segunda-feira, novembro 07, 2005

A Razão Descrente

descrente
Acredito em Deus? Acreditava até a mãe ter sofrido o acidente. Caiu em cima de um croquete, facto que exacerbou a sua melancolia. Esteve em coma durante meses e meses, incapaz de fazer outra coisa que não fosse cantar Granada a um arenque imaginário. Porque razão ficou esta mulher, na primavera de vida, tão afectada? Será por ter desafiado as convenções ao casar-se com um saco de papel castanho na cabeça? E como posso acreditar em Deus se na semana passada trilhei a língua no rolo da máquina de escrever eléctrica? Sinto-me atormentado pela dúvida. E se tudo é uma ilusão e nada existe? Se assim é, paguei demasiado dinheiro pelo tapete. Se ao menos Deus me enviasse um sinal claro! Como o de fazer um depósito vultoso em meu nome num banco suíço.

Woody Allen

domingo, novembro 06, 2005

A Razão Reveladora

reveladora
Em democracia os partidos dedicam a a maior parte das suas energias a tentar provar que os outros partidos não são competentes para governar – e todos são bem sucedidos a fazer isto. E têm razão.

H.L.Mencken

sábado, novembro 05, 2005

A Razão Alienada

alienada
As ruas de Filadélfia são seguras.
As pessoas é que as tornam inseguras.


Frank Rizzo, Mayor de Filadélfia


sexta-feira, novembro 04, 2005

A Razão da Rescisão

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Devido a uma recente medida governamental Portugal será brevemente o país europeu com mais praticantes de artes-marciais e defesa pessoal. É que segundo o Governo, se é que desta vez eles não estão a mentir, os labregos que planeiam viver do fundo de desemprego à conta dos contribuintes deixarão de receber o pastel se o seu acordo de rescisão de trabalho fôr amigável. A solução passa por uma rescisão litigiosa. E nada mais litigioso do que arrefinfar um pontapé à Van Damme nas trombas do patrão, para poder receber um subsídio do Estado.
«Eu até já me apetecia ir-lhe aos fagotes» confidenciava um labrego a fazer tempo numa empresa para receber o seu, «então agora vou ter mesmo que fazer o gosto ao dedo».
Desde o início desta semana que se tem observado uma inscrição massiva de adeptos nas academias de artes-marciais. As modalidades mais procuradas têm sido o manejo do varapau dos pauliteiros de Miranda e o brandir selvático da Moca de Rio Maior, se bem que outras modalidades orientais como o Jiu Jitsu, o Taekwondo e o Shotokan tenham também observado uma adesão assinalável.A medida governamental teve um natural impacto na política de formação das empresas a operar em território nacional: os cargos de direcção e supervisão estão a ser alvo de uma reciclagem em defesa pessoal. É que os patrões não se importam de enveredar por um litigiosinho ou outro, mas não estão dispostos a sofrer traumatismos vários, a bem das contas públicas.
Face a estes recentes desenvolvimentos, o Governo está a equacionar a legalização de armas de fogo para tornar a medida mais eficaz, estando esta medida dependente do relatório, em curso, sobre o volume das pensões de viuvez e o seu agravamento na dívida pública.

quinta-feira, novembro 03, 2005

A Razão do Cheiro a Queimado

queimado

Um grupo de cidadãos argentinos, insatisfeito com os serviços prestados pelos caminhos de ferros do seu país, decidiu demonstrar o seu desagrado incendiando uma estação de comboios.
É curioso ver como os povos culturalmente próximos dos nossos amigos castelhanos mantêm alguns tiques ancestrais dos seus fundadores. Pessoalmente considero o acto um bocadinho boçal. Não percebo a aversão que os argentinos têm às caixas de reclamações/sugestões.
No entanto este incidente leva-me a pensar no que aconteceria se Portugal tivesse sido conquistado pelos espanhóis. Haveria muita coisa a que atear fogo por aí…
Descontentes com a morosidade e a tendenciosidade da Justiça em Portugal os portugueses queimariam todos os tribunais. Depois, insatisfeitos por estarem a endividarem-se para descontar para um chorrilho de labregos da Função Pública, incendiariam repartições de finanças, notários, escolas e universidades, esquadras de polícia, quartéis dos vários ramos das forças armadas, e ministérios vários.
Desagradados com as despesistas e desviantes políticas autárquicas, incendiariam câmaras municipais, transformando os seus funcionários em verdadeiras tochas humanas. Finalmente, porque não gostariam decerto que o seu primeiro ministro lhes mentisse constantemente, fariam um derradeiro auto de fé na Assembleia da República (não sem antes terem passado por Belém, chateados com os dois pesos e duas medidas do seu Presidente) e queimariam todo o executivo em estacas improvisadas para o efeito. Os jornalistas da TVI a cobrir o evento teriam o mesmo quente destino. As unidades de queimados dos hospitais públicos não teriam mãos a medir: iriam certamente faltar fitas métricas para tanta mão.
Quando acabassem de queimar os motivos do seu descontentamento, os portugueses iriam perceber que todo o país tinha ardido. Felizmente que não deixámos os espanhóis cá entrar. Felizmente que somos um povo civilizado. Assim só queimamos mesmo os nossos parcos e últimos recursos naturais.

quarta-feira, novembro 02, 2005

A Razão de Adelina

adelina
Adelina tinha uma vida pacata, igual a milhões de vidas por esse mundo fora. Um dia comprou um saco e as coisas mudaram. As pessoas do bairro, que sempre lhe falaram muito bem, começaram a baixar os olhos, a desviar o olhar, a passar para o outro lado da rua, quando passavam por ela. Adelina não conseguia deixar de reparar nos cochichos sempre que entrava num sítio público. Os clientes da sua pastelaria deixaram de aparecer, o banco deixou de financiar os seus empréstimos, a Judiciária fez-lhe uma rusga e levou-lhe o livro de contas, as Finanças não a largavam, até o Sr. Libano da farmácia se recusava a vender-lhe os medicamentos.
Adelina não era supersticiosa e portanto recusava-se a acreditar que o saco tinha atraído aquela desgraça toda. Mas o facto é que a sua situação piorava de dia para dia. Até que um dia, cansada daquilo tudo, Adelina pegou nas economias que tinha amealhado ao longo dos anos e tomou a decisão da sua vida. Foi para o Brasil. E levou com ela o saco azul.
Hoje Adelina tem uma vidinha mais ou menos. Arrebitou as mamocas com silicone. Fez um botoxzinho. Arranjou um penteado novo com madeixas loiras e consulta frequentemente um sobrançólogo, que lhe dá importantes dicas sobre como tratar as sobrancelhas. Desde que casou com um reformado endinheirado passa a vida no Posto 6 de Copacabana, a trabalhar o bronze. O saco azul continua consigo. E ela continua a acreditar que ele não teve culpa nenhuma.

terça-feira, novembro 01, 2005

A Razão que Ressona

ressona

Ri e o mundo inteiro rirá contigo.
Ressona e dormirás sózinho.


Anthony Burgess

segunda-feira, outubro 31, 2005

A Razão Perdida

perdida

Tens que ter cuidado se não souberes para onde estás a ir, porque podes nunca lá chegar.

Yogi Berra

domingo, outubro 30, 2005

A Razão Elementar

elementar

A Razão Evidente

evidente
Pergunta: Se pudesses viverias para sempre? Porquê?

Resposta: Eu nunca viveria para sempre, porque nós não devemos viver para sempre, porque se fosse suposto vivermos para sempre, viveríamos para sempre, mas nós não podemos viver para sempre, por isso eu nunca viverei para sempre.

Miss Alabama 1994, no concurso de Miss Universo.

sábado, outubro 29, 2005

A Razão do Casaco de Peles

casacodepeles

Pelo que sei as martas são criadas para depois serem transformadas em casacos de pele. Ora se não usássemos casacos de pele, aqueles animaizinhos nunca viriam a nascer. O que é melhor? Nunca chegar a nascer ou viver por um ano ou dois antes de se tornar num casaco de peles? Eu não sei.

Barbi Benton, ex-coelhinha da Playboy

sexta-feira, outubro 28, 2005

A Razão do Bufo

Bufo

Não há raça de gente mais irritante, mais javarda, mais peçonhenta, e mais desprovida de um único pingo de decência, que os bufos. Esses filhos de um comboio cheio de meretrizes siflíticas, mal lavadas e a cheirar a bedum. Esses esbirros de gente que deixam um rasto de baba como lesmas nojentas. Esses estreptococos labregos que tresandam a merda num raio alargado de quilómetros.
Nascidos e criados nos 48 anos de ditadura os bufos viram a sua actividade ameaçada com a chegada da revolução e da liberdade de expressão. Mas foi uma preocupação de pouca dura porque o Estado português não levou muito tempo a institucionalizar os bufos e a torná-los parte do sistema, mesmo num regime democrático.
O Estado torna-se assim no grande criador de bufos do século XXI: um bufo que já não esconde o facto de ser bufo; um bufo que agora usa farda; um bufo que tem um escritório cheio de outros bufos; um bufo que como todos os outros labregos da disfunção pública, é pago por nós para bufar que nem uma mula com cio.
Hoje em dia temos bufos de farda a informar a polícia que o carro tal está mal estacionado. Temos bufos a denunciar empresas à inspecção económica. Temos bufos a denunciar os vizinhos que decidiram fechar a sua marquise. Vivemos hoje no Estado da verdadeira bufaria: Legalizada. Porca. Invejosa. E pequenina, como o próprio país.

quinta-feira, outubro 27, 2005

A Razão do Envelope

envelope

Nos tempos da outra senhora estava toda a gente proibida de abrir o envelope. Dava direito a prisão e tudo. Não significa isto que eles permanecessem fechados, e que a malta acatava a proibição. Não. Os envelopes continuavam a abrir-se em segredo, à porta fechada, e embora houvesse zunzuns que fulano tinha aberto o envelope, não passavam disso mesmo. Zunzuns.
Depois houve a revolução e as coisas mudaram gradualmente. Aqui e ali foram-se abrindo uns envelopes, timidamente. Apesar da liberdade, a malta não estava ainda muito habituada a abrir o envelope assim abertamente, de chofre. E muita gente deixou o envelope por abrir. Ficou lá por casa, arrumado algures entre os livros, na vã tentativa de se esquecerem dele, para não caírem na tentação de o abrir. E o tempo foi passando.
O país, antes fechado em si próprio e desconhecedor do mundo à sua volta, começou a olhar para fora e a ver que lá fora já muita gente tinha aberto o envelope, e que apesar disso tinham uma vida normal. E aí começaram a perder a timidez e desataram a abrir o envelope como se não houvesse amanhã. De repente toda a gente tinha um amigo que abriu o envelope. Um vizinho que abriu o envelope. Um colega de trabalho que abriu o envelope. De repente abrir o envelope dava direito a desfile, com o envelope aberto bem alto, na mão. Abrir o envelope passou a ser um acto normal, até que um dia quiseram torná-lo moda e invadiram as televisões de programas com malta que acenava, histérica, o seu envelope aberto para toda gente ver. E desde esse dia abrir o envelope passou a ser uma caricatura. Consentida. Mas uma caricatura. E muito envelope continuou por abrir.

quarta-feira, outubro 26, 2005

A Razão de Algo

algo

Sempre nutri um fascínio inexplicável por abstracções, por coisas tão latas que se tornam inatingíveis, daí o fascínio. E por isso divertem-me as palavras que apontam para esse vazio onde tudo pode caber. Algo é uma dessas palavras.
Reparem que existe sempre algo. Algo que despoleta algo. Algo que nos faz pensar em algo. Algo que nos impede de dizer ou fazer algo. Algo que nos diverte ou que nos chateia. Algo que, se deixarmos de fazer, acelera que aconteça algo. Ou nem por isso.
E na procura de algo que preencha algo que nos faça sentir algo, há sempre algo que nos vai transformando em algo: algo experientes, algo contentes, algo desencantados, algo intransigentes, algo recompensados, algo esclarecidos.
A beleza de algo é que é tão único e ao mesmo tempo tão diverso que nunca podemos considerar algo como certo, nem tão pouco achar que há sempre algo errado, embora os haja, os certos e os errados, os positivos e os negativos, os justos e os injustos, os deliciosos e os intragáveis.
Algo séria, esta Razão…

terça-feira, outubro 25, 2005

A Razão do Bibelot

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O nosso dia a dia é povoado por centenas de pequenos objectos que, diligente e repetidamente, lá desempenham a função para que foram criados. Existe entre eles uma hierarquia funcional que os distingue uns dos outros e segundo a qual determinamos que um objecto é mais importante que outro, no sentido de nos ser mais ou menos útil.
Na base dessa hierarquia, naquela categoria muito próxima da do bidé, temos o nível mais rasteirinho de objecto: o bibelot.
Embora tenha um nome estrangeirado e armado ao fino, o bibelot faz lembrar aqueles tios e tias de boas famílias, de nomes muito compridos, que decoram as capas de revista de sociedade, mas que não têm utilidade nenhuma. Aquilo que caracteriza o bibelot é exactamente a futilidade de não servir para nada a não ser para decorar um qualquer espaço, estando directamente dependente do mau gosto de quem decora ou de quem o compra.
Talvez por isso o bibelot seja o objecto mais procurado quando não sabemos o que oferecer a alguém. O bibelot não compromete, é um placebo comercial que desculpa a falta de imaginação ou de interesse de quem o compra.
Quando compramos um livro a alguém normalmente temos o cuidado de conciliar o conteúdo do livro com o tipo de pessoa a quem o vamos oferecer. Digamos que é uma compra com algum grau de intimidade. Quando compramos um bibelot estamos perfeitamente nas tintas se a pessoa vai ou não gostar dele, se vai olhar para ele, onde o vai colocar, etc. Sabemos à partida que se a pessoa a quem oferecermos o bibelot não gostar dele vai fazer aquele ar agradecido e grato à nossa frente e quando nos vir pelas costas irá embrulhá-lo cuidadosamente e oferecê-lo a outra pessoa noutra ocasião.
No entanto, apesar da sua inutilidade e perenidade, o bibelot divide-se em várias tipologias onde as mais conhecidas são:

Bibelots Religiosos – onde encontramos uma panóplia de cruzes, de santos, de cristos, e de budas (este último muito famoso nos últimos tempos).

Bibelots Miniaturizados – que vão desde frasquinhos de perfume, a pequenas réplicas em loiça de pratinhos e chaveninhas.

Bibelots do Mundo Animal – onde os mais conhecidos são o belo cavalinho de cristal, ou a colecção de elefantes de tromba para cima, ou ainda o célebre pinguim para o topo do frigorífico.

Bibelots de Exterior – com especial destaque para as duas águias, os dois leões ou os dois dragões a encabeçar os portões da vivenda ou, para um público mais refinado, os célebres anões de loiça em poses de jardinagem.

Bibelots de Design – continuam a não servir para nada, mas dão-se ares de obra de arte em exposição no MOMA.

Bibelots Temáticos – os mais fáceis de comprar quando conhecemos a obsessão da pessoa a quem pretendemos oferecer. Exs: colecções de vacas malhadas, colecção de gatos em todo o tipo de materiais, colecções de pequenos quadros com 842 nós de marinheiro, e assim por diante.

Se um dia tiverem que recorrer à compra de um bibelot, façam-no por uma boa causa: ofereçam-no ao patrão, à sogra, ou aos amigos da onça. Eles vão compreender.

segunda-feira, outubro 24, 2005

A Razão da Falta de Noção

noçao

Episódio I
Afonso de Albuquerque, depois de ter destruído vários portos tributários do Rei de Ormuz decidiu, ao comando de seis naus com cerca de 400 homens a bordo, entrar na baía de Ormuz tendo ficado cercado por 250 navios de guerra inimigos a que se juntava um exército em terra de cerca de 20.000 homens. Quando o Rei mandou um emissário a bordo para saber quais as suas intenções, Afonso de Albuquerque enviou-lhe uma curta mensagem: «Renda-se!»

Episódio II
Uma caravela portuguesa levava ostensivamente a bandeira das quinas no seu mastro mais alto ao entrar na baía de Cádiz, onde se encontrava a esquadra do Rei de Espanha, naquele tempo conhecida por «Invencível Armada». Interpelado pelos espanhóis para baixarem o seu estandarte à entrada do porto, abriu fogo à esquadra inteira, causando-lhe danos significativos e, após ter passado em combate por toda a fileira de navios de guerra espanhóis, acabou por saír incólume do porto de Cádiz, fugindo para Portugal.

Episódio III
No verão de 1574 D. Sebastião decidiu, sem prevenir ninguém, fazer uma investida a África deixando a corte em pânico sem saber onde estava o seu Rei. Quando desembarcou com meia dúzia de fidalgos alucinados em Ceuta os árabes retiraram pensando que aquele era um grupo avançado de uma força maior. Sem ninguém para combater, D. Sebastião ruma a Tânger onde lhe acontece o mesmo. Frustrado, volta para casa sem ter conseguido andar à porrada.

A nossa história está recheada destes episódios que demonstram que, ao longo dos tempos, o povo português nunca teve grande noção do que andava por aí a fazer. Podemos romanticamente acreditar que tudo isto não era mais que coragem, bravura, e temeridade. Mas a realidade é que desde os primórdios que somos uma cambada de inconscientes sempre de peito feito, para o que der e vier. Por isso, quando vejo na televisão que os portugueses se estão nas tintas para a gripe das aves, e para as vacas loucas, e para os nitrofuranos, lembro-me invariavelmente da nossa ancestral e encantadora falta de noção.

Vem-me sempre à cabeça a resposta do capitão António da Silveira, cercado pelos turcos em Diu:

«Fiquem sabendo que aqui estão portugueses acostumados a matar muitos mouros e têm por capitão António da Silveira, que tem um par de tomates mais fortes que as balas dos vossos canhões e que todos os portugueses aqui têm tomates e não temem quem não os tenha!».
Delicioso. Que falta de noção num excesso de nação.

Foto: Fotoben

sábado, outubro 22, 2005

A Razão do Exercício

saude
Está provado que por cada minuto de exercício, aumenta-se o nosso tempo de vida em um minuto. Isso faz com que aos 85 anos possamos ficar mais 5 meses num lar de terceira idade pagando 200 contos por mês.

Anónimo

sexta-feira, outubro 21, 2005

A Razão Geracional

geracional

A única coisa que a geração de 50 queria era esquecer-se da guerra e construir aquilo que tinha sido destruído pelos alucinados da geração anterior. E a coisa parecia simples e exequível.
Mais despreocupada, a geração de 60, queria fumar umas ganzas, fornicar que nem martas e pôr em questão a autoridade e o sistema: as doses de LSD baralhavam-lhes a ordem de prioridades a ponto de eles não saberem se também queriam fornicar a autoridade, fumar as martas, e pôr em questão o sexo.
A geração de 70 nunca percebeu em que década é que estava: descambaram nuns baralhados crónicos que ainda hoje se tentam encontrar e deixam toda a gente perdida (vejam-se os exemplos de Sócrates, Santana, Portas e Louçã).
A geração de 80 deixou-se dessas merdas dos estupefacientes alucinogéneos, adoptou os de via nasal, esticou o cabelo com gel, segurou as calças com suspensórios e achou que ia dar um rumo a isto tudo, até que se lixou no crash bolsista de 87. Desapareceram de fininho que nem dinossauros.
A geração de 90 criticou as gerações anteriores, mas não fez absolutamente nada que a marcasse como geração: foram uma espécie de híbridos atávicos a quem só faltava falar.
A geração de 00 sofre de um estigma de si próprio: que contribuição é que alguém caracterizado por um duplo zero pode dar à sociedade? Não faço a mínima ideia... nem eles.
As minhas esperanças estão com a geração de 10. Estes têm todas as condições para 10pertar, 10envolver, 10cobrir, 10vendar tudo aquilo que os imbecilóides das 4 gerações anteriores não conseguiram. Haja fé.
Uma reposição dedicada ao duelo presidencial que se avizinha. Com gajos de gerações remotas, vá-se lá saber porquê...

quinta-feira, outubro 20, 2005

A Razão da Gripe das Árvores

arvores


A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu hoje um comunicado a alertar para o risco de uma nova pandemia designada por «gripe das árvores». Embora ainda não existam casos de contaminação de humanos a OMS alerta para o risco do vírus sofrer mutações rápidas que possam vir a ser prejudiciais para a saúde humana. Os primeiros focos de infecção de árvores surgiram na região de Tugunska, na Sibéria há 2 semanas atrás, tendo sido detectados novos casos esta semana na região de Innsbruck, na Áustria. A OMS acredita que com os movimentos migratórios das árvores, o risco se possa alargar a toda a Europa Ocidental no espaço de um mês.
A OMS alerta ainda para o facto do vírus se desenvolver a velocidades diferentes de espécie para espécie de árvore, havendo potencialmente árvores mais perigosas que outras. A estirpe mais letal parece ter-se desenvolvido no Carvalho, tomando a designação de «gripe do carvalho» mas existem outras espécies igualmente perigosas.
Portugal é, segundo a OMS, o país europeu melhor preparado para enfrentar a gripe das árvores, não porque tenha aprisionado vacinação suficiente para a sua população, mas porque tem paulatinamente dizimado pelo fogo a sua população de árvores nos últimos 10 anos. Só em 2005 arderam 300.000 hectares de árvores de variadas espécies, correspondendo a 25% do total de área ardida na Europa do Sul.
A Direcção Geral de Saúde (DGS) já emitiu uma circular a desdramatizar a situação, afirmando que o risco da gripe das árvores entrar em território português é mínimo, e embora estime que 6.000 portugueses possam vir a ser vítimas de quedas de árvores durante 2006, nada disso estará directamente relacionado com o vírus.
A DGS publicou entretanto no seu site uma lista de árvores que poderão constituír maior risco para a saúde pública e com as quais deveremos tomar precauções:

Carvalho – por poder conter a estirpe mais perigosa do vírus. Se virem um carvalho rouco ou com uma leve espectoração queiram reportar às autoridades locais.

Eucalipto – apresenta um risco elevado de contágio. Os sintomas do virus são visiveis a olho nú, apresentando o eucalipto um tom esverdeado e escarrando copiosamente. Se o escarro fôr verde reportem às autoridades locais.

Pinheiro Manso – apresenta um risco nada manso e é a árvore com movimentos migratórios mais rápidos, podendo deslocar-se a uma velocidade de 2,5mm por hora. Se depararem com um pinheiro manso a lacrimejar seiva e a praguejar, informem as autoridades locais.

Sobreiro Alentejano – embora se mova muito muito devagar o risco de contágio é elevado, principalmente nas árvores que já foram descascadas. Os sintomas de contágio assumem a forma de arroto prolongado e de comichão nas partes baixas. Se detectarem um sobreiro a alucinar de comichão, reportem às autoridades locais.

Como não houve aprovisionamento de vacinas que cobrissem o total da população, a DGS recomenda a utilização da posologia tradicional, tendo colocado bidons de gasolina e serras mecânicas à disposição de todos os portugueses.