possuír um colete reflector na viatura e o que é que o povo faz? Consegue colocá-lo do modo mais pindérico alguma vez visto. Mas no entanto continuam a beber bastante às refeições e fora delas porque se julgam "os maiores" lá do seu bairro. Isto para depois poderem vir dizer que quebraram os records de alcoolémia e alegar que não sabiam que por beber um aperitivo antes do almoço, 3 canecas de cerveja durante o almoço, 2 litros de vinho para degustar e tomar um conhaque pós-almoço para "lavar o estômago" os colocasse em estado de embriaguez. E dizem estas palavras enquanto se questionam acerca do porquê de terem sido parados por um enorme conjunto de polícias... todos gémeos idênticos!
Imagino o que acontecerá quando tivermos um seleccionador nacional (um Mister portanto) que, devido a uma avançada idade, por mera senilidade ou enorme sentido de humor, venha dizer que para ajudarmos a selecção não há melhor do que fazer como o Super-Homem (que melhor exemplo?) e usar a roupa interior por cima da roupa. Será que a moda pegava? Tendo em conta o que se tem visto, julgo que sim!
Oh patriotismo a quanto obrigas!
Um grande comentário de CP que foi elevado a post.
Foto de Fotoben.
Eu queria aqui deixar bem claro que, lá porque critico por vezes brutalmente a nossa triste e vil nacionalidade isso não significa que a desdenhe (ao contrário de muitos tugas malaicos que andam por aí, e aos quais teria muito gosto de apresentar uma tribo somali devidamente untadinha de vocês sabem o quê).
Não senhores, eu cá gramo de sobremaneira de fazer parte de um país cuja fundação começou com um belo par de chapadas dadas por um filho de uma mãe (convenhamos que ela andava a pedi-las); orgulho-me diariamente de um gajo que prometeu pagar uns trocos ao Papa vigente para transformar este território num país, e que depois o enganou à campeão e nunca lhe deu um chavo (se os gajos que vieram a seguir lhe tivessem seguido o exemplo, a igreja não teria estragado tanta coisa por aqui); rejubilo em histeria quando este mesmo gajo desata a arrear porrada de três em pipa nos sarracenos e funda uma data de merdas, inclusivé Lisboa. Não haja cá dúvida que se havia gajo que sabia fundar era ele.
E depois orgulho-me de outros gajos e gajas que contribuiram para este projecto: a padeira que ostentava uma destreza letal com a pá; o tipo de Avis, que pôs o Andeiro a andar; os gandamalucos que se puseram a fundar além-mar em casquinhas de noz; os gajos que enganaram os castelhanos (esses grandes porcalhões javardos filhos de uma carruagem atestada de lolitas) em Tordesilhas; o tipo de um olho só que idealizou e escreveu uma nação que não estava lá, e um império que de quinto não tinha nada.
É claro que depois deste anos áureos já não me orgulho de grande coisa, mas que no início aquela malta tinha razão, oh meus amigos, lá isso tinha!
Publicado originalmente em Dezembro de 2004
Façam a seguinte experiência: peçam a dois ou mais amigos que olhem para uma estátua e descubram qual o ângulo que mais apreciam quando estão a olhar para ela: de frente? Ligeiramente de lado? A três quartos? Debaixo para cima? De cima para baixo? Irão ver que as opiniões se irão dividir. Cada um apreciará um ângulo diferente da mesma estátua. Coincidentemente poderão todos achar que um determinado ângulo é o mais bonito, mas isso será a excepção que confirmará a regra.
O mesmo se passa com a verdade. Ela não é mais do que um ângulo da realidade; o vosso ângulo preferido. Mas não necessariamente o único ângulo. É por estas e por outras que não tenho paciência para os «donos da verdade». Considero-os uns parvalhões monolíticos, sem a capacidade de perceber, quanto mais apreciar, que há mais ângulos para além daquele em que insistem, bovinamente, olhar.
É certo que o país está em crise e que a malta anda desencantada com isto tudo. Mas começo a acreditar que esta espiral de negativismo e depressão nacional é artificialmente alimentada diária e paulatinamente pelos media.
Há dois dias atrás estava a ver a SIC Notícias onde se noticiava a derrota da selecção portuguesa de Sub 21 face aos franceses. Passados 10 minutos, no mesmo bloco noticiário, voltaram a falar exactamente do mesmo. Das duas uma: ou a SIC Notícias acha que tem uma audiência de estúpidos que não assimila as notícias à primeira, ou então estão a querer fazer merda com a auto-estima nacional. Naturalmente que me inclino para a segunda hipótese (até porque não vi mais nenhuma notícia ser repetida naquele bloco).
Já sabemos que os portugueses têm uma tendência para a bipolaridade: são os maiores do mundo num minuto e as piores merdas no segundo seguinte. Isto não faz nada bem a qualquer auto-estima. Mas os sacanas dos media abusam da fruta. Só vejo e leio coisas que me agravam a fraca consideração que tenho por este país. Mas depois racionalizo as coisas e penso que nem tudo pode estar mal, seria coincidência a mais. E eu não acredito em coincidências.
Os media nacionais fazem-me lembrar a mulher insatisfeita que diariamente diz ao marido que ele não a faz feliz. Ao fim de anos a ouvir recorrentemente que é um péssimo marido o que é que ele faz? Ou arreia-lhe duas galhetas e aquela conversa acaba por ali, ou põe a senhora com dono e arranja alguém que não o massacre persistentemente.
Acho que no caso dos media nacionais a solução seria optar pelas duas alternativas em simultâneo: arrear-lhes um camaçal de porrada em direcção à fronteira. Olhos que não lêem, coração que não sente.
Da série «histórias mal contadas» temos hoje, a pedido de várias famílias, a história da Branca de Neve e dos sete anões.
A primeira coisa que me ocorre quando penso na Branca de Neve é que o sacana do autor da história devia ter alguns problemas de segregacionismo não resolvidos. Porque não escolher para protagonista da história uma morena achocolatada ou uma asiática com problemas de vesícula?
Depois vem a questão dos sete anões: para além de racista, o autor era perverso. Não só imaginava aquela jovem de tez branca rodeada por sete manganões,
Outra questão tem a ver com o minimalismo que o autor quer imprimir às características de personalidade de cada anão: nesta história, o mesmo anão não experiencia, com toda a sua pujança, uma multiplicidade de emoções. Temos o anão que dorme e só dorme; temos o anão que está chateado e só está chateado; temos o anão que sodomiza ovelhas tresmalhadas e só sodomiza ovelhas tresmalhadas; temos o anão que gargareja vodka polaca e só gargareja vodka polaca; temos o anão besuntado em manteiga de Azeitão que ganhou este hábito porco precisamente em Azeitão; temos o anão que não se lava por baixo porque não chega lá; e finalmente, temos o anão, que à falta de outra característica qualquer, é anão. Ora isto é uma verdadeira pobreza no que toca à construção de personagens.
Por este andar, as criancinhas vão crescer a pensar que o José Sócrates é apenas um palerma e será sempre um palerma. Quando não é verdade: sabemos perfeitamente que o José Sócrates não só é um palerma,
É por estas e por outras, que nutro uma desconfiança persistente no que estas histórias infantis promovem na população portuguesa. O que me faz perguntar: Se não existisse Branca de Neve existiria José Sócrates? Duvido. A mesma certeza não tenho quanto aos sete anões.
Quem diria que vocês todos não são mais do que uns amantes de matemática excitados. Já pensaram em vós próprios