segunda-feira, julho 31, 2006

A Razão em Inanição

inanição
Fiz uma dieta de emagrecimento do meu cérebro. Perdi 8 quilos. Bastou ler diariamente o Abrupto e a Revolta dos Pastéis de Nata (e à sobremesa os Gato Fedorento). Resulta.

domingo, julho 30, 2006

A Razão do Flato Público

flato publico
Uma pessoa nunca deve admitir um peido em público. Quem o diz não é a lei escrita, a lei que decorre dos costumes. Trata-se da única regra verdadeiramente sagrada da etiqueta. Os peidos não têm origem em ninguém nem vêm de sítio algum; são emanações anónimas que pertencem ao grupo como um todo, e, mesmo quando todas as pessoas na sala sabem quem foi o culpado, a única atitude responsável é negar terminantemente.

Paul Auster, in As Loucuras de Brooklyn

sábado, julho 29, 2006

A Razão da Alimentação Saudável

alimentaçao saudavel
A comida saudável põe-me doente.


Calvin Trillin

sexta-feira, julho 28, 2006

A Razão da Estatística

estatistica
A estatística é como os bikinis.
Aquilo que revela é sugestivo, mas aquilo que oculta é vital.


Aaron Levenstein

quinta-feira, julho 27, 2006

A Razão do Anúncio de Emprego

anuncio de emprego
Horário reduzido, ordenado excelente, um sítio divertido para se trabalhar, formação paga, patrão de merda.
Enfim... quatro em cinco não é assim tão mau.


Anúncio de recrutamento publicado nos Estados Unidos em 1994.

quarta-feira, julho 26, 2006

A Razão do Barman

barman
A parte mais difícil do trabalho de um barman é distinguir entre quem é bêbado e quem é estúpido.


Richard Braunstein

terça-feira, julho 25, 2006

A Razão do Poder Absoluto

poder absoluto
Se o poder absoluto corrompe absolutamente, a absoluta falta de poder torna-nos puros?

Harry Shearer

segunda-feira, julho 24, 2006

A Razão do Recrutamento

recrutamento
Eis que o autor (este tratamento na terceira pessoa só indicia que o estado mental do autor está cada vez mais deteriorado, facto que passa perfeitamente despercebido na blogosfera) parte de novo para o recrutamento de mais uma tribo somali nos arredores de Mogadíscio.
A tribo anterior «estragou-se». O autor tem estes problemas recorrentes com as tribos somalis que frequentemente importa para o país: enquanto não percebem a língua está tudo bem, são diligentes e cumpridores. Depois começam a aprender umas palavritas em português, começam a ler jornais, começam a ver televisão, começam e conviver com o funcionalismo público, e estragam-se. Em apenas três meses uma tribo de somalis vigorosos torna-se num grupo de bandalhos a coçar a micose, e a inscrever-se num qualquer centro de desemprego. Nem a alteração química da sua testosterona resolve o assunto. O autor acha que é um problema de assimilação cultural. E quando as coisas roçam o aspecto cultural o melhor é resolver o assunto recrutando, por mais três meses, somalis sem vícios lusos.
Assim, durante esta semana, o autor deixar-vos-à Razões em Conserva, daquelas com prazo de validade ilimitado e que ficam bem em qualquer blog.
Durante este período o autor pede encarecidamente que, pelo facto de o blog estar somali-free, os leitores se comportem dentro das regras da civilidade e evitem aceder a este blog envergando vestes menos apropriadas (o nú também não é aceitável), ou sob o efeitos de estupefacientes. Evitem também pronunciar «zingarelho».

domingo, julho 23, 2006

A Razão Abençoada

abençoada
Abençoados aqueles que riem de si próprios, pois nunca deixarão de se divertir.

John Powel

sábado, julho 22, 2006

A Razão da Política

politica
A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los, diagnosticá-los incorrectamente e depois aplicar-lhes os medicamentos errados.

Groucho Marx

sexta-feira, julho 21, 2006

A Razão do Riso

Riso
Aquele que ri por último,
tem compreensão lenta.

quarta-feira, julho 19, 2006

A Razão de Bolonha

bolonha
Seja médico em apenas três semanas! Sim, graças ao nosso programa acelerado, pode ser médico em apenas três semanas e só tem de estudar vinte minutos por dia. Ou torne-se dentista numa tarde. Não gosta do seu emprego actual? Não se enquadra no mercado de trabalho? Seja médico. Ou dentista. É fácil. Ligue já e incluiremos um curso de enfermagem para a esposa. Aliás, até podemos fazer da sua esposa uma enfermeira por telefone. Ligue para a Faculdade de Medicina Acelerada já! Não seja otário. Seja médico.

George Carlin

terça-feira, julho 18, 2006

A Razão do Amigo Imaginário

amigo imaginário
Amigos imaginários, estão a ver? Bem, se não estão a ver é porque ou eles são invisíveis, ou vocês fazem parte daquela malta que teve uma infância normal, e que não via seres esquisitos em todos os cantos da casa. O que só abona a vosso favor.
A mim fazem-me impressão os amigos imaginários. Uma criança que fala com um amigo que não está lá, para mim, não sofre nem de problemas de solidão nem de histeria criativa: é um perfeito anormal com distúrbios mentais preocupantes que só a permissividade bacoca dos pais faz com que pareçam normais manifestações do processo de crescimento. Não me lixem. Um gajo que fala com seres invisíveis não pode ser levado a sério, tenha lá a idade que tiver. É por estas e por outras que gajos como o José Sócrates acham que podem ser primeiros ministros do país, falando diariamente para 10 milhões de amigos imaginários. Algum de vocês é amigo do José Sócrates? Duvido. Mas caso algum de vós tenha alguma dúvida sobre esta questão recomendo uma tribo somali com a líbido quimicamente adulterada.
Voltando ao assunto: não acho normal que se imagine um amigo de existência questionável; não acho normal que se mantenham relações de amizade com o éter (a não ser que, desde muito cedo, se aspire a uma carreira no ramo farmacêutico); também não acho normal que se entabulem diálogos esquisitos com o vazio, alegando que se está a falar com um amigo imaginário. Acho tudo isto muito doentio.
Durante a minha infância (às tirinhas e em formato de cartoon hilariante) nunca me deu para inventar um amigo imaginário. E sempre considerei esta postura como um sintoma de ausência de maturidade intelectual. É verdade. Nunca houve um único amigo imaginário na minha infância. Eram todas amigas. Bem reais, por sinal. E uma delas fazia coisas que eu nem me passava pela cabeça imaginar. Ganda maluca!

domingo, julho 16, 2006

A Razão do Pontapé

violencia infantil
Nunca levantes a mão para os teus filhos;

deixas as partes baixas desprotegidas.


Robert Orben

sábado, julho 15, 2006

A Razão da Reunião de Brainstorming

brainstorming
Eis a minha teoria sobre as reuniões de brainstorming e a vida:

Há três coisas que, por mais que nos esforcemos, não conseguimos fingir que temos: erecções, competência e criatividade.
É por isso que as reuniões de brainstorming são normalmente uma imensa seca - estão pejadas de pessoas sem um pingo de criatividade numa situação em que têm que ser uma coisa que eles nunca conseguirão ser. E quanto mais se esforçam para esconder as suas inabilidades, mais secante fica a reunião.
Uma das tácticas mais utilizadas para fingirem ter criatividade consiste em colocar as mãos em pose de oração, escondendo a boca, e balançando a cabeça na vossa direcção, dizendo «Hmmmm. Interessante.» Se pressionados, acrescentarão «Voltarei a falar consigo mais tarde sobre isso».
E depois não dizem absolutamente mais nada.

Douglas Coupland

sexta-feira, julho 14, 2006

A Razão da Oposição

oposição
OPOSIÇÃO
s.f. Resistência que se opõe a uma acção; hostilidade. / Empecilho, obstáculo, estorvo, dificuldade. / Contraste. / Declaração pela qual uma pessoa impede legalmente o cumprimento de um acto. / Acção empreendida contra um governo. / Conjunto de aqueles que se opõem ao governo.

Eu defendo que a qualidade de um governo é directamente proporcional à qualidade da sua oposição. É o mesmo princípio da concorrência de mercado: quando esta não existe, os mercados estagnam com falta de inovação.
O mercado político português padece deste mal de falta de concorrência, o que não é mérito do governo, mas demérito de todos os partidos que se sentam numa bancada que eufemisticamente se identifica como oposição. Governo e oposição, para nosso mal, exibem a mesma característica fundamental: falta de qualidade humana e intelectual. Este debate sobre o Estado da Nação veio novamente demonstrar o patético e gratuito que é ser político em Portugal.
A oposição parlamentar nacional age sobre um velho princípio que contamina toda a sociedade portuguesa desde os tempos mais remotos: a contradição. Na realidade a oposição não faz oposição, faz contradição. Naquelas cabecinhas loiras, tudo o que é proposto por um partido que não seja o deles não faz sentido nenhum, mesmo que o faça para a sociedade portuguesa. E é aqui que surge o grande equívoco da oposição nacional – são eleitos por nós para gerar evolução e bem estar social numa perspectiva global e acabam por se transformar em varinas ressabiadas a defender a sua própria agenda política, encerrados nas suas próprias propostazinhas e destruindo as propostazinhas dos outros.

Conclusão: como a consciência social está subjugada aos interesses do partido, a oposição é tão construtiva e efectiva como um mosquito irritante numa noite de verão – zumbe que se farta, as suas mordidelas causam uma ligeira comichão que desaparece na manhã seguinte, e acabam sem glória a sua miserável existência, encastrados num qualquer pára-brisas governamental.

quinta-feira, julho 13, 2006

A Razão do Estado da Nação

estado da nação
O Estado da Nação é gasoso.
E sem cheiro.

quarta-feira, julho 12, 2006

A Razão da Falta de Respeito

Episódio 1
HN decide desvincular-se da empresa onde trabalhava e vende a sua quota. O Estado cobra-lhe um imposto de mais valia e leva uma percentagem valente da quota de HN. Passado algum tempo o Estado distrai-se e cobra indevidamente o mesmo imposto de mais valia a HN. Irritado com a dupla tributação HN decide deixar de pagar impostos até que o Estado lhe devolva o que, incompetentemente, lhe roubou. A situação dura quatro anos e algumas resmas de papel. No final dos 4 anos, o Estado não só ainda não tinha devolvido o dinheiro como descobriu que HN trabalhava noutra empresa, tendo compulsivamente congelado o ordenado de HN até que este pagasse os seus impostos. Nessa altura HN fica mesmo muito aborrecido e escreve uma carta onde insulta violentamente o funcionário público responsável pela repartição de finanças da sua zona. A carta insultuosa surte efeito e o assunto é resolvido em apenas um mês: o Estado devolve o que roubou e HN apresenta as 4 declarações de IRS em atraso.

Moral da História: Os funcionários do Estado são incompetentes e tornam-se produtivos quando levam pontapés na boca.


Episódio 2
TN, uma contribuinte muito mais cumpridora que HN, tem uma casa de férias no litoral alentejano, onde costuma passar os fins de semana. Num belo dia de semana os vizinhos de TN vêem chegar lá à porta a polícia judiciária acompanhada por um funcionário do tribunal local que diligentemente tenta arrombar a porta para fazer a penhora da casa de TN. Segundo o diligente funcionário público, o dono daquele imóvel (um tal de LC) tem dívidas ao Estado e portanto o imóvel passará a ser pertença do Estado até as dívidas estarem saldadas. A dada altura alguém explica ao jumento diligente do funcionário público que o proprietário daquela casa não é LC mas sim TN. Quando olha para a morada que tem na ordem de penhora, o jumento incompetente e diligente funcionário público vê que se tinha enganado na rua. Se os vizinhos não tivessem agido, TN teria a sua casa de fim de semana fechada pelo Estado, até provar que a propriedade era sua, simplesmente por causa da boçalidade e incapacidade de uns quantos funcionários do Estado.

Moral da História: Os funcionários do Estado são incompetentes e não têm um grande sentido de orientação, mas quem se lixa és tu.


Episódio 3
TN, a mesma vítima do episódio anterior, para além da casa também tem um terreno à beira de uma estrada no litoral alentejano. A dada altura vê surgir no seu terreno umas estruturas gigantescas que albergam cartazes 8x3m com a recandidatura dos responsáveis (?) à câmara municipal daquela zona. Como TN não deu autorização para a invasão abusiva do seu terreno, pediu por várias vezes à câmara municipal que desmontasse as estruturas instaladas no seu terreno. Nunca obteve qualquer resposta. Um belo dia, TN manda os cartazes todos abaixo. TN está actualmente em tribunal indiciada por vandalismo e destruição de propriedade do Estado, incapacitada de viajar para fora da cidade onde vive sem ter autorização do tribunal, arriscando-se a pagar ao Estado uma pesada indemnização só porque um chico esperto de um funcionário público decidiu fazer campanha eleitoral no seu terreno sem lhe perguntar se podia.

Moral da História: Os funcionários do Estado são uns estafermos incompetentes sem grande conhecimento de direito de propriedade privada, e mais uma vez quem se lixa sempre és tu.


Pegando nestes três episódios recentes, todos eles passados nos últimos três meses, digam-me: como é que eu posso ter respeito pelo funcionalismo público e pelo Estado que o alimenta? É claro que não posso!

terça-feira, julho 11, 2006

A Razão da Remodelação Ministerial

remodelação ministerial

Há uma estranha semelhança entre as juntas médicas e as remodelações ministeriais:
vêm sempre ao de cima doenças esquisitas, até então nunca diagnosticadas.

segunda-feira, julho 10, 2006

A Razão dos Três Porquinhos

3 porquinhos

O conto infantil que melhor retrata a história da humanidade é, sem dúvida, a História dos Três Porquinhos. Esta história simbolicamente divide o mundo em 4 tipos de gente, cada um dos tipos correspondendo a uma personagem:

- Temos os indigentes, representados por Cícero (o porco preguiçoso), que gostam pouco de alancar e preferem esticar a mão ao fim do mês e receber os subsídios do Estado.

- Temos os tipos que trabalham, trabalham e trabalham, representados por Heitor (o porco trabalhador), que nunca têm o seu esforço recompensado e que no final de cada mês vêem o seu dinheirinho escoar-se em impostos para pagar a inércia dos Cíceros deste mundo.

- Temos a malta inteligente, representada por Práctico (o porco construtor civil) que lá se vai safando com algum custo.

- E finalmente temos os gajos que querem lixar a vida a todos os outros (representados pelo Lobo Mau) e que, trabalhando afincadamente para o Estado (essa abstracção incómoda) acabam inevitavelmente por lixar os Cíceros e Heitores da vida.

O conto contém requintes de malvadez: as personagens consideradas «boazinhas» são uma vara de porcos, o que não abona muito a favor de todos nós. Todos têm um nome próprio à excepção do lobo que, tal como o Estado, não é personalizável. Quem é esperto dedica-se à construção civil à séria. E o Estado é representado por um predador insistente e sem escrúpulos (um silogismo, portanto).
A história só não é perfeita porque um dos porcos acaba por se safar à conta de um trabalho bem feito e de uma criteriosa escolha de materiais de construção. É aqui que tudo entra no mundo das fábulas, porque sabemos bem que no mundo real o porco nunca teria este discernimento profissional e veria a sua obra embargada sine die para mais tarde ser implodida com pompa e circunstância ou, na melhor das hipóteses, untava as mãozinhas do lobo e de todos os seus colegas de partido para evitar ser envolvido numa escandaleira qualquer envolvendo práticas esquisitas com leitõezinhos e tâmaras frescas.
Ainda assim fica o registo de uma boa tentativa para nos retratar.