segunda-feira, fevereiro 20, 2006

A Razão dos Surfistas

surf
Ontem passei por São Torpes. Estava um sol brilhante, uma ventania alucinante, e o mar presenteava-nos com uma magnífica tempestade, daquelas que produzem ondas acima dos quatro metros. Num dia normal aquela praia estaria cheia de surfistas, a boiar em cima das suas pranchas, à espera daquela onde que nunca vem. Mas ontem não. Não havia sinal de surfistas. Ontem, que havia ondas consideráveis, os surfistas ficaram em casa. O que prova a minha teoria de que o surf não é um desporto mas apenas um grupo de labregos amaricados que gosta de exibir as suas long boards com desenhos munta malukos e as suas namoradas, normalmente umas boazonas acéfalas, que conseguem estar uma tarde inteira a olhar para o namorado a boiar, sem que os seus dois neurónios sejam capazes de se encontrar e provocar uma sinapse.
Na altura em que se deviam colocar em cima da prancha e apanhar ondas à séria os surfistas pegam na trouxa e bazam. Vão para o bar mais próximo falar da onda que nunca vem. Aquela onda. Aquela merda que parece uma auto-estrada de 6 vias, que um dia há-de vir e que eles hão-de galgar, se não estiverem no bar da praia e emborcar cervejas, a ganhar coragem para meter os testículos na água.
Daqui por uns dias, quando a tempestade passar e São Torpes voltar a ter aquelas ondinhas de merda, lá hão-de estar os labregos dos surfistas, a boiar que nem morsas, depois de terem realizado aqueles rituais bacocos antes de entrar na água, com aquele olhar estudado diariamente ao espelho, a fingir que olham para o infinito, e a simular que têm um pensamento mais profundo que a quilha da sua long board. Maricões de merda, é o que é...

domingo, fevereiro 19, 2006

A Razão na Estrada

estrada

Já repararam, quando estão a conduzir, que qualquer condutor que ande mais devagar que vocês é uma abrótea? E que qualquer condutor que ande mais rápido que vocês é um javardo assassino?
«Olha só para esta abrótea!» [aponta para a direita] «Olha para aquilo! Lesma do caraças!» [olha para a esquerda] «Poooorra!! Olha para a velocidade que aquele javardo leva!»
Digo-vos sinceramente malta: é um milagre como é que ainda chegamos ilesos a qualquer lado com todos essas abróteas e javardos à solta na estrada. É que ninguém conduz à mesma velocidade que eu.
Na verdade, eu não deixo ninguém andar à minha velocidade. Se olho para o espelho e vejo um tipo a tentar manter o passo comigo, reduzo. Deixo o palermóide passar e ficar um bocadinho à minha frente, só para o manter debaixo de olho. Gosto de conhecer o estilo de condução de quem anda à minha volta. Aliás, há vezes em que nos sinais vermelhos lhes pergunto há quanto tempo é que têm carta. Nunca é demais sermos cuidadosos.


George Carlin

sábado, fevereiro 18, 2006

A Razão do Escrevedor de Cartas

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Ted L. Nancy tem um hobby peculiar: escreve cartas para as mais diversas entidades a fazer os pedidos mais absurdos e hilariantes. E depois aguarda as respostas. Reza a história que um dia alguém mostrou as cartas de Ted Nancy ao Jerry Seinfeld e que este, no meio de muita gargalhada, as ajudou a publicar. O livro foi recentemente publicado na nossa novela mexicana e é impossível lê-lo em zonas públicas sem parecermos verdadeiros alucinados.

Têm aqui um cheirinho do que é uma carta de Ted L. Nancy:

Ted L. Nancy
560 no. Moorpark Rd. #236

Thousand Oaks, CA 91360

25 de Novembro de 1995

A/C do Director-Geral
Circo Ringling Brothers
267 South Tamiami Trail

Nokomis, Fla.
34275

Exmos. Senhores,

Eu meço 68 centímetros de altura, peso 30 quilos e actuo como PIP, O GRANDIOSO GUINCHO. Sou capaz de actuar no vosso circo durante cerca de 3 horas seguidas a balançar coisas em cima de mim, a dançar, a fazer imitações e a animar as coisas, de uma forma geral. O meu espectáculo é muito contido. Permaneço numa pequena área, canto, danço, ando de skate, rodopio, balanço, tropeço, páro e recomeço, corro em diferentes direcções e em várias velocidades, travando abruptamente e com derrapagens espectaculares. Este espectáculo dura cerca de duas horas e vinte e cinco minutos. Sou capaz de levantar mais de 35 quilos dobrado.

Levanto uma mulher de 45 quilos nas minhas costas (saída da audiência). Baralho cartas, danço, conto histórias, equilibro uma laranja na testa e estou duas horas e vinte e cinco minutos sem parar. Sou capaz de partir este espectáculo em pedaços de três minutos para o adaptar a eventos de menor duração. No entanto, com o espectáculo completo, ofereço cinco minutos extra. As crianças adoram-me!

Cobro 550 dólares, o que inclui as minhas vinte mudanças de vestimenta. Costumo trazer um pequeno biombo atrás do qual troco de roupa, saltando detrás dele e continuando a actuar. Se o biombo estiver bem posicionado, ninguém consegue ver-me mudar de roupa. As pessoas adoram-me!

Gostaria muito de actuar no Circo Ringling Brothers. Admiro o vosso circo desde há muito tempo e adoraria fazer parte dele. O público tem afluído de toda a parte, desde a Europa às Bahamas, ao Canadá e a Tonga, para assistir ao meu espectáculo. Sou realmente um animador. Estico-me, grito, faço flexões, chamo nomes, levanto um homem qualquer do público e ando à roda com ele. Murmuro. Ladro.

Por favor, digam-me como me posso candidatar ao Circo Ringling Brothers. Enviem-me os formulários e dirijam-me para a pessoa certa. Obrigado. Posso ser contactado na morada acima. Obrigado.


Ted L. Nancy
Pip, o Grandioso Guincho


Resposta do Circo a 23 de Fevereiro de 1996:


Caro Mr. Nancy:

Obrigado pelo seu interesse em actuar em «o melhor espectáculo do planeta». Apreciamos o seu interesse e estamos sempre à procura de novos talentos. Agradecíamos que nos enviasse um vídeo do seu espectáculo para que o pudéssemos avaliar. Se puder, faça-o com alguma urgência. Estamos a preparar agora o espectáculo dos próximos anos.

Obrigado por considerar o Circo Ringling Brothers e Barnum e Bailey.
Com os nossos melhores cumprimentos


Jim Ragona
Coordenador de talentos e produção


In, Cartas de um Louco, de Ted L. Nancy

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A Razão Encriptada

encriptada
私がことそれらがそこになかった、普通捕獲物修理した昨日の日の半分の
1 つ小さい農場で。私は結合しなかった、それらがリターンを与えることを行ったことが、そして後で戻ることが私は分った。しかしない。渡される時間および何 も。それらの信号。私はベッドの家の内部の鋸のそれらを下に見るに、それの戸棚のの中でカーテンの後ろで、掘る向かった。何も。私は競技場で上がる親指の 待ち時間に、戦っているテレビ及び鋸2 の道化師を選挙それ区切る。絶対確実性の彼らがそこにいなかったこと。私は家を去る為に終わり、前部の庭の歩行を取るために、そこに着席させたハトへの食 糧の弾力性への銀行の1 つでそれらのためのそれがあることができる。しかしハトあった。私は通りをたどって行き、車でつかまえた。私は方針及び病院の艦隊のための携帯電話のよい 組の側面を神経質に見る都市のための時間を間、同時に、それ区切る導く。私がのために結合するために着いたまで。だれも彼らが歩いた考えを作らなかった。時の間それに交差の後の一見のそれら見られた私があったようである。しかしな い、誤報。私があきらめることのために終えた既に夜内部- おそらくそれらは週末の先に、私考えたあった。そしてこれについて考えて私は理由のないこの時間の週の最後のポストを、出版した。
Agora desenrasquem-se. E bom fim de semana.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

A Razão dos Sonhos

sonhar
É impressionante a capacidade que os mamíferos têm de inventar maneiras de enganar e sacar dinheiro a outros mamíferos. Um desses esquemas manhosos é a «interpretação de sonhos».
Basta abrir um «dicionário de sonhos» para percebermos que estamos a ser gozados: as temáticas dos sonhos estão ali todas alinhadas alfabeticamente para poderem ser rapidamente consultadas, e cada um dos temas tem uma breve explicação do seu significado.
Deixem-me dar-vos um exemplo retirado daqui:

Sonhar com Ânus
Você não deve acreditar em amigos do sexo oposto, pois poderão colocá-lo em sérias dificuldades, através de mexericos e intrigas no seu ambiente de trabalho.

Impressionante han? Por aqui vemos que há gente que sonha com olhos do cu, o que não deixa de ser muito esquisito e passível de internamento numa clínica psiquiátrica somali. Mas mais interessante que o tema do sonho é a sua explicação. O que é que tem o cu a ver com as calças? Ou melhor, o que é que tem o olho do cu a ver com a malta amiga do sexo oposto? E porque raio é que esta malta me há-de vir a chatear no meu local de emprego? E será que isso me impedirá de sair a horas?
Pessoalmente acho duvidoso que sonhar com uma coisa específica possa ter sempre o mesmo significado independentemente de quem a sonha: sonhar com as mamas da Marisa Cruz terá sempre o mesmo significado independentemente se formos um operador de ordenha mecânica em Tobursk ou um apanhador de grelos mediterrânicos na Córsega? Tenho dúvidas. Deverá haver alguma contaminação cultural nos sonhos, não? Ou querem dizer-me que sonhar que se está afagar gentilmente os glúteos de uma égua que relincha em grego antigo significa o mesmo para um beduíno do que para o João Moura? Tenham juízo...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

A Razão do Bestial e da Besta

dean
Há gajos que são endeusados só porque não tiveram tempo de fazer merda enquanto estiveram vivos. O facto de terem morrido jovens deixa-os assim num estado de glória suspensa que resiste ao tempo. Os que continuam a viver, e vão envelhecendo calmamente, não têm essa sorte, e estão condenados a passar de bestiais a bestas e vice versa, num ciclo contínuo até ao fim da sua mais ou menos longa vida. Não acho isto justo. Acho que devíamos abater a malta no seu auge e transformar esta choldra num mundo de semi-deuses quase perfeitos. O problema estaria em identificar aquele ponto em que a partir dali seria sempre a descer. O Travolta, por exemplo, já não faria o Pulp Fiction e ficaria sempre lembrado como um dançarino gay. O Mário Soares já não voltaria a candidatar-se. O Ricardo já não jogaria na selecção. O Herman não faria talk shows. E o Marques Mendes não teria saído da mesa de matraquilhos.
Pensando bem isto não é uma boa ideia. Acho que precisamos de passar de bestiais a bestas de vez em quando, só para nos lembrarmos que as coisas não nos caem do céu (tirando os asteróides, e os aviões da Air Morocco, é claro).

terça-feira, fevereiro 14, 2006

A Razão do Código Morse

morse

Antes dos e.mails, antes dos telemóveis, antes dos satélites, antes dos telefones fixos, e mais ou menos na altura dos sinais de fumo, houve um tipo, o Samuel, que achava que devia de haver uma maneira de se poder comunicar instantaneamente em grandes distâncias. E inventou uma coisa chamada telégrafo, que funcionava com um software chamado código Morse: uma coisa realmente básica mas igualmente eficaz que consistia em pequenos impulsos eléctricos transmitidos por fio, e que replicava o alfabeto ocidental de A a Z. Por essas e por outras é que os árabes e os orientais sempre tiveram dificuldade em comunicar-se a longas distâncias.
Atribuindo pontos e letras a palavras específicas do alfabeto, o Samuel Morse lá conseguiu que um tipo num ponto do mundo se pudesse comunicar com outro tipo no lado oposto. Estava criado o percursor dos sms.
Eu sempre achei alguma graça ao Código Morse e desconfio que no início aquilo não tivesse sido fácil para quem utilizava o sistema. Uma coisa que sempre me fez confusão é como se distinguia um ponto de um traço – dizem-me que o traço era constituído por duas batidas rápidas e um ponto por uma batida apenas, mas como distinguir os espaços entre palavras? Como é que os gajos sabiam que aquele ponto não pertencia à palavra seguinte? Ou que era apenas um ponto final? E como se punham os acentos nas palavras? Devia haver imensa confusão entre o cágado e o cagado.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

A Razão da Inutilidade

sudoku
Há actividades humanas estupidamente inúteis. Há seres humanos que são pagos para as inventar. E há outros seres humanos suficientemente estúpidos para pagar por estas invenções cuja função consiste simplesmente em mantê-los em vida suspensa, alheados de tudo e de todos. A última destas invenções que promovem a actividade inútil é o Sudoku. A progressão do Sudoku neste país, e em todo o mundo, é a prova cabal que a malta anda realmente à procura de algo que os aliene. Tenho dificuldade em perceber os gajos e gajas que bovinamente se viciam em Sudoku. Qual é o interesse daquela malta em alinhar, nos seus tempos livres, números na vertical e na horizontal. Não é melhor mandar umas quecas? Viajar para qualquer lado? Ter uma conversa estimulante com alguém? Ou mesmo mandar um par de lambadas no vizinho? Será que os gajos acham que os seus netinhos se vão impressionar quando disserem «o avô ganhou o campeonato nacional de Sudoku em 2006»? O mais provável é que o puto fique a pensar que o avô era o maior sodomita nacional daquele ano remoto...
Conseguem imaginar-se no fim da vossa vida e pensar que perderam dias, meses, em torno de uma actividade que não vos tornou melhores como seres humanos? Conseguem? Eu também consigo, mas não será a jogar Sudoku, garanto-vos.

domingo, fevereiro 12, 2006

A Razão da Beleza Artificial

beleza
Acho que não é justo que as mulheres feias possam fazer operações plásticas e ficarem com bom aspecto. Se alguém nasce feio, devia ficar assim. E mais nada. Não acho bem que as pessoas possam melhorar o seu aspecto. É arrepiante pensar que, um dia, podemos estar na cama com uma mulher qualquer que engatámos só porque achámos que era linda e, lá no fundo, ela ser feia como os cornos. Pode ter mudado o nariz, os lábios, os olhos, pode ter sido esticada, alisada e lipoaspirada. E o cirurgião pode ter feito um rico trabalho (sem exageros) e agora ela está um espanto. Mas lá no fundo, é horrenda e a verdade é que estás na cama com uma aventesma. Alguém a quem nem sequer pedias para te trocar um dólar se pudesses ver como é realmente.
Não está certo. A feiúra devia ser uma coisa permanente.



George Carlin

sábado, fevereiro 11, 2006

A Razão da Dança da Chuva

dancadachuva
Quando penso na dança da chuva que os índios tinham a mania de fazer, pergunto-me se eles algumas vezes praticavam. Não era lógico que praticassem a dança antes de decidirem fazer a coisa à séria? Só para terem a certeza de que estavam a dar os passos certos na ordem certa? É muito provável que de vez em quando aparecessem tipos novos que nunca tinham dançado aquilo; é também provável que o mestre de dança quisesse experimentar passos novos. Existe um sem número de motivos para que os índios jogassem pelo seguro e primeiro praticassem a dança da chuva.
A minha questão é: se eles estivessem a praticar e a chuva não desatasse a caír imediatamente, como é que eles saberiam que estavam a dançar bem? Se o estivessem deveria chover, não? Ou será que os índios achavam que o deus da chuva percebia que aquilo era só um treino e aguardava pela dança à séria?
Mas também se desatasse a chover durante os treinos porque não acabar com a dança da chuva? Bastava treinar e pronto.
Foi este tipo de pensamento que levou a que me separassem dos outros miúdos na escola.

George Carlin

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A Razão do Turista Japonês

turistajapones
Só há uma coisinha pior que portugueses em férias. São os japoneses em férias. Já alguma vez se cruzaram com um grupo de turistas japoneses? Não parecem todos o mesmo japonês clonado até à quinta casa? Com aquele sorrisinho estúpido, dentes de coelho e óculos redondos, e de máquina fotográfica digital à volta do pescoço a tentar fotografar tudo à volta num raio de 2 metros e a curvar-se repetidamente para a frente como se o tronco tivesse vida própria e insistisse em manter-se na horizontal?
É enervante olhar para um grupo de turistas japoneses. Parecem lemmings. Não conseguem andar sozinhos. Aliás, têm um pavor de morte em andar sozinhos. Um japonês só vai de férias quando consegue assegurar, junto da sua agência de viagens, que com ele vão pelos menos 150 gajos. E depois lá vão eles todos juntos para todo o lado a sorrir com aquele ar de trissomia 21, a soltar pequenos gritinhos de entusiasmo.
Não queiram fazer férias em destinos povoados por japoneses. Estão a ver a piscina do resort? Quando um japonês decide ir tomar banho na piscina é seguido por todos os outros, de câmaras à prova de água ao pescoço, tornando a piscina numa espécie de pires de aletria, amarelo e pastoso. Quando um japonês decide aprender a mergulhar com garrafas o melhor é esquecermos o curso de mergulho e voltar 3 meses depois, altura em que o último japonês do grupo acabou de fazer o dito curso.
Para quem quiser enriquecer no Japão à conta destes lemmings deixo uma dica: vão para lá vender espelhos de bolso. Chamem-lhes de kit de viagem. Assim quando um japonês se perder do seu grupo de férias pode sempre sacar do seu espelho, apontar para si, e sentir-se reconfortantemente acompanhado. Sucesso garantido. Que povo de babacas...

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Razões Felinas

felinas
Os gatos têm uma característica que eu acho admirável: a impunidade. Quando um gato comete um erro ele normalmente não se sente responsável nem mostra embaraço. Se um gato faz uma coisa realmente estúpida, como saltar para cima de uma mesa e aterrar em cima de quatro chávenas de café, ele consegue dar aquele ar de que tudo aquilo é rotineiro. Os cães não são assim. Se um cão derruba um candeeiro nós conseguimos perceber quem foi só olhando para o cão; e ele fica com aquele ar comprometido e envergonhado. O gato não. Quando um gato parte qualquer coisa, dirige-se calma e calidamente para a sua próxima actividade.
«O que é que foi? O candeeiro? Não fui eu. Vão-se lixar, sou um gato! Há alguma coisa partida? Perguntem ao cão.»

George Carlin

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

A Razão do Choque Tecnológico

choquetecnologico
Está na moda falar em «choque tecnológico», uma das medidas mais mediatizadas do Governo desta telenovela mexicana, e que parece ser a cura para todos os males do país. Assim de repente, com Bill Gates à mistura, parece que Portugal voltou a ser um país próspero e importante com esta história do «choque tecnológico». Os media rejubilam com a expressão «choque», sugerindo-lhes alguma coisa impactante e rimbombante, digna de um qualquer noticiário. Eu continuo chocado com tudo isto porque me parece, mais uma vez, que estamos a ser engrupidos com conceitos, no mínimo, vagos. Principalmente porque sempre ouvi dizer que Portugal era um país que adoptava e implementava a um ritmo muito rápido tudo o que era nova tecnologia: a Via Verde por exemplo, onde somos pioneiros no mundo; o sistema de Multibanco, outro exemplo, onde somos o país mais avançado do mundo na aplicação de um sistema de informação interbancário; o telemóvel pré-pago, outra invenção portuguesa que revolucionou o mundo dos telemóveis em todo o mundo e que hoje em dia é o sistema mais utilizado no planeta.
Por sermos tão avançadinhos tecnologicamente é que esta converseta não me faz sentido nenhum. A não ser que quando falemos em «choque tecnológico» estejamos a falar de coisas mais pragmáticas do tipo: destruir à paulada todos os computadores do país; enfiar (com uma relativa violência) a cabeça do Sócrates, e já agora de todos os membros do executivo, num ecran plasma de última geração; atestar a força destrutiva de um laptop quando arremessado a uma velocidade superior a 20 km/h na direcção de umas gengivas desprotegidas. Isso sim, seria um choque tecnológico. Não teria grande interesse, é verdade, mas ao menos não seria um conceito vazio onde tudo cabe.
Continuo a achar que o nosso Desgoverno está equivocado. Preferiria ver o mesmo entusiasmo bacoco e provinciano aplicado a um «choque económico», ou a um «choque social», ou a um «choque ético», ou mesmo um «choque de civilidade». Eu por mim começava por estes dois últimos e logo me preocupava com o «choque tecnológico» mais tarde. O que este país precisa mesmo é de uns electrochoques.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

A Razão Muçulmana

muslimdrawings
Desde que os dinamarqueses fizeram umas caricaturas de Maomé que os muçulmanos andam armados em alarves a destruír embaixadas por todo o mundo árabe. Na Turquia, esse país a resvalar perigosamente para a União Europeia, acabaram de matar um padre à conta de uma dúzia de rabiscos nórdicos. Para um ocidental parece um bocadinho excessivo, este protesto muçulmano...
Isto leva-me a pensar na violência latente do mundo árabe, no apedrejamento de mulheres, nas execuções públicas, nas chibatadas também elas públicas. Não acho normal esta violência e não concordo que esta tenha origem na religião, ou no Corão, se quiserem. O Corão pode ser culpado de muita coisa, mas não o é da violência compulsiva do fundamentalismo islâmico. Na minha opinião o problema disto tudo é da poligamia.
Já viram bem o que aqueles gajos sofrem diariamente? Façam as contas comigo: aquela malta tem mais de uma mulher, na pior (ou melhor) das hipóteses têm duas mulheres. O mais vulgar é terem umas cinco ou seis. Estão a imaginar o que é aturar 6 mamíferos diariamente? 6 gajas a chatear-vos a cabeça diariamente, cada uma com o seu lote de filhos babosos e choramingões, e com as suas crises de TPM a PARTIR-VOS CIRURGICAMENTE A CAROLA numa base diária? Imaginem o que vocês passam diariamente e agora multipliquem por seis, ou por sete, ou por vinte! Conseguem imaginar o estado de nervos em que vocês viveriam? Qual era a maneira que vocês teriam de lidar com esta questão? É claro que tinham que saír de casa e extravasar: punham bombas à volta da cintura e iam ao centro comercial mais próximo; iam dar porrada nos vizinhos isrealitas; e em dias mais complicados É CLARO QUE SE CHATEAVAM COM A MERDA DOS CARTOONS!! Até se chateavam com a falta dos cartoons, se fosse caso disso.
Portanto antes de criticarem gratuitamente estes protestos anti-cartoon pensem no que estes desgraçados penam diariamente. Ponham-se nos sapatos deles. E depois digam-me se também não iam arrear na malta do consulado mais próximo.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

A Razão do Tempo

tempo
Tempo. O conceito mais abstracto e mais estúpido da nossa sociedade. Uns têm falta dele. Outros gostam de o fazer. Outros ainda ocupam-no para o gastar. Há quem peça tempo; há quem tenha tempo; há quem dê tempo; há quem perca tempo; há quem o ganhe e o desperdice. Quando falamos em tempo olhamos invariavelmente para um dos pulsos, ou à nossa volta para um qualquer dispositivo que tem por função dizer-nos em que fase dele estamos. Por ele e nele corremos, por causa dele nos enervamos e perdemos a paciência, e sem ele ficamos perdidos.
A todos aqueles que vieram aqui com ou sem tempo, na esperança de gastar tempo ou de passar um tempo agradável, digo-vos apenas que não houve tempo de pensar com tempo no post de hoje. Dêem-me mais um tempo.

domingo, fevereiro 05, 2006

A Razão dos Dez Mais Procurados

10MP
Há coisas que me fazem espécie na lista dos Dez Mais Procurados do FBI. Quando apanham um gajo que está na lista, o número onze sobe um lugar e passa a estar também na lista? E isto conta como uma promoção? Será que o tipo liga aos seus amigos criminosos e diz: «Consegui Bruno! Finalmente estou na lista»?
Então e quando aparece um tipo extremamente perigoso e têm de o pôr no primeiro lugar da lista? (Chamem a isto «entrada directa para o topo da tabela» se quiserem.) Os outros têm todos de descer um lugar? E não há um tipo que fica de fora? Como é que decidem quem é que vai ficar de fora? É o que está na décima posição? E como é que ele se sente a respeito disso? Não se sentirá menosprezado? Não achará que deviam ter escolhido outro gajo qualquer? Será que já aconteceu o tipo que fica fora da lista matar o que está em primeiro para recuperar o seu lugar?
Uma última pergunta: o FBI esforça-se mais para apanhar o número três do que para apanhar o número sete? Eu esforçava-me. Se não fôr assim, para que é que lhes dão números? É este tipo de pensamento que me impede de progredir na vida.

George Carlin

sábado, fevereiro 04, 2006

A Razão Base

base

ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política do acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?


Eça de Queiroz, 1867

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

A Razão do Terminal

theterminal
Em que sítio encontramos os niveis de QI mais rasteiros do planeta? Se estão a pensar na Assembleia da República andam lá perto mas não acertaram. A resposta certa é: nos aeroportos.
A estupidez que se respira num aeroporto é inigualável, incomparável e irrepreensivelmente insuperável. Se tivesse que alinhar numa folha A4 as coisas mais estúpidas a que já assisti na minha vida, a maioria delas teriam acontecido num aeroporto.
Há um embrutecimento qualquer que reina nos aeroportos e que parece subsistir ao longo do tempo. Começando pelo preço das coisas dentro de um aeroporto. É tudo irrealmente caro, como se o simples facto de voarmos de um sítio para o outro nos fizesse entrar num transe maléfico qualquer que nos compele a pagar alegremente um café pelo mesmo preço que pagamos uma refeição na tasca da esquina.
E depois há a questão das perguntas quando fazemos o check in:
«Foi você que fez a sua mala»?
Apetece responder: «Claro que não. Que estupidez. Ontem à noite convidei a célula local da Al Qaeda para jantar lá em casa e, em troca de uma refeição quente, obriguei os gajos a fazerem-me a mala.»
«A sua bagagem esteve sempre consigo?»
E nós: «Bem... nem toda. Tenho aí umas cuecas que estão comigo há coisa de dois anos, quando estive no Corte Inglês. As calças já estão comigo há mais tempo, o que poderá constatar pelo aspecto delas. Os peúgos estão comigo há relativamente pouco tempo, comprei-os há dias. Recentes recentes são as camisas. Comprei-as ontem. Quer ver o talão?»
«Algum desconhecido lhe deu alguma coisa para transportar?»
Merecem: «Você acha que eu sou criado de alguém?? Você costuma transportar coisas de gajos que não conhece de lado nenhum? Você tem uma deficiência mental ou tem por hábito fazer perguntas estúpidas? Quer transportar a minha bagagem para algum lado?»
Exasperante.
E depois temos aquela cena do detector de metais. Qualquer dia um gajo tem que passar nú no detector de metais. Eu costumo fazer de propósito e levar as Catterpillar com biqueira de ferro. Alarmes por todo o lado. Os gajos à rasca sem saberem onde está o metal. A fila atrás de mim a engrossar e eles à procura à rasca. E aí eu digo-lhes que tenho implantes metálicos nos calcanhares e eles acreditam. Broncos.
Se há sítio onde um fumador se sente discriminado é nos aeroportos. Não percebo porque não se pode fumar à vontade dentro de um aeroporto – é uma espécie de despressurização antes de entrarmos no avião? É claro que há zonas de fumadores, mas têm sempre um espaço limitado (em Londres parece um curral de gado) e encontram-se sempre povoadas de gajos de aspecto acinzentado a esfumaçar que nem uns alarves, um cigarro atrás do outro. Só de olhar para eles dá vontade de deixar de fumar e engordar que nem um cachalote.
É vulgar ouvirmos uma voz do além a chamar um passageiro que já devia estar no avião e que anda a alucinar algures dentro do free shop do aeroporto – a comprar como se não houvesse amanhã. Será que estes gajos ficam tão entorpecidos dentro de um aeroporto que se esquecem que há centenas de pessoas que não levantam vôo só porque eles gostam de ouvir o barulhinho da máquina do multibanco? Não faço ideia. Mas sou adepto de que em cada aeroporto deveria haver uma tribo somali, devidamente untadinha de pau de cabinda, para sodomizar à bruta (entre cânticos guerreiros da terra deles) os tipos que me fazem perder tempo.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

A Razão do Jardim à Beira Mar Plantado

jardim
Alguém algures levou demasiado a sério esta analogia do «jardim à beira mar plantado». Sabemos bem que os jardins ficam mais viçosos se forem bem adubados. Sabemos bem que um bom adubo é constituído por uma boa dose de esterco. Mas não exageremos! Há demasiado esterco no adubo! Há demasiado adubo no jardim!
Podem parar de adubar, se fazem o obséquio.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

A Razão Semântica

semantica
Para um esquimó não existe a palavra branco. Não é estranho? Um gajo que vive rodeado de branco não ter essa palavra? Na realidade o esquimó não tem a palavra branco porque consegue identificar tantos tipos de branco diferentes que não lhe passa pela cabeça utilizar a designação mais simples.
A mesma coisa acontece aos beduínos em relação ao castanho: a maioria das cores quentes são para eles variantes do castanho, daí que o simples castanho não existe no seu vocabulário.
No caso dos portugueses o fenómeno dá-se com a palavra «político». É que há tantas variantes de bosta...