sábado, agosto 20, 2005
A Razão Genética
sexta-feira, agosto 19, 2005
A Razão do Croissant
O «síndrome do croissant» tem o seu início e o seu fim em meados dos anos 80, no século passado, altura em que muitos dos leitores deste blog se preparavam diligentemente para nascer.
Antes dos anos 80 não existiam croissants, imaginem vocês. As pastelarias exibiam orgulhosas duchéses, coriáceas bolas de berlim, empertigados ecláires, esbeltos pastéis de nata, abnegados jesuítas, e muitos outros docinhos que apaziguavam a gulodice bovina de muita gente. A palavra snack ainda não fazia parte da vida dos mamíferos daquele tempo.
Então, surgido do nada, ou provavelmente surgido do empreendorismo de um emigrante da bidon ville (que é praticamente a mesma coisa que nada) surge a primeira croissanterie - assim mesmo, em estrangeiro para parecer mais fino. Ávidos por tudo aquilo que vinha do estrangeiro, na boa tradição do provincianismo nacional, os portugueses acorreram em massa. E o sucesso da primeira croissanteria foi tão grande que, num curto espaço de tempo, o país se transformou numa imensa croissanterie. Era impossível descobrir uma pastelaria. Porta sim porta sim, as croissanterias espalharam-se como um ébola desvairado, por todo o país, ameaçando a sobrevivência do queque e do mil folhas. Cidades houve em que surgiu a «rua das croissanterias». Os portugueses atafulhavam-se de croissants como se não houvesse amanhã.
E de repente, cerca de 5 anos depois da croissanteria original, acabaram tão rapidamente como tinham começado. Tipo dinossauros. A razão: não havia mercado para tanta oferta - estava descoberto o «síndrome do croissant».
Curiosamente, os pequenos empresários portugueses não aprenderam nada e, hoje em dia, o país apresenta um número absurdo de falências que está directamente relacionado com este fenómeno.
Em Portugal, a maneira mais rápida de atingir a falência é ter uma boa ideia lucrativa, que só vai ser lucrativa nos primeiros meses porque será selvaticamente copiada até à exaustão: videoclubes; lojas de posters; ginásios; casas de frangos; lojas de artesanato; restaurantes; cibercafés; etc.
Conclusão: tudo tem de dar lucro no muito curto prazo, um princípio que não é nada saudável para o futuro económico, quer do negócio, quer do país.
quinta-feira, agosto 18, 2005
A Razão do Turismo Sexual
Em Portugal, as mulheres fingem não perceber.
«Conhecemos mais coisas se estivermos com alguém que viva lá» diz ela. Entretanto vai-lhes pagando as despesas e dormindo com eles. Uma vez entusiasmou-se e chegou a trazer um com ela. A coisa não durou muito tempo: ele conheceu outra por cá e saíu de casa. Desde essa altura M. deixa-os lá ficar.
Conheço esta malta toda, e por vezes pergunto-me como é que a «ida às putas» se sofisticou tanto...
quarta-feira, agosto 17, 2005
A Razão do Borda D'Água
Felizmente há umas quantas que se mantêm, firmes e hirtas, a resistir à passagem do tempo e à euforia (cada vez mais depressiva) do consumo. E uma delas é o Almanaque Borda D’Água.
Este «reportório útil para toda a gente», como vem descrito na capa, parece ter nascido no tempo de Viriato (quando este andava a atirar calhaus nos Montes Hermínios) e mantém-se orgulhosamente idêntico ao seu primeiro número, publicado há 77 anos atrás, alheio às modernices do papel moderno e da encadernação deluxe, obrigando-nos ao ritual de rasgar as suas páginas para podermos chegar ao conteúdo.
O «Verdadeiro Almanaque Borda D’Água» é uma lição para todas essas marcas multinacionais que por aí aparecem, com investimentos que fariam corar um ministro das finanças. É a lição da persistência teimosa, e do amor desinteressado por aquilo que se faz com gosto. O swoosh da Nike (nome dado pelos especialistas ao vêzinho do logotipo) é uma paneleirice moderna comparada com o Velho da Cartola – o muy digno, e sempre na moda, logotipo do Borda D’Água.
Desfolhar um Borda D’Água é fazer uma viagem no tempo, regressando aos tempos em que os dias demoravam a passar, em que a EDP se via à brocha para fazer dinheiro, em que o IVA era uma realidade tão distante como um episódio do «Star Wars», e em que os dias se contavam, sol a sol, pelas luas.
Havia malta que contava os dias até ao próximo Almanaque Borda D’Água, essa verdadeira enciclopédia de conhecimento que parecia conter tudo o que interessava em meia dúzia de páginas: as previsões do tempo para o ano inteiro, quando preparar a terra para o milho e para a batata de regadio, quando semear amores-perfeitos, a que horas nascia e se punha o sol; ali se aprendia que o dia 17 de Novembro era o dia da Sta. Isabel da Hungria, e que nos primeiros sábados do mês havia feira em Sta. Bárbara de Nexe.
Muito antes dos vendedores ambulantes do Planeta Agostini, já o Borda D’Água andava por aí a ensinar a malta que o signo de Gêmeos transmutava a sensibilidade lunar e que o signo de Virgem tinha como flôr preferencial a camélia (talvez seja daqui que tenha surgido a expressão «para ser virgem é preciso ser camela», tendo-se perdido o «i» algures na imensidão dos tempos).
terça-feira, agosto 16, 2005
A Razão de Agosto
Agosto, provavelmente o melhor mês do ano. Gosto de Agosto por mil e uma razões! Começa logo com aquela música fantástica que resume tudo:"Qual é o melhor dia para casar
Sem sofrer nenhum desgosto
É o 31 de Julho
Porque a seguir entra Agosto (a gosto)."
É o mês dos casamentos e eu adoro casamentos. Ouvir falar francês em todo o lado e ter a pequena sensação que estou na Cote d'Azur dos burgessos. Não tenho nada contra os emigrantes, só gostava é que fossem todos amordaçados e andassem a pé!
As matrículas amarelas vêm dar um novo colorido ao cinzentismo das estradas portuguesas e mais emoção também! Não me lembro como se conduz em França mas deve ser uma rebaldaria de todo o tamanho, a julgar pela imagem que nos é transmitida durante este mês.
Gosto quando os preços de tudo, mas tudo mesmo, sobem, para explorar o capital estrangeiro, que é nosso também, afinal não adianta falar português, somos assaltados na mesma.
Adoro a forma como os emigrantes manipulam o sistema. Os bares passam a ter uma longa festa de recepção ao emigrante, começa no dia 1 de Agosto e acaba no 31, com aquele som que perturba os clientes habituais, mas fideliza os nossos esforçados compatriotas que vem cá, humildemente gastar os cêntimos em shot's e cocktail's ao som de R'n'B (Ridículo e Burgesso) e acabam a vomitar as tripas em qualquer canto e esquina.
É sempre bom ver as correntes de ouro por fora da camisola ou da camisa, os cachuchos gigantes masculinos de permeio com as roupas coloridas e os sapatólios de dois andares das meninas. Admiro-me é como se consegue engatar uma rapariga deste calibre. Quem terá razão, o álcool?!
As filas para comprar uma simples cabeça de alho graças à afluência repentina de público de férias, que bom que é.
Ir a casa dos pais na terra para um merecido fim de semana de descanso e ter a alegria de comer apertado e massacrado pelos berros das crianças agrilhoadas à mesa "Voule pas manger". Estar a tomar banho e uma dessas deliciosas criaturas apagar a luz e não poder dizer carinhosamente "Acende a luz c@r@lh0!"
Encontrar um restaurante aberto, daqueles que somos habitués, onde somos tratados com carinho, que substituem a comida da casa materna, que à terça-feira serve arroz de feijão com pataniscas de bacalhau, é mentira. Cobardemente abandonam o barco como ratos e vão gozar as férias para outro sítio qualquer que não o nosso poliglota e cromaticamente animado Portugal de Agosto.
Só detesto uma coisa, a diminuição brutal do trânsito no centro das cidades, gosto é de confusão!
segunda-feira, agosto 15, 2005
A Razão Sebastianista
«O sebastianismo, ambição ou cobiça eterna do que se perdeu e não voltará mais, foi um traço fundamental da nossa raça e ainda hoje se manifesta em muitos portugueses. Sebastianismo inofensivo, digno, decorativo, se não saísse por vezes dessa contemplação para se transformar, subitamente, num quixotismo histérico, alucinado, causador de graves perturbações na vida nacional.»
Escrito por António Ferro no Diário de Notícias de 12 de Abril de 1933
Se Darwin tivesse nascido português, a Teoria da Evolução das Espécies nunca teria conhecido a luz do dia.
domingo, agosto 14, 2005
sábado, agosto 13, 2005
A Razão Oscilante
Há dias em que me sinto um insecto, e outros em que me sinto um párabrisas.
sexta-feira, agosto 12, 2005
A Razão Provinciana
Os portugueses são provincianos. É um dado adquirido, e não há nada a fazer senão aceitá-lo com a frontalidade conformista que também nos caracteriza.Quando aceitamos ser os porteiros de uma cimeira que não nos diz respeito, colocando em risco os cidadãos do país, só para nos pôrmos em bicos dos pés estamos a ser provincianos. Quando atribuímos a Ordem da Liberdade aos U2 somos provincianos. Quando acreditamos que um tipo de 80 anos tem uma visão de futuro para o país, somos provincianos. Quando queremos mostrar aos espanhóis que somos bons vizinhos e magnânima e caninamente deixamos que nos levem a água, somos provincianos.
E depois somos provincianos em pequena escala. E é sobre essa pequena escala de provincianismo que me apetece falar. Sobre o provincianismo dos blogs nacionais – como vêem a escala não é pequena, é micro-escala.
Para observar o provincianismo blogueiro não é preciso ir muito longe. Basta fazer uma visitinha ao Murcon. Tenho imenso respeito pelo Júlio Machado Vaz, embora ao fim destes anos todos já ache o homem minimal repetitivo nas suas intervenções televisivas. Ora se na televisão já é vira-o-disco-e-toca-o-mesmo, e o orgasmo para cá e a estimulação vaginal para lá, mantendo uma pose intelectual que dá um ar sério a todo o discurso (e que o deve divertir à brava), quando chegamos ao Murcon, não há estimulação clitoriana que desperte o mínimo interesse pela coisa. Mas aí entra o provincianismo nacional e, como o JMV é, supostamente, uma celebridade intelectual, os labregos acham-se tocados pelo divino e babam-se copiosamente na perspectiva que os seus comentários (onde se nota um esforço genuíno para parecerem profundos, densos, e inteligentes) sejam lidos por aquela divindade das ondas hertzianas. Estou a imaginar o orgulho com que dizem aos filhos e à mulher: «hoje troquei umas opiniões com o Júlio Machado Vaz!».
E o Júlio, vaidoso ao ponto de colocar a sua carinha laroca no cabeçalho do blog, diverte-se com aquilo tudo, excitando aqui e ali a forte audiência feminina com pequenas provocações. «E um leve odor a auto-complacência macha...:). Ou não? Que dizem as meninas?», pergunta ele. E elas gemem enquanto digitam, com tremuras e sem sucesso, uma resposta remotamente inteligente.
Olhem para a vossa lista de links, e se por acaso virem lá o Murcon, cumpram o desígnio nacional. Sejamos provincianos, caragu!
quinta-feira, agosto 11, 2005
A Razão do Trolha
Li numa revista de moda que os metrossexuais, esses abichanados que gostam de se besuntar com cremes adelgaçantes, fazer massagens de lama e depilações, e que passam a vida no ginásio a desenvolver músculos à vez, estão fora de moda. Os seus sucessores são os retrossexuais (não confundir com rectossexuais, que também há muitos, mas que ainda não estão na moda). O retrossexual é a antítese do metrossexual: são feios, gordos, boçais e de barriga sobredesenvolvida, onde desembocam tufos de pêlos que brotam abnegdamente do peito. Têm uma aversão animalesca a qualquer perfume que não seja o de aguardente traçada com cerveja, recusam o banho que lhes retira a patine equina, e são adeptos do look gorduroso obtido através do método escarreta-mão-cabelo – uma técnica que é sua inconfundível imagem de marca.
Afinal nada está perdido para Portugal, o país europeu com maior índice de retrossexuais (conhecidos por cá como trolhas). O trolha volta a estar na moda, bem como o seu modus operandi. O Quinto Império volta a ser uma realidade: os trolhas que nos tempos áureos da nação, desbravaram e fundaram territórios à conta da sua força bruta e boçalidade, que muitas vezes se confundiam com coragem, têm mais uma oportunidade de levar o país ao seu grande desígnio nacional (seja lá ele qual fôr).
Adeus Beckham! Viva Jorge Costa!
quarta-feira, agosto 10, 2005
A Razão dos Amigos
Amigos. Não conheço a origem etimológica desta palavra, mas sempre que olho para ela sugere-me a junção de duas coisas: «amor» e «migas» - amor aos pedaços. Curiosamente a amizade é mesmo isso, uma forma de amor aos bocados. As amizades não requerem uma manutenção tão continuada como o «amor sem ser aos pedaços». Podemos não ver um amigo durante meses, ou mesmo anos, e magicamente voltar a pegar nas coisas como se o tivéssemos visto no dia anterior. Só as verdadeiras amizades funcionam assim – nada se exige, e tudo se dá, sem qualquer interesse, resistindo furiosamente à passagem do tempo. Façamos a mesma coisa com aquilo que designamos por «amor verdadeiro» (como se por acaso pudesse existir «amor falso») e veremos que ele não resiste com a mesma facilidade.
Falando seriamente, podemos identificar vários tipos de amigos:
Amigos de Escola – faz-me impressão aquela malta cujos únicos amigos são os de escola, aqueles grupinhos ruidosos de malta que se encontra invariavelmente aos fins de semana e em férias com os velhos colegas de curso e continuam a cantar Éférreás aos 40 anos. Será que para estes mamíferos existiu vida para além da escola? Duvido.
Amigos da Onça – malta que teríamos imenso prazer de colocar numa jaula com uma onça esfomeada e com cio. Também são conhecidos por amigos de Peniche. Estes são fáceis de identificar: basta perguntar distraidamente se gostam de Peniche e eles descaem-se.
Amigos de Ocasião – a ocasião faz o ladrão, sabem como é…
Amigos de Copos – enquanto a cirrose não chega até são divertidos de aturar, principalmente quando tentam falar naquelas alturas em que a sua língua parece ganhar vida própria.
Amigos do Peito – malta com muito bom gosto, que nutre uma especial afeição por glândulas mamárias generosamente desenvolvidas. Eu, por exemplo, sou amigo do peito da Pamela Anderson.
terça-feira, agosto 09, 2005
A Razão Geométrica
A geometria invadiu a linguística selvaticamente e hoje em dia dou por mim a utilizar termos que sempre me enervaram.
Sempre que olho para o outro ângulo das questões; sempre que ponho as coisas em perspectiva; sempre que estabeleço paralelismos; sempre que torno a pôr as coisas nos eixos; ou que me apercebo de assimetrias; sempre que peço coordenadas, ou que levo as coisas para outro plano, que me dá um prisma diferente, um outro grau de conhecimento, ou de surpresa...
Os termos «geométricos» surgem tão espontânea e inconscientemente que muitas vezes nem damos por eles. E nalguns casos não fazem sentido nenhum: porque razão dizemos «círculo de amigos»? Existirá alguma obrigatoriedade de nos dispôrmos em círculo quando estamos com amigos? Não podemos assumir outras formas de estar? Para quebrar a monotonia podíamos inventar formas diferentes – um polígono de amigos hoje, um equilátero de amigas amanhã. Agora ser sempre um círculo é algo monótono não?
E o que dizer dos triângulos amorosos? Não podem ser rectângulos amorosos? Ou mesmo losangos amorosos? É claro que a cama teria de ser maior, mas e daí?
Até a blogosfera é um termo estranho, com laivos de geometria. Blogosfera sugere alguma coisa esférica, redondinha, galileiliana... qualquer dia ainda me aparece aí um maluco qualquer a dizer que a blogosfera é redonda. Porque não chamá-la de blogocúbica? Até é capaz de ser mais giro se fôr blogocúbica: tem mais ângulos, tudo faz mais ricochete.
Seja como fôr, sempre que penso em geometria fico com a desagradável sensação de estar a ter um discurso quadrado. Tudo isto num plano retórico, claro; numa perspectiva meramente individual, naturalmente.
Bolas....
segunda-feira, agosto 08, 2005
A Razão Disléxica
Madur a loczalaição das lteras denrto de cdaa pralava não lhe rteira o seu siginafcdio. O nssoo crbéero tem a cuorisa cadpiacade de voatlr a reruaarmr a plvraaa da maeirna qeu inicaenitmlce anpreedu, de mdoo a obetr o seu sigicdafino. A descorebta, fio fetia plea Uinsvesriadde de Cmabgirde, e levotna ourto tpio de qstueões sbroe o siginafcdio das cosias qeu exprssemaos em froma de prvaalas. A obçrevasão fisofilóca que me orroce é qeu cdaa pralava céntom em si o sue sniaidcfigo inedneemnentdepte da frmoa cmoo amorramus as lerats qeu cõpmeom asse prlaava: um labgreo sreá smrepe um labgreo, por mias dsifraaçdo qeu eestja… asse é que asse.
domingo, agosto 07, 2005
A Razão do Capital Humano
sábado, agosto 06, 2005
A Razão Sadomasoquista
A relação que temos com estas instituíções comparo-as com algum tipo de relação sadomasoquista, iniciada de forma a tentar alegrar a coisas, mas sem grande sucesso.
Deixemos de lado termos, palavras, e passemos à acção: o sadomasoquismo é uma prática sexual, em que o prazer é obtido através do acto de infligir e sofrer dôr. A relação com as «Finanças» e «Segurança Social» são puros exercícios de sadismo. No dicionário, sadismo vem definido como «(...) instinto sexual em que a satisfação (...) só pode alcançar-se (...) com a perversão que consiste em tirar prazer do sofrimento alheio». E não é exactamente isto que o Estado faz?
Com os seguros a coisa é diferente. É uma relação de puro sado-masoquismo.
Os adeptos desta prática sexual dividem-se em dois grupos, nomeadamente os dominadores ou mestres e os escravos ou submissos. Estes últimos, tal como o nome indica, são os que sofrem, que são maltratados física e psicologicamente. Já os dominadores são os que fazem sofrer, têm um papel activo na relação e só atingem o orgasmo inflingindo a dor no outro.
Eles dizem «paga» ...Não é obrigatório, mas pagamos.
E nós pagamos uma apólice que nos garante que se formos raptados por extraterrestres num dia par de um ano bissexto, ser-nos-à pago 3 anos depois o valor definido, sem antes termos gasto 4x mais por protestarmos aquilo que temos a receber. É masoquismo sim, porque sabemos que a probabilidade de acontecer é mínima. É sadismo sim, porque as seguradoras sabem que a probabilidade de acontecer é mínima.
O que mais me intriga nas seguradoras, são os nomes de algumas delas. Ora vejamos:
Tranquilidade; Bonança; Fidelidade; Liberty.
São tudo nomes de coisas boas, com as quais no sentimos protegidos...até ver, claro. Outra coisa que me intriga nos seguros é o termo «prémio».
E como definição de prémio temos: «do Lat. praemius. m., recompensa; galardão; remuneração; distinção conferida a quem se torna notado por trabalhos ou méritos; ágio; juro»;
até aqui tudo bem, mas depois, na salvaguarda, também diz: «prestação que o segurado efectua em favor da companhia seguradora como contrapartida do direito de indemnização».
E como prémio de não termos sido raptados, de não termos espatifado o carro, não ter pegado fogo à casa, de não termos sido assaltados, o prémio aumenta e nós pagamos mais. Juro que não entendo. É a mesma coisa que irmos para a cama com uma pessoa e descobrir, tarde demais, que ela é sádica...
Um post de Ana de Neon em exclusivo para a Razão
sexta-feira, agosto 05, 2005
A Razão da Obra Pública
A OTA e o TGV não são aquilo que parecem. Se alguém achar que o Governo está a ser inconsequente nestes dois projectos está enganado. Tudo isto faz parte de um grande desígnio nacional que os cavaleiros da távola redonda (esse grupinho naife de 13 economistas de todos os quadrantes políticos), falharam redondamente em identificar. Analisando as características de ambos os projectos vemos que o ambos têm em comum é o facto de contribuírem para transportar, de um modo bastante rápido, muita gente para fora do país. É claro que o Governo mascara a situação dizendo que a óptica é puramente turística, mas o que se está aqui a passar é o Muro de Berlim, só que ao contrário. Os gajos querem é que a malta se vá embora daqui. E rapidamente!
quinta-feira, agosto 04, 2005
A Razão do Autarca
Sobre a OTA e o TGV falarei com mais detalhe amanhã. É uma conspiração tenebrosa que merece ser revelada com alguma solenidade.
Hoje vou dedicar-me aos autarcas e às suas razões. O político de autarquia está para o político nacional como a fisga está para a catapulta: ambos arremessam projécteis, mas uns fazem mais merda que outros. É tudo uma questão de dimensão.
Fazer merda em grande escala é uma característica de perfil que auspicia um futuro glorioso na liderança dos destinos da nação – um autarca típico não tem a capacidade intelectual nem financeira para dar cabo da economia do país com uma OTA ou com um TGV. O autarca local é, como a própria designação implica, um gajo que faz merda a um nível muito restrito. Tanto autarcas como políticos gastam o dinheiro dos contribuíntes em aleivosias disparatadas. Mas no caso dos autarcas são aleivosiazinhas, disparatezinhos, pequenos insuflares de egozinhos. É o Portugal dos Pequeninos da política. É a cabotinice provinciana que, quando atinge limites para além do normal, culmina na fuga para o Posto 6 de Copacabana, ou na participação em reality shows de qualidade sempre duvidosa. Mas na maior parte dos casos os autarcas ficam-se pelas rotundas e pelos semáforos. Autarca que não tenha construído umas belas rotundas e plantado uns belos semáforos não pode ser digno dessa função. É uma espécie de mijinha do cão para a posteridade, para um dia puderem dizer aos netos: «Estás a ver ali aquele semáforo? Foi o avô que o pôs lá!» E a criancinha olha esgazeada para o semáforo a tentar imaginar como é que aquela fraca figura teve força de levar aquilo em ombros para ali.
quarta-feira, agosto 03, 2005
A Razão da Lobotomia
Christine Johnson, uma bibliotecária de Nova Iorque, quer que a academia sueca retire o Nobel da Medicina atribuído a Egas Moniz em 1949. A questão foi despoletada com a publicação de um estudo que demonstrava que a técnica da lobotomia, desenvolvida por Egas Moniz em 1936, apenas ajudou 10% dos 50.000 norte-americanos que foram lobotomizados entre os anos 30 e 70. A avó de Christine Johnson faz parte do grupo de 90% que passou a babar-se descontroladamente e a gritar «Ninguém é de ninguém!» em cada 15 minutos.
Esta exigência de Christine Johnson leva-me a perguntar porque é que não lobotomizaram também os seus pais? Ter-nos-ia poupado a mais uma demonstração de estupidez e ignorância só dignas de um orgulhoso exemplar do povo americano.
Tentei explicar a Christine Johnson no seu blog, que Egas Moniz não ganhou o Nobel pela descoberta da lobotomia, mas sim pelo desenvolvimento da Angiografia Cerebral, coisa que se demonstrou irrelevante porque no blog desta red blooded american girl não são permitidos comentários de estranhos: típico dos burgessos norte-americanos, centrados na sua própria ignorância.
Se não fosse tão tacanha, a menina teria aprendido que antes de Egas Moniz ter inventado a angiografia não era possível detectar disfunções no cérebro (os Tacs surgiram muito mais tarde), e qualquer raio x que se fizesse ao cérebro mostrava apenas uma massa indistinta. Graças à angiografia (que consiste em introduzir, através da carótida, um líquido luminoso que acaba por «iluminar» o cérebro permitindo detectar as suas texturas) foi possível encetar uma série de tratamentos, entre eles a lobotomia.
terça-feira, agosto 02, 2005
A Razão de ter Ar
Tal como um balão de feira, o indivíduo que preza viver em sociedade rodeado de outros indivíduos precisa de ter ar. O ar dita a imagem que esse indivíduo projecta, consciente ou inconscientemente, nos outros.
Há especialistas em desenvolver ar, e há outros que são estão nas tintas para o ar – seja para o seu ar, seja para o ar dos outros. Ter ar é um processo evolutivo: começa normalmente na adolescência, onde o indivíduo se encontra normalmente bastante confuso sobre que ar deve ter, e acompanha-o de uma forma bem mais definida na vida adulta, até chegar à terceira idade, onde há coisas mais prementes para pensar do que no ar.
Ter ar é um manifesto da individualidade. O nosso ar determina a maneira como os outros olham para nós. A quantidade de ares é quase proporcional à quantidade de indivíduos. Temos os indivíduos com ar sério, os que têm um ar divertido, os que têm um ar de estúpidos, aqueles que têm ar que não estão a pescar nada, os que gostariam de ter um ar de importante, os que irritam com o seu ar autoritário, os que despertam sentimentos protectores com o seu ar perdido, os que têm um ar convencido, os que têm um ar sedutor. Olhem à vossa volta, e encontram ares de todas as formas e feitios – todos eles têm uma função elementar: dar-nos uma existência social.
O ar desenrasca-nos em muitas situações ao longo da vida: há alturas em que fazemos um ar entendido, embora não estejamos a perceber patavina; ou outras em que fazemos um ar interessado, muito embora o interesse seja nulo; ou quando fazemos um ar desentendido, quando não queremos ir por ali. O ar lá nos vai safando... e o truque é nunca termos faltas de ar. Cuidado asmáticos!
segunda-feira, agosto 01, 2005
A Razão do Perfume
Falar de perfume é um inebriante e estimulante exercício evocativo de sensações entrelaçadas de almíscar e alfazema, trespassadas por bergamota, com pequenos apontamentos de zimbro e cravo de Madagascar; é um imaginário salpicado de lavanda, polvilhado de canela do oriente, e avivado por patchouli com ligeiras notas de cedro.
Falar de perfume é, em suma, falar de merda, e de como disfarçar o seu cheiro. Foi essa a motivação daquele povinho ridículo que fala com a boquinha em «U», quando um dia percebeu que podia disfarçar o cheiro a mijum e a sebo que adquiriam por não gostarem de se lavar.
É claro que o conceito de perfume evoluíu muito desde a sua criação, o mesmo não se pode dizer dos franceses, que continuam com uma aversão animalesca à água e às suas propriedades higiénicas. Mas não percamos muito tempo com eles, para que a conversa não comece a cheirar mal.
Detenhamo-nos um pouco sobre as propriedades afrodisíacas do perfume. Um perfeito mito. Dizem que determinados perfumes estimulam o apetite sexual e tornam irresistível o seu utilizador. Convém no entanto realçar que isto só se verifica quando o utilizador apresenta uma fisionomia de características generosas, ombreando com qualquer Naomi Campbell, Heidi Klum, ou Jessica Alba. Vaporize-se com DKNY uma rapariga de 150kg e nem por isso ela terá uma noite mais preenchida.
Analisemos a função do perfume com mais detalhe: a sua utilização serve para realçar aspectos de personalidade, enriquecendo-a e tornando-a mais apetecível aos olhos (ou narizes) dos outros? Ou é simplesmente uma roupagem virtual destinada a cobrir cheiros de origem animal que tornariam qualquer engate de sábado à noite num suplício digno de uma prisão turca? Pessoalmente inclino-me mais para a segunda hipótese, embora conheça gente que só tem personalidade entre as 8 e as 9h da manhã, altura em que o perfume ainda faz efeito.
E o que dizer sobre a origem vegetal de todos os perfumes? Porque diabo não há perfumes de origem animal? Qual é o problema de cheirar a cavalo lusitano entrecortado com sândalo? Ou de cheirar a antílope em pleno época de cio com pequenos apontamentos de cidreira? Será por puro preconceito que alguém evita usar um perfume de boga do Guadiana? Ou mesmo de caboz de água doce?
Uma coisa é certa, os franciús têm uma fixação esquisita com vegetais. Resta saber se lhes tiram as cadeiras de rodas antes de os transformarem em essências aromáticas.