A minha teoria da evolução:
Darwin foi adoptado.
Um dos espécimes vulgaris deste país é o ressabiado. Ressabiado, digo eu, é aquele gajo que acha que vale mais do que aquilo que a realidade demonstra e que por causa disso anda permanentemente chateado porque ninguém nunca lhe reconhece aquilo que ele acha que merecia ter. Complicado? Não, se conhecerem uma personagem chamado Saramago – um estreptococo que um dia decidiu que o país era demasiado pequeno para albergar o seu insuflado ego e que por isso se mudou para uma ilha do país vizinho.O que faz com que Saramago seja um labrego ressabiado? Qualquer indivíduo com coluna vertebral teria tomado a atitude que ele tomou assumindo-a com frontalidade. Quem leu isto sabe que coluna vertebral é algo que escasseia em Saramago e portanto de vez em quando temos de levar com as aleivosias deste estreptococo. A última delas foi o lançamento do seu último livro, pelo que sei uma obra de humor (como se um estreptococo invertebrado soubesse provocar o riso). Saramago decidiu fazer o lançamento do seu último livro no Brasil. Até aqui tudo bem. Vender para um mercado de 259 milhões de potenciais leitores é substancialmente diferente do que vender para um miserável mercado de 10 milhões. O que me chateia profundamente é que esta bosta fez questão de dizer que lhe dava muito prazer de lançar o seu último estertor no Brasil só porque não o fazia em Portugal. Pessoalmente até agradeço que Saramago publique os seus livros na República do Butão, no Uzbequistão, ou inclusivé na Somália. Até agradecia que os seus lançamentos fossem feitos o mais longe possível do meu miserável país. O que não tenho é pachorra para aturar é o seu ressabiamento crónico. Se isto fosse um país de gente séria Saramago nunca mais venderia um único livro à conta desta sua última diarreia ressabiada. Mas como vivemos em Portugal, qualquer cagalhão nobelizado atinge calmamente a 2ªedição.
Os filósofos chamam-lhes de cortes epistemológicos. A maltosa do dia a dia é mais despudorada, ou eufemística se quiserem, e intitulam-no de «a puta da realidade».
A verdade é que há alturas em que as coisas não voltam a ser o que eram. A tara perdida é uma delas. A partir do momento que uma alma iluminada decidiu criar a tara perdida, Portugal nunca mais voltou a ser o mesmo. Até aquele momento tínhamos a nossa tara: podia até ser uma tara inconsequente, pequenina, insignificante, rídicula. Mas era a nossa tara. A tara que fez com que um pastor andasse à calhauzada com romanos nos Montes Hermínios; a tara que fez com que um gajo mandasse um par de lambadas na mãe e desatasse a fundar que nem um desalmado; a tara que fez com que meia dúzia de gajos numa casquinha se fizesse ao mar para dar novos mundos ao mundo; a tara que fez com que um puto maluco comprometesse à grande os destinos da nação; a mesma tara que fez com que uma gaja arreasse à grande e à portuguesa com uma pá num grupelho de labregos castelhanos; a tara que fez com que a língua portuguesa fosse muito maior que o território nacional; e que um grupo de chavalos capitães decidisse tomar o país de G3 carregadas de cravos vermelhos.
Depois da introdução da tara perdida não voltámos a ser os mesmos. Perdemos a tusa, dizem uns. Perdemos a noção dizem outros. Perdemos aquela dose de loucura que sempre fez com que nós, desde sempre um pequeno país no ponto mais ocidental da Europa, achássemos que éramos muito (mas muito mesmo) maiores que os nossos mais selvagens sonhos.
Hoje, com a tara perdida algures por aí e sem esperanças de alguma vez a reencontrarmos, somos a exacta imagem do nosso Primeiro Ministro: um gajo de voz esganiçada e de atitudes titubeantes, que mente todos dias ao país e a si próprio, sem tara nem objectivos.
Alguém procure a tara s.f.f.
O que é que se pode esperar de uma época cujas atitudes de revolta foram perpetuadas pela terceira idade?
Pouco, mas a verdade é que os idosos de hoje já não são como antigamente e o país está como está porque está porque os novos velhos não têm tino.
Antigamente, nos bons velhos tempos, quando atingiam uma determinada idade fechavam-se em casa ou nos lares e tinham a delicadeza de fingir que se tinham finado antes do tempo. Era uma espécie de estágio.
Hoje, não. Estão uns autênticos alucinados e andam aí na rua como se não houvesse amanhã. E para muitos provavelmente não haverá.
Antes, no tempo em que respeitavam os mais novos, quando os encontrávamos na farmácia era porque estavam a comprar a pomada para o hemorroidal. Não andavam por aí nos posters publicitários a promover descaradamente uma vida sexual capaz de fazer inveja a uma marta com cio.
Antes, quando os víamos no banco era porque tinham ido depositar mais umas economias para o futuro dos filhos e netos, e não porque tinham decidido recorrer a créditos especias para viagens de luxo, vestidos com camisolas «I went to Polynesia and all I bought you was this lousy T-shirt».
Antes, quando tinham alguma decência, se os víamos acompanhados de miúdas de 18 anos era porque tinham ido esperar a neta à Faculdade.
Antes, quando apareciam na televisão era porque tinham chegado aos 100 anos e a família queria aparecer no telejornal. Não era de forma alguma para se candidatarem a presidentes da República Portuguesa.
Francamente! Já não há respeito.
Estou a escrever este post num hotel em Amsterdam. Vou-me coibir de vos explicar as razões que me fazem estar neste momento em Amsterdam, e ainda por cima a escrever um post. Imaginem o que vos apetecer.
Há pouco fui à janela do meu quarto no 4º piso e pus-me a ver a vista. Nada de especial a vista. A não ser pelo facto de lá embaixo, ao lado de um parque de estacionamento de bicicletas, estar uma cabra branca a pastar num canteiro. Ora eu vim directo do aeroporto para o hotel e portanto qualquer hipótese de estar perante o efeito secundário de substâncias alucinógenas deve ser terminantemente posta de lado. A cabra é real. E branca. E pasta.
Daqui por uma hora talvez veja um dragão de Komodo a alçar a perna para fazer a sua mijinha territorial na esquina do hotel. Daqui por duas horas talvez me depare com uma anémona descorada a coçar a micose no bar do hotel, tentando encetar uma conversa de engate com uma alforreca escorbútica com problemas de bebida. Talvez até seja confrontado, daqui por três horas, com anões coloridos e besuntados em manteiga a tentar trilhar o mamilo nas dobradiças da porta do hotel, ao mesmo tempo que cantam «Adio adieu» do grande Cid. Talvez veja isso tudo e mais um par de botas. Mas enquanto o space cake que pedi ao room service não chega, vejo uma cabra branca a pastar no passeio.
É curioso ver como os povos culturalmente próximos dos nossos amigos castelhanos mantêm alguns tiques ancestrais dos seus fundadores. Pessoalmente considero o acto um bocadinho boçal. Não percebo a aversão que os argentinos têm às caixas de reclamações/sugestões.
No entanto este incidente leva-me a pensar no que aconteceria se Portugal tivesse sido conquistado pelos espanhóis. Haveria muita coisa a que atear fogo por aí…
Descontentes com a morosidade e a tendenciosidade da Justiça em Portugal os portugueses queimariam todos os tribunais. Depois, insatisfeitos por estarem a endividarem-se para descontar para um chorrilho de labregos da Função Pública, incendiariam repartições de finanças, notários, escolas e universidades, esquadras de polícia, quartéis dos vários ramos das forças armadas, e ministérios vários.
Desagradados com as despesistas e desviantes políticas autárquicas, incendiariam câmaras municipais, transformando os seus funcionários em verdadeiras tochas humanas. Finalmente, porque não gostariam decerto que o seu primeiro ministro lhes mentisse constantemente, fariam um derradeiro auto de fé na Assembleia da República (não sem antes terem passado por Belém, chateados com os dois pesos e duas medidas do seu Presidente) e queimariam todo o executivo em estacas improvisadas para o efeito. Os jornalistas da TVI a cobrir o evento teriam o mesmo quente destino. As unidades de queimados dos hospitais públicos não teriam mãos a medir: iriam certamente faltar fitas métricas para tanta mão.
Quando acabassem de queimar os motivos do seu descontentamento, os portugueses iriam perceber que todo o país tinha ardido. Felizmente que não deixámos os espanhóis cá entrar. Felizmente que somos um povo civilizado. Assim só queimamos mesmo os nossos parcos e últimos recursos naturais.
Pelo que sei as martas são criadas para depois serem transformadas em casacos de pele. Ora se não usássemos casacos de pele, aqueles animaizinhos nunca viriam a nascer. O que é melhor? Nunca chegar a nascer ou viver por um ano ou dois antes de se tornar num casaco de peles? Eu não sei.
Não há raça de gente mais irritante, mais javarda, mais peçonhenta, e mais desprovida de um único pingo de decência, que os bufos. Esses filhos de um comboio cheio de meretrizes siflíticas, mal lavadas e a cheirar a bedum. Esses esbirros de gente que deixam um rasto de baba como lesmas nojentas. Esses estreptococos labregos que tresandam a merda num raio alargado de quilómetros.
Nascidos e criados nos 48 anos de ditadura os bufos viram a sua actividade ameaçada com a chegada da revolução e da liberdade de expressão. Mas foi uma preocupação de pouca dura porque o Estado português não levou muito tempo a institucionalizar os bufos e a torná-los parte do sistema, mesmo num regime democrático.
O Estado torna-se assim no grande criador de bufos do século XXI: um bufo que já não esconde o facto de ser bufo; um bufo que agora usa farda; um bufo que tem um escritório cheio de outros bufos; um bufo que como todos os outros labregos da disfunção pública, é pago por nós para bufar que nem uma mula com cio.
Nos tempos da outra senhora estava toda a gente proibida de abrir o envelope. Dava direito a prisão e tudo. Não significa isto que eles permanecessem fechados, e que a malta acatava a proibição. Não. Os envelopes continuavam a abrir-se em segredo, à porta fechada, e embora houvesse zunzuns que fulano tinha aberto o envelope, não passavam disso mesmo. Zunzuns.
Depois houve a revolução e as coisas mudaram gradualmente. Aqui e ali foram-se abrindo uns envelopes, timidamente. Apesar da liberdade, a malta não estava ainda muito habituada a abrir o envelope assim abertamente, de chofre. E muita gente deixou o envelope por abrir. Ficou lá por casa, arrumado algures entre os livros, na vã tentativa de se esquecerem dele, para não caírem na tentação de o abrir. E o tempo foi passando.
O país, antes fechado em si próprio e desconhecedor do mundo à sua volta, começou a olhar para fora e a ver que lá fora já muita gente tinha aberto o envelope, e que apesar disso tinham uma vida normal. E aí começaram a perder a timidez e desataram a abrir o envelope como se não houvesse amanhã. De repente toda a gente tinha um amigo que abriu o envelope. Um vizinho que abriu o envelope. Um colega de trabalho que abriu o envelope. De repente abrir o envelope dava direito a desfile, com o envelope aberto bem alto, na mão. Abrir o envelope passou a ser um acto normal, até que um dia quiseram torná-lo moda e invadiram as televisões de programas com malta que acenava, histérica, o seu envelope aberto para toda gente ver. E desde esse dia abrir o envelope passou a ser uma caricatura. Consentida. Mas uma caricatura. E muito envelope continuou por abrir.
Sempre nutri um fascínio inexplicável por abstracções, por coisas tão latas que se tornam inatingíveis, daí o fascínio. E por isso divertem-me as palavras que apontam para esse vazio onde tudo pode caber. Algo é uma dessas palavras.
Reparem que existe sempre algo. Algo que despoleta algo. Algo que nos faz pensar em algo. Algo que nos impede de dizer ou fazer algo. Algo que nos diverte ou que nos chateia. Algo que, se deixarmos de fazer, acelera que aconteça algo. Ou nem por isso.
E na procura de algo que preencha algo que nos faça sentir algo, há sempre algo que nos vai transformando em algo: algo experientes, algo contentes, algo desencantados, algo intransigentes, algo recompensados, algo esclarecidos.
A beleza de algo é que é tão único e ao mesmo tempo tão diverso que nunca podemos considerar algo como certo, nem tão pouco achar que há sempre algo errado, embora os haja, os certos e os errados, os positivos e os negativos, os justos e os injustos, os deliciosos e os intragáveis.
Algo séria, esta Razão…
O nosso dia a dia é povoado por centenas de pequenos objectos que, diligente e repetidamente, lá desempenham a função para que foram criados. Existe entre eles uma hierarquia funcional que os distingue uns dos outros e segundo a qual determinamos que um objecto é mais importante que outro, no sentido de nos ser mais ou menos útil.
Na base dessa hierarquia, naquela categoria muito próxima da do bidé, temos o nível mais rasteirinho de objecto: o bibelot.
Embora tenha um nome estrangeirado e armado ao fino, o bibelot faz lembrar aqueles tios e tias de boas famílias, de nomes muito compridos, que decoram as capas de revista de sociedade, mas que não têm utilidade nenhuma. Aquilo que caracteriza o bibelot é exactamente a futilidade de não servir para nada a não ser para decorar um qualquer espaço, estando directamente dependente do mau gosto de quem decora ou de quem o compra.
Talvez por isso o bibelot seja o objecto mais procurado quando não sabemos o que oferecer a alguém. O bibelot não compromete, é um placebo comercial que desculpa a falta de imaginação ou de interesse de quem o compra.
Quando compramos um livro a alguém normalmente temos o cuidado de conciliar o conteúdo do livro com o tipo de pessoa a quem o vamos oferecer. Digamos que é uma compra com algum grau de intimidade. Quando compramos um bibelot estamos perfeitamente nas tintas se a pessoa vai ou não gostar dele, se vai olhar para ele, onde o vai colocar, etc. Sabemos à partida que se a pessoa a quem oferecermos o bibelot não gostar dele vai fazer aquele ar agradecido e grato à nossa frente e quando nos vir pelas costas irá embrulhá-lo cuidadosamente e oferecê-lo a outra pessoa noutra ocasião.
No entanto, apesar da sua inutilidade e perenidade, o bibelot divide-se em várias tipologias onde as mais conhecidas são:
Bibelots Religiosos – onde encontramos uma panóplia de cruzes, de santos, de cristos, e de budas (este último muito famoso nos últimos tempos).
Bibelots Miniaturizados – que vão desde frasquinhos de perfume, a pequenas réplicas em loiça de pratinhos e chaveninhas.
Bibelots do Mundo Animal – onde os mais conhecidos são o belo cavalinho de cristal, ou a colecção de elefantes de tromba para cima, ou ainda o célebre pinguim para o topo do frigorífico.
Bibelots de Exterior – com especial destaque para as duas águias, os dois leões ou os dois dragões a encabeçar os portões da vivenda ou, para um público mais refinado, os célebres anões de loiça em poses de jardinagem.
Bibelots de Design – continuam a não servir para nada, mas dão-se ares de obra de arte em exposição no MOMA.
Bibelots Temáticos – os mais fáceis de comprar quando conhecemos a obsessão da pessoa a quem pretendemos oferecer. Exs: colecções de vacas malhadas, colecção de gatos em todo o tipo de materiais, colecções de pequenos quadros com 842 nós de marinheiro, e assim por diante.
Se um dia tiverem que recorrer à compra de um bibelot, façam-no por uma boa causa: ofereçam-no ao patrão, à sogra, ou aos amigos da onça. Eles vão compreender.
Episódio I
Afonso de Albuquerque, depois de ter destruído vários portos tributários do Rei de Ormuz decidiu, ao comando de seis naus com cerca de 400 homens a bordo, entrar na baía de Ormuz tendo ficado cercado por 250 navios de guerra inimigos a que se juntava um exército em terra de cerca de 20.000 homens. Quando o Rei mandou um emissário a bordo para saber quais as suas intenções, Afonso de Albuquerque enviou-lhe uma curta mensagem: «Renda-se!»
Uma caravela portuguesa levava ostensivamente a bandeira das quinas no seu mastro mais alto ao entrar na baía de Cádiz, onde se encontrava a esquadra do Rei de Espanha, naquele tempo conhecida por «Invencível Armada». Interpelado pelos espanhóis para baixarem o seu estandarte à entrada do porto, abriu fogo à esquadra inteira, causando-lhe danos significativos e, após ter passado em combate por toda a fileira de navios de guerra espanhóis, acabou por saír incólume do porto de Cádiz, fugindo para Portugal.
No verão de 1574 D. Sebastião decidiu, sem prevenir ninguém, fazer uma investida a África deixando a corte em pânico sem saber onde estava o seu Rei. Quando desembarcou com meia dúzia de fidalgos alucinados em Ceuta os árabes retiraram pensando que aquele era um grupo avançado de uma força maior. Sem ninguém para combater, D. Sebastião ruma a Tânger onde lhe acontece o mesmo. Frustrado, volta para casa sem ter conseguido andar à porrada.
Vem-me sempre à cabeça a resposta do capitão António da Silveira, cercado pelos turcos em Diu:
«Fiquem sabendo que aqui estão portugueses acostumados a matar muitos mouros e têm por capitão António da Silveira, que tem um par de tomates mais fortes que as balas dos vossos canhões e que todos os portugueses aqui têm tomates e não temem quem não os tenha!».
Delicioso. Que falta de noção num excesso de nação.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu hoje um comunicado a alertar para o risco de uma nova pandemia designada por «gripe das árvores». Embora ainda não existam casos de contaminação de humanos a OMS alerta para o risco do vírus sofrer mutações rápidas que possam vir a ser prejudiciais para a saúde humana. Os primeiros focos de infecção de árvores surgiram na região de Tugunska, na Sibéria há 2 semanas atrás, tendo sido detectados novos casos esta semana na região de Innsbruck, na Áustria. A OMS acredita que com os movimentos migratórios das árvores, o risco se possa alargar a toda a Europa Ocidental no espaço de um mês.
A OMS alerta ainda para o facto do vírus se desenvolver a velocidades diferentes de espécie para espécie de árvore, havendo potencialmente árvores mais perigosas que outras. A estirpe mais letal parece ter-se desenvolvido no Carvalho, tomando a designação de «gripe do carvalho» mas existem outras espécies igualmente perigosas.
Portugal é, segundo a OMS, o país europeu melhor preparado para enfrentar a gripe das árvores, não porque tenha aprisionado vacinação suficiente para a sua população, mas porque tem paulatinamente dizimado pelo fogo a sua população de árvores nos últimos 10 anos. Só em 2005 arderam 300.000 hectares de árvores de variadas espécies, correspondendo a 25% do total de área ardida na Europa do Sul.
A Direcção Geral de Saúde (DGS) já emitiu uma circular a desdramatizar a situação, afirmando que o risco da gripe das árvores entrar em território português é mínimo, e embora estime que 6.000 portugueses possam vir a ser vítimas de quedas de árvores durante 2006, nada disso estará directamente relacionado com o vírus.
A DGS publicou entretanto no seu site uma lista de árvores que poderão constituír maior risco para a saúde pública e com as quais deveremos tomar precauções:
Carvalho – por poder conter a estirpe mais perigosa do vírus. Se virem um carvalho rouco ou com uma leve espectoração queiram reportar às autoridades locais.
Eucalipto – apresenta um risco elevado de contágio. Os sintomas do virus são visiveis a olho nú, apresentando o eucalipto um tom esverdeado e escarrando copiosamente. Se o escarro fôr verde reportem às autoridades locais.
Pinheiro Manso – apresenta um risco nada manso e é a árvore com movimentos migratórios mais rápidos, podendo deslocar-se a uma velocidade de 2,5mm por hora. Se depararem com um pinheiro manso a lacrimejar seiva e a praguejar, informem as autoridades locais.
Sobreiro Alentejano – embora se mova muito muito devagar o risco de contágio é elevado, principalmente nas árvores que já foram descascadas. Os sintomas de contágio assumem a forma de arroto prolongado e de comichão nas partes baixas. Se detectarem um sobreiro a alucinar de comichão, reportem às autoridades locais.
Como não houve aprovisionamento de vacinas que cobrissem o total da população, a DGS recomenda a utilização da posologia tradicional, tendo colocado bidons de gasolina e serras mecânicas à disposição de todos os portugueses.
Quanto mais penso nisso mais acho que este país tem uma fixação esquisita na «baixa». A coisa começa logo pela estatura física do povo, que é baixa; estende-se à economia do país, que anda sempre em baixa; invariavelmente isto tem um reflexo na auto-estima dos labregos que é, mais uma vez, baixa.
Mas se pensarmos mais um pouco, vemos que a baixa preenche outros e variados aspectos da nossa vida: à zona mais comercial e social das nossas cidades chamamos baixa; as revisões de crescimento do país e as revisões de ordenado são sempre feitas em baixa; a literacia dos tugas é baixa; adoramos a baixa de preços (a maior parte de nós espera religiosamente por ela); e grande parte do país vive em baixa: baixa de parto, baixa psicológica, ou qualquer outra baixa médica que impeça os mamíferos de contribuir para que algum dia isto volte a estar em alta.
Nada como pertencer a uma minoria num Estado de regime democrático. É claro que tem as suas desvantagens (principalmente em governos que gostam de favorecer os amigos), mas pesando bem as coisas no prato da balança as vantagens são mais numerosas. Senão vejamos:
As minorias políticas podem chatear à brava a maioria e criticar tudo e mais alguma coisa, defendendo soluções que levariam qualquer membro da maioria directamente para o manicómio. A minoria tem esta confortável margem de não-realização que lhes permite prometer as coisas mais absurdas porque eles bem sabem que ninguém nunca os irá levar a sério. É por estas e por outras que o Bloco de Esquerda nunca será um partido de maioria – eles não querem! Só querem mesmo é chatear, e eu gosto de os ver chatear inconsequentemente. É uma espécie de Levanta-te e Ri, por malta que tem mesmo jeito para a comédia.
As minorias sexuais fazem lobby em nome de uma discriminação que cada vez mais não está lá. Nunca o lobby gay teve tanto poder nesta nossa telenovela mexicana, com a natural discriminação de que tanto acusaram os heterossexuais. Infelizmente as lésbicas estão uns anos luz atrás, o que significa que daqui a uns anitos vamos ter de levar com este filme outra vez. Há-de chegar o dia em que iremos ter a Hetero Parade, e programas de trash tv que caricaturam os heteros como se de aberrações se tratassem...
As minorias étnicas refugiam-se num estatuto de desprivilegiados, marginalizados e desapoiados para justificarem comportamentos que levariam qualquer indivíduo da maioria para a prisão, directamente, sem passar pela casa da partida. Ser minoria étnica dá-lhes, no seu entender, uma qualquer espécie de direito acima dos cidadãos comuns. Por este andar cada minoria étnica terá direito ao seu arrastão mensal. Os meus somalis agradecem.
Finalmente os portugueses, cada vez mais em minoria num país povoado por labregos. A julgar pelas minorias anteriores algo de bom está para acontecer aos portugueses. Só pode.
Primeiro tinha sido o Ceasescu, esse pelintra fascista de primeira; e depois o Yonutz, um javardolas que um dia lhe apareceu lá à porta com uma mão atrás e outra à frente a pedir emprego no aviário, e dois meses mais tarde saíu de lá com as duas mãos na sua mulher. Alberto não gramava romenos e agora ouvia aquelas histórias das gripes nos aviários da Roménia... Decidiu fazer uma inspecção aos seus animais.
As vacas não tinham gripe. Estavam um bocado excitadas com qualquer coisa que Alberto não conseguiu identificar, reviravam os olhos, babavam-se copiosamente e saltavam que nem coelhos, mas aquilo não era gripe em lado nenhum do mundo.
As cabras também não tinham nenhuns sintomas de gripe, embora Alberto tenha estranhado a sua falta de pelagem a fazer lembrar os chiuauas. As ovelhas apresentavam uma pelagem azulada com fiapos de laranja e, em vez de balir, grasnavam. Mas nada de gripe. Os coelhos andavam esquisitos, pendurados de cabeça para baixo na antena de televisão, tipo morcegos. Ainda agarrou num e espetou-lhe um termómetro no rabo mas nada, estava impecável tirando aquele olhar vítreo. O burro espirrava insistentemente, mas Alberto sabia que aquilo não era gripe: o animal sempre tivera alergia aos fenos. Um pouco antes de chegar ao aviário Alberto deu uma vista de olhos nos patos. Tirando o facto de andarem todos a nadar de costas no lago e a grasnar algo que fazia lembrar um fado antigo do Vitor Espadinha, não detectou nada que se parecesse com gripe.
Finalmente chegou ao aviário. Estava estranhamente silencioso. Alberto aproximou-se pé ante pé e esgueirou-se numa portinhola: as galinhas percorriam todo o aviário em fila indiana e dançavam a conga em surdina; o galo estava deitado e regalado com 6 frangas e não tinha mãos a medir. Os pintos faziam mosh para cima dos ovos.
Nada de gripe, pensou Alberto, tudo normal.
Crianças vestidas de idiotas lideradas por idiotas vestidos de crianças. Se há organização juvenil que me irrita de sobremaneira são os escuteiros (eles gostam que lhe chamemos de escoteiros), todos fardadinhos de meiazinhas pelo joelho, cantando a marchar em direcção a um qualquer bosque onde irão exercer os seus rituais de plástico, inventados por um gajo que para além de pedófilo, gostava de se automutilar na genitália usando o seu canivete de mato. Sim, Baden Powell tinha problemas. O que eu não percebo é porque ao fim destes anos todos, estas criaturas continuam a povoar o planeta, divididos por agrupamentos, grupos, alcateias e clãs.
Os escuteiros fazem-me lembrar aquelas tribos perdidas do Amazonas, que continuam a fazer a sua vidinha alheadas daquilo que se passa à sua volta, com uma agravante: os gajos não estão no Amazonas. E é uma pena.
Os idiotas vestidos de crianças ainda os percebo: o mundo dos adultos é muito feio e os gajos recusam-se a crescer, quais Peter Pans com atraso mental e problemas de integração. Para eles nada é melhor que usar o belo do calçanito e uivar à lua até à idade da reforma. Há quem use drogas, estes preferem os calções. Mal por mal, os calções são mais baratos.
Quem eu não percebo mesmo são as crianças. O que leva um jovem mamífero a usar um calção ou uma saia peliçada e a desbravar mato como se não houvesse amanhã? Quão motivador pode ser saír em grupo para observar a nidificação das garças reais? Que excitante poderá ser acender uma fogueira usando duas pedras e um isqueiro?
Será que existe um tratamento de electrochoques que lhes resolva isto?
Enquanto não vislumbro uma resposta concreta para este fenómeno vou continuar a achar que tudo isto é um grande equívoco: que na realidade os escuteiros são uma fachada para deboches dionísicos no mato – tudo direitinho e compostinho até à zona mais cerrada do bosque, e a partir daí ninguém é de ninguém, tudo nú, mais cavalos e anões. Baden Powell style, somalis não incluídos.
Se há por aí história mal contada é aquela de Adão e Eva no paraíso. Senão vejamos: Deus cria o Homem (entre outras coisas) e manda-o para o paraíso. Isto já de si é suspeito. Porque não o mandou para outro sítio qualquer? Porque não o mandou à merda? Nunca saberemos, mas o que é certo é que o Homem lá foi diligentemente para aquilo que Deus convencionou por paraíso. Na realidade era um pardieiro vazio, sem interesse nenhum e completamente despovoado. Não fossem umas arvorezinhas aqui e ali e assemelhar-se-ia ao Alentejo profundo. Diz a história que Adão, farto de contar as árvores, que nem eram tantas como isso, meteu um requerimento a Deus para lhe arranjar companhia. Distraidamente Deus mandou-lhe uma ovelha e rapidamente descobriu o significado da contranatura. Decidiu então fazer um truque com uma costela de Adão, criando dali uma companheira para o entediado mamífero. Chamou-lhe de Eva.
Ainda hoje a ciência tenta perceber que conhecimentos de genética o gajo tinha para fazer um truque daqueles.
A questão das roupas é insidiosa… se os gajos estão no paraíso porque diabo têm que usar parras a tapar-lhes a genitália? Armani e Prada seriam mais plausíveis, bolas! Afinal de contas que paraíso era aquele??
Depois vem outra parte incongruente: aquela em que Deus, num lampejo de autoridade tipo «quem manda aqui sou eu e vou inventar uma merda para vos deixar a matutar» decide embirrar com as maçãs e proibir Adão e Eva de as comer. Qual é o problema das laranjas? E das papaias? Porque não proibir as bananas? Ou toda a gama de frutos secos? É só incongruências…
Chegamos então à parte da cobra que falava. Tudo bem. Eu até ter ouvido as declarações de Fátima Felgueiras, achava que as cobras não falavam, portanto isto até faz algum sentido no meio desta trapalhada toda. Mas a questão é que a cobra de Adão e Eva demonstra uma obsessão voyeurística qualquer por maçãs. Gosta de as ver serem comidas. Há gostos para tudo…
Finalmente os gajos comem a maçã e Deus aparece para os expulsar do paraíso e não se fala mais nisso. Porquê? A história acaba aqui porquê? E a vida porca que eles levaram depois, com a obsessão insidiosa que Adão desenvolveu por ovelhas? Nem Sócrates contava tão mal uma história destas…
Criar uma seita não é difícil, basta conhecer relativamente bem os papalvos que queremos evangelizar, adequando o discurso aos seus medos, às suas ansiedades e às suas necessidades. E depois é como fazer sabonetes – ou apostamos no básico e temos o sabão macaco que dá para tomar banho e lavar a roupa, ou vamos para uma coisinha mais sofisticada acrescentando aloevera ou ginseng que dão a ilusão que, para além de lavar, fazem mais qualquer coisinha.
Uma condição sine qua non de qualquer seita bem sucedida é a figura do seu líder espiritual – mais uma vez recorro à analogia da loja de bairro e do hiper: quantos de vós conhecem pessoalmente o gerente do hipermercado onde fazem compras? E quantos conhecem o dono da vossa loja de bairro? O hipermercado passa muito bem obrigado sem que vocês lhe conheçam o gerente, a loja de bairro não. O dono da mercearia confunde-se com a mercearia, é a sua alma, tal como o líder espiritual de uma qualquer seita.
Por isso quando se limpa o sebo a um desses líderes (muitas vezes eles limpam o sebo a si próprios, fartos da fantochada que criaram) acaba a seita.
E depois temos os seguidores – uma seita com um líder espiritual e sem seguidores é um terrível aborrecimento (garanto-vos eu que sou o líder espiritual de uma seita alucinada, mas sem ninguém que me siga). Para se ser seguidor de uma seita não são necessárias grandes habilitações: basta querer acreditar em qualquer coisa. Convém ser uma coisa assim distante e inatingível tipo: estar à espera das naves venusianas do comandante Ashtar que vêm buscar todos aqueles que acreditam; ou esperar pelo Cometa para lhe saltar para a sua cauda e zarpar rumo à outra ponta da galáxia; ou ainda aguardar de caçadeira na mão (numa onda mais Koreshiana) que me apareçam um dia uns gajos com as letras FBI nas costas.
Acreditar em coisas tangíveis como sentir na nuca a respiração de Hale Berry num dia nublado não são suficientemente motivadoras (vá-se lá saber porquê) para granjear um número considerável de seguidores.
Uma coisa que contribui para criar um espírito de corpo numa seita é o vestuário: pode ser mais ou menos elaborado dependendo do grau de loucura dos participantes, mas convém que seja uniforme – tudo de tanga laranja e capuz negro por exemplo; ou vestes compridas mais clássicas com padrões estranhos. O que interessa mesmo é que todos se vistam de igual, tipo salesianos.
Finalmente, a parte mais importante das seitas: o financiamento. Uma seita que não tenha apoios financeiros não é uma seita, é um grupo de escuteiros com distúrbios de personalidade (um silogismo, portanto). O apoio financeiro de uma seita não é pêra doce, e depende do grau de exigência do seu líder espiritual. Normalmente o jacto particular e o Ferrari Testarrossa fazem parte do cerimonial, mas outros fringe benefits podem ser acrescentados dependendo da quantitade e qualidade dos seguidores. Neste aspecto as seitas aprenderam com a secular experiência da Igreja Cristã, hoje muito mais discreta mas igualmente eficaz na arte de sacar o seu indiscriminadamente, sem recibos ou quaisquer deduções à colecta.
Para todos os que acham que a política já não tem futuro, sugiro uma pequena reengenharia na actividade profissional: façam a vossa seita. Tax Free.
O melhor da democracia é que esta dá a cada votante a chance de fazer algo realmente estúpido.
Art Spender
Em Portugal cultiva-se a filosofia do eterno retorno, também conhecida pelo regresso eterno. É este nosso lado saudosista que sofre daquilo que já teve e que deixou de ter. Pessoalmente acho que a nossa situação geográfica é a grande culpada nesta questão: impedidos de progredir para dentro por causa dos malditos e persistentes castelhanos, fomos obrigados a fazermo-nos ao mar, com todas as consequências que daí adviram.
Ir para o mar, ir em direcção a uma linha do horizonte inexorável e misteriosa, sem a certeza de que voltaríamos, foi o combustível deste nosso mito do eterno retorno (com as devidas vénias e desculpas a Mircea Eliade, que inventou o termo noutras circunstâncias que um dia terei imenso prazer em escrever aqui). Dizia eu que ir para o mar, com a devida imponderabilidade do vazio e daquilo que desconhecemos, contribuiu para que o regresso fosse algo valorizado e esperado pelos portugueses. O caso mais paradigmático deste eterno regresso é D.Sebastião, cujo regresso num dia de nevoeiro sobreviveu à sua existência e continua válido até hoje. Digamos que este será para sempre o regresso que nós esperaremos. Mas há outros. Nós gostamos que hajam. O regresso de Cavaco Silva e de Mário Soares, por exemplo. Podemos não gostar das figurinhas mas aplaudimos com fervorosa estupidez o seu regresso, porque para os portugueses o regresso é uma espécie de recomeço, de eliminação sumária de um passado que é sempre penoso e para esquecer. O regresso é para nós um reinício onde nunca somos intervenientes, mas sempre espectadores – alguém há-de regressar para mudar as nossas vidas, para nos salvar de nós próprios.
Não gosto de WC’s públicos por motivos vários, que estão normal e directamente relacionados com o facto do chão estar sempre molhado ou com o irritante facto de ter sempre um sítio que está queimado por beatas de tabaco (mas quem é que fuma num WC público??).
Quando tenho de lá ir perco sempre algum tempo com as mensagens atrás da porta. O grande mistério para mim é perceber quando é que elas são escritas.
Será... antes de?!! – aflitinhas aflitinhas, mas ainda com tempo para umas linhas!?
Será... durante?!! – não dá jeito, pela análise das mensagens, a altura a que estão escritas e a distância que compreende a porta da sanita deixa esta hipótese de lado.
Será...depois de?!! – não faz sentido que se queira lá estar, mais tempo que o necessário.
Com as mensagens de WC estamos perante de um acto (altamente) premeditado, porque temos de abrir a mala vasculhar lá dentro à procura de algo que escreva, ou então, entrar já com algo que escreva na mão... sendo que apenas a parte da mensagem tem alguma espontaneidade
E as mensagens são de temática variada:
Insultos escabrosos a outras mulheres pela honra amachucada:
- A Gonçalinda é uma P*** que se meteu com o meu Hilário Cosme.
- está sim?? Olhe... estou a ligar porque vi o seu número de telefone num WC público em Estarreja.... era para combinar um café, se puder ser, claro.
(Não me parece que seja uma forma inteligente de conhecer pessoas, mas enfim)
- eu tenho uma **** do tamanho de uma betoneira
(sinceramente como mulher, não sei se é bom ou não)
- Amo-te Hilário Cosme, para toda a nossa vida...
(O Hilário Cosme, nunca saberá desta prova de amor, porque ela foi feita no WC das mulheres e nem sei se o Hilário Cosme achará isto romântico, mas concerteza que gostará de saber que o seu nome foi perpetuado numa porta de WC principalmente se lá estiver escrito também qualquer coisa que fale do seu, soberbo, desempenho sexual.
Na verdade, adoro a escrita de casa de banho.
Ela informa, educa, distrai, diverte, tem raiva, sexo e intrigas. No fundo, tudo o que se quer num bom romance.
Video killed the radio star. Sempre que me falam em globalização o meu cérebro vagueia invariavelmente por esta música simpática dos velhotes Buggles. Goste-se ou não a globalização matou, a dada altura, a maior parte do que era feito localmente. Este não é um post anti-globalização, até porque pessoalmente acho que esta nos tornou mais conscientes do mundo à nossa volta – por vezes demasiado conscientes para o meu gosto. Este é um post com o mesmo travozinho saudosista e atravessado pela mesma alegria adolescente e inconsciente da música original. É um post «que se lixe». Que se lixe já não termos os iogurtes Longa Vida; que se lixe a Pasta Medicinal Couto; que se lixe a Laranjina C; que se lixem programas de rádio que nos faziam acordar cedo como o Pão com Manteiga (de um rapazinho que hoje está indiciado por pedofilia); que se lixem os Rajás, os chocolates Regina e as Bombokas; que se lixem os Pilote, os Cavaleiros Andantes, e os Tintins coleccionáveis; que se lixem o ZX Spectrum e o Atari; que se lixem os Sanjo (esbirros nacionais dos All Star); que se lixem os pirulitos e as pastilhas Gorila. Que se lixem o Subbuteo, e o Ludo, e a sueca.
E viva a globalização! Normalizada, instantânea (sem juntar água), e em directo. Vivam as frutas gigantes e brilhantes a saber ao mesmo; viva a fast food que nos garante que tudo sabe igual em locais diferentes; viva a roupinha para betos, para dreads, para grunges, para góticos, e para surfistas; vivam os bifes de vaca lúcida e os frangos sem febre. E acima de tudo vivam os blogs, a expressão máxima e positiva daquilo que é a globalização – e que nos mostram diariamente que, apesar de tudo, encerramos em cada um de nós um imenso universo nunca globalizável.
Passem um grande e globalizante dia.