É sempre nesta altura do ano que inevitavelmente percebo que vivo num presépio povoado de figurinhas de barro, pintadas toscamente, que desempenham ano após ano os mesmos papéis. Em Portugal, tal como num presépio, nunca nada muda. As figurinhas são sempre as mesmas, dispostas nos mesmos sítios e fazem sempre a mesma coisa, ou seja, nada. Estão para ali com um ar petrificado, eternamente imobilizadas em torno de uma cabana com um burro, uma vaca, e um casal de tótós que admira incompreensivelmente uma criança loira estiraçada num berço feito de palhas. Há subjacente a tudo isto, uma expectativa qualquer que nenhuma das figurinhas entende. Uma expectativa de mudança e de melhoria gerada pelo nascimento da criança de cabelos loiros. Mas é uma expectativa cristalizada no próprio presépio. Daqui por um ano a criancinha continuará espojada no seu leito de palhas, rodeada por tótós e gays magos, e tudo continuará na mesma.
terça-feira, dezembro 13, 2005
A Razão do Presépio
segunda-feira, dezembro 12, 2005
A Razão do Calendário de Garagem
No seguimento da série de objectos inúteis do quotidiano temos o calendário de garagem. Este objecto distingue-se dos vulgares calendários pela quantidade de mulheres total ou parcialmente desnudas em poses do tipo «anda cá que és meu» ou «só te deixava os ossinhos», e pela sua localização muito particular: não há oficina mecânica deste país que não tenha um calendário de garagem. Há quem diga que o calendário de garagem é o manifesto de masculinidade do mecânico – e que se porventura não encontrar um calendário de garagem na sua oficina habitual, é muito provável que o seu mecânico seja gay. Pessoalmente acho esta leitura excessiva, mas não deixo de me questionar sobre o sucesso e a proliferação dos calendários de garagem nas oficinas e sobre a sua verdadeira função. Assinalar os dias do ano parece estar fora de questão, uma vez que isso pode ser feito com um qualquer calendário que não exiba umas glândulas mamárias proeminentes. O que nos leva ao cerne da questão: as gajas do calendário.
A verdadeira razão do calendário de garagem é a produtividade provocada pela testosterona, potenciada pelas boazonas em poses de cadelas com cio: o polimento da carroceria faz-se em muito menos tempo; o alinhamento da direcção é impressionantemente mais apurado; a calibragem das rodas adquire uma precisão robótica; a focagem de faróis faz inveja a qualquer robot de fábrica.
E em cada mês que passa, uma nova boazona vem substituír a anterior mantendo elevados os índices de produtividade.
Pergunto-me se isto não deveria ser considerado uma best practise para a Função Pública. Um calendário de garagem em cada repartição poderia ser a solução para este país.
domingo, dezembro 11, 2005
A Razão do Universo
sábado, dezembro 10, 2005
sexta-feira, dezembro 09, 2005
A Razão da Estranheza
quinta-feira, dezembro 08, 2005
quarta-feira, dezembro 07, 2005
A Razão da Reencarnação
H e D viveram um tórrido romance de amor. Eram almas gêmeas, diziam eles. Apaixonaram-se aos dois anos de idade, algures em 1423, casaram aos cinco, tiveram aos doze o primeiro de 38 filhos, morreram trisavós jurando amor eterno. H reencarnou numa foca no Ártico enquanto D, anos mais tarde, reencarnou num gnu em África. Depois H reencarnou num Panda na Ásia e D reencarnava num esturjão, algures no mar Ártico. O reencontro pareceu impossível durante gerações: H foi um crisântemo, um gladíolo, um rinoceronte com asma, uma avestruz com artrose, um golfinho com caspa, enquanto D foi uma galinha da Índia, uma vaca sagrada, um pinheiro bravo, e um jumento com gonorreia.
Um belo dia reencarnaram num homem e numa mulher. E reencontraram-se. Tinham ambos 20 anos. Voltaram a apaixonar-se perdidamente. Casaram. H tornou-se funcionário público e desatou a beber que nem um alce em época de cio. D trabalhava num escritório de contabilidade. Nunca tiveram filhos. H está preso por violência doméstica. D está com o braço esquerdo paralisado para o resto da vida. É lixada a reencarnação...
terça-feira, dezembro 06, 2005
A Razão do Crucifixo
A grandeza de um líder é determinada pela amplitude dos seus gestos políticos, económicos e sociais. É a velha história da árvore e da floresta. O liderzeco preocupa-se com as pequenas coisas e portanto a amplitude dos seus gestos é bastante reduzida. O liderzão está preocupado com a floresta e os seus gestos revelam-no: são largos, extensos, focados no futuro mas sem danificar o presente.
Pois bem, aqui na nossa telenovela mexicana Sócrates tem-se revelado bastante distante daqueles nossos líderes passados que, com a mania das grandezas, pensavam em grande. Pensar em grande é bom, porque nos torna também a nós grandes. Não encontramos esse inconformismo da pequeneza em Sócrates, muito pelo contrário: o aparelho do Estado consome mais de metade dos recursos do país? Então aumente-se os impostos para que a outra menos de metade pague a inoperância pegajosa das instituíções estatais. O país precisa de atraír investimento estrangeiro? Então taxe-se absurdamente as várias actividades económicas deste país para sacar o máximo possível a quem poderia dinamizar a economia. O país precisa de investir? Então invista-se em aeroportos desnecessários, para encapotar o investimento que Stanley Ho vai emprestar ao Estado português.
Tudo medidas pequeninas. À medida dos homens que nela pensam, e do homem que as aprova. A última medida pequenina foi a da proibição dos crucifixos nos estabelecimentos de ensino – uma muy distinta medida governamental que surgiu como resultado da pressão de um não menos distinto grupelho de laicos cidadãos nacionais. Eu até sou ateu e tanto se me dá que as escolas tenham crucifixos ou objectos de culto satânico. O que me chateia é legislar sobre esta matéria. Perder tempo com isto. Ceder a pressõzecas de uma cambada de labregos laicos que se sentem discriminados nas suas (livres) opções religiosas. O país está a ficar mais pequeno, e os portugueses cada vez têm menos culpa de terem eleito uma vara de liderzecos.
segunda-feira, dezembro 05, 2005
A Razão Dogmática
O responsável máximo pelo maior antro ancestral de paneleiragem decidiu mais uma vez repudiar os homossexuais, desta feita os que se dedicam ao sacerdócio. Esta medida de inspiração orwelliana, digna do «Animal Farm», estipula que aos olhos de Deus «somos todos iguais mas há alguns menos iguais que outros», e revela mais uma vez a hipocrisia, o mamutismo, e prepotência bacoca que a Santa Igreja insiste em exibir de geração em geração.
Quererá sua Santidade atirar-nos areia para os olhos? Terá sua Eminência noção das baixas clericais que tal repúdio causará? Pensará o Sumo Pontífice que ao repudiar os homossexuais toda a gente vai pensar que afinal as festas nocturnas com somalis criteriosamente untadinhos eram apenas homilias dedicadas a países desfavorecidos? Não sabemos. Só sabemos que a partir de hoje um pequeno trejeito mais amaricado, um menear de anca mais pronunciado, um gritinho histérico mais estridente serão considerados pela Santa Igreja como sintomas de forte homossexualidade, e portanto, repudiados (com a tradicional penalização de afinal não ter direito a entrada livre no Reino dos Céus). Falava há dias da ditadura económica de Sócrates, pois bem, temos aqui a nova Inquisição – as bruxas dos Século XXI acabaram de ser criadas: quem porventura tiver a oportunidade de observar um indivíduo a fazer coisas inexplicáveis com um cabo de uma vassoura na sua própria próstata, queira alertar o Santo Ofício.
domingo, dezembro 04, 2005
A Razão do Notário
Decerto que por uma razão ou por outra já tiveram, a dada altura das vossas vidas, que entrar num notário. Se assim foi, suponho que tenham tido oportunidade de reparar que nem toda a gente pode ser funcionário de um cartório notarial. É uma profissão peculiar que exige um património genético muito particular e está sujeita a uma política de recrutamento espartana, capaz de criar inveja à Al Qaeda.
Antes de mais é preciso realçar com alguma veemência que não se estuda para ser notário – nasce-se notário, e pronto! É um pouco como os atletas de competição: os sprinters têm uma estrutura óssea e muscular diferente dos fundistas; os tenistas com serviços mais eficazes são dotados de uma altura acima da média e têm uns bracinhos mais compridos que os restantes mortais. Também os notários têm as suas características diferenciadoras: o seu cérebro, por exemplo, funciona a um ritmo mais lento (como observamos nos casos mais graves de paralisia cerebral) o que possibilita o armazenamento de dados de uma forma mais metódica.
Para terem uma ideia de como um notário percepciona a realidade à sua volta reduzam a velocidade de um DVD em cerca de 80%: t-u-d-o f-i-c-a m-u-i-t-o l-e-n-t-o e as vozes adquirem um tom grave e arrastado, sendo relativamente dificil de apreender o sentido das frases. Não se admirem portanto que os notários não percebam à primeira o que vocês lhes estão a querer dizer, principalmente vocês, os nervosinhos. E evitem falar devagar para se fazerem entender melhor porque assim é mesmo muito complicado para eles, e demora o dobro do tempo a processar.
A capacidade pulmonar de um notário é francamente mais reduzida que a de um indivíduo normal, impedindo o cérebro de funcionar mais rápido e cansando-os de sobremaneira enquanto fazem o seu rotineiro percurso secretária-balcão-arquivo. Aliás a rotina é aquilo a que um notário aspira desde os seus tempos de estagiário – com o passar do tempo eles vão construíndo carris imaginários que percorrem todo o escritório, definindo os seus percursos possíveis. Um notário sénior já tem a sua rede rodoviária definida e move-se, lenta e religiosamente, em cima dos «seus» carris.
O facto de geneticamente possuírem um metabolismo estupidamente mais lento que todos nós, causa-lhes alguns problemas na fala (falam muito lento e muito baixo, sendo por vezes necessário encostarmos a orelha à sua boca – tarefa difícil e perigosa de desempenhar se tivermos um balcão à nossa frente) e problemas vários de concentração e coordenação: é muito vulgar observarmos um notário esgazeado a olhar para o infinito (é a chamada «pausa de hibernação» que, dependendo do seu estágio profissional, pode ocorrer várias vezes ao dia); vulgar é também a dificuldade que apresentam ao teclado de um computador ou de uma máquina de escrever. Os notários mais treinados conseguem atingir velocidades de 2 a 3 segundos entre uma tecla e outra.
Espontaneidade e improviso são conceitos totalmente desconhecidos pelos notários, e confrontá-los com algo inesperado pode ser perigoso dado que estes reagem violentamente – nunca se ostente uma folha de papel que não seja branca ou azul; nunca se apresente como documento oficial um passaporte em vez de um bilhete de identidade; nunca se ouse assinar algum documento a vermelho; e acima de tudo nunca se manifeste corporalmente de uma forma agitada – isso deixa-os nervosos, e o assunto que demoraria 2 horas a resolver poderá atingir uma duração de meses.
sábado, dezembro 03, 2005
A Razão do Autarca
Sobre a OTA e o TGV falarei com mais detalhe amanhã. É uma conspiração tenebrosa que merece ser revelada com alguma solenidade.
Hoje vou dedicar-me aos autarcas e às suas razões. O político de autarquia está para o político nacional como a fisga está para a catapulta: ambos arremessam projécteis, mas uns fazem mais merda que outros. É tudo uma questão de dimensão.
Fazer merda em grande escala é uma característica de perfil que auspicia um futuro glorioso na liderança dos destinos da nação – um autarca típico não tem a capacidade intelectual nem financeira para dar cabo da economia do país com uma OTA ou com um TGV. O autarca local é, como a própria designação implica, um gajo que faz merda a um nível muito restrito. Tanto autarcas como políticos gastam o dinheiro dos contribuíntes em aleivosias disparatadas. Mas no caso dos autarcas são aleivosiazinhas, disparatezinhos, pequenos insuflares de egozinhos. É o Portugal dos Pequeninos da política. É a cabotinice provinciana que, quando atinge limites para além do normal, culmina na fuga para o Posto 6 de Copacabana, ou na participação em reality shows de qualidade sempre duvidosa. Mas na maior parte dos casos os autarcas ficam-se pelas rotundas e pelos semáforos. Autarca que não tenha construído umas belas rotundas e plantado uns belos semáforos não pode ser digno dessa função. É uma espécie de mijinha do cão para a posteridade, para um dia puderem dizer aos netos: «Estás a ver ali aquele semáforo? Foi o avô que o pôs lá!» E a criancinha olha esgazeada para o semáforo a tentar imaginar como é que aquela fraca figura teve força de levar aquilo em ombros para ali.
sexta-feira, dezembro 02, 2005
A Razão da Greve
A coisa mais útil que se pode fazer num país que não produz a ponta de um chavelho é uma greve. As greves são libertadoras, são relaxantes, e acima de tudo são produtivas. Produzem belos dias de lazer, na praia, na cidade ou no campo, sem fazer absolutamente nenhum.
És funcionário público e achas mal trabalhares as mesmas horas que um empregado privado? Faz uma greve. És motorista da Carris e chateia-te fazer 40 horas de trabalho por semana? Faz uma greve. És professor e babas-te que nem um camelo? Faz uma greve no dia dos exames nacionais para lixares a vida a uma série de miúdos que inocentemente acharam que lhes ias ensinar alguma coisa de produtivo. És polícia e aborrecem-te os arrastões? Faz duas greves. És bombeiro e enerva-te haver falta de água para os fogos? Faz uma greve. És um magistrado e estás escandalizado porque já não podes ter 3 meses de férias judiciais? Faz uma greve. Mas antes de fazeres uma greve certifica-te se tens condições para fazer uma boa greve:
A boa greve faz-se de Verão. Não tem jeito nenhum fazer greves à chuva e ao frio. As disputas ideológicas ficam mais quentes no Verão.
A boa greve faz-se à segunda ou à sexta-feira (de preferência à segunda e à sexta-feira) porque assim podes gozar à brava com os babacas privados que vão de manhãzinha trabalhar para pagarem o prejuízo de tu não trabalhares porque estás em greve.
A boa greve faz-se com catering. Uma greve sem catering não é uma greve, é um grupo de javardos que acredita que vai conseguir alguma coisa do patronato só porque ficam todos juntos de pé e aos berros.
quinta-feira, dezembro 01, 2005
A Razão do Labrego
País de longa tradição no desenvolvimento do labrego nacional, Portugal chegou a um ponto de saturação do número de labregos per capita. Dados recentes do INE apontam para que a população labrega seja neste momento muito superior à portuguesa. «Começamos a ter dificuldade em separar os portugueses dos labregos, uma vez que os primeiros parecem ter sido perfeitamente aculturados pelos segundos» afirma o responsável máximo por esta instituíção.
O Governo já admitiu ser maioritariamente constituído por labregos de 2ªgeração, não prevendo que a situação se altere nos próximos 4 anos, o que coloca Portugal no primeiro país europeu a ter uma maioria de população labrega, governada por labregos.
O impacto do nacional labreguismo já começou a sentir-se na economia nacional – é característica do labrego a completa ausência de noção de gestão, o despesismo descontrolado e tendencioso, uma compulsiva tendência de prometer uma coisa, fazendo exactamente o contrário, e a fuga a toda e qualquer espécie de imposto.
Especialistas internacionais no fenómeno expansionista do labrego, afirmam que o processo é irreversível e que dentro de poucos anos Portugal não terá portugueses. Sugerem ainda que se comece a mudar nome do país para Labregal.
O número de escolas para labregos tem aumentado exponencialmente nos últimos 10 anos, com todos os inconvenientes que estas acarretam: taxas de insucesso escolar perto dos 100%, não pagamento de propinas, e uma tendência compulsiva de arrastões diários num raio de 2km em torno de cada escola.
O número de empresas labregas também aumentado, mas aqui a situação é menos grave porque, como se sabe, a duração de vida de uma empresa labrega é de um ano, exactamente o tempo que levam a esgotar-se os fundos europeus de incentivo à criação de empresas.
Estima-se um novo fluxo de emigração nacional com características muito diferentes das que assistimos na década de 60 do século XX: a mão-de-obra especializada e sem paciência para os labregos nacionais começa calmamente a abandonar o país.
Os labregos andam tão preocupados (fizeram contas e descobriram que os que ficam são todos uns labregos tesos) que lançaram esta semana o programa social “Adopte um Português”. Quem quiser ficar e ser adoptado por um labrego basta inscrever-se no centro de segurança social da sua zona de residência.
Cantem comigo o novo hino nacional: «Labregos do mar…»
Nota: Quem acha que eu estou a reinar que faça uma visita aqui
Publicado a 21 de Junho de 2005
quarta-feira, novembro 30, 2005
A Razão da Aliança
O George Lucas lançou recentemente o último episódio da 2ªtrilogia da série de três trilogias que tinha inicialmente pensado, mas que decidiu a meio caminho transformar em apenas duas por falta de verba e pachorra. Confuso han?
Falo obviamente do Star Wars. Eu sou um fã da primeira trilogia e acho que a paneleirice dos efeitos especiais de última geração que tomaram conta da segunda trilogia, tornaram o produto final mais pobre. Ainda assim divirto-me com os seis episódios. Não haja dúvida que aquilo é mesmo ficção ciêntífica, mas não pelo facto de retratar o futuro e envolver naves espaciais, galáxias distantes, e seres esquisitos à porrada com andróides. Aquilo é ficção porque supostamente retrata uma aliança humana que, sabemos hoje, seria impossível de obter.
Imaginem que o exército revoltoso da Aliança era formado pelos 25 países da união europeia, e conseguem ter uma perspectiva daquilo que provavelmente aconteceria.
Os franceses recusar-se-iam a combater pela Aliança até que esta adoptasse o francês como língua oficial. Os ingleses formariam um grupinho à parte e nunca se perceberia se faziam parte da Aliança ou não. Os alemães fariam campos de extermínio de droids e siths e ficariam assim entretidos. Os holandeses evitariam andar à porrada e praticariam uma política de tolerância com as forças Imperiais, procurando retirar dividendos daquilo a que chamariam uma «parceria comercial sem fins políticos». Os espanhóis atiravam-se de peito feito a todas as naves imperiais e extinguir-se-iam logo de seguida. Os italianos criariam uma unidade especial de combate (os carabinieri rabetini) especializada em atacar o Império pela rectaguarda, mas só depois de terem recebido as "luvas" de combate. Os dinamarqueses andariam felizes como a merda a conduzir as suas naves todos nús, promovendo alegres orgias inter-estelares. Os gregos criariam a «Ala dos Namorados», uma força gay de intervenção, distinguindo-se por usar sabres de queijo feta com uma mestria capaz de engordurar qualquer soldado do Império. Os belgas especializar-se-iam em desbastar as crianças Sith. Os polacos, lituanos, checos e todas as nações do leste europeu, combateriam valentemente a qualquer preço, desde que não os mandassem embora da Aliança. Os portugueses, esses rapazes do Quinto Império, nunca teriam qualquer intervenção no conflito. A bordo da sua única nave, um chasso comprado a prestações e em segunda mão pelo ministério da defesa, chegariam sempre tarde a qualquer batalha interestelar, conquistando a alcunha de «o cú da Aliança». Pequeninos e ruídosos, sempre em autocomiseração, percorreriam galáxias em direcção a lado nenhum. O costume…
May the force be with you.
Publicado a 6 de Setembro de 2005
terça-feira, novembro 29, 2005
A Razão do Feng Shui
Depois de ter sido verdadeiramente massacrado por um amigo arquitecto, que insistiu que eu me devia imbuír do espírito de Feng Shui para criar energias positivas numa vida que não me andava a correr lá muito bem, decidi fazer algumas alterações na minha casa, seguindo rigorosamente os seus ensinamentos:
segunda-feira, novembro 28, 2005
A Razão do Professor
domingo, novembro 27, 2005
A Razão do Medo
Uma pesquisa recente mostrou que o maior medo de uma pessoa normal é ter de fazer um discurso público. Isto superou até o medo da morte, que apareceu em terceiro lugar na lista. Portanto o que isto significa é que num qualquer funeral a maior parte das pessoas preferiria estar no lugar do morto do que fazer a elegia fúnebre.
A partir de amanhã e durante os próximos sete dias, integrado nas comemorações do primeiro ano de existência da Razão tem sempre Cliente, será publicado o best off da Razão: uma escolha perfeitamente tendenciosa, subjectiva e pessoal, dos posts que me deram mais gozo a escrever.
sábado, novembro 26, 2005
A Razão Ignorante
sexta-feira, novembro 25, 2005
A Razão do Adeus
De vez em quando reparo na influência que a religião tem na nossa língua e nas coisas mais básicas que ela expressa. «Adeus», aquela palavra que usamos vulgarmente para nos despedirmos uns dos outros, é um desses exemplos.
Quando um povo católico se despede a coisa fica carregada daquela inexorabilidade bacoca do reencontro – convém perceber que quando se manda alguém «a Deus» está-se inconscientemente a dizer «vai desta para melhor, meu querido». É que num país católico só vai a Deus quem deixa de existir num plano terreno, ou tratando os bois pelos nomes: quem morre! Podemos sempre acreditar que o sentido não é este, que na pior das hipóteses «adeus» significa «vai ali à casa de Deus». Mas seria rídiculo termos de passar pela igreja mais próxima sempre que nos despedíssemos de alguém. Para além de poder ser perigoso, por corrermos o risco de nunca mais de lá saírmos (a não ser que se evitássemos despedidas dentro das igrejas)
Franceses, Portugueses e Espanhóis (e seus derivados coloniais) usam alegremente esta espécie de maldição sempre que os seus caminhos se bifurcam. Mais valia assumirem a coisa de uma forma consciente e dizerem «vai morrer longe!».
Mas nem todos os povos têm este mau feitio dos católicos. Até os italianos, católicos convictos, se aperceberam do significado do termo e criaram o «Ciao». Também não acho que o «Ciao» seja uma palavra que dignifique a separação, até porque os italianos a usam arbitrariamente, seja para significar «Olá» seja para significar «Adeus» - que é a mesma coisa que dizer que «estares aqui ou estares ali, para mim é a mesma coisa» o que não é uma coisa educada para se dizer a outra pessoa, principalmente se gostarmos dela.
Os ingleses têm uma maneira mais civilizada de se despedirem. Se analisarmos o sentido de «goodbye» veremos que este significa algo do tipo «boa passagem» (que em português correcto seria «passa bem»). É infinitamente melhor do que mandar alguém «desta para melhor» (outra expressão nacional que significa exactamente o contrário daquilo que descreve). «Goodbye» encerra um desejo altruísta - com uma pitada de egocentrismo - de que o outro esteja bem mesmo quando não está perto de nós.
São os alemães que têm a maneira mais simples de despedida. Sem floreados e merdices desnecessárias: «Auf Wiedersehen» significa «até à vista» não tem segundos significados – vou deixar de te ver e portanto até um dia destes em que nos veremos novamente. Sempre é mais agradável do que «Adeus», com tudo o que isso implica.
Pessoalmente gosto da maneira japonesa da despedida, na zona de Tóquio: «Mata ai Masho». Não faço ideia do que significa, mas que soa bem soa.
E agora, se me permitem, vão todos morrer longe. E desenganem-se se acham que este é um post de despedida.
quinta-feira, novembro 24, 2005
A Razão Feudal
Li ontem que sempre que utilizar o aeroporto da Portela vou pagar uma taxa de sete euros para ajudar a pagar o aeroporto da OTA. Aqui está mais um excelente exemplo labrego da política económica de Sócrates: tome-se as decisões arbitrárias e tendenciosas que se quiser e faça-se os cidadãos pagarem mais uma taxa, para além dos impostos e do IRS. Daqui por uns anos, os alunos de ciência política das universidades portuguesas vão aprender com alguma surpresa que, no início do século XXI, um conjunto de imbecis liderados por um engenheiro, recriou um sistema de feudalismo económico semelhante ao que se praticava no século V. Para mim não existe apenas uma forma de ditadura. Temos a ditadura política que cala e elimina toda a forma de oposição. E depois temos a ditadura económica, ainda mais perigosa porque surge sob uma falsa capa de democracia, e que paulatinamente vai sugando os cidadãos com uma taxa aqui, uma taxa ali, um agravamento aqui, um imposto acolá, e assim sucessivamente até à inconsciência.
Só um engenheiro é incapaz de perceber que este sistema feudal vai estrangular o país no médio prazo... mas também quem disse que ele vai querer cá estar no médio prazo?