terça-feira, março 14, 2006

A Razão dos Eleitos

eleitos

Em caso de pandemia do virus da gripe das aves o Governo desta telenovela mexicana tem preparadas 100.000 vacinas antivirais destinadas, segundo a Direcção Geral da Saúde, a 100.000 portugueses considerados «fundamentais para o país».

Isto leva-me a pensar o que tornará um português fundamental para o seu país e sob que óptica? Naturalmente que houve alguém algures no aparelho do Estado que decidiu quem era fundamental e quem era dispensável. Mas a minha questão é: quem tomou essa decisão é fundamental para o país? Fundamental para tomar este tipo de decisões dignas de um verdadeiro labrego bandalho e para vir alardeá-las para a imprensa? Fundamental para conhecer não uma, mas duas tribos inteiras de somalis untadinhos, e com a testosterona alterada quimicamente para sodomizar fundamentalmente tudo o que mexa?
Pessoalmente acho que se há por aí uma besta que acha que há 100.000 gajos fundamentais para o país é porque não tem mesmo a noção de que isto é um país, e não uma choldra entregue a meia dúzia de «eleitos» por 99,9% dos tais portugueses «não fundamentais».
Só uma coisa me alegra nesta decisão: não haverá vacinas para os políticos – duvido que consigam convencer alguém que estas alimárias são fundamentais para o que quer que seja.

segunda-feira, março 13, 2006

A Razão do Cartão Único

cartaounico
Foi anunciado na passada semana nos media nacionais: em 2007 José Sócrates dará o CU a todos os portugueses. É de homem! Gerações vindouras não conhecerão outra realidade que a do CU do Sócrates. A partir de agora, com o CU do Sócrates, os portugueses ficarão completamente servidos: mostraremos o CU do Sócrates ao polícia que nos multa, à senhora que nos marca a consulta do médico, e não poderemos pagar os impostos sem o CU do Sócrates. Até para votar, seja lá em quem fôr, lá estará o CU do Sócrates. E a parte melhor da notícia é que, para ter o CU do Sócrates, cada português pagará menos de oito euros. Ficam a saber: a partir de 2007 é preciso ter CU. Do Sócrates.

domingo, março 12, 2006

A Razão Sincera

escrever

Não gosto de escrever.
Gosto de ter escrito.

sábado, março 11, 2006

A Razão Jovem

velho

Não sou suficientemente jovem para saber tudo.

Oscar Wilde

sexta-feira, março 10, 2006

A Razão do Limbo (II)

limbo (II)

Uma comissão de 30 teólogos apresentou esta semana ao Papa Bento XVI um conjunto de propostas que visam a extinção do Limbo, assunto que tive a oportunidade de explicar aqui em detalhe no início desta semana.
Do conjunto das propostas apresentadas salientam-se as seguintes:


Eliminação por Implosão

Este método, inspirado por Belmiro de Azevedo aquando da sua intervenção ecológica na península de Tróia, é o que se mostra menos oneroso, evitando custos de realocação das alminhas. A ideia é implodir o Limbo com as alminhas todas lá dentro. Existem no entanto riscos de estrutura: os teólogos não têm a certeza que o edifício celestial aguente a onda de choque e o mais provável é que haja uma derrocada do Céu para o piso do Inferno. Os estudos afirmam que o Purgatório não corre quaisquer riscos, uma vez que se encontra num anexo a uma distância segura das estruturas principais.
As alminhas no Limbo opõem-se veementemente a esta medida, como é natural. As alminhas do Céu apresentaram uma petição a São Pedro numa tentativa de invalidar o processo. E no Inferno já começaram os festejos que comemoram a eventualidade de haver mais parceiros nas orgias diárias.

Eliminação por Sorteio
Consiste em voltar a dar ao Inferno o seu pé direito original, realocando lá as alminhas residentes no Limbo. E sorteando cerca de 10% das alminhas para o Purgatório. Estas últimas poderão inclusivé chegar ao Céu se à chegada ao Purgatório apresentarem o livro de cupões completamente preenchido.
As alminhas do Limbo também se opõem veemente a esta medida. No Inferno este método é selvaticamente apoiado pela associação pedófila «Sempre na Brasa». Não conhecemos nesta altura a posição oficial do Purgatório.

Eliminação por Realocação Total
Consiste em transferir todas as alminhas do Limbo directamente para o Purgatório para, passo a citar, «purificação das almas dos justos antes de admitidas na bem-aventurança». O espaço ocupado pelo Limbo será posteriormente anexado pelo Inferno.
Esta é a solução defendida pelas alminhas justas do Limbo, mas que não colhe junto da totalidade dos ocupantes do Purgatório, onde se afirma que «não precisamos cá desses gajos para dificultar ainda mais o numerus clausus para o Céu».

A Santa Sé está ainda longe de uma solução satisfatória para este problema, sendo que o Papa Bento XVI solicitou um novo conjunto de propostas que se traduzam numa verdadeira comunhão de interesses para todas as partes envolvidas. O grupo dos 30 teólogos, secretamente chamados
pelos seus colegas do Vaticano de «Os 30 Trollgs», voltaram à mesa de negociações com a comissão de condomínio do edifício celeste. Aguardam-se novos desenvolvimentos nos próximos meses.

quinta-feira, março 09, 2006

A Razão da Família Nuclear

familia nuclear
O fim da família nuclear preocupa os sociólogos do século XXI. Pessoalmente acho que isto é benéfico para todos, até para os membros da própria família nuclear. Tem algum jeito pais, mães e crianças apresentarem índices de radioactividade acima dos níveis mínimos de sobrevivência? Curiosamente nunca vi os ecologistas preocuparem-se muito com esta questão.
Uma das evidências que o movimento ecologista é cínico pra caraças é o facto da maioria deles ter nascido de famílias nucleares. E depois vêm para aí armados em histéricos quando Patrick Monteiro de Barros, em mais uma das suas diarreias megalómanas, propõe que se transforme esta telenovela mexicana numa imensa central nuclear.

quarta-feira, março 08, 2006

A Razão nas Tintas

nas tintas
Inevitavelmente, há-de chegar uma altura nas vossas vidas em que vão perceber que têm vocação para a pintura. Sim, pintura. É óbvio que alguns de vós saberão pintar melhor que outros, mas todos hão-de chegar aquela altura em que estarão nas tintas.
Estarão nas tintas para o vosso emprego e para o vosso patrão; estarão nas tintas para a vossa mulher; estarão nas tintas para os vossos colegas de trabalho; estarão nas tintas para o polícia que vos multa por excesso de velocidade ou pelo vosso estilo selvagem de estacionar o carro; estarão nas tintas para o governo eleito e para as maquinações, sempre tendenciosas e desleixadas do Estado; estarão nas tintas sobre o que quer que digam de quem quer que seja; estarão nas tintas para o que as pessoas pensam de vocês; estarão nas tintas para o que as pessoas falam; e assim sucessivamente até à perfeita consciência de que se estão, verdadeira e irremediavelmente, nas tintas.
Quando isso acontecer, peguem numa tela branca, apliquem todas essas tintas e pintem algo de relevante. Há-de haver sempre alguém que não se está nas tintas e que olhará com deslumbre, mesmo que por poucos segundos, para a tela plena de tintas e achará algo que nunca vos passou pela cabeça, porque se estão nas tintas. Quando isso acontecer, estejam-se nas tintas.

terça-feira, março 07, 2006

A Razão da Palavra do Senhor

palavra do senhor
Falei ontem brevemente na polémica existente em torno da Palavra do Senhor, e hoje vou aprofundá-la um pouco mais.
Quando Jesus fez a sua série de workshops com os 12 apóstolos deu-lhes instruções para que, após a sua morte por crucificação e empalamento, corressem o mundo e difundissem a Palavra do Senhor. Azar dos azares, Jesus nunca conseguiu dar o último módulo do workshop dedicado a «Coisas Que Devemos Dizer Para Arranjar Mais Sócios». Falou-lhes dos Milagres, falou-lhes do Céu & Inferno, falou-lhes na Vida Eterna mas, quando ia falar na Palavra do Senhor, um destacamento de romanos entrou-lhe pelo auditório adentro (o Judas havia-se chibado por não estar de acordo com as propinas do workshop) e levaram-no, e crucificaram-no, e empalaram-no. E finito. O tipo morreu sem dizer concretamente que Palavra era aquela.
Os apóstolos ainda tentaram fazer um brainstorming, com os conhecimentos adquiridos até à data, de modo a conseguirem chegar a algo que se assemelhasse ao que eles achavam que seria a Palavra do Senhor, mas tirando aquela cena da ressuscitação (onde todos estavam de acordo que era uma história do caraças e que merecia ser contada), não conseguiram chegar uma conclusão sobre qual seria a Palavra do Senhor. E assim cada um deles foi à sua vida escrever e pregar sobre a sua visão de Deus e de Jesus, e cada um deles achou que sabia qual era a Palavra do Senhor.
Pedro, João e Tiago (o Maior) achavam que a Palavra do Senhor era «rabanete». Chegaram a esta conclusão depois de terem proferido uma série de outras palavras. Na altura em que proferiram «rabanete» aconteceram umas coisas esquisitas: a terra tremeu, a garrafa de vinho caiu de pé, e os cães começaram a uivar. E a partir daí, desconhecedores da escala de Richter, acharam que tinham descoberto a Palavra.
Filipe, Bartolomeu e Tomé haviam decidido que a Palavra era «Oréops!», mas só porque gostavam da sua sonoridade, dado que não há qualquer registo que algum fenómeno natural tenha ocorrido quando esta foi inicialmente pronunciada. Tomé era aquele que a usava mais, principalmente quando treinava o seu triplo salto encarpado de costas, nas margens do Mar Morto.
Tiago (o Menor), Mateus e Judas Tadeu, eram apologistas fervorosos da Palavra «Porra», a última palavra que ouviram da boca de Jesus. Achavam que não era uma simples interjeição nascida da sua inconfortável posição na cruz. Acreditavam piamente que se aquela foi a última palavra de Jesus, é porque aquilo devia ter um segundo sentido qualquer. Um sentido celestial.

Finalmente, os dois apóstolos mais radicais, André e Simão tinham «zingarelho» como a verdadeira Palavra do Senhor. Tinham-na ouvido da boca de Maria Madalena quando pela primeira vez recorreram aos seus serviços. Ela apontou para as tripas de porco e disse-lhes: «ponham lá os zingarelhos, que isto não é da Joana». Depois dos zingarelhos postos Maria Madalena deu-lhes uma experiência celestial que eles nunca mais esqueceriam. E desde aí a Palavra do Senhor passou a ser um grande «zingarelho». Bem... no caso de Simão nem era tão grande como isso.

segunda-feira, março 06, 2006

A Razão do Limbo (I)

limbo (I)
O recém chegado Papa Bento XVI convocou, no início do ano, uma comissão de trinta teólogos com o objectivo de acabar com o Limbo. Para quem está menos informado sobre a arquitectura do edificio celeste, o Limbo é aquele andar entre o Céu e o Inferno, para onde vão as almas de todas crianças, bébés e fetos que morrem sem que tenham sido baptizados. O Limbo, que existia desde o século IV, altura em que São Gregório, o Teólogo, decidiu construir uma mezzanine no Inferno, passou a ser levado a sério depois de umas obras de restauro levadas a cabo por São Tomás de Aquino no século XIII, altura em que ganhou um estatuto de assoalhada (muito embora o seu pé direito fosse muito reduzido, dado que foi espaço ganho ao inferno, nunca ninguém se preocupou muito com isso porque as crianças nunca atingiam alturas acima do metro e meio). No início do século passado, o Papa Pio X garantiu a pés juntos que o Limbo existia e que as almas das crianças não baptizadas estavam lá – tendo apresentado na altura vários dossiers com os nomes e idades dos residentes.
A existência do Limbo nunca foi pacífica, dado que era considerada um regime de apartheid celestial: uma criança índia que nascesse e morresse no meio da selva sem nunca ter ouvido a Palavra do Senhor (muitos consideram que essa palavra é «rabanete», embora ninguém esteja muito certo disso, havendo uma escola mais radical que afirma que a palavra é «zingarelho») nunca teria possibilidade de chegar ao Céu, e o mais que podia era candidatar-se a um lugar no Limbo, simplesmente porque o canal de distribuíção da Igreja não fazia entregas naquela zona da sua selva. Uma escandaleira discriminatória, como bem se vê.
Foi exactamente este princípio de apartheid que levou o Papa Bento XVI a rever a existência do Limbo e a iniciar a sua extinção, o que irá tornar as coisas mais complicadas doravante uma vez que, sem o Limbo, os católicos e os membros de uma série de outras religiões irão concorrer em pé de igualdade por vagas nos mesmo lugares – Céu, Inferno e Purgatório. E sabe Deus como estes dois últimos estão lotados...

Entretanto os 30 teólogos estão reunidos à procura de soluções para acabar com o Limbo e realocar aquelas alminhas. Espera-se que na próxima sexta-feira apresentem ao Papa um pacote de medidas, que terei oportunidade de revelar em primeira mão, aqui na Razão.

domingo, março 05, 2006

A Razão da Morte Súbita

morte subita
Não seria interessante se a única forma de morte possível fosse uma explosão súbita da cabeça? Se não houvessem outras formas de morte? Se toda a gente morresse assim? Mais cedo ou mais tarde, sem aviso, a nossa cabeça explodia. Sabem o que eu acho? Acho que as pessoas acabariam por habituar-se. Acho que as pessoas aprendem a lidar com tudo se acharem que é inevitável.
Imaginem um bando de tipos a cantar «Parabéns a Você».
«... cantam as nossas almas; para o menino Carlitos, uma salva de...» BUM! A cabeça do Carlitos explode. Mas as velas do bolo são apagadas de qualquer forma, por isso o ritual está completo e toda a gente aplaude.
Claro que teria de haver o contratempo ocasional. «Outra cabeça? Ora bolas! Já é a segunda esta semana. Ainda mandei limpar o fato há pouco tempo». Mas aprenderíamos a lidar com isso.
Imaginem que estão sentados num restaurante com a vossa namorada e o empregado está a ditar-vos os pratos do dia: «Hoje temos os mamilos de morcego marinados num molho de rabos de panda...» BUM! A cabeça do empregado explode. Aposto que nem iam ligar.
«Querida, ele disse mamilos de morcego ou de borrego? É melhor chamarmos outro empregado. E pedir mais azeitonas. Não vou comer estas. Ele tinha o prato na mão quando explodiu. Sou alérgico a mamilos de morcego. Acho que vou pedir a pila de pinguim à casa ou a caçarola de tomates de alce. Então e tu? Espera, não te mexas. Tens um bocado de sobrancelha na bochecha. Pronto, já está. Já agora, querida, que vinho vai bem com miolos?»


George Carlin

sábado, março 04, 2006

A Razão da Picheleira

picheleira
Li recentemente que um homem foi esfaqueado na zona da Picheleira. Não é nada agradável, deixem-me que vos diga: uma vez fui mordido por um cão na mesma zona. Dói que se farta! Principalmente quando vamos à casa de banho.

Adaptado de George Carlin


sexta-feira, março 03, 2006

A Razão das coisas que se dizem

coisas q se dizem
Dizem que se a vida fosse feita só feita de
sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, sexo, coisas como sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, deixariam de ser coisas tão boas como nós sabemos que é o sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, e embora eu saiba que para algumas pessoas a vida é só feita de sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, não quero que ao lerem este post passem a pensar que tudo na vida é sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto. Agora se apenas uma vez por semana vocês puderem fingir que a vida só feita de sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, sexo... não tem mal nenhum.

quinta-feira, março 02, 2006

A Razão das Coisas Boas

coisas boas
Dizem que a vida seria magnífica se fosse feita de coisas boas. Mas todos sabemos que para além das coisas boas a vida tem outras coisas. Se a vida fosse só feita de coisas boas, coisas como as coisas boas deixariam de ser tão boas como nós sabemos que são as coisas boas. Agora embora eu saiba que para algumas pessoas a vida é só feita por coisas boas, não quero que ao lerem este post passem a pensar que tudo na vida são coisas boas. Mas se apenas de vez em quando puderem fingir que a vida é só feita de coisas boas... não tem mal nenhum.

quarta-feira, março 01, 2006

A Razão de Lorena Bobbit

lorena bobbit
«Não se pode comer o bolo e ficar com as partes». É estúpida a frase, não é? E ilógica também. Qual é a relação das partes com o bolo? Porque raio é que havemos de ficar sem as partes se comermos o bolo? Lembro-me da Lorena Bobbit sempre que ouço esta frase. Imagino-me a dar uma dentada na fatia de um bolo e a aparecer-me uma gaja alucinada com uma tesoura de poda nas mãos a querer tirar-me as partes.
Quem criou esta frase tem graves problemas.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

A Razão Canina

canina
Adoro o meu cão. Adoro todos os meus cães. Todos os cães que já tive, adoro-os a todos. E ao longo da minha vida, acreditem, já tive um monte de cães. A gente acaba sempre por arranjar um novo cão, não é? É verdade. Ao longo da vida arranjamos sempre um cão atrás do outro. É o segredo da vida. A vida é uma sucessão de cães.
Às vezes conseguimos arranjar um cão que se parece exactamente com o cão que tínhamos. É verdade. Se dermos uma volta pelas lojas de animais conseguimos arranjar um idêntico ao cão anterior. Entramos com o cão morto pela loja de animais adentro, atiramo-lo para cima do balcão, e dizemos «Arranje-me um igual a este». E, espectáculo, eles trazem-nos um que parece a fotocópia do sacana do cão morto. E isto é extremamente prático, porque assim não temos de andar a trocar as fotografias que temos espalhadas lá por casa.
É isto que os cães têm de bom. Nunca vivem muito tempo, e nós podemos sempre arranjar outro.


George Carlin

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

A Razão das Manias

manias
A malta tem uma propensão inata para desenvolver manias, pequenas rotinas que se criam, não se sabe a que ponto da nossa existência, e que depois fazem parte do nosso dia a dia, tornando-se tão banais e tão normais para nós que não damos por elas. São por assim dizer, os nossos bugs. Mas o facto de não darmos por elas não significa que os outros não reparem nas nossas manias. Uma das minhas entretenhas é observar as manias alheias. Diverte-me olhar para os bugs dos outros e saber que afinal até sou um gajo normal. Tremendamente normal.
O meu vizinho do 3º esquerdo, por exemplo, tem a mania de ouvir música em altos berros, que acompanha a cantar (miseravelmente, aliás) depois de mandar uma queca na vizinha do 2º direito (que tem a mania de gritar «É só fumaça! É só fumaça! O povo é sereno!» sempre que atinge o orgasmo).
Já o dono da pastelaria ao lado tem a mania de dispôr todas a latas de refrigerante e de cerveja de cabeça para baixo, sendo incapaz de estar um segundo sossegado, agitando-se pela pastelaria num frenesim alucinado, de pano na mão, sempre a limpar/esfregar qualquer coisa de uma maneira vigorosa, como se tudo estivesse permanentamente sujo. Uma dia perguntei-lhe porque diabo estavam as latas todas viradas do avesso. «Por causa do pó.» respondeu-me, «Você gostava de meter a boca numa lata cheia cheia de pó?».
O homem da livraria, desde que se começou a falar da gripe das aves, tem a mania de usar luvas de cirurgia e aquela pequena máscara branca anti-contágio. Não se percebe nada do que ele diz, mas o homem insiste em ter aquele ar de que no minuto segundo vai entrar na mesa de operações.
Por isso, quando me pediram para falar das minhas manias, achei que eram perfeitamente desinteressantes, quando vistas à luz do que anda por aí. A minha normalidade até chateia. Ainda assim, não vou deixar este rapaz pendurado.
Sempre que vou ao hipermercado tenho a sensação de que os gajos me estão a analisar os padrões de compra com câmaras atrás das prateleiras dos produtos, e costumo gritar frequentemente «Podem saír! Já vos topei!!» para a segunda linha de embalagens na prateleira (é lá que eles têm as câmaras!).
Quando participo em conversas que me interessam, costumo fixar a orelha esquerda de quem está a falar e acenar a cabeça afirmativamente, repetindo de tempos a tempos «Marco Bellini é que sabe. O segredo está na massa.» Quando a conversa não me interessa, olho para o lado e canto, mais ou menos gritando, «The hills are alive!» numa alusão desinteressada à «Música no Coração».
Sempre que bebo vodka tenho a mania de a gargarejar inicialmente ao som de Piaf (gosto particularmente da entoação que dou à «La Vie en Rose») e só depois é que a bebo. Já me mostraram muitas vezes a porta da rua à conta disto, mas é mais forte que eu.
Sempre que me apresentam alguém tenho uma imensa vontade de lhe beijar as bochechas e de perguntar se alguma vez considerariam o botox. Normalmente contenho-me e não faço nada, mas custa-me imenso. Quando me apresentam mulheres de decotes generosos tenho a tendência de falar à vez para cada uma das mamas, virando a cabeça para a direita ou para a esquerda, dependendo da mama para que estou a falar.
Como vêem, as minhas manias não são nada de relevante, e passam perfeitamente despercebidas. Sou aterradoramente normal. Uma seca.

domingo, fevereiro 26, 2006

A Razão do Jogo

eagle
Nunca é só mais um jogo quando estamos a ganhar.

George Carlin

sábado, fevereiro 25, 2006

A Razão da Imortalidade

imortalidade
Não pretendo obter a imortalidade através do meu trabalho. Pretendo alcançá-la não morrendo.

Woody Allen

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

A Razão do Reality Show

reality shows
Há uns tempos atrás o Zé Maria, aquela alma simples do Big Brother, tentou suicidar-se, depois de ter estoirado o dinheiro que ganhou no concurso em projectos falhados.
Marco, o neanderthal do pontapé maravilha do Big Brother, foi detido pela polícia no ano passado, acusado por um camionista de agressão selvática e persistente numa fila de trânsito.
A semana passada li que o Mário, o loiro burro do Big Brother, foi preso pela judiciária, acusado de liderar um gang responsável por assaltos à mão armada na zona do Porto.
A julgar pelos exemplos acima, os reality shows serão largamente responsáveis por toda uma geração de anormais desajustados e destrambelhados, com a mania das grandezas e do sucesso fácil. Não falo só dos anormais que por lá pululam, mas também dos anormais que diariamente enchem as audiências deste tipo de programas.
Parece-me óbvio que os reality shows dão cabo da vida pública dos seus participantes, que consequentemente passam a lidar muito mal com isso nas suas vidas privadas. Ora se assim é, porque não assumir as coisas frontalmente e criar programas que arrebentam com a vida dos gajos logo ali em directo, à vista de toda a gente, em vez dos abandonar à sua sorte no fim de cada programa? Seria infinitamente mais honesto do que acontece agora. E geraria muito mais audiência.
Foi a pensar nisto que elaborei algumas ideias passíveis de serem utilizadas pelo Piet Hein, free of charge, nos seus futuros lixos televisivos:

O Atol
Um grupo de labregos é colocado num atol de Mururoa. São formadas equipas de dois elementos e a cada indivíduo é dado um componente de uma bomba nuclear de potência desconhecida. Cada elemento da equipa é colocado num ponto do atol, bem distante do seu companheiro de equipa. O objectivo é encontrarem-se o mais rapidamente possível, juntando os componentes da bomba e accionando o dispositivo. Vence quem conseguir destruir o atol primeiro. Prémio de 100.000 euros para os primeiros, que será doado à TVI se os participantes não se apresentarem nos escritórios do Piet Hein duas horas depois de finalizada a prova.

A Tribo
Um grupo de quarentonas encalhadas é largado na selva ardente à mercê de uma tribo de somalis devidamente untadinhos e com a testosterona alterada quimicamente de modo a não pensarem noutra coisa que não seja a sodomia brutal e persistente.
Ao fim de três meses as quarentonas serão recolhidas e a vencedora será aquela que ostentar um caminhar mais esquisito.

A Catapulta
Um reality show com anões, cavalos pentapérnicos, e mulheres desnudas, que tem características próximas do triatlo olímpico.
Os anões são inicialmente catapultados para dentro de campos de minas, que terão que atravessar até chegar aos cavalos pentapérnicos. Os que sobreviverem à queda e às minas terão que cavalgar 20 km num campo de urtigas e espinhos, agarrados à quinta perna do cavalo. Os que conseguirem transpôr a segunda fase da prova serão de novo catapultados para o campo de minas. As mulheres desnudas na realidade não existem, e são apenas um motivo para dar cabo dos anões. O anão que sobreviver estará automaticamente apurado para «O Atol».

O Cartoon
Destinado a toda essa malta com talento para o desenho que anda por aí. Doze cartoonistas são fechados numa sala blindada com um fundamentalista islâmico que, embora ninguém saiba porque não se vê, está atestadinho de explosivos na zona rectal. Os cartoonistas têm que desenhar temas religiosos alusivos ao Ramadão. Quem conseguir fazer explodir o árabe ganha umas próteses biónicas (último modelo) para os bracinhos.

A Repartição
Reality show que simula o interior de uma repartição pública. A cada um dos quinze participantes é facultado: uma máquina de escrever Remington de 1916, trinta resmas de papel pautado, cinco resmas de papel químico, uma caixa de lexotans. Vence quem conseguir levar mais tempo a deferir um processo. O premiado será catapultado para o campo de minas dos anões. Os restantes irão servir de figurantes em «O Atol».


quinta-feira, fevereiro 23, 2006

A Razão em Massa

massas
Na minha opinião, aquilo que caracterizou o século passado foi sem dúvida a comunicação de massas. Fazer chegar a mensagem às massas desiquilibrou claramente a ordem natural das coisas estabelecida até então, e contribuiu para avanços sociais e económicos, no mínimo, consideráveis. Também contribuiu para que a merda se espalhasse mais depressa e de um modo mais contundente, mas isso é outra história.
O sucesso dos jornais, da rádio, da televisão e mais recentemente da internet e, dentro desta, o sucesso dos blogs, deve-se a esta progressão geométrica do fenómeno de comunicação de massas. A tal ponto que o fenómeno está banalizado: os jornais abrem falência, há muito que as rádios perderam a sua pujança, há em Portugal cerca de 500 canais de televisão, e no que toca à internet, qualquer labrego faz um blog e diz os disparates que lhe apetecer (na maior parte das vezes copia os disparates de outros).
É preciso então criar um novo paradigma para além da comunicação de massas. Não há pachorra para aturar as opiniões do fusili. Já se tornou insuportável ler as crónicas do tortelini. Os devaneios hipócritas do tagliateli são merecedores de uma tribo de somalis. As picardias infantis entre o fetuccini e o linguini já não têm o mínimo interesse (nunca tiveram, aliás). O rigatoni tem a mania que é poeta e só escreve merda. O penne é um rebarbado que só fala de sexo. O conchiglie gosta à brava de dar conselhos bacocos que nem ele próprio segue. O ravioli tem uma cultura musical vergonhosa e além disso cheira mal da boca. Pim. O capeletti saca diariamente daquelas piadas requentadas com cheiro a mofo, capazes de levar ao rubro um lar de velhotes a soro. O farfale com os seus problemas existenciais crónicos e maçadores. O tortiglioni a dar a entender que é gay, à pesca, a ver se lhe cai alguma coisa na rede. E até a massa crítica como o esparguete ou o macarrão já não tem nada de novo para dizer. A comunicação de massas é uma verdadeira seca sem interesse nenhum. Um deserto intelectual já que, como alguém dizia, as massas não pensam.

Sugiro um novo paradigma: a comunicação de sushis. Fresquinha todos os dias. Cheia de estilo. Bonita à brava. E indubitavelmente mais saudável que a comunicação de massas. Com pauzinhos e tudo.