sexta-feira, fevereiro 24, 2006

A Razão do Reality Show

reality shows
Há uns tempos atrás o Zé Maria, aquela alma simples do Big Brother, tentou suicidar-se, depois de ter estoirado o dinheiro que ganhou no concurso em projectos falhados.
Marco, o neanderthal do pontapé maravilha do Big Brother, foi detido pela polícia no ano passado, acusado por um camionista de agressão selvática e persistente numa fila de trânsito.
A semana passada li que o Mário, o loiro burro do Big Brother, foi preso pela judiciária, acusado de liderar um gang responsável por assaltos à mão armada na zona do Porto.
A julgar pelos exemplos acima, os reality shows serão largamente responsáveis por toda uma geração de anormais desajustados e destrambelhados, com a mania das grandezas e do sucesso fácil. Não falo só dos anormais que por lá pululam, mas também dos anormais que diariamente enchem as audiências deste tipo de programas.
Parece-me óbvio que os reality shows dão cabo da vida pública dos seus participantes, que consequentemente passam a lidar muito mal com isso nas suas vidas privadas. Ora se assim é, porque não assumir as coisas frontalmente e criar programas que arrebentam com a vida dos gajos logo ali em directo, à vista de toda a gente, em vez dos abandonar à sua sorte no fim de cada programa? Seria infinitamente mais honesto do que acontece agora. E geraria muito mais audiência.
Foi a pensar nisto que elaborei algumas ideias passíveis de serem utilizadas pelo Piet Hein, free of charge, nos seus futuros lixos televisivos:

O Atol
Um grupo de labregos é colocado num atol de Mururoa. São formadas equipas de dois elementos e a cada indivíduo é dado um componente de uma bomba nuclear de potência desconhecida. Cada elemento da equipa é colocado num ponto do atol, bem distante do seu companheiro de equipa. O objectivo é encontrarem-se o mais rapidamente possível, juntando os componentes da bomba e accionando o dispositivo. Vence quem conseguir destruir o atol primeiro. Prémio de 100.000 euros para os primeiros, que será doado à TVI se os participantes não se apresentarem nos escritórios do Piet Hein duas horas depois de finalizada a prova.

A Tribo
Um grupo de quarentonas encalhadas é largado na selva ardente à mercê de uma tribo de somalis devidamente untadinhos e com a testosterona alterada quimicamente de modo a não pensarem noutra coisa que não seja a sodomia brutal e persistente.
Ao fim de três meses as quarentonas serão recolhidas e a vencedora será aquela que ostentar um caminhar mais esquisito.

A Catapulta
Um reality show com anões, cavalos pentapérnicos, e mulheres desnudas, que tem características próximas do triatlo olímpico.
Os anões são inicialmente catapultados para dentro de campos de minas, que terão que atravessar até chegar aos cavalos pentapérnicos. Os que sobreviverem à queda e às minas terão que cavalgar 20 km num campo de urtigas e espinhos, agarrados à quinta perna do cavalo. Os que conseguirem transpôr a segunda fase da prova serão de novo catapultados para o campo de minas. As mulheres desnudas na realidade não existem, e são apenas um motivo para dar cabo dos anões. O anão que sobreviver estará automaticamente apurado para «O Atol».

O Cartoon
Destinado a toda essa malta com talento para o desenho que anda por aí. Doze cartoonistas são fechados numa sala blindada com um fundamentalista islâmico que, embora ninguém saiba porque não se vê, está atestadinho de explosivos na zona rectal. Os cartoonistas têm que desenhar temas religiosos alusivos ao Ramadão. Quem conseguir fazer explodir o árabe ganha umas próteses biónicas (último modelo) para os bracinhos.

A Repartição
Reality show que simula o interior de uma repartição pública. A cada um dos quinze participantes é facultado: uma máquina de escrever Remington de 1916, trinta resmas de papel pautado, cinco resmas de papel químico, uma caixa de lexotans. Vence quem conseguir levar mais tempo a deferir um processo. O premiado será catapultado para o campo de minas dos anões. Os restantes irão servir de figurantes em «O Atol».


quinta-feira, fevereiro 23, 2006

A Razão em Massa

massas
Na minha opinião, aquilo que caracterizou o século passado foi sem dúvida a comunicação de massas. Fazer chegar a mensagem às massas desiquilibrou claramente a ordem natural das coisas estabelecida até então, e contribuiu para avanços sociais e económicos, no mínimo, consideráveis. Também contribuiu para que a merda se espalhasse mais depressa e de um modo mais contundente, mas isso é outra história.
O sucesso dos jornais, da rádio, da televisão e mais recentemente da internet e, dentro desta, o sucesso dos blogs, deve-se a esta progressão geométrica do fenómeno de comunicação de massas. A tal ponto que o fenómeno está banalizado: os jornais abrem falência, há muito que as rádios perderam a sua pujança, há em Portugal cerca de 500 canais de televisão, e no que toca à internet, qualquer labrego faz um blog e diz os disparates que lhe apetecer (na maior parte das vezes copia os disparates de outros).
É preciso então criar um novo paradigma para além da comunicação de massas. Não há pachorra para aturar as opiniões do fusili. Já se tornou insuportável ler as crónicas do tortelini. Os devaneios hipócritas do tagliateli são merecedores de uma tribo de somalis. As picardias infantis entre o fetuccini e o linguini já não têm o mínimo interesse (nunca tiveram, aliás). O rigatoni tem a mania que é poeta e só escreve merda. O penne é um rebarbado que só fala de sexo. O conchiglie gosta à brava de dar conselhos bacocos que nem ele próprio segue. O ravioli tem uma cultura musical vergonhosa e além disso cheira mal da boca. Pim. O capeletti saca diariamente daquelas piadas requentadas com cheiro a mofo, capazes de levar ao rubro um lar de velhotes a soro. O farfale com os seus problemas existenciais crónicos e maçadores. O tortiglioni a dar a entender que é gay, à pesca, a ver se lhe cai alguma coisa na rede. E até a massa crítica como o esparguete ou o macarrão já não tem nada de novo para dizer. A comunicação de massas é uma verdadeira seca sem interesse nenhum. Um deserto intelectual já que, como alguém dizia, as massas não pensam.

Sugiro um novo paradigma: a comunicação de sushis. Fresquinha todos os dias. Cheia de estilo. Bonita à brava. E indubitavelmente mais saudável que a comunicação de massas. Com pauzinhos e tudo.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

A Razão do Grilo Falante

grilo falante
Da série «histórias mal contadas» temos o Pinóquio: a história de um velho pedófilo de nome Gepeto que, numa altura em que ainda não existiam bonecos insufláveis com orifícios em pontos-chave, decide fazer um menino de pau para dar largas à sua perversão. Não vamos aqui discutir a matéria-prima escolhida pelo velho, podia ter escolhido silicone, esponja ou outro material, mas escolheu madeira e o gajo é que sabe, e isso agora não interessa nada.
Um belo dia, sem mais nem porquê, o menino de pau feito ganhou consciência. Desatou a falar que nem uma criança normal, e a fazer as barbaridades que as crianças normais fazem, com uma particularidade curiosa: sempre que dizia mentiras crescia-lhe o nariz. Até aqui não há nada de novo, tirando aquela referência semi-fálica do nariz, que também não interessa nada para este post.
O que realmente interessa aqui é a personagem que se torna amiga do menino de pau feito: um grilo. Um grilo falante capaz de enervar a criatura mais plácida. Um insecto que partia constantemente a cabeça do menino de pau feito, dizendo-lhe o que devia e o que não devia fazer. Uma espécie de Marques Mendes a chatear a bancada socialista por dá cá aquela palha. Todos nós temos este maldito grilo a chatear-nos diariamente. Mas há alguns de nós que dão uma utilização criativa ao grilo – é o caso de Ernesto Guevara que tinha um grilo que lhe dizia para ir dar uma volta pela América Latina; é o caso de Richard Branson, da Virgin, que há anos que tem um grilo a mandar-lhe dar uma volta ao mundo de balão; é o meu caso, que a dada altura tinha um grilo a mandar-me despejar num blog todos os disparates que me vêm diariamente à cabeça.

O que é importante reter aqui é que nem todos os grilos são de qualidade. Há grilos que são perfeitos anormais. Há grilos que não podem, nem devem, ser levados a sério. Mas na maior parte dos casos, os grilos dão-nos boas dicas. Há grilos verdadeiramente geniais. Ouçam o vosso grilo.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

A Razão da Síndrome de Tourette

tourette
A síndrome de Tourette é um distúrbio neurológico herdado geneticamente e que se manifesta de duas maneiras: através de tiques corporais tais como movimentos súbitos com a cabeça, ou com todo o corpo como se tivéssemos metido o dedo na ficha, caretas esquisitas, piscar de olhos aleatório e involuntário; ou ainda de uma forma mais sonora, emitindo descontroladamente sons vocais incompreensíveis, algumas vezes na forma de grito, de grunhido, de latido, ou de riso involuntário. Nas manifestações mais radicais da doença, os afectados com Tourette soltam violentos palavrões sem que tenham a capacidade de auto-controlo. Aquilo sai-lhes e pronto.
Eu sempre achei que havia alguma coisa de errado com a malta do Norte. A sua capacidade de encastrar palavrões no meio de um discurso normal sempre me surpreendeu. Achei até que era uma arte. Não é fácil debitar facilmente um chorrilho de palavrões numa única frase e conseguir que esta continue a ter sentido. Inexplicavelmente a malta do Porto sempre o conseguiu fazer sem aparentar qualquer esforço. Só hoje é que percebi porquê.

Mas não se pense que só no Norte do país é que a malta sofre da síndrome de Tourette. É certo que lá é mais grave (muito mais grave, aliás) mas no resto de Portugal ninguém está imune à doença, havendo uma situação em particular, onde os casos mais leves revelam a doença em todo o seu esplendor: ao volante de um automóvel. A maneira mais rápida e menos onerosa de perceberem se padecem de Tourette é conduzirem um carro. E aí, meus amigos, é que nós vemos a gravidade da situação em todo o território nacional.


Nota: Em resposta às dezenas de e.mails que tenho recebido, venho confirmar que o senhor da foto é, de facto, o estreptococo do Saramago.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

A Razão da Gripe das Árvores

arvores

Porque foi recentemente detectado um caso mesmo aqui ao lado, na vizinha Espanha, convém sempre lembrar:

A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu hoje um comunicado a alertar para o risco de uma nova pandemia designada por «gripe das árvores». Embora ainda não existam casos de contaminação de humanos a OMS alerta para o risco do vírus sofrer mutações rápidas que possam vir a ser prejudiciais para a saúde humana. Os primeiros focos de infecção de árvores surgiram na região de Tugunska, na Sibéria há 2 semanas atrás, tendo sido detectados novos casos esta semana na região de Innsbruck, na Áustria. A OMS acredita que com os movimentos migratórios das árvores, o risco se possa alargar a toda a Europa Ocidental no espaço de um mês.
A OMS alerta ainda para o facto do vírus se desenvolver a velocidades diferentes de espécie para espécie de árvore, havendo potencialmente árvores mais perigosas que outras. A estirpe mais letal parece ter-se desenvolvido no Carvalho, tomando a designação de «gripe do carvalho» mas existem outras espécies igualmente perigosas.
Portugal é, segundo a OMS, o país europeu melhor preparado para enfrentar a gripe das árvores, não porque tenha aprisionado vacinação suficiente para a sua população, mas porque tem paulatinamente dizimado pelo fogo a sua população de árvores nos últimos 10 anos. Só em 2005 arderam 300.000 hectares de árvores de variadas espécies, correspondendo a 25% do total de área ardida na Europa do Sul.
A Direcção Geral de Saúde (DGS) já emitiu uma circular a desdramatizar a situação, afirmando que o risco da gripe das árvores entrar em território português é mínimo, e embora estime que 6.000 portugueses possam vir a ser vítimas de quedas de árvores durante 2006, nada disso estará directamente relacionado com o vírus.
A DGS publicou entretanto no seu site uma lista de árvores que poderão constituír maior risco para a saúde pública e com as quais deveremos tomar precauções:

Carvalho – por poder conter a estirpe mais perigosa do vírus. Se virem um carvalho rouco ou com uma leve espectoração queiram reportar às autoridades locais.

Eucalipto – apresenta um risco elevado de contágio. Os sintomas do virus são visiveis a olho nú, apresentando o eucalipto um tom esverdeado e escarrando copiosamente. Se o escarro fôr verde reportem às autoridades locais.

Pinheiro Manso – apresenta um risco nada manso e é a árvore com movimentos migratórios mais rápidos, podendo deslocar-se a uma velocidade de 2,5mm por hora. Se depararem com um pinheiro manso a lacrimejar seiva e a praguejar, informem as autoridades locais.

Sobreiro Alentejano – embora se mova muito muito devagar o risco de contágio é elevado, principalmente nas árvores que já foram descascadas. Os sintomas de contágio assumem a forma de arroto prolongado e de comichão nas partes baixas. Se detectarem um sobreiro a alucinar de comichão, reportem às autoridades locais.

Como não houve aprovisionamento de vacinas que cobrissem o total da população, a DGS recomenda a utilização da posologia tradicional, tendo colocado bidons de gasolina e serras mecânicas à disposição de todos os portugueses.

Publicado originalmente em 20 de Outubro de 2005.

A Razão dos Surfistas

surf
Ontem passei por São Torpes. Estava um sol brilhante, uma ventania alucinante, e o mar presenteava-nos com uma magnífica tempestade, daquelas que produzem ondas acima dos quatro metros. Num dia normal aquela praia estaria cheia de surfistas, a boiar em cima das suas pranchas, à espera daquela onde que nunca vem. Mas ontem não. Não havia sinal de surfistas. Ontem, que havia ondas consideráveis, os surfistas ficaram em casa. O que prova a minha teoria de que o surf não é um desporto mas apenas um grupo de labregos amaricados que gosta de exibir as suas long boards com desenhos munta malukos e as suas namoradas, normalmente umas boazonas acéfalas, que conseguem estar uma tarde inteira a olhar para o namorado a boiar, sem que os seus dois neurónios sejam capazes de se encontrar e provocar uma sinapse.
Na altura em que se deviam colocar em cima da prancha e apanhar ondas à séria os surfistas pegam na trouxa e bazam. Vão para o bar mais próximo falar da onda que nunca vem. Aquela onda. Aquela merda que parece uma auto-estrada de 6 vias, que um dia há-de vir e que eles hão-de galgar, se não estiverem no bar da praia e emborcar cervejas, a ganhar coragem para meter os testículos na água.
Daqui por uns dias, quando a tempestade passar e São Torpes voltar a ter aquelas ondinhas de merda, lá hão-de estar os labregos dos surfistas, a boiar que nem morsas, depois de terem realizado aqueles rituais bacocos antes de entrar na água, com aquele olhar estudado diariamente ao espelho, a fingir que olham para o infinito, e a simular que têm um pensamento mais profundo que a quilha da sua long board. Maricões de merda, é o que é...

domingo, fevereiro 19, 2006

A Razão na Estrada

estrada

Já repararam, quando estão a conduzir, que qualquer condutor que ande mais devagar que vocês é uma abrótea? E que qualquer condutor que ande mais rápido que vocês é um javardo assassino?
«Olha só para esta abrótea!» [aponta para a direita] «Olha para aquilo! Lesma do caraças!» [olha para a esquerda] «Poooorra!! Olha para a velocidade que aquele javardo leva!»
Digo-vos sinceramente malta: é um milagre como é que ainda chegamos ilesos a qualquer lado com todos essas abróteas e javardos à solta na estrada. É que ninguém conduz à mesma velocidade que eu.
Na verdade, eu não deixo ninguém andar à minha velocidade. Se olho para o espelho e vejo um tipo a tentar manter o passo comigo, reduzo. Deixo o palermóide passar e ficar um bocadinho à minha frente, só para o manter debaixo de olho. Gosto de conhecer o estilo de condução de quem anda à minha volta. Aliás, há vezes em que nos sinais vermelhos lhes pergunto há quanto tempo é que têm carta. Nunca é demais sermos cuidadosos.


George Carlin

sábado, fevereiro 18, 2006

A Razão do Escrevedor de Cartas

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Ted L. Nancy tem um hobby peculiar: escreve cartas para as mais diversas entidades a fazer os pedidos mais absurdos e hilariantes. E depois aguarda as respostas. Reza a história que um dia alguém mostrou as cartas de Ted Nancy ao Jerry Seinfeld e que este, no meio de muita gargalhada, as ajudou a publicar. O livro foi recentemente publicado na nossa novela mexicana e é impossível lê-lo em zonas públicas sem parecermos verdadeiros alucinados.

Têm aqui um cheirinho do que é uma carta de Ted L. Nancy:

Ted L. Nancy
560 no. Moorpark Rd. #236

Thousand Oaks, CA 91360

25 de Novembro de 1995

A/C do Director-Geral
Circo Ringling Brothers
267 South Tamiami Trail

Nokomis, Fla.
34275

Exmos. Senhores,

Eu meço 68 centímetros de altura, peso 30 quilos e actuo como PIP, O GRANDIOSO GUINCHO. Sou capaz de actuar no vosso circo durante cerca de 3 horas seguidas a balançar coisas em cima de mim, a dançar, a fazer imitações e a animar as coisas, de uma forma geral. O meu espectáculo é muito contido. Permaneço numa pequena área, canto, danço, ando de skate, rodopio, balanço, tropeço, páro e recomeço, corro em diferentes direcções e em várias velocidades, travando abruptamente e com derrapagens espectaculares. Este espectáculo dura cerca de duas horas e vinte e cinco minutos. Sou capaz de levantar mais de 35 quilos dobrado.

Levanto uma mulher de 45 quilos nas minhas costas (saída da audiência). Baralho cartas, danço, conto histórias, equilibro uma laranja na testa e estou duas horas e vinte e cinco minutos sem parar. Sou capaz de partir este espectáculo em pedaços de três minutos para o adaptar a eventos de menor duração. No entanto, com o espectáculo completo, ofereço cinco minutos extra. As crianças adoram-me!

Cobro 550 dólares, o que inclui as minhas vinte mudanças de vestimenta. Costumo trazer um pequeno biombo atrás do qual troco de roupa, saltando detrás dele e continuando a actuar. Se o biombo estiver bem posicionado, ninguém consegue ver-me mudar de roupa. As pessoas adoram-me!

Gostaria muito de actuar no Circo Ringling Brothers. Admiro o vosso circo desde há muito tempo e adoraria fazer parte dele. O público tem afluído de toda a parte, desde a Europa às Bahamas, ao Canadá e a Tonga, para assistir ao meu espectáculo. Sou realmente um animador. Estico-me, grito, faço flexões, chamo nomes, levanto um homem qualquer do público e ando à roda com ele. Murmuro. Ladro.

Por favor, digam-me como me posso candidatar ao Circo Ringling Brothers. Enviem-me os formulários e dirijam-me para a pessoa certa. Obrigado. Posso ser contactado na morada acima. Obrigado.


Ted L. Nancy
Pip, o Grandioso Guincho


Resposta do Circo a 23 de Fevereiro de 1996:


Caro Mr. Nancy:

Obrigado pelo seu interesse em actuar em «o melhor espectáculo do planeta». Apreciamos o seu interesse e estamos sempre à procura de novos talentos. Agradecíamos que nos enviasse um vídeo do seu espectáculo para que o pudéssemos avaliar. Se puder, faça-o com alguma urgência. Estamos a preparar agora o espectáculo dos próximos anos.

Obrigado por considerar o Circo Ringling Brothers e Barnum e Bailey.
Com os nossos melhores cumprimentos


Jim Ragona
Coordenador de talentos e produção


In, Cartas de um Louco, de Ted L. Nancy

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A Razão Encriptada

encriptada
私がことそれらがそこになかった、普通捕獲物修理した昨日の日の半分の
1 つ小さい農場で。私は結合しなかった、それらがリターンを与えることを行ったことが、そして後で戻ることが私は分った。しかしない。渡される時間および何 も。それらの信号。私はベッドの家の内部の鋸のそれらを下に見るに、それの戸棚のの中でカーテンの後ろで、掘る向かった。何も。私は競技場で上がる親指の 待ち時間に、戦っているテレビ及び鋸2 の道化師を選挙それ区切る。絶対確実性の彼らがそこにいなかったこと。私は家を去る為に終わり、前部の庭の歩行を取るために、そこに着席させたハトへの食 糧の弾力性への銀行の1 つでそれらのためのそれがあることができる。しかしハトあった。私は通りをたどって行き、車でつかまえた。私は方針及び病院の艦隊のための携帯電話のよい 組の側面を神経質に見る都市のための時間を間、同時に、それ区切る導く。私がのために結合するために着いたまで。だれも彼らが歩いた考えを作らなかった。時の間それに交差の後の一見のそれら見られた私があったようである。しかしな い、誤報。私があきらめることのために終えた既に夜内部- おそらくそれらは週末の先に、私考えたあった。そしてこれについて考えて私は理由のないこの時間の週の最後のポストを、出版した。
Agora desenrasquem-se. E bom fim de semana.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

A Razão dos Sonhos

sonhar
É impressionante a capacidade que os mamíferos têm de inventar maneiras de enganar e sacar dinheiro a outros mamíferos. Um desses esquemas manhosos é a «interpretação de sonhos».
Basta abrir um «dicionário de sonhos» para percebermos que estamos a ser gozados: as temáticas dos sonhos estão ali todas alinhadas alfabeticamente para poderem ser rapidamente consultadas, e cada um dos temas tem uma breve explicação do seu significado.
Deixem-me dar-vos um exemplo retirado daqui:

Sonhar com Ânus
Você não deve acreditar em amigos do sexo oposto, pois poderão colocá-lo em sérias dificuldades, através de mexericos e intrigas no seu ambiente de trabalho.

Impressionante han? Por aqui vemos que há gente que sonha com olhos do cu, o que não deixa de ser muito esquisito e passível de internamento numa clínica psiquiátrica somali. Mas mais interessante que o tema do sonho é a sua explicação. O que é que tem o cu a ver com as calças? Ou melhor, o que é que tem o olho do cu a ver com a malta amiga do sexo oposto? E porque raio é que esta malta me há-de vir a chatear no meu local de emprego? E será que isso me impedirá de sair a horas?
Pessoalmente acho duvidoso que sonhar com uma coisa específica possa ter sempre o mesmo significado independentemente de quem a sonha: sonhar com as mamas da Marisa Cruz terá sempre o mesmo significado independentemente se formos um operador de ordenha mecânica em Tobursk ou um apanhador de grelos mediterrânicos na Córsega? Tenho dúvidas. Deverá haver alguma contaminação cultural nos sonhos, não? Ou querem dizer-me que sonhar que se está afagar gentilmente os glúteos de uma égua que relincha em grego antigo significa o mesmo para um beduíno do que para o João Moura? Tenham juízo...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

A Razão do Bestial e da Besta

dean
Há gajos que são endeusados só porque não tiveram tempo de fazer merda enquanto estiveram vivos. O facto de terem morrido jovens deixa-os assim num estado de glória suspensa que resiste ao tempo. Os que continuam a viver, e vão envelhecendo calmamente, não têm essa sorte, e estão condenados a passar de bestiais a bestas e vice versa, num ciclo contínuo até ao fim da sua mais ou menos longa vida. Não acho isto justo. Acho que devíamos abater a malta no seu auge e transformar esta choldra num mundo de semi-deuses quase perfeitos. O problema estaria em identificar aquele ponto em que a partir dali seria sempre a descer. O Travolta, por exemplo, já não faria o Pulp Fiction e ficaria sempre lembrado como um dançarino gay. O Mário Soares já não voltaria a candidatar-se. O Ricardo já não jogaria na selecção. O Herman não faria talk shows. E o Marques Mendes não teria saído da mesa de matraquilhos.
Pensando bem isto não é uma boa ideia. Acho que precisamos de passar de bestiais a bestas de vez em quando, só para nos lembrarmos que as coisas não nos caem do céu (tirando os asteróides, e os aviões da Air Morocco, é claro).

terça-feira, fevereiro 14, 2006

A Razão do Código Morse

morse

Antes dos e.mails, antes dos telemóveis, antes dos satélites, antes dos telefones fixos, e mais ou menos na altura dos sinais de fumo, houve um tipo, o Samuel, que achava que devia de haver uma maneira de se poder comunicar instantaneamente em grandes distâncias. E inventou uma coisa chamada telégrafo, que funcionava com um software chamado código Morse: uma coisa realmente básica mas igualmente eficaz que consistia em pequenos impulsos eléctricos transmitidos por fio, e que replicava o alfabeto ocidental de A a Z. Por essas e por outras é que os árabes e os orientais sempre tiveram dificuldade em comunicar-se a longas distâncias.
Atribuindo pontos e letras a palavras específicas do alfabeto, o Samuel Morse lá conseguiu que um tipo num ponto do mundo se pudesse comunicar com outro tipo no lado oposto. Estava criado o percursor dos sms.
Eu sempre achei alguma graça ao Código Morse e desconfio que no início aquilo não tivesse sido fácil para quem utilizava o sistema. Uma coisa que sempre me fez confusão é como se distinguia um ponto de um traço – dizem-me que o traço era constituído por duas batidas rápidas e um ponto por uma batida apenas, mas como distinguir os espaços entre palavras? Como é que os gajos sabiam que aquele ponto não pertencia à palavra seguinte? Ou que era apenas um ponto final? E como se punham os acentos nas palavras? Devia haver imensa confusão entre o cágado e o cagado.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

A Razão da Inutilidade

sudoku
Há actividades humanas estupidamente inúteis. Há seres humanos que são pagos para as inventar. E há outros seres humanos suficientemente estúpidos para pagar por estas invenções cuja função consiste simplesmente em mantê-los em vida suspensa, alheados de tudo e de todos. A última destas invenções que promovem a actividade inútil é o Sudoku. A progressão do Sudoku neste país, e em todo o mundo, é a prova cabal que a malta anda realmente à procura de algo que os aliene. Tenho dificuldade em perceber os gajos e gajas que bovinamente se viciam em Sudoku. Qual é o interesse daquela malta em alinhar, nos seus tempos livres, números na vertical e na horizontal. Não é melhor mandar umas quecas? Viajar para qualquer lado? Ter uma conversa estimulante com alguém? Ou mesmo mandar um par de lambadas no vizinho? Será que os gajos acham que os seus netinhos se vão impressionar quando disserem «o avô ganhou o campeonato nacional de Sudoku em 2006»? O mais provável é que o puto fique a pensar que o avô era o maior sodomita nacional daquele ano remoto...
Conseguem imaginar-se no fim da vossa vida e pensar que perderam dias, meses, em torno de uma actividade que não vos tornou melhores como seres humanos? Conseguem? Eu também consigo, mas não será a jogar Sudoku, garanto-vos.

domingo, fevereiro 12, 2006

A Razão da Beleza Artificial

beleza
Acho que não é justo que as mulheres feias possam fazer operações plásticas e ficarem com bom aspecto. Se alguém nasce feio, devia ficar assim. E mais nada. Não acho bem que as pessoas possam melhorar o seu aspecto. É arrepiante pensar que, um dia, podemos estar na cama com uma mulher qualquer que engatámos só porque achámos que era linda e, lá no fundo, ela ser feia como os cornos. Pode ter mudado o nariz, os lábios, os olhos, pode ter sido esticada, alisada e lipoaspirada. E o cirurgião pode ter feito um rico trabalho (sem exageros) e agora ela está um espanto. Mas lá no fundo, é horrenda e a verdade é que estás na cama com uma aventesma. Alguém a quem nem sequer pedias para te trocar um dólar se pudesses ver como é realmente.
Não está certo. A feiúra devia ser uma coisa permanente.



George Carlin

sábado, fevereiro 11, 2006

A Razão da Dança da Chuva

dancadachuva
Quando penso na dança da chuva que os índios tinham a mania de fazer, pergunto-me se eles algumas vezes praticavam. Não era lógico que praticassem a dança antes de decidirem fazer a coisa à séria? Só para terem a certeza de que estavam a dar os passos certos na ordem certa? É muito provável que de vez em quando aparecessem tipos novos que nunca tinham dançado aquilo; é também provável que o mestre de dança quisesse experimentar passos novos. Existe um sem número de motivos para que os índios jogassem pelo seguro e primeiro praticassem a dança da chuva.
A minha questão é: se eles estivessem a praticar e a chuva não desatasse a caír imediatamente, como é que eles saberiam que estavam a dançar bem? Se o estivessem deveria chover, não? Ou será que os índios achavam que o deus da chuva percebia que aquilo era só um treino e aguardava pela dança à séria?
Mas também se desatasse a chover durante os treinos porque não acabar com a dança da chuva? Bastava treinar e pronto.
Foi este tipo de pensamento que levou a que me separassem dos outros miúdos na escola.

George Carlin

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A Razão do Turista Japonês

turistajapones
Só há uma coisinha pior que portugueses em férias. São os japoneses em férias. Já alguma vez se cruzaram com um grupo de turistas japoneses? Não parecem todos o mesmo japonês clonado até à quinta casa? Com aquele sorrisinho estúpido, dentes de coelho e óculos redondos, e de máquina fotográfica digital à volta do pescoço a tentar fotografar tudo à volta num raio de 2 metros e a curvar-se repetidamente para a frente como se o tronco tivesse vida própria e insistisse em manter-se na horizontal?
É enervante olhar para um grupo de turistas japoneses. Parecem lemmings. Não conseguem andar sozinhos. Aliás, têm um pavor de morte em andar sozinhos. Um japonês só vai de férias quando consegue assegurar, junto da sua agência de viagens, que com ele vão pelos menos 150 gajos. E depois lá vão eles todos juntos para todo o lado a sorrir com aquele ar de trissomia 21, a soltar pequenos gritinhos de entusiasmo.
Não queiram fazer férias em destinos povoados por japoneses. Estão a ver a piscina do resort? Quando um japonês decide ir tomar banho na piscina é seguido por todos os outros, de câmaras à prova de água ao pescoço, tornando a piscina numa espécie de pires de aletria, amarelo e pastoso. Quando um japonês decide aprender a mergulhar com garrafas o melhor é esquecermos o curso de mergulho e voltar 3 meses depois, altura em que o último japonês do grupo acabou de fazer o dito curso.
Para quem quiser enriquecer no Japão à conta destes lemmings deixo uma dica: vão para lá vender espelhos de bolso. Chamem-lhes de kit de viagem. Assim quando um japonês se perder do seu grupo de férias pode sempre sacar do seu espelho, apontar para si, e sentir-se reconfortantemente acompanhado. Sucesso garantido. Que povo de babacas...

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Razões Felinas

felinas
Os gatos têm uma característica que eu acho admirável: a impunidade. Quando um gato comete um erro ele normalmente não se sente responsável nem mostra embaraço. Se um gato faz uma coisa realmente estúpida, como saltar para cima de uma mesa e aterrar em cima de quatro chávenas de café, ele consegue dar aquele ar de que tudo aquilo é rotineiro. Os cães não são assim. Se um cão derruba um candeeiro nós conseguimos perceber quem foi só olhando para o cão; e ele fica com aquele ar comprometido e envergonhado. O gato não. Quando um gato parte qualquer coisa, dirige-se calma e calidamente para a sua próxima actividade.
«O que é que foi? O candeeiro? Não fui eu. Vão-se lixar, sou um gato! Há alguma coisa partida? Perguntem ao cão.»

George Carlin

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

A Razão do Choque Tecnológico

choquetecnologico
Está na moda falar em «choque tecnológico», uma das medidas mais mediatizadas do Governo desta telenovela mexicana, e que parece ser a cura para todos os males do país. Assim de repente, com Bill Gates à mistura, parece que Portugal voltou a ser um país próspero e importante com esta história do «choque tecnológico». Os media rejubilam com a expressão «choque», sugerindo-lhes alguma coisa impactante e rimbombante, digna de um qualquer noticiário. Eu continuo chocado com tudo isto porque me parece, mais uma vez, que estamos a ser engrupidos com conceitos, no mínimo, vagos. Principalmente porque sempre ouvi dizer que Portugal era um país que adoptava e implementava a um ritmo muito rápido tudo o que era nova tecnologia: a Via Verde por exemplo, onde somos pioneiros no mundo; o sistema de Multibanco, outro exemplo, onde somos o país mais avançado do mundo na aplicação de um sistema de informação interbancário; o telemóvel pré-pago, outra invenção portuguesa que revolucionou o mundo dos telemóveis em todo o mundo e que hoje em dia é o sistema mais utilizado no planeta.
Por sermos tão avançadinhos tecnologicamente é que esta converseta não me faz sentido nenhum. A não ser que quando falemos em «choque tecnológico» estejamos a falar de coisas mais pragmáticas do tipo: destruir à paulada todos os computadores do país; enfiar (com uma relativa violência) a cabeça do Sócrates, e já agora de todos os membros do executivo, num ecran plasma de última geração; atestar a força destrutiva de um laptop quando arremessado a uma velocidade superior a 20 km/h na direcção de umas gengivas desprotegidas. Isso sim, seria um choque tecnológico. Não teria grande interesse, é verdade, mas ao menos não seria um conceito vazio onde tudo cabe.
Continuo a achar que o nosso Desgoverno está equivocado. Preferiria ver o mesmo entusiasmo bacoco e provinciano aplicado a um «choque económico», ou a um «choque social», ou a um «choque ético», ou mesmo um «choque de civilidade». Eu por mim começava por estes dois últimos e logo me preocupava com o «choque tecnológico» mais tarde. O que este país precisa mesmo é de uns electrochoques.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

A Razão Muçulmana

muslimdrawings
Desde que os dinamarqueses fizeram umas caricaturas de Maomé que os muçulmanos andam armados em alarves a destruír embaixadas por todo o mundo árabe. Na Turquia, esse país a resvalar perigosamente para a União Europeia, acabaram de matar um padre à conta de uma dúzia de rabiscos nórdicos. Para um ocidental parece um bocadinho excessivo, este protesto muçulmano...
Isto leva-me a pensar na violência latente do mundo árabe, no apedrejamento de mulheres, nas execuções públicas, nas chibatadas também elas públicas. Não acho normal esta violência e não concordo que esta tenha origem na religião, ou no Corão, se quiserem. O Corão pode ser culpado de muita coisa, mas não o é da violência compulsiva do fundamentalismo islâmico. Na minha opinião o problema disto tudo é da poligamia.
Já viram bem o que aqueles gajos sofrem diariamente? Façam as contas comigo: aquela malta tem mais de uma mulher, na pior (ou melhor) das hipóteses têm duas mulheres. O mais vulgar é terem umas cinco ou seis. Estão a imaginar o que é aturar 6 mamíferos diariamente? 6 gajas a chatear-vos a cabeça diariamente, cada uma com o seu lote de filhos babosos e choramingões, e com as suas crises de TPM a PARTIR-VOS CIRURGICAMENTE A CAROLA numa base diária? Imaginem o que vocês passam diariamente e agora multipliquem por seis, ou por sete, ou por vinte! Conseguem imaginar o estado de nervos em que vocês viveriam? Qual era a maneira que vocês teriam de lidar com esta questão? É claro que tinham que saír de casa e extravasar: punham bombas à volta da cintura e iam ao centro comercial mais próximo; iam dar porrada nos vizinhos isrealitas; e em dias mais complicados É CLARO QUE SE CHATEAVAM COM A MERDA DOS CARTOONS!! Até se chateavam com a falta dos cartoons, se fosse caso disso.
Portanto antes de criticarem gratuitamente estes protestos anti-cartoon pensem no que estes desgraçados penam diariamente. Ponham-se nos sapatos deles. E depois digam-me se também não iam arrear na malta do consulado mais próximo.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

A Razão do Tempo

tempo
Tempo. O conceito mais abstracto e mais estúpido da nossa sociedade. Uns têm falta dele. Outros gostam de o fazer. Outros ainda ocupam-no para o gastar. Há quem peça tempo; há quem tenha tempo; há quem dê tempo; há quem perca tempo; há quem o ganhe e o desperdice. Quando falamos em tempo olhamos invariavelmente para um dos pulsos, ou à nossa volta para um qualquer dispositivo que tem por função dizer-nos em que fase dele estamos. Por ele e nele corremos, por causa dele nos enervamos e perdemos a paciência, e sem ele ficamos perdidos.
A todos aqueles que vieram aqui com ou sem tempo, na esperança de gastar tempo ou de passar um tempo agradável, digo-vos apenas que não houve tempo de pensar com tempo no post de hoje. Dêem-me mais um tempo.

domingo, fevereiro 05, 2006

A Razão dos Dez Mais Procurados

10MP
Há coisas que me fazem espécie na lista dos Dez Mais Procurados do FBI. Quando apanham um gajo que está na lista, o número onze sobe um lugar e passa a estar também na lista? E isto conta como uma promoção? Será que o tipo liga aos seus amigos criminosos e diz: «Consegui Bruno! Finalmente estou na lista»?
Então e quando aparece um tipo extremamente perigoso e têm de o pôr no primeiro lugar da lista? (Chamem a isto «entrada directa para o topo da tabela» se quiserem.) Os outros têm todos de descer um lugar? E não há um tipo que fica de fora? Como é que decidem quem é que vai ficar de fora? É o que está na décima posição? E como é que ele se sente a respeito disso? Não se sentirá menosprezado? Não achará que deviam ter escolhido outro gajo qualquer? Será que já aconteceu o tipo que fica fora da lista matar o que está em primeiro para recuperar o seu lugar?
Uma última pergunta: o FBI esforça-se mais para apanhar o número três do que para apanhar o número sete? Eu esforçava-me. Se não fôr assim, para que é que lhes dão números? É este tipo de pensamento que me impede de progredir na vida.

George Carlin

sábado, fevereiro 04, 2006

A Razão Base

base

ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política do acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?


Eça de Queiroz, 1867

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

A Razão do Terminal

theterminal
Em que sítio encontramos os niveis de QI mais rasteiros do planeta? Se estão a pensar na Assembleia da República andam lá perto mas não acertaram. A resposta certa é: nos aeroportos.
A estupidez que se respira num aeroporto é inigualável, incomparável e irrepreensivelmente insuperável. Se tivesse que alinhar numa folha A4 as coisas mais estúpidas a que já assisti na minha vida, a maioria delas teriam acontecido num aeroporto.
Há um embrutecimento qualquer que reina nos aeroportos e que parece subsistir ao longo do tempo. Começando pelo preço das coisas dentro de um aeroporto. É tudo irrealmente caro, como se o simples facto de voarmos de um sítio para o outro nos fizesse entrar num transe maléfico qualquer que nos compele a pagar alegremente um café pelo mesmo preço que pagamos uma refeição na tasca da esquina.
E depois há a questão das perguntas quando fazemos o check in:
«Foi você que fez a sua mala»?
Apetece responder: «Claro que não. Que estupidez. Ontem à noite convidei a célula local da Al Qaeda para jantar lá em casa e, em troca de uma refeição quente, obriguei os gajos a fazerem-me a mala.»
«A sua bagagem esteve sempre consigo?»
E nós: «Bem... nem toda. Tenho aí umas cuecas que estão comigo há coisa de dois anos, quando estive no Corte Inglês. As calças já estão comigo há mais tempo, o que poderá constatar pelo aspecto delas. Os peúgos estão comigo há relativamente pouco tempo, comprei-os há dias. Recentes recentes são as camisas. Comprei-as ontem. Quer ver o talão?»
«Algum desconhecido lhe deu alguma coisa para transportar?»
Merecem: «Você acha que eu sou criado de alguém?? Você costuma transportar coisas de gajos que não conhece de lado nenhum? Você tem uma deficiência mental ou tem por hábito fazer perguntas estúpidas? Quer transportar a minha bagagem para algum lado?»
Exasperante.
E depois temos aquela cena do detector de metais. Qualquer dia um gajo tem que passar nú no detector de metais. Eu costumo fazer de propósito e levar as Catterpillar com biqueira de ferro. Alarmes por todo o lado. Os gajos à rasca sem saberem onde está o metal. A fila atrás de mim a engrossar e eles à procura à rasca. E aí eu digo-lhes que tenho implantes metálicos nos calcanhares e eles acreditam. Broncos.
Se há sítio onde um fumador se sente discriminado é nos aeroportos. Não percebo porque não se pode fumar à vontade dentro de um aeroporto – é uma espécie de despressurização antes de entrarmos no avião? É claro que há zonas de fumadores, mas têm sempre um espaço limitado (em Londres parece um curral de gado) e encontram-se sempre povoadas de gajos de aspecto acinzentado a esfumaçar que nem uns alarves, um cigarro atrás do outro. Só de olhar para eles dá vontade de deixar de fumar e engordar que nem um cachalote.
É vulgar ouvirmos uma voz do além a chamar um passageiro que já devia estar no avião e que anda a alucinar algures dentro do free shop do aeroporto – a comprar como se não houvesse amanhã. Será que estes gajos ficam tão entorpecidos dentro de um aeroporto que se esquecem que há centenas de pessoas que não levantam vôo só porque eles gostam de ouvir o barulhinho da máquina do multibanco? Não faço ideia. Mas sou adepto de que em cada aeroporto deveria haver uma tribo somali, devidamente untadinha de pau de cabinda, para sodomizar à bruta (entre cânticos guerreiros da terra deles) os tipos que me fazem perder tempo.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

A Razão do Jardim à Beira Mar Plantado

jardim
Alguém algures levou demasiado a sério esta analogia do «jardim à beira mar plantado». Sabemos bem que os jardins ficam mais viçosos se forem bem adubados. Sabemos bem que um bom adubo é constituído por uma boa dose de esterco. Mas não exageremos! Há demasiado esterco no adubo! Há demasiado adubo no jardim!
Podem parar de adubar, se fazem o obséquio.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

A Razão Semântica

semantica
Para um esquimó não existe a palavra branco. Não é estranho? Um gajo que vive rodeado de branco não ter essa palavra? Na realidade o esquimó não tem a palavra branco porque consegue identificar tantos tipos de branco diferentes que não lhe passa pela cabeça utilizar a designação mais simples.
A mesma coisa acontece aos beduínos em relação ao castanho: a maioria das cores quentes são para eles variantes do castanho, daí que o simples castanho não existe no seu vocabulário.
No caso dos portugueses o fenómeno dá-se com a palavra «político». É que há tantas variantes de bosta...

terça-feira, janeiro 31, 2006

A Razão Cola Cao

colacao
«Aquilo que não me destrói torna-me mais forte». Já leram maior imbecilidade que esta? Isto faz-me pensar que afinal a sabedoria popular não é tão lúcida como nos quer fazer parecer. Imaginem coisas que não nos destroem, do tipo: uma deficiência renal; a espinal medula em gelatina; o cérebro a funcionar só de um lado (com a consequente baba a escorrer de um dos lados da boca); os fémures trituradinhos por um catterpillar desgovernado; a bacia no lado errado das costas; um bocado do vosso baço numa qualquer placa de Petri; a glândula pituitária a latejar desenfreadamente; o intestino a sair-vos pelo anús; e daí por diante. Tudo isto são coisas que não nos destroem, pelo menos no sentido literal da coisa. Mas daí a pensar que isto nos fortalece vai uma distância considerável. Estão a imaginar dizerem para alguém «graças a Deus que amputei a minha perna esquerda a semana passada, há anos que não me sentia tão vigoroso»? Está tudo doido ou quê? Aquilo que não me destrói não só não me torna mais forte como me deixa em muito mau estado. Não nos iludemos. Sejamos lúcidos
.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

A Razão do Entalado

entalado
Cerco de Lisboa. Ano de 1147.
Mal sabia Martim Moniz, a correr alarvemente para a fresta de uma das portas do Castelo de São Jorge (hoje designada por Porta de Martim Moniz), que estava a iniciar uma tradição. Ao morrer entalado na porta do castelo que queria tomar, permitindo assim que os seus companheiros penetrassem nas defesas inimigas, Martim Moniz deu origem a uma das mais antigas tradições nacionais: a tradição do entalado.
Desde esse momento, gerações e gerações de indivíduos entalaram-se alegremente para que outros pudessem safar-se à grande e à portuguesa, neste jardim à beira-mar semeado.
Desde então pouco mudou, à excepção de uma pequena nuance: são cada vez mais os entalados – pouco menos de 10 milhões, para ser mais preciso.

domingo, janeiro 29, 2006

A Razão Pedagógica

pedagogica
Aqui fica uma boa maneira de entreter o vosso filho de quatro anos quando o metem na cama e, ao mesmo tempo, de lhe estimular a imaginação:

«Vim desejar-te boa noite e ajeitar-te os lençóis, Joãozinho. Tiveste um dia em cheio, por isso, trata de dormir bem. E não te esqueças de ter cuidado com o Papão. Lembras-te do que o pai te disse sobre o Papão? De como mata rapazinhos? O que achas Joãozinho, achas que o Papão está aqui escondido no teu quarto? Será que está no armário? Será que vai saltar lá de dentro e matar-te mal eu me vá embora? Pode ser que sim. Nunca se sabe.
Talvez esteja debaixo da cama. Também gosta de se esconder lá. Se calhar vai abrir um buraco no colchão e matar-te. Não deixes que ele te mate Joãozinho. Sabes o que ele faz? Espeta um tubo de metal afiado pelo teu nariz e chupa-te os miolos. E isso dói muito.
Agora, vou apagar a luz e deixar-te sozinho no escuro. E não quero ouvir barulho. Se ouvir algum barulho vindo deste quarto, venho cá e bato-te. Tenta dormir bem. A propósito, o pai viu um monstro a passear no corredor ontem à noite. Tinha um papel na mão com o teu nome escrito. Boa noite.»

George Carlin

sábado, janeiro 28, 2006

A Razão Nua e Crua

nuaecrua
Olá. Somos nós que controlamos as vossas vidas. Nós tomamos as decisões que vos afectam a todos. Não é interessante saber que as pessoas que vos gerem a vida têm a frontalidade para o admitir desta forma? Sofram, palhaços. Sabemos de tudo o que fazem e sabemos para onde vão. Para que acham que servem as câmaras? E os satélites? E os números da Segurança Social? Vocês pertencem-nos. E ninguém pode alterar isso. Recolham assinaturas, façam manifestações, levem processos a tribunal, votem, escrevam cartas a quem quiserem. Não vai adiantar nada. Porque nós controlamos as vossas vidas. E temos planos para vocês. Agora voltem para a cama.

George Carlin

sexta-feira, janeiro 27, 2006

A Razão da Consciência

consciencia
Nos dias que correm fala-se muito em consciência (e nos dias que andam a passo também). Pede-se ao País que tome consciência do período difícil que atravessa. Pede-se às pessoas que ajam em consciência nos momentos considerados decisivos para Portugal. Exige-se que os contribuintes se consciencializem que só pagando mais impostos, mais taxas e mais tachos é que o País poderá, em consciência, saír da crise. Pede-se muita coisa em nome da consciência. E isso está profundamente errado.
Ser consciente em Portugal é um acto de contra-natura. E está historicamente provado: Viriato e o seu grupo de amigos pastores, à calhauzada nos Montes Hermínios contra o exército mais organizado do Mundo, eram conscientes? Não.
Afonso Henriques agiu em consciência quando ficou a dever ao Papa o dinheiro que habilitava Portugal a ser considerado, aos olhos de Deus, um País? Não.
Eram conscientes aqueles gajos que se meteram em casquinhas de noz para irem descobrir novos mundos? Também não.
Foram conscientes os tipos do Corpo Expedicionário que foram combater os alemães na 1ª Guerra Mundial utilizando, por falta de armas, os métodos da calhauzada imortalizados por Viriato? Obviamente que não.

Se nós somos um povo que sempre cresceu à conta de uma bela e imensa dose de inconsciência, porque raio querem agora que sejamos conscientes? Que inconsciência!

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A Razão da Problemática

problemática
Por mais que tentemos não conseguimos dar à nossa existência um carácter simples. É mais forte que nós. Há sempre uma problemática qualquer que acaba por nos deixar lixados. Conseguiríamos viver sem esta problemática? Duvido. A não ser que apreciássemos viver em estado de absoluta felicidade, ostentando o tempo todo aquele sorrisinho esgazeado e estúpido.
Como diz alguém que conheço: «A problemática é aquilo que nos permite identificar se somos felizes – se ela não existisse como é que iríamos saber se o éramos?». E então arranjamos problemáticas para nos irmos entretendo a vida inteira: a problemática do déficit, muito em voga nos dias que correm; a problemática do emprego, outro blockbuster; a problemática da importação das ovas de esturjão e o seu impacto nas políticas autárquicas (esta é marginal, a problemática bem entendido – e por vezes a política autárquica também).
E já repararam na dimensão da problemática? Não se fala no «problema do déficit», fala-se na Problemática, o que sugere que há um conjunto de pequenos e intrincados problemas que tornam qualquer solução numa coisinha verdadeiramente complexa e distante.
Ter um problema é coisa de meninos. Enfrentar uma problemática é uma coisa a sério, sem solução à vista.

Portugal é um país problemático. E isto não é um problema.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

A Razão da Opinião

opiniao
Na sociedade actual o papel da opinião está demasiado valorizado. Ter opinião, hoje em dia, é algo tão necessário como andar vestido. Ir para o emprego em cuecas é a mesma coisa que não ter opinião sobre um assunto qualquer: as pessoas sentem-se despidas e com uma ligeira sensação de frio nas partes baixas (especialmente se estivermos em Janeiro e vivermos na zona da Covilhã, apascentando ovelhas).
Como ninguém se sente à vontade de andar por aí em cuecas (e ainda bem, porque nos poupam um espectáculo verdadeiramente triste na maioria dos casos) toda a gente se sente no dever, e alguns até se sentem no direito, de ter uma opinião e de a esfregar directamente na nossa cara. Voltando à analogia da roupa é como se tirassem as cuecas e as metessem debaixo do nosso nariz. E há cuecas, meus amigos, que não são mesmo flôr que se cheire.
Há alguns anos atrás era raro encontrar alguém com opinião. Os entrevistados na televisão ou não tinham opinião e assumiam-no frontalmente, ou presenteavam-nos com verdadeiras pérolas de sabedoria. Hoje vemos a peixeira do Bolhão exibir com galhardia uma opinião sobre importância dos sons guturais na apanha da ameijoa. E mais incrível: as pessoas ouvem-na!
E depois temos os «opinadores profissionais»: gajos que são pagos para despejar o seu autoclismo intelectual em cima de todos nós. Todos estes gajos me parecem clones do Nuno Rogeiro – o homem que sabe sempre alguma coisa sobre quase tudo.
A profusão de opiniões é tanta que assistimos à categorização da opinião. É como se ter opinião já não bastasse. Tem que se ter uma opinião abalizada, ou uma opinião coerente, ou uma firme opinião, ou uma opinião desinteressada, ou uma opinião controversa, ou vice-versa.
A coisa chegou a um ponto tão ridículo que até as instituíções já têm opinião: a opinião do Governo, a opinião da Comissão de Trabalhadores, a Opinião do Partido, e assim por diante. Ainda ninguém me explicou como é que a opinião institucional é formada: será que é decidida por uns quantos e imposta aos outros de modo coercivo e com requintes de sadismo? Uma coisa é certa – nunca ouvi um funcionário da PT contrariar a opinião da sua empresa, à excepção talvez de um tipo que conheci, que trabalhava na instalação de telefones, e que teve um acidente esquisito (sufocou nos próprios testículos).
Outro fenómeno interessante são os «provocadores de opinião»: quantas vezes não vos pediram a opinião sobre o serviço do hotel onde dormiram? Ou sobre a qualidade de serviço da tripulação do avião onde viajaram? E vocês acham que a vossa opinião alguma vez serviu para alguma coisa? Conseguem imaginar todo o departamento de atendimento da TAP a rir à gargalhada da vossa honesta opinião sobre as sandes congeladas que vos serviram a bordo?
Voltando ao início, acho que a opinião se está a banalizar. Mas isto é só a minha opinião.

terça-feira, janeiro 24, 2006

A Razão da TPM

tpm
Anda toda a gente preocupada com a SIDA, com a Gripe das Aves e com toda a espécie de doenças infecto-contagiosas quando se deviam preocupar com aquilo que é o verdadeiro flagelo da humanidade. Falo obviamente da TPM. Se acabassem com a tensão pré-menstrual o mundo ficaria bem mais seguro. Principalmente nos dias de hoje, onde as mulheres atingem facilmente lugares de poder. Ficou toda a gente contente com o facto da Angela Merkl ter ocupado a liderança na Alemanha: vocês fazem ideia do perigo que constitui a TPM da Angela Merkl e o que isso representa para o futuro da Europa e do Mundo? Certamente que não.
Pertencer-se ao sexo masculino neste início de milénio deveria dar direito a subsídio estatal qualquer, por estarmos mensalmente sujeitos aos efeitos e consequências da TPM. O stress pós-traumático é uma brincadeira de crianças para quem enfrenta mensalmente as manifestações da tensão pré-menstrual: um simples «não», uma simples contrariedade, pode perigar a existência do homem do século XXI. E pensar que tudo começou um século antes com um grupo de gajas a queimarem a sua roupa interior e a extravasarem todos os sintomas da coisa...
O que é a gripe das aves comparada com isto? Porque não se arranja uma vacina para a TPM? Porque não se fala disto nos noticiários? Eu digo-vos porquê: porque elas já tomaram conta disto!

Nota de cariz ciêntífico: a origem da TPM está relacionada com a perda da serotonina, uma substância que regula os estados de humor. Por amor de Deus façam as vossas mulheres felizes! A todo o custo! (mas não abusem no crédito – o país já está endividado quanto baste)

segunda-feira, janeiro 23, 2006

A Razão dos Animais Falantes

animais falantes
«Isso foi no tempo em que os animais falavam».
Quantas vezes já ouviram esta expressão? Pois é. Aparentemente há muito muito tempo atrás os animais tinham a capacidade de falar. Ninguém consegue dizer exactamente qual foi a altura em que eles perderam esta faculdade. Só se sabe que um dia houve um big bang linguístico qualquer e os gajos perderam o pio. O papagaio foi o único que se safou, mas ficou limitado a repetir tudo o que ouvia: uma versão com penas de José Sócrates sempre que se desloca ao estrangeiro.
A cobra com sotaque tripeiro, o papaformigas com sotaque beirão, o jumento que dominava cinco idiomas, e a vaca que recitava Yeats com um sotaque genuinamente irlandês, emudeceram de um dia para o outro. O curioso nesta história toda é que nunca se fala no Homem neste processo de perda da fala.
Parece que o crescimento da espécie humana está correlacionado com este silêncio animal. Até então o Homem nunca teve grandes hipóteses de sobrevivência num mundo de animais falantes. «Olha ali um grupo de cromagnons a quererem lixar o mamute à pedrada» dizia um tigre de Bengala para outro colega deficiente, «tu vai lá ali num instante chamar os nossos amigos rinocerontes». E o outro ia. E os cromagnons lixavam-se.
Quando os animais perderam a fala as coisas complicaram-se de sobremaneira. É que dizer «topa-me ali à direita uma task force de australopitecos» sem poder usar palavras, requeria um poder mímico que nenhum animal estava preparado para usar. Como é que um gajo diz «australopiteco» em mímica? E os animais lixaram-se.

domingo, janeiro 22, 2006

A Razão a Voar

a voar
Acho que as instruções de segurança que as hospedeiras de vôo dão antes da descolagem podiam ser melhoradas de forma significativa se fossem mais honestas e completas. Deviam incluir descrições gráficas acompanhadas por vídeos de animação e imagem real dos efeitos devastadores de um acidente aéreo no corpo humano. Deviam citar exemplos de mutilações. Deviam incluír também descrições detalhadas dos estragos provocados nos pulmões e na pele pelo fogo e pela inalação de fumo, demonstrando que sobreviver ao despenhamento de um avião, muitas vezes, não vale de muito. As pessoas merecem saber a verdade.
E que tal se os anúncios que antecedem o vôo fossem feitos numa cadência mais jovem e descontraída: «Olá. Tudo bem? É assim: estamos quase a levantar vôo, tá? Depois vamos voar uma beca e devemos chegar lá prái a meio da tarde. Pode ser? Daqui a um bocado, morfamos qualquer coisa, bebemos umas bejecas e até podemos ver um filme. Ok? Ah!... e tentem não carregar muito no botão para não nos acordarem. A não ser que aconteça uma cena altamente marada. Yá? Obrigado. Já agora, o comandante diz que é melhor fazerem aquela cena com os cintos.»


sábado, janeiro 21, 2006

A Razão Casapiana

casapia
Fala-se muito sobre o que separa os homens dos rapazes. Eu digo-vos o que separa os homens dos rapazes: são as leis anti-sodomia.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

A Razão do Provérbio (II)

Proverbios II

Há quem defenda que a maneira mais fácil de subir o nível intelectual de um povo consiste em sofisticar aquilo que é considerado ser a sua cultura popular.
A ideia é estupidamente absurda mas dá origem a híbridos hilariantes quando aplicada aos provérbios populares. Vejamos:

«Antes asno que me leve que cavalo que me derrube.»
Terá a seguinte sofisticação:
«É preferível montar um equino híbrido do que ter graves complicações na coluna por montar um equino puro.»

«A pressa é inimiga da perfeição.»
Teria como interpretação elitista:
«Se o fizerdes ninguém vai questionar se o fizesteis como deve de ser.»

«As paredes têm ouvidos» resultaria em «A alvenaria por vezes desenvolve capacidades auditivas».

«Burro velho não aprende línguas» teria uma formulação não muito distante de «Asinino com uma idade acima da média tem uma grande dificuldade em assimilar idiomas estrangeiros».

Para «A fome é o melhor tempero» teremos «Se fizerdes jejum, os alimentos saber-vos-ão substancialmente melhor».

«A necessidade aguça o engenho» ficaria em «Sereis engenheiro se realmente precisardes».

«Da discussão nasce a luz» para «Uma salutar troca de opiniões contribui para baixardes a factura da EDP».

«Mulher doente, mulher para sempre» seria traduzido por «Fêmea com saúde precária apresenta forte tendência para a eternidade».

«Preso por ter cão e preso por não ter» seria substituído por «Encarcerado por estar na posse de um canídeo e encarcerado pela sua manifesta ausência».

«Mais vale tarde do que nunca» mereceria «É preferível o atraso à absoluta ausência».

«Mais vale burro vivo do que sábio morto» seria melhorado para «É preferível possuir um QI reduzido e estar na posse de todas as funções vitais do que possuir uma inteligência assombrosa e não apresentar qualquer batida cardíaca».

Pessoalmente sou apologista da popularização da intelectualidade. Exactamente o contrário do que temos falado neste post. O debate político, por exemplo, seria muito mais vivificante se fosse um pouco mais popular. Em vez do «Olhe que não Doutor, olhe que não...» sou apologista do «Tu vai-ta foder meu ganda caralho e não me contraries, porra!»
Este país precisa de mais vernáculo.



Bónus: Crónicas Negras hoje no De Vagares...

quinta-feira, janeiro 19, 2006

A Razão do Provérbio (I)

Proverbios I

Já repararam que todos os provérbios populares que conhecem foram escritos (ou ditos) antes de vocês terem nascido? Alguém se lembra de algum provérbio popular do ano passado? Não é preocupante? Será que o povo ficou estúpido e deixou de «proverbiar» no momento em que vocês nasceram? Será que a culpa é inteiramente vossa? Foi a pensar neste actual deserto de sabedoria popular que decidi criar alguns provérbios para 2006. Assim já poderão dizer que são contemporâneos de uma série de provérbios populares, que os viram nascer, que encheram a boca com eles, e que afinal a sabedoria popular não levou o mesmo destino de José Sócrates.
E aqui vão eles:

«Não subestimeis a micose da bolsa testicular alheia, pois ela não faz ideia do que é um salário honesto.»
Provérbio dedicado a todos aqueles que engrossam a fila do subsídio de desemprego e que se recusam a trabalhar para contribuír para alimentar uma turba de preguiçosos igual a eles.

«Se não consegues perceber o que se está a passar é porque finges que trabalhas na Função Pública.»
Provérbio dedicado a todos os dedicados funcionários dessa abstracção incómoda que é o Estado.

«Mais vale avião que me leve do que comboio que me trucide.»
Provérbio que versa sobre a corrupção política e imobiliária à mistura com vertigens de grandeza desajustada.

«Aluno a aluno enche o reitor o bandulho.»
Não, não é sobre a Casa Pia, é sobre o ensino privado em geral.

«A Porsche oferecido não se declara o imposto.»

Dedicado à corrupção empresarial. Funciona também com Jaguar, Mazeratti e Ferrari.

«Faças bem ou faças mal, terás sempre uma reforma genial.»
Provérbio dedicado a todos os nossos gestores públicos.

«Quem muito bronzeado quer estar, em muita greve terá de participar.»
Dedicado a todos os que temem perder o seu tacho.

«Se queres que o teu saldo dê um pulo, lembra-te de arranjar um saco azul.»
Dedicado às pequenas políticas autárquicas.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

A Razão do Capachinho

capachinho

O grau zero da consciência de si (e não estou a citar António Damásio) é o capachinho. Pergunto-me repetidas vezes o que leva um mamífero a exibir orgulhosamente um capachinho no alto da sua cabeça. Será que os gajos acham que a malta não repara? Como é possível não reparar num tipo que parece ter uma lontra em avançado estado de decomposição a cobrir-lhe a região craniana? Os utentes do capachinho parecem estar-se nas tintas para isso.
Para se usar capachinho tem de se ter uma certa dose de alheamento social, aliada de um egocentrismo blindado e cegante. Só assim se explica a ausência de noção do ridículo. Só na política encontramos a mesma falta de vergonha, a mesma ausência de «noção de si»: ser político é o mesmo que usar um capachinho – faz-se a mesma figura de urso, sempre com a convicção de que ninguém está a reparar.

terça-feira, janeiro 17, 2006

A Razão do Vegetariano

vegetarianos

Um gajo que é capaz de comer uma amendoeira em flôr não merece o ar que respira. Falo obviamente dos vegetarianos, esses seres dependentes da clorofila que a dada altura das suas vidas decidiram ter uma existência bovina e desataram a ingerir coisas rumináveis.
Pessoalmente acho que cada um pode fazer as opções que lhe apetecer na sua vida desde que não chateie. O que não é o caso dos vegetarianos que, quais testemunhas de Jeová, se sentem na obrigação de justificar a sua opção alimentar tentando incutir nos outros, malta que come normalmente, o gosto pelo aipo salteado em soja. Não há coisinha que me enerve mais do que ter que fazer um jantarinho à parte para os vegetarianos que por vezes aparecem para jantar lá em casa. A minha vontade é de levá-los para uma divisão à parte, longe dos outros convivas, e espancá-los até à morte com um molhinho de salsa.
Eu tenho uma teoria sobre os vegetarianos: se em vez de terem sido amamentados pelas tetas das suas excelsas mães, tivessem mamado num quiabo, não estariam com estas paneleirices que os vai fazer viver até aos 120 anos numa existência de merda, com um ar de vegetal pronto a ser ligado a uma máquina, e com instintos sexuais que ombreiam com os de um vulgar diospiro. Já experimentaram fazer sexo animal com um diospiro? Não? Então evitem, aquilo esborrata-se tudo nos preliminares.
E aquela malta vegetariana que, nos aviões, quer uma refeição personalizada? Não mereciam que a hospedeira de vôo lhes metesse um personalizado salpicão de Monforte pela goela abaixo, com os cumprimentos do comandante?

segunda-feira, janeiro 16, 2006

A Razão dos Obesos

obesos
De vez em quando vem à baila a questão da obesidade e lá ficam os media histéricos com o facto da população portuguesa começar a esgotar os tamanhos XXL. Convidam-se nutricionistas a dar entrevistas na televisão, entrevistam-se ex-obesos deprimidos e obesos bonacheirões, e culpa-se a junkfood, e os doces, e os refrigerantes e o raio que o parta.
A mim, mamífero desde cedo educado a conviver salutarmente com a bio-diversidade, o que me chateia é que se promova uma espécie de segregação dos gordos. Qual é o problema de um gajo se parecer com um ovo Kinder? Qual é o problema de um gajo tresandar a suor e ter o aspecto permanente de que acabou de sair vestido do duche? Porque raio se há-de embirrar com um tipo que paga dois lugares num avião ou num autocarro? Qual é o problema de um gajo ter de se levantar por camadas, e de não ter a mínima noção da côr das cuecas que está a usar?
O discurso profilático da obesidade como doença, tira-me do sério. Uma doença?? Um tipo que tem apetite para comer quatro frangos e duas alheiras regadas com tinto ao pequeno-almoço; repetir seis vezes a dose generosa de cozido ao almoço; lanchar trinta e duas duchéses; e jantar três leitõezinhos da bairrada como entrada de sete doses de tripas à moda do Porto, é um gajo doente? Desde quando é que um tipo com apetite pode ser rotulado de doente? Se excluirmos o Zézé Camarinha, nenhum.
Temos portanto aqui mais uma mistificação mediática para arrasar a redonda auto-estima dos gordos que, como sabemos, são seres mais bem dispostos que os magros. E tudo isto para quê? Para que Portugal continue a ser um país sorumbático e deprimido.

domingo, janeiro 15, 2006

A Razão das Políticas Sociais

Políticas Sociais
Não seria estranho se vos enterrassem vivos quando chegassem aos sessenta e cinco? Se isso fosse obrigatório para toda a gente? Depois da festa do vosso sexagésimo quinto aniversário, vinham buscar-vos e atiravam-vos para uma vala comum com outras pessoas da vossa idade, todas as prendas que receberam e enterravam-vos vivos. Não seria esquisito? Ainda bem que não fazem isso. Seria mesmo esquisito.
Mas, mais tarde ou mais cedo, vamos ter de começar a fazer qualquer coisa deste género. Seremos obrigados. Já não conseguimos tomar conta dos velhos e vai haver muitos milhões deles. Os avanços da medicina são uma espada de dois gumes porque uma das consequências é que ficamos com velhos a mais. O que fazemos com eles? Ninguém quer tomar conta deles. Os filhos metem-nos em lares. Até as pessoas que são pagas para tomar conta deles nos lares se estão nas tintas e tratam-nos mal. Ninguém se importa. Estou convicto que, mais tarde ou mais cedo, vamos ter de começar a matar os velhos antes que se tornem um fardo insuportável. Mas há uma coisa boa. Vamos poupar montes de dinheiro à Segurança Social e talvez o país não vá à falência.
Há sempre um lado positivo em tudo.


sexta-feira, dezembro 16, 2005

A Razão no Descanso

ferias

Entretanto passem um bom natal e entrem a pés juntos no 2006.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

A Razão do Maior

omaior
Geralmente a auto-estima de um país está directamente relacionada com os seus metros quadrados. Não há-de ser à toa que os bandalhos dos americanos têm uma auto-estima estupidamente (e a utilização deste adjectivo não é metafórica) elevada.
Porém é curioso ver como a rasteira auto-estima nacional procura tratar-se à base de placebos que têm a ver com o tamanho. Na realidade, esta obsessão pelo tamanho revela aquele que é um dos problemas basilares do país: não interessa a qualidade – estamos completamente focados na quantidade. Ser os melhores é algo que nos transcende. O que interessa mesmo é sermos os maiores, mesmo que o sejamos só lá no nosso bairro: ter a maior árvore de Natal da Europa; ter o maior pão com chouriço do mundo; ter a segunda maior ponte da Europa; isto sem falar das coisas que são «maiores» só porque se dizem da boca pra fora – o Benfica é o maior, o Porto é o maior, não interessando grande coisa porquê.
Ser o maior em Portugal é bom. Uma espécie de complexo de pila pequena que se gaba de ter a maior erecção. Há-de servir de muito...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

A Razão do Presépio (II)

presepioII
Estava lá toda a gente: gays magos, vaca com distúrbios profundos do foro psicológico, burro manso, cornudo equivocado, virgem saciada, e criança nas palhas deitada. No meio de incenso, ouro e mirra alguém repara (num lampejo transcendente que faria corar Lobsang Rampa e mais a sua terceira visão – silogismo trapalhão do seu transcendental olho rectal) que havia uma zebra no cenário. A zebra estava a mais e não o sabia. Não havia registo de zebras em Jerusalém. Ninguém fazia ideia do que era aquele ser bicromático. Então alguém se lembra de que o vinho dava de comer a um milhão de portugueses. E tudo faz sentido a partir daí: o Salazar, o Américo Tomás, os páras de Tancos e o Salgado Zenha; o Álvaro Cunhal, tutor de Mário Soares, a chegar de Paris. A intentona e a Passionária. Os contrabandistas e o Paco Bandeira. O Ary dos Santos e os Sábados (tipo Papo-Seco) agitados.
De repente, no meio desta alucinação, provavelmente de origem geracional, tudo se confunde e tudo faz sentido. Assim como se fosse uma espécie de universo descodificado à boa maneira de Douglas Adams. E tudo recomeça de acordo com a sua maldição: tudo faz sentido como num sonho. E os pinguins continuam a sonhar com ameijoas enjoadas com crude: Dali Style, ou Vian style. E toda a gente percebe o que se está aqui a dizer como se não houvesse amanhã.
Abençoados os pobres de espírito, pois será deles o reino dos céus. A zebra continua impassível no meio disto tudo. Como se nada fosse.
Este foi um momento de impossibilidade quotidiana. Façam o favor de o aproveitar e de retirar o que de mais positivo nele encontrarem. Gesundheit!

terça-feira, dezembro 13, 2005

A Razão do Presépio

presepio
É sempre nesta altura do ano que inevitavelmente percebo que vivo num presépio povoado de figurinhas de barro, pintadas toscamente, que desempenham ano após ano os mesmos papéis. Em Portugal, tal como num presépio, nunca nada muda. As figurinhas são sempre as mesmas, dispostas nos mesmos sítios e fazem sempre a mesma coisa, ou seja, nada. Estão para ali com um ar petrificado, eternamente imobilizadas em torno de uma cabana com um burro, uma vaca, e um casal de tótós que admira incompreensivelmente uma criança loira estiraçada num berço feito de palhas. Há subjacente a tudo isto, uma expectativa qualquer que nenhuma das figurinhas entende. Uma expectativa de mudança e de melhoria gerada pelo nascimento da criança de cabelos loiros. Mas é uma expectativa cristalizada no próprio presépio. Daqui por um ano a criancinha continuará espojada no seu leito de palhas, rodeada por tótós e gays magos, e tudo continuará na mesma.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

A Razão do Calendário de Garagem

cdgaragem
No seguimento da série de objectos inúteis do quotidiano temos o calendário de garagem. Este objecto distingue-se dos vulgares calendários pela quantidade de mulheres total ou parcialmente desnudas em poses do tipo «anda cá que és meu» ou «só te deixava os ossinhos», e pela sua localização muito particular: não há oficina mecânica deste país que não tenha um calendário de garagem. Há quem diga que o calendário de garagem é o manifesto de masculinidade do mecânico – e que se porventura não encontrar um calendário de garagem na sua oficina habitual, é muito provável que o seu mecânico seja gay. Pessoalmente acho esta leitura excessiva, mas não deixo de me questionar sobre o sucesso e a proliferação dos calendários de garagem nas oficinas e sobre a sua verdadeira função. Assinalar os dias do ano parece estar fora de questão, uma vez que isso pode ser feito com um qualquer calendário que não exiba umas glândulas mamárias proeminentes. O que nos leva ao cerne da questão: as gajas do calendário.
A verdadeira razão do calendário de garagem é a produtividade provocada pela testosterona, potenciada pelas boazonas em poses de cadelas com cio: o polimento da carroceria faz-se em muito menos tempo; o alinhamento da direcção é impressionantemente mais apurado; a calibragem das rodas adquire uma precisão robótica; a focagem de faróis faz inveja a qualquer robot de fábrica.
E em cada mês que passa, uma nova boazona vem substituír a anterior mantendo elevados os índices de produtividade.
Pergunto-me se isto não deveria ser considerado uma best practise para a Função Pública. Um calendário de garagem em cada repartição poderia ser a solução para este país.

domingo, dezembro 11, 2005

A Razão do Universo

universo
Há uma teoria que diz que se alguém descobrir o que é e porque existe o Universo, este desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais bizarro e inexplicável.
Há outra teoria que diz que isto já aconteceu.
Douglas Adams

sábado, dezembro 10, 2005

A Razão do Sorriso

sorriso
Podes ir muito longe com um sorriso. Podes ir muito mais longe com um sorriso e uma arma.

Al Capone

sexta-feira, dezembro 09, 2005

A Razão da Estranheza

estranheza
Se não achaste algo de estranho ao longo do dia de hoje, então o dia de hoje não foi nada de especial.

John A. Wheeler