Porque é que os árabes e os judeus não se sentam à mesma mesa e resolvem as coisas como bons cristãos?
sábado, setembro 30, 2006
A Razão Israelo-Árabe
Porque é que os árabes e os judeus não se sentam à mesma mesa e resolvem as coisas como bons cristãos?
sexta-feira, setembro 29, 2006
A Razão Socrática
quinta-feira, setembro 28, 2006
A Razão do Falhanço
quarta-feira, setembro 27, 2006
A Razão da Bolsa
terça-feira, setembro 26, 2006
A Razão do Xadrez
Já repararam que o xadrez, inventado há uns séculos atrás pelos persas, é o modelo perfeito da sociedade ocidental? Então vejam bem:
O tabuleiro é dividido numa óptica completamente norte-americana, ou seja, monocromática: de um lado estão os bons e do outro estão os maus. Índios e cowboys. Pretos e brancos. Ocidentais e muçulmanos. Quer um lado quer o outro têm a mesma legitimidade no tabuleiro embora cada lado ache que tem mais legitimidade que o outro.
Em cada lado do tabuleiro encontramos duas linhas de peças. Na linha da frente todos as peças são iguais e têm como objectivo proteger as peças da linha de trás. Por isso mesmo são normalmente as peças da frente a levar a maior parte da porrada.
Na linha de trás as peças são diferentes entre si e também possuem habilidades diferentes. O objectivo das peças da linha recuada é safarem-se o melhor que puderem enquanto a mama não acabar.
A análise de cada peça dá-nos a real dimensão do génio persa ao inventar este jogo:
Os Peões (que representam o povo) ocupam toda a linha da frente movendo-se vagarosa e penosamente sempre a direito, sem hipótese de recuar, em direcção ao fundo do tabuleiro na vã esperança de se transformarem noutra peça qualquer. Escusado será dizer que raramente atingem esse objectivo, acabando sacrificados e comidos a meio do percurso.
Os Bispos (que representam a santa igreja) ladeiam as duas peças mais importantes do jogo e movem-se livremente pelo tabuleiro, embora sempre de um modo enviezado: os seus movimentos nunca são frontais.
Os Cavalos (também conhecidos por bestas, ou alimárias) são os políticos. Têm uma progressão esquisita no tabuleiro. O seu movimento em «L» faz com que seja pouco claro para onde vão a seguir. São as únicas peças que têm a capacidade de saltar indiscriminadamente por cima das outras.
As Torres (que representam o funcionalismo público) encontram-se nas extremidades do tabuleiro e estão entaladas entre os políticos e o povo. São as peças mais previsíveis da sua fileira: movem-se linearmente para trás e para a frente, para a direita e para a esquerda, conforme lhes convém ou lhes é permitido.
A Rainha (que simboliza o governo) é a peça mais exuberante do xadrez. E a mais perigosa também, devido à sua capacidade de se mover a seu bel prazer para todo o lado e à velocidade que lhe der mais jeito. Todo este ecletismo torna a Rainha na mais feroz defensora do seu Rei.
Finalmente temos o Rei, a peça mais importante do jogo, que simboliza a Mama: quando acaba a mama acaba o jogo. Por isso, o Rei é a peça que todas as outras tentam proteger.
segunda-feira, setembro 25, 2006
A Razão Disso e Daquilo
Durante muito tempo hesitei se devia falar de isso aqui neste blog. Por várias vezes comecei a rabiscar sobre isso no meu moleskine mas acabei sempre por desistir: no início, sabia muito pouco para poder escrever acerca de isso; mais tarde, houve vezes em que não me achava preparado para falar abertamente disso; e noutras vezes simplesmente não me apetecia nada pensar nisso, quanto mais escrever.
Hoje, finalmente, cheguei à conclusão que devia mesmo falar disso, até porque já pouca gente fala disso por aqui e convém que isso não caia no esquecimento geral só porque agora se fala daquilo. Não é que eu tenha alguma coisa contra aquilo: há gostos para tudo e quem se mete naquilo há-de tirar algum gozo disso. Pessoalmente acho um bocado animalesco e nojento, mas as pessoas lá sabem onde se metem. Agora aquilo não significa que simplesmente se ignore isso. Essa história de que se pode fazer aquilo desde que não se fale nisso comigo não cola, até porque antes disso não havia aquilo e as pessoas não sentiam falta nenhuma. Essa é que é essa.
«Isso é que era bom!» conhecem a expressão? Certamente que sim. Deixem-me que vos esclareça que era bom, sim senhores, e que ainda é. Digo-vos eu por experiência própria. Já aquilo não tem tanta piada. E não é por aquilo em si, que até é bonitinho e tudo, mas por tudo o que aquilo representa. Sejamos sérios, aquilo é uma verdadeira javardice. Só malta com as hormonas quimica e brutalmente alteradas é que embarca numa coisa daquelas. E não é preciso ser funcionário público para perceber que aquilo é um comportamento desviante. Até um animal de pequeno porte se incomoda com aquilo.
Termino por hoje, deixando uma mensagem de esperança e civilidade a todos os que ainda têm a ver com isso. E deixo um conselho: não se metam naquilo. Quanto mais não seja por causa disso.
domingo, setembro 24, 2006
sábado, setembro 23, 2006
A Razão de Da Vinci
sexta-feira, setembro 22, 2006
A Razão da Reentrada
Cada ano tem uma época oficialmente designada por rentrée (leia-se rantrei). A rantrei dá-se normalmente por volta do nono mês de todos os anos e determina a altura em que nós voltamos a reentrar nesse ano. Ora para haver uma reentrada deverá ter existido algures uma saída qualquer, e é exactamente aqui que as coisas se complicam: ninguém consegue explicar com um mínimo de credibilidade como é que saiu para voltar a entrar no mesmo ano - o que significa que, todos vocês que experienciam agora a reentrada (outro sinónimo de rantrei) estiveram algures fora deste ano a fazer qualquer coisa com não sei quem, enquanto simultaneamente desafiavam uma boa mão cheia de leis da física. Seus grandes alucinados.
A minha palavra de apreço vai para todos aqueles que este ano não tiveram rantrei e que por causa disso se viram obrigados a assistir à rantrei dos outros: convenhamos que é preciso muito discernimento e muita sanidade mental para ver surgir, de um momento para o outro, um grupo de marmanjos a reentrar no ano como se não houvesse amanhã, vindos sabe-se lá de onde e com que doenças.
Por mais anos que passem nunca me hei-de habituar à rantrei. Não acho o fenómeno nada normal, e até apanho uma grandessissima camada de nervos com ele. Principalmente quando há gajos que reentram assim à bruta na minha frente. É com cada cagaço que não se aguenta. Podiam ao menos avisar...
Enfim, isto é um aviso: afastem-se um bocadinho para a direita e não se assustem - este blog vai reentrar.
segunda-feira, agosto 21, 2006
A Razão Imersa
Durante os próximos 30 dias a Razão vai estar em imersão em águas tépidas, no perfeito e absoluto relaxe. Longe dos funcionários públicos, dos políticos de pacotilha, dos coçadores de micose do fundo de desemprego e dos tugas em geral. Durante este período estará em preparação o lançamento deste blog em versão livro. É verdade, em Outubro já poderão pagar por aquilo que sempre tiveram à borla! Até lá vão poupando uns cobres. Afinal, o que é menos uma bejeca por dia até ao fim das vossas esgazeadas vidas?
domingo, agosto 20, 2006
A Razão Cerebral
sábado, agosto 19, 2006
A Razão de Muita Gente
A todos os que aqui chegam por acaso; a todos os que aqui chegam e não fazem caso; a todos os que apenas querem divertir-se; a todos os que se irritam solenemente; a todos os que andam à procura do orgasmo, das prostitutas na Madeira e dos sonhos com cenas esquisitas; a todos os que acham que o cliente tem sempre razão e a todos os que não; a todos os que vêm cá por uma ou outra razão, ou mesmo por razão nenhuma; a todos os que lêem sem comentar; a todos os que comentam sem ler; a todos os que comentam religiosamente; a todos os que têm razão; a todos os que andam à procura de razão, e a todos que não encontram razão alguma:
Bem hajam!
Graças a estes todos «A Razão tem sempre Cliente» ultrapassou, na passada semana, os 100.000 visitantes (foi uma ultrapassagem pela esquerda, com direito a pisca pisca, e totalmente dentro das regras de trânsito descritas no último Código de Estrada). Já não é qualquer estádio de futebol nacional que aguenta com 100.000 marmanjos. A Razão, construída sem subsídios estatais e sem o dinheiro dos contribuintes, aguentou com eles todos. Venham mais 100.000.
sexta-feira, agosto 18, 2006
A Razão Alheia
quinta-feira, agosto 17, 2006
A Razão da Lista
O Estado, essa abstracção incómoda, publica hoje mais uma lista de ovelhas negras. Desta feita, iremos ver nos jornais de amanhã os principais devedores à Segurança Social, cerca de um mês depois de ter sido publicada a lista dos principais devedores de impostos.
O que é curioso é que as listas só são feitas num sentido: não são listados os casos de dívidas do Estado aos contribuintes. Talvez porque os montantes das dívidas do Estado ultrapassem, em muito, o total das dívidas dos contribuíntes ao Estado.
Na linha deste bufanço estatal listado, sugiro que se publiquem também as seguintes listas:
- Lista das dívidas do Estado aos contribuintes.
- Lista das dívidas do Estado à Segurança Social.
- Lista das empresas contratadas pelo Estado que faliram por atraso de pagamento do próprio Estado.
- Lista dos pagamentos do Estado com mais atraso.
- Lista de assiduidade dos deputados da Assembleia da República.
- Lista de assiduidade dos funcionários públicos.
- Lista dos funcionários públicos com mais baixas.
- Lista dos funcionários públicos que fazem mais greves.
- Lista dos labregos que estão há mais tempo inscritos no fundo de desemprego.
Enquanto o Estado se comportar com um daqueles putos bufos que foram, em tempos, nossos colegas de escola, não prevejo que o estado da nação melhore. Nem com listas bufas.
quarta-feira, agosto 16, 2006
terça-feira, agosto 15, 2006
A Razão do Contra
São contra os hotéis nas traseiras do sol posto; contra os quartos com vista para o saguão e aspiradores a arranharem a porta às 9 da manhã. São contra os taxistas amigos dos porteiros e as gorjetas de mão estendida; são contra os champôs oferecidos com cheiro a pastilha elástica; são contra os mini-bares fechados à chave, contra as alcatifas decoradas por traças e queimaduras de beatas; são contra as almofadas de esponja sintética com um chocolate de 0% de cacau em cima; são contra os hotéis com conferências de industriais do calçado e simpósios internacionais; são contra o comando de televisão com capa de plástico e sem pilhas, contra os canais eróticos pagos e, já que o tema é abordado, contra férias em frente à televisão. São contra os pequeno-almoços que acabam im-pre-te-ri-vel-men-te às dez da manhã, a não ser que tenham uma flor, café, doce e croissants de plástico, esses podem acabar agora mesmo. São contra a falta de escolha, o sumo de laranja concentrado e a «cozinha já fechou». São contra só haver cereais para crianças. São contra os pêlos de outras origens e outras espécies à solta em lençóis e banheiras. São contra a mesquinhez, «vão-me cobrar por uma rodela de limão?»; são contra portas que não fecham e janelas que não abrem. São contra o ar condicionado avariado precisamente no frio e cortinados que combinam com as colchas. São contra a desumanização dos números e não saber onde raio é que fica o quarto nº425, em que andar, em que ala e para que lado. São contra as wake-up-calls com tolerância de uma, duas horas. São, caros senhores burocratas, contra check-ins que exigem grupo sanguíneo, profissão da avó, curriculum e carta de recomendação. E pó, são contra o pó arqueológico já enraizado na espessura do abajour, dos móveis e dos próprios empregados. São contra o mau humor e os seus devotos praticantes. São contra canalizações-surpresa, ou seja, a torneira que abre a água do lavatório e autoclismos responsáveis por pequenos dilúvios. São contra centros de mesa com fruta que parece mesmo verdadeira. São contra aquela voz irritante e indetectável que fala 57 decibéis acima do normal e insiste em dizer «amazing!» de duas em duas palavras. São contra o fiambre da espessura de uma fatia de pão. São contra o mais ou menos e o «comme ci, comme ça». Contra a vida repetida e atabalhoada. São furiosos defensores de algo completamente diferente.
E eu sou completamente a favor deles.
domingo, agosto 13, 2006
A Razão de Ler as Gordas
Há malta que gosta de ler as gordas. Saem de casa e, no caminho para o emprego ou para a praia, lêem umas gordas. Pessoalmente acho isto fabuloso, porque eu nunca consegui ler nenhuma gorda em toda a minha vida. Das poucas vezes que tentei ler umas gordas acabei indiciado por assédio sexual. Com as magras não tive sorte diferente.
sábado, agosto 12, 2006
A Razão do Decreto
É proibida a venda e consumo de bebidas alcoólicas:
a) a menores de 16 anos.
b) a quem se apresente notoriamente embriagado ou possuir anomalia psíquica.
Decreto lei 9/2002 de 24 de Janeiro
Mas é a alínea b) do decreto que torna as coisas mais subjectivamente preocupantes: o que é estar notoriamente embriagado? É levar atrás de si todas as mesas e cadeiras de um estabelecimento enquanto se ziguezagueia abrutalhadamente para a casa de banho? É não se conseguir pronunciar com uma dicção irrepreensível a próxima bebida? É não se conseguir fixar um ponto no espaço porque a merda do bar parece o interior de uma centrifugadora? Isto do «notoriamente embriagado» faz-me espécie porque, como sabemos, é ténue a fronteira entre o «levemente embriagado» e o «notoriamente embriagado», por vezes basta meio whisky para se passar de um estado a outro. E o que é suposto fazer nestas circunstâncias? O decreto não explica (uma característica muito peculiar de todos os decretos, aliás...).
Finalmente a questão da «anomalia psíquica»: que merda vem a ser esta? É um tipo que avia copos que tem o discernimento de identificar anomalias psíquicas nos seus clientes?
E depois há a questão do tipo de anomalia psíquica – é que nem todas são iguais. Um tipo que se baba copiosamente para cima do balcão é mais grave do que outro que sofra da síndrome de tourette e que solte um palavrão de 10 em 10 segundos? Já não basta a discriminação de um anormal não poder beber um shot, como o decreto ainda suscita discriminação entre os vários tipos de anormais. Significará isto que o Sócrates e todo o seu executivo não têm direito a beber nada alcoólico neste país? O decreto não explica.
domingo, agosto 06, 2006
sábado, agosto 05, 2006
A Razão da Confusão
Hoje em dia, se não estás confuso é porque não estás a pensar com clareza.