sexta-feira, novembro 10, 2006

A Razão do Insulto Gratuito

insulto gratuito
Por mais incrível que pareça, há malta que não aprecia o insulto gratuito. Ficam chocados com aquilo e reagem mal. Num país onde toda a gente quer tudo à borla, há aqui qualquer coisa que me escapa. Preferem pagar para ser insultados?

quinta-feira, novembro 09, 2006

A Razão Daltónica

daltónica

Quando a Protecção Civil decide lançar um alerta vermelho é bom que tenha consciência que está a meter os daltónicos num belo sarilho.

terça-feira, novembro 07, 2006

A Razão dos Esquemas

esquema
No que toca a esquemas, os portugueses são imbatíveis. Não há povo no mundo que consiga produzir tanto esquema em tão poucos quilómetros quadrados. Se estão a pensar nos brasileiros, esqueçam: apesar de terem aprendido connosco a arte e de serem mais 140 milhões do que nós, não nos chegam aos calcanhares quando analisamos a quantidade de esquemas per capita.
Tudo o que acontece em Portugal faz parte de um esquema qualquer, iniciado por alguém, para lixar outrem. Quando olhamos à nossa volta, é impressionante a quantidade e variedade de esquemas que diariamente nos passam pela frente. Temos esquemas que chegam todos os dias às páginas do jornais, e quando isso acontece sabemos que se tratam de esquemas mal feitos, porque os esquemas bem feitos e bem montados são como os crimes perfeitos: ninguém os topa.
Estamos tão habituados a viver neste esquema que já não ligamos para a maior parte dos esquemas. É como se fizessem parte do esquema. São os chamados esquemas habituais. Acontecem tão naturalmente como o ar que respiramos e, não alinhar neles, é capaz de nos sufocar.
Temos também os velhos esquemas. Aqueles esquemas bafientos e instituídos que, quando denunciados pela comunicação social, acabam por se tornar esquemas manhosos e são substituídos por esquemas mais modernos.
A dimensão dos esquemas também é importante nesta telenovela mexicana: normalmente quem está envolvido em grandes esquemas e é apanhado, goza de uma espécie de glorificação bacoca e sai normalmente impune do esquema – o que leva a crer que há uma espécie de respeito e admiração velada e boçal por quem é um grande esquemático. Aqui, neste rectangulozinho, é prestigiante enganar muita gente. Ao contrário, o pequeno esquema (também designado por esquemazinho) é altamente penalizado. O lema parece ser «se roubares, rouba com estilo e em grande».
Temos finalmente uma classe de esquemas que parecem estar directamente relacionados com a necessidade de protagonismo mediático que os portugueses de classe média têm vindo a desenvolver na última década: são os esquemas marados (também designados por esquemas dos caraças). O objectivo destes esquemas é dar nas vistas, tentando assemelhar-se aos grandes esquemas, numa tentativa vã e desesperada de poderem ser considerados inteligentes, com o decorrente prestígio que daí advém. É claro que isto só denota a estupidez atávica de quem os cria – é tido e sabido que um esquema, para ser grande, tem que ser acima de tudo muito discreto. E os esquemas marados têm invariavelmente a discrição de um elefante numa loja de cristais...
Estão a ver o esquema?

sábado, novembro 04, 2006

A Razão dos Avisos de Cabine

avisos de cabine
«Senhoras e senhores, o avião está a estabilizar e, em breve, atingiremos a velocidade de cruzeiro. Isto quer dizer que o pessoal que está no cockpit vai descontrair e fumar umas coisas que trouxeram do Havai. Depois de umas seis passas, desligam o piloto automático, tiram as mãos dos comandos e deixam o avião fazer o que entender durante uns minutos. O comandante sugere que mantenham os cintos de segurança apertados a não ser que tenham uma vontade muito grande de ficar com um traumatismo craniano.
O comandante acaba de desligar a luz de obrigatoriedade de manter os cintos apertados. Foi sem querer. O charro que estava a fumar caiu-lhe no colo, e quando se levantou, bateu com a cabeça no botão.
O comandante desligou a luz de obrigatoriedade de manter os cintos apertados mas avisa que é melhor manterem-se atentos porque, às vezes, estes aviões não funcionam tão bem como desejável.
O comandante ligou a luz de obrigatoriedade de manter os cintos apertados outra vez. Também acaba de enfiar meio quilo de nozes pelas narinas acima. Por isso, é melhor serem vocês a decidir o que querem fazer com os cintos.»


George Carlin

quarta-feira, novembro 01, 2006

A Razão da Secessão

Secessão

Até aos vinte anos, pelo menos, acreditei que a Guerra da Secessão era apenas um erro de revisão.


Millôr Fernandes

terça-feira, outubro 31, 2006

A Razão dos Gases

gases
Portugal é um dos sete países da Comunidade Europeia que não vai cumprir os objectivos de Quioto no que respeita à emissão de gases para a atmosfera. Pelos vistos estamos a emitir mais gases do que aqueles que prometemos aos senhores. Tenho dificuldade em perceber porquê, por várias razões:
O sector primário do país é praticamente inexistente, e portanto se as debulhadoras mecânicas e os tractores andam cada vez mais parados, não é lógico que os gases aumentem.
Por outro lado, no sector secundário, só vemos fábricas a encerrar, uma após outra. Ora se há cada vez menos fábricas a operar no território nacional, seria lógico pensar que a emissão de gases diminuiria face à década anterior.
No sector dos transportes, outro grande responsável pela emissão de gases, temos cada vez mais greves públicas. Ora se é raro os transportes públicos funcionarem em pleno neste país, seria mais uma vez lógico, que menos gases fossem emitidos.
Podíamos até culpar os automobilistas, mas desde há 4 anos que observamos uma queda na venda de automóveis em Portugal, portanto também não é por aqui.
Por tudo isto não percebo de onde surge este acréscimo de gases. Só vejo duas possibilidades:
1. Andamos todos a apertar demasiado o cinto e inevitavelmente mandamos os gases todos cá pra fora.
2. Temos cada vez mais flatos sem cheiro a fazer política em Portugal.
Das duas, uma. Ou duas.

segunda-feira, outubro 30, 2006

A Razão das Causas

causas
Se há coisinha que eu acho mesmo nobre é uma bela causa. Lutar por uma causa é uma coisa mesmo bonita, principalmente quando olhamos para o tipo de causa. Vejamos, por exemplo, aqueles indivíduos que lutam por causas perdidas. Não é bonito? Não é romântico? Não é patologicamente estúpido? Lutar por algo que não se sabe onde está requer uma certa dose de alheamento da realidade e de um prazer mórbido em nunca chegar a lado nenhum. É bonito.
Também acho piada ao lado estético das causas: são as chamadas boas causas. E sabe Deus como há causas boas como o milho...
Mas o tipo de causas que mais aprecio são as causas maiores. Haverá causa mais nobre do que a causa maior? Duvido. Não há causa que despolete mais efeito que a causa maior. Principalmente aquelas mesmos grandes, acima do metro e oitenta. Aquilo é causa que nunca mais acaba. Tem uma extensão tão sublime que por vezes, para muito boa gente, até se confunde com as boas causas.
Já as causas menores dispenso: considero-as quase invariavelmente uma espécie de pedofilia intelectual.

sábado, outubro 28, 2006

A Razão da Parvoíce

parvoice
Porque não ser parvo? Um parvo praticante e diplomado. Ou, se tiver competência para isso, um PPE, Parvo Público Encartado. Pode não parecer quando olha à sua volta, mas não há parvos que cheguem no nosso país. Como resultado disso, pode ganhar-se muito dinheiro com a parvoíce. O parvo médio ganha pipas de massa por ano, mais regalias. E há vagas para parvos em todos os sectores: o governo é gerido por parvos, as grandes empresas são geridas por parvos e o comércio está a abarrotar de parvos. E cada vez mais pessoas enveredam por uma carreira de parvo freelancer. Ligue já para o Instituto Técnico da Parvoíce e receba o nosso panfleto gratuito «Ei, parvalhão, aprende a ser parvo a sério!» A maior parte das pessoas consegue ser parva em festas mas esta é a sua oportunidade de ser um parvo a tempo inteiro e durante todo o ano. Ligue-nos. Não se faça de parvo, seja um parvo.

George Carlin

sexta-feira, outubro 27, 2006

A Razão dos Seres Superiores

seres superiores
Na Alemanha rebentou uma escandaleira que envolve um grupo de soldados alemães que fazem parte do contingente da ONU no Afeganistão. Os soldados deixaram-se fotografar posando alegremente para a câmara com um crânio numa mão e um pénis na outra. Os media alemães, para não enervarem os sempre enervadinhos árabes, dizem que os soldados profanaram um cadáver de um soldado russo, morto em combate nos anos 80. Confesso que não percebo como é que um cadáver de um gajo que morreu há quase 20 anos apresenta um crânio completamente desprovido de carne e um pénis não decomposto, mas desconfio que se deve a algo que os russos punham na ração de combate dos seus soldados.
Mas o que realmente interessa nesta história não é o mistério da mumificação selectiva e sim a violenta reacção dos orgãos oficiais alemães, ao questionável comportamento dos seus soldados. A reacção mais preocupante vem de um senhor que foi antigo comandante da ISAF e que afirma que «a imagem positiva que os militares alemães sempre gozaram junto das populações locais poderá ser seriamente afectada».
Quando leio estas coisas só posso achar que, de facto, estes gajos continuam a ser os maiores caras-de-pau da Europa e que o seu recorrente complexo de superioridade teima em vir ao de cima. Esta malta esquece-se do que andou a fazer na Europa há duas gerações atrás. Esta gentalha acha que, 50 anos depois, toda a gente apagou da memória a «imagem positiva dos militares alemães», e a sua conduta selvagem e criminosa. Estes calhordas acham que, por os deixarem andar de armas na mão, a fazer parte dos contingentes da ONU, reabilitaram a sua imagem no mundo. Desenganem-se. Eu não me esqueço de vocês. E espero que o mundo também não.

Foto: Vala comum em Bergen-Belsen, depois da interacção social da população local com os militares alemães.

quinta-feira, outubro 26, 2006

A Razão da Hiperactividade

hiperactividade
A hiperactividade é uma coisa que não existia há uma geração atrás. Havia putos energéticos, imparáveis e cansativos. Mas não eram hiperactivos. Hoje em dia, um em cada 2 filhos dos meus amigos são hiperactivos. E ser hiperactivo consiste em fazer a maior merda possível no mais curto espaço de tempo. Os putos hiperactivos são, na realidade, uns espertalhaços e os seus pais uns grandes bananas.
Se alguém que está a ler isto acha que tem em casa um filho hiperactivo, não tenho grandes notícias para lhe dar: não há filhos hiperactivos! Pois é queridos, não há. Assim como não há homens impotentes mas sim mulheres incompetentes, na questão dos filhos com hiperactividade a dialéctica é parecida. Não há filhos hiperactivos mas sim pais sem a capacidade de ensinarem aos seus filhos as regras basilares da vida em sociedade, bem no seu início. Os putos hiperactivos são, nada mais nada menos, que um eufemismo pretensioso para definir crianças mal educadas, impertinentes, futuros adultos secantes que, naquele momento inicial das suas vidas como seres humanos, apresentam graves sintomas de má educação.
A cura da hiperactividade não reside nas escolas especiais para hiperactivos. Isso é apenas um expediente de uma boa dúzia de mamões para enganar uns papás que já são diariamente enganados pelo seu filho «hiperactivo». A verdadeira cura da hiperactividade resume-se num bom par de chapadas no momento certo, e o resto é conversa.

terça-feira, outubro 24, 2006

A Razão da Expectativa

expectativa
Lembram-se do Fernando Mamede? Aquele meio-fundista que corria que se fartava? Durante 6 anos seguidos o Mamede parecia imparável e arrebanhava tudo por onde passava: foi detentor de 27 recordes nacionais, de 1 recorde mundial, e de 3 recordes europeus. Até que um dia, algures nos finais dos anos 80, o Mamede ficou com medo de ganhar, e nunca mais ganhou nada. Desde então, sempre que entrava em competições importantes, numa posição de favorito, o Mamede stressava com a possibilidade de não corresponder às expectativas. E stressava tanto que as pernas deixavam de lhe obedecer.
Portugal faz-me lembrar o Mamede: durante séculos corremos que nem uns desvairados a descobrir e a povoar, mal e porcamente, os quatro cantos do mundo. Fizemo-lo com a inconsciência alarve da necessidade. E um belo dia, quando quisemos encontrar o nosso lugar no mundo, stressámos. Stressámos com o facto de sermos apenas um rectangulozinho no fim da Europa, como se alguma vez o tivéssemos deixado de ser, ou como se aqui fosse o fim da Europa. Stressámos com as expectativas que criámos para nós próprios. E desde altura parecemos uns Mamedes, de pernas bambas, governados por uns Mamões.
Continuo à espera da geração de Obikwelus que, paradoxalmente, tarda em chegar.


Nota: Uma Sandes de Atum fez ontem anos. Vão lá dar os parabéns ao Papo-Seco que há dois anos nos anima os Sábados, às Sextas.

domingo, outubro 22, 2006

A Razão Iconoclasta

iconoclasta
Nunca vi ninguém a limpar uma igreja. Já tenho visto muita coisa mas nunca vi uma equipa de limpeza a trabalhar numa igreja, a aspirar e a varrer. A limpar o pó às imagens e a esfregar o altar. Sabem porquê? Consegui perceber o motivo. As igrejas não precisam de ser limpas porque Deus trata disso. É um milagre, o tipo de coisas que faz das igrejas, igrejas.
Funciona assim: depois de uma igreja ter sido construída, os proprietários esperam seis meses e espreitam lá para dentro. Se estiver limpa, ficam a saber que é uma igreja. Depois, é só preparar a grande inauguração. Desse dia em diante, nunca mais terão de a limpar. Não importa o tipo de lixo, imundície ou porcaria que os pecadores arrastem lá para dentro. O sítio fica sempre impecável. Mas, aqui entre nós, um bocado de limpa-vidros naqueles vitrais de vez em quando não fazia mal nenhum. Ajudava a realçar aquelas cores bonitas que usam para mostrar a tortura e o sofrimento dos santos.

George Carlin

sábado, outubro 21, 2006

A Razão da Governação

governacao
O maior problema - um dos maiores problemas, pois há muitos -, um dos muitos maiores problemas da governação é quem se arranja para a fazer; ou antes, quem consegue convencer as pessoas a deixarem alguém fazer-lhes isso.
Resumindo: é bem sabido que as pessoas mais empenhadas em governar são, ipso facto, as menos capazes para o fazer.
Resumindo o resumo: aquele que consegue ser feito governante, não devia, de modo algum, ser deixado exercer o cargo.
Resumindo o resumo do resumo: as pessoas são um problema.
E a situação que encontramos é a seguinte: uma sucessão de dirigentes que gostam tanto de pândega e conversações decorrentes do poder que muito raramente reparam que não o têm.
E algures nas sombras – quem?
Quem poderá governar, se aqueles que nisso se empenham não o devem fazer?


In, O restaurante no fim do Universo, de Douglas Adams

sexta-feira, outubro 20, 2006

A Razão da Alegria da Taberna

alegria da taberna
Sócrates:
Agora imagina como se encontra o estado da nossa nação, relativamente à consciência social. Imagina funcionários públicos numa taberna que improvisaram de maneira a transformar aquilo num local de atendimento ao público. Esses funcionários estão ali desde que acabaram a pré-primária, impedidos de saír da taberna vá-se lá saber porque razão. Não fazem a mínima ideia do que estão ali a fazer, nem se mostram grandemente preocupados com isso. Perfilados atrás do balcão, os funcionários públicos estão todos virados para o mesmo lado: a imponente montra da taberna, em vidro fosco. Conseguem aperceber-se que existe vida para além do vidro fosco - vultos passam por lá todos os dias a toda a hora, mas os funcionários públicos não fazem ideia do que são os vultos, até porque que não fazem ideia de que existem pessoas para lá do perímetro da taberna. Consegues imaginar isso?

Glauco:
Sim, consigo. Desde que fui atropelado por 20.000 professores que se manifestavam pelas razões mais absurdas, consigo imaginar tudo. Até uma tribo somali.

Sócrates:
Imagina agora que, do outro lado do vidro fosco, no mundo real, na rua da taberna, estão pessoas que contribuem mensalmente para alimentar aqueles indivíduos especados dentro da taberna, alinhadinhos atrás do balcão, a olhar para o vidro fosco.

Glauco:
Pagam-lhes mensalmente para estar dentro da taberna a olhar para um vidro fosco?

Sócrates:
É verdade. Pagam-lhes para isso e pagam-lhes uns copos. E aí é que a coisa se complica de sobremaneira, porque quando estão com uns copitos a mais, os funcionários atrás do balcão começam a imaginar coisas esquisitas em relação aqueles vultos que passam no vidro fosco. E depois enervam-se muito e manifestam-se, e fazem greves, e reinvindicam merdas.

Glauco:
Fazem greve de quê, se na realidade não estão lá a fazer nada?

Sócrates:
Bem observado. A questão é que eles não sabem que não estão lá a fazer nada. Aquele é o seu pequeno universo. Não fazem ideia que estão enfiados numa taberna situada numa rua movimentada.
Agora imagina se lhes tirassem o vidro fosco e lhes pusessem um daqueles espelhados, que só se vê de dentro para fora?


Glauco:
Bem, nesse caso eles seriam obrigados a tomar consciência que existem pessoas para além daquela taberna.

Sócrates:
Imagina agora que para além do vidrinho último modelo, lhes abrem a porta da rua e obrigam os gajos a atender toda aquela malta que anda lá fora e que lhes paga os copos. Não desviarão eles os olhos, acreditando que tudo aquilo é uma perfeita mentira e que na realidade o melhor é terem o vidrinho fosco e a porta fechada?

Glauco:
Sem dúvida. Mas onde queres chegar com esta conversa, por Zeus?

Sócrates:
Estava só a tentar chegar à conclusão se vale a pena estarmos a perder tempo com estes tipos. Se o melhor não era contratar uma equipa de demolição que arrasasse a taberna de uma vez só, com os gajos lá dentro.

Glauco:
Certamente mestre. Seria uma alegria.


A República dos Bananas, de Humor Negro (Livro VII)

quarta-feira, outubro 18, 2006

A Razão sem Razão


Para mimar os leitores deste blog, o livro da Razão terá um pré-lançamento online no dia 25 deste mês. Isto significará que quem quiser pagar para ler aquilo que sempre teve à borla poderá adquirir o livro uma semana antes dele sair para o mercado editorial. Mas os mimos não acabam aqui: quem encomendar o livro online (no pré-lançamento e depois dele) verá chegar a sua casa uma cópia autografada. Quem é amigo, quem é? Tentei negociar com a editora que os livros fossem entregues em mão pela Nicole Kidman, envergando vestes reduzidas, mas não havia orçamento para isso. Portanto ficam-se só pelo autógrafo e já gozam.
Depois do pré-lançamento poderão, ainda assim, comprar o livro online, bastando para isso clicarem aqui e fazer a encomenda. Para aqueles que não gostam de usar o cartão de crédito em compras online, uma boa notícia: não vão ter essa hipótese.
E por hoje chega de mimos.

domingo, outubro 15, 2006

A Razão Suicida

suicida
Há uma coisa que eu não percebo nas pessoas com tendências suicidas. Tentam suicidar-se, por qualquer razão não conseguem morrer, e pronto. Deixam de tentar. Porque é que não continuam a tentar? O que é que mudou? A sua vida terá melhorado? Não, deve ter piorado, porque agora têm mais uma coisa em que falharam. E, para começar, é por isso que essas pessoas não têm sucesso na vida. Desistem com demasiada facilidade.
A minha sugestão é: os comprimidos não funcionam? Experimentem uma corda. Não conseguem pôr o carro a trabalhar na garagem? Mandem afinar o motor. Não há nada mais compensador do que atingir um objectivo que fixámos para nós próprios.


Jerry Seinfeld

sábado, outubro 14, 2006

A Razão Naturalista

naturalista
O homem, um animal, recebeu da natureza um cérebro imperfeito que lhe filtra umas poucas verdades metafísicas (a noção da morte, por exemplo) que o fazem totalmente infeliz. Enquanto isso os animais perfeitos – com um cérebro que lhes impede a consciência de qualquer sentimento não-animal – divertem-se à brava.


Millôr Fernandes

sexta-feira, outubro 13, 2006

A Razão de Pedro e o Lobo

pedro e o lobo
Da série «histórias mal contadas» temos hoje Pedro e o Lobo. A história de um rapazinho que gostava de dizer inverdades – um eufemismo político que significa que o rapaz era um miserável mentiroso, digno de uma tribo somali sem qualquer tipo de lubrificação afrodisíaca.
Conta a história que o rapaz, ostentando a função de apascentador de ovelhas na sua carteira profissional, manifestava uma fixação esquisita, de índole meramente sexual, no lobo que mantinha uma relação contra-natura com o capuchinho vermelho e sua avózinha. Pedro tinha, obviamente, problemas. Todas as suas tentativas de se inscrever no movimento gay lésbico bissexual e transgênero tinham sido indeferidas pelo facto da coisa não envolver animais. «Nem domésticos, nem selvagens» tinham-lhe sentenciado lá no posto de recrutamento do GLBT. Mas Pedro não se conformava com esta discriminação – se o movimento era tudo ao molhe e fé em Deus porque raio não incluiam animais?
Desesperado, Pedro passava os dias a arrastar-se pelos bosques, gritando «Lobo, lobo!» na vã esperança de que o animal lhe aparecesse à frente (ou atrás).
Mas o máximo que Pedro conseguiu foi enervar o pessoal lá da aldeia. Sempre que ele gritava «Lobo» a malta pegava nas gadanhas e vinha, desaustinada, defender as ovelhas. Ao fim de alguns dias de repetidos falsos alarmes a populaça perdeu a paciência e, mesmo sem recorrer a uma tribo somali devidamente untadinha, presenteou Pedro com um andar diferente. Pedro gostou. Desde aí perdeu completamente o interesse pelo lobo, mas não se coíbe de gritar por ele de vez em quando. Principalmente naqueles dias em que sente muito sozinho.

quarta-feira, outubro 11, 2006

A Razão de Provar Roupa

provar roupa
As mulheres encaram a roupa de uma forma completamente diferente. Noutro dia estava numa loja a ver as mulheres a admirarem a roupa e reparei que elas não a experimentam – põem-se por detrás dela. Tiram um vestido do cabide e põem-no à sua frente. E tiram uma conclusão qualquer. Esticam uma perna para a frente e inclinam-se ligeiramente para trás. Devem precisar de saber:«se um dia eu só tiver uma perna e tiver uma curvatura de quarenta e cinco graus, o que hei-de vestir?»
Nunca se vê um homem fazer aquilo. Nunca se vê um homem tirar um fato do cabide, pôr a cabeça por detrás da gola e perguntar: «O que é que acham deste fato? Acho que vou levá-lo. Ponha aí uns sapatos ao fundo das calças para eu ter a certeza. E se fôr a andar? Mexa aí os sapatos, mexa aí os sapatos.»

Jerry Seinfeld

terça-feira, outubro 10, 2006

A Razão do Rei Satélite

«Quando o meu filho mais velho nasceu, no ano seguinte houve um aumento da natalidade do país.»

D. Duarte Pio em entrevista ao 24 Horas

De tempos a tempos, este jovem sente a compulsão de aparecer nos jornais e dizer umas coisas para a malta se aperceber que ele ainda existe. Infelizmente, raras são as vezes (se é que as houve) em que diz algo de relevante para aqueles que, na sua vertigem alucinada, considera serem os seus súbditos.
Desta vez estabelece uma correlação fundamental entre a sua vida sexual e a dos portugueses, acreditando piamente (ou não se chame ele Pio) que as suas acções despoletam irreversíveis macro tendências na nação portuguesa. Uma vez que ainda ninguém lhe explicou as virtudes ergonómicas de uma guilhotina, resta-nos aproveitar a sua mitomania e colocá-la ao serviço do país, contribuíndo para as profundas transformações estruturais que o desgoverno de Sócrates já mostrou ser incapaz de resolver:

Se Duarte Pio começar a trabalhar ainda este ano, em 2007 acabará o desemprego em Portugal. Sugiro que alguém ofereça uma enxada ao homem porque o sector do primário deste país está a desaparecer.

Se Duarte Pio preencher a sua declaração de impostos até ao final deste mês teremos resolvido em Janeiro próximo o problemas das dívidas ao fisco com milhares de portugueses a entupir, em histeria monárquica, todas as repartições de finanças do país, pagando tudo o que tinham para pagar.

Se Duarte Pio não ficar doente na próxima década terá resolvido por várias gerações o problema da saúde em Portugal.

Se Duarte Pio continuar a andar a cavalo estará a contribuir para que, dentro de cinco anos, Portugal reduza em 70% as suas emissões de carbono para atmosfera e veja o seu parque automóvel reduzido a 1.500 unidades (os carros dos membros do governo e seus respectivos secretários). O Estado deixará de empochar o imposto automóvel, mas que se lixe: seremos o país mais ecológico do planeta a seguir ao Ghana.

Se Duarte Pio deixar de dizer barbaridades aos jornais, dentro de um ano deixaremos de ter imprensa escrita e os jornalistas passarão a dedicar-se a profissões mais edificantes, como a pesca do bacalhau nos mares do norte, por exemplo.

Os franceses tinham o Rei Sol. Nós temos o Rei Satélite. Estamos claramente mais bem servidos que esse povinho que fala com a boca em «U».

segunda-feira, outubro 09, 2006

A Razão Casapiómana

casapiómana


Frederico Pedrosa, perito do Instituto de Medicina Legal, negou que as manchas do pénis de Carlos Cruz possam, em erecção, chegar ao tamanho de uma moeda de um cêntimo, como disse uma das vítimas.

in Revista Sábado, 4.Out.2006

Fui surpreendido por esta pequena notícia no fim de semana. Aparentemente há uma criatura no IML que andou a medir manchas no pénis erecto de Carlos Cruz. Estão a ver como há trabalhos muito mais miseráveis que o vosso? Naqueles dias que estiverem fartos do vosso patrão lembrem-se que poderiam estar a medir manchas em pilas num sítio qualquer.
O lado interessante desta notícia não é a peritagem do Frederico Pedrosa mas sim o que esta sugere: aparentemente houve uma vítima de pedofilia que afirmou que o Carlos Cruz tinha manchas no pénis e que estas tinham «o diâmetro de uma moeda de um cêntimo». Vem-se agora a provar que a vítima não tinha razão nenhuma, o que provavelmente vai conduzir à impugnação do seu testemunho por falta de prova. Não interessa nada que Carlos Cruz tenha manchas no pénis – algo que é tão vulgar como ter impresso no pénis a última tentativa de romance de Margarida Rebelo Pinto. O que interessa é que a dimensão das manchas não corresponde milimetricamente à verdade. Aliás, se as manchas tivessem o diâmetro de moedas de dois euros a vítima estaria lixada na mesma porque, no fim do dia, o processo Casa Pia terminará, à conta destes pequenos expedientes de pacotilha, sem vítimas nem acusados, provando uma vez mais a ineficácia e o engajamento do sistema de justiça português.
Casapiano e casapiómano significarão, no fim desta fantochada digna da nossa telenovela mexicana, exactamente a mesma coisa. Para mal dos primeiros.

domingo, outubro 08, 2006

A Razão da Obra Precária

obra precária
Jesus foi só mais um carpinteiro que prometeu voltar noutro dia para terminar o serviço.

Zé Rodrix

sábado, outubro 07, 2006

A Razão da (boa) Proporção

proporções
Existem três mil milhões de mulheres no mundo. Apenas oito são top models.

Publicidade da Body Shop

quarta-feira, outubro 04, 2006

A Razão da Depenação

depilação
As mulheres são de extremos no que toca à manutenção. A forma como elas cuidam dos pêlos que têm no corpo é absolutamente espantosa. Um dos grandes mistérios para mim é o facto de uma mulher conseguir pôr cera quente nas pernas, arrancar os pêlos pela raiz e continuar a ter medo de uma aranha.
Às vezes vão ainda mais longe - recorrem à electrólise. É o mesmo que pôr os pêlos, um a um, na cadeira eléctrica. É a pena de morte do pêlo. Põem o pêlo na cadeirinha, põem-lhe o capacete metálico, dão-lhe uma última passagem com champô e com o amaciador que ele escolher. A única coisa que o pode salvar é um telefonema da Epilady.

Jerry Seinfeld

segunda-feira, outubro 02, 2006

A Razão da Caça



Abriu recentemente a época da caça e os caçadores andam preocupados porque há menos bichos para caçar do que no ano passado. Existem várias razões para este fenómeno:
A primeira delas costuma designar-se por «é a caçadeira, estúpido» e está directamente relacionada com o caçador que hoje se indigna de não haver caça. Aparentemente, os caçadores não têm percepção da correlação entre a quantidade de bichos que matam e a quantidade de bichos que sobram. Aliás, a incapacidade de correlacionar seja o que fôr (um dos barómetros do nível de inteligência) é fraca junto dos caçadores. Um coelho bravo adulto consegue correlacionar mais dados que um caçador. Já a perdiz demonstra mais dificuldade nesta matéria. Mas isso não interessa nada agora.
A outra razão prende-se com o custo de vida e a deterioração das condições de trabalho que, como sabemos, têm vindo a piorar em Portugal. Os bichos portugueses não só têm a noção que a sua vida custa cada vez menos por aqui, como não têm condições para trabalhar num país que, de ano para ano, incendeia alucinadamente milhares de hectares de mata e floresta, tornando impossível a educação básica das suas crias: como ensinar uma cria a esconder-se em terreno aberto? Impossível. Rejeitando a hipótese de se tornarem alvos fáceis, os bichos têm emigrado massivamente para a vizinha Espanha onde, apesar das dificuldades da língua, vêem a sua esperança de vida aumentar drasticamente.
Finalmente, aquela que parece ser a razão estrutural para a gradual falta de caça em Portugal, temos a «Síndrome de Sócrates» (exactamente o oposto da «Síndrome de Estocolmo»). Desde que José Sócrates está no poder que o número de bichos tem vindo gradualmente a baixar. É que nem os bichinhos gostam...

domingo, outubro 01, 2006

A Razão no Trânsito

tráfico
Há uma ou duas coisas que nos devemos lembrar quando estamos no trânsito. Primeiro, nunca devemos ficar atrás de alguém esquisito. Já alguma vez ficaram atrás de um gajo que leva o pisca pisca ligado durante os últimos 5 km? E vocês pensam «Bem, é um tipo muito cauteloso. É melhor não o ultrapassar agora, não vá ele virar a qualquer momento». Mais tarde descobrimos que o gajo anda a viajar de carro à volta do mundo - sempre pela esquerda.

Por falar em ficar atrás: não adoram quando um gajo qualquer se cola na traseira do vosso carro com os máximos ligados? Não é porreiro? Um merdas qualquer que acabou de alinhar os seus faróis e agora quer que vocês vejam o trabalho profissional do seu mecânico? Sabem como se lida com um javardo destes? Ponham os travões a fundo e deixem o gajo espetar-se contra a vossa traseira. Pode custar-vos algum dinheiro, mas de certeza que apaga a porra daquelas luzes num instantinho. Depois, o gajo que encontre o caminho para casa no escuro.

George Carlin

sábado, setembro 30, 2006

A Razão Israelo-Árabe

israeloarabe
Porque é que os árabes e os judeus não se sentam à mesma mesa e resolvem as coisas como bons cristãos?

Arthur Balfour (Primeiro-Ministro britânico entre 1902 e 1905)

sexta-feira, setembro 29, 2006

A Razão Socrática

socrates
A diferença entre o Sócrates dos gregos e o nosso Sócrates está no método: o primeiro achava que ia chegar à verdade debatendo com os outros. O segundo não acha nada. Nem debate.

quinta-feira, setembro 28, 2006

A Razão do Falhanço

falhanço
Podem ter a certeza que falharam como pais quando o vosso filho de cinco anos insiste teimosamente convosco que o bicho da madeira tem nome e é Alberto João Jardim.

quarta-feira, setembro 27, 2006

A Razão da Bolsa

bolsa
Adaptando o tradicional postulado financeiro internacional para a Bolsa de Valores de Lisboa: compre sempre na baixa, venda sempre na alta, e não se abaixe para apanhar o sabonete.


Adaptado de Millôr Fernandes

terça-feira, setembro 26, 2006

A Razão do Xadrez

xadrez
Já repararam que o xadrez, inventado há uns séculos atrás pelos persas, é o modelo perfeito da sociedade ocidental? Então vejam bem:
O tabuleiro é dividido numa óptica completamente norte-americana, ou seja, monocromática: de um lado estão os bons e do outro estão os maus. Índios e cowboys. Pretos e brancos. Ocidentais e muçulmanos. Quer um lado quer o outro têm a mesma legitimidade no tabuleiro embora cada lado ache que tem mais legitimidade que o outro.
Em cada lado do tabuleiro encontramos duas linhas de peças. Na linha da frente todos as peças são iguais e têm como objectivo proteger as peças da linha de trás. Por isso mesmo são normalmente as peças da frente a levar a maior parte da porrada.
Na linha de trás as peças são diferentes entre si e também possuem habilidades diferentes. O objectivo das peças da linha recuada é safarem-se o melhor que puderem enquanto a mama não acabar.
A análise de cada peça dá-nos a real dimensão do génio persa ao inventar este jogo:

Os Peões (que representam o povo) ocupam toda a linha da frente movendo-se vagarosa e penosamente sempre a direito, sem hipótese de recuar, em direcção ao fundo do tabuleiro na vã esperança de se transformarem noutra peça qualquer. Escusado será dizer que raramente atingem esse objectivo, acabando sacrificados e comidos a meio do percurso.

Os Bispos (que representam a santa igreja) ladeiam as duas peças mais importantes do jogo e movem-se livremente pelo tabuleiro, embora sempre de um modo enviezado: os seus movimentos nunca são frontais.

Os Cavalos (também conhecidos por bestas, ou alimárias) são os políticos. Têm uma progressão esquisita no tabuleiro. O seu movimento em «L» faz com que seja pouco claro para onde vão a seguir. São as únicas peças que têm a capacidade de saltar indiscriminadamente por cima das outras.

As Torres (que representam o funcionalismo público) encontram-se nas extremidades do tabuleiro e estão entaladas entre os políticos e o povo. São as peças mais previsíveis da sua fileira: movem-se linearmente para trás e para a frente, para a direita e para a esquerda, conforme lhes convém ou lhes é permitido.

A Rainha (que simboliza o governo) é a peça mais exuberante do xadrez. E a mais perigosa também, devido à sua capacidade de se mover a seu bel prazer para todo o lado e à velocidade que lhe der mais jeito. Todo este ecletismo torna a Rainha na mais feroz defensora do seu Rei.

Finalmente temos o Rei, a peça mais importante do jogo, que simboliza a Mama: quando acaba a mama acaba o jogo. Por isso, o Rei é a peça que todas as outras tentam proteger.
Enfim, algumas peças protegem mais a mama que outras... mas isso já os persas sabiam quando inventaram o jogo.

segunda-feira, setembro 25, 2006

A Razão Disso e Daquilo

disso e daquilo
Durante muito tempo hesitei se devia falar de isso aqui neste blog. Por várias vezes comecei a rabiscar sobre isso no meu moleskine mas acabei sempre por desistir: no início, sabia muito pouco para poder escrever acerca de isso; mais tarde, houve vezes em que não me achava preparado para falar abertamente disso; e noutras vezes simplesmente não me apetecia nada pensar nisso, quanto mais escrever.
Hoje, finalmente, cheguei à conclusão que devia mesmo falar disso, até porque já pouca gente fala disso por aqui e convém que isso não caia no esquecimento geral só porque agora se fala daquilo. Não é que eu tenha alguma coisa contra aquilo: há gostos para tudo e quem se mete naquilo há-de tirar algum gozo disso. Pessoalmente acho um bocado animalesco e nojento, mas as pessoas lá sabem onde se metem. Agora aquilo não significa que simplesmente se ignore isso. Essa história de que se pode fazer aquilo desde que não se fale nisso comigo não cola, até porque antes disso não havia aquilo e as pessoas não sentiam falta nenhuma. Essa é que é essa.
«Isso é que era bom!» conhecem a expressão? Certamente que sim. Deixem-me que vos esclareça que era bom, sim senhores, e que ainda é. Digo-vos eu por experiência própria. Já aquilo não tem tanta piada. E não é por aquilo em si, que até é bonitinho e tudo, mas por tudo o que aquilo representa. Sejamos sérios, aquilo é uma verdadeira javardice. Só malta com as hormonas quimica e brutalmente alteradas é que embarca numa coisa daquelas. E não é preciso ser funcionário público para perceber que aquilo é um comportamento desviante. Até um animal de pequeno porte se incomoda com aquilo.
Termino por hoje, deixando uma mensagem de esperança e civilidade a todos os que ainda têm a ver com isso. E deixo um conselho: não se metam naquilo. Quanto mais não seja por causa disso.

domingo, setembro 24, 2006

A Razão Presente

presente
O presente não existe.
Tudo isto é futuro imediato e passado recente.


George Carlin

sábado, setembro 23, 2006

A Razão de Da Vinci

Da Vinci
Reparem bem na cara da Mona Lisa e digam-me se não é a expressão perfeita de quem acabou de dar uma bela cafungada?


Millôr Fernandes

sexta-feira, setembro 22, 2006

A Razão da Reentrada

rantrei
Cada ano tem uma época oficialmente designada por rentrée (leia-se rantrei). A rantrei dá-se normalmente por volta do nono mês de todos os anos e determina a altura em que nós voltamos a reentrar nesse ano. Ora para haver uma reentrada deverá ter existido algures uma saída qualquer, e é exactamente aqui que as coisas se complicam: ninguém consegue explicar com um mínimo de credibilidade como é que saiu para voltar a entrar no mesmo ano - o que significa que, todos vocês que experienciam agora a reentrada (outro sinónimo de rantrei) estiveram algures fora deste ano a fazer qualquer coisa com não sei quem, enquanto simultaneamente desafiavam uma boa mão cheia de leis da física. Seus grandes alucinados.

A minha palavra de apreço vai para todos aqueles que este ano não tiveram rantrei e que por causa disso se viram obrigados a assistir à rantrei dos outros: convenhamos que é preciso muito discernimento e muita sanidade mental para ver surgir, de um momento para o outro, um grupo de marmanjos a reentrar no ano como se não houvesse amanhã, vindos sabe-se lá de onde e com que doenças.
Por mais anos que passem nunca me hei-de habituar à rantrei. Não acho o fenómeno nada normal, e até apanho uma grandessissima camada de nervos com ele. Principalmente quando há gajos que reentram assim à bruta na minha frente. É com cada cagaço que não se aguenta. Podiam ao menos avisar...
Enfim, isto é um aviso: afastem-se um bocadinho para a direita e não se assustem - este blog vai reentrar.

segunda-feira, agosto 21, 2006

A Razão Imersa

banhos
Durante os próximos 30 dias a Razão vai estar em imersão em águas tépidas, no perfeito e absoluto relaxe. Longe dos funcionários públicos, dos políticos de pacotilha, dos coçadores de micose do fundo de desemprego e dos tugas em geral. Durante este período estará em preparação o lançamento deste blog em versão livro. É verdade, em Outubro já poderão pagar por aquilo que sempre tiveram à borla! Até lá vão poupando uns cobres. Afinal, o que é menos uma bejeca por dia até ao fim das vossas esgazeadas vidas?

domingo, agosto 20, 2006

A Razão Cerebral


cerebral
Só conhecemos 10% das funções que o nosso cérebro desempenha.
Aparentemente, a função dos restantes 90% é impedir-nos de descobrir para que servem.

George Carlin

sábado, agosto 19, 2006

A Razão de Muita Gente


A todos os que aqui chegam por acaso; a todos os que aqui chegam e não fazem caso; a todos os que apenas querem divertir-se; a todos os que se irritam solenemente; a todos os que andam à procura do orgasmo, das prostitutas na Madeira e dos sonhos com cenas esquisitas; a todos os que acham que o cliente tem sempre razão e a todos os que não; a todos os que vêm cá por uma ou outra razão, ou mesmo por razão nenhuma; a todos os que lêem sem comentar; a todos os que comentam sem ler; a todos os que comentam religiosamente; a todos os que têm razão; a todos os que andam à procura de razão, e a todos que não encontram razão alguma:
Bem hajam!
Graças a estes todos «A Razão tem sempre Cliente» ultrapassou, na passada semana, os 100.000 visitantes (foi uma ultrapassagem pela esquerda, com direito a pisca pisca, e totalmente dentro das regras de trânsito descritas no último Código de Estrada). Já não é qualquer estádio de futebol nacional que aguenta com 100.000 marmanjos. A Razão, construída sem subsídios estatais e sem o dinheiro dos contribuintes, aguentou com eles todos. Venham mais 100.000.

sexta-feira, agosto 18, 2006

A Razão Alheia


alheia
Alguém informado de que o universo se está a expandir e a contrair em pulsações de oitenta mil milhões de anos tem todo o direito de perguntar: «E o que é que eu tenho a ver com isso?»

Peter de Vries

quinta-feira, agosto 17, 2006

A Razão da Lista

lista
O Estado, essa abstracção incómoda, publica hoje mais uma lista de ovelhas negras. Desta feita, iremos ver nos jornais de amanhã os principais devedores à Segurança Social, cerca de um mês depois de ter sido publicada a lista dos principais devedores de impostos.
O que é curioso é que as listas só são feitas num sentido: não são listados os casos de dívidas do Estado aos contribuintes. Talvez porque os montantes das dívidas do Estado ultrapassem, em muito, o total das dívidas dos contribuíntes ao Estado.
Na linha deste bufanço estatal listado, sugiro que se publiquem também as seguintes listas:

- Lista das dívidas do Estado aos contribuintes.

- Lista das dívidas do Estado à Segurança Social.

- Lista das empresas contratadas pelo Estado que faliram por atraso de pagamento do próprio Estado.

- Lista dos pagamentos do Estado com mais atraso.

- Lista de assiduidade dos deputados da Assembleia da República.

- Lista de assiduidade dos funcionários públicos.

- Lista dos funcionários públicos com mais baixas.

- Lista dos funcionários públicos que fazem mais greves.

- Lista dos labregos que estão há mais tempo inscritos no fundo de desemprego.

Enquanto o Estado se comportar com um daqueles putos bufos que foram, em tempos, nossos colegas de escola, não prevejo que o estado da nação melhore. Nem com listas bufas.

quarta-feira, agosto 16, 2006

A Razão Existencial


existencial
O que acontece com o buraco quando o queijo desaparece?

Bertolt Brecht

terça-feira, agosto 15, 2006

A Razão do Contra

do contra

São contra os hotéis nas traseiras do sol posto; contra os quartos com vista para o saguão e aspiradores a arranharem a porta às 9 da manhã. São contra os taxistas amigos dos porteiros e as gorjetas de mão estendida; são contra os champôs oferecidos com cheiro a pastilha elástica; são contra os mini-bares fechados à chave, contra as alcatifas decoradas por traças e queimaduras de beatas; são contra as almofadas de esponja sintética com um chocolate de 0% de cacau em cima; são contra os hotéis com conferências de industriais do calçado e simpósios internacionais; são contra o comando de televisão com capa de plástico e sem pilhas, contra os canais eróticos pagos e, já que o tema é abordado, contra férias em frente à televisão. São contra os pequeno-almoços que acabam im-pre-te-ri-vel-men-te às dez da manhã, a não ser que tenham uma flor, café, doce e croissants de plástico, esses podem acabar agora mesmo. São contra a falta de escolha, o sumo de laranja concentrado e a «cozinha já fechou». São contra só haver cereais para crianças. São contra os pêlos de outras origens e outras espécies à solta em lençóis e banheiras. São contra a mesquinhez, «vão-me cobrar por uma rodela de limão?»; são contra portas que não fecham e janelas que não abrem. São contra o ar condicionado avariado precisamente no frio e cortinados que combinam com as colchas. São contra a desumanização dos números e não saber onde raio é que fica o quarto nº425, em que andar, em que ala e para que lado. São contra as wake-up-calls com tolerância de uma, duas horas. São, caros senhores burocratas, contra check-ins que exigem grupo sanguíneo, profissão da avó, curriculum e carta de recomendação. E pó, são contra o pó arqueológico já enraizado na espessura do abajour, dos móveis e dos próprios empregados. São contra o mau humor e os seus devotos praticantes. São contra canalizações-surpresa, ou seja, a torneira que abre a água do lavatório e autoclismos responsáveis por pequenos dilúvios. São contra centros de mesa com fruta que parece mesmo verdadeira. São contra aquela voz irritante e indetectável que fala 57 decibéis acima do normal e insiste em dizer «amazing!» de duas em duas palavras. São contra o fiambre da espessura de uma fatia de pão. São contra o mais ou menos e o «comme ci, comme ça». Contra a vida repetida e atabalhoada. São furiosos defensores de algo completamente diferente.
E eu sou completamente a favor deles.

Foto daqui.

domingo, agosto 13, 2006

A Razão de Ler as Gordas


ler as gordas
Há malta que gosta de ler as gordas. Saem de casa e, no caminho para o emprego ou para a praia, lêem umas gordas. Pessoalmente acho isto fabuloso, porque eu nunca consegui ler nenhuma gorda em toda a minha vida. Das poucas vezes que tentei ler umas gordas acabei indiciado por assédio sexual. Com as magras não tive sorte diferente.

sábado, agosto 12, 2006

A Razão do Decreto

bebida

É proibida a venda e consumo de bebidas alcoólicas:
a) a menores de 16 anos.
b) a quem se apresente notoriamente embriagado ou possuir anomalia psíquica.
Decreto lei 9/2002 de 24 de Janeiro

Estava a ler isto num bar e apercebi-me que aviar copos já não é a profissão fácil que foi em tempos. O Estado está determinado em transformar aquela malta atrás do balcão em mais qualquer coisa, que não se percebe muito bem em quê. Por decreto, alguém que avie copos deverá também saber identificar a idade dos mamíferos que consomem álcool. Sabemos bem que isto não é tarefa fácil, principalmente numa altura em que as miúdas que parecem ter mais de dezasseis anos têm, afinal, 12 anitos atestados de hormonas cuidadosamente armazenadas ao longo de seis anos de consecutivos menús infantis do McDonalds intercalados com visionamentos ininterruptos de várias séries dos Morangos com Açucar, onde pitas shoarma passam a vida a querer dar para um grupo de imberbes que não distinguem uma erecção de um calipo de limão. E quem se lixa é a malta que avia copos.
Mas é a alínea b) do decreto que torna as coisas mais subjectivamente preocupantes: o que é estar notoriamente embriagado? É levar atrás de si todas as mesas e cadeiras de um estabelecimento enquanto se ziguezagueia abrutalhadamente para a casa de banho? É não se conseguir pronunciar com uma dicção irrepreensível a próxima bebida? É não se conseguir fixar um ponto no espaço porque a merda do bar parece o interior de uma centrifugadora? Isto do «notoriamente embriagado» faz-me espécie porque, como sabemos, é ténue a fronteira entre o «levemente embriagado» e o «notoriamente embriagado», por vezes basta meio whisky para se passar de um estado a outro. E o que é suposto fazer nestas circunstâncias? O decreto não explica (uma característica muito peculiar de todos os decretos, aliás...).
Finalmente a questão da «anomalia psíquica»: que merda vem a ser esta? É um tipo que avia copos que tem o discernimento de identificar anomalias psíquicas nos seus clientes?
E depois há a questão do tipo de anomalia psíquica – é que nem todas são iguais. Um tipo que se baba copiosamente para cima do balcão é mais grave do que outro que sofra da síndrome de tourette e que solte um palavrão de 10 em 10 segundos? Já não basta a discriminação de um anormal não poder beber um shot, como o decreto ainda suscita discriminação entre os vários tipos de anormais. Significará isto que o Sócrates e todo o seu executivo não têm direito a beber nada alcoólico neste país? O decreto não explica.

domingo, agosto 06, 2006

A Razão do Ateu

ateu
Ainda pensei em tempos tornar-me ateu, mas desisti.
Eles não têm feriados.


Henny Youngman

sábado, agosto 05, 2006

A Razão da Confusão


Hoje em dia, se não estás confuso é porque não estás a pensar com clareza.

U. Peter

quarta-feira, agosto 02, 2006

A Razão das Tias

tias
Um dia, jovens estudantes de sociologia lusa irão estudar um fenómeno persistente com início no final do século XX, que se arrastou pelo século seguinte adentro, contaminando várias gerações de labregos portugueses. O fenómeno, de nome «tia», será objecto das mais variadas teses, e acabará sem uma explicação passível de tranquilizar as mentes mais metafísicas. Isto porque o fenómeno «tia», de origem e evolução perfeitamente circunscrita ao território nacional, nunca teve ele próprio nada de metafísico.
Os aplicados estudantes aprenderão que, após um período designado por «revolução dos cravos», período fértil em badalhoquice devassa disfarçada de fervor ideológico, surge uma classe de gente que se tornou o verdadeiro paradigma do equívoco nacional e cuja característica dominante era a madeixa de cabelo descorada a brotar de um coiro cabeludo que escondia uma caixa craniana anormalmente dimensionada para a quantidade de massa cinzenta que albergava.
Quando estudarem o seu papel na sociedade verão que na maioria dos casos se traduziam na escolha do papel de parede, porque apesar de não terem qualquer formação académica (ou outras) todas foram, nalguma altura da suas vidas, decoradoras de interiores.
Verão também que o estatuto de «tia» lhes era conferido, não por um desígnio superior, mas pelo simples facto de terem conseguido «acasalar bem», um conceito muito explorado entre (e por) elas, que consistia em caçar um papalvo com dinheiro e/ou com «nome». Subentenda-se «nome» como um conjunto infindável de apelidos, ligados por muitos «des», «das» e «dos», se possível com alguns hífens, e de origem gaélica.
Porém, a componente mais complicada do estudo da «tia» será a psicológica. Isto porque os jovens estudantes ficarão completamente atordoados com o facto de não encontrarem qualquer registo, para além da visão monolítica de Margarida (de) Rebelo (de) Pinto, sobre o que este grupo de seres pensava. Descobrirão, no entanto, que as «tias» dominavam com relativa facilidade o idioma português, sendo capazes de utilizar vocábulos com algum grau de complexidade. A palavra fucsia, por exemplo.
Mas será o tema da sexualidade que tornará o estudo da «tia» em algo mais interessante que a análise da reprodução do esturjão em época estival. Aprenderão então que, para a «tia», o acto sexual não era mais que um constatar do efeito que o último implante ou redução provocava no macho que o tinha pago. E que a consequência destes acasalamentos arbitrários provocavam outro paradoxo social: a «tia» como mãe. Mesmo como mãe a «tia» continuava a ser tia, o que permitia assegurar a continuação da espécie.
Por causa das «tias», um dia, muitos jovens estudantes de sociologia lusa irão perceber que mais valia terem dedicado o seu tempo ao estudo da influência do pepino verde nos hábitos alimentares mediterrânicos.