O rapaz tinha talento e não havia ninguém que o negasse. O rapaz tinha tanto talento que acabou por se tornar num ícone do país (um bocadinho como agora tentam fazer com o Cristiano). Naquele tempo, o que importava mesmo era o rapaz e a rapariga que cantava fado. Para qualquer lado do mundo onde fôssemos, desde o condutor de tuc tuc malaio ao sherpa tibetano, todos conheciam o nome do rapaz (que soava esquisito em cada sotaque). Para muita gente por esse mundo fora, o país e o rapaz eram a mesma coisa. Para nós o rapaz era um herói que um dia nos fez sonhar. A dada altura o rapaz teve um problema no joelho. As cartilagens do joelho do rapaz começaram a acusar o cansaço de aguentar todo aquele talento, jogo após jogo. E o rapaz tinha dores inimagináveis sempre que jogava. Para o rapaz continuar a dar espectáculo e a distrair-nos daquilo que andava à nossa volta decidiram dar-lhe injecções de cortizona no joelho. E durante algum tempo o rapaz jogou como se não tivesse dor. Mas aquilo custava-lhe.
Sempre que o rapaz se queixava, alguém lhe espetava uma injecção no joelho. Até que o rapaz só conseguia jogar nos últimos 10 minutos do jogo. E que 10 minutos! Era pura magia naqueles 10 minutos.
Um dia, o rapaz deixou de conseguir jogar os últimos 10 minutos. Já não tinha cartilagens no joelho, a rótula começou a desgastar-se e a desaparecer, e o rapaz deixou de conseguir correr e rematar. Por mais injecções que lhe dessem no joelho, já não havia nada a fazer. O rapaz já não tinha condições para continuar.
Sempre que invoco esta triste história do Eusébio, e do aproveitamento carniceiro que fizeram do seu talento, lembro-me do que o José Sócrates mais a sua vara de acólitos anda a fazer a este país. Neste momento andamos a jogar os últimos 10 minutos com os joelhos atestados de cortizona e os gajos insistem em dar-nos a injecção. Cartilagens já não temos. Temos rótulas que parecem berlindes. Mas ainda assim há sempre um animal de agulha espetada para nos dar a injecção.
quinta-feira, maio 31, 2007
A Razão do Joelho do Eusébio
segunda-feira, maio 28, 2007
A Razão Nua e Crua
O mundo do marketing e da publicidade. Sem espinhas.
Visionamento não recomendável a quem estiver em início de carreira.
terça-feira, maio 22, 2007
A Razão da Loja de Conveniência
Ontem ao fim do dia acabaram-se-me os cigarros. Como sou daqueles que ficam nervosinhos quando não têm um maço de tabaco por perto decidi sair para o comprar na loja de conveniência aqui perto de casa. Eis que, pelas 22:30h, a loja de conveniência já tinha fechado – algo que contraria toda a razão de existência de uma loja conveniência. Descobri então que tenho uma loja de inconveniência no meu bairro. Que inconvenientemente abre às horas convenientes para os seus empregados. O conceito pareceu-me bom: afinal de contas há por aí tanta loja de conveniência e a concorrência, nos dias que correm, é tão apertada que mais vale criar um novo conceito de loja. Ao menos é diferente.
Pensei um bocadinho no potencial de uma loja de inconveniência: horários flexíveis de acordo com a disposição para o trabalho dos seus funcionários; atendimento abaixo de cão com aquele ar de que me estão a fazer um favor em servir um café; instalações precárias e gordurentas, com estalactictes de gordura a partir do filtro do exaustor; com patrões estupidamente mal dispostos (com aquela má disposição atávica, como se todos os dias fossem dias em que o Benfica perde o campeonato) a coçarem a bolsa testicular com a mão com que servem o queque, e a recuperarem uma escarreta do fundo da sua garganta para a aplicarem no pano de limpeza, dando mais lustro ao balcão enquanto descompõem aos berros a anafada mulher na cozinha.
Foi então que percebi que isto não era muito diferente daquilo que encontrava por aí, e que afinal o país, para além do meu bairro, é pródigo em lojas de inconveniência. Não há-de ser com este conceito diferenciador que hei-de enriquecer. Adiante.
domingo, maio 20, 2007
A Razão do Processo Democrático
sábado, maio 19, 2007
A Razão Parental
quinta-feira, maio 17, 2007
A Razão dos Agarradinhos ao Poder
Carmona é o cliente mais recente de uma reputada multinacional farmacêutica, especialista no desenvolvimento de um substituto químico para o Poder. Chamam-lhe a «metadona do poder» e a sua aplicação é essencialmente dirigida a indivíduos viciados em Poder que, por uma ou outra razão, se viram privados de o exercer.
A «metadona do poder» tem efeitos surpreendentes desde a sua primeira aplicação, fazendo com que os pacientes percam gradualmente uma série de comportamentos desvairados causados pelo exercício contínuo do poder.
Sujeito à medicação há cerca de 48 horas, Carmona já apresentava hoje alguns sintomas de normalidade, tendo decidido desistir da sua insana recandidatura à Câmara de Lisboa.
O tratamento com «metadona do poder» tem a duração, nos casos mais simples, de cerca de 10 meses, podendo no entanto haver reincidências. Portas é um caso típico de reincidência: desde Março que se recusa a tomar os comprimidos, apresentando sérios sintomas de regressão.
Já Santana tem sido um paciente exemplar, considerado um case-study mundial pela empresa farmacêutica que criou o produto, por ser o único caso onde se desenvolveu uma incompreensível dependência do fármaco. «Era suposto ter largado a medicação há mais de um ano, mas ele insiste em continuar a tomá-la e fica alterado quando se fala em desmame» afirma um responsável técnico da empresa.
O mercado português tem-se mostrado num dos mais rentáveis na comercialização da «metadona do poder», ao ponto da empresa avaliar tornar Portugal num mercado-piloto para outras variantes do seu produto: a «metadona autárquica» será brevemente testada no nosso mercado, mas onde a empresa deposita mais expectativas (pelo elevado potencial do mercado) é no lançamento da «metadona produtiva» - um fármaco especialmente concebido para funcionários públicos e cujo efeito desejado consiste em fazê-los trabalhar como se fossem nórdicos.
A reforma da função pública, falhada em termos políticos, poderá vir a dar-se com sucesso em termos químicos. Aguardemos. Sem medos.
A Razão dos McCann
Há aqui qualquer coisa que me escapa no caso da pequena Madeleine McCann, e sobre a qual ninguém diz absolutamente nada: a verdadeira, total e inequívoca incompetência negligente dos pais, a somar ao facto de, só na Inglaterra, existirem anualmente dezenas de casos por resolver de crianças desaparecidas.
Os nossos media, tão barrasqueiros e exaustivos a explorar as misérias nacionais, quando toca a estrangeiros têm aquela atitude cabotinamente provinciana de admitir tudo.
Se o casal McCann se chamasse Silva estaria a ser crucificado pela generalidade dos media nacionais, e os gêmeos que sobraram estavam a ser entregues à Assistência Social por manifesta e demonstrada incompetência dos pais, em conseguir assegurar a segurança dos seus filhos. Como o casal de incompetentes negligentes é inglês nada acontece. Até pelo contrário. São retratados pelos media nacionais como pais extremosos em pungente sofrimento. Que palhaçada magistral.
E depois temos os media dos «bifes» a achincalharem o nosso país, a nossa segurança e a competência das nossas forças policiais.
Uma coisa é nós, portugueses, achincalharmos as nossas forças policiais, outra coisa é um «bife» achincalhar as nossas forças policiais. Ainda por cima em defesa de um par de pais que, como já todos percebemos mentiram copiosamente: não só não ligaram nenhuma aos filhos enquanto jantavam descansadamente a um quarteirão do apartamento, como não foram de meia em meia hora verificar se os filhos estavam bem, como não tinham qualquer visibilidade para o apartamento (estavam no quarteirão oposto e com muito betão pela frente). Os testemunhos dos empregados de mesa do restaurante onde iam todas as noites comprovam-no. Por isso, quando vejo a senhora McCann a dar entrevistas à televisão com um urso de peluche na mão só me apetece mandar-lhe uma tribo somali ao seu apartamento (grátis por toda a estadia que decidiu prolongar).
Convém ainda referir que o custo de uma babysitter no Ocean Club da Praia da Luz é de 50 euros e que o casal, de médicos pelo que sei, não esteve disposto a pagar por esse serviço nas noites que ali permaneceu.
Os McCann foram incompetentes e mentirosos. E toda a gente já o percebeu. Portanto, porque é que ninguém fala disto?
Esta nossa mania ancestral de dar razão e calar a tudo o que vem do estrangeiro continua a ser a nossa ruína. E os ingleses continuam a achar que isto ainda é o seu quintal. A ancestralidade é lixada.
quarta-feira, maio 16, 2007
A Razão Reactivada
É verdade. Mesmo que não se escreva nada neles, mesmo que não precisemos deles para nada, eles continuam aqui – firmes e hirtos numa espécie de vida suspensa, à espera que o seu autor se lembre de os actualizar ou de os apagar.
Tal qual um funcionário público a vegetar atrás de um qualquer balcão, sempre a carimbar as mesmas folhas com os mesmos carimbos, eternamente à espera da idade da reforma.
Se ao menos fossem tão fáceis de apagar como a um blog...
domingo, janeiro 28, 2007
A Razão do Júri
sábado, janeiro 27, 2007
A Razão da Reputação
Já repararam quando dá na televisão a captura de um tipo procurado pelas autoridades e ele passa diante das câmaras, escoltado pela polícia, a cobrir a cara com os braços, com o jornal ou com o casaco enfiado por cima da cabeça? O tipo estará preocupado com o quê? Estará preocupado com o efeito negativo que esta exposição mediática possa ter no seu bom nome e reputação? Será que o indivíduo estava à espera de ser promovido lá no emprego e tem medo que o patrão esteja em casa a ver as notícias?
«Aquele ali não é o Osvaldo das
sexta-feira, janeiro 26, 2007
A Razão da Sala de Espera
A sala de espera é um conceito curioso. Porque é exactamente aquilo que o nome indica: a
Se estou à espera de uma consulta médica na sala de espera costumo olhar para a
As salas de estar das empresas também são altamente produtivas: nelas vejo a secretária que come o patrão; o escriturário que tem fantasias sexuais com um marcador luminoso; o paquete rebarbado com a executiva; a executiva a querer dar para quem passa. Enfim, um verdadeiro ecossistema de javardice impronunciável.
Mas é nas salas de estar da Função Pública que a coisa atinge o nível do nirvana: não se passa nada. Nada mesmo. Até se tem alguma dificuldade em perceber se aqueles seres atrás do balcão têm funções respiratórias. É a sala de espera em todo o seu esplendor.
quinta-feira, janeiro 25, 2007
A Razão das Manifestações a Pagantes
Há muito, muito tempo atrás escrevi que «há uns anos atrás a malta quando protestava fazia-o à séria». Hoje tive mais uma constatação deste facto ao descobrir que uma empresa alemã aluga manifestantes para protestar em causas avulso. A coisa funciona assim: vocês têm uma causa qualquer. Até pode ser uma boa causa. Daquelas causas em que até apetece morrer por elas. Mas em vez de causarem o incómodo a alguém que vos terá que assinar a vossa certidão de óbito, optam por alugar umas centenas de manifestantes que protestarão vigorosamente pela vossa causa arriscando-se, em vosso lugar, a levar porrada de uma valente carga de GNR’s rebarbados e sebosos.
Assim vai o estado dos ideais na bela Europa. Os netos dos gajos que fizeram o Maio de 68 vendem-se para manifestar pelo que quer que seja. Fico curioso por saber o que os alucinados do glorioso PREC pensam sobre isto. É que uma matracada na tromba por uma boa causa tem outro sabor. É como roubar maçãs do quintal do vizinho: sabem infinitamente melhor – aliás, uma maçã comprada é sempre uma maçã estragada.
É claro que se a ideia pegar em Portugal quem se vai lixar (como sempre) é a Função Pública. Com todos aqueles putos a manifestarem-se impunemente por dinheiro (situação que não fica muito longe das manifestações prostitutivas da Função Pública) como é que aquelas alimárias podem justificar os dias de falta para se manifestarem contra o «roubo do seu tacho»?
Estou a pensar abrir um franchise da empresa alemã em Portugal. Só para chatear.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
A Razão das Caixinhas
Desde que saíram da caverna, os seres humanos têm uma apetência natural para viverem em caixinhas. Todos os dias, saímos de dentro de uma caixa a que chamamos casa, entramos numa outra caixa a que chamamos automóvel e conduzimo-la até uma outra caixa a que chamamos emprego. Viajamos em caixas atreladas umas às outras que andam em cima de carris, em caixas que flutuam na água e até em caixas que voam. De vez em quando gostamos de ir dançar para dentro de caixas ruidosas, ou de passar um tempo com os amigos em caixas que têm como função servir substâncias líquidas mais ou menos entorpecentes e etilizantes. Há caixinhas para tudo e mais alguma coisa. São poucas as coisas que se fazem fora das caixinhas. Talvez por isso as férias constituam quase sempre um bom motivo para passar a maior parte do tempo fora das caixas, ou pelo menos em caixas diferentes das habituais
A vida parece consistir numa sucessão de caixinhas em catadupa. Uma após outra. Já nem reparamos nelas. Fazem parte desta caixinha grande a que chamamos Terra e de onde conseguimos observar um conjunto de outras caixas grandes e distantes, questionando se existirão por lá outras caixinhas habitadas.
Até aqui, nesta fatia de internet, gostamos de nos arrumar em caixinhas. Reparem bem na forma deste blog…
sexta-feira, janeiro 19, 2007
A Razão do Maior Português
Tenho dificuldade em entender esta votação do «Maior Português». Principalmente quando olho para o resultado das votações e vejo figurinhas como o Pinto da Costa, o Ricardo Araujo Pereira, e o Saramago (esse esbirro nobelizado) nos 100 mais votados. Afinal a votação é para o «Maior Palhaço Português»?
Outra coisa que
No final da votação do «Português Mais Pequenino» teríamos certamente 10 finalistas extremamente contemporâneos: todos vivinhos, invejosozinhos, corruptozinhos, indigentezinhos e sempre cheio de expedientezinhos. O difícil seria limitar a eleição a 10 finalistazinhos.
Voto no Aristides porque, daquela listinha, foi o melhor ser humano.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
A Razão da Reflexão
Estamos naquela altura em que muito boa gente aproveita para fazer uma reflexão sobre aquilo que fez nos últimos doze meses. Uma espécie de post mortem de curto prazo da sua existência. Confesso que não percebo este fascínio da reflexão. É como fazer a autópsia de um tipo que tenha sido atropelado por um camião de oito rodados: sabemos que o indivíduo está morto e que as probabilidades de este continuar a descontar para o IRS são muito reduzidas (felizardo!); portanto é-nos perfeitamente indiferente se a sua morte se deveu a uma perfuração dos pulmões ou se simplesmente o cérebro deixou de funcionar depois de ter experienciado oito toneladas a passar-lhe por cima. Por mais autópsias que lhe façam o resultado final é que o tipo já não cantará a Traviatta, por mais que lhe apeteça. É como as reflexões de fim de ano. Por mais que a malta reflicta, o ano passou e já não volta. Por mais que isso vos custe, é a pura das verdades.
Se querem reflectir sobre a vossa existência não o façam agora, façam-nos todos os dias. A melhor altura para uma reflexão existencial são as manhãs. Vocês acordam, meio estremunhados, cabelo desgrenhado, com um hálito desgraçado, e vão para a casa de banho olhar para a vossa reflexão no espelho. Se depois desta experiência ainda acharem que a vossa existência vale a pena, então continuem, diariamente, a fazer este tipo de reflexão. Para aqueles que não gostam de uma reflexão tão crua, recomendo a reflexão de vitrine: a reflexão de vitrine serve para todos os que não aguentam a reflexão matinal. Consiste em reflectir na montra do banco mais próximo de casa. Tem a vantagem de não se toparem as imperfeições na pele, nem as rugas de expressão, nem os pontos negros. O que não quer dizer que não estejam lá. Mas que se lixe, é apenas uma reflexão.
Para todos os que reflectiram neste último minuto comigo (a olhar para a vossa reflexão no écran do vosso PC), votos de um grande 2007. Perguntar-me-ão se grande implicará que o ano tenha mais dias. Responder-vos-ei que, tal como as reflexões, o ano tem os dias que quisermos. Sejam felizes.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
A Razão da Linha do Norte
O Tribunal de Contas produziu recentemente um relatório sobre a modernização da linha dos Caminhos de Ferro do Norte, obra da REFER que dura há 10 anos e cuja conclusão não está à vista.
No relatório do TC vemos que até hoje foram GASTOS mil milhões de euros, ou seja, mais 20% do que estava inicialmente estimado para esta obra. Por aqui podemos ver que as comissões encapotadas já ultrapassaram em muito os 10% habituais...
O relatório revela ainda que existiram empreitadas que foram adjudicadas depois de terem sido realizadas (?), e que se teriam poupado quinze milhões de euros se tivessem sido escolhidas as propostas mais competitivas.
O relatório do Tribunal de Contas revela, em suma, a incapacidade e falta de transparência da REFER nesta obra pública, realizada (como outras tantas) à custa dos contribuintes.
Mas a parte mais divertida do relatório está na sua conclusão: nela, o Tribunal de Contas recomenda que, de futuro, a REFER controle melhor os seus custos.
Mas que merda de conclusão é esta? É para isto que serve um relatório do Tribunal de Contas? Então estes gajos concluem que a malta da REFER anda a roubar à grande e à francesa nos últimos dez anos e a única coisa que fazem é dizer para os meninos terem mais cuidado a roubar?? E que tal demitirem toda a administração da REFER? E que tal prendê-los por gestão danosa de dinheiros públicos? E que tal contratar uma tribo somali fresquinha para alargar o esfíncter de cada membro do conselho de administração?
quarta-feira, dezembro 20, 2006
A Razão dos Lambe-Cus
A humanidade divide-se em dois géneros, para além dos meninos e das meninas: há os lambe-cus, e há aqueles cujas papilas gustativas não toleram o confronto sensorial directo com o streptococus vulgaris. A divisão não é equitativa. Os lambe-cus são, nitidamente, a maioria vigente.
Está veladamente convencionado nesta sociedade que «lamber um cu diariamente, garante um futuro polivalente». É uma forma de investimento a prazo.
Quem lambe um cu está convencido que, embora o sabor não seja nada por aí além, a coisa vale o esforço que daí advém. O cu lambido é normalmente grato, e o acto de lambecuzice raramente fica em cu alheio.
É importante referir que, para quem lambe cus, é perfeitamente indiferente o cu que está a lamber. É uma questão de fé que roça os critérios dos apostadores de cavalos: só se lambe um cu porque se tem fé que esse cu vale a pena lamber, porque vai dar algo a ganhar.
Lamber cus é um acto de fé completamente enviezado. Daí que seja extremamente fácil desatar a lamber outro cu qualquer, por dá cá aquela palha.
Para o lambe-cus, paradoxalmente, o importante não é lamber um cu em particular. É a aleatoriedade da coisa que dá riqueza ao acto e que aumenta a possibilidade de, um dia, deixar de lamber cus para ter o seu próprio cu lambido. Daí que se lambam cus de muitos quadrantes e de variadas influências. O cu é uma lotaria. Nunca se sabe ao certo qual é o que dá prémio. Portanto o lema é lamber indiscriminadamente.
É por essas e por outras que existe aquele ditado: «Quem tem cu tem medo». E se não tem, devia ter.
sábado, dezembro 16, 2006
A Razão Tipo Serra
Tipo é uma daquelas palavras da treta a que é preciso prestar atenção. Sempre que virem a palavra «tipo» anexada a outra palavra qualquer, alguém vos está a aldrabar. «Charcutaria do tipo nova-iorquino?». Sabem porque lhe chamam isto? Porque não fica em Nova Iorque. É só por isso. Provavelmente, fica em Kekanal no Egipto, o dono é do Ruanda e a comida sabe a qualquer coisa que os Hutus dariam aos Tutsis para comer.
Outro uso da palavra «tipo» pode ser encontrada em «restaurantes do tipo familiar». O que quer dizer é que, em cada mesa, há gente a discutir. E o filho mais velho anda a espancar mulheres. É uma coisa de «tipo familiar», percebem?
George Carlin
sexta-feira, dezembro 15, 2006
quarta-feira, dezembro 13, 2006
A Razão da Biografia Precoce
Confesso que nunca liguei muito às biografias como obras literárias. Nunca tive grande interesse em saber da vida dos outros, mesmo que estes fossem remotamente famosos ou que tivessem sido vagamente influentes no mundo. Acho que o interesse por uma biografia, qualquer que ela seja, não é muito diferente de encher as audiências de um canal que passe um Big Brother ou outro reality show qualquer. Com uma nuance: as biografias não têm metade da javardice porcalhota de um reality show. Normalmente contam-se sempre as partes dignas da vida de um dado indivíduo.
Sempre achei que a biografia era algo posterior à extrema unção: nunca me fez grande sentido uma biografia ser escrita enquanto o indivíduo ainda estava vivo. São uma espécie de morte antecipada por indivíduos que, se não estão fisicamente mortos, estão-no certamente a nivel social ou político. É o caso da Carolina do alterne e do Santana sem alternativas. Esta mania nacional recente de se publicarem livros a explicar que «se a minha avó tivesse rodas seria um camião de oito rodados» é, no mínimo, reveladora de uma pobreza intelectual incapaz de avaliar o rídiculo de todo o esforço editorial que tiveram para publicar aquelas verdadeiras bostas. Podemos tirar a mulher do alterne e o homem da politiquice, mas infelizmente não podemos tirar o alterne da mulher nem a politiquice do homem.