sexta-feira, setembro 22, 2006

A Razão da Reentrada

rantrei
Cada ano tem uma época oficialmente designada por rentrée (leia-se rantrei). A rantrei dá-se normalmente por volta do nono mês de todos os anos e determina a altura em que nós voltamos a reentrar nesse ano. Ora para haver uma reentrada deverá ter existido algures uma saída qualquer, e é exactamente aqui que as coisas se complicam: ninguém consegue explicar com um mínimo de credibilidade como é que saiu para voltar a entrar no mesmo ano - o que significa que, todos vocês que experienciam agora a reentrada (outro sinónimo de rantrei) estiveram algures fora deste ano a fazer qualquer coisa com não sei quem, enquanto simultaneamente desafiavam uma boa mão cheia de leis da física. Seus grandes alucinados.

A minha palavra de apreço vai para todos aqueles que este ano não tiveram rantrei e que por causa disso se viram obrigados a assistir à rantrei dos outros: convenhamos que é preciso muito discernimento e muita sanidade mental para ver surgir, de um momento para o outro, um grupo de marmanjos a reentrar no ano como se não houvesse amanhã, vindos sabe-se lá de onde e com que doenças.
Por mais anos que passem nunca me hei-de habituar à rantrei. Não acho o fenómeno nada normal, e até apanho uma grandessissima camada de nervos com ele. Principalmente quando há gajos que reentram assim à bruta na minha frente. É com cada cagaço que não se aguenta. Podiam ao menos avisar...
Enfim, isto é um aviso: afastem-se um bocadinho para a direita e não se assustem - este blog vai reentrar.

segunda-feira, agosto 21, 2006

A Razão Imersa

banhos
Durante os próximos 30 dias a Razão vai estar em imersão em águas tépidas, no perfeito e absoluto relaxe. Longe dos funcionários públicos, dos políticos de pacotilha, dos coçadores de micose do fundo de desemprego e dos tugas em geral. Durante este período estará em preparação o lançamento deste blog em versão livro. É verdade, em Outubro já poderão pagar por aquilo que sempre tiveram à borla! Até lá vão poupando uns cobres. Afinal, o que é menos uma bejeca por dia até ao fim das vossas esgazeadas vidas?

domingo, agosto 20, 2006

A Razão Cerebral


cerebral
Só conhecemos 10% das funções que o nosso cérebro desempenha.
Aparentemente, a função dos restantes 90% é impedir-nos de descobrir para que servem.

George Carlin

sábado, agosto 19, 2006

A Razão de Muita Gente


A todos os que aqui chegam por acaso; a todos os que aqui chegam e não fazem caso; a todos os que apenas querem divertir-se; a todos os que se irritam solenemente; a todos os que andam à procura do orgasmo, das prostitutas na Madeira e dos sonhos com cenas esquisitas; a todos os que acham que o cliente tem sempre razão e a todos os que não; a todos os que vêm cá por uma ou outra razão, ou mesmo por razão nenhuma; a todos os que lêem sem comentar; a todos os que comentam sem ler; a todos os que comentam religiosamente; a todos os que têm razão; a todos os que andam à procura de razão, e a todos que não encontram razão alguma:
Bem hajam!
Graças a estes todos «A Razão tem sempre Cliente» ultrapassou, na passada semana, os 100.000 visitantes (foi uma ultrapassagem pela esquerda, com direito a pisca pisca, e totalmente dentro das regras de trânsito descritas no último Código de Estrada). Já não é qualquer estádio de futebol nacional que aguenta com 100.000 marmanjos. A Razão, construída sem subsídios estatais e sem o dinheiro dos contribuintes, aguentou com eles todos. Venham mais 100.000.

sexta-feira, agosto 18, 2006

A Razão Alheia


alheia
Alguém informado de que o universo se está a expandir e a contrair em pulsações de oitenta mil milhões de anos tem todo o direito de perguntar: «E o que é que eu tenho a ver com isso?»

Peter de Vries

quinta-feira, agosto 17, 2006

A Razão da Lista

lista
O Estado, essa abstracção incómoda, publica hoje mais uma lista de ovelhas negras. Desta feita, iremos ver nos jornais de amanhã os principais devedores à Segurança Social, cerca de um mês depois de ter sido publicada a lista dos principais devedores de impostos.
O que é curioso é que as listas só são feitas num sentido: não são listados os casos de dívidas do Estado aos contribuintes. Talvez porque os montantes das dívidas do Estado ultrapassem, em muito, o total das dívidas dos contribuíntes ao Estado.
Na linha deste bufanço estatal listado, sugiro que se publiquem também as seguintes listas:

- Lista das dívidas do Estado aos contribuintes.

- Lista das dívidas do Estado à Segurança Social.

- Lista das empresas contratadas pelo Estado que faliram por atraso de pagamento do próprio Estado.

- Lista dos pagamentos do Estado com mais atraso.

- Lista de assiduidade dos deputados da Assembleia da República.

- Lista de assiduidade dos funcionários públicos.

- Lista dos funcionários públicos com mais baixas.

- Lista dos funcionários públicos que fazem mais greves.

- Lista dos labregos que estão há mais tempo inscritos no fundo de desemprego.

Enquanto o Estado se comportar com um daqueles putos bufos que foram, em tempos, nossos colegas de escola, não prevejo que o estado da nação melhore. Nem com listas bufas.

quarta-feira, agosto 16, 2006

A Razão Existencial


existencial
O que acontece com o buraco quando o queijo desaparece?

Bertolt Brecht

terça-feira, agosto 15, 2006

A Razão do Contra

do contra

São contra os hotéis nas traseiras do sol posto; contra os quartos com vista para o saguão e aspiradores a arranharem a porta às 9 da manhã. São contra os taxistas amigos dos porteiros e as gorjetas de mão estendida; são contra os champôs oferecidos com cheiro a pastilha elástica; são contra os mini-bares fechados à chave, contra as alcatifas decoradas por traças e queimaduras de beatas; são contra as almofadas de esponja sintética com um chocolate de 0% de cacau em cima; são contra os hotéis com conferências de industriais do calçado e simpósios internacionais; são contra o comando de televisão com capa de plástico e sem pilhas, contra os canais eróticos pagos e, já que o tema é abordado, contra férias em frente à televisão. São contra os pequeno-almoços que acabam im-pre-te-ri-vel-men-te às dez da manhã, a não ser que tenham uma flor, café, doce e croissants de plástico, esses podem acabar agora mesmo. São contra a falta de escolha, o sumo de laranja concentrado e a «cozinha já fechou». São contra só haver cereais para crianças. São contra os pêlos de outras origens e outras espécies à solta em lençóis e banheiras. São contra a mesquinhez, «vão-me cobrar por uma rodela de limão?»; são contra portas que não fecham e janelas que não abrem. São contra o ar condicionado avariado precisamente no frio e cortinados que combinam com as colchas. São contra a desumanização dos números e não saber onde raio é que fica o quarto nº425, em que andar, em que ala e para que lado. São contra as wake-up-calls com tolerância de uma, duas horas. São, caros senhores burocratas, contra check-ins que exigem grupo sanguíneo, profissão da avó, curriculum e carta de recomendação. E pó, são contra o pó arqueológico já enraizado na espessura do abajour, dos móveis e dos próprios empregados. São contra o mau humor e os seus devotos praticantes. São contra canalizações-surpresa, ou seja, a torneira que abre a água do lavatório e autoclismos responsáveis por pequenos dilúvios. São contra centros de mesa com fruta que parece mesmo verdadeira. São contra aquela voz irritante e indetectável que fala 57 decibéis acima do normal e insiste em dizer «amazing!» de duas em duas palavras. São contra o fiambre da espessura de uma fatia de pão. São contra o mais ou menos e o «comme ci, comme ça». Contra a vida repetida e atabalhoada. São furiosos defensores de algo completamente diferente.
E eu sou completamente a favor deles.

Foto daqui.

domingo, agosto 13, 2006

A Razão de Ler as Gordas


ler as gordas
Há malta que gosta de ler as gordas. Saem de casa e, no caminho para o emprego ou para a praia, lêem umas gordas. Pessoalmente acho isto fabuloso, porque eu nunca consegui ler nenhuma gorda em toda a minha vida. Das poucas vezes que tentei ler umas gordas acabei indiciado por assédio sexual. Com as magras não tive sorte diferente.

sábado, agosto 12, 2006

A Razão do Decreto

bebida

É proibida a venda e consumo de bebidas alcoólicas:
a) a menores de 16 anos.
b) a quem se apresente notoriamente embriagado ou possuir anomalia psíquica.
Decreto lei 9/2002 de 24 de Janeiro

Estava a ler isto num bar e apercebi-me que aviar copos já não é a profissão fácil que foi em tempos. O Estado está determinado em transformar aquela malta atrás do balcão em mais qualquer coisa, que não se percebe muito bem em quê. Por decreto, alguém que avie copos deverá também saber identificar a idade dos mamíferos que consomem álcool. Sabemos bem que isto não é tarefa fácil, principalmente numa altura em que as miúdas que parecem ter mais de dezasseis anos têm, afinal, 12 anitos atestados de hormonas cuidadosamente armazenadas ao longo de seis anos de consecutivos menús infantis do McDonalds intercalados com visionamentos ininterruptos de várias séries dos Morangos com Açucar, onde pitas shoarma passam a vida a querer dar para um grupo de imberbes que não distinguem uma erecção de um calipo de limão. E quem se lixa é a malta que avia copos.
Mas é a alínea b) do decreto que torna as coisas mais subjectivamente preocupantes: o que é estar notoriamente embriagado? É levar atrás de si todas as mesas e cadeiras de um estabelecimento enquanto se ziguezagueia abrutalhadamente para a casa de banho? É não se conseguir pronunciar com uma dicção irrepreensível a próxima bebida? É não se conseguir fixar um ponto no espaço porque a merda do bar parece o interior de uma centrifugadora? Isto do «notoriamente embriagado» faz-me espécie porque, como sabemos, é ténue a fronteira entre o «levemente embriagado» e o «notoriamente embriagado», por vezes basta meio whisky para se passar de um estado a outro. E o que é suposto fazer nestas circunstâncias? O decreto não explica (uma característica muito peculiar de todos os decretos, aliás...).
Finalmente a questão da «anomalia psíquica»: que merda vem a ser esta? É um tipo que avia copos que tem o discernimento de identificar anomalias psíquicas nos seus clientes?
E depois há a questão do tipo de anomalia psíquica – é que nem todas são iguais. Um tipo que se baba copiosamente para cima do balcão é mais grave do que outro que sofra da síndrome de tourette e que solte um palavrão de 10 em 10 segundos? Já não basta a discriminação de um anormal não poder beber um shot, como o decreto ainda suscita discriminação entre os vários tipos de anormais. Significará isto que o Sócrates e todo o seu executivo não têm direito a beber nada alcoólico neste país? O decreto não explica.

domingo, agosto 06, 2006

A Razão do Ateu

ateu
Ainda pensei em tempos tornar-me ateu, mas desisti.
Eles não têm feriados.


Henny Youngman

sábado, agosto 05, 2006

A Razão da Confusão


Hoje em dia, se não estás confuso é porque não estás a pensar com clareza.

U. Peter

quarta-feira, agosto 02, 2006

A Razão das Tias

tias
Um dia, jovens estudantes de sociologia lusa irão estudar um fenómeno persistente com início no final do século XX, que se arrastou pelo século seguinte adentro, contaminando várias gerações de labregos portugueses. O fenómeno, de nome «tia», será objecto das mais variadas teses, e acabará sem uma explicação passível de tranquilizar as mentes mais metafísicas. Isto porque o fenómeno «tia», de origem e evolução perfeitamente circunscrita ao território nacional, nunca teve ele próprio nada de metafísico.
Os aplicados estudantes aprenderão que, após um período designado por «revolução dos cravos», período fértil em badalhoquice devassa disfarçada de fervor ideológico, surge uma classe de gente que se tornou o verdadeiro paradigma do equívoco nacional e cuja característica dominante era a madeixa de cabelo descorada a brotar de um coiro cabeludo que escondia uma caixa craniana anormalmente dimensionada para a quantidade de massa cinzenta que albergava.
Quando estudarem o seu papel na sociedade verão que na maioria dos casos se traduziam na escolha do papel de parede, porque apesar de não terem qualquer formação académica (ou outras) todas foram, nalguma altura da suas vidas, decoradoras de interiores.
Verão também que o estatuto de «tia» lhes era conferido, não por um desígnio superior, mas pelo simples facto de terem conseguido «acasalar bem», um conceito muito explorado entre (e por) elas, que consistia em caçar um papalvo com dinheiro e/ou com «nome». Subentenda-se «nome» como um conjunto infindável de apelidos, ligados por muitos «des», «das» e «dos», se possível com alguns hífens, e de origem gaélica.
Porém, a componente mais complicada do estudo da «tia» será a psicológica. Isto porque os jovens estudantes ficarão completamente atordoados com o facto de não encontrarem qualquer registo, para além da visão monolítica de Margarida (de) Rebelo (de) Pinto, sobre o que este grupo de seres pensava. Descobrirão, no entanto, que as «tias» dominavam com relativa facilidade o idioma português, sendo capazes de utilizar vocábulos com algum grau de complexidade. A palavra fucsia, por exemplo.
Mas será o tema da sexualidade que tornará o estudo da «tia» em algo mais interessante que a análise da reprodução do esturjão em época estival. Aprenderão então que, para a «tia», o acto sexual não era mais que um constatar do efeito que o último implante ou redução provocava no macho que o tinha pago. E que a consequência destes acasalamentos arbitrários provocavam outro paradoxo social: a «tia» como mãe. Mesmo como mãe a «tia» continuava a ser tia, o que permitia assegurar a continuação da espécie.
Por causa das «tias», um dia, muitos jovens estudantes de sociologia lusa irão perceber que mais valia terem dedicado o seu tempo ao estudo da influência do pepino verde nos hábitos alimentares mediterrânicos.

segunda-feira, julho 31, 2006

A Razão em Inanição

inanição
Fiz uma dieta de emagrecimento do meu cérebro. Perdi 8 quilos. Bastou ler diariamente o Abrupto e a Revolta dos Pastéis de Nata (e à sobremesa os Gato Fedorento). Resulta.

domingo, julho 30, 2006

A Razão do Flato Público

flato publico
Uma pessoa nunca deve admitir um peido em público. Quem o diz não é a lei escrita, a lei que decorre dos costumes. Trata-se da única regra verdadeiramente sagrada da etiqueta. Os peidos não têm origem em ninguém nem vêm de sítio algum; são emanações anónimas que pertencem ao grupo como um todo, e, mesmo quando todas as pessoas na sala sabem quem foi o culpado, a única atitude responsável é negar terminantemente.

Paul Auster, in As Loucuras de Brooklyn

sábado, julho 29, 2006

A Razão da Alimentação Saudável

alimentaçao saudavel
A comida saudável põe-me doente.


Calvin Trillin

sexta-feira, julho 28, 2006

A Razão da Estatística

estatistica
A estatística é como os bikinis.
Aquilo que revela é sugestivo, mas aquilo que oculta é vital.


Aaron Levenstein

quinta-feira, julho 27, 2006

A Razão do Anúncio de Emprego

anuncio de emprego
Horário reduzido, ordenado excelente, um sítio divertido para se trabalhar, formação paga, patrão de merda.
Enfim... quatro em cinco não é assim tão mau.


Anúncio de recrutamento publicado nos Estados Unidos em 1994.

quarta-feira, julho 26, 2006

A Razão do Barman

barman
A parte mais difícil do trabalho de um barman é distinguir entre quem é bêbado e quem é estúpido.


Richard Braunstein

terça-feira, julho 25, 2006

A Razão do Poder Absoluto

poder absoluto
Se o poder absoluto corrompe absolutamente, a absoluta falta de poder torna-nos puros?

Harry Shearer

segunda-feira, julho 24, 2006

A Razão do Recrutamento

recrutamento
Eis que o autor (este tratamento na terceira pessoa só indicia que o estado mental do autor está cada vez mais deteriorado, facto que passa perfeitamente despercebido na blogosfera) parte de novo para o recrutamento de mais uma tribo somali nos arredores de Mogadíscio.
A tribo anterior «estragou-se». O autor tem estes problemas recorrentes com as tribos somalis que frequentemente importa para o país: enquanto não percebem a língua está tudo bem, são diligentes e cumpridores. Depois começam a aprender umas palavritas em português, começam a ler jornais, começam a ver televisão, começam e conviver com o funcionalismo público, e estragam-se. Em apenas três meses uma tribo de somalis vigorosos torna-se num grupo de bandalhos a coçar a micose, e a inscrever-se num qualquer centro de desemprego. Nem a alteração química da sua testosterona resolve o assunto. O autor acha que é um problema de assimilação cultural. E quando as coisas roçam o aspecto cultural o melhor é resolver o assunto recrutando, por mais três meses, somalis sem vícios lusos.
Assim, durante esta semana, o autor deixar-vos-à Razões em Conserva, daquelas com prazo de validade ilimitado e que ficam bem em qualquer blog.
Durante este período o autor pede encarecidamente que, pelo facto de o blog estar somali-free, os leitores se comportem dentro das regras da civilidade e evitem aceder a este blog envergando vestes menos apropriadas (o nú também não é aceitável), ou sob o efeitos de estupefacientes. Evitem também pronunciar «zingarelho».

domingo, julho 23, 2006

A Razão Abençoada

abençoada
Abençoados aqueles que riem de si próprios, pois nunca deixarão de se divertir.

John Powel

sábado, julho 22, 2006

A Razão da Política

politica
A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los, diagnosticá-los incorrectamente e depois aplicar-lhes os medicamentos errados.

Groucho Marx

sexta-feira, julho 21, 2006

A Razão do Riso

Riso
Aquele que ri por último,
tem compreensão lenta.

quarta-feira, julho 19, 2006

A Razão de Bolonha

bolonha
Seja médico em apenas três semanas! Sim, graças ao nosso programa acelerado, pode ser médico em apenas três semanas e só tem de estudar vinte minutos por dia. Ou torne-se dentista numa tarde. Não gosta do seu emprego actual? Não se enquadra no mercado de trabalho? Seja médico. Ou dentista. É fácil. Ligue já e incluiremos um curso de enfermagem para a esposa. Aliás, até podemos fazer da sua esposa uma enfermeira por telefone. Ligue para a Faculdade de Medicina Acelerada já! Não seja otário. Seja médico.

George Carlin

terça-feira, julho 18, 2006

A Razão do Amigo Imaginário

amigo imaginário
Amigos imaginários, estão a ver? Bem, se não estão a ver é porque ou eles são invisíveis, ou vocês fazem parte daquela malta que teve uma infância normal, e que não via seres esquisitos em todos os cantos da casa. O que só abona a vosso favor.
A mim fazem-me impressão os amigos imaginários. Uma criança que fala com um amigo que não está lá, para mim, não sofre nem de problemas de solidão nem de histeria criativa: é um perfeito anormal com distúrbios mentais preocupantes que só a permissividade bacoca dos pais faz com que pareçam normais manifestações do processo de crescimento. Não me lixem. Um gajo que fala com seres invisíveis não pode ser levado a sério, tenha lá a idade que tiver. É por estas e por outras que gajos como o José Sócrates acham que podem ser primeiros ministros do país, falando diariamente para 10 milhões de amigos imaginários. Algum de vocês é amigo do José Sócrates? Duvido. Mas caso algum de vós tenha alguma dúvida sobre esta questão recomendo uma tribo somali com a líbido quimicamente adulterada.
Voltando ao assunto: não acho normal que se imagine um amigo de existência questionável; não acho normal que se mantenham relações de amizade com o éter (a não ser que, desde muito cedo, se aspire a uma carreira no ramo farmacêutico); também não acho normal que se entabulem diálogos esquisitos com o vazio, alegando que se está a falar com um amigo imaginário. Acho tudo isto muito doentio.
Durante a minha infância (às tirinhas e em formato de cartoon hilariante) nunca me deu para inventar um amigo imaginário. E sempre considerei esta postura como um sintoma de ausência de maturidade intelectual. É verdade. Nunca houve um único amigo imaginário na minha infância. Eram todas amigas. Bem reais, por sinal. E uma delas fazia coisas que eu nem me passava pela cabeça imaginar. Ganda maluca!

domingo, julho 16, 2006

A Razão do Pontapé

violencia infantil
Nunca levantes a mão para os teus filhos;

deixas as partes baixas desprotegidas.


Robert Orben

sábado, julho 15, 2006

A Razão da Reunião de Brainstorming

brainstorming
Eis a minha teoria sobre as reuniões de brainstorming e a vida:

Há três coisas que, por mais que nos esforcemos, não conseguimos fingir que temos: erecções, competência e criatividade.
É por isso que as reuniões de brainstorming são normalmente uma imensa seca - estão pejadas de pessoas sem um pingo de criatividade numa situação em que têm que ser uma coisa que eles nunca conseguirão ser. E quanto mais se esforçam para esconder as suas inabilidades, mais secante fica a reunião.
Uma das tácticas mais utilizadas para fingirem ter criatividade consiste em colocar as mãos em pose de oração, escondendo a boca, e balançando a cabeça na vossa direcção, dizendo «Hmmmm. Interessante.» Se pressionados, acrescentarão «Voltarei a falar consigo mais tarde sobre isso».
E depois não dizem absolutamente mais nada.

Douglas Coupland

sexta-feira, julho 14, 2006

A Razão da Oposição

oposição
OPOSIÇÃO
s.f. Resistência que se opõe a uma acção; hostilidade. / Empecilho, obstáculo, estorvo, dificuldade. / Contraste. / Declaração pela qual uma pessoa impede legalmente o cumprimento de um acto. / Acção empreendida contra um governo. / Conjunto de aqueles que se opõem ao governo.

Eu defendo que a qualidade de um governo é directamente proporcional à qualidade da sua oposição. É o mesmo princípio da concorrência de mercado: quando esta não existe, os mercados estagnam com falta de inovação.
O mercado político português padece deste mal de falta de concorrência, o que não é mérito do governo, mas demérito de todos os partidos que se sentam numa bancada que eufemisticamente se identifica como oposição. Governo e oposição, para nosso mal, exibem a mesma característica fundamental: falta de qualidade humana e intelectual. Este debate sobre o Estado da Nação veio novamente demonstrar o patético e gratuito que é ser político em Portugal.
A oposição parlamentar nacional age sobre um velho princípio que contamina toda a sociedade portuguesa desde os tempos mais remotos: a contradição. Na realidade a oposição não faz oposição, faz contradição. Naquelas cabecinhas loiras, tudo o que é proposto por um partido que não seja o deles não faz sentido nenhum, mesmo que o faça para a sociedade portuguesa. E é aqui que surge o grande equívoco da oposição nacional – são eleitos por nós para gerar evolução e bem estar social numa perspectiva global e acabam por se transformar em varinas ressabiadas a defender a sua própria agenda política, encerrados nas suas próprias propostazinhas e destruindo as propostazinhas dos outros.

Conclusão: como a consciência social está subjugada aos interesses do partido, a oposição é tão construtiva e efectiva como um mosquito irritante numa noite de verão – zumbe que se farta, as suas mordidelas causam uma ligeira comichão que desaparece na manhã seguinte, e acabam sem glória a sua miserável existência, encastrados num qualquer pára-brisas governamental.

quinta-feira, julho 13, 2006

A Razão do Estado da Nação

estado da nação
O Estado da Nação é gasoso.
E sem cheiro.

quarta-feira, julho 12, 2006

A Razão da Falta de Respeito

Episódio 1
HN decide desvincular-se da empresa onde trabalhava e vende a sua quota. O Estado cobra-lhe um imposto de mais valia e leva uma percentagem valente da quota de HN. Passado algum tempo o Estado distrai-se e cobra indevidamente o mesmo imposto de mais valia a HN. Irritado com a dupla tributação HN decide deixar de pagar impostos até que o Estado lhe devolva o que, incompetentemente, lhe roubou. A situação dura quatro anos e algumas resmas de papel. No final dos 4 anos, o Estado não só ainda não tinha devolvido o dinheiro como descobriu que HN trabalhava noutra empresa, tendo compulsivamente congelado o ordenado de HN até que este pagasse os seus impostos. Nessa altura HN fica mesmo muito aborrecido e escreve uma carta onde insulta violentamente o funcionário público responsável pela repartição de finanças da sua zona. A carta insultuosa surte efeito e o assunto é resolvido em apenas um mês: o Estado devolve o que roubou e HN apresenta as 4 declarações de IRS em atraso.

Moral da História: Os funcionários do Estado são incompetentes e tornam-se produtivos quando levam pontapés na boca.


Episódio 2
TN, uma contribuinte muito mais cumpridora que HN, tem uma casa de férias no litoral alentejano, onde costuma passar os fins de semana. Num belo dia de semana os vizinhos de TN vêem chegar lá à porta a polícia judiciária acompanhada por um funcionário do tribunal local que diligentemente tenta arrombar a porta para fazer a penhora da casa de TN. Segundo o diligente funcionário público, o dono daquele imóvel (um tal de LC) tem dívidas ao Estado e portanto o imóvel passará a ser pertença do Estado até as dívidas estarem saldadas. A dada altura alguém explica ao jumento diligente do funcionário público que o proprietário daquela casa não é LC mas sim TN. Quando olha para a morada que tem na ordem de penhora, o jumento incompetente e diligente funcionário público vê que se tinha enganado na rua. Se os vizinhos não tivessem agido, TN teria a sua casa de fim de semana fechada pelo Estado, até provar que a propriedade era sua, simplesmente por causa da boçalidade e incapacidade de uns quantos funcionários do Estado.

Moral da História: Os funcionários do Estado são incompetentes e não têm um grande sentido de orientação, mas quem se lixa és tu.


Episódio 3
TN, a mesma vítima do episódio anterior, para além da casa também tem um terreno à beira de uma estrada no litoral alentejano. A dada altura vê surgir no seu terreno umas estruturas gigantescas que albergam cartazes 8x3m com a recandidatura dos responsáveis (?) à câmara municipal daquela zona. Como TN não deu autorização para a invasão abusiva do seu terreno, pediu por várias vezes à câmara municipal que desmontasse as estruturas instaladas no seu terreno. Nunca obteve qualquer resposta. Um belo dia, TN manda os cartazes todos abaixo. TN está actualmente em tribunal indiciada por vandalismo e destruição de propriedade do Estado, incapacitada de viajar para fora da cidade onde vive sem ter autorização do tribunal, arriscando-se a pagar ao Estado uma pesada indemnização só porque um chico esperto de um funcionário público decidiu fazer campanha eleitoral no seu terreno sem lhe perguntar se podia.

Moral da História: Os funcionários do Estado são uns estafermos incompetentes sem grande conhecimento de direito de propriedade privada, e mais uma vez quem se lixa sempre és tu.


Pegando nestes três episódios recentes, todos eles passados nos últimos três meses, digam-me: como é que eu posso ter respeito pelo funcionalismo público e pelo Estado que o alimenta? É claro que não posso!

terça-feira, julho 11, 2006

A Razão da Remodelação Ministerial

remodelação ministerial

Há uma estranha semelhança entre as juntas médicas e as remodelações ministeriais:
vêm sempre ao de cima doenças esquisitas, até então nunca diagnosticadas.

segunda-feira, julho 10, 2006

A Razão dos Três Porquinhos

3 porquinhos

O conto infantil que melhor retrata a história da humanidade é, sem dúvida, a História dos Três Porquinhos. Esta história simbolicamente divide o mundo em 4 tipos de gente, cada um dos tipos correspondendo a uma personagem:

- Temos os indigentes, representados por Cícero (o porco preguiçoso), que gostam pouco de alancar e preferem esticar a mão ao fim do mês e receber os subsídios do Estado.

- Temos os tipos que trabalham, trabalham e trabalham, representados por Heitor (o porco trabalhador), que nunca têm o seu esforço recompensado e que no final de cada mês vêem o seu dinheirinho escoar-se em impostos para pagar a inércia dos Cíceros deste mundo.

- Temos a malta inteligente, representada por Práctico (o porco construtor civil) que lá se vai safando com algum custo.

- E finalmente temos os gajos que querem lixar a vida a todos os outros (representados pelo Lobo Mau) e que, trabalhando afincadamente para o Estado (essa abstracção incómoda) acabam inevitavelmente por lixar os Cíceros e Heitores da vida.

O conto contém requintes de malvadez: as personagens consideradas «boazinhas» são uma vara de porcos, o que não abona muito a favor de todos nós. Todos têm um nome próprio à excepção do lobo que, tal como o Estado, não é personalizável. Quem é esperto dedica-se à construção civil à séria. E o Estado é representado por um predador insistente e sem escrúpulos (um silogismo, portanto).
A história só não é perfeita porque um dos porcos acaba por se safar à conta de um trabalho bem feito e de uma criteriosa escolha de materiais de construção. É aqui que tudo entra no mundo das fábulas, porque sabemos bem que no mundo real o porco nunca teria este discernimento profissional e veria a sua obra embargada sine die para mais tarde ser implodida com pompa e circunstância ou, na melhor das hipóteses, untava as mãozinhas do lobo e de todos os seus colegas de partido para evitar ser envolvido numa escandaleira qualquer envolvendo práticas esquisitas com leitõezinhos e tâmaras frescas.
Ainda assim fica o registo de uma boa tentativa para nos retratar.

domingo, julho 09, 2006

A Razão da Provocação

provocação
Acredito veementemente que o grau de inteligência de uma pessoa traduz-se directamente no número de atitudes conflituantes que consegue gerar em torno do mesmo assunto.


Lisa Alther

sábado, julho 08, 2006

A Razão do Economista

economista
O economista é um especialista que saberá amanhã porque é que as coisas que ele previu ontem não aconteceram hoje.

Laurence J. Peter

sexta-feira, julho 07, 2006

A Razão da Greve

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A coisa mais útil que se pode fazer num país que não produz a ponta de um chavelho é uma greve. As greves são libertadoras, são relaxantes, e acima de tudo são produtivas. Produzem belos dias de lazer, na praia, na cidade ou no campo, sem fazer absolutamente nenhum.
És funcionário público e achas mal trabalhares as mesmas horas que um empregado privado? Faz uma greve. És motorista da Carris e chateia-te fazer 40 horas de trabalho por semana? Faz uma greve. És professor e babas-te que nem um camelo? Faz uma greve no dia dos exames nacionais para lixares a vida a uma série de miúdos que inocentemente acharam que lhes ias ensinar alguma coisa de produtivo. És polícia e aborrecem-te os arrastões? Faz duas greves. És bombeiro e enerva-te haver falta de água para os fogos? Faz uma greve. És um magistrado e estás escandalizado porque já não podes ter 3 meses de férias judiciais? Faz uma greve. Mas antes de fazeres uma greve certifica-te se tens condições para fazer uma boa greve:

A boa greve faz-se de Verão. Não tem jeito nenhum fazer greves à chuva e ao frio. As disputas ideológicas ficam mais quentes no Verão.

A boa greve faz-se à segunda ou à sexta-feira (de preferência à segunda e à sexta-feira) porque assim podes gozar à brava com os babacas privados que vão de manhãzinha trabalhar para pagarem o prejuízo de tu não trabalhares porque estás em greve.

A boa greve faz-se com catering. Uma greve sem catering não é uma greve, é um grupo de javardos que acredita que vai conseguir alguma coisa do patronato só porque ficam todos juntos de pé e aos berros.

A boa greve começa à primeira hora do dia, mas só tem manifestação por volta das 20:30h em frente da Assembleia da República, já vazia. Isto permite-te dares um pulinho à praia, dares uma voltinha pelos centros comerciais, ver as garinas, e depois da manif (que não deve exceder os 60 minutos) ires alegremente jantar com os colegas.
Se pelo menos uma destas condições não estiver cumprida, queixa-te ao sindicato e faz uma greve para obteres condições. Lembra-te que só os bons bandalhos fazem boas greves. Avante Labregos!

Uma reposição dedicada aos nossos esmerados funcionários públicos e à sua greve de ontem.

quinta-feira, julho 06, 2006

Razões Freudianas


Cada indivíduo tem entre 20.000 e 40.000 pensamentos por dia (embora ainda esteja sujeito a prova se os membros do Governo, bem como os deputados da Assembleia da República, conseguem atingir uma centena diária). Dizem esses iluminados, os psicólogos, que 1/3 do dia pensamos em sexo, ou seja, na melhor das hipóteses pensamos em sexo 13.333 vezes por dia, 555 vezes por hora, 9 vezes por minuto, 1 vez em cada 6 segundos. Como é que ainda arranjamos espaço para pensar noutras coisas? Deixem lá de pensar nisso e reflictam comigo. Ignorem esses pequenos flashes de 6 em 6 segundos ok? Façam um esforço.


Publicado originalmente em Junho de 2005.

quarta-feira, julho 05, 2006

A Razão da Inspiração

inspiracao
Ligou o computador, sentou-se na secretária e ficou a olhar para o ecran negro que ganhou umas cores enquanto carregava o sistema operativo. O anti-virus informou-o que se estava a actualizar. Uma janelinha no canto do monitor indicava 15 mails por abrir.
Abriu o browser e entrou na página de edição do seu blog. Perdeu a noção do tempo e, duas horas depois, ainda ali estava sentado na secretária a olhar para um ecran luminoso, que lhe mostrava uma página de edição em branco. Não tinha conseguido escrever nada. Nem uma palavra. Tornou a perder a noção do tempo e só voltou a si quando foi assolado por uma sensação esquisita de náusea. Sentiu-se dentro de uma centrifugadora alucinada: começou a ver o escritório a andar à volta. Por momentos ainda conseguiu distinguir os objectos, o ecran em branco, o cinzeiro atestado de beatas, várias chávenas vazias de café. Mas com o aumento da centrifugação tudo se misturou num padrão esquisito e multicolorido. Ainda teve tempo de pensar que aquilo era capaz de dar um quadro giro, daqueles quadros impressionistas. Pensou também no post que não escreveu. Depois disso não se lembrou de mais nada. Não se lembrou se vomitou ou não. O padrão esquisito e multicolorido transformou-se numa imensidão de negro.
Foi encontrado pela empregada da limpeza no dia seguinte. Morto em frente a um ecran luminoso que mostrava a página de edição do seu blog. Em branco.
O senhores do CSI da esquadra da Brandoa disseram que tinha morrido por sufocamento. Tinha perdido a capacidade de inspirar. Só expirava. E expirou.

segunda-feira, julho 03, 2006

A Razão do Fair Play

fair play
O país que inventou os gentlemen também inventou os hooligans.
É a isto que eu chamo fair play.


Foto: adepto britânico a constatar que a Lei de Murphy é apenas uma merdice inconsequente inventada pelos bostas dos americanos, e que uma tribo somali não é nada benéfica para o hemorróidal.

domingo, julho 02, 2006

A Razão Boçal

boçal

Para salvar aquela vila foi necessário destruí-la.

Oficial americano no Vietnam a explicar a razia feita à aldeia de Ben Tre, em 1968.

sábado, julho 01, 2006

A Razão de uma Boa Definição

definicao
Nádegas: A área na traseira do corpo humano (por vezes referida como glutaeus maximus) que se encontra entre duas linhas imaginárias que correm em paralelo até ao chão quando uma pessoa está de pé, sendo que a parte superior dessa linha está meia polegada acima da clivagem superior dos glúteos (i.e., a proeminência formada pelos músculos que partem da parte detrás da coxa e que seguem até à parte detrás da perna); e a parte inferior dessa linha está meia polegada abaixo do ponto mais baixo de curvatura de uma protuberância de carne (por vezes designada de dobra gluteal), e por entre duas linhas imaginárias, uma em cada lado do corpo (as «linhas exteriores»), linhas exteriores essas que são perpendiculares ao chão e às linhas horizontais descritas acima, e que tocam os pontos mais longínquos em que cada glúteo encontra o lado exterior de cada perna...

Excerto de uma ordem municipal que regula a nudez nas praias e restaurantes (na Flórida...)

sexta-feira, junho 30, 2006

A Razão Eclipsada

eclipse
Recentemente, assisti a uma coisa que nunca irei esquecer: um eclipse da Terra. Mas, por ser um eclipse da Terra, não havia sítio para observar. Então olhei para a Terra e, enquanto olhava, a Terra ficou muito escura. No entanto, o período de escuridão foi muito breve por estarmos próximos da Terra. Lembrem-se, meninos e meninas, nunca olhem directamente para um eclipse. Peçam sempre a alguém para vos contar como foi.

George Carlin

quinta-feira, junho 29, 2006

A Razão do Golfe

Golf
Para mim o Golfe é tão desporto como a Bisca Lambida ou o Levantamento do Copo. Sejamos sérios. Caminhar calmamente (quando não se usa um carrinho eléctrico) sobre um campo relvado à stickada numa bola de reduzidas dimensões, tentando enfiá-la em 18 buracos diferentes é, no mínimo, um passatempo de gosto duvidoso.
Desporto é quando um tipo se esforça a sério, quando sua, quando sofre lesões e traumatismos irrecuperáveis. Já alguma vez viram um golfista ser transportado de maca, para fora do teeing ground (eles chamam isto ao relvado) porque se lesionou? Já alguma vez viram um golfista suado? Claro que não. Isto porque o Golfe é o equivalente da Bisca Lambida para uma mão cheia de velhotes com dinheiro, e para umas valentes resmas de empresários e executivos que, por não terem a cheta dos velhotes, passam a vida a jogar com eles para ver se aquilo da conta bancária se pega por osmose, ou então para lhes sacarem mesmo o dinheiro que permitirá terem uma vida santa a arrastarem-se diariamente entre 18 buracos. Se aqueles velhotes fossem uns tesos iríamos provavelmente encontrá-los a jogar à bisca lambida num dos muito parques da cidade, ou numa tasca qualquer do Bairro Alto a levantar o copo.
A diferença mais visível entre um praticante de bisca lambida e um praticante de golfe está na sua conta bancária. Os primeiros normalmente não a têm.
A quem não conhece um campo de golfe recomendo vivamente a visita: está pejado de velhotes grisalhos armados ao desportista vivaço. É patético. Eu acho que há uma relação entre a disfuncionalidade da próstata e a capacidade de jogar golfe: aparentemente o bom funcionamento da próstata dificulta a aprendizagem do golfe, e é precisamente quando ela é removida que o praticante consegue fazer os mais perfeitos «pares» e os mais arrepiantes «birdies». É mais uma vez a próstata disfuncional que dá origem à expressão «handicap», que determina o nível do jogador de golfe – quanto mais pequeno o handicap, maior o nível de perícia e consequentemente maiores os indícios que ali já não há próstata. Aliás tenho uma teoria sobre aquelas posições de rabinho espetado antes da tacada: acho que aquilo foi toque rectal a mais.

quarta-feira, junho 28, 2006

A Razão Impressionista

impressionista
Já tiveram alguma vez a impressão de que a impressão que causam nos outros pode por vezes deixá-los tão mal impressionados que até lhes faz impressão? Há quem diga que a primeira impressão é a que conta e que determina tudo o resto, o que me faz alguma impressão se querem que vos diga. É impressionante a importância da impressão. E não há duas iguais. Há boas impressões que não nos deixam grandemente impressionados, assim como há más impressões que nos deixam uma forte impressão que mais valia não termos tido qualquer impressão.
Ficar bem impressionado implica que não nos façam impressão certas coisas, o que, se pensarem bem, é perfeitamente paradoxal: como impressionar sem ter impressão, mas apenas fazendo-a? Como podemos fazê-la sem ficar com ela? É assim uma coisa altruísta em que no momento que a fazemos nos descartamos dela?
E uma má impressão? Poderá uma má impressão deixar-nos bem impressionados ou inevitavelmente não nos impressionará nada, até pelo contrário, e ficaremos estupidamente mal impressionados? É curioso ver que para uma má impressão tanto faz que tenhamos uma impressão ou façamos qualquer impressão: é indiferente.
Este raciocínio todo já me está a fazer uma imensa impressão. É impressionante o que uma pessoa se lembra quando não tem impressões nenhumas. Até me faz impressão...

terça-feira, junho 27, 2006

A Razão de Lagos

lagos
Poucas cidades portuguesas têm um passado tão rico como Lagos, uma cidade cuja vocação para o turismo de pé descalço remonta a 2.000 anos A.C., altura em que um labrego de um celta chamado Brigo decidiu acampar perto de um lago acabando por ficar por lá a viver em pecado com os seus homens, naquilo que viria a ser um dos primeiros «spots gay» da península (tradição que se mantém até aos dias de hoje). O deboche gay foi tão grande que os Deuses se chatearam a arrasaram a cidade (que na altura se chamava Briga) por volta de 350 A.C., época em que um outro turista cartaginês, de nome Bohodes, decide voltar a edificá-la.
Com os cartagineses a tomar conta da loja a cidade torna-se um importante pólo turístico e comercial para os fenícios, gregos e, claro, os próprios dos cartagineses. Briga torna-se conhecida na zona mediterrânica como um importante porto de entrada de drogas duras na península (tradição que também se mantém até aos dias de hoje).
Atraído pela reputação psicadélica que a cidade granjeara, o Império Romano toma-a no ano de 76 A.C. pela mão do general Metelo (ainda hoje se houve localmente a expressão «o que é preciso é Metelo» na boca da população lacobrigense). Metelo decide rebaptizá-la de Lacóbriga, onde introduz novas técnicas de orgia utilizando sardinha crua, ou por vezes, estivada. Durante alguns anos Lacóbriga passou várias vezes de mãos, entre romanos e visigodos.
Em 712 os árabes decidem acabar com aquela devassidão que não dignificava nada Alá e que, ainda por cima, estava a dar cabo da população de sardinhas na costa algarvia. Voltam a rebaptizar a cidade, dando-lhe o nome de Zawaia (que significa, ao contrário do que muita gente pensa, «o poço»). Como vêem Lagos já era um poço sem fundo no tempo dos árabes...
Os árabes permanecem alguns séculos em Zawaia e entretêm-se a pintar as casas de branco e a fazer umas chaminés esquisitas até que um dia são postos dali pra fora por um gajo com pretensões a cruzado, de nome D. Paio Peres Correia. Em 1249 a cidade fica definitivamente nas mãos do Reino de Deus e assume o nome actual de Lagos. A indústria do turismo sofre um considerável revés e a ideia dos cristãos é pôr tudo o que é estrangeiro na alheta. E durante 200 anos não acontece nada. Com a chegada do Infante D. Henrique a coisa muda substancialmente de figura. Sediado em Sagres, o Infante deslocava-se frequentemente a Lagos para dar largas à sua preferência desviante por meninos. Alguns dos seus preferidos viriam a tornar-se importantes navegadores, com o seu patrocínio: os mais conhecidos – Lançarote de Freitas, também conhecido por «ganda maluka» e Gil Eanes, o «bacamarte dourado» - são hoje figuras destacadas da história de cidade.
Com a época dos Descobrimentos a vida artística da cidade anima-se de sobremaneira, sendo largamente conhecidos os espectáculos nocturnos com mulheres desnudas, anões e cavalos pentapérnicos. Lagos é a primeira cidade portuguesa onde desembarcam escravos africanos, que fazem as delícias das raparigas da terra – é aqui que surge a tradição do «Bora Dar», vigente até hoje. Como sabemos as raparigas de Lagos nunca «dão» para ninguém, a não ser que este seja estrangeiro ou, no mínimo, de outro sítio que não Lagos.
Em 1573 o puto maluco decide dar-lhe o estatuto de cidade e torná-la Capital do Reino do Algarve, mas é sol de pouca dura. O puto maluco sai de Lagos para ir andar à porrada com os mouros e nunca mais volta, e o título de capital é retirado à cidade.
Entretanto, Sir Francis Drake, ouvindo falar do «Bora Dar» invade a cidade algumas vezes e «dá» que nem um perdido, até um dia apanhar sífilis, para nunca mais voltar (causando imenso desgosto em muita rapariga da terra).
Em 1755 a cidade é arrasada pelo terramoto e não retoma a pujança turística de outros tempos até 1960, altura em que a invasão sueca vem dar origem ao «Bora Levar», uma tradição que consiste em «levar» do primeiro pescador ou cigano que encontrarem à frente. Escusado será dizer que a tradição permanece actualmente, com uma maior proliferação de nacionalidades, coabitando com o «Bora Dar».
A revolução de Abril não altera grandemente o perfil turístico da cidade e dá azo ao aparecimento de figuras locais dignas de uma telenovela mexicana. Durante anos a cidade é governada pelo «Mister 10%», também conhecido pelo «Homem do Pum sem Cheiro» (Plano Urbanístico Municipal); sucede-lhe Tintim, um homem com uma estranha obsessão por rotundas; e finalmente o vigente Groucho Marx, por muitos considerado um agente infiltrado da Direcção Geral de Viação, e cujo lema é «um semáforo em cada esquina».
Lagos lembra-me Portugal à micro-escala. Passado glorioso, presente insidioso, futuro duvidoso.
Os meus parabéns à cidade.

Uma homenagem ao melhor blog desta cidade com complexos de vila. Publicado originalmente no 5 Pontas em Outubro de 2005, aquando do aniversário da cidade.

segunda-feira, junho 26, 2006

A Razão do Espremedor de Laranjas

laranjas

Quem me lê normalmente deve achar que eu não suporto espanhóis, o que não anda muito longe da verdade. Mas o meu desconforto pelos espanhóis não é nada comparável aos meus dois ódios de estimação: os ingleses e os holandeses. Sobre os ingleses vou falar mais tarde, esses pulhas rabetas que gostam de dizer que têm connosco o «mais antigo tratado do mundo». Hoje vou falar sobre os laranjinhas, por muitos considerados os melhores alunos da Europa, e por mim rotulados como os vermes chupistas mais badalhocos da história da humanidade. Diz a história que os laranjinhas nunca tiveram grande sorte com os portugueses: não só no futebol, como nos episódios históricos onde nos temos cruzado. Pessoalmente acho que os laranjinhas são bons a fazer aquilo que os tornaram num país: parasitismo. Os holandeses são, na realidade, o povo mais parasita do planeta. Umas verdadeiras rêmoras alaranjadas coladas na barriga de um tubarão qualquer. Enquanto os espanhóis e portugueses definiam o Tratado de Tordesilhas (um tratado bem diferente daquele que falei há pouco com os ingleses), os holandeses, esses bostas sem imaginação que falam a escarrar, andavam atrás de nós, a sacar meticulosamente o que nós andámos a descobrir. Um bom exemplo disso é a cidade de Recife, no Brasil, descoberta por portugueses, tomada pelos badalhocos dos holandeses, para logo a seguir serem dali corridos por um joint venture de portugueses e indígenas. Hoje em dia, entalados no meio da Europa ocidental, os holandeses continuam a praticar o parasitismo ancestral que sempre os caracterizou. De vez em quando lixam-se. Assim como hoje. Isto porque quando têm que contar com eles próprios, e não com a sua propensão para chupar aqueles que andam à sua volta, os laranjinhas lixam-se. Lixam-se à grande.
Arrotem pelintras!