quarta-feira, maio 31, 2006

A Razão da Fraqueza

fraqueza
Alturas há em que me sinto tentado a escrever sobre coisas maiores, coisas superiores, coisas que me e vos transcendem em qualquer minuto da minha e da vossa reduzida vida. Apetece-me partilhar convosco o sentido da vida, e o nosso objectivo final no meio de toda esta trapalhada; apetece-me partilhar convosco a minha visão sobre o sistema social perfeito, onde aos jovens é-lhes permitido ser jovens e aos velhos não é imposto um sistema de morte lenta e improdutiva; apetece-me falar-vos da importância da natureza e do vosso efémero mas decisivo papel nela; apetece-me falar-vos no prolongamento da vossa eternidade através da criação, seja de vida seja de actos que tornarão o mundo numa coisa melhor; apetece-me falar do quão vã é a busca por coisas que só aumentam a vossa infelicidade. Apetece-me falar disto tudo e de mais alguma coisa.
Depois o dia-a-dia toma conta do meu discurso e, numa série de momentos de fraqueza, acabo por vos falar de coisas comezinhas e divertidas desse mesmo dia-a-dia.
Um dia hei-de falar-vos dessas coisas elevadas. Mas não será hoje.

terça-feira, maio 30, 2006

A Razão Monetária

monetaria
O dinheiro fala.
Mas não tem nada de novo para dizer.

segunda-feira, maio 29, 2006

A Razão do Motor de Busca

motor de busca
Se há coisinha que diariamente acho fascinante é a quantidade de mamíferos que vem parar a este blog por mero acaso enquanto andam à procura das coisas mais aberrantes no motor de busca do Google. Mas mais fascinante que isso são os temas que estes mamíferos procuram na internet. Tiro o meu chapéu ao Google que, pelas minhas contas, está calmamente a construir a base de dados mais completa de todos os estúpidos, tarados e javardos do planeta. Graças ao Google será possível, daqui a uns anos, circunscrever estes palermas todos num local determinado e empandeirar-lhes uma tribo somali que lhes tirará quaisquer dúvidas que possam ter sobre a retractabilidade de um esfíncter.
Enquanto isso não acontece, vou partilhar convosco alguns exemplos do que tem sido procurado neste blog nas últimas 24 horas:

«Orgasmo» - um dos temas mais procurados desde que escrevi a Razão do Orgasmo. Aparentemente, os mamíferos que cá chegam à procura de orgasmo, têm uma secreta esperança de o encontrar por aqui. Deixem-me esclarecer-vos: não só não o vão ter por aqui, como duvido veementemente que, se o têm que o procurar na internet, alguma vez o venham a experienciar fora dela.

«Números de Telefone de Prostitutas da Madeira» - não será mais fácil consultar as páginas amarelas? Porque diabo terei eu no meu blog uma lista de telefones do putedo madeirense? E depois começo a pensar no gajo que fez esta busca: casado, chefe de família, gordinho e careca, numa convenção de vendas na Madeira, sózinho no hotel, e cheio de amor para dar. Em vez de telefonar ao Alberto João decide optar pelas amadoras... que amador.

«Sadismo» - um tema procurado por um brasileiro. Haverá alguma coisa mais sádica do que viver num país governado por Lula da Silva? Tenho dúvidas. E aparentemente o tipo que fez esta busca também.

«Coliseu Romano Leões» - Outro brasileiro à procura de um tema interessante. Reparem que há aqui um padrão brasileiro que implica indirectamente algum sofrimento humano. É por estas e por outras que a imagem que tenho do povo brasileiro se tem modificado lentamente à medida que vou escrevendo neste blog. E eu que os via como um povo alegre e despreocupado...

«Associar para memorizar nomes» - Mais uma vez um brasileiro. Desta feita um brasileiro com problemas de memória à procura de uma solução mnemónica que lhe resolva a sua incapacidade para se lembrar de nomes. Lamento informar-te, leitor desmemoriado, que não há solução para isso. Digo-te por experiência própria. Eu esqueço-me de um nome no momento em que estão a verbalizar a sua segunda sílaba. Sempre foi assim. E não me preocupo nada com isso.

«Bares de Alterne de Lisboa» - uma busca de um rapaz de Santarém que provavelmente está a preparar a sua visita à capital. Aparentemente ninguém explicou a este gajo que não precisa de gastar dinheiro para engatar alguém em Lisboa.

«Conversas Interessantes Sobre Mulheres» - uma busca curiosa feita por alguém de Lisboa. Pergunto-me o que será uma «conversa interessante sobre mulheres»: será sobre os seus atributos emocionais ou sobre os seus atributos físicos? Será sobre as suas proezas profissionais ou sobre as suas proezas sexuais? Não faço ideia, mas confesso que esta foi uma busca que me intrigou, por ser tão vaga.

«Plásticas aos Papos nos Olhos» - alguém em Aveiro não está satisfeito com as olheiras que ganhou ao longo da vida. Uma boa maneira de acabar com os papos nos olhos não é cirúrgica: basta deixar de usar o motor de busca diariamente. Olhar para o ecran de computador faz papos nos olhos.

«Quarentonas» - aqui está um brasileiro à procura de emoções. Este deve ser o tema mundial mais procurado na internet depois de «Sexo». Porque será?

Um dia irão estudar os temas mais procurados pela civilização humana nos motores de busca. Gastarão imenso dinheiro e tempo. Farão análises extensas e complicadas. E produzirão um relatório que concluirá que desde o Neanderthal pouco mudou, à excepção dos dinossauros. Até lá, vou-me divertindo.

domingo, maio 28, 2006

Razões Nacionalistas (II)

nacionalistas (II)

O povo português é estranho.
Quando uma figura pública desaparece choram baba e ranho, mas ao saberem que essa pessoa não é exemplar, em vez de colocarem a mão na consciência e dizer que "era uma pessoa como as outras", preferem efectuar a "super técnica Carrilho" e dizer que tudo são calúnias sem fundamento.
Enquanto que reclamam pela falta de qualidade de vida, pela miséria e pobreza em que vivem, gastam autênticas fortunas pelos seus clubes "do coração".
Idolatram milionários que não fazem mais do que ser bons profissionais mas aparentemente ninguém dá qualquer importância aos milhares de portugueses espalhados pelo mundo que em muito contribuem para o avanço da Humanidade, ganhando provavelmente pouco mais que um ordenado dito comum.
Um "Sr. Mister" pede que tenham orgulho no país e que o demonstrem colocando a bandeira Portuguesa nas janelas e o povo cumpre de imediato, fazendo com que o mercado da contrafacção cresça significativamente. Ao mesmo tempo demonstrando que nem sequer sabem colocar a bandeira sem ser de pernas para o ar! Mas enfim, suponho que o facto pode ser interpretado como uma crítica ao estado de coisas "se o país está de pernas para o ar, porque não haverá de estar a bandeira?".
Passa a ser obrigatório possuír um colete reflector na viatura e o que é que o povo faz? Consegue colocá-lo do modo mais pindérico alguma vez visto. Mas no entanto continuam a beber bastante às refeições e fora delas porque se julgam "os maiores" lá do seu bairro. Isto para depois poderem vir dizer que quebraram os records de alcoolémia e alegar que não sabiam que por beber um aperitivo antes do almoço, 3 canecas de cerveja durante o almoço, 2 litros de vinho para degustar e tomar um conhaque pós-almoço para "lavar o estômago" os colocasse em estado de embriaguez. E dizem estas palavras enquanto se questionam acerca do porquê de terem sido parados por um enorme conjunto de polícias... todos gémeos idênticos!
Imagino o que acontecerá quando tivermos um seleccionador nacional (um Mister portanto) que, devido a uma avançada idade, por mera senilidade ou enorme sentido de humor, venha dizer que para ajudarmos a selecção não há melhor do que fazer como o Super-Homem (que melhor exemplo?) e usar a roupa interior por cima da roupa. Será que a moda pegava? Tendo em conta o que se tem visto, julgo que sim!
Oh patriotismo a quanto obrigas!


Um grande comentário de CP que foi elevado a post.
Foto de Fotoben.

Razões Nacionalistas

noçao
Eu queria aqui deixar bem claro que, lá porque critico por vezes brutalmente a nossa triste e vil nacionalidade isso não significa que a desdenhe (ao contrário de muitos tugas malaicos que andam por aí, e aos quais teria muito gosto de apresentar uma tribo somali devidamente untadinha de vocês sabem o quê).
Não senhores, eu cá gramo de sobremaneira de fazer parte de um país cuja fundação começou com um belo par de chapadas dadas por um filho de uma mãe (convenhamos que ela andava a pedi-las); orgulho-me diariamente de um gajo que prometeu pagar uns trocos ao Papa vigente para transformar este território num país, e que depois o enganou à campeão e nunca lhe deu um chavo (se os gajos que vieram a seguir lhe tivessem seguido o exemplo, a igreja não teria estragado tanta coisa por aqui); rejubilo em histeria quando este mesmo gajo desata a arrear porrada de três em pipa nos sarracenos e funda uma data de merdas, inclusivé Lisboa. Não haja cá dúvida que se havia gajo que sabia fundar era ele.
E depois orgulho-me de outros gajos e gajas que contribuiram para este projecto: a padeira que ostentava uma destreza letal com a pá; o tipo de Avis, que pôs o Andeiro a andar; os gandamalucos que se puseram a fundar além-mar em casquinhas de noz; os gajos que enganaram os castelhanos (esses grandes porcalhões javardos filhos de uma carruagem atestada de lolitas) em Tordesilhas; o tipo de um olho só que idealizou e escreveu uma nação que não estava lá, e um império que de quinto não tinha nada.
É claro que depois deste anos áureos já não me orgulho de grande coisa, mas que no início aquela malta tinha razão, oh meus amigos, lá isso tinha!


Publicado originalmente em Dezembro de 2004
Foto de Fotoben

sábado, maio 27, 2006

A Razão dos Jornais

jornais
Ler jornais para perceber o que se passa no mundo é a mesma coisa que tentar dizer que horas são só olhando para o ponteiro dos segundos.


Ben Hecht

sexta-feira, maio 26, 2006

A Razão da Verdade

donos da verdade
Façam a seguinte experiência: peçam a dois ou mais amigos que olhem para uma estátua e descubram qual o ângulo que mais apreciam quando estão a olhar para ela: de frente? Ligeiramente de lado? A três quartos? Debaixo para cima? De cima para baixo? Irão ver que as opiniões se irão dividir. Cada um apreciará um ângulo diferente da mesma estátua. Coincidentemente poderão todos achar que um determinado ângulo é o mais bonito, mas isso será a excepção que confirmará a regra.
O mesmo se passa com a verdade. Ela não é mais do que um ângulo da realidade; o vosso ângulo preferido. Mas não necessariamente o único ângulo. É por estas e por outras que não tenho paciência para os «donos da verdade». Considero-os uns parvalhões monolíticos, sem a capacidade de perceber, quanto mais apreciar, que há mais ângulos para além daquele em que insistem, bovinamente, olhar.

quinta-feira, maio 25, 2006

A Razão da Auto-Estima Nacional

auto estima nacional
É certo que o país está em crise e que a malta anda desencantada com isto tudo. Mas começo a acreditar que esta espiral de negativismo e depressão nacional é artificialmente alimentada diária e paulatinamente pelos media.
Há dois dias atrás estava a ver a SIC Notícias onde se noticiava a derrota da selecção portuguesa de Sub 21 face aos franceses. Passados 10 minutos, no mesmo bloco noticiário, voltaram a falar exactamente do mesmo. Das duas uma: ou a SIC Notícias acha que tem uma audiência de estúpidos que não assimila as notícias à primeira, ou então estão a querer fazer merda com a auto-estima nacional. Naturalmente que me inclino para a segunda hipótese (até porque não vi mais nenhuma notícia ser repetida naquele bloco).
Já sabemos que os portugueses têm uma tendência para a bipolaridade: são os maiores do mundo num minuto e as piores merdas no segundo seguinte. Isto não faz nada bem a qualquer auto-estima. Mas os sacanas dos media abusam da fruta. Só vejo e leio coisas que me agravam a fraca consideração que tenho por este país. Mas depois racionalizo as coisas e penso que nem tudo pode estar mal, seria coincidência a mais. E eu não acredito em coincidências.
Os media nacionais fazem-me lembrar a mulher insatisfeita que diariamente diz ao marido que ele não a faz feliz. Ao fim de anos a ouvir recorrentemente que é um péssimo marido o que é que ele faz? Ou arreia-lhe duas galhetas e aquela conversa acaba por ali, ou põe a senhora com dono e arranja alguém que não o massacre persistentemente.
Acho que no caso dos media nacionais a solução seria optar pelas duas alternativas em simultâneo: arrear-lhes um camaçal de porrada em direcção à fronteira. Olhos que não lêem, coração que não sente.

quarta-feira, maio 24, 2006

A Razão da Branca de Neve

branca de neve
Da série «histórias mal contadas» temos hoje, a pedido de várias famílias, a história da Branca de Neve e dos sete anões.
A primeira coisa que me ocorre quando penso na Branca de Neve é que o sacana do autor da história devia ter alguns problemas de segregacionismo não resolvidos. Porque não escolher para protagonista da história uma morena achocolatada ou uma asiática com problemas de vesícula?
Depois vem a questão dos sete anões: para além de racista, o autor era perverso. Não só imaginava aquela jovem de tez branca rodeada por sete manganões, como era tortuoso o suficiente para lhes atribuír deficiências físicas e irrecuperáveis. Estamos então entregues ao deboche e à badalhoquice inconsequente quando permitimos que gerações e gerações de pequenos seres cresçam a achar que ser anão é que é bom.
Outra questão tem a ver com o minimalismo que o autor quer imprimir às características de personalidade de cada anão: nesta história, o mesmo anão não experiencia, com toda a sua pujança, uma multiplicidade de emoções. Temos o anão que dorme e só dorme; temos o anão que está chateado e só está chateado; temos o anão que sodomiza ovelhas tresmalhadas e só sodomiza ovelhas tresmalhadas; temos o anão que gargareja vodka polaca e só gargareja vodka polaca; temos o anão besuntado em manteiga de Azeitão que ganhou este hábito porco precisamente em Azeitão; temos o anão que não se lava por baixo porque não chega lá; e finalmente, temos o anão, que à falta de outra característica qualquer, é anão. Ora isto é uma verdadeira pobreza no que toca à construção de personagens.
Por este andar, as criancinhas vão crescer a pensar que o José Sócrates é apenas um palerma e será sempre um palerma. Quando não é verdade: sabemos perfeitamente que o José Sócrates não só é um palerma, como é um palerma perigoso, que com o tempo vai evoluíndo para outras características preocupantes.
É por estas e por outras, que nutro uma desconfiança persistente no que estas histórias infantis promovem na população portuguesa. O que me faz perguntar: Se não existisse Branca de Neve existiria José Sócrates? Duvido. A mesma certeza não tenho quanto aos sete anões.

terça-feira, maio 23, 2006

A Razão da Urgência

urgente
Tudo aquilo que um qualquer idiota diz ser urgente é algo que algum imbecil não fez em tempo útil e querem que você, o otário, se desenrasque para fazer em tempo recorde.


Uma contribuição da comentadora Aloevera.

segunda-feira, maio 22, 2006

A Razão do Zero à Esquerda

zero à esquerda
Quando te considerares um zero à esquerda podes sempre filiar-te no Bloco de Esquerda. É a mesma coisa, mas sempre ficas com um cartão.

A Razão dos Zeros e Uns

zeros e uns
Quem diria que vocês todos não são mais do que uns amantes de matemática excitados. Já pensaram em vós próprios como amantes de matemática excitados? Aposto que não. Mas é o que vocês são. Senão não estariam aqui (ou noutro blog qualquer) a experienciar um sentimento qualquer. Acreditariam se há 10 anos atrás alguém vos tivesse dito que vocês um dia perderiam tempo a ler zeros e uns? Claro que não…

domingo, maio 21, 2006

A Razão de Nata

shit
Liguei a televisão e ocorreu-me: é impressão minha ou a «Revolta dos Pastéis de Nata» é na realidade a «Revolta dos Pastéis de Merda»?
Cheguei à conclusão que não tenho pachorra para o suposto pretensiosismo juvenil armado ao intelectual.

A Razão dos Sentimentos

sentimentos
Os sentimentos são como os ogres e as cebolas: apodrecem.

sábado, maio 20, 2006

Razões Hortículas

horticulas

Estou um bocadinho farto de ouvir tratar a nossa novela mexicana por “jardim à beira-mar plantado”. Na verdade isto não é mais do que uma horta mal cultivada, situada no esfíncter da Europa. Como qualquer horta, está povoada por uma variedade considerável de vegetais. O que não faltam por aí são vegetais. Comecemos pelo Chefe de Estado, um tipo ardiloso com uma cabeça em formato de nabo do Entroncamento. Passemos de seguida ao recém eleito governo, que consiste numa arroba de bróculos chefiados por uma banana, que tem como oposição um alqueire de laranjas bolorentas, dióspiros espapaçados e lentilhas ressequidas. O povo, essa amálgama de cabeças de alho chocho, sempre à espera de melhores dias, queixando-se do que tem e do que não tem, esperando que por obra e graça do Espírito Santo tudo resulte numa imensa e produtiva colheita que transforme a horta numa bela plantação.
Na horta impera o conformismo digno das sementeiras que nunca dão fruto, a imaginação do tamanho de uma ervilha, e a vitalidade de uma azeitona deixada a marinar em vinagrete. A horta já há muito que deixou de ser adubada, o que per si não constitui um problema dado que os vegetais residentes já fazem merda suficiente. As ervas daninhas proliferam viçosas, chamando um figo a cada parcela de terra que vão paulatinamente ocupando. Apenas um tipo de vegetais insiste em não singrar nesta horta, e toda a gente é peremptória em afirmar que é graças à sua ausência que as coisas chegaram onde chegaram. Falo-vos obviamente dos tomates. Já os houve, há muito tempo, mas isso foi chão que já deu uvas.

Publicado originalmente em Março de 2005

quinta-feira, maio 18, 2006

A Razão Sem Palavras

sem palavras

Já alguma vez ficaram sem palavras? Expliquem-me como é que isso se processa: ficam assim tipo como naqueles filmes mudos e a vossa boca mexe-se como se estivessem a falar embora não saia palavra nenhuma? Ficam apenas com os números e tudo o que dizem parece uma equação esquisita e incompreensível? Dizem coisas em morse, com tracinhos e pontinhos? Saem-vos sons guturais semelhantes a uma lontra com cio?
Isto de ficar sem palavras não me faz sentido nenhum. Ficar sem palavras é guardá-las dentro do vosso cérebro e não as mandar cá para fora? Se assim fôr só vocês é que as ouvem, o que é um bocadinho diferente de ficar sem elas. Ou o sentido é mesmo literal e elas nem no vosso cérebro ficam? Esta segunda hipótese é mais preocupante, porque para além de vocês provavelmente ficarem com um ar aparvalhado e digno de internamento (daquele que dá direito a várias sessões diárias de electrochoques nas têmporas), para onde vão as palavras?
São este tipo de questões que me impedem de aceitar as coisas impunemente…

quarta-feira, maio 17, 2006

A Razão Divinal

divinal

Há uma anedota brasileira que conta que quando Deus andava a criar o mundo chegou aquela parte a que hoje corresponde ao Brasil e excitou-se: criou praias lindas, um clima ameno, florestas luxuriantes, recursos naturais em barda onde não faltava o ouro e as pedras preciosas, fauna e flora que permitisse que quem para lá fosse teria a capacidade de sobreviver sem esforço e sem nunca passar fome. Desvairado por toda aquela excitação Deus parou um bocado e pensou que o sítio estava a ficar demasiado parecido com o paraíso e então decidiu fazer com que aquilo fosse um dia descoberto pelos portugueses.
Seguindo esta linha de raciocínio divina, em que diabo estava Ele a pensar quando criou a nossa telenovela mexicana? Numa situação de perda/perda?

terça-feira, maio 16, 2006

A Razão do Mister

23
Sabemos que estamos em Portugal quando a maioria dos vinte e três escolhidos para representar o país num acontecimento mundial tem dificuldade em alinhar um único pensamento na sua língua mãe.

segunda-feira, maio 15, 2006

A Razão Digest

digest
Acho piada aquelas edições digest reescritas por uns tipos que têm um imenso poder de síntese, e cuja função consiste em pegar em duas dúzias de páginas escritas e transformá-las numa única página que significa exactamente a mesma coisa. A existência destes indivíduos suscita-me dúvidas filosóficas sobre o papel dos autores originais da obra: se há indivíduos que conseguem dizer em meia dúzia de linhas aquilo que os tipos que escreveram originalmente disseram naqueles calhamaços monstruosos, tipo o «Ulisses» do James Joyce, é porque há ali imensa palha desnecessária que me faz perder tempo desnecessário. Tempo esse que poderia estar a utilizar para ler outras obras em versão digest. Pensem na quantidade de livros que já leram até hoje e multipliquem por 12 ou por 20 e vejam só o que têm andado a perder porque há gajos que não têm a capacidade de resumir a sua lógica de pensamento.
Por mim eu gostaria de ver o que estes tipos que resumem fariam às coisas que a Margarida Rebelo Pinto escreve. Aquilo é tão fácil de digerir que os livros da senhora se traduziriam em apenas uma frase. Por exemplo:


Sei Lá – Gosto de gajos mas não faço ideia do que é uma relação estável.

Não há coincidências – Gosto de gajos mas não faço a mínima ideia do que é ter uma relação estável e excitante.

Alma de Pássaro – Gosto de gajos.

Artista de Circo – Gosto de gajos do circo e com uma elasticidade fora do normal.

I’m in Love with a Popstar – Gosto de gajos desde que cantem.

Nazarenas e Matrioskas – Gosto de gajos e não tenho jeitinho nenhum para arranjar títulos para os meus livros.

Pessoas como Nós – Gosto de gajos normais (à falta de melhor).

Diário da Tua Ausência – Gosto de tudo o que mexa.


Estão a ver? Já leram oito obras da Margarida Rebelo Pinto em apenas 10 segundos. E agora podem dedicar os vossos próximos 5 minutos a ler todas as obras escritas nos últimos dez anos por tias encalhadas com a ilusão vertiginosa que são escritoras. Não haja dúvida que as versões digest são úteis à brava.

domingo, maio 14, 2006

A Razão em Privado

privado
Escrever não é uma coisa de que nos envergonhemos, mas devemo-lo fazer em privado e lavar as mãos depois.

Robert Heinlein