O país que inventou os gentlemen também inventou os hooligans.
É a isto que eu chamo fair play.
Nádegas: A área na traseira do corpo humano (por vezes referida como glutaeus maximus) que se encontra entre duas linhas imaginárias que correm em paralelo até ao chão quando uma pessoa está de pé, sendo que a parte superior dessa linha está meia polegada acima da clivagem superior dos glúteos (i.e., a proeminência formada pelos músculos que partem da parte detrás da coxa e que seguem até à parte detrás da perna); e a parte inferior dessa linha está meia polegada abaixo do ponto mais baixo de curvatura de uma protuberância de carne (por vezes designada de dobra gluteal), e por entre duas linhas imaginárias, uma em cada lado do corpo (as «linhas exteriores»), linhas exteriores essas que são perpendiculares ao chão e às linhas horizontais descritas acima, e que tocam os pontos mais longínquos em que cada glúteo encontra o lado exterior de cada perna...
Recentemente, assisti a uma coisa que nunca irei esquecer: um eclipse da Terra. Mas, por ser um eclipse da Terra, não havia sítio para observar. Então olhei para a Terra e, enquanto olhava, a Terra ficou muito escura. No entanto, o período de escuridão foi muito breve por estarmos próximos da Terra. Lembrem-se, meninos e meninas, nunca olhem directamente para um eclipse. Peçam sempre a alguém para vos contar como foi.
George Carlin
Para mim o Golfe é tão desporto como a Bisca Lambida ou o Levantamento do Copo. Sejamos sérios. Caminhar calmamente (quando não se usa um carrinho eléctrico) sobre um campo relvado à stickada numa bola de reduzidas dimensões, tentando enfiá-la em 18 buracos diferentes é, no mínimo, um passatempo de gosto duvidoso.
Desporto é quando um tipo se esforça a sério, quando sua, quando sofre lesões e traumatismos irrecuperáveis. Já alguma vez viram um golfista ser transportado de maca, para fora do teeing ground (eles chamam isto ao relvado) porque se lesionou? Já alguma vez viram um golfista suado? Claro que não. Isto porque o Golfe é o equivalente da Bisca Lambida para uma mão cheia de velhotes com dinheiro, e para umas valentes resmas de empresários e executivos que, por não terem a cheta dos velhotes, passam a vida a jogar com eles para ver se aquilo da conta bancária se pega por osmose, ou então para lhes sacarem mesmo o dinheiro que permitirá terem uma vida santa a arrastarem-se diariamente entre 18 buracos. Se aqueles velhotes fossem uns tesos iríamos provavelmente encontrá-los a jogar à bisca lambida num dos muito parques da cidade, ou numa tasca qualquer do Bairro Alto a levantar o copo.
A diferença mais visível entre um praticante de bisca lambida e um praticante de golfe está na sua conta bancária. Os primeiros normalmente não a têm.
A quem não conhece um campo de golfe recomendo vivamente a visita: está pejado de velhotes grisalhos armados ao desportista vivaço. É patético. Eu acho que há uma relação entre a disfuncionalidade da próstata e a capacidade de jogar golfe: aparentemente o bom funcionamento da próstata dificulta a aprendizagem do golfe, e é precisamente quando ela é removida que o praticante consegue fazer os mais perfeitos «pares» e os mais arrepiantes «birdies». É mais uma vez a próstata disfuncional que dá origem à expressão «handicap», que determina o nível do jogador de golfe – quanto mais pequeno o handicap, maior o nível de perícia e consequentemente maiores os indícios que ali já não há próstata. Aliás tenho uma teoria sobre aquelas posições de rabinho espetado antes da tacada: acho que aquilo foi toque rectal a mais.
Já tiveram alguma vez a impressão de que a impressão que causam nos outros pode por vezes deixá-los tão mal impressionados que até lhes faz impressão? Há quem diga que a primeira impressão é a que conta e que determina tudo o resto, o que me faz alguma impressão se querem que vos diga. É impressionante a importância da impressão. E não há duas iguais. Há boas impressões que não nos deixam grandemente impressionados, assim como há más impressões que nos deixam uma forte impressão que mais valia não termos tido qualquer impressão.
Ficar bem impressionado implica que não nos façam impressão certas coisas, o que, se pensarem bem, é perfeitamente paradoxal: como impressionar sem ter impressão, mas apenas fazendo-a? Como podemos fazê-la sem ficar com ela? É assim uma coisa altruísta em que no momento que a fazemos nos descartamos dela?
E uma má impressão? Poderá uma má impressão deixar-nos bem impressionados ou inevitavelmente não nos impressionará nada, até pelo contrário, e ficaremos estupidamente mal impressionados? É curioso ver que para uma má impressão tanto faz que tenhamos uma impressão ou façamos qualquer impressão: é indiferente.
Este raciocínio todo já me está a fazer uma imensa impressão. É impressionante o que uma pessoa se lembra quando não tem impressões nenhumas. Até me faz impressão...
Quem me lê normalmente deve achar que eu não suporto espanhóis, o que não anda muito longe da verdade. Mas o meu desconforto pelos espanhóis não é nada comparável aos meus dois ódios de estimação: os ingleses e os holandeses. Sobre os ingleses vou falar mais tarde, esses pulhas rabetas que gostam de dizer que têm connosco o «mais antigo tratado do mundo». Hoje vou falar sobre os laranjinhas, por muitos considerados os melhores alunos da Europa, e por mim rotulados como os vermes chupistas mais badalhocos da história da humanidade. Diz a história que os laranjinhas nunca tiveram grande sorte com os portugueses: não só no futebol, como nos episódios históricos onde nos temos cruzado. Pessoalmente acho que os laranjinhas são bons a fazer aquilo que os tornaram num país: parasitismo. Os holandeses são, na realidade, o povo mais parasita do planeta. Umas verdadeiras rêmoras alaranjadas coladas na barriga de um tubarão qualquer. Enquanto os espanhóis e portugueses definiam o Tratado de Tordesilhas (um tratado bem diferente daquele que falei há pouco com os ingleses), os holandeses, esses bostas sem imaginação que falam a escarrar, andavam atrás de nós, a sacar meticulosamente o que nós andámos a descobrir. Um bom exemplo disso é a cidade de Recife, no Brasil, descoberta por portugueses, tomada pelos badalhocos dos holandeses, para logo a seguir serem dali corridos por um joint venture de portugueses e indígenas. Hoje em dia, entalados no meio da Europa ocidental, os holandeses continuam a praticar o parasitismo ancestral que sempre os caracterizou. De vez em quando lixam-se. Assim como hoje. Isto porque quando têm que contar com eles próprios, e não com a sua propensão para chupar aqueles que andam à sua volta, os laranjinhas lixam-se. Lixam-se à grande.
Arrotem pelintras!
Ontem foi oficialmente aberta a época de Verão. O Verão, como provavelmente saberão, é uma das quatro estações do ano. Já alguma vez perguntaram qual a hierarquia do Verão nas quatro estações? Qual é a ordem das estações? Há quem diga que o Verão é a segunda estação, dado que a Primavera é a estação de todos os inícios. A malta acredita que a vida começa na Primavera e que depois se despe à brava no Verão. Mas isso não interessa nada para o post de hoje. O que interessa mesmo é a razão do Verão se chamar Verão. Já pensaram nisso? Aposto que não. Nunca vos ocorreu pensar nisso, o que é um bom princípio, porque assim vão dar-me mais uns segundos da vossa atenção.
Não é difícil perceber porque o Verão é chamado de Verão. As razões são várias:
É nesta altura do ano que vocês verão a ruiva da paragem de autocarro com aquele micro bikini num fim de semana na Caparica, facto que vos dará novo alento no Inverno, quando a virem ali especada de sobretudo e com aquele ar de que lhe chuparam o sanguezinho todo (provavelmente no Verão passado).
É nesta altura em que vocês não verão aquelas intermináveis, inconsequentes, bacocas, provincianas e estupidificantes discussões na Assembleia da República porque os bostas estarão todos de férias a gozar o Verão.
É nesta altura que vocês verão que o melhor que têm a fazer é apanhar um belo sol e mamar umas belas cervejas em boa companhia e esquecer o patrão e os clientes, ambos chatos como a potassa.
Também verão a vossa pele a ficar mais escurinha, a vossa barriga a acusar os excessos de patuscada, as tardes a ficarem mais compridas e as noites a fundirem-se com a madrugada.
Verão nascer novas amizades e novos amores. Verão morrer malta em barda pelas estradas. Verão pôres do sol inesquecíveis, fins de dia irrepetíveis, noites perfeitamente olvidáveis, e nasceres do sol inenarráveis.
Um estudo realizado por uma universidade portuguesa demonstrou uma correlação entre a taxa de corrupção de um país e o copianço puro e duro nas escolas desse país. Em suma, se os alunos copiam barbaramente o mais provável é virem a contribuir para, anos mais tarde, já instalados nas suas vidinhas profissionais, se virem a demonstrar uns cábulas corruptos.
Não é novidade nenhuma verificar neste estudo que os alunos nórdicos são os que menos copiam (apenas 5%) e que os portugueses, espanhóis, e brasileiros se destacam orgulhosamente na muy real arte do cabulanço.
Não acredito que haja uma solução para o cabulanço. E consequentemente, a fazer jus às conclusões do estudo, também não acredito que haja uma solução para a corrupção. No entanto acredito que há males que podem ser minimizados, sendo que este é um deles. Bastava para isso proibir, ou mesmo coibir (recorrendo à violência física moderada – uns pontapés bem aplicados nas gengivas, por exemplo), que cada aluno cábula pudesse vir, no futuro, a desenvolver as suas tendências corruptivas. Uma coisa seria certa: a nossa classe política teria umas gengivas muito mais saudáveis.
É curioso ver o que um objecto esférico de couro e onze gajos para cada lado fazem a um país. Não deixa de ser curioso de ver como cada povo convive com a sua nacionalidade e o seu patriotismo quando confrontado com o fenómeno do desporto a um nível mais ou menos global. Para variar, hoje nem vou falar mal dos portugueses que, provavelmente porque já levaram tanto na tromba em Mundiais de futebol, até estão bastante contidos com o facto de terem chegado (pela segunda vez em quarenta anos) aos oitavos de final desta competição. A contenção portuguesa até me deixa uma pontinha de orgulho, pela maturidade (para não lhe chamar outra coisa) que estamos a demonstrar.
Hoje vou falar dos nossos hermanóides (nuestros hermanos mongolóides). Eles merecem. Eu só não acho que vivo no país mais ridículo do planeta porque tive a sorte de nascer ao lado de Espanha. É verdade. Os nossos hermanóides (desculpa lá Marco, mas é mais forte que eu) estão no Mundial como estão na vida: cheios de tesão nos primeiros minutos, a acharem que vão partir esta merda toda, verdadeiramente convencidos de que são os melhores do mundo até levarem (e o mais ridículo de tudo é que levam sempre) com a puta da realidade pelos «cuernos arriba». E aí, como bons espanhóis, reagem sempre da mesma maneira: negam. Negam tudo. Negam que o Mundial existe. Negam que alguma vez lá estiveram. E desligam rapidamente os aparelhos de televisão esquecendo que afinal, até à próxima, não são os melhores. É assim o patriotismo vizinho. Se Portugal é o cu da Europa, a Espanha é o seu membro fálico. Com ejaculação precoce. Opá vamo a por el Mundial!
George Carlin
Um dos conceitos com menos conteúdo em Portugal é o do Potencial. Quando afirmamos que alguém tem o potencial para se tornar outra coisa qualquer num futuro mais ou menos próximo, estamos tacitamente a dizer que, no presente, nesse preciso momento que vaticinamos o potencial do indivíduo, ele não tem aquilo que é necessário. Até poderá vir a ter, mas de momento não o tem. Essa é que essa. É a filosofia de «se a minha avó tivesse rodas seria um camião de oito rodados» em todo o seu esplendor.
O Potencial é um dos nossos complexos nacionais: fartam-se de nos dizer que o país tem imenso potencial (eu tenho sérias dúvidas) mas apesar disso não sai do seu costumeiro e ancestral «chove não molha». Este potencial nacional é perfeitamente questionável, se pensarmos bem. Temos o potencial de quê e para quê?? Não o temos certamente nos recursos naturais, onde somos líderes a descascar sobreiros e a extraír urânio empobrecido; não o temos nas práticas de gestão privada ou estatal que, como vamos sabendo, continuam a fazer-nos cair nos rankings da produtividade e da competitividade; poderíamos pensar que o potencial está no povo português mas... olhem lá para o povo português e digam-me sinceramente se descortinam algum potencial escondido.
Apesar disto, Portugal continua a ser encarado como um país com potencial para os imigrantes que já representam 7% do nosso PIB; para os investidores espanhóis que cada vez ganham mais dinheiro aqui; e para os «caçadores de cérebros», que encontram em Portugal um manancial de gente inteligente, barata, e cheia de potencial que já não tem paciência para queimar nem mais um neurónio para transformar esta telenovela mexicana numa série de culto.