sábado, junho 10, 2006

A Razão Filosófica

filosofica

Há pessoas que olham para as coisas tal como elas são e perguntam, Porquê? Há pessoas que sonham com coisas que nunca aconteceram e perguntam, Porque não? E há pessoas que têm que ir trabalhar todos os dias e não têm tempo para essas merdas...

George Carlin

sexta-feira, junho 09, 2006

A Razão da Saudade

saudade
Há quem ache que se há por aí uma coisinha que deviam elevar a património da humanidade, não é Marvão (um dos candidatos) nem o Fado (outro dos candidatos e sujeito de uma das Razões anteriores), mas a Saudade. Esta é, na opinião de muitos e sem sombra de dúvida, um património nacional que devia pertencer ao mundo. Naturalmente que este é um raciocínio de pura retórica nacionalista. Quem somos nós para franchisar o significado de uma palavra? Uns palermas armados em exclusivistas que pensamos que, lá porque inventámos uma palavra que significa um sentimento, temos o direito e o topete de achar que o significado é nosso? Desenganem-se amiguinhos. Então vocês acham que só os portugueses é que percebem o que é sentir falta de alguém, de um momento, de algo que experienciámos um dia e que muito dificilmente voltaremos a experienciar? Tenham juízo…
A saudade, elevada a um nobre sentimento nacional com aspirações mundiais, é uma verdadeira fraude. É a prova de que nós achamos que somos diferentes dos outros só porque arranjamos uma maneira diferente de dizer que sentimos falta, que estamos nostálgicos. Os russos também achavam que eram os «donos» da Nostalgia só porque um sacana de um realizador chamado de Tarkovski decidiu cristalizar o sentimento num filme onde mostrava (à boa maneira secante de Manoel de Oliveira) um plano de uma janela onde, durante 10 minutos consecutivos, só chovia lá fora e mais nada se passava. Os povos têm destas merdas. Acham que é tudo deles.
Se querem elevar um sentimento lusitano a património mundial que o façam com a inveja. Esse sim, move a nação toda. A saudade é apenas uma paneleirice inventada por um grupo de gajos que nunca estão satisfeitos com aquilo que têm, e que só arranjam satisfação naquilo que perderam e nunca mais vão ter. Saudade, para mim, é uma canção da Cesária Évora, e o resto é retórica.

Publicado originalmente em Fevereiro de 2005.

quinta-feira, junho 08, 2006

A Razão do Potencial

potencial
Um dos conceitos com menos conteúdo em Portugal é o do Potencial. Quando afirmamos que alguém tem o potencial para se tornar outra coisa qualquer num futuro mais ou menos próximo, estamos tacitamente a dizer que, no presente, nesse preciso momento que vaticinamos o potencial do indivíduo, ele não tem aquilo que é necessário. Até poderá vir a ter, mas de momento não o tem. Essa é que essa. É a filosofia de «se a minha avó tivesse rodas seria um camião de oito rodados» em todo o seu esplendor.
O Potencial é um dos nossos complexos nacionais: fartam-se de nos dizer que o país tem imenso potencial (eu tenho sérias dúvidas) mas apesar disso não sai do seu costumeiro e ancestral «chove não molha». Este potencial nacional é perfeitamente questionável, se pensarmos bem. Temos o potencial de quê e para quê?? Não o temos certamente nos recursos naturais, onde somos líderes a descascar sobreiros e a extraír urânio empobrecido; não o temos nas práticas de gestão privada ou estatal que, como vamos sabendo, continuam a fazer-nos cair nos rankings da produtividade e da competitividade; poderíamos pensar que o potencial está no povo português mas... olhem lá para o povo português e digam-me sinceramente se descortinam algum potencial escondido.

Apesar disto, Portugal continua a ser encarado como um país com potencial para os imigrantes que já representam 7% do nosso PIB; para os investidores espanhóis que cada vez ganham mais dinheiro aqui; e para os «caçadores de cérebros», que encontram em Portugal um manancial de gente inteligente, barata, e cheia de potencial que já não tem paciência para queimar nem mais um neurónio para transformar esta telenovela mexicana numa série de culto.

quarta-feira, junho 07, 2006

A Razão das Obras

construtorcivil
O construtor civil e toda a turba que o precede (pedreiros, pintores, canalizadores e electricistas) são o paradigma da nossa nacionalidade. Não há classe de gente que represente tão bem os portugueses como esta turminha bacoca. Ouvi de um belga uma vez que «só se percebe a essência do povo português depois de se ler Eça e de se fazer obras em casa». Só lhe posso dar razão, apesar de os belgas também não serem flores que se cheirem...
Uma obra em Portugal é sempre a mesma coisa: é obra. No início é só facilidades e orçamentos baratos, no meio é só facilidades e orçamentos acrescidos, e no fim (se é que podemos usar esta palavra) é sempre um «do mal o menos» e um custo proibitivo.
O que determina o final de uma obra em Portugal não é, curiosamente, a conclusão do último acabamento. Não. Normalmente uma obra é dada como acabada quando se acaba o dinheiro ou a paciência de quem a paga. E portanto, tal como o próprio país, tudo fica inacabado e atabalhoadamente concluído. Uma espécie de Santana Lopismo vigente que contamina todo este sector.
O construtor civil e a sua turminha só percebem uma linguagem: desenvolveram desde cedo um sentimento masoquista que só lhes permite funcionar quando levam pontapés na boca. Tratá-los com profissionalismo é contribuir para que a obra dure 4 vezes mais tempo. Aplicando uns pontapés na boca aqui e ali a obra consegue concluir-se no dobro do tempo.
Sabendo disto, quando decidi fazer obras em casa, segui os conselhos de um amigo alemão e defini com o meu construtor civil um contrato penalizador. Ele definia um prazo para a obra e por cada dia que ele se atrasasse pagar-me-ia uma determinada quantia. Medida Santa: já vou no terceiro construtor, o dinheiro das penalizações já deu para fazer uma piscina que não estava inicialmente prevista, e pelos vistos vou passar umas férias à borla no Brasil à conta do gajo que está lá agora. Recomendo-vos. O Brasil, não as obras.

Publicado originalmente em Maio de 2005.

terça-feira, junho 06, 2006

A Razão da Besta

besta
Uns tipos com muito tempo livre apareceram por aí muito excitadinhos a afirmar que hoje, dia 6 de Junho de 2006, é o Dia da Besta. Isto porque numericamente a data tem a configuração 666, normalmente associada a uma Besta qualquer.
Não fazendo ideia do significará hoje ser o Dia da Besta, gostaria de dedicar este post a todas as bestas que conheço, e em especial:

- Às bestas que governam o país diariamente e que enchem o bandulho à conta de contribuíntes que cada vez têm menos dinheiro para si porque cada vez pagam mais para alimentar um Estado que pouco faz por eles.

- Às bestas dos empresários nacionais que não fazem nada pelo país mas que gostam de exibir os seus fatinhos e comparar o tamanho das suas gravatas em eventos do tipo «Compra-me isso Portugal».

- Às bestas histéricas dos media que transformam diariamente o país num circo de celebridades pré-fabricadas e medíocres que almejam uma qualquer importância nacional que só têm nas suas cabecinhas loiras e ocas.

- Às bestas dos jornalistas que não percebem a diferença entre uma estrumeira e os artigos que diaria ou semanalmente escrevem, acreditando que chafurdar na merda lhes dá uma aura qualquer de intocáveis, e que só são intocáveis porque ninguém se lhes chega perto por causa do cheiro.

- Às bestas do serviço e do funcionalismo público, agarradas que nem lapas a direitos adquiridos e a regalias desajustadas da realidade do país.

- Às bestas da oposição, que confundem oposição com destruição e que, por isso mesmo, não conseguem por manifesta incapacidade desempenhar o papel que lhes está destinado.

- Às bestas dos tios e das tias, indigentes, tesos, improdutivos, mas com aquela pose ridícula de que são importantes para alguma coisa, e com uma pseudo-educação que os coloca, no seu miserável discernimento, acima de todos os outros.

A melhor maneira de comemorar o Dia da Besta é expôr todas estas alimárias, quanto mais não seja por um único dia, e dizer-lhes, nas trombas, que já os topamos. O ideal seria tatuar-lhes, com um ferro quente na testa, o número 666. Isso seria mesmo bestial.

segunda-feira, junho 05, 2006

A Razão Delinquente

delinquente
Li hoje que o Estado gasta 16,2 milhões de euros por ano para manter em funcionamento 12 centros educativos de jovens delinquentes. Dado que o número total identificado de jovens delinquentes em Portugal é de 271, isto significa que a cada menor cabe a generosa quantia de 4.981 euros por mês (13 vezes o ordenado mínimo nacional).
A todos vós que estudam e estudaram durante dezenas de anos para engrossarem a lista de desemprego com um canudo inútil na mão, um conselho: dediquem-se ao crime, e já agora iniciem também os vossos filhos, porque pelos vistos aqui na telenovela mexicana a coisa compensa. E o Estado recompensa.

domingo, junho 04, 2006

A Razão Inicial

inicial
No início não existia nada. Então Deus disse: «Faça-se luz!» E fez-se luz. Continuou a não existir nada, mas pelo menos via-se tudo muito melhor.

Ellen DeGeneres

sábado, junho 03, 2006

A Razão Reveladora

reveladora
A diferença entre Democracia e Ditadura é que na primeira vocês votam e acatam as ordens depois, e na segunda nem sequer perdem tempo a votar.

Charles Bukowski

sexta-feira, junho 02, 2006

A Razão Telefónica

telefonica
Gostava de saber se, quando levantamos o auscultador do telefone, existe um sinal de marcação individual para cada um de nós ou há um grande sinal de marcação mundial contínuo, onde vamos entrando e saindo? Estas coisas dão cabo de mim.

George Carlin

quinta-feira, junho 01, 2006

A Razão do Trabalho Infantil

trabalho infantil
Ficou toda a gente escandalizada quando o Expresso publicou recentemente uma entrevista onde mostrava criancinhas portuguesas a trabalhar árdua e ilegalmente numa fábrica que fornece as lojas Zara. É interessante esta polémica do trabalho infantil no Portugal civilizado. Ficamos muito chocados e aborrecidos quando seres humanos com uma idade física abaixo dos 15 anos são postos a trabalhar e a ganhar ordenados miseráveis. E o que dizer dos gajos que têm uma idade mental abaixo dos 5 anos e que diariamente trabalham na Assembleia da República a ganhar ordenados duplos e a acumular regalias pornográficas? Alguém se chateia com estes? Não. Nisto do trabalho infantil, como noutras muitas coisas, temos dois pesos e duas medidas.


Foto: José Sócrates explica aos membros do parlamento a técnica correcta para tirar macacos do nariz.

quarta-feira, maio 31, 2006

A Razão da Fraqueza

fraqueza
Alturas há em que me sinto tentado a escrever sobre coisas maiores, coisas superiores, coisas que me e vos transcendem em qualquer minuto da minha e da vossa reduzida vida. Apetece-me partilhar convosco o sentido da vida, e o nosso objectivo final no meio de toda esta trapalhada; apetece-me partilhar convosco a minha visão sobre o sistema social perfeito, onde aos jovens é-lhes permitido ser jovens e aos velhos não é imposto um sistema de morte lenta e improdutiva; apetece-me falar-vos da importância da natureza e do vosso efémero mas decisivo papel nela; apetece-me falar-vos no prolongamento da vossa eternidade através da criação, seja de vida seja de actos que tornarão o mundo numa coisa melhor; apetece-me falar do quão vã é a busca por coisas que só aumentam a vossa infelicidade. Apetece-me falar disto tudo e de mais alguma coisa.
Depois o dia-a-dia toma conta do meu discurso e, numa série de momentos de fraqueza, acabo por vos falar de coisas comezinhas e divertidas desse mesmo dia-a-dia.
Um dia hei-de falar-vos dessas coisas elevadas. Mas não será hoje.

terça-feira, maio 30, 2006

A Razão Monetária

monetaria
O dinheiro fala.
Mas não tem nada de novo para dizer.

segunda-feira, maio 29, 2006

A Razão do Motor de Busca

motor de busca
Se há coisinha que diariamente acho fascinante é a quantidade de mamíferos que vem parar a este blog por mero acaso enquanto andam à procura das coisas mais aberrantes no motor de busca do Google. Mas mais fascinante que isso são os temas que estes mamíferos procuram na internet. Tiro o meu chapéu ao Google que, pelas minhas contas, está calmamente a construir a base de dados mais completa de todos os estúpidos, tarados e javardos do planeta. Graças ao Google será possível, daqui a uns anos, circunscrever estes palermas todos num local determinado e empandeirar-lhes uma tribo somali que lhes tirará quaisquer dúvidas que possam ter sobre a retractabilidade de um esfíncter.
Enquanto isso não acontece, vou partilhar convosco alguns exemplos do que tem sido procurado neste blog nas últimas 24 horas:

«Orgasmo» - um dos temas mais procurados desde que escrevi a Razão do Orgasmo. Aparentemente, os mamíferos que cá chegam à procura de orgasmo, têm uma secreta esperança de o encontrar por aqui. Deixem-me esclarecer-vos: não só não o vão ter por aqui, como duvido veementemente que, se o têm que o procurar na internet, alguma vez o venham a experienciar fora dela.

«Números de Telefone de Prostitutas da Madeira» - não será mais fácil consultar as páginas amarelas? Porque diabo terei eu no meu blog uma lista de telefones do putedo madeirense? E depois começo a pensar no gajo que fez esta busca: casado, chefe de família, gordinho e careca, numa convenção de vendas na Madeira, sózinho no hotel, e cheio de amor para dar. Em vez de telefonar ao Alberto João decide optar pelas amadoras... que amador.

«Sadismo» - um tema procurado por um brasileiro. Haverá alguma coisa mais sádica do que viver num país governado por Lula da Silva? Tenho dúvidas. E aparentemente o tipo que fez esta busca também.

«Coliseu Romano Leões» - Outro brasileiro à procura de um tema interessante. Reparem que há aqui um padrão brasileiro que implica indirectamente algum sofrimento humano. É por estas e por outras que a imagem que tenho do povo brasileiro se tem modificado lentamente à medida que vou escrevendo neste blog. E eu que os via como um povo alegre e despreocupado...

«Associar para memorizar nomes» - Mais uma vez um brasileiro. Desta feita um brasileiro com problemas de memória à procura de uma solução mnemónica que lhe resolva a sua incapacidade para se lembrar de nomes. Lamento informar-te, leitor desmemoriado, que não há solução para isso. Digo-te por experiência própria. Eu esqueço-me de um nome no momento em que estão a verbalizar a sua segunda sílaba. Sempre foi assim. E não me preocupo nada com isso.

«Bares de Alterne de Lisboa» - uma busca de um rapaz de Santarém que provavelmente está a preparar a sua visita à capital. Aparentemente ninguém explicou a este gajo que não precisa de gastar dinheiro para engatar alguém em Lisboa.

«Conversas Interessantes Sobre Mulheres» - uma busca curiosa feita por alguém de Lisboa. Pergunto-me o que será uma «conversa interessante sobre mulheres»: será sobre os seus atributos emocionais ou sobre os seus atributos físicos? Será sobre as suas proezas profissionais ou sobre as suas proezas sexuais? Não faço ideia, mas confesso que esta foi uma busca que me intrigou, por ser tão vaga.

«Plásticas aos Papos nos Olhos» - alguém em Aveiro não está satisfeito com as olheiras que ganhou ao longo da vida. Uma boa maneira de acabar com os papos nos olhos não é cirúrgica: basta deixar de usar o motor de busca diariamente. Olhar para o ecran de computador faz papos nos olhos.

«Quarentonas» - aqui está um brasileiro à procura de emoções. Este deve ser o tema mundial mais procurado na internet depois de «Sexo». Porque será?

Um dia irão estudar os temas mais procurados pela civilização humana nos motores de busca. Gastarão imenso dinheiro e tempo. Farão análises extensas e complicadas. E produzirão um relatório que concluirá que desde o Neanderthal pouco mudou, à excepção dos dinossauros. Até lá, vou-me divertindo.

domingo, maio 28, 2006

Razões Nacionalistas (II)

nacionalistas (II)

O povo português é estranho.
Quando uma figura pública desaparece choram baba e ranho, mas ao saberem que essa pessoa não é exemplar, em vez de colocarem a mão na consciência e dizer que "era uma pessoa como as outras", preferem efectuar a "super técnica Carrilho" e dizer que tudo são calúnias sem fundamento.
Enquanto que reclamam pela falta de qualidade de vida, pela miséria e pobreza em que vivem, gastam autênticas fortunas pelos seus clubes "do coração".
Idolatram milionários que não fazem mais do que ser bons profissionais mas aparentemente ninguém dá qualquer importância aos milhares de portugueses espalhados pelo mundo que em muito contribuem para o avanço da Humanidade, ganhando provavelmente pouco mais que um ordenado dito comum.
Um "Sr. Mister" pede que tenham orgulho no país e que o demonstrem colocando a bandeira Portuguesa nas janelas e o povo cumpre de imediato, fazendo com que o mercado da contrafacção cresça significativamente. Ao mesmo tempo demonstrando que nem sequer sabem colocar a bandeira sem ser de pernas para o ar! Mas enfim, suponho que o facto pode ser interpretado como uma crítica ao estado de coisas "se o país está de pernas para o ar, porque não haverá de estar a bandeira?".
Passa a ser obrigatório possuír um colete reflector na viatura e o que é que o povo faz? Consegue colocá-lo do modo mais pindérico alguma vez visto. Mas no entanto continuam a beber bastante às refeições e fora delas porque se julgam "os maiores" lá do seu bairro. Isto para depois poderem vir dizer que quebraram os records de alcoolémia e alegar que não sabiam que por beber um aperitivo antes do almoço, 3 canecas de cerveja durante o almoço, 2 litros de vinho para degustar e tomar um conhaque pós-almoço para "lavar o estômago" os colocasse em estado de embriaguez. E dizem estas palavras enquanto se questionam acerca do porquê de terem sido parados por um enorme conjunto de polícias... todos gémeos idênticos!
Imagino o que acontecerá quando tivermos um seleccionador nacional (um Mister portanto) que, devido a uma avançada idade, por mera senilidade ou enorme sentido de humor, venha dizer que para ajudarmos a selecção não há melhor do que fazer como o Super-Homem (que melhor exemplo?) e usar a roupa interior por cima da roupa. Será que a moda pegava? Tendo em conta o que se tem visto, julgo que sim!
Oh patriotismo a quanto obrigas!


Um grande comentário de CP que foi elevado a post.
Foto de Fotoben.

Razões Nacionalistas

noçao
Eu queria aqui deixar bem claro que, lá porque critico por vezes brutalmente a nossa triste e vil nacionalidade isso não significa que a desdenhe (ao contrário de muitos tugas malaicos que andam por aí, e aos quais teria muito gosto de apresentar uma tribo somali devidamente untadinha de vocês sabem o quê).
Não senhores, eu cá gramo de sobremaneira de fazer parte de um país cuja fundação começou com um belo par de chapadas dadas por um filho de uma mãe (convenhamos que ela andava a pedi-las); orgulho-me diariamente de um gajo que prometeu pagar uns trocos ao Papa vigente para transformar este território num país, e que depois o enganou à campeão e nunca lhe deu um chavo (se os gajos que vieram a seguir lhe tivessem seguido o exemplo, a igreja não teria estragado tanta coisa por aqui); rejubilo em histeria quando este mesmo gajo desata a arrear porrada de três em pipa nos sarracenos e funda uma data de merdas, inclusivé Lisboa. Não haja cá dúvida que se havia gajo que sabia fundar era ele.
E depois orgulho-me de outros gajos e gajas que contribuiram para este projecto: a padeira que ostentava uma destreza letal com a pá; o tipo de Avis, que pôs o Andeiro a andar; os gandamalucos que se puseram a fundar além-mar em casquinhas de noz; os gajos que enganaram os castelhanos (esses grandes porcalhões javardos filhos de uma carruagem atestada de lolitas) em Tordesilhas; o tipo de um olho só que idealizou e escreveu uma nação que não estava lá, e um império que de quinto não tinha nada.
É claro que depois deste anos áureos já não me orgulho de grande coisa, mas que no início aquela malta tinha razão, oh meus amigos, lá isso tinha!


Publicado originalmente em Dezembro de 2004
Foto de Fotoben

sábado, maio 27, 2006

A Razão dos Jornais

jornais
Ler jornais para perceber o que se passa no mundo é a mesma coisa que tentar dizer que horas são só olhando para o ponteiro dos segundos.


Ben Hecht

sexta-feira, maio 26, 2006

A Razão da Verdade

donos da verdade
Façam a seguinte experiência: peçam a dois ou mais amigos que olhem para uma estátua e descubram qual o ângulo que mais apreciam quando estão a olhar para ela: de frente? Ligeiramente de lado? A três quartos? Debaixo para cima? De cima para baixo? Irão ver que as opiniões se irão dividir. Cada um apreciará um ângulo diferente da mesma estátua. Coincidentemente poderão todos achar que um determinado ângulo é o mais bonito, mas isso será a excepção que confirmará a regra.
O mesmo se passa com a verdade. Ela não é mais do que um ângulo da realidade; o vosso ângulo preferido. Mas não necessariamente o único ângulo. É por estas e por outras que não tenho paciência para os «donos da verdade». Considero-os uns parvalhões monolíticos, sem a capacidade de perceber, quanto mais apreciar, que há mais ângulos para além daquele em que insistem, bovinamente, olhar.

quinta-feira, maio 25, 2006

A Razão da Auto-Estima Nacional

auto estima nacional
É certo que o país está em crise e que a malta anda desencantada com isto tudo. Mas começo a acreditar que esta espiral de negativismo e depressão nacional é artificialmente alimentada diária e paulatinamente pelos media.
Há dois dias atrás estava a ver a SIC Notícias onde se noticiava a derrota da selecção portuguesa de Sub 21 face aos franceses. Passados 10 minutos, no mesmo bloco noticiário, voltaram a falar exactamente do mesmo. Das duas uma: ou a SIC Notícias acha que tem uma audiência de estúpidos que não assimila as notícias à primeira, ou então estão a querer fazer merda com a auto-estima nacional. Naturalmente que me inclino para a segunda hipótese (até porque não vi mais nenhuma notícia ser repetida naquele bloco).
Já sabemos que os portugueses têm uma tendência para a bipolaridade: são os maiores do mundo num minuto e as piores merdas no segundo seguinte. Isto não faz nada bem a qualquer auto-estima. Mas os sacanas dos media abusam da fruta. Só vejo e leio coisas que me agravam a fraca consideração que tenho por este país. Mas depois racionalizo as coisas e penso que nem tudo pode estar mal, seria coincidência a mais. E eu não acredito em coincidências.
Os media nacionais fazem-me lembrar a mulher insatisfeita que diariamente diz ao marido que ele não a faz feliz. Ao fim de anos a ouvir recorrentemente que é um péssimo marido o que é que ele faz? Ou arreia-lhe duas galhetas e aquela conversa acaba por ali, ou põe a senhora com dono e arranja alguém que não o massacre persistentemente.
Acho que no caso dos media nacionais a solução seria optar pelas duas alternativas em simultâneo: arrear-lhes um camaçal de porrada em direcção à fronteira. Olhos que não lêem, coração que não sente.

quarta-feira, maio 24, 2006

A Razão da Branca de Neve

branca de neve
Da série «histórias mal contadas» temos hoje, a pedido de várias famílias, a história da Branca de Neve e dos sete anões.
A primeira coisa que me ocorre quando penso na Branca de Neve é que o sacana do autor da história devia ter alguns problemas de segregacionismo não resolvidos. Porque não escolher para protagonista da história uma morena achocolatada ou uma asiática com problemas de vesícula?
Depois vem a questão dos sete anões: para além de racista, o autor era perverso. Não só imaginava aquela jovem de tez branca rodeada por sete manganões, como era tortuoso o suficiente para lhes atribuír deficiências físicas e irrecuperáveis. Estamos então entregues ao deboche e à badalhoquice inconsequente quando permitimos que gerações e gerações de pequenos seres cresçam a achar que ser anão é que é bom.
Outra questão tem a ver com o minimalismo que o autor quer imprimir às características de personalidade de cada anão: nesta história, o mesmo anão não experiencia, com toda a sua pujança, uma multiplicidade de emoções. Temos o anão que dorme e só dorme; temos o anão que está chateado e só está chateado; temos o anão que sodomiza ovelhas tresmalhadas e só sodomiza ovelhas tresmalhadas; temos o anão que gargareja vodka polaca e só gargareja vodka polaca; temos o anão besuntado em manteiga de Azeitão que ganhou este hábito porco precisamente em Azeitão; temos o anão que não se lava por baixo porque não chega lá; e finalmente, temos o anão, que à falta de outra característica qualquer, é anão. Ora isto é uma verdadeira pobreza no que toca à construção de personagens.
Por este andar, as criancinhas vão crescer a pensar que o José Sócrates é apenas um palerma e será sempre um palerma. Quando não é verdade: sabemos perfeitamente que o José Sócrates não só é um palerma, como é um palerma perigoso, que com o tempo vai evoluíndo para outras características preocupantes.
É por estas e por outras, que nutro uma desconfiança persistente no que estas histórias infantis promovem na população portuguesa. O que me faz perguntar: Se não existisse Branca de Neve existiria José Sócrates? Duvido. A mesma certeza não tenho quanto aos sete anões.

terça-feira, maio 23, 2006

A Razão da Urgência

urgente
Tudo aquilo que um qualquer idiota diz ser urgente é algo que algum imbecil não fez em tempo útil e querem que você, o otário, se desenrasque para fazer em tempo recorde.


Uma contribuição da comentadora Aloevera.