quinta-feira, fevereiro 16, 2006

A Razão dos Sonhos

sonhar
É impressionante a capacidade que os mamíferos têm de inventar maneiras de enganar e sacar dinheiro a outros mamíferos. Um desses esquemas manhosos é a «interpretação de sonhos».
Basta abrir um «dicionário de sonhos» para percebermos que estamos a ser gozados: as temáticas dos sonhos estão ali todas alinhadas alfabeticamente para poderem ser rapidamente consultadas, e cada um dos temas tem uma breve explicação do seu significado.
Deixem-me dar-vos um exemplo retirado daqui:

Sonhar com Ânus
Você não deve acreditar em amigos do sexo oposto, pois poderão colocá-lo em sérias dificuldades, através de mexericos e intrigas no seu ambiente de trabalho.

Impressionante han? Por aqui vemos que há gente que sonha com olhos do cu, o que não deixa de ser muito esquisito e passível de internamento numa clínica psiquiátrica somali. Mas mais interessante que o tema do sonho é a sua explicação. O que é que tem o cu a ver com as calças? Ou melhor, o que é que tem o olho do cu a ver com a malta amiga do sexo oposto? E porque raio é que esta malta me há-de vir a chatear no meu local de emprego? E será que isso me impedirá de sair a horas?
Pessoalmente acho duvidoso que sonhar com uma coisa específica possa ter sempre o mesmo significado independentemente de quem a sonha: sonhar com as mamas da Marisa Cruz terá sempre o mesmo significado independentemente se formos um operador de ordenha mecânica em Tobursk ou um apanhador de grelos mediterrânicos na Córsega? Tenho dúvidas. Deverá haver alguma contaminação cultural nos sonhos, não? Ou querem dizer-me que sonhar que se está afagar gentilmente os glúteos de uma égua que relincha em grego antigo significa o mesmo para um beduíno do que para o João Moura? Tenham juízo...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

A Razão do Bestial e da Besta

dean
Há gajos que são endeusados só porque não tiveram tempo de fazer merda enquanto estiveram vivos. O facto de terem morrido jovens deixa-os assim num estado de glória suspensa que resiste ao tempo. Os que continuam a viver, e vão envelhecendo calmamente, não têm essa sorte, e estão condenados a passar de bestiais a bestas e vice versa, num ciclo contínuo até ao fim da sua mais ou menos longa vida. Não acho isto justo. Acho que devíamos abater a malta no seu auge e transformar esta choldra num mundo de semi-deuses quase perfeitos. O problema estaria em identificar aquele ponto em que a partir dali seria sempre a descer. O Travolta, por exemplo, já não faria o Pulp Fiction e ficaria sempre lembrado como um dançarino gay. O Mário Soares já não voltaria a candidatar-se. O Ricardo já não jogaria na selecção. O Herman não faria talk shows. E o Marques Mendes não teria saído da mesa de matraquilhos.
Pensando bem isto não é uma boa ideia. Acho que precisamos de passar de bestiais a bestas de vez em quando, só para nos lembrarmos que as coisas não nos caem do céu (tirando os asteróides, e os aviões da Air Morocco, é claro).

terça-feira, fevereiro 14, 2006

A Razão do Código Morse

morse

Antes dos e.mails, antes dos telemóveis, antes dos satélites, antes dos telefones fixos, e mais ou menos na altura dos sinais de fumo, houve um tipo, o Samuel, que achava que devia de haver uma maneira de se poder comunicar instantaneamente em grandes distâncias. E inventou uma coisa chamada telégrafo, que funcionava com um software chamado código Morse: uma coisa realmente básica mas igualmente eficaz que consistia em pequenos impulsos eléctricos transmitidos por fio, e que replicava o alfabeto ocidental de A a Z. Por essas e por outras é que os árabes e os orientais sempre tiveram dificuldade em comunicar-se a longas distâncias.
Atribuindo pontos e letras a palavras específicas do alfabeto, o Samuel Morse lá conseguiu que um tipo num ponto do mundo se pudesse comunicar com outro tipo no lado oposto. Estava criado o percursor dos sms.
Eu sempre achei alguma graça ao Código Morse e desconfio que no início aquilo não tivesse sido fácil para quem utilizava o sistema. Uma coisa que sempre me fez confusão é como se distinguia um ponto de um traço – dizem-me que o traço era constituído por duas batidas rápidas e um ponto por uma batida apenas, mas como distinguir os espaços entre palavras? Como é que os gajos sabiam que aquele ponto não pertencia à palavra seguinte? Ou que era apenas um ponto final? E como se punham os acentos nas palavras? Devia haver imensa confusão entre o cágado e o cagado.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

A Razão da Inutilidade

sudoku
Há actividades humanas estupidamente inúteis. Há seres humanos que são pagos para as inventar. E há outros seres humanos suficientemente estúpidos para pagar por estas invenções cuja função consiste simplesmente em mantê-los em vida suspensa, alheados de tudo e de todos. A última destas invenções que promovem a actividade inútil é o Sudoku. A progressão do Sudoku neste país, e em todo o mundo, é a prova cabal que a malta anda realmente à procura de algo que os aliene. Tenho dificuldade em perceber os gajos e gajas que bovinamente se viciam em Sudoku. Qual é o interesse daquela malta em alinhar, nos seus tempos livres, números na vertical e na horizontal. Não é melhor mandar umas quecas? Viajar para qualquer lado? Ter uma conversa estimulante com alguém? Ou mesmo mandar um par de lambadas no vizinho? Será que os gajos acham que os seus netinhos se vão impressionar quando disserem «o avô ganhou o campeonato nacional de Sudoku em 2006»? O mais provável é que o puto fique a pensar que o avô era o maior sodomita nacional daquele ano remoto...
Conseguem imaginar-se no fim da vossa vida e pensar que perderam dias, meses, em torno de uma actividade que não vos tornou melhores como seres humanos? Conseguem? Eu também consigo, mas não será a jogar Sudoku, garanto-vos.

domingo, fevereiro 12, 2006

A Razão da Beleza Artificial

beleza
Acho que não é justo que as mulheres feias possam fazer operações plásticas e ficarem com bom aspecto. Se alguém nasce feio, devia ficar assim. E mais nada. Não acho bem que as pessoas possam melhorar o seu aspecto. É arrepiante pensar que, um dia, podemos estar na cama com uma mulher qualquer que engatámos só porque achámos que era linda e, lá no fundo, ela ser feia como os cornos. Pode ter mudado o nariz, os lábios, os olhos, pode ter sido esticada, alisada e lipoaspirada. E o cirurgião pode ter feito um rico trabalho (sem exageros) e agora ela está um espanto. Mas lá no fundo, é horrenda e a verdade é que estás na cama com uma aventesma. Alguém a quem nem sequer pedias para te trocar um dólar se pudesses ver como é realmente.
Não está certo. A feiúra devia ser uma coisa permanente.



George Carlin

sábado, fevereiro 11, 2006

A Razão da Dança da Chuva

dancadachuva
Quando penso na dança da chuva que os índios tinham a mania de fazer, pergunto-me se eles algumas vezes praticavam. Não era lógico que praticassem a dança antes de decidirem fazer a coisa à séria? Só para terem a certeza de que estavam a dar os passos certos na ordem certa? É muito provável que de vez em quando aparecessem tipos novos que nunca tinham dançado aquilo; é também provável que o mestre de dança quisesse experimentar passos novos. Existe um sem número de motivos para que os índios jogassem pelo seguro e primeiro praticassem a dança da chuva.
A minha questão é: se eles estivessem a praticar e a chuva não desatasse a caír imediatamente, como é que eles saberiam que estavam a dançar bem? Se o estivessem deveria chover, não? Ou será que os índios achavam que o deus da chuva percebia que aquilo era só um treino e aguardava pela dança à séria?
Mas também se desatasse a chover durante os treinos porque não acabar com a dança da chuva? Bastava treinar e pronto.
Foi este tipo de pensamento que levou a que me separassem dos outros miúdos na escola.

George Carlin

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A Razão do Turista Japonês

turistajapones
Só há uma coisinha pior que portugueses em férias. São os japoneses em férias. Já alguma vez se cruzaram com um grupo de turistas japoneses? Não parecem todos o mesmo japonês clonado até à quinta casa? Com aquele sorrisinho estúpido, dentes de coelho e óculos redondos, e de máquina fotográfica digital à volta do pescoço a tentar fotografar tudo à volta num raio de 2 metros e a curvar-se repetidamente para a frente como se o tronco tivesse vida própria e insistisse em manter-se na horizontal?
É enervante olhar para um grupo de turistas japoneses. Parecem lemmings. Não conseguem andar sozinhos. Aliás, têm um pavor de morte em andar sozinhos. Um japonês só vai de férias quando consegue assegurar, junto da sua agência de viagens, que com ele vão pelos menos 150 gajos. E depois lá vão eles todos juntos para todo o lado a sorrir com aquele ar de trissomia 21, a soltar pequenos gritinhos de entusiasmo.
Não queiram fazer férias em destinos povoados por japoneses. Estão a ver a piscina do resort? Quando um japonês decide ir tomar banho na piscina é seguido por todos os outros, de câmaras à prova de água ao pescoço, tornando a piscina numa espécie de pires de aletria, amarelo e pastoso. Quando um japonês decide aprender a mergulhar com garrafas o melhor é esquecermos o curso de mergulho e voltar 3 meses depois, altura em que o último japonês do grupo acabou de fazer o dito curso.
Para quem quiser enriquecer no Japão à conta destes lemmings deixo uma dica: vão para lá vender espelhos de bolso. Chamem-lhes de kit de viagem. Assim quando um japonês se perder do seu grupo de férias pode sempre sacar do seu espelho, apontar para si, e sentir-se reconfortantemente acompanhado. Sucesso garantido. Que povo de babacas...

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Razões Felinas

felinas
Os gatos têm uma característica que eu acho admirável: a impunidade. Quando um gato comete um erro ele normalmente não se sente responsável nem mostra embaraço. Se um gato faz uma coisa realmente estúpida, como saltar para cima de uma mesa e aterrar em cima de quatro chávenas de café, ele consegue dar aquele ar de que tudo aquilo é rotineiro. Os cães não são assim. Se um cão derruba um candeeiro nós conseguimos perceber quem foi só olhando para o cão; e ele fica com aquele ar comprometido e envergonhado. O gato não. Quando um gato parte qualquer coisa, dirige-se calma e calidamente para a sua próxima actividade.
«O que é que foi? O candeeiro? Não fui eu. Vão-se lixar, sou um gato! Há alguma coisa partida? Perguntem ao cão.»

George Carlin

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

A Razão do Choque Tecnológico

choquetecnologico
Está na moda falar em «choque tecnológico», uma das medidas mais mediatizadas do Governo desta telenovela mexicana, e que parece ser a cura para todos os males do país. Assim de repente, com Bill Gates à mistura, parece que Portugal voltou a ser um país próspero e importante com esta história do «choque tecnológico». Os media rejubilam com a expressão «choque», sugerindo-lhes alguma coisa impactante e rimbombante, digna de um qualquer noticiário. Eu continuo chocado com tudo isto porque me parece, mais uma vez, que estamos a ser engrupidos com conceitos, no mínimo, vagos. Principalmente porque sempre ouvi dizer que Portugal era um país que adoptava e implementava a um ritmo muito rápido tudo o que era nova tecnologia: a Via Verde por exemplo, onde somos pioneiros no mundo; o sistema de Multibanco, outro exemplo, onde somos o país mais avançado do mundo na aplicação de um sistema de informação interbancário; o telemóvel pré-pago, outra invenção portuguesa que revolucionou o mundo dos telemóveis em todo o mundo e que hoje em dia é o sistema mais utilizado no planeta.
Por sermos tão avançadinhos tecnologicamente é que esta converseta não me faz sentido nenhum. A não ser que quando falemos em «choque tecnológico» estejamos a falar de coisas mais pragmáticas do tipo: destruir à paulada todos os computadores do país; enfiar (com uma relativa violência) a cabeça do Sócrates, e já agora de todos os membros do executivo, num ecran plasma de última geração; atestar a força destrutiva de um laptop quando arremessado a uma velocidade superior a 20 km/h na direcção de umas gengivas desprotegidas. Isso sim, seria um choque tecnológico. Não teria grande interesse, é verdade, mas ao menos não seria um conceito vazio onde tudo cabe.
Continuo a achar que o nosso Desgoverno está equivocado. Preferiria ver o mesmo entusiasmo bacoco e provinciano aplicado a um «choque económico», ou a um «choque social», ou a um «choque ético», ou mesmo um «choque de civilidade». Eu por mim começava por estes dois últimos e logo me preocupava com o «choque tecnológico» mais tarde. O que este país precisa mesmo é de uns electrochoques.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

A Razão Muçulmana

muslimdrawings
Desde que os dinamarqueses fizeram umas caricaturas de Maomé que os muçulmanos andam armados em alarves a destruír embaixadas por todo o mundo árabe. Na Turquia, esse país a resvalar perigosamente para a União Europeia, acabaram de matar um padre à conta de uma dúzia de rabiscos nórdicos. Para um ocidental parece um bocadinho excessivo, este protesto muçulmano...
Isto leva-me a pensar na violência latente do mundo árabe, no apedrejamento de mulheres, nas execuções públicas, nas chibatadas também elas públicas. Não acho normal esta violência e não concordo que esta tenha origem na religião, ou no Corão, se quiserem. O Corão pode ser culpado de muita coisa, mas não o é da violência compulsiva do fundamentalismo islâmico. Na minha opinião o problema disto tudo é da poligamia.
Já viram bem o que aqueles gajos sofrem diariamente? Façam as contas comigo: aquela malta tem mais de uma mulher, na pior (ou melhor) das hipóteses têm duas mulheres. O mais vulgar é terem umas cinco ou seis. Estão a imaginar o que é aturar 6 mamíferos diariamente? 6 gajas a chatear-vos a cabeça diariamente, cada uma com o seu lote de filhos babosos e choramingões, e com as suas crises de TPM a PARTIR-VOS CIRURGICAMENTE A CAROLA numa base diária? Imaginem o que vocês passam diariamente e agora multipliquem por seis, ou por sete, ou por vinte! Conseguem imaginar o estado de nervos em que vocês viveriam? Qual era a maneira que vocês teriam de lidar com esta questão? É claro que tinham que saír de casa e extravasar: punham bombas à volta da cintura e iam ao centro comercial mais próximo; iam dar porrada nos vizinhos isrealitas; e em dias mais complicados É CLARO QUE SE CHATEAVAM COM A MERDA DOS CARTOONS!! Até se chateavam com a falta dos cartoons, se fosse caso disso.
Portanto antes de criticarem gratuitamente estes protestos anti-cartoon pensem no que estes desgraçados penam diariamente. Ponham-se nos sapatos deles. E depois digam-me se também não iam arrear na malta do consulado mais próximo.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

A Razão do Tempo

tempo
Tempo. O conceito mais abstracto e mais estúpido da nossa sociedade. Uns têm falta dele. Outros gostam de o fazer. Outros ainda ocupam-no para o gastar. Há quem peça tempo; há quem tenha tempo; há quem dê tempo; há quem perca tempo; há quem o ganhe e o desperdice. Quando falamos em tempo olhamos invariavelmente para um dos pulsos, ou à nossa volta para um qualquer dispositivo que tem por função dizer-nos em que fase dele estamos. Por ele e nele corremos, por causa dele nos enervamos e perdemos a paciência, e sem ele ficamos perdidos.
A todos aqueles que vieram aqui com ou sem tempo, na esperança de gastar tempo ou de passar um tempo agradável, digo-vos apenas que não houve tempo de pensar com tempo no post de hoje. Dêem-me mais um tempo.

domingo, fevereiro 05, 2006

A Razão dos Dez Mais Procurados

10MP
Há coisas que me fazem espécie na lista dos Dez Mais Procurados do FBI. Quando apanham um gajo que está na lista, o número onze sobe um lugar e passa a estar também na lista? E isto conta como uma promoção? Será que o tipo liga aos seus amigos criminosos e diz: «Consegui Bruno! Finalmente estou na lista»?
Então e quando aparece um tipo extremamente perigoso e têm de o pôr no primeiro lugar da lista? (Chamem a isto «entrada directa para o topo da tabela» se quiserem.) Os outros têm todos de descer um lugar? E não há um tipo que fica de fora? Como é que decidem quem é que vai ficar de fora? É o que está na décima posição? E como é que ele se sente a respeito disso? Não se sentirá menosprezado? Não achará que deviam ter escolhido outro gajo qualquer? Será que já aconteceu o tipo que fica fora da lista matar o que está em primeiro para recuperar o seu lugar?
Uma última pergunta: o FBI esforça-se mais para apanhar o número três do que para apanhar o número sete? Eu esforçava-me. Se não fôr assim, para que é que lhes dão números? É este tipo de pensamento que me impede de progredir na vida.

George Carlin

sábado, fevereiro 04, 2006

A Razão Base

base

ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política do acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?


Eça de Queiroz, 1867

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

A Razão do Terminal

theterminal
Em que sítio encontramos os niveis de QI mais rasteiros do planeta? Se estão a pensar na Assembleia da República andam lá perto mas não acertaram. A resposta certa é: nos aeroportos.
A estupidez que se respira num aeroporto é inigualável, incomparável e irrepreensivelmente insuperável. Se tivesse que alinhar numa folha A4 as coisas mais estúpidas a que já assisti na minha vida, a maioria delas teriam acontecido num aeroporto.
Há um embrutecimento qualquer que reina nos aeroportos e que parece subsistir ao longo do tempo. Começando pelo preço das coisas dentro de um aeroporto. É tudo irrealmente caro, como se o simples facto de voarmos de um sítio para o outro nos fizesse entrar num transe maléfico qualquer que nos compele a pagar alegremente um café pelo mesmo preço que pagamos uma refeição na tasca da esquina.
E depois há a questão das perguntas quando fazemos o check in:
«Foi você que fez a sua mala»?
Apetece responder: «Claro que não. Que estupidez. Ontem à noite convidei a célula local da Al Qaeda para jantar lá em casa e, em troca de uma refeição quente, obriguei os gajos a fazerem-me a mala.»
«A sua bagagem esteve sempre consigo?»
E nós: «Bem... nem toda. Tenho aí umas cuecas que estão comigo há coisa de dois anos, quando estive no Corte Inglês. As calças já estão comigo há mais tempo, o que poderá constatar pelo aspecto delas. Os peúgos estão comigo há relativamente pouco tempo, comprei-os há dias. Recentes recentes são as camisas. Comprei-as ontem. Quer ver o talão?»
«Algum desconhecido lhe deu alguma coisa para transportar?»
Merecem: «Você acha que eu sou criado de alguém?? Você costuma transportar coisas de gajos que não conhece de lado nenhum? Você tem uma deficiência mental ou tem por hábito fazer perguntas estúpidas? Quer transportar a minha bagagem para algum lado?»
Exasperante.
E depois temos aquela cena do detector de metais. Qualquer dia um gajo tem que passar nú no detector de metais. Eu costumo fazer de propósito e levar as Catterpillar com biqueira de ferro. Alarmes por todo o lado. Os gajos à rasca sem saberem onde está o metal. A fila atrás de mim a engrossar e eles à procura à rasca. E aí eu digo-lhes que tenho implantes metálicos nos calcanhares e eles acreditam. Broncos.
Se há sítio onde um fumador se sente discriminado é nos aeroportos. Não percebo porque não se pode fumar à vontade dentro de um aeroporto – é uma espécie de despressurização antes de entrarmos no avião? É claro que há zonas de fumadores, mas têm sempre um espaço limitado (em Londres parece um curral de gado) e encontram-se sempre povoadas de gajos de aspecto acinzentado a esfumaçar que nem uns alarves, um cigarro atrás do outro. Só de olhar para eles dá vontade de deixar de fumar e engordar que nem um cachalote.
É vulgar ouvirmos uma voz do além a chamar um passageiro que já devia estar no avião e que anda a alucinar algures dentro do free shop do aeroporto – a comprar como se não houvesse amanhã. Será que estes gajos ficam tão entorpecidos dentro de um aeroporto que se esquecem que há centenas de pessoas que não levantam vôo só porque eles gostam de ouvir o barulhinho da máquina do multibanco? Não faço ideia. Mas sou adepto de que em cada aeroporto deveria haver uma tribo somali, devidamente untadinha de pau de cabinda, para sodomizar à bruta (entre cânticos guerreiros da terra deles) os tipos que me fazem perder tempo.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

A Razão do Jardim à Beira Mar Plantado

jardim
Alguém algures levou demasiado a sério esta analogia do «jardim à beira mar plantado». Sabemos bem que os jardins ficam mais viçosos se forem bem adubados. Sabemos bem que um bom adubo é constituído por uma boa dose de esterco. Mas não exageremos! Há demasiado esterco no adubo! Há demasiado adubo no jardim!
Podem parar de adubar, se fazem o obséquio.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

A Razão Semântica

semantica
Para um esquimó não existe a palavra branco. Não é estranho? Um gajo que vive rodeado de branco não ter essa palavra? Na realidade o esquimó não tem a palavra branco porque consegue identificar tantos tipos de branco diferentes que não lhe passa pela cabeça utilizar a designação mais simples.
A mesma coisa acontece aos beduínos em relação ao castanho: a maioria das cores quentes são para eles variantes do castanho, daí que o simples castanho não existe no seu vocabulário.
No caso dos portugueses o fenómeno dá-se com a palavra «político». É que há tantas variantes de bosta...

terça-feira, janeiro 31, 2006

A Razão Cola Cao

colacao
«Aquilo que não me destrói torna-me mais forte». Já leram maior imbecilidade que esta? Isto faz-me pensar que afinal a sabedoria popular não é tão lúcida como nos quer fazer parecer. Imaginem coisas que não nos destroem, do tipo: uma deficiência renal; a espinal medula em gelatina; o cérebro a funcionar só de um lado (com a consequente baba a escorrer de um dos lados da boca); os fémures trituradinhos por um catterpillar desgovernado; a bacia no lado errado das costas; um bocado do vosso baço numa qualquer placa de Petri; a glândula pituitária a latejar desenfreadamente; o intestino a sair-vos pelo anús; e daí por diante. Tudo isto são coisas que não nos destroem, pelo menos no sentido literal da coisa. Mas daí a pensar que isto nos fortalece vai uma distância considerável. Estão a imaginar dizerem para alguém «graças a Deus que amputei a minha perna esquerda a semana passada, há anos que não me sentia tão vigoroso»? Está tudo doido ou quê? Aquilo que não me destrói não só não me torna mais forte como me deixa em muito mau estado. Não nos iludemos. Sejamos lúcidos
.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

A Razão do Entalado

entalado
Cerco de Lisboa. Ano de 1147.
Mal sabia Martim Moniz, a correr alarvemente para a fresta de uma das portas do Castelo de São Jorge (hoje designada por Porta de Martim Moniz), que estava a iniciar uma tradição. Ao morrer entalado na porta do castelo que queria tomar, permitindo assim que os seus companheiros penetrassem nas defesas inimigas, Martim Moniz deu origem a uma das mais antigas tradições nacionais: a tradição do entalado.
Desde esse momento, gerações e gerações de indivíduos entalaram-se alegremente para que outros pudessem safar-se à grande e à portuguesa, neste jardim à beira-mar semeado.
Desde então pouco mudou, à excepção de uma pequena nuance: são cada vez mais os entalados – pouco menos de 10 milhões, para ser mais preciso.

domingo, janeiro 29, 2006

A Razão Pedagógica

pedagogica
Aqui fica uma boa maneira de entreter o vosso filho de quatro anos quando o metem na cama e, ao mesmo tempo, de lhe estimular a imaginação:

«Vim desejar-te boa noite e ajeitar-te os lençóis, Joãozinho. Tiveste um dia em cheio, por isso, trata de dormir bem. E não te esqueças de ter cuidado com o Papão. Lembras-te do que o pai te disse sobre o Papão? De como mata rapazinhos? O que achas Joãozinho, achas que o Papão está aqui escondido no teu quarto? Será que está no armário? Será que vai saltar lá de dentro e matar-te mal eu me vá embora? Pode ser que sim. Nunca se sabe.
Talvez esteja debaixo da cama. Também gosta de se esconder lá. Se calhar vai abrir um buraco no colchão e matar-te. Não deixes que ele te mate Joãozinho. Sabes o que ele faz? Espeta um tubo de metal afiado pelo teu nariz e chupa-te os miolos. E isso dói muito.
Agora, vou apagar a luz e deixar-te sozinho no escuro. E não quero ouvir barulho. Se ouvir algum barulho vindo deste quarto, venho cá e bato-te. Tenta dormir bem. A propósito, o pai viu um monstro a passear no corredor ontem à noite. Tinha um papel na mão com o teu nome escrito. Boa noite.»

George Carlin

sábado, janeiro 28, 2006

A Razão Nua e Crua

nuaecrua
Olá. Somos nós que controlamos as vossas vidas. Nós tomamos as decisões que vos afectam a todos. Não é interessante saber que as pessoas que vos gerem a vida têm a frontalidade para o admitir desta forma? Sofram, palhaços. Sabemos de tudo o que fazem e sabemos para onde vão. Para que acham que servem as câmaras? E os satélites? E os números da Segurança Social? Vocês pertencem-nos. E ninguém pode alterar isso. Recolham assinaturas, façam manifestações, levem processos a tribunal, votem, escrevam cartas a quem quiserem. Não vai adiantar nada. Porque nós controlamos as vossas vidas. E temos planos para vocês. Agora voltem para a cama.

George Carlin