O Governo desta novela mexicana a que chamamos país prepara-se para inventar mais uma dúzia de taxas e impostos depois de ter visto gorado o seu plano de reforma da segurança social baseado na alteração do código de estrada. Esta alteração, realizada no ano passado, isentava os velhotes de exames médicos que atestassem da sua capacidade para continuar a conduzir. O número de velhotes kamikaze a guiar em sentido contrário nas auto-estradas aumentou dramaticamente desde a última alteração ao código de estrada, cumprindo parcialmente o objectivo do executivo de reduzir o número de pensionistas em Portugal. Infelizmente, os velhotes kamikaze desataram a matar os contribuintes que diligentemente conduzem nas auto-estradas do país, reduzindo assim a receita fiscal e comprometendo a colecta para manutenção das despesas dessa abstracção incómoda que é o Estado.
Esperam-se novas medidas desburocratizantes e com impacto tecnológico (chavões indispensáveis a qualquer medida governamental) para sugar mais dinheiro aos contribuintes que entretanto sobreviveram às razias dos velhotes kamikaze.
terça-feira, março 28, 2006
A Razão dos Velhotes Kamikaze
segunda-feira, março 27, 2006
A Razão da Lógica da Batata
- O primeiro-ministro vai à Finlândia e vem tão excitado com a utilização que os nórdicos fazem da internet que logo a seguir surge a proposta de pagar o selo automóvel exclusivamente pela internet. Não interessa nada que apenas 20% dos lares portugueses tenham acesso à internet: «Se os finlandeses fazem tudo pela internet, os portugueses também têm a obrigação de o fazer».
- O primeiro-ministro (outra vez um exemplo desse ser iluminado) decidiu desburocratizar a criação de empresas em Portugal. Excitado com as potencialidades da internet, criou um sistema onde cada um de nós pode abrir, pela internet, uma empresa em apenas uma hora. A excitação é tão grande que o executivo se prepara para desburocratizar uma série de serviços sob o mesmo prisma: «tudo pela internet, numa hora». Mais uma vez não interessa nada que só 20% dos lares tenham acesso à internet: «Se se pode criar uma empresa pela internet em apenas uma hora, tudo o resto se pode fazer pela internet em menos de uma hora». Pessoalmente acho que deveríamos também ter a possibilidade de demitir o governo pela internet, em menos de uma hora.
- A Banca nacional, esses rapazes que continuam a apresentar lucros milionários num país que não cresce, decidiu a dada altura criar meios remotos de atendimento (nomeadamente as caixas de multibanco, os terminais de pagamento em lojas, e o serviço de internet banking) o que automatizou uma série de processos, que antes exigiam uma quantidade considerável de efectivos, e reduziu os seus custos operacionais. No entanto recentemente vieram informar-nos que no futuro irão taxar cada transacção feita em canais remotos. Mais uma vez a lógica da batata: «se é mais barato para o Banco que os seus clientes usem o Multibanco, faz todo o sentido que os clientes paguem essa utilização». Dá vontade de lhes entupir os balcões...
- O Governo decide fazer um aeroporto na Ota, que sabemos ser perfeitamente desnecessário. Cada pessoa que utiliza o actual aeroporto de Lisboa paga uma taxa de 7 euros para ajudar a pagar o próximo aeroporto. A lógica: «Esta malta não precisa de mais um aeroporto, mas já que o vamos fazer, crie-se lá mais uma taxa para esta malta nos ajudar a pagá-lo».
A lógica da batata começa a ser utilizada de uma forma tão recorrente e impune que quem a usa já está completamente convencido que os portugueses são completamente estúpidos, e que tudo é possivel porque ninguém protesta. Mais vale passar a chamá-la de Lógica do Nabo.
domingo, março 26, 2006
sábado, março 25, 2006
A Razão dos Erros
quinta-feira, março 23, 2006
A Razão da Desculpa
Gastamos muitas energias a arranjá-las, a inventá-las, a prepará-las, a ensaiá-las e a dá-las. Vemo-nos muitas vezes gregos para as encontrar. Há alturas em que pensamos nelas, que as justificamos, e que até achamos que são bem boas. Noutras vezes perdemos a paciência quando as recebemos esfarrapadas e à pressa. Tranquilizamo-nos quando são justificadas. Irritamo-nos quando são de mau pagador. E temos pena, muita pena, quando são deficientes (coitadinhas). Passamos a vida a ouvi-las.
Desculpas são aquelas coisas com escamas. Por isso existem muitas mal amanhadas.
quarta-feira, março 22, 2006
A Razão do Serial Killer
Porque gosto de acompanhar as proezas dos serial killers, tenho sempre a esperança que não os apanhem. Por isso, compilei uma lista de sugestões para os ajudar a ficar mais tempo em liberdade. Assim podem entreter-se muito mais.
Caro Serial Killer:
Se está à procura de uma forma perversa de conseguir atenção e publicidade, não o posso ajudar. Mas se o que quer é matar um monte de gente, uma a uma, pode contar comigo. Aqui está o modo de aumentar o tempo que a polícia vai levar até o prender:
Assegure-se de que as vítimas são diferentes umas das outras. Mate pessoas de vários tipos: altas, baixas, ricas, pobres, homens, mulheres, novas velhas. Mas não as mate seguindo uma ordem. Mate dois velhos seguidos e depois mate uma rapariga. Tente um rapaz adolescente depois. Misture loiras e morenas e cabelos compridos com cabelos curtos. E deixe as prostitutas em paz.
Varie os locais onde apanha as vítimas e varie as alturas do dia em que o faz.
Tente trabalhar em áreas densamente povoadas onde já há um número considerável de homicídios.
Se for possível, viaje pelo país e mate cada vítima num distrito diferente. Nunca mate duas pessoas da mesma cidade no mesmo ano. E não viaje em linha recta. A arbitrariedade é o seu maior aliado.
Mate cada vítima de maneira diferente: mate umas de maneira esquisita, mas depois mate uns de maneira normal. Sexual, não-sexual; ritual, não-ritual; Não se especialize. Os padrões são seus inimigos.
Livre-se dos cadáveres tão longe do local do crime quanto possível. Pelo menos a cento e sessenta quilómetros de distância. Enterre alguns, queime outros e dissolva uns quantos em cal e ácido. Se houver testemunhas casuais dos homícidios, deverão ser mortas e os cadáveres deverão ser eliminados com o mínimo de alarido. E lembre-se de se livrar dos cadáveres das vítimas em separado.
Quando se dirigir de carro para o local do crime, ou em especial para o lugar onde se livrará do cadáver, certifique-se de que cumpre o código da estrada e não tenha acidentes. Pague tudo em dinheiro. Não fique em hotéis. Conduza uma carrinha topo de gama em que possa dormir e não estacione em sítios que possam ser patrulhados pela polícia. Leve comida e coma na viatura. Se possível, mude de carro a seguir a cada crime.
Não guarde recortes de jornal. Ou melhor, não leia sequer as notícias que saem nos jornais sobre os crimes.
Não guarde recordações de nenhuma das vítimas.
Veja as séries «CSI» e «Teias de Lei». De vez em quando vai aprender qualquer coisa que o ajudará a não cometer erros.
Além de tudo isto, seja esperto e mantenha-se vivo. Alguns de nós estão a contar consigo.
terça-feira, março 21, 2006
A Razão do Aparelho do Estado
O aparelho do Estado suscita-me alguma curiosidade. Principalmente porque nunca o vi. Leio recorrentemente sobre ele nos jornais e ponho-me a imaginar que tipo de aparelho será. Não parece que tenha alguma coisa a ver com os aparelhos dentários, porque esses têm uma função de correcção e como sabemos o aparelho do Estado não corrige nada, muito pelo contrário, vai dando cabo de tudo. Também não deve ser um daqueles aparelhos anticoncepcionais como o D.I.U. porque para haver anti-concepção deveria existir a hipótese de haver concepção e, como também sabemos, o Estado não concebe nada, muito pelo contrário, é inconcebido e inconcebível.
Uma coisa me parece indubitável: o aparelho do Estado é a pilhas. Só pode ser a pilhas. Implica sempre pilhas de gente inoperante, pilhas de gente à espera, pilhas de processos pendentes e irresolúveis, pilhas de impostos a pagar, e pilhas, muitas pilhas, de paciência para aguentar e alimentar o aparelho do Estado.
Mas o facto de ser a pilhas não é esclarecedor do tipo de aparelho que é: há tantos aparelhos a pilhas por aí, e tão diferentes entre si, que não são aparelhos do Estado...
Confesso que quando penso no aparelho do Estado penso naqueles aparelhos tão complexos que já ninguém percebe como é que funcionam: quem o inventou já deixou este mundo há muito, e os que cá ficaram responsáveis pela sua manutenção não percebem lá muito bem como é que o bicho funciona, embora olhem para ele com aquele ar entendido de quem conhece a mais ínfima porca e o mais remoto parafuso daquele inexpugnável e ruidoso aparelho.
Se querem que vos diga, eu acho que na realidade aquilo não é um aparelho, é um zingarelho (evitem as tremuras no lábio superior se conseguirem) – daqueles zingarelhos que funcionam mal e porcamente, e cujas intervenções mecânicas são feitas atabalhoadamente sem se perceber lá muito bem que merda é que vai acontecer a seguir, no zingarelho do Estado.
segunda-feira, março 20, 2006
A Razão do Anónimo
Na semana passada foi insultado por um comentador de um blog onde costumo escrever regularmente. Dizia este indivíduo que eu não me identificava por cobardia.
Eu acho que há malta profundamente desiquilibrada na blogosfera. E há malta que leva isto demasiado a sério. Quando se aborda a questão dos anónimos na blogosfera só posso achar que que estou enfiado no meio de uma cambada de anormais que consideram que só pelo facto de terem criado um nick deixaram de ser anónimos.
Tirando algumas figuras públicas que lhes conhecemos o nome, 99% dos blogueiros são anónimos. Mas o simples facto de terem um blog e usarem um nick tipo «Boi Almiscarado» dá-lhes, aparentemente, uma identidade qualquer que lhes faz perder o anonimato. E enervam-se à brava quando um «anonymous» lhes entra pelo blog adentro a fazer comentários menos favoráveis. Vai-se a ver e o Boi Almiscarado é um diligente funcionário público que trabalha ao lado da Doidinha Pra Dar, que por sua vez é secretária do Arrubenta D’Odivelas, casado com a Sedutrix. Aposto que se tratam pelos nicks diariamente:
- Oh Dr. Arrubenta D’Odivelas, ligou a senhora Sedutrix a pedir para que hoje passasse pelo infantário a buscar os miúdos porque está retida numa reunião com o Espeta-mo.
- Ok. Obrigado, Doidinha. Faça-me um favor e peça aí ao Boi para antecipar a entrega do relatório porque tenho de saír mais cedo.
Os tipos que usam nos blogs (supostamente) o seu próprio nome também devem achar que não são anónimos. É vulgar vermos blogs assinados por «Manuéis Costa», «Joões Paulos Silva», «Carlos Lima» e o raio que os parta. O simples facto de usarem um nome corrente dá-lhes uma saída do anonimato. Mesmo que o nome que usam seja mesmo o nome deles não deixam de ser uns anónimos quaisquer a escrever num blog o que lhes passa pela cabeça. O facto de colocarem as suas anónimas e desinteressantes vidas à vista de quem quiser ver não os tornam menos anónimos do que o Boi Almiscarado. Não se iludam.
Se não fossem tão poucochinhos da moleirinha, estes anti-anónimos pseudo-identificados não se preocupariam com a identidade de quem escreve ou comenta na internet. É infinitamente mais interessante ver o que as pessoas têm para dizer e mostrar, do que saber quem é que está a dizer. Infelizmente, nesta novela mexicana, o que interessa é quem diz e não o que diz. Não iremos longe assim, ò labregos.
domingo, março 19, 2006
A Razão dos Bons Velhos Tempos
sábado, março 18, 2006
A Razão Poliglota
Mark Twain
sexta-feira, março 17, 2006
A Razão Verbalizada
«No início era o Verbo». Acho improvável que tenha sido assim no início. Duvido que alguém, no início, tivesse conhecimentos gramaticais para verbalizar seja o que fôr. Na melhor das hipóteses emitiram sons sem aparente sentido que, com a utilização recorrente, lá acabaram por significar alguma coisa. O mais lógico seria mudar a frase para «No início era o som gutural». Parece-me mais fidedigno.
Mas vamos supôr por uns instantes que no início a malta já dominava, por algum desígnio divino, o sistema gramatical. Porque haveria, ainda assim, de ser o verbo no início? Porque não o pronome pessoal? Ou o substantivo? Ou mesmo o adjectivo?
Pensem no vosso início, quando começaram a falar. A primeira palavra que disseram foi um verbo? Claro que não. A maior parte de vocês iniciou a fala com um substantivo feminino ou masculino: mamã ou papá. E levou muito tempo antes que usassem um verbo. Parece-me então óbvio que «no início era o substantivo» e não o verbo.
Uma coisa é certa: «no fim será a interjeição». Oh merda!
quinta-feira, março 16, 2006
A Razão Intumescida
Ultimamente temos a moda da OPA, que anda a excitar o mercado nacional das telecomunicações e da banca e a criar a falsa ilusão de que a telenovela mexicana está com uma economia vigorosa. O primeiro português a mijar foi Belmiro de Azevedo mais a sua OPA à PT; logo de seguida mijou todo o Conselho de Administração da PT com a Contra-Opa; Pais do Amaral e Pereira Coutinho passam a vida de mão agarrada à braguilha a ameaçar mijadelas, mas aparentemente a coisa não passa mesmo só disso; o último a mandar uma mijadela foi o BCP, que ontem avançou com uma OPA sobre o BPI. Pronto. Está cumprido o mandamento. Já mijaram dois ou três.
Esperando que tudo isto não seja uma vulgar «tesão de mijo» (passo a expressão) pergunto-me porque diabo estão todos histéricos a opar o país? É certo que o país é pequeno, mas opá-lo? Alguém está interessado em viver num país opado? Num país inchado? Num país intumescido? Que grandessissimo nojo, um tipo viver num país túmido. Porque diabo não vão estes gajos todos intumescer ali a Espanha? Ou aos Palops? Façam lá as Opas, e intumesçam à vontade, mas longe daqui bolas!
quarta-feira, março 15, 2006
A Razão de Mal a Pior
As pessoas gostam de dizer que, por muito mal que as coisas estejam, há sempre alguém que está pior que nós. Acho que isto é uma espécie de conforto. É bom saber que enquanto estão a remover um pedaço de osso que ficou encravado na nossa glote, o homem no quarto ao lado tem um tumor de 15 kg na sua bolsa testicular.
Mas a ideia de que há sempre alguém em piores circunstâncias leva-me à conclusão que, algures no mundo, há um gajo que está pior que toda a gente. Um gajo que tem seis mil milhões de pessoas à sua frente, a passar bem melhor.
Na realidade, à medida que chegamos ao fundo da pilha de gajos a passar pior que nós, torna-se cada vez mais difícil apercebermo-nos de quem está a passar realmente pior. Um cego paralítico e maníaco é pior que um corcunda paraplégico e mongolóide? É difícil de discernir...
E depois há sempre a fórmula «Mais Uma Dor de Cabeça». Não interessa o quão miserável e dolorosa possa ser a condição de uma pessoa, esta pode sempre ser pior se lhe acrescentarmos uma dor de cabeça: «Ele era pobre, ignorante, doente, só, deprimido e abandonado – e ainda por cima tinha uma dor de cabeça».
Vejam o lado positivo: a dor de cabeça pode sempre passar.
George Carlin
terça-feira, março 14, 2006
A Razão dos Eleitos
Em caso de pandemia do virus da gripe das aves o Governo desta telenovela mexicana tem preparadas 100.000 vacinas antivirais destinadas, segundo a Direcção Geral da Saúde, a 100.000 portugueses considerados «fundamentais para o país».
Isto leva-me a pensar o que tornará um português fundamental para o seu país e sob que óptica? Naturalmente que houve alguém algures no aparelho do Estado que decidiu quem era fundamental e quem era dispensável. Mas a minha questão é: quem tomou essa decisão é fundamental para o país? Fundamental para tomar este tipo de decisões dignas de um verdadeiro labrego bandalho e para vir alardeá-las para a imprensa? Fundamental para conhecer não uma, mas duas tribos inteiras de somalis untadinhos, e com a testosterona alterada quimicamente para sodomizar fundamentalmente tudo o que mexa?
Pessoalmente acho que se há por aí uma besta que acha que há 100.000 gajos fundamentais para o país é porque não tem mesmo a noção de que isto é um país, e não uma choldra entregue a meia dúzia de «eleitos» por 99,9% dos tais portugueses «não fundamentais».
Só uma coisa me alegra nesta decisão: não haverá vacinas para os políticos – duvido que consigam convencer alguém que estas alimárias são fundamentais para o que quer que seja.
segunda-feira, março 13, 2006
A Razão do Cartão Único
domingo, março 12, 2006
sábado, março 11, 2006
sexta-feira, março 10, 2006
A Razão do Limbo (II)
Uma comissão de 30 teólogos apresentou esta semana ao Papa Bento XVI um conjunto de propostas que visam a extinção do Limbo, assunto que tive a oportunidade de explicar aqui em detalhe no início desta semana.
Do conjunto das propostas apresentadas salientam-se as seguintes:
Eliminação por Implosão
Este método, inspirado por Belmiro de Azevedo aquando da sua intervenção ecológica na península de Tróia, é o que se mostra menos oneroso, evitando custos de realocação das alminhas. A ideia é implodir o Limbo com as alminhas todas lá dentro. Existem no entanto riscos de estrutura: os teólogos não têm a certeza que o edifício celestial aguente a onda de choque e o mais provável é que haja uma derrocada do Céu para o piso do Inferno. Os estudos afirmam que o Purgatório não corre quaisquer riscos, uma vez que se encontra num anexo a uma distância segura das estruturas principais.
As alminhas no Limbo opõem-se veementemente a esta medida, como é natural. As alminhas do Céu apresentaram uma petição a São Pedro numa tentativa de invalidar o processo. E no Inferno já começaram os festejos que comemoram a eventualidade de haver mais parceiros nas orgias diárias.
Eliminação por Sorteio
Consiste em voltar a dar ao Inferno o seu pé direito original, realocando lá as alminhas residentes no Limbo. E sorteando cerca de 10% das alminhas para o Purgatório. Estas últimas poderão inclusivé chegar ao Céu se à chegada ao Purgatório apresentarem o livro de cupões completamente preenchido.
As alminhas do Limbo também se opõem veemente a esta medida. No Inferno este método é selvaticamente apoiado pela associação pedófila «Sempre na Brasa». Não conhecemos nesta altura a posição oficial do Purgatório.
Eliminação por Realocação Total
Consiste em transferir todas as alminhas do Limbo directamente para o Purgatório para, passo a citar, «purificação das almas dos justos antes de admitidas na bem-aventurança». O espaço ocupado pelo Limbo será posteriormente anexado pelo Inferno.
Esta é a solução defendida pelas alminhas justas do Limbo, mas que não colhe junto da totalidade dos ocupantes do Purgatório, onde se afirma que «não precisamos cá desses gajos para dificultar ainda mais o numerus clausus para o Céu».
quinta-feira, março 09, 2006
A Razão da Família Nuclear
O fim da família nuclear preocupa os sociólogos do século XXI. Pessoalmente acho que isto é benéfico para todos, até para os membros da própria família nuclear. Tem algum jeito pais, mães e crianças apresentarem índices de radioactividade acima dos níveis mínimos de sobrevivência? Curiosamente nunca vi os ecologistas preocuparem-se muito com esta questão.
Uma das evidências que o movimento ecologista é cínico pra caraças é o facto da maioria deles ter nascido de famílias nucleares. E depois vêm para aí armados em histéricos quando Patrick Monteiro de Barros, em mais uma das suas diarreias megalómanas, propõe que se transforme esta telenovela mexicana numa imensa central nuclear.
quarta-feira, março 08, 2006
A Razão nas Tintas
Inevitavelmente, há-de chegar uma altura nas vossas vidas em que vão perceber que têm vocação para a pintura. Sim, pintura. É óbvio que alguns de vós saberão pintar melhor que outros, mas todos hão-de chegar aquela altura em que estarão nas tintas.
Estarão nas tintas para o vosso emprego e para o vosso patrão; estarão nas tintas para a vossa mulher; estarão nas tintas para os vossos colegas de trabalho; estarão nas tintas para o polícia que vos multa por excesso de velocidade ou pelo vosso estilo selvagem de estacionar o carro; estarão nas tintas para o governo eleito e para as maquinações, sempre tendenciosas e desleixadas do Estado; estarão nas tintas sobre o que quer que digam de quem quer que seja; estarão nas tintas para o que as pessoas pensam de vocês; estarão nas tintas para o que as pessoas falam; e assim sucessivamente até à perfeita consciência de que se estão, verdadeira e irremediavelmente, nas tintas.
Quando isso acontecer, peguem numa tela branca, apliquem todas essas tintas e pintem algo de relevante. Há-de haver sempre alguém que não se está nas tintas e que olhará com deslumbre, mesmo que por poucos segundos, para a tela plena de tintas e achará algo que nunca vos passou pela cabeça, porque se estão nas tintas. Quando isso acontecer, estejam-se nas tintas.