sábado, agosto 06, 2005

A Razão Sadomasoquista

sadomasoquista
A palavra «Seguros» está para medo, como as palavras «Finanças» e «Segurança Social» estão para terror. Quando falamos em seguradora, por mais incrível que pareça, não nos sentimos seguros, muito pelo contrário: assumimos um ar desconfiado e inseguro, porque sabemos que estamos a ser assaltados, abrimos a carteira e, com um peso na alma, desembolsamos.
A relação que temos com estas instituíções comparo-as com algum tipo de relação sadomasoquista, iniciada de forma a tentar alegrar a coisas, mas sem grande sucesso.
Deixemos de lado termos, palavras, e passemos à acção: o sadomasoquismo é uma prática sexual, em que o prazer é obtido através do acto de infligir e sofrer dôr. A relação com as «Finanças» e «Segurança Social» são puros exercícios de sadismo. No dicionário, sadismo vem definido como «(...) instinto sexual em que a satisfação (...) só pode alcançar-se (...) com a perversão que consiste em tirar prazer do sofrimento alheio». E não é exactamente isto que o Estado faz?
Com os seguros a coisa é diferente. É uma relação de puro sado-masoquismo.
Os adeptos desta prática sexual dividem-se em dois grupos, nomeadamente os dominadores ou mestres e os escravos ou submissos. Estes últimos, tal como o nome indica, são os que sofrem, que são maltratados física e psicologicamente. Já os dominadores são os que fazem sofrer, têm um papel activo na relação e só atingem o orgasmo inflingindo a dor no outro.
Eles dizem «paga» ...Não é obrigatório, mas pagamos.
E nós pagamos uma apólice que nos garante que se formos raptados por extraterrestres num dia par de um ano bissexto, ser-nos-à pago 3 anos depois o valor definido, sem antes termos gasto 4x mais por protestarmos aquilo que temos a receber. É masoquismo sim, porque sabemos que a probabilidade de acontecer é mínima. É sadismo sim, porque as seguradoras sabem que a probabilidade de acontecer é mínima.
O que mais me intriga nas seguradoras, são os nomes de algumas delas. Ora vejamos:
Tranquilidade; Bonança; Fidelidade; Liberty.
São tudo nomes de coisas boas, com as quais no sentimos protegidos...até ver, claro. Outra coisa que me intriga nos seguros é o termo «prémio».
E como definição de prémio temos:
«do Lat. praemius. m., recompensa; galardão; remuneração; distinção conferida a quem se torna notado por trabalhos ou méritos; ágio; juro»;
até aqui tudo bem, mas depois, na salvaguarda, também diz: «prestação que o segurado efectua em favor da companhia seguradora como contrapartida do direito de indemnização».
E como prémio de não termos sido raptados, de não termos espatifado o carro, não ter pegado fogo à casa, de não termos sido assaltados, o prémio aumenta e nós pagamos mais. Juro que não entendo. É a mesma coisa que irmos para a cama com uma pessoa e descobrir, tarde demais, que ela é sádica...

Um post de Ana de Neon em exclusivo para a Razão

sexta-feira, agosto 05, 2005

A Razão da Obra Pública

obrapublica
A OTA e o TGV não são aquilo que parecem. Se alguém achar que o Governo está a ser inconsequente nestes dois projectos está enganado. Tudo isto faz parte de um grande desígnio nacional que os cavaleiros da távola redonda (esse grupinho naife de 13 economistas de todos os quadrantes políticos), falharam redondamente em identificar. Analisando as características de ambos os projectos vemos que o ambos têm em comum é o facto de contribuírem para transportar, de um modo bastante rápido, muita gente para fora do país. É claro que o Governo mascara a situação dizendo que a óptica é puramente turística, mas o que se está aqui a passar é o Muro de Berlim, só que ao contrário. Os gajos querem é que a malta se vá embora daqui. E rapidamente!

quinta-feira, agosto 04, 2005

A Razão do Autarca

autarca
Esta polémica toda sobre a OTA e o TGV deixa revelar que o governo é gerido por gajos com mentalidade de autarcas. Dentro de cada ministro há um autarca a querer saír e a fazer a merda do costume.
Sobre a OTA e o TGV falarei com mais detalhe amanhã. É uma conspiração tenebrosa que merece ser revelada com alguma solenidade.
Hoje vou dedicar-me aos autarcas e às suas razões. O político de autarquia está para o político nacional como a fisga está para a catapulta: ambos arremessam projécteis, mas uns fazem mais merda que outros. É tudo uma questão de dimensão.
Fazer merda em grande escala é uma característica de perfil que auspicia um futuro glorioso na liderança dos destinos da nação – um autarca típico não tem a capacidade intelectual nem financeira para dar cabo da economia do país com uma OTA ou com um TGV. O autarca local é, como a própria designação implica, um gajo que faz merda a um nível muito restrito. Tanto autarcas como políticos gastam o dinheiro dos contribuíntes em aleivosias disparatadas. Mas no caso dos autarcas são aleivosiazinhas, disparatezinhos, pequenos insuflares de egozinhos. É o Portugal dos Pequeninos da política. É a cabotinice provinciana que, quando atinge limites para além do normal, culmina na fuga para o Posto 6 de Copacabana, ou na participação em reality shows de qualidade sempre duvidosa. Mas na maior parte dos casos os autarcas ficam-se pelas rotundas e pelos semáforos. Autarca que não tenha construído umas belas rotundas e plantado uns belos semáforos não pode ser digno dessa função. É uma espécie de mijinha do cão para a posteridade, para um dia puderem dizer aos netos: «Estás a ver ali aquele semáforo? Foi o avô que o pôs lá!» E a criancinha olha esgazeada para o semáforo a tentar imaginar como é que aquela fraca figura teve força de levar aquilo em ombros para ali.
Um post dedicado aos semáforos da cidade algarvia de Lagos.

quarta-feira, agosto 03, 2005

A Razão da Lobotomia

lobotomia
Christine Johnson, uma bibliotecária de Nova Iorque, quer que a academia sueca retire o Nobel da Medicina atribuído a Egas Moniz em 1949. A questão foi despoletada com a publicação de um estudo que demonstrava que a técnica da lobotomia, desenvolvida por Egas Moniz em 1936, apenas ajudou 10% dos 50.000 norte-americanos que foram lobotomizados entre os anos 30 e 70. A avó de Christine Johnson faz parte do grupo de 90% que passou a babar-se descontroladamente e a gritar «Ninguém é de ninguém!» em cada 15 minutos.
Esta exigência de Christine Johnson leva-me a perguntar porque é que não lobotomizaram também os seus pais? Ter-nos-ia poupado a mais uma demonstração de estupidez e ignorância só dignas de um orgulhoso exemplar do povo americano.
Tentei explicar a Christine Johnson no seu blog, que Egas Moniz não ganhou o Nobel pela descoberta da lobotomia, mas sim pelo desenvolvimento da Angiografia Cerebral, coisa que se demonstrou irrelevante porque no
blog desta red blooded american girl não são permitidos comentários de estranhos: típico dos burgessos norte-americanos, centrados na sua própria ignorância.
Se não fosse tão tacanha, a menina teria aprendido que antes de Egas Moniz ter inventado a angiografia não era possível detectar disfunções no cérebro (os Tacs surgiram muito mais tarde), e qualquer raio x que se fizesse ao cérebro mostrava apenas uma massa indistinta. Graças à angiografia (que consiste em introduzir, através da carótida, um líquido luminoso que acaba por «iluminar» o cérebro permitindo detectar as suas texturas) foi possível encetar uma série de tratamentos, entre eles a lobotomia.
Mas já que a bibliotecária Christine Johnson está tão interessada em honrar a memória da babosa da sua avó, retirando o Nobel a Egas Moniz, talvez seja melhor passear pela secção de história contemporânea da sua biblioteca, e ler o que os seus compatriotas do Manhattan Project fizeram em Hiroshima e Nagasaki em Agosto de 1945. Talvez Christine Johnson se lembre também de honrar as memórias dos mais de 200.000 homens, mulheres e crianças mortas nos dois ataques nucleares, e exija que se retire o Nobel a Albert Einstein.

terça-feira, agosto 02, 2005

A Razão de ter Ar

ar
Ter ar é uma condição determinante para existirmos, quer numa perspectiva biológica, quer numa perspectiva social. Vou debruçar-me aqui apenas sobre o lado social do ar, e deixar o ar biológico para os entendidos (nunca liguei nenhuma a biologia e não é agora que lhe vou dar importância).
Tal como um balão de feira, o indivíduo que preza viver em sociedade rodeado de outros indivíduos precisa de ter ar. O ar dita a imagem que esse indivíduo projecta, consciente ou inconscientemente, nos outros.
Há especialistas em desenvolver ar, e há outros que são estão nas tintas para o ar – seja para o seu ar, seja para o ar dos outros. Ter ar é um processo evolutivo: começa normalmente na adolescência, onde o indivíduo se encontra normalmente bastante confuso sobre que ar deve ter, e acompanha-o de uma forma bem mais definida na vida adulta, até chegar à terceira idade, onde há coisas mais prementes para pensar do que no ar.
Ter ar é um manifesto da individualidade. O nosso ar determina a maneira como os outros olham para nós. A quantidade de ares é quase proporcional à quantidade de indivíduos. Temos os indivíduos com ar sério, os que têm um ar divertido, os que têm um ar de estúpidos, aqueles que têm ar que não estão a pescar nada, os que gostariam de ter um ar de importante, os que irritam com o seu ar autoritário, os que despertam sentimentos protectores com o seu ar perdido, os que têm um ar convencido, os que têm um ar sedutor. Olhem à vossa volta, e encontram ares de todas as formas e feitios – todos eles têm uma função elementar: dar-nos uma existência social.
O ar desenrasca-nos em muitas situações ao longo da vida: há alturas em que fazemos um ar entendido, embora não estejamos a perceber patavina; ou outras em que fazemos um ar interessado, muito embora o interesse seja nulo; ou quando fazemos um ar desentendido, quando não queremos ir por ali. O ar lá nos vai safando... e o truque é nunca termos faltas de ar. Cuidado asmáticos!

segunda-feira, agosto 01, 2005

A Razão do Perfume

perfume
Falar de perfume é um inebriante e estimulante exercício evocativo de sensações entrelaçadas de almíscar e alfazema, trespassadas por bergamota, com pequenos apontamentos de zimbro e cravo de Madagascar; é um imaginário salpicado de lavanda, polvilhado de canela do oriente, e avivado por patchouli com ligeiras notas de cedro.
Falar de perfume é, em suma, falar de merda, e de como disfarçar o seu cheiro. Foi essa a motivação daquele povinho ridículo que fala com a boquinha em «U», quando um dia percebeu que podia disfarçar o cheiro a mijum e a sebo que adquiriam por não gostarem de se lavar.
É claro que o conceito de perfume evoluíu muito desde a sua criação, o mesmo não se pode dizer dos franceses, que continuam com uma aversão animalesca à água e às suas propriedades higiénicas. Mas não percamos muito tempo com eles, para que a conversa não comece a cheirar mal.
Detenhamo-nos um pouco sobre as propriedades afrodisíacas do perfume. Um perfeito mito. Dizem que determinados perfumes estimulam o apetite sexual e tornam irresistível o seu utilizador. Convém no entanto realçar que isto só se verifica quando o utilizador apresenta uma fisionomia de características generosas, ombreando com qualquer Naomi Campbell, Heidi Klum, ou Jessica Alba. Vaporize-se com DKNY uma rapariga de 150kg e nem por isso ela terá uma noite mais preenchida.
Analisemos a função do perfume com mais detalhe: a sua utilização serve para realçar aspectos de personalidade, enriquecendo-a e tornando-a mais apetecível aos olhos (ou narizes) dos outros? Ou é simplesmente uma roupagem virtual destinada a cobrir cheiros de origem animal que tornariam qualquer engate de sábado à noite num suplício digno de uma prisão turca? Pessoalmente inclino-me mais para a segunda hipótese, embora conheça gente que só tem personalidade entre as 8 e as 9h da manhã, altura em que o perfume ainda faz efeito.
E o que dizer sobre a origem vegetal de todos os perfumes? Porque diabo não há perfumes de origem animal? Qual é o problema de cheirar a cavalo lusitano entrecortado com sândalo? Ou de cheirar a antílope em pleno época de cio com pequenos apontamentos de cidreira? Será por puro preconceito que alguém evita usar um perfume de boga do Guadiana? Ou mesmo de caboz de água doce?
Uma coisa é certa, os franciús têm uma fixação esquisita com vegetais. Resta saber se lhes tiram as cadeiras de rodas antes de os transformarem em essências aromáticas.

sexta-feira, julho 29, 2005

A Razão Oculta

oculta
Sempre me interessou o oculto.
Por isso não percebo o fascínio pelas praias de nudismo.

quinta-feira, julho 28, 2005

A Razão Bipolar

bipolar
Os governos que se sucedem em catadupa, nesta novela mexicana a que simpaticamente chamamos de país, gostam de nos presentear com meias medidas para resolver o caos e a desordem económica e social, conseguidas com anos e anos de desleixo e incompetência. Um exemplo recente é o aumento do IVA: sabemos que não vai resolver coisa nenhuma porque o seu efeito mais imediato é reduzir o consumo e, consequentemente, a receita.
Estas meias medidas contrastam com a nossa mais evidente característica nacional: o povo português é bipolar. Num minuto somos os maiores do mundo, e no minuto seguinte somos umas verdadeiras merdas intergalácticas que mais valia termos servido de combustível para o big bang.
Não conhecemos meios termos. Somos uns verdadeiros interruptores, umas vezes no «on», outras vezes (a maior parte delas) no «off». A nossa auto-estima nacional assemelha-se a um electrocardiograma a captar os efeitos de um defibrilhador.
A coisa é bastante ridícula quando olhamos de fora. Recuemos um ano atrás para observar o comportamento dos portugueses face à sua selecção nacional: quando começou o Euro 2004 ninguém acreditava, nem deixava de acreditar, que Portugal fosse muito longe. Quando fizemos o jogo de abertura com os gregos e perdemos, ficámos com certeza absoluta que tínhamos uma equipa de merda. Três jogos e alguns milhares de bandeiras mais tarde já estávamos no extremo de achar que íamos ser campeões europeus. E depois perdemos outra vez com os gregos. Auto-estima rasteira de novo.
Outro exemplo: o governo de Santana fez-nos acreditar que o país estava virado do avesso, o que explicava as dores nas costas de muita gente. Quando Sócrates ganhou as eleições (e o país continuou virado do avesso) todos os problemas acabaram porque tinha chegado um novo senhor, muito competente, que ia tratar de resolver tudo. O simples facto de Sócrates ter sido eleito já foi suficiente para deixarmos de nos preocupar. E depois foi o que se viu. Auto-estima rasteira outra vez...
Esta incapacidade de atingirmos o equilíbrio faz parte da nossa nacionalidade. Se fôssemos sempre os maiores seríamos espanhóis (com toda a megalomania imbecilóide inerente); se fôssemos sempre uma merda seríamos luxemburgueses ou belgas, os povos mais cinzentos e desinteressantes da Europa (o primeiro deles está curiosamente atestado da maior comunidade emigrante portuguesa).
Feliz ou infelizmente, a bipolaridade é o que nos faz portugueses. Ninguém nos pode acusar de sermos um povinho monótono.

quarta-feira, julho 27, 2005

A Razão do Bidé

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Existem objectos no nosso quotidiano que são perfeitamente inúteis ou redundantes. Simplesmente porque estamos tão habituados a conviver com eles, não nos apercebemos da sua irrelevância (agora que penso nisto também posso dizer o mesmo de algumas pessoas, mas isso fica para outra Razão).
O bidé é um dos objectos mais estúpidos do planeta – o que não é de admirar se pensarmos que foi inventado por um dos povos mais imbecis à face da terra: os franceses.
Só um povo que não gosta de se lavar poderia ter inventado o bidé (e os perfumes, que têm uma ligação directa com a utilização do bidé – é que lavar os sovacos num bidé não dá assim muito jeito).
O que faz um bidé que não faz melhor uma banheira ou um chuveiro? Para não falar das posições ridículas que fazemos sentados num bidé...
O bidé é o corolário da cultura francesa: uns porcos arrogantes e mal cheirosos, interessados em lavar apenas as partes baixas.
Estou tentado a fazer um take over hostil ao Club Mediterranée, e a substituir todos os bidés por agulhetas de bombeiros; mas tenho medo que depois de lhes tirar a merda toda que têm em cima, não reste nada daquele povo ridículo que fala com a boquinha em «U».

terça-feira, julho 26, 2005

A Razão do Guinness

No último fim de semana passou por mim uma carrinha que anunciava «O Maior Gaspacho do Mundo – 4.500 litros numa só panela». O evento teve lugar em Cercal do Alentejo e visava estabelecer um recorde para o Livro de Recordes do Guinness.
É curioso ver como os recordes portugueses do Guinness estão recorrentemente ligados ao acto de comer:
- A maior feijoada do mundo
- O maior pão com chouriço do mundo
- A maior caldeirada do mundo
- O maior logotipo humano do mundo (com este comemos os espanhóis mais a sua candidatura ao Europeu de 2004).
Esta ligação dos nossos recordes a uma necessidade básica lembra-me de
Maslow e da sua Pirâmide de Necessidades Humanas. Dizia ele que o indivíduo procura preencher um conjunto de necessidades que têm uma hierarquia específica: primeiro tem de assegurar as necessidades básicas, de índole fisiológica (comer, dormir, procriar, pela ordem que estivermos mais virados na altura); asseguradas estas, passa para outro nível de necessidades que se prendem com a segurança, a pertença e a aceitação social (é nesta fase que muitos se sentem impelidos a comprar o kit de sócio do Benfica); quando este nível de necessidades está cumprido, passa ao nível seguinte, a necessidade de poder. Nesta fase o indivíduo quer mandar e ser obedecido. Surgem nesta altura os pequenos poderes, que bem conhecemos atrás de um qualquer balcão de atendimento de uma qualquer instituíção da Função Pública. Finalmente atinge-se o topo da pirâmide com a necessidade de prestígio – fase em que o indivíduo quer ser reconhecido socialmente por um qualquer feito que tenha realizado. O Zézé Camarinha é um exemplo vivo desta fase: o homem quer que lhe reconheçam a façanha de ter disseminado os seus genes pelos reinos da Dinamarca e da Coroa Britânica (daqui a duas gerações estima-se que 2 em cada 3 dinamarqueses ou britânicos descendam directa ou indirectamente de Zézé Camarinha).
Voltando ao tema dos nossos recordes do Guinness eu concluiria que Portugal ainda está no seu grau zero da hierarquia de necessidades: enquanto os americanos estabelecem recordes que contribuem para aumentar o seu prestígio, como o primeiro homem na lua, ou o prédio mais alto do mundo, os portugueses limitam-se a morfar feijoada em cima de uma ponte, ou a javardarem-se todos dentro de uma panela de gaspacho. É tudo uma questão de necessidades...

segunda-feira, julho 25, 2005

A Razão Monárquica

Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança afirmou numa recente entrevista que se sente «rei dos portugueses».
Inexplicavelmente, este pateta alegre continua a ter espaço nos media para poder presentear os seus «súbditos» com aleivosias deste tipo.
Que eu me lembre, este senhor pertence à Casa de Bragança, uma família real conhecida, entre outras coisas, por ter uns cromos difíceis:
Maria a Louca, que tinha este apelido porque via e dizia coisas inenarráveis – felizmente que na altura não existiam revistas que a entrevistassem.
João, o rei que se borrou todo e abandonou o seus país na eminência da invasão napoleónica, fugindo para o Brasil com toda a corte (cerca de um milhar de maduros), replicando do lado de lá o reino de pacotilha que tinha por cá.
Pedro, filho de João, que provocou a independência do Brasil e se autoproclamou Imperador daquelas bandas. Um gajo tão limitado intelectualmente que levou ao desespero os seus súbditos tropicais, tendo sido deposto e recambiado de volta para Portugal.
Ora se os Braganças têm na sua linhagem fracos exemplos de liderança e fartos exemplos de loucura, cobardia, incompetência, e total ausência de responsabilidade, porque raio é que eu tenho de levar ciclicamente com a gonorreia mental desta real alimária? Alguém explica ao senhor as virtudes ergonómicas de uma guilhotina?

sexta-feira, julho 22, 2005

A Razão a Nú

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O humor é a razão enlouquecida.


Groucho Marx

quinta-feira, julho 21, 2005

A Razão Criteriosa

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O tipo de humor que aprecio é aquele que me faz rir durante cinco segundos e pensar durante dez minutos.
William Davis

quarta-feira, julho 20, 2005

A Razão Genial

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Toda a gente é genial pelo menos uma vez por ano. O que os distingue dos verdadeiros génios é que estes últimos têm as suas ideias brilhantes em períodos menos espaçados.
Georg C. Lichtenberg

terça-feira, julho 19, 2005

A Razão da Maioria

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Noventa por cento dos políticos dão aos restantes dez por cento uma péssima reputação.
Henry Kissinger

segunda-feira, julho 18, 2005

A Razão Óbvia

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Se o voto alterasse alguma coisa, alguém o tornaria ilegal.


Emma Goldman

sexta-feira, julho 15, 2005

A Razão Informática

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Nunca confies num computador que não possas atirar pela janela.

Steve Wozniak

quinta-feira, julho 14, 2005

A Razão Democrática

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Enquanto houverem pessoas neste país que estejam dispostas a lutar pelos seus direitos, vamos continuar a ser considerados uma democracia.
Roger Baldwin

quarta-feira, julho 13, 2005

A Razão Igualitária

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Estou livre de qualquer preconceito.
Odeio toda a gente da mesma maneira.

W. C. Fields

terça-feira, julho 12, 2005

A Razão Hereditária

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O meu pai teve uma profunda influência sobre mim, ele era lunático.
Spike Milligan

segunda-feira, julho 11, 2005

A Razão da Boa Forma

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A minha avó começou a caminhar cinco quilómetros por dia quando fez sessenta anos. Actualmente está com noventa e nove anos e nós não fazemos a mínima ideia aonde é que ela anda.

Ellen DeGeneres

sábado, julho 09, 2005

A Razão Perfeita

Perfeita
Foi escrito e cantado em 1993 num e para um país que não era o nosso. Ainda assim, sempre que ouço isto, lembro-me da nossa novela mexicana, com os devidos descontos, mas com a mesma essência.

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos,
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
-
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos na estrada
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas mentiras e sequestro
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.
-
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
-
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção
-
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição.
-
.

sexta-feira, julho 08, 2005

A Razão a Banhos

banhos
A Razão vai a banhos nos próximos 15 dias. Como ir a banhos em Portugal não contribui em nada para a minha sanidade mental (labregos, arrastões, incêndios, greves, e governos desgovernados por labregos incompetentes) decidi comprar um bilhete de avião que me levasse momentaneamente daqui para fora. Qual não é meu espanto que, ao comprar o dito bilhete, levo com dois dos mais recentes impostos criados por essa abstracção incómoda, também designada por Estado português. Para quem anda distraído, temos mais dois novos impostos a serem aplicados cada vez que decidirmos apanhar um avião para fora da novela mexicana: o imposto de segurança (parece que temos que pagar para precaver o facto do avião poder caír e do Estado perder um fiel contribuinte) e o imposto de combustível (aparentemente temos que pagar pelo facto do avião precisar de combustível para voar – porque senão cai e temos o tal imposto de segurança). Ao somar o custo dos dois novos impostos reparei que eles equivaliam a 40% do custo do bilhete de avião. É nestas pequenas coisas que reparo que a política do governo não anda muito longe do modus operandi do arrastão da Caparica. Uns e outros passam por nós de qualquer maneira, levam tudo o que podem rapidamente, e deixam-nos com aquele ar estupefacto do estilo «isto está mesmo a acontecer ou entrei por acaso num set de filmagens?».

Durante os próximos 15 dias deixo-vos com Razões em Conserva: daquelas que têm sempre validade, e que estão sempre al dente. Divirtam-se com elas. E façam-me um favor: evitem-me as greves.

quinta-feira, julho 07, 2005

A Razão das Palmas

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Que os portugueses batem palmas sempre que o seu avião aterra já se tinha dito no post anterior. Mas importa reflectir um pouco sobre esta questão. Porquê as palmas? Porquê essa satisfação toda?
- Será porque entraram no avião a pensar que o piloto era um merdas de um maçarico e que o mais provável era despenharem-se todos antes de chegarem ao seu destino?
- Será porque achavam que iam ser desviados por um grupo de somalis radicais, sodomizados a bordo, e atirados contra um edifício qualquer?
- Será uma maneira de demonstrar o alívio de não terem de aguentar mais uma daquelas refeições plásticas servidas a bordo?
- Será porque estão tão excitadinhos por chegarem ao seu local de destino que fazem como as criancinhas «mim gosta! mim gosta!» regaladas com uma prendinha que nunca pensaram ter?
Pessoalmente acho que é tudo isto ao mesmo tempo. O que me leva a pensar porque não alargam esta utilização alarve das palmas a outras ocasiões do seu dia a dia:

Os passageiros de autocarro, comboio, e metro deveriam bater palmas em cada paragem. As viagens seriam muito mais animadas, garanto-vos, principalmente em hora de ponta a tentar fazer uma mão bater na outra num espaço inferior a 3mm.

No restaurante deveriam bater palmas no final de cada refeição, logo a seguir ao café e/ou aos digestivos, mostrando abertamente a sua satisfação ou, pelo contrário, apupar o empregado e todo o staff da cozinha se a coisa não esteve do seu agrado.

No final de um excelente dia de praia, satisfeitos por terem alterado temporariamente a pigmentação da sua pele, e por terem tido a sorte de ficar ao lado daquela morena escultural em topless, mais palmas.

A fazer o check-out do hotel onde passaram algumas noites agradáveis, bater umas valentes palmas ao concierge e ao recepcionista. Poderiam também pedir expressamente a presença da empregada da limpeza na recepção do hotel, só para lhe bater umas palmas pelo excelente serviço de impeza do quarto.

Uma coisa era certa: tudo isto pareceria uma grande festa. Uma festa rídicula é certo, mas mais rídiculo do que já é começa a parecer-me impossível. Palmas!

quarta-feira, julho 06, 2005

A Razão das Férias Lusas

ferias lusas
Não há nada mais exasperante do que ir de férias para um sítio recheado de portugueses. Depois de 18 anos a levar com portugueses no Algarve prometi a mim mesmo passar as minhas férias, para o resto da minha vida, fora de Portugal. A maior parte das vezes consigo viajar para sítios sem tugas. Outras vezes não tenho essa sorte, e já sei a sorte que me espera:
No Avião para Lá
Para parecerem muito modernos e muito rodados na onda de viajar de avião, os portugueses comportam-se como se estivessem num autocarro de carreira em hora de ponta. Andam de um lado para o outro de pé. Encostam-se à cadeira de quem calhar. Sentam-se nos braços da cadeira ao seu lado. Gritam ruidosamente para manter uma conversa com a excursão de amigos e amigas que viajam com eles, sentados em pontos opostos do avião. E naqueles vôos de longo curso, onde o que eu só quero é dormir para não sentir a viagem passar, passam a noite excitadinhos que nem uma criança à espera do Pai Natal, e a beber que nem uns javardos. Gosto particularmente da fase da aterragem, onde todos batem palmas como se estivessem num circo.
No Pequeno Almoço do Hotel
Distinguir um português em férias antes de ele abrir a boca é um exercício penosamente elementar. Podemos distingui-los pelo belo calçãozinho de banho com padrão príncipe de gales, acompanhado pelas chanatas, ou pelo sapatinho de vela com peúga de cor variada, dependendo do seu grau de sofisticação social. Mas se porventura já aprenderam a vestir-se decentemente há uma coisa que não falha: a quantidade inacreditável de comida que, no buffet, conseguem transportar nos pratos. E a quantidade de vezes que repetem. Se não repetirem 3 vezes é porque estão com azia da viagem.
Na Praia
Aqui continua ser fácil porque se comportam como se estivessem na Caparica: berram que nem uns desalmados, levam um lanchinho proveniente do pequeno almoço, e estão sempre acompanhados por uma bola de futebol que insistem em chutar para cima dos outros (mais por falta de jeito do que intencionalmente). Os que não levam bola passam o dia a chafurdar dentro de água, a dois metros da areia, numa actividade que consideram tratar-se de snorkelling.
No Comércio Local
Não compram nada que não seja muito bem regateado. Não interessa nada se estão a regatear preços miseráveis. De calculadora na mão, estão dispostos a negociar 5 cêntimos para orgulhosamente acharem que não só não foram enganados, como enganaram o pelintra que estava a vender o pechisbeque para comer a sua refeição diária. Claro que neste processo a chinfrineira é mais que muita...
No Avião de Volta
Regressam normalmente decorados com os artigos locais: o chapéu de palha ou feito com folha de palmeira pelo barman do hotel; a camisinha às flores; a t-shirt alusiva tipo «Yo estube en Varadero»; O cabelinho entrançado à lá nativa; a tatuagem temporária no braço; todos com um bronzeado excessivo, próximo da insolação, meio inchados do sol e da bebida. O seu comportamento dentro avião é um remake do que fizeram à ida.
Felizmente tenho um agente de viagens que me compreende. Quando me vê chegar para comprar as minhas férias, diz sempre: «já sei onde é que não vai passar férias este ano».

terça-feira, julho 05, 2005

A Razão Deslizante

deslizar
A superfíce do nosso país tem um problema. Não sei se é de lhe puxarmos muito o brilho ou, pelo contrário, se é de não a lavarmos com a frequência necessária para evitarmos que se engordure. O que é um facto é que temos um problema na superfície. É pouco aderente. Escorrega. Desliza.
Olhamos diariamente à nossa volta e vemos o efeito nefasto que a superfície deslizante tem no nosso país. É só malta a deslizar. E alguns deslizam tanto que já desenvolveram um estilo próprio. Parece patinagem artística. Por vezes só me apetece gritar “acht kommer sechs, acht kommer vier, sieben kommer drei” dependendo das figuras de estilo dos artistas que se atravessam à minha frente a deslizar. O que me preocupa é que as pessoas já não reparam na pouca aderência da superfície. Já ninguém está com pachorra de lhe chegar com uma esfregona atestada de detergente. Já toda a gente acha isto normal.
Olha-se para o lado e lá vem o Carlos Cruz a deslizar que nem um maluco com uma data de criancinhas atrás dele. Olha-se para o outro e vê-se o Albarran a deslizar agarrado ao Carlucci a tentar fazer um pião vertical. Volta-se a olhar e já lá vem Guedes a deslizar por entre os sobreiros; olha-se de novo e aparece o Campos & Cunha em valente slide abrutalhado por cima do orçamento do Estado. Bolas…
Será que se atirarmos areia esta malta não pára de deslizar? Nem que seja para os olhos…

segunda-feira, julho 04, 2005

A Razão da Corrupção

corrupcao
Portugal tem um dos índices mais elevados de corrupção da Europa. Até aqui não há novidade nenhuma. Seria de esperar que os Governos que se sucedem em catadupa nesta nossa telenovela mexicana, a que chamamos simpaticamente de país, dedicassem uma boa parte do seu programa de governo ao combate à corrupção. No entanto isso não acontece, seja porque são incapazes de criar medidas eficazes para a combater, seja porque necessitam dela para serem eleitos e mantidos – o que nos leva ao efeito «pescadinha, não apenas com o rabo, mas com o corpo inteiro dentro da boca», qual contorcionista chinesa.
Estava eu a pensar nas contorcionistas chinesas, quando deparei com uma notícia interessante sobre os chineses, a corrupção, e os portugueses.
Antes dos portugueses saírem de Macau, 63% dos chineses que ali habitavam manifestavam-se preocupados com os índices de corrupção. Estando a administração do território de Macau entregue aos portugueses o que me surpreende é que a percentagem de chineses preocupados não atingisse os 100%.
Hoje em dia, 6 anos depois dos portugueses entregarem a administração do território aos seus donos legítimos, a percentagem de chineses preocupados com a corrupção baixou para 9%. Sintomático han?
Está portanto descoberta a medida mais eficaz no combate à corrupção no território luso: mandar o Estado português, e os portugueses, embora do país.
Em apenas 6 anos resolve-se exemplarmente uma questão quase milenar.

sábado, julho 02, 2005

A Razão Rectificativa

rectificativo

O Governo rectificou o orçamento geral dessa abstracção incómoda que é o Estado. A principal rectificação deu-se nas despesas do Estado, que aumentaram e passaram a ser 50% do orçamento. Metade do dinheiro que estes gajos me levam todos os meses vai direitinho para pagar os encargos que o Estado tem com ele próprio. Afinal as greves da Função Pública dão resultado. Bora prá praia malta!
Será que ainda vamos a tempo de rectificar o Governo? Não?! OK, então bora prá praia.

sexta-feira, julho 01, 2005

A Razão da Coisa

coisa
Falar da coisa não é coisa fácil. Apesar da coisa ser a forma mais fácil de falar de muita coisa. O que é certo é que crescemos com a coisa. E quando a coisa nalguma altura das nossas vidas não correu bem, houve sempre qualquer coisa que safou a coisa. Ou vice versa.
Habituámo-nos a muita coisa ao longo do tempo: aquela coisa política, aquela coisa privada, aquela coisa pública, aquela coisa estúpida, aquela coisa inexplicável, aquela coisa importante, e um sem número de coisas que nos chateiam, que nos aborrecem, que nos fazem felizes e nos fazem rir, mesmo quando a coisa não tem piada nenhuma.
Não estou obviamente a falar das coisinhas, que também têm a sua importância, mas não são a coisa. Nem sequer falo do coisinho, sempre insignificante, mas simpático. Muito menos do coiso, que tem lá o seu lugarzinho cativo a caminho de uma coisa qualquer.
Estou a falar daquela coisa que cresce connosco, que nos acompanha no dia-a-dia, e que torna a coisa numa coisa diferente. Quantas vezes não viram qualquer coisa numa determinada pessoa? Quantas vezes não vos ia dando uma coisa? Quantas vezes não vos apeteceu dizer uma coisa? Quantas vezes não vos apeteceu... qualquer coisa? E quantas vezes a coisa não ficou por aí mesmo...
A verdade é que há sempre qualquer coisa que não é uma coisa qualquer. Ou a falta de qualquer coisa, para a qual procuramos uma coisa qualquer. Uma coisa é certa: ter mão na coisa não é a mesma coisa que ter a coisa na mão. E isso faz toda a diferença se pensarmos bem na coisa. Há coisas que, de facto, nos fazem pensar que há com cada coisa...
Que coisa!

quinta-feira, junho 30, 2005

A Razão Deles

200159704-001
A coisa começou no jardim de infância: tu emprestas-me os lápis de cera e eu deixo-te brincar um bocado com os meus power rangers. Quando chegaram ao liceu a coisa não era muito diferente: se me emprestares o descapotável que o teu pai te ofereceu eu apresento-te a Sónia, aquela bomba que chapinha na tua baba. Na universidade a coisa tendeu a sofisticar: se apoiares a minha lista convido-te a participar nuns encontros políticos onde vais conhecer gente que te interessa. Quando entraram na vida profissional já não estranhavam nada: descobre-me o que é que aqueles gajos querem lançar e eu arranjo-te o patrocínio que pretendes; faz aí um inside trading que eu garanto-te um volume jeitoso de acções; se escolheres a minha empresa vais ter benefícios na empresa do João; a minha irmã não tem jeito nenhum para nada, mas tu hás-de arranjar-lhe alguma coisa que ela saiba fazer na tua empresa.
Um dia decidiram dar um ar profissional à coisa. Aparecer nos jornais como verdadeiros salvadores do país. Decidiram mandar uns bitates para os incompetentes do governo. Decidiram dar nas vistas. E criaram o «Compra-me Isso Portugal»: um grupo de betos que troca favores entre si.
Está quase tudo comprado. Falta pouco. Esperem só mais um bocadinho.

quarta-feira, junho 29, 2005

A Razão da Cova da Moura

covadamoura

Tropecei por acaso num estudo feito na universidade de Cambridge, no Massachussets, onde se avalia o impacto da raça nos padrões de policiamento, aprisionamento e crime. O tema parece chato como a potassa, mas na realidade não é.

Dizem eles que o casting de elementos policiais deve ser definido em função do tipo de cidade ou bairro que patrulham. Isto significa que se o bairro for constituído por uma população de raça negra, os polícias deverão ser negros. Se o bairro for maioritariamente constituído por indivíduos de raça branca, os polícias deverão ser brancos. E assim por diante cobrindo todo o espectro do arco-iris. Um exemplo local: se patrulharem as zonas do Conde Redondo ou Parque Eduardo VII em Lisboa, os polícias deverão ser gays.

As razões deste casting não deixam de ser curiosas. O estudo demonstra que os polícias de uma determinada raça têm uma predisposição danada para lixar a vida aos tipos que não pertencem à sua raça – seguindo o método daqueles rapazes que simpaticamente ajudaram Rodney King a atravessar a rua em Los Angeles, e que culminou na maior revolta popular de que há memória. Por outro lado as raças predominantes de um determinado bairro gostam de fazer apostas chorudas para ver quem acerta primeiro com um zagalote na carola de um polícia que não é da sua raça. Abaixo da cabeça vale menos pontos.

O estudo conclui que, fazendo o casting policial certo, o número de prisões desce consideravelmente (entre 10% a 20%) e os chamados «crimes de propriedade» (furtos de bens pertencentes a outrem) reduzem-se em 20%. Isto porque os polícias são mais tolerantes para com os indivíduos da sua raça, e porque as populações locais colaboram mais facilmente com eles, dando-lhes indicações preciosas para a resolução dos crimes.

Nos «crimes violentos», fazer um casting correcto não tem impacto nenhum, e aqui a côr do polícia é perfeitamente irrelevante. O que interessa aqui é mesmo dar cabo deles e pronto, não se fala mais nisso.

Temos portanto aqui a solução para o arrastão. A partir da próxima semana as patrulhas policiais na Cova da Moura, serão constituídas por um batalhão de somalis perfeitamente untadinhos, e vamos deixar de ouvir falar em arrastões - até porque os habitantes do bairro vão ter dificuldade em andar a direito, em consequência das insuportáveis dores no esfíncter.

terça-feira, junho 28, 2005

A Razão do Orgasmo

orgasmo
No início dos tempos o orgasmo era uma coisa muito simples: só os homens é que o tinham, e servia para os avisar de quando é que tinham de parar.
Depois elas desataram a ter orgasmos e a coisa complicou-se de sobremaneira. Aquilo que era uma função básica da reprodução ganhou uma pluralidade de dimensões e, hoje em dia, o orgasmo tem mais funções que um telemóvel de última geração. Senão vejamos:
O orgasmo vende revistas: coloque-se a palavra «ORGASMO» a ocupar 1/3 da capa de uma revista e tem-se uma edição esgotada. O orgasmo é um barómetro de performance para eles e para elas – quantos mais, melhor. O orgasmo faz bem à pele. O orgasmo dá audiência ao Júlio Machado Vaz. O orgasmo desentope o nariz e tem efeitos anti-histamínicos. O orgasmo reduz a tensão e o stress. O orgasmo mais decibélico enfurece qualquer vizinho mais rebarbado. O orgasmo produz expressões faciais caricatas. O orgasmo aumenta a longevidade. O orgasmo tem efeitos inexplicáveis ao nível da auto-estima.
Se alguém duvida da capacidade feminina de complicar o que quer que seja, o orgasmo tira-vos todas as dúvidas. Ou seja, se têm dúvidas, tenham um.
Foto daqui

segunda-feira, junho 27, 2005

A Razão dos Mais Aptos

aptos

A sobrevivência do mais apto tem uma aplicação social que já foi largamente explorada por muita gente. Sabemos que evolução das sociedades está intimamente ligada à maior aptidão dos seus cidadãos: quanto mais talento e inteligência existirem, maiores as probabilidades de estes terem um impacto na sua sociedade. As sociedades que percebem esta verdade óbvia, e que investem para tornar os seus cidadãos mais aptos são aquelas que apresentam níveis de desenvolvimento mais elevados. Nalguns casos até importam talento – os Estados Unidos fazem-no com alguma frequência desde a 2ª Guerra Mundial.
Em Portugal a lei do mais apto tem uma aplicação que remonta à época medieval: os considerados mais aptos não são nem os mais inteligentes, nem os mais talentosos, nem os mais experientes, nem aqueles que poderiam fazer a diferença. A aptidão em Portugal depende do nome de família. Como as aptidões intelectuais e o talento não são coisas que se transmitem de geração para geração, temos sempre os mesmos nomes em sectores-chaves da economia e da política. Qual é o resultado disto? É o que vemos: uma novela mexicana controlada por grupos económicos que operam em regime de negócio familiar.
Portugal não é um país, é um negócio de famílias, e como tal anda ao sabor da falta de talento político, económico e social destas novas gerações de malta que cresceu a saber que não tinha que se esforçar muito para ir tomar conta do negócio do papá.
Quem achar que estou a ser muito radical pode sempre consultar as páginas dos jornais de há 100 anos atrás e ver os apelidos dos indivíduos que estavam na política e na economia de então. São os mesmos inaptos. Não admira que o país esteja cada vez mais na mesma.

sexta-feira, junho 24, 2005

A Razão da Greve

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A coisa mais útil que se pode fazer num país que não produz a ponta de um chavelho é uma greve. As greves são libertadoras, são relaxantes, e acima de tudo são produtivas. Produzem belos dias de lazer, na praia, na cidade ou no campo, sem fazer absolutamente nenhum.
És funcionário público e achas mal trabalhares as mesmas horas que um empregado privado? Faz uma greve. És motorista da Carris e chateia-te fazer 40 horas de trabalho por semana? Faz uma greve. És professor e babas-te que nem um camelo? Faz uma greve no dia dos exames nacionais para lixares a vida a uma série de miúdos que inocentemente acharam que lhes ias ensinar alguma coisa de produtivo. És polícia e aborrecem-te os arrastões? Faz duas greves. És bombeiro e enerva-te haver falta de água para os fogos? Faz uma greve. És um magistrado e estás escandalizado porque já não podes ter 3 meses de férias judiciais? Faz uma greve. Mas antes de fazeres uma greve certifica-te se tens condições para fazer uma boa greve:

A boa greve faz-se de Verão. Não tem jeito nenhum fazer greves à chuva e ao frio. As disputas ideológicas ficam mais quentes no Verão.

A boa greve faz-se à segunda ou à sexta-feira (de preferência à segunda e à sexta-feira) porque assim podes gozar à brava com os babacas privados que vão de manhãzinha trabalhar para pagarem o prejuízo de tu não trabalhares porque estás em greve.

A boa greve faz-se com catering. Uma greve sem catering não é uma greve, é um grupo de javardos que acredita que vai conseguir alguma coisa do patronato só porque ficam todos juntos de pé e aos berros.

A boa greve começa à primeira hora do dia, mas só tem manifestação por volta das 20:30h em frente da Assembleia da República, já vazia. Isto permite-te dares um pulinho à praia, dares uma voltinha pelos centros comerciais, ver as garinas, e depois da manif (que não deve exceder os 60 minutos) ires alegremente jantar com os colegas.
Se pelo menos uma destas condições não estiver cumprida, queixa-te ao sindicato e faz uma greve para obteres condições. Lembra-te que só os bons bandalhos fazem boas greves. Avante Labregos!

quinta-feira, junho 23, 2005

Razões Histéricas

histericas
Esta história do arrastão deixou-me perplexo, não pelo arrastão em si, que já conhecia de outras guerras no Rio de Janeiro, mas pelas reacções que este provocou a vários níveis. De repente, criticar o arrastão e as suas consequências, é considerado ser uma atitude racista. Tudo isto porque o arrastão foi levado a cabo por rapazes com uma pigmentação mais acentuada, que lhes dá uma côr próxima do negro.
Parece que a atitude correcta a ter-se com o arrastão não é criarem-se medidas coercivas para que este não aconteça com a frequência de um piquenique. Parece que a atitude correcta é criticar o Estado e o seu regime social porque promove a segregação, desfavorece os mais pobres, e incita a fenómenos deste género.
Vi em tempos numa entrevista um jovem negro da Zona J que tinha sido preso por andar a assaltar carros, a gritar para a câmara «Eu sou português! Não são só os brancos que têm direitos!» e quer-me parecer que anda por aqui muita gente equivocada. O facto de ser português dá-lhe algum direito especial para destruir propriedade privada? Não me lembro de ter visto isto escrito na nossa constituíção, mas se lá está avisem-me para eu finalmente implodir por aí umas coisitas.
Quer-me parecer que este excesso de zelo de não querer parecer ou ser racista está a embotar o espírito de muita gente. Se fôr um negro a levar um camaçal de porrada por ter feito merda estamos perante um caso de violência racial, se fôr um branco a levar o mesmo camaçal não há problema? Tenham juizinho. As minorias precisam de ser respeitadas é um facto, mas enquanto respeitarem as regras da sociedade onde se inserem.
Pessoalmente estou-me nas tintas para a cor da pele de quem fez o arrastão, por mim até podiam ser lilases. O que me chateia solenemente é a histeria dos supostos defensores das minorias. Até parece que por serem minorias têm que ter um tratamento preferencial e distinto da maioria.

quarta-feira, junho 22, 2005

A Razão dos Maçons

macons
A malta receia aquilo que desconhece. Quanto mais secretismo e mistério se promover em torno de qualquer coisa, mais respeitinho se tem por essa coisa. Foi com base nesta premissa básica da natureza humana que se criaram as lojas maçónicas. Sempre envoltas num mistério cabalístico, as lojas maçónicas e os seus incógnitos membros são alvo das mais variadas especulações: conspiração mundial para colocar os seus membros nos lugares-chave do poder político e económico; tráfico de influências; festas pagãs envolvendo virgens bêbedas e desnudas; práticas impronunciáveis com animais de pequeno porte; embalamento de frutas escamosas sem recurso ao vácuo; e outro tipo de actividades que, na realidade, nada estão relacionadas com a razão de ser maçon (ou pedreiro-livre, se quiserem).
A verdadeira razão da maçonaria é algo de muito mais simples, embrulhada, por uma questão de marketing e credibilidade, num conjunto de rituais e vestimentas ridículas, com o objectivo de intimidar o mais incrédulo. Na realidade o objectivo do maçon é ter uma desculpa para deixar a mulher em casa e ir passar umas horas descontraídas com os amigos, em amena (e por vezes, alarve) cavaqueira. Algumas lojas admitem mulheres, mas nunca as dos próprios sócios (porque será?), embora a maioria das lojas se constituam seguindo escrupulosamente os estatutos do Clube do Bolinha.
Detentores de uma imaginação prodigiosa, os maçons estão na base do progresso social e são responsáveis por uma série infindável de invenções que tiveram como único objectivo fazer com que as suas mulheres não os controlem, nem os chateiem. Alguns exemplos:
No início do século XX inventaram o Country Club – um sítio de acesso exclusivo a indivíduos do sexo masculino onde podiam passar o fim de semana a comer, a beber e a jogar que nem uns javardos.
Anos mais tarde inventaram o Golfe. Na altura jogar golfe consistia apenas em enfiar a bola num único buraco. Como aquilo durava muito pouco tempo inventaram o green com 18 buracos – podiam estar uma tarde inteira a jogar uma única partida entre amigos e sem as mulheres.
Nos anos 30 inventaram o Chá das Cinco. Elas ficavam entretidinhas a preparar e a fazer o chá para as amigas e eles bazavam para se divertirem que nem uns perdidos.
Como o Chá das Cinco tinha uma duração muito reduzida, pensaram numa maneira de o alargar. E assim, nos anos 40 fizeram um upgrade inventando as Reuniões de Tupperware que tinham lugar antes do Chá das Cinco.
Nos anos 50 inventaram os Salões de Cabeleireiro. Nos anos 60 foram mais longe e inventaram o Movimento de Libertação das Mulheres (enquanto elas participavam nas reuniões e manifestações eles iam à sua vidinha fácil).
Nos anos 70 inventaram os cartões de crédito. Lá iam elas todas satisfeitas às compras estoirar o plafond dos cartões.
Nos anos 80 decidiram circunscrevê-las num determinado espaço, para melhor as controlar, e inventaram os Centros Comerciais.
Nos anos 90 inventaram a Internet e as Compras Online (que reduziram drasticamente a taxa de infidelidade das décadas anteriores porque elas já não precisavam de saír para ir às compras).
Na actual década inventaram o Investimento no Brasil, e lá vão eles em grupo «fazer negócio para a sua Empresa Brasileira» enquanto elas ficam por cá a tratar da casa e dos filhos.
Naturalmente que têm que ser secretistas e misteriosos. Estariam completamente lixados se não o fossem. Deixem lá os gajinhos a curtir em paz...

terça-feira, junho 21, 2005

A Razão do Labrego

Labrego Nacional

País de longa tradição no desenvolvimento do labrego nacional, Portugal chegou a um ponto de saturação do número de labregos per capita. Dados recentes do INE apontam para que a população labrega seja neste momento muito superior à portuguesa. «Começamos a ter dificuldade em separar os portugueses dos labregos, uma vez que os primeiros parecem ter sido perfeitamente aculturados pelos segundos» afirma o responsável máximo por esta instituíção.
O Governo já admitiu ser maioritariamente constituído por labregos de 2ªgeração, não prevendo que a situação se altere nos próximos 4 anos, o que coloca Portugal no primeiro país europeu a ter uma maioria de população labrega, governada por labregos.
O impacto do nacional labreguismo já começou a sentir-se na economia nacional – é característica do labrego a completa ausência de noção de gestão, o despesismo descontrolado e tendencioso, uma compulsiva tendência de prometer uma coisa, fazendo exactamente o contrário, e a fuga a toda e qualquer espécie de imposto.
Especialistas internacionais no fenómeno expansionista do labrego, afirmam que o processo é irreversível e que dentro de poucos anos Portugal não terá portugueses. Sugerem ainda que se comece a mudar nome do país para Labregal.
O número de escolas para labregos tem aumentado exponencialmente nos últimos 10 anos, com todos os inconvenientes que estas acarretam: taxas de insucesso escolar perto dos 100%, não pagamento de propinas, e uma tendência compulsiva de arrastões diários num raio de 2km em torno de cada escola.
O número de empresas labregas também aumentado, mas aqui a situação é menos grave porque, como se sabe, a duração de vida de uma empresa labrega é de um ano, exactamente o tempo que levam a esgotar-se os fundos europeus de incentivo à criação de empresas.
Estima-se um novo fluxo de emigração nacional com características muito diferentes das que assistimos na década de 60 do século XX: a mão-de-obra especializada e sem paciência para os labregos nacionais começa calmamente a abandonar o país.
Os labregos andam tão preocupados (fizeram contas e descobriram que os que ficam são todos uns labregos tesos) que lançaram esta semana o programa social “Adopte um Português”. Quem quiser ficar e ser adoptado por um labrego basta inscrever-se no centro de segurança social da sua zona de residência.
Cantem comigo o novo hino nacional: «Labregos do mar…»

Nota: Quem acha que eu estou a reinar que faça uma visita aqui

segunda-feira, junho 20, 2005

A Razão do Tamanho

tamanho
O tamanho interessa? Esta é uma das perguntas recorrentes do sexo masculino e um dos segredos mais bem guardados do sexo feminino. Devo dizer-vos que o segredo só é dos mais bem guardados porque nós acreditamos em tudo o que nos dizem. A resposta, com uma certa dose de maternalismo, é mecânica e surge pronta, estando há milhares de anos presente nos genes delas: «Claro que não! O que realmente interessa é a performance!» e depois fazem aquele sorrisinho sabido. E eles acreditam.
Pois bem rapazes, tenho más notícias para vocês. É claro que interessa, seus parvalhões inveterados! E vou dar-vos alguns exemplos na nossa linguagem para ver se percebem, se deixam de fazer essa pergunta estúpida, e se aprendem a viver com aquilo que têm. Reflictam comigo meninos:
As Mamocas – o tamanho interessa?
A julgar pela quantidade de metros cúbicos de baba que vocês segregam só de ver uma simples fotografia de uma rapariga a ostentar uma caixa toráxica generosa eu diria que sim.
Um Apartamento – o tamanho interessa?
Quem acredita que ter um T1 é mesma coisa do que ter um T6 com jardim e piscina ou é um perfeito imbecil ou foi alvo de um lobotomia. É claro que o que interessa, na óptica delas, é o que se faz dentro de um T1... acreditem se quiserem, patós.
O Ordenado – o tamanho interessa?
Claro que não. O que interessa é o que vocês fazem com ele não é? Estou a fazer-me entender ou precisam de mais exemplos?
As Férias - o tamanho interessa?
A quem se contentar com um intenso fim de semana alargado por ano recomendo o Japão como destino de residência. Ao menos ali o tamanho é nivelado por baixo em muitos aspectos.
O Automóvel – o tamanho interessa?
Este exemplo é para aqueles que já têm filhos. Imaginem que têm um carrinho com dois lugares, cheio de performance e querem ir passear com a vossa família ao fim de semana. De que vos serve a merda da performance se a porcaria do carro não tem tamanho para vos levar a família toda lá dentro. Han?
Se ainda têm dúvidas sobre esta questão, olhem para o ar de felicidade da rapariga da foto em cima, e deixem de fazer perguntas estúpidas. Cresçam, meninos... (no sentido lato do termo, nada de mal entendidos).

sexta-feira, junho 17, 2005

A Razão da Mioleira

mioleira
Quando um dos sábios morria, os Astecas tinham como costume eleger alguém que gozava o privilégio de lhe comer o cérebro (uma derivante do “comer as papas na cabeça”). Acreditavam que, dessa maneira, a sabedoria do sábio defunto passaria para quem lhe comesse os miolos. Tirando um ou outro caso de gajos que de repente, depois do repasto, desatavam a relatar pormenores obscuros da vida do sábio envolvendo animais, virgens e anões, nunca ficou provado que a coisa funcionasse.
A verdade é que os Astecas tinham razão. Eu fui alimentado a mioleira de vaca antes dos bovinos começarem a enlouquecer com encefalopatia spongiforme e garanto-vos que topo as vacas à distância. Identifico-as facilmente no meio de uma multidão. Não têm segredos para mim.

quinta-feira, junho 16, 2005

Razões de Identificação

mafiosas

Quando os brancos começaram a explorar o Oeste norte-americano e tiveram os primeiros contactos com as culturas das tribos índias acharam piada ao facto dos seus nomes invocarem sempre um elemento da natureza que, acreditavam os índios, transpareciam na personalidade do indivíduo que o ostentava. Cavalo Louco, Touro Sentado, Nuvem Vermelha, Bisonte Estafado, Alce Alucinado, eram nomes vulgares entre os índios.

Cem anos depois, no mesmo país, a comunidade italiana ligada a negócios menos lícitos começou a usar uma nomenclatura muito semelhante, que destacava uma característica física, uma característica emocional predominante, ou ainda uma façanha levada a cabo pelo indivíduo. Surgem então «Baby Face» Nelson; Vinnie «The Butcher» Gretti; Paulie «The Clown» Pizzi; Angie «Cocksucker» Freschi; Lou «The Ripper» Cicci; Ricco «The Bat» Rossi; Dino «The Limp» Itti; e muitos outros. O fenómeno ainda dura até aos dias de hoje.

Lembrei-me disto porque tenho imensa dificuldade em memorizar os nomes dos nossos políticos. Seja porque são criaturas sem o mínimo de relevância, seja porque as suas carreiras têm laivos de mercenarismo, aparecendo e desaparecendo tão rapidamente da vida política que se torna difícil associar o nome ao homem. Talvez utilizando o método dos mafiosos (que até nem vem nada a despropósito) se consiga ter uma noção mais clara de quem é quem.
Aqui vai um conjunto de sugestões:

José «Equivocado» Sócrates
Marques «Matraquilho» Mendes
Paulo «Arrefinfa-me» Portas
Jerónimo «Sem Palavras» de Sousa
Vitor «Bocas» Constâncio
Durão «Chernobyl» Barroso
Bagão «Mangas de Alpaca» Félix
Manuela Ferreira «Collants de Ferro» Leite
Santana «Kreutzfeld Jacobs» Lopes
Freitas «Ambidextro» do Amaral
Campos «Dois Ordenados» e Cunha
Mariano «O Gago» Gago
Jorge «The Clown» Coelho
Manuel Maria «O Bárbaro» Carrilho
Manuel «Ainda aí Estás?» Monteiro

Seguramente que assim me vou lembrar destes gajos.

quarta-feira, junho 15, 2005

Razões Inevitáveis

inevitaveis
A selva estava a arder e a única solução era atravessar o rio para a outra margem, protegida do incêndio. O escorpião estava na margem errada e olhava nervosamente os elefantes, antílopes, e outros mamíferos quadrúpedes que se faziam ao rio para atingir a margem segura. O incêndio avançava na direcção do escorpião que, infelizmente, não sabia nadar. «Lá estou eu aqui a ser obrigado a escolher entre o nada e o coisa nenhuma» pensava o escorpião, incomodado com o calor abafado que se aproximava cada vez mais.
Perto dele uma zebra preparava-se para saltar para o rio e nadar para a outra margem. O escorpião decidiu arriscar: «Ouve lá» disse ele à zebra, «não te importas que faça a travessia do rio no teu dorso?». A zebra levantou o sobrolho, respondendo «Estás armado em parvo? Tu és um escorpião – se eu te deixar vir no meu dorso o mais provável é tu dares cabo de mim em dois tempos... tem juízo.» O escorpião desesperou «Já pensaste que se eu der cabo de ti em dois tempos morro afogado no rio? Sou escorpião mas não sou estúpido. Vá lá, não me deixes aqui para morrer queimado.»
A zebra viu alguma lógica na resposta do escorpião e decidiu levá-lo no dorso até à outra margem. Quando estavam a meio do rio sentiu uma picada lancinante no dorso, seguida de um entorpecimento rápido. O escorpião tinha-lhe afincado o ferrão com toda a fé. «Mas tu és estúpido???» gritou a zebra «Vamos morrer os dois!»
«Bem sei» disse o escorpião «mas eu sou um escorpião, é mais forte que eu...»

A assistente social contava pacientemente a horda desorganizada de miúdos à medida que estes entravam no autocarro alugado. Tinha levado dois anos a convencer a Câmara a ceder-lhe um autocarro para levar os miúdos à praia. Era capaz de jurar que metade daqueles miúdos da Cova da Moura nunca tinha pisado numa praia. Quando o último entrou, ela subiu os degraus do autocarro, pegou no microfone dizendo «Bom dia meninos, daqui a momentos estaremos na praia de Carcavelos, quero que me prometam que se vão portar bem...»

terça-feira, junho 14, 2005

A Razão da Borla

borlistas

Por razões históricas, a palavra portughese tem um significado muito particular em Itália. Portughese é o termo que os italianos usam para designar os borlistas. A nossa fama precede-nos além fronteiras, e houve pelo menos um povo que, no passado, nos topou. Os italianos têm razão, somos o país da borla. Somos uns borlistas inveterados desde o início da nação. Como não podia deixar de ser, o primeiro borlista nacional foi o nosso fundador Afonso Henriques que ficou com o país à borla, nunca pagando a bula ao Papa, e determinando todo um espírito nacional, vigente até aos dias de hoje.
O português tem dificuldade em pagar seja o que fôr, não porque está endividado até às orelhas (que por si só seria uma boa razão para não pagar seja o que fôr) mas porque pagar não faz parte do feitio nacional. Para um tuga, pagar é um acto obsceno. Tudo o que é à borla, mesmo que o preço seja uma coisinha insignificante e acessível, tem sucesso garantido nesta nossa novela mexicana. Depois de ter sido cliente do Ikea de Madrid durante alguns anos, lembro-me de ter visitado o Ikea tuga na sua primeira semana de existência e de ter visto em acção o “síndrome dos portughese”: os lápis que o Ikea põe gratuitamente à disposição dos clientes para tomarem nota, medirem espaços, etc. estavam esgotados. Sempre que os empregados os repunham, hordas desenfreadas de tugas borlistas atiravam-se a eles às mãos cheias – se é à borla é para levar tudo o que houver!!
As manifestações deste síndrome repetem-se: veja-se por exemplo a quantidade de blogs per capita que existem neste país – teriam um blog se tivessem de pagar por ele? Eu não. Até acho que me deviam pagar para isto. Veja-se o sucesso dos recém-surgidos jornais diários à borla. Veja-se o caso das propinas do ensino universitário. Veja-se a polémica das scuts. A malta quer usufruir mas não quer pagar.

Eu acho bem que ninguém pague nada. Aliás acho mesmo que devíamos deixar de usar o Euro ou outro qualquer tipo de moeda, regressando àquele tempo em que a aquisição de um bem era feita através da troca por outro bem. Talvez assim fossemos obrigados a produzir alguma coisa para podermos adquirir outra.

sexta-feira, junho 10, 2005

Razões Freudianas


Cada indivíduo tem entre 20.000 e 40.000 pensamentos por dia (embora ainda esteja sujeito a prova se os membros do Governo, bem como os deputados da Assembleia da República, conseguem atingir uma centena diária). Dizem esses iluminados, os psicólogos, que 1/3 do dia pensamos em sexo, ou seja, na melhor das hipóteses pensamos em sexo 13.333 vezes por dia, 555 vezes por hora, 9 vezes por minuto, 1 vez em cada 6 segundos. Como é que ainda arranjamos espaço para pensar noutras coisas? Deixem lá de pensar nisso e reflictam comigo. Ignorem esses pequenos flashes de 6 em 6 segundos ok? Façam um esforço.

quinta-feira, junho 09, 2005

As Razões da Aliança

starwars

O George Lucas lançou recentemente o último episódio da 2ªtrilogia da série de três trilogias que tinha inicialmente pensado, mas que decidiu a meio caminho transformar em apenas duas por falta de verba e pachorra. Confuso han?
Falo obviamente do Star Wars. Eu sou um fã da primeira trilogia e acho que a paneleirice dos efeitos especiais de última geração que tomaram conta da segunda trilogia, tornaram o produto final mais pobre. Ainda assim divirto-me com os seis episódios. Não haja dúvida que aquilo é mesmo ficção ciêntífica, mas não pelo facto de retratar o futuro e envolver naves espaciais, galáxias distantes, e seres esquisitos à porrada com andróides. Aquilo é ficção porque supostamente retrata uma aliança humana que, sabemos hoje, seria impossível de obter.
Imaginem que o exército revoltoso da Aliança era formado pelos 25 países da união europeia, e conseguem ter uma perspectiva daquilo que provavelmente aconteceria.
Os franceses recusar-se-iam a combater pela Aliança até que esta adoptasse o francês como língua oficial. Os ingleses formariam um grupinho à parte e nunca se perceberia se faziam parte da Aliança ou não. Os alemães fariam campos de extermínio de droids e siths e ficariam assim entretidos. Os holandeses evitariam andar à porrada e praticariam uma política de tolerância com as forças Imperiais, procurando retirar dividendos daquilo a que chamariam uma “parceria comercial sem fins políticos”. Os espanhóis atiravam-se de peito feito a todas as naves imperiais e extinguir-se-iam logo de seguida. Os italianos criariam uma unidade especial de combate (os carabinieri rabetini) especializada em atacar o Império pela rectaguarda, mas só depois de terem recebido as "luvas" de combate. Os dinamarqueses andariam felizes como a merda a conduzir as suas naves todos nús, promovendo alegres orgias inter-estelares. Os gregos criariam a «Ala dos Namorados», uma força gay de intervenção, distinguindo-se por usar sabres de queijo feta com uma mestria capaz de engordurar qualquer soldado do Império. Os belgas especializar-se-iam em desbastar as crianças Sith. Os polacos, lituanos, checos e todas as nações do leste europeu, combateriam valentemente a qualquer preço, desde que não os mandassem embora da Aliança. Os portugueses, esses rapazes do Quinto Império, nunca teriam qualquer intervenção no conflito. A bordo da sua única nave, um chaço comprado a prestações e em segunda mão pelo ministério da defesa, chegariam sempre tarde a qualquer batalha interestelar, conquistando a alcunha de “o cú da Aliança”. Pequeninos e ruidosos, sempre em autocomiseração, percorreriam galáxias em direcção a lado nenhum. O costume…

May the force be with you.

quarta-feira, junho 08, 2005

A Razão do Estudante

estudante

Ser estudante em Portugal não é uma tarefa fácil. Os professores são aquilo que se conhece e que já tive oportunidade de referir numa Razão anterior. Mas como se não bastasse isso, há tudo o resto:

É dificílimo arranjar um lugar para estacionar o BMW perto das universidades. Os parques estão lotados e os alunos perdem imenso tempo à procura de um lugar, chegando tarde às aulas e perdendo matéria que é fundamental para o seu bom desempenho curricular.

As propinas são elevadissimas, o que obriga os alunos a sacrifícios sobre-humanos, tendo de optar em fumar menos um maço de tabaco por semana, e evitar ir a menos um concerto por mês. Uma verdadeira calamidade.

O acesso à informação tornou-se cada vez mais difícil com a internet. É que a informação disponível é tanta que, para além de tornar difícil qualquer síntese, deixou-se de ter a noção da veracidade da mesma.

Os estudantes a quem os pais não ofereceram o BMW têm que se deslocar penosamente para os estabelecimentos de ensino utilizando a rede viária de transportes públicos, tendo muitas vezes que esperar mais de 10 minutos pelo seu autocarro. Inadmissível num país dito desenvolvido.

Os alunos de ciências exactas ainda têm uma vida pior que os outros: têm que aprender a escrever sem erros na língua portuguesa, uma tarefa irrelevante, dado que as suas opções de trabalho estão longe de necessitarem do uso da língua portuguesa.

Para agravar ainda mais a situação dos estudantes nacionais há a questão dos exames, que provocam um stress desnecessário interferindo brutalmente no seu rendimento, e levando-os à prática da toma desregulada de anti-depressivos e de estimulantes de natureza variada.

Realmente, ser estudante em Portugal, não é vida para ninguém.

terça-feira, junho 07, 2005

A Razão Expectante

megafone
A todo o momento espero ouvir uma voz metálica a surgir de um megafone colocado algures num sítio alto que me diz: «bem vindo ao nosso parque temático, esperamos que se esteja a divertir tanto como nós!»
Aí tudo faria sentido: o Gonçalvismo, o Soarismo, o Cavaquismo, o Guterrismo, o Chernismo, os Santanetes e os Socráticos. Faria aquele olhar estupefacto das vítimas dos apanhados e diria certamente: «Eh pá, que vocês foram mesmo convincentes nesta parvoeira absoluta».
E a voz megafónica continuaria: «durante a tarde poderá divertir-se e assistir em directo ao discurso de restrição do nosso andróide que simula um primeiro ministro; ao longo da tarde assistirá a um compacto que mostrará todas as equipas nacionais a perder sucessivas finais de futebol; se mudar para o 2ºcanal poderá ver o que não deve ser um desempenho olímpico; ao início da noite terá o escândalo do dia- “Árbitros de Futebol Pederastas na Casa Pia”- aquele que é conhecido pelo escândalo do Apito Cagado. À noite não pode perder um selvático programa de humor onde o ministro das finanças exige contenção a toda a gente à excepção dele próprio. Se não tem nada programado para os próximos 5 minutos dirija-se à auto-estrada mais próxima e assista a um espectáculo único de mortandade ao volante por negligência boçal (...)»
Há uns anitos que espero que a voz apareça, mas nada. Os gajos estão determinados a fazer com que eu acredite que tudo isto é verdade. Estão a fazer um bom trabalho. Profissional até.