sábado, outubro 15, 2005

A Razão do Tempo

tempo
O tempo é um grande mestre, mas infelizmente mata todos os seus pupilos.

Hector Berlioz

sexta-feira, outubro 14, 2005

A Razão dos Escuteiros

escuteiros

Crianças vestidas de idiotas lideradas por idiotas vestidos de crianças. Se há organização juvenil que me irrita de sobremaneira são os escuteiros (eles gostam que lhe chamemos de escoteiros), todos fardadinhos de meiazinhas pelo joelho, cantando a marchar em direcção a um qualquer bosque onde irão exercer os seus rituais de plástico, inventados por um gajo que para além de pedófilo, gostava de se automutilar na genitália usando o seu canivete de mato. Sim, Baden Powell tinha problemas. O que eu não percebo é porque ao fim destes anos todos, estas criaturas continuam a povoar o planeta, divididos por agrupamentos, grupos, alcateias e clãs.
Os escuteiros fazem-me lembrar aquelas tribos perdidas do Amazonas, que continuam a fazer a sua vidinha alheadas daquilo que se passa à sua volta, com uma agravante: os gajos não estão no Amazonas. E é uma pena.
Os idiotas vestidos de crianças ainda os percebo: o mundo dos adultos é muito feio e os gajos recusam-se a crescer, quais Peter Pans com atraso mental e problemas de integração. Para eles nada é melhor que usar o belo do calçanito e uivar à lua até à idade da reforma. Há quem use drogas, estes preferem os calções. Mal por mal, os calções são mais baratos.
Quem eu não percebo mesmo são as crianças. O que leva um jovem mamífero a usar um calção ou uma saia peliçada e a desbravar mato como se não houvesse amanhã? Quão motivador pode ser saír em grupo para observar a nidificação das garças reais? Que excitante poderá ser acender uma fogueira usando duas pedras e um isqueiro?
Será que existe um tratamento de electrochoques que lhes resolva isto?
Enquanto não vislumbro uma resposta concreta para este fenómeno vou continuar a achar que tudo isto é um grande equívoco: que na realidade os escuteiros são uma fachada para deboches dionísicos no mato – tudo direitinho e compostinho até à zona mais cerrada do bosque, e a partir daí ninguém é de ninguém, tudo nú, mais cavalos e anões. Baden Powell style, somalis não incluídos.

quinta-feira, outubro 13, 2005

A Razão de Adão e Eva

adaoeeva

Se há por aí história mal contada é aquela de Adão e Eva no paraíso. Senão vejamos: Deus cria o Homem (entre outras coisas) e manda-o para o paraíso. Isto já de si é suspeito. Porque não o mandou para outro sítio qualquer? Porque não o mandou à merda? Nunca saberemos, mas o que é certo é que o Homem lá foi diligentemente para aquilo que Deus convencionou por paraíso. Na realidade era um pardieiro vazio, sem interesse nenhum e completamente despovoado. Não fossem umas arvorezinhas aqui e ali e assemelhar-se-ia ao Alentejo profundo. Diz a história que Adão, farto de contar as árvores, que nem eram tantas como isso, meteu um requerimento a Deus para lhe arranjar companhia. Distraidamente Deus mandou-lhe uma ovelha e rapidamente descobriu o significado da contranatura. Decidiu então fazer um truque com uma costela de Adão, criando dali uma companheira para o entediado mamífero. Chamou-lhe de Eva.
Ainda hoje a ciência tenta perceber que conhecimentos de genética o gajo tinha para fazer um truque daqueles.
A questão das roupas é insidiosa… se os gajos estão no paraíso porque diabo têm que usar parras a tapar-lhes a genitália? Armani e Prada seriam mais plausíveis, bolas! Afinal de contas que paraíso era aquele??
Depois vem outra parte incongruente: aquela em que Deus, num lampejo de autoridade tipo «quem manda aqui sou eu e vou inventar uma merda para vos deixar a matutar» decide embirrar com as maçãs e proibir Adão e Eva de as comer. Qual é o problema das laranjas? E das papaias? Porque não proibir as bananas? Ou toda a gama de frutos secos? É só incongruências…
Chegamos então à parte da cobra que falava. Tudo bem. Eu até ter ouvido as declarações de Fátima Felgueiras, achava que as cobras não falavam, portanto isto até faz algum sentido no meio desta trapalhada toda. Mas a questão é que a cobra de Adão e Eva demonstra uma obsessão voyeurística qualquer por maçãs. Gosta de as ver serem comidas. Há gostos para tudo…
Finalmente os gajos comem a maçã e Deus aparece para os expulsar do paraíso e não se fala mais nisso. Porquê? A história acaba aqui porquê? E a vida porca que eles levaram depois, com a obsessão insidiosa que Adão desenvolveu por ovelhas? Nem Sócrates contava tão mal uma história destas…

quarta-feira, outubro 12, 2005

A Razão da Seita

seita

A seita está para a religião como a loja de bairro está para o hipermercado: as primeiras adequam a sua oferta ao tipo de bairro onde se inserem, as segundas vendem indiscriminadamente a quem quiser comprar.
Criar uma seita não é difícil, basta conhecer relativamente bem os papalvos que queremos evangelizar, adequando o discurso aos seus medos, às suas ansiedades e às suas necessidades. E depois é como fazer sabonetes – ou apostamos no básico e temos o sabão macaco que dá para tomar banho e lavar a roupa, ou vamos para uma coisinha mais sofisticada acrescentando aloevera ou ginseng que dão a ilusão que, para além de lavar, fazem mais qualquer coisinha.
Uma condição sine qua non de qualquer seita bem sucedida é a figura do seu líder espiritual – mais uma vez recorro à analogia da loja de bairro e do hiper: quantos de vós conhecem pessoalmente o gerente do hipermercado onde fazem compras? E quantos conhecem o dono da vossa loja de bairro? O hipermercado passa muito bem obrigado sem que vocês lhe conheçam o gerente, a loja de bairro não. O dono da mercearia confunde-se com a mercearia, é a sua alma, tal como o líder espiritual de uma qualquer seita.
Por isso quando se limpa o sebo a um desses líderes (muitas vezes eles limpam o sebo a si próprios, fartos da fantochada que criaram) acaba a seita.
E depois temos os seguidores – uma seita com um líder espiritual e sem seguidores é um terrível aborrecimento (garanto-vos eu que sou o líder espiritual de uma seita alucinada, mas sem ninguém que me siga). Para se ser seguidor de uma seita não são necessárias grandes habilitações: basta querer acreditar em qualquer coisa. Convém ser uma coisa assim distante e inatingível tipo: estar à espera das naves venusianas do comandante Ashtar que vêm buscar todos aqueles que acreditam; ou esperar pelo Cometa para lhe saltar para a sua cauda e zarpar rumo à outra ponta da galáxia; ou ainda aguardar de caçadeira na mão (numa onda mais Koreshiana) que me apareçam um dia uns gajos com as letras FBI nas costas.
Acreditar em coisas tangíveis como sentir na nuca a respiração de Hale Berry num dia nublado não são suficientemente motivadoras (vá-se lá saber porquê) para granjear um número considerável de seguidores.
Uma coisa que contribui para criar um espírito de corpo numa seita é o vestuário: pode ser mais ou menos elaborado dependendo do grau de loucura dos participantes, mas convém que seja uniforme – tudo de tanga laranja e capuz negro por exemplo; ou vestes compridas mais clássicas com padrões estranhos. O que interessa mesmo é que todos se vistam de igual, tipo salesianos.
Finalmente, a parte mais importante das seitas: o financiamento. Uma seita que não tenha apoios financeiros não é uma seita, é um grupo de escuteiros com distúrbios de personalidade (um silogismo, portanto). O apoio financeiro de uma seita não é pêra doce, e depende do grau de exigência do seu líder espiritual. Normalmente o jacto particular e o Ferrari Testarrossa fazem parte do cerimonial, mas outros fringe benefits podem ser acrescentados dependendo da quantitade e qualidade dos seguidores. Neste aspecto as seitas aprenderam com a secular experiência da Igreja Cristã, hoje muito mais discreta mas igualmente eficaz na arte de sacar o seu indiscriminadamente, sem recibos ou quaisquer deduções à colecta.
Para todos os que acham que a política já não tem futuro, sugiro uma pequena reengenharia na actividade profissional: façam a vossa seita. Tax Free.

terça-feira, outubro 11, 2005

A Razão dos Trafulhas

trafulhas

Robin Hood, Robin Hood, riding through the glen;
Robin Hood, Robin Hood, with his band of men.

Feared by the bad,

Loved by the good,

Robin Hood, Robin Hood, Robin Hood!


Os meus receios confirmaram-se. Este povo merece exactamente aquilo que tem: um bando de escroques corruptos que rouba para si em nome do povo.
Em Portugal, e estas autárquicas provam-no, podemos ser corruptos, ladrões, desonestos, bandalhos e javardos, desde que no processo vamos atirando com umas migalhas para o povo. O truque é assumir esta «postura de Robin dos Bosques»: roubar e enganar indiscriminadamente, escapando incólume ao braço da Justiça, que neste momento já se confunde com o Estado, considerado um ladrão maior e despersonalizado.
Quando se questiona que ou há moralidade ou comem todos, os portugueses preferem a parte da comezaina. Para eles não há problema nenhum em roubar ou ser roubado desde que uma parte do quinhão, mesmo que mínima, lhes toque a eles. O culto do espertalhaço continua, infelizmente, bem vivo nesta telenovela mexicana e continua a mostrar-nos todos os dias que, em Portugal, o crime compensa. De facto, isto não é um país mas apenas uma baderna mal frequentada.

segunda-feira, outubro 10, 2005

A Razão de Liliput

liliputz
Bill Bernbach, um dos mais conhecidos gurus publicitários de todos os tempos, usou em tempos a seguinte frase para lançar o Volkswagen carocha no mercado americano: Small is beautifull. O gajo tinha alguma razão. Por um motivo qualquer que me transcende, achamos um piadão a tudo o que é pequenino (bem... nem a tudo, mas isso é outra história). Começamos com os animaizinhos: a maior parte dos mamíferos são indiscutivelmente mais bonitinhos quando são crias (tirando talvez a Monica Belucci). Os telemóveis, que cada vez ficam mais pequeninos, ao ponto de os perdermos nos bolsos de umas calças apertadas. Até o Steve Jobs não resistiu e criou o Ipod Nano, que corre o risco de ser confundido e engolido na medicação da manhã. Ao longo dos anos nasceu e consolidou-se uma «indústria do pequenino»: frasquinhos de perfume miniaturizados, baralhos de cartas mínimos, playstations portáteis e reduzidas, aparelhagens mini, computadores mais pequenos que uma folha A4, gelados e chocolates encolhidos. Até as bolachas aproveitaram esta mania do pequenino e lançaram um sem número de variantes anãs.
Portugal, um país já de si pequenino, poderia aproveitar esta tendência mundial da miniaturização. Quem sabe não seria esta uma oportunidade para transformar o país de uma vez por todas, usando como directiva a frase de Bernbach: small is beautifull? Claro que teríamos de adaptar o conceito à realidade local, e dar-lhe uma forma mais adequada. Algo do género «tacanho é lindo!». Talvez não seja uma boa ideia...

domingo, outubro 09, 2005

A Razão do Contra

contra

Nunca voto a favor de ninguém.
Voto sempre contra.

W.C. Fields

sábado, outubro 08, 2005

A Razão da Democracia

democratica

O melhor da democracia é que esta dá a cada votante a chance de fazer algo realmente estúpido.

Art Spender

sexta-feira, outubro 07, 2005

A Razão do Regresso

paused

Em Portugal cultiva-se a filosofia do eterno retorno, também conhecida pelo regresso eterno. É este nosso lado saudosista que sofre daquilo que já teve e que deixou de ter. Pessoalmente acho que a nossa situação geográfica é a grande culpada nesta questão: impedidos de progredir para dentro por causa dos malditos e persistentes castelhanos, fomos obrigados a fazermo-nos ao mar, com todas as consequências que daí adviram.
Ir para o mar, ir em direcção a uma linha do horizonte inexorável e misteriosa, sem a certeza de que voltaríamos, foi o combustível deste nosso mito do eterno retorno (com as devidas vénias e desculpas a Mircea Eliade, que inventou o termo noutras circunstâncias que um dia terei imenso prazer em escrever aqui). Dizia eu que ir para o mar, com a devida imponderabilidade do vazio e daquilo que desconhecemos, contribuiu para que o regresso fosse algo valorizado e esperado pelos portugueses. O caso mais paradigmático deste eterno regresso é D.Sebastião, cujo regresso num dia de nevoeiro sobreviveu à sua existência e continua válido até hoje. Digamos que este será para sempre o regresso que nós esperaremos. Mas há outros. Nós gostamos que hajam. O regresso de Cavaco Silva e de Mário Soares, por exemplo. Podemos não gostar das figurinhas mas aplaudimos com fervorosa estupidez o seu regresso, porque para os portugueses o regresso é uma espécie de recomeço, de eliminação sumária de um passado que é sempre penoso e para esquecer. O regresso é para nós um reinício onde nunca somos intervenientes, mas sempre espectadores – alguém há-de regressar para mudar as nossas vidas, para nos salvar de nós próprios.

Nota: Estou de volta. Mas recuso-me a salvar seja quem fôr. Desenrasquem-se sózinhos.

segunda-feira, setembro 26, 2005

A Razão do Blog do Candidato Político

candidato
Divirto-me à brava com a perspectiva que os políticos portugueses têm dos blogs. Alguém lhes disse, a dada altura das suas miseráveis carreiras, que os blogs eram o 5º Poder e estes desataram a abri-los na internet na vã esperança de agarrar mais um bocadinho de poder.
Naturalmente que os políticos estão a anos-luz de distância de perceber o que é um blog, quanto mais o modo como devem usá-lo.
Sabemos que estamos perante um blog de um candidato político quando:

Parece que estamos a ouvir um monólogo televisivo, daqueles paternalistas e feitos a olhar directo para a câmara, a fazer de conta que estão a falar para nós. Convém perceber que um político nunca fala directo para nós – fala directo para um boletim de voto com a cruzinha no partido dele.

Não há qualquer coerência linguística de post para post, porque na realidade aquilo é escrito por um monte de assessores diferentes pagos para alinhavar, sem sucesso, aquilo que um político raramente consegue fazer: um discurso coerente e inteligente.

O blog só tem um post, que é nada mais nada menos que um chorrilho de promessas estúpidas retiradas de um panfleto político.

O blog só tem um post porque o político decidiu fazer aquilo sem acessores e a sua capacidade de dizer/escrever aquilo que pretende fazer é tão limitada que ele se fica mesmo por ali. Temos aqui um caso típico.

O blog tem a duração do período de campanha eleitoral demonstrando que o político está ali só para vender o seu peixe e não para estabelecer uma relação directa com o seu eleitorado.

O blog não admite comentários porque a percepção democrática do político não admite críticas nem respostas, nem esclarecimentos adicionais ao cidadão comum. O político só admite respostas, esclarecimentos, ou críticas, de outro político e preferencialmente quando passa em directo na televisão.

Na minha perspectiva o blog de um candidato político deve ser encarado de duas formas: ou vamos lá visitar o gajo para o insultar à laia de medida profilática, ou não se vai lá e pronto.

domingo, setembro 25, 2005

A Razão da Confusão

confusao
Se não consegues convencê-los, confunde-os.

Harry Truman

sábado, setembro 24, 2005

A Razão Perigosa

perigosa
É perigoso ter razão quando o Governo não a tem.

Voltaire

sexta-feira, setembro 23, 2005

Razões Inéditas

ineditas
Um ser asado foi visto a sobrevoar os céus portugueses. Apareceu assim de repente, sem perceber-se de onde vinha. Nos organismos de segurança nacional piscavam luzinhas vermelhas, os taradinhos dos OVNIS ficaram entumescidos, a Santa Igreja começou a afiar o fervor religioso, e a GNR coçou a bolsa testicular.
A TVI fez um especial na região onde alguns labregos afirmavam ter visto o ser voador: «parecia um abion» grunhia um, «aquilo é um condôr do demo» estrebuchava outra. Os testemunhos sucediam-se mas não se conseguiu nunca obter nenhuma imagem que atestasse a veracidade do fenómeno. Até que um dia ele aparece de microfone na mão e ar lixado em frente da Assembleia da República. Dizia que a fábrica onde trabalhava não tinha reaberto depois do Verão, que há 3 meses que não recebia ordenado, que o Estado não lhe dava qualquer ajuda, que tinha dois filhos para criar, que não conseguia pagar a casa onde vivia, que já lhe escasseava o dinheiro para comer.
Nesse dia ficámos todos a saber que ele era o Ente Alado, o super-herói nacional.

quinta-feira, setembro 22, 2005

A Razão no WC

WC
Não gosto de WC’s públicos por motivos vários, que estão normal e directamente relacionados com o facto do chão estar sempre molhado ou com o irritante facto de ter sempre um sítio que está queimado por beatas de tabaco (mas quem é que fuma num WC público??).
Quando tenho de lá ir perco sempre algum tempo com as mensagens atrás da porta. O grande mistério para mim é perceber quando é que elas são escritas.

Será... antes de?!! – aflitinhas aflitinhas, mas ainda com tempo para umas linhas!?
Será... durante?!! – não dá jeito, pela análise das mensagens, a altura a que estão escritas e a distância que compreende a porta da sanita deixa esta hipótese de lado.
Será...depois de?!! – não faz sentido que se queira lá estar, mais tempo que o necessário.

Com as mensagens de WC estamos perante de um acto (altamente) premeditado, porque temos de abrir a mala vasculhar lá dentro à procura de algo que escreva, ou então, entrar já com algo que escreva na mão... sendo que apenas a parte da mensagem tem alguma espontaneidade
E as mensagens são de temática variada:

Insultos escabrosos a outras mulheres pela honra amachucada:
- A Gonçalinda é uma P*** que se meteu com o meu Hilário Cosme.

Números de telefone, (talvez de alguma lésbica mais inibida para outra lésbica inibida):
- está sim?? Olhe... estou a ligar porque vi o seu número de telefone num WC público em Estarreja.... era para combinar um café, se puder ser, claro.
(Não me parece que seja uma forma inteligente de conhecer pessoas, mas enfim)

Menções ao tamanho da genitália:
- eu tenho uma **** do tamanho de uma betoneira
(sinceramente como mulher, não sei se é bom ou não)

Ou então eternas palavras de amor:
- Amo-te Hilário Cosme, para toda a nossa vida...
(O Hilário Cosme, nunca saberá desta prova de amor, porque ela foi feita no WC das mulheres e nem sei se o Hilário Cosme achará isto romântico, mas concerteza que gostará de saber que o seu nome foi perpetuado numa porta de WC principalmente se lá estiver escrito também qualquer coisa que fale do seu, soberbo, desempenho sexual.

Na verdade, adoro a escrita de casa de banho.
Ela informa, educa, distrai, diverte, tem raiva, sexo e intrigas. No fundo, tudo o que se quer num bom romance.

Um post da Ana do 2ºEsquerdo em exclusivo para a Razão.

quarta-feira, setembro 21, 2005

A Razão da Estrela da Rádio

estreladeradio
Video killed the radio star.
Sempre que me falam em globalização o meu cérebro vagueia invariavelmente por esta música simpática dos velhotes Buggles. Goste-se ou não a globalização matou, a dada altura, a maior parte do que era feito localmente. Este não é um post anti-globalização, até porque pessoalmente acho que esta nos tornou mais conscientes do mundo à nossa volta – por vezes demasiado conscientes para o meu gosto. Este é um post com o mesmo travozinho saudosista e atravessado pela mesma alegria adolescente e inconsciente da música original. É um post «que se lixe». Que se lixe já não termos os iogurtes Longa Vida; que se lixe a Pasta Medicinal Couto; que se lixe a Laranjina C; que se lixem programas de rádio que nos faziam acordar cedo como o Pão com Manteiga (de um rapazinho que hoje está indiciado por pedofilia); que se lixem os Rajás, os chocolates Regina e as Bombokas; que se lixem os Pilote, os Cavaleiros Andantes, e os Tintins coleccionáveis; que se lixem o ZX Spectrum e o Atari; que se lixem os Sanjo (esbirros nacionais dos All Star); que se lixem os pirulitos e as pastilhas Gorila. Que se lixem o Subbuteo, e o Ludo, e a sueca.
E viva a globalização! Normalizada, instantânea (sem juntar água), e em directo. Vivam as frutas gigantes e brilhantes a saber ao mesmo; viva a fast food que nos garante que tudo sabe igual em locais diferentes; viva a roupinha para betos, para dreads, para grunges, para góticos, e para surfistas; vivam os bifes de vaca lúcida e os frangos sem febre. E acima de tudo vivam os blogs, a expressão máxima e positiva daquilo que é a globalização – e que nos mostram diariamente que, apesar de tudo, encerramos em cada um de nós um imenso universo nunca globalizável.
Passem um grande e globalizante dia.

terça-feira, setembro 20, 2005

A Razão dos Matraquilhos

matraquilhos
Os países têm em geral um ícone pelo qual são conhecidos internacionalmente, que acaba por ser o seu logotipo virtual: os espanhóis têm os touros (confesso que não percebo esta sua adoração por cornos), os ingleses têm o Big Ben, os franceses têm a Torre Eiffel, os brasileiros têm o carnaval e as bundinhas, os irlandeses têm a harpa, os escoceses o whisky e o monstro fictício do Loch Ness, os holandeses têm os moínhos, e assim por diante. E os portugueses, qual é o deles?
Sempre que penso no ícone dos portugueses lembro-me inevitavelmente dos matraquilhos. Acho que não há coisinha que traduza melhor a nossa portugalidade que um tabuleiro de matraquilhos: pequeninos e desajeitados, sempre tensos (reparem que os bonecos estão sempre em sentido), prontos a serem manipulados por outros, impedidos de se mexerem muito por uma barra de ferro que os atravessa a meio, sempre com o mesmo modo de actuar (para trás e para a frente), uns contra os outros a pontapear uma ridícula e velha bola de madeira, só funcionando quando se mete a moeda, e sem qualquer utilidade que não seja para alguém se divertir.
O matraquilho é Portugal em todo o seu esplendor. Sempre agarrado a uma caixa, e à espera da próxima moeda. Eleve-se a coisa a ícone nacional. Nós merecemos.

segunda-feira, setembro 19, 2005

A Razão da Ditosa Pátria

ditosapatria
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.

Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
a pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fátua ignorância;

terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;

terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude;
terra triste à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;

terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;

terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;

és terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não.



Jorge de Sena
(cedido gentilmente por MJM)

domingo, setembro 18, 2005

A Razão do Perdão

perdao
Perdoem sempre aos vossos inimigos - nada os deixa mais lixados.

Oscar Wilde

sábado, setembro 17, 2005

A Razão em Pequena Escala

escala
O Governo é uma operação em larga escala composta por muitas inteligências em pequena escala.

sexta-feira, setembro 16, 2005

A Razão do Sol e da Peneira

18
A partir da próxima semana a TVI vai «auto-regular» o visionamento dos seus programas indicando com um pequeno símbolo no canto superior direito do écran televisivo, a que grupo etário se dirige o programa exibido. Foram definidos os seguintes símbolos:
«T» para os programas que podem ser visionados por toda a gente.
«10 AP» para os programas que já têm um palavrãozito ou outro, sendo que as letras AP significam que as crianças deverão assistir ao programa acompanhados pelos pais.
«12 AP» para programas onde o palavrãozito passa a palavrão e em que ocasionalmente se poderá vislumbrar um corpo desnudo mas nunca exibindo as partes pudendas.
«16» para programas onde o palavrão passa a um chorrilho de palavrões e onde se pode ver nus integrais com genitálias tímidas, de relance, fugazes.
«18» para programas onde genitálias desinibidas, chorrilhos de palavrões, cavalos pentapérnicos, anões e mulheres desnudas, pululam sofregamente no écran como se não houvesse amanhã.
Esta curiosa medida merece-me alguns comentários de ordem diversa:

Sobre a liberdade individual – a TVI, que defende acerrimamente os direitos do indivíduo, sendo clara a sua posição quanto ao aborto, tem aqui uma posição no mínimo paradoxal. Se um feto tem direito à vida e deve ser considerado um ser humano com direitos, porque raio é que uma criança com 9 anos não tem o direito de ver programas para além de designação «T»? Parece-me censura infantil, e logo, altamente reprovável.

Sobre a autoridade familiar - existem categorias que recomendam o acompanhamento dos pais. E o que dizer dos avós? não terão estes o discernimento para decidir o que os seus netos podem visionar? E os tios, qual é o problema deles? E os parentes afastados, perdem critério por terem uma consanguinidade mais diluída?

Sobre a exaustividade – porque raio é que as classificações são limitadas até à idade de 18? Pessoalmente acho que certos debates políticos deveriam ser limitados a indivíduos abaixo dos 3 anos; as intervenções de Soares deveriam estar limitadas a indivíduos acima dos 80; os noticiários da Manuela Moura Guedes não deveriam poder ser visionados por indivíduos do sexo masculino acima dos 6 meses, sob o perigo de se tornarem serial killers. Acho que esta história das idades merecia uma reflexão mais cuidada. A actual divisão é um desleixo.

Sobre a honestidade intelectual – e porque não abordar o visionamento de programas de uma forma mais honesta? O que tem a idade a ver com isto tudo? Conheço seres de 4 anos com maior maturidade mental que Sócrates. Quererão proibir o primeiro-ministro de ver televisão? Será isto uma conspiração insidiosa? Tendo em conta as características de programação da TVI acho que podiam ter sido mais inovadores e honestos na classificação e definir outros tipo de categorias do género:

«Programas VAM» onde se incluiriam todas as produções do Piet Hein. Sabemos bem que este senhor se especializou em programas para voyeurs com atraso mental.

«Programas ARPEP» emissões destinadas a adolescentes rebarbados com problemas de ejaculação precoce, tipo Morangos com Açúcar.

«Programas GLAPP» destinados a essa imensa minoria de gays e lésbicas à procura de protagonismo e aceitação social, e que acha que só porque aparecem na televisão, vão mudar a mentalidade vigente.

«Programas GGSE» destinados a todos aqueles gajos que gostam de ser enganados (para não dizer outra coisa que os integra automaticamente na categoria anterior), versando debates políticos, coberturas eleitorais, e jogos do Benfica.

E assim por diante até cobrir todo o espectro nacional de labregos, funcionários públicos, grevistas, coçadores de micose, desempregados compulsivos, notários, professores e outras classes profissionais de índole duvidosa.
Aqui temos mais um caso de cabotinice labrega a querer ser muito original e muito didáctica e muito socialmente responsável, enquanto se tapa o sol com a peneira...sejamos honestos meninos.