domingo, julho 16, 2006

A Razão do Pontapé

violencia infantil
Nunca levantes a mão para os teus filhos;

deixas as partes baixas desprotegidas.


Robert Orben

sábado, julho 15, 2006

A Razão da Reunião de Brainstorming

brainstorming
Eis a minha teoria sobre as reuniões de brainstorming e a vida:

Há três coisas que, por mais que nos esforcemos, não conseguimos fingir que temos: erecções, competência e criatividade.
É por isso que as reuniões de brainstorming são normalmente uma imensa seca - estão pejadas de pessoas sem um pingo de criatividade numa situação em que têm que ser uma coisa que eles nunca conseguirão ser. E quanto mais se esforçam para esconder as suas inabilidades, mais secante fica a reunião.
Uma das tácticas mais utilizadas para fingirem ter criatividade consiste em colocar as mãos em pose de oração, escondendo a boca, e balançando a cabeça na vossa direcção, dizendo «Hmmmm. Interessante.» Se pressionados, acrescentarão «Voltarei a falar consigo mais tarde sobre isso».
E depois não dizem absolutamente mais nada.

Douglas Coupland

sexta-feira, julho 14, 2006

A Razão da Oposição

oposição
OPOSIÇÃO
s.f. Resistência que se opõe a uma acção; hostilidade. / Empecilho, obstáculo, estorvo, dificuldade. / Contraste. / Declaração pela qual uma pessoa impede legalmente o cumprimento de um acto. / Acção empreendida contra um governo. / Conjunto de aqueles que se opõem ao governo.

Eu defendo que a qualidade de um governo é directamente proporcional à qualidade da sua oposição. É o mesmo princípio da concorrência de mercado: quando esta não existe, os mercados estagnam com falta de inovação.
O mercado político português padece deste mal de falta de concorrência, o que não é mérito do governo, mas demérito de todos os partidos que se sentam numa bancada que eufemisticamente se identifica como oposição. Governo e oposição, para nosso mal, exibem a mesma característica fundamental: falta de qualidade humana e intelectual. Este debate sobre o Estado da Nação veio novamente demonstrar o patético e gratuito que é ser político em Portugal.
A oposição parlamentar nacional age sobre um velho princípio que contamina toda a sociedade portuguesa desde os tempos mais remotos: a contradição. Na realidade a oposição não faz oposição, faz contradição. Naquelas cabecinhas loiras, tudo o que é proposto por um partido que não seja o deles não faz sentido nenhum, mesmo que o faça para a sociedade portuguesa. E é aqui que surge o grande equívoco da oposição nacional – são eleitos por nós para gerar evolução e bem estar social numa perspectiva global e acabam por se transformar em varinas ressabiadas a defender a sua própria agenda política, encerrados nas suas próprias propostazinhas e destruindo as propostazinhas dos outros.

Conclusão: como a consciência social está subjugada aos interesses do partido, a oposição é tão construtiva e efectiva como um mosquito irritante numa noite de verão – zumbe que se farta, as suas mordidelas causam uma ligeira comichão que desaparece na manhã seguinte, e acabam sem glória a sua miserável existência, encastrados num qualquer pára-brisas governamental.

quinta-feira, julho 13, 2006

A Razão do Estado da Nação

estado da nação
O Estado da Nação é gasoso.
E sem cheiro.

quarta-feira, julho 12, 2006

A Razão da Falta de Respeito

Episódio 1
HN decide desvincular-se da empresa onde trabalhava e vende a sua quota. O Estado cobra-lhe um imposto de mais valia e leva uma percentagem valente da quota de HN. Passado algum tempo o Estado distrai-se e cobra indevidamente o mesmo imposto de mais valia a HN. Irritado com a dupla tributação HN decide deixar de pagar impostos até que o Estado lhe devolva o que, incompetentemente, lhe roubou. A situação dura quatro anos e algumas resmas de papel. No final dos 4 anos, o Estado não só ainda não tinha devolvido o dinheiro como descobriu que HN trabalhava noutra empresa, tendo compulsivamente congelado o ordenado de HN até que este pagasse os seus impostos. Nessa altura HN fica mesmo muito aborrecido e escreve uma carta onde insulta violentamente o funcionário público responsável pela repartição de finanças da sua zona. A carta insultuosa surte efeito e o assunto é resolvido em apenas um mês: o Estado devolve o que roubou e HN apresenta as 4 declarações de IRS em atraso.

Moral da História: Os funcionários do Estado são incompetentes e tornam-se produtivos quando levam pontapés na boca.


Episódio 2
TN, uma contribuinte muito mais cumpridora que HN, tem uma casa de férias no litoral alentejano, onde costuma passar os fins de semana. Num belo dia de semana os vizinhos de TN vêem chegar lá à porta a polícia judiciária acompanhada por um funcionário do tribunal local que diligentemente tenta arrombar a porta para fazer a penhora da casa de TN. Segundo o diligente funcionário público, o dono daquele imóvel (um tal de LC) tem dívidas ao Estado e portanto o imóvel passará a ser pertença do Estado até as dívidas estarem saldadas. A dada altura alguém explica ao jumento diligente do funcionário público que o proprietário daquela casa não é LC mas sim TN. Quando olha para a morada que tem na ordem de penhora, o jumento incompetente e diligente funcionário público vê que se tinha enganado na rua. Se os vizinhos não tivessem agido, TN teria a sua casa de fim de semana fechada pelo Estado, até provar que a propriedade era sua, simplesmente por causa da boçalidade e incapacidade de uns quantos funcionários do Estado.

Moral da História: Os funcionários do Estado são incompetentes e não têm um grande sentido de orientação, mas quem se lixa és tu.


Episódio 3
TN, a mesma vítima do episódio anterior, para além da casa também tem um terreno à beira de uma estrada no litoral alentejano. A dada altura vê surgir no seu terreno umas estruturas gigantescas que albergam cartazes 8x3m com a recandidatura dos responsáveis (?) à câmara municipal daquela zona. Como TN não deu autorização para a invasão abusiva do seu terreno, pediu por várias vezes à câmara municipal que desmontasse as estruturas instaladas no seu terreno. Nunca obteve qualquer resposta. Um belo dia, TN manda os cartazes todos abaixo. TN está actualmente em tribunal indiciada por vandalismo e destruição de propriedade do Estado, incapacitada de viajar para fora da cidade onde vive sem ter autorização do tribunal, arriscando-se a pagar ao Estado uma pesada indemnização só porque um chico esperto de um funcionário público decidiu fazer campanha eleitoral no seu terreno sem lhe perguntar se podia.

Moral da História: Os funcionários do Estado são uns estafermos incompetentes sem grande conhecimento de direito de propriedade privada, e mais uma vez quem se lixa sempre és tu.


Pegando nestes três episódios recentes, todos eles passados nos últimos três meses, digam-me: como é que eu posso ter respeito pelo funcionalismo público e pelo Estado que o alimenta? É claro que não posso!

terça-feira, julho 11, 2006

A Razão da Remodelação Ministerial

remodelação ministerial

Há uma estranha semelhança entre as juntas médicas e as remodelações ministeriais:
vêm sempre ao de cima doenças esquisitas, até então nunca diagnosticadas.

segunda-feira, julho 10, 2006

A Razão dos Três Porquinhos

3 porquinhos

O conto infantil que melhor retrata a história da humanidade é, sem dúvida, a História dos Três Porquinhos. Esta história simbolicamente divide o mundo em 4 tipos de gente, cada um dos tipos correspondendo a uma personagem:

- Temos os indigentes, representados por Cícero (o porco preguiçoso), que gostam pouco de alancar e preferem esticar a mão ao fim do mês e receber os subsídios do Estado.

- Temos os tipos que trabalham, trabalham e trabalham, representados por Heitor (o porco trabalhador), que nunca têm o seu esforço recompensado e que no final de cada mês vêem o seu dinheirinho escoar-se em impostos para pagar a inércia dos Cíceros deste mundo.

- Temos a malta inteligente, representada por Práctico (o porco construtor civil) que lá se vai safando com algum custo.

- E finalmente temos os gajos que querem lixar a vida a todos os outros (representados pelo Lobo Mau) e que, trabalhando afincadamente para o Estado (essa abstracção incómoda) acabam inevitavelmente por lixar os Cíceros e Heitores da vida.

O conto contém requintes de malvadez: as personagens consideradas «boazinhas» são uma vara de porcos, o que não abona muito a favor de todos nós. Todos têm um nome próprio à excepção do lobo que, tal como o Estado, não é personalizável. Quem é esperto dedica-se à construção civil à séria. E o Estado é representado por um predador insistente e sem escrúpulos (um silogismo, portanto).
A história só não é perfeita porque um dos porcos acaba por se safar à conta de um trabalho bem feito e de uma criteriosa escolha de materiais de construção. É aqui que tudo entra no mundo das fábulas, porque sabemos bem que no mundo real o porco nunca teria este discernimento profissional e veria a sua obra embargada sine die para mais tarde ser implodida com pompa e circunstância ou, na melhor das hipóteses, untava as mãozinhas do lobo e de todos os seus colegas de partido para evitar ser envolvido numa escandaleira qualquer envolvendo práticas esquisitas com leitõezinhos e tâmaras frescas.
Ainda assim fica o registo de uma boa tentativa para nos retratar.

domingo, julho 09, 2006

A Razão da Provocação

provocação
Acredito veementemente que o grau de inteligência de uma pessoa traduz-se directamente no número de atitudes conflituantes que consegue gerar em torno do mesmo assunto.


Lisa Alther

sábado, julho 08, 2006

A Razão do Economista

economista
O economista é um especialista que saberá amanhã porque é que as coisas que ele previu ontem não aconteceram hoje.

Laurence J. Peter

sexta-feira, julho 07, 2006

A Razão da Greve

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A coisa mais útil que se pode fazer num país que não produz a ponta de um chavelho é uma greve. As greves são libertadoras, são relaxantes, e acima de tudo são produtivas. Produzem belos dias de lazer, na praia, na cidade ou no campo, sem fazer absolutamente nenhum.
És funcionário público e achas mal trabalhares as mesmas horas que um empregado privado? Faz uma greve. És motorista da Carris e chateia-te fazer 40 horas de trabalho por semana? Faz uma greve. És professor e babas-te que nem um camelo? Faz uma greve no dia dos exames nacionais para lixares a vida a uma série de miúdos que inocentemente acharam que lhes ias ensinar alguma coisa de produtivo. És polícia e aborrecem-te os arrastões? Faz duas greves. És bombeiro e enerva-te haver falta de água para os fogos? Faz uma greve. És um magistrado e estás escandalizado porque já não podes ter 3 meses de férias judiciais? Faz uma greve. Mas antes de fazeres uma greve certifica-te se tens condições para fazer uma boa greve:

A boa greve faz-se de Verão. Não tem jeito nenhum fazer greves à chuva e ao frio. As disputas ideológicas ficam mais quentes no Verão.

A boa greve faz-se à segunda ou à sexta-feira (de preferência à segunda e à sexta-feira) porque assim podes gozar à brava com os babacas privados que vão de manhãzinha trabalhar para pagarem o prejuízo de tu não trabalhares porque estás em greve.

A boa greve faz-se com catering. Uma greve sem catering não é uma greve, é um grupo de javardos que acredita que vai conseguir alguma coisa do patronato só porque ficam todos juntos de pé e aos berros.

A boa greve começa à primeira hora do dia, mas só tem manifestação por volta das 20:30h em frente da Assembleia da República, já vazia. Isto permite-te dares um pulinho à praia, dares uma voltinha pelos centros comerciais, ver as garinas, e depois da manif (que não deve exceder os 60 minutos) ires alegremente jantar com os colegas.
Se pelo menos uma destas condições não estiver cumprida, queixa-te ao sindicato e faz uma greve para obteres condições. Lembra-te que só os bons bandalhos fazem boas greves. Avante Labregos!

Uma reposição dedicada aos nossos esmerados funcionários públicos e à sua greve de ontem.

quinta-feira, julho 06, 2006

Razões Freudianas


Cada indivíduo tem entre 20.000 e 40.000 pensamentos por dia (embora ainda esteja sujeito a prova se os membros do Governo, bem como os deputados da Assembleia da República, conseguem atingir uma centena diária). Dizem esses iluminados, os psicólogos, que 1/3 do dia pensamos em sexo, ou seja, na melhor das hipóteses pensamos em sexo 13.333 vezes por dia, 555 vezes por hora, 9 vezes por minuto, 1 vez em cada 6 segundos. Como é que ainda arranjamos espaço para pensar noutras coisas? Deixem lá de pensar nisso e reflictam comigo. Ignorem esses pequenos flashes de 6 em 6 segundos ok? Façam um esforço.


Publicado originalmente em Junho de 2005.

quarta-feira, julho 05, 2006

A Razão da Inspiração

inspiracao
Ligou o computador, sentou-se na secretária e ficou a olhar para o ecran negro que ganhou umas cores enquanto carregava o sistema operativo. O anti-virus informou-o que se estava a actualizar. Uma janelinha no canto do monitor indicava 15 mails por abrir.
Abriu o browser e entrou na página de edição do seu blog. Perdeu a noção do tempo e, duas horas depois, ainda ali estava sentado na secretária a olhar para um ecran luminoso, que lhe mostrava uma página de edição em branco. Não tinha conseguido escrever nada. Nem uma palavra. Tornou a perder a noção do tempo e só voltou a si quando foi assolado por uma sensação esquisita de náusea. Sentiu-se dentro de uma centrifugadora alucinada: começou a ver o escritório a andar à volta. Por momentos ainda conseguiu distinguir os objectos, o ecran em branco, o cinzeiro atestado de beatas, várias chávenas vazias de café. Mas com o aumento da centrifugação tudo se misturou num padrão esquisito e multicolorido. Ainda teve tempo de pensar que aquilo era capaz de dar um quadro giro, daqueles quadros impressionistas. Pensou também no post que não escreveu. Depois disso não se lembrou de mais nada. Não se lembrou se vomitou ou não. O padrão esquisito e multicolorido transformou-se numa imensidão de negro.
Foi encontrado pela empregada da limpeza no dia seguinte. Morto em frente a um ecran luminoso que mostrava a página de edição do seu blog. Em branco.
O senhores do CSI da esquadra da Brandoa disseram que tinha morrido por sufocamento. Tinha perdido a capacidade de inspirar. Só expirava. E expirou.

segunda-feira, julho 03, 2006

A Razão do Fair Play

fair play
O país que inventou os gentlemen também inventou os hooligans.
É a isto que eu chamo fair play.


Foto: adepto britânico a constatar que a Lei de Murphy é apenas uma merdice inconsequente inventada pelos bostas dos americanos, e que uma tribo somali não é nada benéfica para o hemorróidal.

domingo, julho 02, 2006

A Razão Boçal

boçal

Para salvar aquela vila foi necessário destruí-la.

Oficial americano no Vietnam a explicar a razia feita à aldeia de Ben Tre, em 1968.

sábado, julho 01, 2006

A Razão de uma Boa Definição

definicao
Nádegas: A área na traseira do corpo humano (por vezes referida como glutaeus maximus) que se encontra entre duas linhas imaginárias que correm em paralelo até ao chão quando uma pessoa está de pé, sendo que a parte superior dessa linha está meia polegada acima da clivagem superior dos glúteos (i.e., a proeminência formada pelos músculos que partem da parte detrás da coxa e que seguem até à parte detrás da perna); e a parte inferior dessa linha está meia polegada abaixo do ponto mais baixo de curvatura de uma protuberância de carne (por vezes designada de dobra gluteal), e por entre duas linhas imaginárias, uma em cada lado do corpo (as «linhas exteriores»), linhas exteriores essas que são perpendiculares ao chão e às linhas horizontais descritas acima, e que tocam os pontos mais longínquos em que cada glúteo encontra o lado exterior de cada perna...

Excerto de uma ordem municipal que regula a nudez nas praias e restaurantes (na Flórida...)

sexta-feira, junho 30, 2006

A Razão Eclipsada

eclipse
Recentemente, assisti a uma coisa que nunca irei esquecer: um eclipse da Terra. Mas, por ser um eclipse da Terra, não havia sítio para observar. Então olhei para a Terra e, enquanto olhava, a Terra ficou muito escura. No entanto, o período de escuridão foi muito breve por estarmos próximos da Terra. Lembrem-se, meninos e meninas, nunca olhem directamente para um eclipse. Peçam sempre a alguém para vos contar como foi.

George Carlin

quinta-feira, junho 29, 2006

A Razão do Golfe

Golf
Para mim o Golfe é tão desporto como a Bisca Lambida ou o Levantamento do Copo. Sejamos sérios. Caminhar calmamente (quando não se usa um carrinho eléctrico) sobre um campo relvado à stickada numa bola de reduzidas dimensões, tentando enfiá-la em 18 buracos diferentes é, no mínimo, um passatempo de gosto duvidoso.
Desporto é quando um tipo se esforça a sério, quando sua, quando sofre lesões e traumatismos irrecuperáveis. Já alguma vez viram um golfista ser transportado de maca, para fora do teeing ground (eles chamam isto ao relvado) porque se lesionou? Já alguma vez viram um golfista suado? Claro que não. Isto porque o Golfe é o equivalente da Bisca Lambida para uma mão cheia de velhotes com dinheiro, e para umas valentes resmas de empresários e executivos que, por não terem a cheta dos velhotes, passam a vida a jogar com eles para ver se aquilo da conta bancária se pega por osmose, ou então para lhes sacarem mesmo o dinheiro que permitirá terem uma vida santa a arrastarem-se diariamente entre 18 buracos. Se aqueles velhotes fossem uns tesos iríamos provavelmente encontrá-los a jogar à bisca lambida num dos muito parques da cidade, ou numa tasca qualquer do Bairro Alto a levantar o copo.
A diferença mais visível entre um praticante de bisca lambida e um praticante de golfe está na sua conta bancária. Os primeiros normalmente não a têm.
A quem não conhece um campo de golfe recomendo vivamente a visita: está pejado de velhotes grisalhos armados ao desportista vivaço. É patético. Eu acho que há uma relação entre a disfuncionalidade da próstata e a capacidade de jogar golfe: aparentemente o bom funcionamento da próstata dificulta a aprendizagem do golfe, e é precisamente quando ela é removida que o praticante consegue fazer os mais perfeitos «pares» e os mais arrepiantes «birdies». É mais uma vez a próstata disfuncional que dá origem à expressão «handicap», que determina o nível do jogador de golfe – quanto mais pequeno o handicap, maior o nível de perícia e consequentemente maiores os indícios que ali já não há próstata. Aliás tenho uma teoria sobre aquelas posições de rabinho espetado antes da tacada: acho que aquilo foi toque rectal a mais.

quarta-feira, junho 28, 2006

A Razão Impressionista

impressionista
Já tiveram alguma vez a impressão de que a impressão que causam nos outros pode por vezes deixá-los tão mal impressionados que até lhes faz impressão? Há quem diga que a primeira impressão é a que conta e que determina tudo o resto, o que me faz alguma impressão se querem que vos diga. É impressionante a importância da impressão. E não há duas iguais. Há boas impressões que não nos deixam grandemente impressionados, assim como há más impressões que nos deixam uma forte impressão que mais valia não termos tido qualquer impressão.
Ficar bem impressionado implica que não nos façam impressão certas coisas, o que, se pensarem bem, é perfeitamente paradoxal: como impressionar sem ter impressão, mas apenas fazendo-a? Como podemos fazê-la sem ficar com ela? É assim uma coisa altruísta em que no momento que a fazemos nos descartamos dela?
E uma má impressão? Poderá uma má impressão deixar-nos bem impressionados ou inevitavelmente não nos impressionará nada, até pelo contrário, e ficaremos estupidamente mal impressionados? É curioso ver que para uma má impressão tanto faz que tenhamos uma impressão ou façamos qualquer impressão: é indiferente.
Este raciocínio todo já me está a fazer uma imensa impressão. É impressionante o que uma pessoa se lembra quando não tem impressões nenhumas. Até me faz impressão...

terça-feira, junho 27, 2006

A Razão de Lagos

lagos
Poucas cidades portuguesas têm um passado tão rico como Lagos, uma cidade cuja vocação para o turismo de pé descalço remonta a 2.000 anos A.C., altura em que um labrego de um celta chamado Brigo decidiu acampar perto de um lago acabando por ficar por lá a viver em pecado com os seus homens, naquilo que viria a ser um dos primeiros «spots gay» da península (tradição que se mantém até aos dias de hoje). O deboche gay foi tão grande que os Deuses se chatearam a arrasaram a cidade (que na altura se chamava Briga) por volta de 350 A.C., época em que um outro turista cartaginês, de nome Bohodes, decide voltar a edificá-la.
Com os cartagineses a tomar conta da loja a cidade torna-se um importante pólo turístico e comercial para os fenícios, gregos e, claro, os próprios dos cartagineses. Briga torna-se conhecida na zona mediterrânica como um importante porto de entrada de drogas duras na península (tradição que também se mantém até aos dias de hoje).
Atraído pela reputação psicadélica que a cidade granjeara, o Império Romano toma-a no ano de 76 A.C. pela mão do general Metelo (ainda hoje se houve localmente a expressão «o que é preciso é Metelo» na boca da população lacobrigense). Metelo decide rebaptizá-la de Lacóbriga, onde introduz novas técnicas de orgia utilizando sardinha crua, ou por vezes, estivada. Durante alguns anos Lacóbriga passou várias vezes de mãos, entre romanos e visigodos.
Em 712 os árabes decidem acabar com aquela devassidão que não dignificava nada Alá e que, ainda por cima, estava a dar cabo da população de sardinhas na costa algarvia. Voltam a rebaptizar a cidade, dando-lhe o nome de Zawaia (que significa, ao contrário do que muita gente pensa, «o poço»). Como vêem Lagos já era um poço sem fundo no tempo dos árabes...
Os árabes permanecem alguns séculos em Zawaia e entretêm-se a pintar as casas de branco e a fazer umas chaminés esquisitas até que um dia são postos dali pra fora por um gajo com pretensões a cruzado, de nome D. Paio Peres Correia. Em 1249 a cidade fica definitivamente nas mãos do Reino de Deus e assume o nome actual de Lagos. A indústria do turismo sofre um considerável revés e a ideia dos cristãos é pôr tudo o que é estrangeiro na alheta. E durante 200 anos não acontece nada. Com a chegada do Infante D. Henrique a coisa muda substancialmente de figura. Sediado em Sagres, o Infante deslocava-se frequentemente a Lagos para dar largas à sua preferência desviante por meninos. Alguns dos seus preferidos viriam a tornar-se importantes navegadores, com o seu patrocínio: os mais conhecidos – Lançarote de Freitas, também conhecido por «ganda maluka» e Gil Eanes, o «bacamarte dourado» - são hoje figuras destacadas da história de cidade.
Com a época dos Descobrimentos a vida artística da cidade anima-se de sobremaneira, sendo largamente conhecidos os espectáculos nocturnos com mulheres desnudas, anões e cavalos pentapérnicos. Lagos é a primeira cidade portuguesa onde desembarcam escravos africanos, que fazem as delícias das raparigas da terra – é aqui que surge a tradição do «Bora Dar», vigente até hoje. Como sabemos as raparigas de Lagos nunca «dão» para ninguém, a não ser que este seja estrangeiro ou, no mínimo, de outro sítio que não Lagos.
Em 1573 o puto maluco decide dar-lhe o estatuto de cidade e torná-la Capital do Reino do Algarve, mas é sol de pouca dura. O puto maluco sai de Lagos para ir andar à porrada com os mouros e nunca mais volta, e o título de capital é retirado à cidade.
Entretanto, Sir Francis Drake, ouvindo falar do «Bora Dar» invade a cidade algumas vezes e «dá» que nem um perdido, até um dia apanhar sífilis, para nunca mais voltar (causando imenso desgosto em muita rapariga da terra).
Em 1755 a cidade é arrasada pelo terramoto e não retoma a pujança turística de outros tempos até 1960, altura em que a invasão sueca vem dar origem ao «Bora Levar», uma tradição que consiste em «levar» do primeiro pescador ou cigano que encontrarem à frente. Escusado será dizer que a tradição permanece actualmente, com uma maior proliferação de nacionalidades, coabitando com o «Bora Dar».
A revolução de Abril não altera grandemente o perfil turístico da cidade e dá azo ao aparecimento de figuras locais dignas de uma telenovela mexicana. Durante anos a cidade é governada pelo «Mister 10%», também conhecido pelo «Homem do Pum sem Cheiro» (Plano Urbanístico Municipal); sucede-lhe Tintim, um homem com uma estranha obsessão por rotundas; e finalmente o vigente Groucho Marx, por muitos considerado um agente infiltrado da Direcção Geral de Viação, e cujo lema é «um semáforo em cada esquina».
Lagos lembra-me Portugal à micro-escala. Passado glorioso, presente insidioso, futuro duvidoso.
Os meus parabéns à cidade.

Uma homenagem ao melhor blog desta cidade com complexos de vila. Publicado originalmente no 5 Pontas em Outubro de 2005, aquando do aniversário da cidade.

segunda-feira, junho 26, 2006

A Razão do Espremedor de Laranjas

laranjas

Quem me lê normalmente deve achar que eu não suporto espanhóis, o que não anda muito longe da verdade. Mas o meu desconforto pelos espanhóis não é nada comparável aos meus dois ódios de estimação: os ingleses e os holandeses. Sobre os ingleses vou falar mais tarde, esses pulhas rabetas que gostam de dizer que têm connosco o «mais antigo tratado do mundo». Hoje vou falar sobre os laranjinhas, por muitos considerados os melhores alunos da Europa, e por mim rotulados como os vermes chupistas mais badalhocos da história da humanidade. Diz a história que os laranjinhas nunca tiveram grande sorte com os portugueses: não só no futebol, como nos episódios históricos onde nos temos cruzado. Pessoalmente acho que os laranjinhas são bons a fazer aquilo que os tornaram num país: parasitismo. Os holandeses são, na realidade, o povo mais parasita do planeta. Umas verdadeiras rêmoras alaranjadas coladas na barriga de um tubarão qualquer. Enquanto os espanhóis e portugueses definiam o Tratado de Tordesilhas (um tratado bem diferente daquele que falei há pouco com os ingleses), os holandeses, esses bostas sem imaginação que falam a escarrar, andavam atrás de nós, a sacar meticulosamente o que nós andámos a descobrir. Um bom exemplo disso é a cidade de Recife, no Brasil, descoberta por portugueses, tomada pelos badalhocos dos holandeses, para logo a seguir serem dali corridos por um joint venture de portugueses e indígenas. Hoje em dia, entalados no meio da Europa ocidental, os holandeses continuam a praticar o parasitismo ancestral que sempre os caracterizou. De vez em quando lixam-se. Assim como hoje. Isto porque quando têm que contar com eles próprios, e não com a sua propensão para chupar aqueles que andam à sua volta, os laranjinhas lixam-se. Lixam-se à grande.
Arrotem pelintras!

domingo, junho 25, 2006

A Razão a Descoberto

a descoberto
Se disseres a verdade podes ter a certeza que mais tarde ou mais cedo virás a ser descoberto.

Oscar Wilde

sábado, junho 24, 2006

A Razão Umbilical

umbilical
O meu parteiro foi tão estúpido que se esqueceu de me cortar o cordão umbilical. Durante um ano aquele miúdo seguiu-me para toda a parte. Foi como ter um cão preso por uma trela.

Joan Rivers

sexta-feira, junho 23, 2006

A Razão do Orgasmo

orgasmo
No início dos tempos o orgasmo era uma coisa muito simples: só os homens é que o tinham, e servia para os avisar de quando é que tinham de parar.
Depois elas desataram a ter orgasmos e a coisa complicou-se de sobremaneira. Aquilo que era uma função básica da reprodução ganhou uma pluralidade de dimensões e, hoje em dia, o orgasmo tem mais funções que um telemóvel de última geração. Senão vejamos:
O orgasmo vende revistas: coloque-se a palavra «ORGASMO» a ocupar 1/3 da capa de uma revista e tem-se uma edição esgotada. O orgasmo é um barómetro de performance para eles e para elas – quantos mais, melhor. O orgasmo faz bem à pele. O orgasmo dá audiência ao Júlio Machado Vaz. O orgasmo desentope o nariz e tem efeitos anti-histamínicos. O orgasmo reduz a tensão e o stress. O orgasmo mais decibélico enfurece qualquer vizinho mais rebarbado. O orgasmo produz expressões faciais caricatas. O orgasmo aumenta a longevidade. O orgasmo tem efeitos inexplicáveis ao nível da auto-estima.
Se alguém duvida da capacidade feminina de complicar o que quer que seja, o orgasmo tira-vos todas as dúvidas. Ou seja, se têm dúvidas, tenham um.

Foto daqui

Publicado originalmente em Junho de 2005

quinta-feira, junho 22, 2006

A Razão do Verão

verão
Ontem foi oficialmente aberta a época de Verão. O Verão, como provavelmente saberão, é uma das quatro estações do ano. Já alguma vez perguntaram qual a hierarquia do Verão nas quatro estações? Qual é a ordem das estações? Há quem diga que o Verão é a segunda estação, dado que a Primavera é a estação de todos os inícios. A malta acredita que a vida começa na Primavera e que depois se despe à brava no Verão. Mas isso não interessa nada para o post de hoje. O que interessa mesmo é a razão do Verão se chamar Verão. Já pensaram nisso? Aposto que não. Nunca vos ocorreu pensar nisso, o que é um bom princípio, porque assim vão dar-me mais uns segundos da vossa atenção.
Não é difícil perceber porque o Verão é chamado de Verão. As razões são várias:
É nesta altura do ano que vocês verão a ruiva da paragem de autocarro com aquele micro bikini num fim de semana na Caparica, facto que vos dará novo alento no Inverno, quando a virem ali especada de sobretudo e com aquele ar de que lhe chuparam o sanguezinho todo (provavelmente no Verão passado).
É nesta altura em que vocês não verão aquelas intermináveis, inconsequentes, bacocas, provincianas e estupidificantes discussões na Assembleia da República porque os bostas estarão todos de férias a gozar o Verão.
É nesta altura que vocês verão que o melhor que têm a fazer é apanhar um belo sol e mamar umas belas cervejas em boa companhia e esquecer o patrão e os clientes, ambos chatos como a potassa.
Também verão a vossa pele a ficar mais escurinha, a vossa barriga a acusar os excessos de patuscada, as tardes a ficarem mais compridas e as noites a fundirem-se com a madrugada.
Verão nascer novas amizades e novos amores. Verão morrer malta em barda pelas estradas. Verão pôres do sol inesquecíveis, fins de dia irrepetíveis, noites perfeitamente olvidáveis, e nasceres do sol inenarráveis.
Verão tudo isto e mais um par de botas. E finalmente verão que o Verão, quando nasce não é para todos e, se tiverem sorte, verão também que são uns daqueles privilegiados que verão e saborearão o Verão, enquanto outros não o verão da mesma maneira.

quarta-feira, junho 21, 2006

terça-feira, junho 20, 2006

A Razão da Gengivite

gengivite
Um estudo realizado por uma universidade portuguesa demonstrou uma correlação entre a taxa de corrupção de um país e o copianço puro e duro nas escolas desse país. Em suma, se os alunos copiam barbaramente o mais provável é virem a contribuir para, anos mais tarde, já instalados nas suas vidinhas profissionais, se virem a demonstrar uns cábulas corruptos.
Não é novidade nenhuma verificar neste estudo que os alunos nórdicos são os que menos copiam (apenas 5%) e que os portugueses, espanhóis, e brasileiros se destacam orgulhosamente na muy real arte do cabulanço.
Não acredito que haja uma solução para o cabulanço. E consequentemente, a fazer jus às conclusões do estudo, também não acredito que haja uma solução para a corrupção. No entanto acredito que há males que podem ser minimizados, sendo que este é um deles. Bastava para isso proibir, ou mesmo coibir (recorrendo à violência física moderada – uns pontapés bem aplicados nas gengivas, por exemplo), que cada aluno cábula pudesse vir, no futuro, a desenvolver as suas tendências corruptivas. Uma coisa seria certa: a nossa classe política teria umas gengivas muito mais saudáveis.

segunda-feira, junho 19, 2006

A Razão dos Nuestros Hermanóides

nuestros hermanoides
É curioso ver o que um objecto esférico de couro e onze gajos para cada lado fazem a um país. Não deixa de ser curioso de ver como cada povo convive com a sua nacionalidade e o seu patriotismo quando confrontado com o fenómeno do desporto a um nível mais ou menos global. Para variar, hoje nem vou falar mal dos portugueses que, provavelmente porque já levaram tanto na tromba em Mundiais de futebol, até estão bastante contidos com o facto de terem chegado (pela segunda vez em quarenta anos) aos oitavos de final desta competição. A contenção portuguesa até me deixa uma pontinha de orgulho, pela maturidade (para não lhe chamar outra coisa) que estamos a demonstrar.
Hoje vou falar dos nossos hermanóides (nuestros hermanos mongolóides). Eles merecem. Eu só não acho que vivo no país mais ridículo do planeta porque tive a sorte de nascer ao lado de Espanha. É verdade. Os nossos hermanóides (desculpa lá Marco, mas é mais forte que eu) estão no Mundial como estão na vida: cheios de tesão nos primeiros minutos, a acharem que vão partir esta merda toda, verdadeiramente convencidos de que são os melhores do mundo até levarem (e o mais ridículo de tudo é que levam sempre) com a puta da realidade pelos «cuernos arriba». E aí, como bons espanhóis, reagem sempre da mesma maneira: negam. Negam tudo. Negam que o Mundial existe. Negam que alguma vez lá estiveram. E desligam rapidamente os aparelhos de televisão esquecendo que afinal, até à próxima, não são os melhores. É assim o patriotismo vizinho. Se Portugal é o cu da Europa, a Espanha é o seu membro fálico. Com ejaculação precoce. Opá vamo a por el Mundial!

domingo, junho 18, 2006

A Razão da Bola

bola
Ver futebol é como ver pornografia. Tem montes de acção, e normalmente não consigo desviar os olhos daquilo. Mas quando acaba pergunto-me porque diabo gastei uma tarde inteira com aquilo.


Luke Salisbury

domingo, junho 11, 2006

A Razão do Patriotismo

patriotismo
Patriotismo é a vossa convicção de que o vosso país é superior a todos os outros só porque vocês nasceram nele.

George Bernard Shaw

sábado, junho 10, 2006

A Razão Filosófica

filosofica

Há pessoas que olham para as coisas tal como elas são e perguntam, Porquê? Há pessoas que sonham com coisas que nunca aconteceram e perguntam, Porque não? E há pessoas que têm que ir trabalhar todos os dias e não têm tempo para essas merdas...

George Carlin

sexta-feira, junho 09, 2006

A Razão da Saudade

saudade
Há quem ache que se há por aí uma coisinha que deviam elevar a património da humanidade, não é Marvão (um dos candidatos) nem o Fado (outro dos candidatos e sujeito de uma das Razões anteriores), mas a Saudade. Esta é, na opinião de muitos e sem sombra de dúvida, um património nacional que devia pertencer ao mundo. Naturalmente que este é um raciocínio de pura retórica nacionalista. Quem somos nós para franchisar o significado de uma palavra? Uns palermas armados em exclusivistas que pensamos que, lá porque inventámos uma palavra que significa um sentimento, temos o direito e o topete de achar que o significado é nosso? Desenganem-se amiguinhos. Então vocês acham que só os portugueses é que percebem o que é sentir falta de alguém, de um momento, de algo que experienciámos um dia e que muito dificilmente voltaremos a experienciar? Tenham juízo…
A saudade, elevada a um nobre sentimento nacional com aspirações mundiais, é uma verdadeira fraude. É a prova de que nós achamos que somos diferentes dos outros só porque arranjamos uma maneira diferente de dizer que sentimos falta, que estamos nostálgicos. Os russos também achavam que eram os «donos» da Nostalgia só porque um sacana de um realizador chamado de Tarkovski decidiu cristalizar o sentimento num filme onde mostrava (à boa maneira secante de Manoel de Oliveira) um plano de uma janela onde, durante 10 minutos consecutivos, só chovia lá fora e mais nada se passava. Os povos têm destas merdas. Acham que é tudo deles.
Se querem elevar um sentimento lusitano a património mundial que o façam com a inveja. Esse sim, move a nação toda. A saudade é apenas uma paneleirice inventada por um grupo de gajos que nunca estão satisfeitos com aquilo que têm, e que só arranjam satisfação naquilo que perderam e nunca mais vão ter. Saudade, para mim, é uma canção da Cesária Évora, e o resto é retórica.

Publicado originalmente em Fevereiro de 2005.

quinta-feira, junho 08, 2006

A Razão do Potencial

potencial
Um dos conceitos com menos conteúdo em Portugal é o do Potencial. Quando afirmamos que alguém tem o potencial para se tornar outra coisa qualquer num futuro mais ou menos próximo, estamos tacitamente a dizer que, no presente, nesse preciso momento que vaticinamos o potencial do indivíduo, ele não tem aquilo que é necessário. Até poderá vir a ter, mas de momento não o tem. Essa é que essa. É a filosofia de «se a minha avó tivesse rodas seria um camião de oito rodados» em todo o seu esplendor.
O Potencial é um dos nossos complexos nacionais: fartam-se de nos dizer que o país tem imenso potencial (eu tenho sérias dúvidas) mas apesar disso não sai do seu costumeiro e ancestral «chove não molha». Este potencial nacional é perfeitamente questionável, se pensarmos bem. Temos o potencial de quê e para quê?? Não o temos certamente nos recursos naturais, onde somos líderes a descascar sobreiros e a extraír urânio empobrecido; não o temos nas práticas de gestão privada ou estatal que, como vamos sabendo, continuam a fazer-nos cair nos rankings da produtividade e da competitividade; poderíamos pensar que o potencial está no povo português mas... olhem lá para o povo português e digam-me sinceramente se descortinam algum potencial escondido.

Apesar disto, Portugal continua a ser encarado como um país com potencial para os imigrantes que já representam 7% do nosso PIB; para os investidores espanhóis que cada vez ganham mais dinheiro aqui; e para os «caçadores de cérebros», que encontram em Portugal um manancial de gente inteligente, barata, e cheia de potencial que já não tem paciência para queimar nem mais um neurónio para transformar esta telenovela mexicana numa série de culto.

quarta-feira, junho 07, 2006

A Razão das Obras

construtorcivil
O construtor civil e toda a turba que o precede (pedreiros, pintores, canalizadores e electricistas) são o paradigma da nossa nacionalidade. Não há classe de gente que represente tão bem os portugueses como esta turminha bacoca. Ouvi de um belga uma vez que «só se percebe a essência do povo português depois de se ler Eça e de se fazer obras em casa». Só lhe posso dar razão, apesar de os belgas também não serem flores que se cheirem...
Uma obra em Portugal é sempre a mesma coisa: é obra. No início é só facilidades e orçamentos baratos, no meio é só facilidades e orçamentos acrescidos, e no fim (se é que podemos usar esta palavra) é sempre um «do mal o menos» e um custo proibitivo.
O que determina o final de uma obra em Portugal não é, curiosamente, a conclusão do último acabamento. Não. Normalmente uma obra é dada como acabada quando se acaba o dinheiro ou a paciência de quem a paga. E portanto, tal como o próprio país, tudo fica inacabado e atabalhoadamente concluído. Uma espécie de Santana Lopismo vigente que contamina todo este sector.
O construtor civil e a sua turminha só percebem uma linguagem: desenvolveram desde cedo um sentimento masoquista que só lhes permite funcionar quando levam pontapés na boca. Tratá-los com profissionalismo é contribuir para que a obra dure 4 vezes mais tempo. Aplicando uns pontapés na boca aqui e ali a obra consegue concluir-se no dobro do tempo.
Sabendo disto, quando decidi fazer obras em casa, segui os conselhos de um amigo alemão e defini com o meu construtor civil um contrato penalizador. Ele definia um prazo para a obra e por cada dia que ele se atrasasse pagar-me-ia uma determinada quantia. Medida Santa: já vou no terceiro construtor, o dinheiro das penalizações já deu para fazer uma piscina que não estava inicialmente prevista, e pelos vistos vou passar umas férias à borla no Brasil à conta do gajo que está lá agora. Recomendo-vos. O Brasil, não as obras.

Publicado originalmente em Maio de 2005.

terça-feira, junho 06, 2006

A Razão da Besta

besta
Uns tipos com muito tempo livre apareceram por aí muito excitadinhos a afirmar que hoje, dia 6 de Junho de 2006, é o Dia da Besta. Isto porque numericamente a data tem a configuração 666, normalmente associada a uma Besta qualquer.
Não fazendo ideia do significará hoje ser o Dia da Besta, gostaria de dedicar este post a todas as bestas que conheço, e em especial:

- Às bestas que governam o país diariamente e que enchem o bandulho à conta de contribuíntes que cada vez têm menos dinheiro para si porque cada vez pagam mais para alimentar um Estado que pouco faz por eles.

- Às bestas dos empresários nacionais que não fazem nada pelo país mas que gostam de exibir os seus fatinhos e comparar o tamanho das suas gravatas em eventos do tipo «Compra-me isso Portugal».

- Às bestas histéricas dos media que transformam diariamente o país num circo de celebridades pré-fabricadas e medíocres que almejam uma qualquer importância nacional que só têm nas suas cabecinhas loiras e ocas.

- Às bestas dos jornalistas que não percebem a diferença entre uma estrumeira e os artigos que diaria ou semanalmente escrevem, acreditando que chafurdar na merda lhes dá uma aura qualquer de intocáveis, e que só são intocáveis porque ninguém se lhes chega perto por causa do cheiro.

- Às bestas do serviço e do funcionalismo público, agarradas que nem lapas a direitos adquiridos e a regalias desajustadas da realidade do país.

- Às bestas da oposição, que confundem oposição com destruição e que, por isso mesmo, não conseguem por manifesta incapacidade desempenhar o papel que lhes está destinado.

- Às bestas dos tios e das tias, indigentes, tesos, improdutivos, mas com aquela pose ridícula de que são importantes para alguma coisa, e com uma pseudo-educação que os coloca, no seu miserável discernimento, acima de todos os outros.

A melhor maneira de comemorar o Dia da Besta é expôr todas estas alimárias, quanto mais não seja por um único dia, e dizer-lhes, nas trombas, que já os topamos. O ideal seria tatuar-lhes, com um ferro quente na testa, o número 666. Isso seria mesmo bestial.

segunda-feira, junho 05, 2006

A Razão Delinquente

delinquente
Li hoje que o Estado gasta 16,2 milhões de euros por ano para manter em funcionamento 12 centros educativos de jovens delinquentes. Dado que o número total identificado de jovens delinquentes em Portugal é de 271, isto significa que a cada menor cabe a generosa quantia de 4.981 euros por mês (13 vezes o ordenado mínimo nacional).
A todos vós que estudam e estudaram durante dezenas de anos para engrossarem a lista de desemprego com um canudo inútil na mão, um conselho: dediquem-se ao crime, e já agora iniciem também os vossos filhos, porque pelos vistos aqui na telenovela mexicana a coisa compensa. E o Estado recompensa.

domingo, junho 04, 2006

A Razão Inicial

inicial
No início não existia nada. Então Deus disse: «Faça-se luz!» E fez-se luz. Continuou a não existir nada, mas pelo menos via-se tudo muito melhor.

Ellen DeGeneres

sábado, junho 03, 2006

A Razão Reveladora

reveladora
A diferença entre Democracia e Ditadura é que na primeira vocês votam e acatam as ordens depois, e na segunda nem sequer perdem tempo a votar.

Charles Bukowski

sexta-feira, junho 02, 2006

A Razão Telefónica

telefonica
Gostava de saber se, quando levantamos o auscultador do telefone, existe um sinal de marcação individual para cada um de nós ou há um grande sinal de marcação mundial contínuo, onde vamos entrando e saindo? Estas coisas dão cabo de mim.

George Carlin

quinta-feira, junho 01, 2006

A Razão do Trabalho Infantil

trabalho infantil
Ficou toda a gente escandalizada quando o Expresso publicou recentemente uma entrevista onde mostrava criancinhas portuguesas a trabalhar árdua e ilegalmente numa fábrica que fornece as lojas Zara. É interessante esta polémica do trabalho infantil no Portugal civilizado. Ficamos muito chocados e aborrecidos quando seres humanos com uma idade física abaixo dos 15 anos são postos a trabalhar e a ganhar ordenados miseráveis. E o que dizer dos gajos que têm uma idade mental abaixo dos 5 anos e que diariamente trabalham na Assembleia da República a ganhar ordenados duplos e a acumular regalias pornográficas? Alguém se chateia com estes? Não. Nisto do trabalho infantil, como noutras muitas coisas, temos dois pesos e duas medidas.


Foto: José Sócrates explica aos membros do parlamento a técnica correcta para tirar macacos do nariz.

quarta-feira, maio 31, 2006

A Razão da Fraqueza

fraqueza
Alturas há em que me sinto tentado a escrever sobre coisas maiores, coisas superiores, coisas que me e vos transcendem em qualquer minuto da minha e da vossa reduzida vida. Apetece-me partilhar convosco o sentido da vida, e o nosso objectivo final no meio de toda esta trapalhada; apetece-me partilhar convosco a minha visão sobre o sistema social perfeito, onde aos jovens é-lhes permitido ser jovens e aos velhos não é imposto um sistema de morte lenta e improdutiva; apetece-me falar-vos da importância da natureza e do vosso efémero mas decisivo papel nela; apetece-me falar-vos no prolongamento da vossa eternidade através da criação, seja de vida seja de actos que tornarão o mundo numa coisa melhor; apetece-me falar do quão vã é a busca por coisas que só aumentam a vossa infelicidade. Apetece-me falar disto tudo e de mais alguma coisa.
Depois o dia-a-dia toma conta do meu discurso e, numa série de momentos de fraqueza, acabo por vos falar de coisas comezinhas e divertidas desse mesmo dia-a-dia.
Um dia hei-de falar-vos dessas coisas elevadas. Mas não será hoje.

terça-feira, maio 30, 2006

A Razão Monetária

monetaria
O dinheiro fala.
Mas não tem nada de novo para dizer.

segunda-feira, maio 29, 2006

A Razão do Motor de Busca

motor de busca
Se há coisinha que diariamente acho fascinante é a quantidade de mamíferos que vem parar a este blog por mero acaso enquanto andam à procura das coisas mais aberrantes no motor de busca do Google. Mas mais fascinante que isso são os temas que estes mamíferos procuram na internet. Tiro o meu chapéu ao Google que, pelas minhas contas, está calmamente a construir a base de dados mais completa de todos os estúpidos, tarados e javardos do planeta. Graças ao Google será possível, daqui a uns anos, circunscrever estes palermas todos num local determinado e empandeirar-lhes uma tribo somali que lhes tirará quaisquer dúvidas que possam ter sobre a retractabilidade de um esfíncter.
Enquanto isso não acontece, vou partilhar convosco alguns exemplos do que tem sido procurado neste blog nas últimas 24 horas:

«Orgasmo» - um dos temas mais procurados desde que escrevi a Razão do Orgasmo. Aparentemente, os mamíferos que cá chegam à procura de orgasmo, têm uma secreta esperança de o encontrar por aqui. Deixem-me esclarecer-vos: não só não o vão ter por aqui, como duvido veementemente que, se o têm que o procurar na internet, alguma vez o venham a experienciar fora dela.

«Números de Telefone de Prostitutas da Madeira» - não será mais fácil consultar as páginas amarelas? Porque diabo terei eu no meu blog uma lista de telefones do putedo madeirense? E depois começo a pensar no gajo que fez esta busca: casado, chefe de família, gordinho e careca, numa convenção de vendas na Madeira, sózinho no hotel, e cheio de amor para dar. Em vez de telefonar ao Alberto João decide optar pelas amadoras... que amador.

«Sadismo» - um tema procurado por um brasileiro. Haverá alguma coisa mais sádica do que viver num país governado por Lula da Silva? Tenho dúvidas. E aparentemente o tipo que fez esta busca também.

«Coliseu Romano Leões» - Outro brasileiro à procura de um tema interessante. Reparem que há aqui um padrão brasileiro que implica indirectamente algum sofrimento humano. É por estas e por outras que a imagem que tenho do povo brasileiro se tem modificado lentamente à medida que vou escrevendo neste blog. E eu que os via como um povo alegre e despreocupado...

«Associar para memorizar nomes» - Mais uma vez um brasileiro. Desta feita um brasileiro com problemas de memória à procura de uma solução mnemónica que lhe resolva a sua incapacidade para se lembrar de nomes. Lamento informar-te, leitor desmemoriado, que não há solução para isso. Digo-te por experiência própria. Eu esqueço-me de um nome no momento em que estão a verbalizar a sua segunda sílaba. Sempre foi assim. E não me preocupo nada com isso.

«Bares de Alterne de Lisboa» - uma busca de um rapaz de Santarém que provavelmente está a preparar a sua visita à capital. Aparentemente ninguém explicou a este gajo que não precisa de gastar dinheiro para engatar alguém em Lisboa.

«Conversas Interessantes Sobre Mulheres» - uma busca curiosa feita por alguém de Lisboa. Pergunto-me o que será uma «conversa interessante sobre mulheres»: será sobre os seus atributos emocionais ou sobre os seus atributos físicos? Será sobre as suas proezas profissionais ou sobre as suas proezas sexuais? Não faço ideia, mas confesso que esta foi uma busca que me intrigou, por ser tão vaga.

«Plásticas aos Papos nos Olhos» - alguém em Aveiro não está satisfeito com as olheiras que ganhou ao longo da vida. Uma boa maneira de acabar com os papos nos olhos não é cirúrgica: basta deixar de usar o motor de busca diariamente. Olhar para o ecran de computador faz papos nos olhos.

«Quarentonas» - aqui está um brasileiro à procura de emoções. Este deve ser o tema mundial mais procurado na internet depois de «Sexo». Porque será?

Um dia irão estudar os temas mais procurados pela civilização humana nos motores de busca. Gastarão imenso dinheiro e tempo. Farão análises extensas e complicadas. E produzirão um relatório que concluirá que desde o Neanderthal pouco mudou, à excepção dos dinossauros. Até lá, vou-me divertindo.

domingo, maio 28, 2006

Razões Nacionalistas (II)

nacionalistas (II)

O povo português é estranho.
Quando uma figura pública desaparece choram baba e ranho, mas ao saberem que essa pessoa não é exemplar, em vez de colocarem a mão na consciência e dizer que "era uma pessoa como as outras", preferem efectuar a "super técnica Carrilho" e dizer que tudo são calúnias sem fundamento.
Enquanto que reclamam pela falta de qualidade de vida, pela miséria e pobreza em que vivem, gastam autênticas fortunas pelos seus clubes "do coração".
Idolatram milionários que não fazem mais do que ser bons profissionais mas aparentemente ninguém dá qualquer importância aos milhares de portugueses espalhados pelo mundo que em muito contribuem para o avanço da Humanidade, ganhando provavelmente pouco mais que um ordenado dito comum.
Um "Sr. Mister" pede que tenham orgulho no país e que o demonstrem colocando a bandeira Portuguesa nas janelas e o povo cumpre de imediato, fazendo com que o mercado da contrafacção cresça significativamente. Ao mesmo tempo demonstrando que nem sequer sabem colocar a bandeira sem ser de pernas para o ar! Mas enfim, suponho que o facto pode ser interpretado como uma crítica ao estado de coisas "se o país está de pernas para o ar, porque não haverá de estar a bandeira?".
Passa a ser obrigatório possuír um colete reflector na viatura e o que é que o povo faz? Consegue colocá-lo do modo mais pindérico alguma vez visto. Mas no entanto continuam a beber bastante às refeições e fora delas porque se julgam "os maiores" lá do seu bairro. Isto para depois poderem vir dizer que quebraram os records de alcoolémia e alegar que não sabiam que por beber um aperitivo antes do almoço, 3 canecas de cerveja durante o almoço, 2 litros de vinho para degustar e tomar um conhaque pós-almoço para "lavar o estômago" os colocasse em estado de embriaguez. E dizem estas palavras enquanto se questionam acerca do porquê de terem sido parados por um enorme conjunto de polícias... todos gémeos idênticos!
Imagino o que acontecerá quando tivermos um seleccionador nacional (um Mister portanto) que, devido a uma avançada idade, por mera senilidade ou enorme sentido de humor, venha dizer que para ajudarmos a selecção não há melhor do que fazer como o Super-Homem (que melhor exemplo?) e usar a roupa interior por cima da roupa. Será que a moda pegava? Tendo em conta o que se tem visto, julgo que sim!
Oh patriotismo a quanto obrigas!


Um grande comentário de CP que foi elevado a post.
Foto de Fotoben.

Razões Nacionalistas

noçao
Eu queria aqui deixar bem claro que, lá porque critico por vezes brutalmente a nossa triste e vil nacionalidade isso não significa que a desdenhe (ao contrário de muitos tugas malaicos que andam por aí, e aos quais teria muito gosto de apresentar uma tribo somali devidamente untadinha de vocês sabem o quê).
Não senhores, eu cá gramo de sobremaneira de fazer parte de um país cuja fundação começou com um belo par de chapadas dadas por um filho de uma mãe (convenhamos que ela andava a pedi-las); orgulho-me diariamente de um gajo que prometeu pagar uns trocos ao Papa vigente para transformar este território num país, e que depois o enganou à campeão e nunca lhe deu um chavo (se os gajos que vieram a seguir lhe tivessem seguido o exemplo, a igreja não teria estragado tanta coisa por aqui); rejubilo em histeria quando este mesmo gajo desata a arrear porrada de três em pipa nos sarracenos e funda uma data de merdas, inclusivé Lisboa. Não haja cá dúvida que se havia gajo que sabia fundar era ele.
E depois orgulho-me de outros gajos e gajas que contribuiram para este projecto: a padeira que ostentava uma destreza letal com a pá; o tipo de Avis, que pôs o Andeiro a andar; os gandamalucos que se puseram a fundar além-mar em casquinhas de noz; os gajos que enganaram os castelhanos (esses grandes porcalhões javardos filhos de uma carruagem atestada de lolitas) em Tordesilhas; o tipo de um olho só que idealizou e escreveu uma nação que não estava lá, e um império que de quinto não tinha nada.
É claro que depois deste anos áureos já não me orgulho de grande coisa, mas que no início aquela malta tinha razão, oh meus amigos, lá isso tinha!


Publicado originalmente em Dezembro de 2004
Foto de Fotoben

sábado, maio 27, 2006

A Razão dos Jornais

jornais
Ler jornais para perceber o que se passa no mundo é a mesma coisa que tentar dizer que horas são só olhando para o ponteiro dos segundos.


Ben Hecht

sexta-feira, maio 26, 2006

A Razão da Verdade

donos da verdade
Façam a seguinte experiência: peçam a dois ou mais amigos que olhem para uma estátua e descubram qual o ângulo que mais apreciam quando estão a olhar para ela: de frente? Ligeiramente de lado? A três quartos? Debaixo para cima? De cima para baixo? Irão ver que as opiniões se irão dividir. Cada um apreciará um ângulo diferente da mesma estátua. Coincidentemente poderão todos achar que um determinado ângulo é o mais bonito, mas isso será a excepção que confirmará a regra.
O mesmo se passa com a verdade. Ela não é mais do que um ângulo da realidade; o vosso ângulo preferido. Mas não necessariamente o único ângulo. É por estas e por outras que não tenho paciência para os «donos da verdade». Considero-os uns parvalhões monolíticos, sem a capacidade de perceber, quanto mais apreciar, que há mais ângulos para além daquele em que insistem, bovinamente, olhar.

quinta-feira, maio 25, 2006

A Razão da Auto-Estima Nacional

auto estima nacional
É certo que o país está em crise e que a malta anda desencantada com isto tudo. Mas começo a acreditar que esta espiral de negativismo e depressão nacional é artificialmente alimentada diária e paulatinamente pelos media.
Há dois dias atrás estava a ver a SIC Notícias onde se noticiava a derrota da selecção portuguesa de Sub 21 face aos franceses. Passados 10 minutos, no mesmo bloco noticiário, voltaram a falar exactamente do mesmo. Das duas uma: ou a SIC Notícias acha que tem uma audiência de estúpidos que não assimila as notícias à primeira, ou então estão a querer fazer merda com a auto-estima nacional. Naturalmente que me inclino para a segunda hipótese (até porque não vi mais nenhuma notícia ser repetida naquele bloco).
Já sabemos que os portugueses têm uma tendência para a bipolaridade: são os maiores do mundo num minuto e as piores merdas no segundo seguinte. Isto não faz nada bem a qualquer auto-estima. Mas os sacanas dos media abusam da fruta. Só vejo e leio coisas que me agravam a fraca consideração que tenho por este país. Mas depois racionalizo as coisas e penso que nem tudo pode estar mal, seria coincidência a mais. E eu não acredito em coincidências.
Os media nacionais fazem-me lembrar a mulher insatisfeita que diariamente diz ao marido que ele não a faz feliz. Ao fim de anos a ouvir recorrentemente que é um péssimo marido o que é que ele faz? Ou arreia-lhe duas galhetas e aquela conversa acaba por ali, ou põe a senhora com dono e arranja alguém que não o massacre persistentemente.
Acho que no caso dos media nacionais a solução seria optar pelas duas alternativas em simultâneo: arrear-lhes um camaçal de porrada em direcção à fronteira. Olhos que não lêem, coração que não sente.

quarta-feira, maio 24, 2006

A Razão da Branca de Neve

branca de neve
Da série «histórias mal contadas» temos hoje, a pedido de várias famílias, a história da Branca de Neve e dos sete anões.
A primeira coisa que me ocorre quando penso na Branca de Neve é que o sacana do autor da história devia ter alguns problemas de segregacionismo não resolvidos. Porque não escolher para protagonista da história uma morena achocolatada ou uma asiática com problemas de vesícula?
Depois vem a questão dos sete anões: para além de racista, o autor era perverso. Não só imaginava aquela jovem de tez branca rodeada por sete manganões, como era tortuoso o suficiente para lhes atribuír deficiências físicas e irrecuperáveis. Estamos então entregues ao deboche e à badalhoquice inconsequente quando permitimos que gerações e gerações de pequenos seres cresçam a achar que ser anão é que é bom.
Outra questão tem a ver com o minimalismo que o autor quer imprimir às características de personalidade de cada anão: nesta história, o mesmo anão não experiencia, com toda a sua pujança, uma multiplicidade de emoções. Temos o anão que dorme e só dorme; temos o anão que está chateado e só está chateado; temos o anão que sodomiza ovelhas tresmalhadas e só sodomiza ovelhas tresmalhadas; temos o anão que gargareja vodka polaca e só gargareja vodka polaca; temos o anão besuntado em manteiga de Azeitão que ganhou este hábito porco precisamente em Azeitão; temos o anão que não se lava por baixo porque não chega lá; e finalmente, temos o anão, que à falta de outra característica qualquer, é anão. Ora isto é uma verdadeira pobreza no que toca à construção de personagens.
Por este andar, as criancinhas vão crescer a pensar que o José Sócrates é apenas um palerma e será sempre um palerma. Quando não é verdade: sabemos perfeitamente que o José Sócrates não só é um palerma, como é um palerma perigoso, que com o tempo vai evoluíndo para outras características preocupantes.
É por estas e por outras, que nutro uma desconfiança persistente no que estas histórias infantis promovem na população portuguesa. O que me faz perguntar: Se não existisse Branca de Neve existiria José Sócrates? Duvido. A mesma certeza não tenho quanto aos sete anões.

terça-feira, maio 23, 2006

A Razão da Urgência

urgente
Tudo aquilo que um qualquer idiota diz ser urgente é algo que algum imbecil não fez em tempo útil e querem que você, o otário, se desenrasque para fazer em tempo recorde.


Uma contribuição da comentadora Aloevera.

segunda-feira, maio 22, 2006

A Razão do Zero à Esquerda

zero à esquerda
Quando te considerares um zero à esquerda podes sempre filiar-te no Bloco de Esquerda. É a mesma coisa, mas sempre ficas com um cartão.

A Razão dos Zeros e Uns

zeros e uns
Quem diria que vocês todos não são mais do que uns amantes de matemática excitados. Já pensaram em vós próprios como amantes de matemática excitados? Aposto que não. Mas é o que vocês são. Senão não estariam aqui (ou noutro blog qualquer) a experienciar um sentimento qualquer. Acreditariam se há 10 anos atrás alguém vos tivesse dito que vocês um dia perderiam tempo a ler zeros e uns? Claro que não…