sábado, março 26, 2005

A Razão do Coelhinho da Páscoa

pascoa
Sempre que chega o Domingo de Páscoa lembro-me daquela história mal contada do coelhinho de Páscoa e da sua estranha ligação aos ovos de Páscoa. O que leva um coelho a distribuir ovos pintados? E onde é que o coelho arranja os ovos? E quem os pinta? Tudo mistérios insondáveis…
A história deste roedor está cheia de lacunas por preencher, o que sugere que deverá haver alguma javardice oculta nisto tudo. Na realidade o coelho é um libertino doidivanas, com um seríssimo desvio sexual, que mantém uma relação poligâmica e contranatura com algumas aves. As coelhas não lhe despertam qualquer sentimento libidinoso, e muito menos monogâmico. O coelho enveredou por esta vida porca sem medir as consequências, e quando percebeu que pela lei da natureza nenhum animal estava autorizado a procriar fora da sua espécie, arranjou um esquema que desviasse as atenções alheias da sua vida de alegre e frenético concubinato.
Decidiu assim distribuir gratuitamente as provas da sua virilidade, não sem antes lhes dar um aspecto decorativo e insuspeito. No início começou a distribuir os ovos na época de carnaval, mas não aguentando ver a sua prole esborrachada nas paredes durante as batalhas de foliões, decidiu avançar para a época festiva seguinte, tendo vir parar à Páscoa. Há vidas muito tristes.

sexta-feira, março 25, 2005

A Razão da Criação

deus

Existem por aí uns teólogos equivocados quanto à Criação do Mundo. Dizem eles que Deus criou o mundo em 6 dias:

No primeiro dia atestou a coisa de água e criou o céu. Durante a tarde criou o interruptor e ligou a luz. Depois ficou extasiado a olhar para aquilo: um imenso oceano único e um sol do caraças, e um bronze de fazer inveja à Cinha Jardim.

No segundo dia, depois de uma directa, lembrou-se de criar a noite e substituiu o interruptor por um reóstato, criando um lusco-fusco entre o dia e a noite a que chamou de madrugada e entardecer, respectivamente. Faltava criar a vida nocturna, mas ele deixou isso para mais tarde.

No terceiro dia isto continuava tudo um bocado alagado e então lembrou-se de criar uns espacinhos secos. Surgiram as praias, o campo e as montanhas. Pensou em criar os bares de praia, mas não anotou a tempo no caderninho e acabou por se esquecer.

No quarto dia desatou a vegetar a terra. Foi um vê se te avias de plantas coníferas e outros vegetais. Quando chegou ao nabo a sua imaginação já não estava na sua melhor forma: aquilo já não sabia a nada. E então decidiu acabar o dia por ali.

No quinto dia dedicou-se a salpicar o ceú nocturno de estrelas e constelações. Depois de ter mandado uma topada num lancil e rebentado com uma unha do pé, criou a Lua para iluminar a noite e perceber onde é que punha os pés. Desde esse dia ficou um bocado aluado.

No sexto dia decidiu povoar a terra e os mares com animais. Foi um dia complicado este, que culminou com a cereja no topo do bolo: Adão e Eva, esta última criada à sua imagem.

No sétimo dia os teólogos dizem que Deus não inventou nada e parou por ali. Imenso equívoco. Na realidade foi no sétimo dia que Deus teve a sua criação mais genial. E dedicou todo este dia apenas a uma única criação. A mais difícil, mas a mais inspirada de todas: o Descanso!

Gentinha limitada, os teólogos...

quinta-feira, março 24, 2005

A Razão dos Consultores

consultores

A Economia tem destas coisas chamadas ciclos. Invariavelmente, de 10 em 10 anos, entramos num ciclo desfavorável e instala-se a crise: o investimento cai, os consumidores perdem poder de compra, as falências disparam, e o desemprego cresce. Pessoalmente acho que as crises económicas têm as suas virtudes, são uma espécie de purga do poder instalado, da incompetência acomodada, do laxismo, da corrupção e dos vícios instituídos. Tenho a perfeita noção que a reacção à crise fará nascer novas competências, novos sistemas, e novos vícios que um dia terão que ser erradicados com outra crise. Portanto encaremos a crise como um mal necessário.
O que eu não gosto nas crises é que estas promovem o aparecimento de uma classe de gente que não suporto: os consultores. Estes gajos estão para as crises económicas como os mosquitos estão para as águas paradas, com a desvantagem de não existir um repelente eficaz para estes animais.
Para percebermos a razão da proliferação dos consultores durante os períodos de crise é preciso sabermos como nasce e o que faz um consultor.
Na realidade um consultor é alguém que, depois de ter trabalhado uma série de anos numa determinada área de negócio, se vê no olho da rua por já não acrescentar absolutamente nada ao processo produtivo da sua empresa e, consequentemente, da sua indústria. Enfim, um javardolas incompetente que já não consegue arranjar colocação em lugar nenhum e que inevitavelmente vai ter que desenrascar dinheiro dando conselhos a alguém.
Claro que ainda há aquelas empresas de consultadoria que recruta e forma licenciados no exercício do aconselhamento feito na óptica do senior partner incompetente que um dia fundou aquela empresa, mas esses eu vou considerá-los uns equivocados, sem uma vocação definida, a cometer um erro de juventude.
O que faz então um consultor?
Um amigo meu tem um definição curiosa da actividade do consultor. Diz ele que “um consultor é um tipo que sabe de 2.253 maneira de fazer amor com uma mulher, mas ainda está à espera de conhecer a sua primeira namorada”.
Eu vejo-os mais como umas sanguessugas sem um único pensamento original que recebem avultadas somas de dinheiro para dizerem exactamente aquilo que o conselho de administração que os contrata quer ouvir. Uma espécie de “yes men” vestidos de Armani que garantem que os disparates de gestão cometidos pelas alimárias empresárias deste país têm alguma espécie de legitimidade. Um aval dado por um incompetente a outro incompetente.
Mas também o que esperar de alguém que só desempenha aquela função porque não lhe é reconhecida competência para integrar uma estrutura empresarial? O que vale é que, tal como os mosquitos desaparecem quando começam a caír as primeiras chuvas e a água podre começa a escoar, também os consultores são “escoados” quando a Economia retoma, e os negócios começam a dar dinheiro.

quarta-feira, março 23, 2005

A Razão de Saramago

saramago

No que toca ao José Saramago apresento apreensivos sintomas de bipolaridade. Confesso-o. Gosto da obra do homem, mas não suporto o homem da obra. Acho-o uma alimária arrogante e merecedora, não de uma, mas várias tribos somali que lhe dessem um andar permanentemente diferente. Um gajo que se arma ao fino e decide ir viver para Espanha porque se chateia com as liberdades do regime democrático português, não merece o tempo de antena que este país lhe dá. Compreendo perfeitamente que um gajo quando está mal o melhor que tem a fazer é mudar-se. Ora o Saramago mudou-se para Lanzarote, e fez ele muito bem (milhares de invertebrados seguiram-lhe o exemplo no Verão passado, dando origem à maior praga de gafanhotos que aquela ilha jamais conheceu). Agora o que não acho bem é que este estreptococo continue a mandar bitates sobre o país que decidiu deixar. Podia aprender umas coisitas com os invertebrados do Norte de África que se reuniram com ele em Lanzarote: que eu saiba nenhum dos milhares de gafanhotos expressou aleivosias despropositadas relativamente ao Norte de África
O Estado português tem tido uma atitude provinciana face a este esbirro nobelizado: afinal de contas é o único Nobel literário do país e convém não hostilizá-lo. Eu saberia muito bem o que fazer com ele. Negociava-se com o governo espanhol (com um tal sapateiro) a extradição do senhor para o único sítio onde este ainda faz sentido: o Museu de História Natural de Londres, onde seria etiquetado como o derradeito fóssil do comunismo primário. Ser-lhe-ia permitido continuar a escrever; afinal ainda é a única coisa que o assemelha a um ser humano.

terça-feira, março 22, 2005

Razão Absoluta

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Exactamente há 100 anos atrás um jovem burocrata suíço sem habilitações universitárias que trabalhava em Berna como fiscal técnico de 3ªclasse no registo nacional de patentes publicou uma série de cinco ensaios numa revista alemã de física chamada “Annalen der Physik”. Três desses ensaios acabaram por ficar na história da física: um valeu-lhe o Prémio Nobel e explicava a natureza da luz; outro provou a existência dos átomos (coisa que não era pacífica na altura); e o terceiro ensaio mudou o mundo, pura e simplesmente.
O jovem chamava-se Albert Einstein, um alemão naturalizado suíço para escapar ao serviço militar, e o terceiro ensaio versava sobre a “electrodinâmica dos corpos em movimento”, que daria origem à teoria da relatividade, e revelava a simples e genial equação E=mc², que grosso modo nos diz que existe uma quantidade de energia contida e aprisionada em todas as coisas materiais.
Em homenagem a este rapaz, que não teve hipótese de ser objector de consciência, este blog relança em 2005 a equação de Einstein aplicada à estupidez humana, naquela que se intitula a “Teoria dos Mongos em Circulação”.
Partindo da mesma equação de Einstein (E=mc²) esta teoria demonstra que a estupidez humana é perigosamente exponencial e sem melhorias visíveis, principalmente neste pequeno país.
Entenda-se “E” como “Estupidez”, “m” como “mediocridade”, e “c²” como “cabotinice elevada à sua segunda potência”, e concluir-se-à que a crescente promoção da mediocridade praticada por cabotinos quadrados resulta num profundo estado de estupidez que nivela sempre por baixo qualquer indivíduo, actividade, profissão, investigação ou desempenho. Conclui este blog que nada disto é relativo, e que a estupidez de um povo tende a ser absoluta, como demonstrado na eleição deste mais recente desgoverno, ou nas audiências televisivas da TVI.

segunda-feira, março 21, 2005

Razão Sazonal

primavera

Eis os poléns que nos vão fazer espirrar mais que a conta, e mostrar-nos que exercício gratificante é estarmos vivos. Eis os passarinhos e as abelhinhas, os dias compridos, as florzinhas a desabrochar e os inúmeros tons de verde. Eis as chuvas de Abril, que este ano não me parece que venham a ser mil. Eis o sol mais quentinho, as roupas mais levinhas e reveladoras de um Inverno de excessos. Eis as dietas preparatórias da época balnear, os fins de tarde em tons púrpura, e os azuis brilhantes, claros, escuros, marinhos e turquesas. Eis a minha Estação preferida, a Estação onde nasci, a minha Primavera. Eis a primeira Razão primaveril.
Inspirem fundo. Não respirem. Já está.

sexta-feira, março 18, 2005

Razões Declaradas

cavalo
Casa comigo e eu nunca mais volto a olhar para outro cavalo!
Groucho Marx

quinta-feira, março 17, 2005

Razões de Gosto Pessoal

cristo
Gosto do vosso Cristo.
Não gosto dos vossos cristãos.
São tão diferentes do vosso Cristo.

quarta-feira, março 16, 2005

Razão Existencial

ausente
Não é que eu tenha medo de morrer. Só não me apetecia estar presente quando isso acontecesse.

terça-feira, março 15, 2005

A Razão Analisada

Ra
Analisar o humor é como dissecar uma rã. Interessa a muito pouca gente, e a rã morre no processo.

segunda-feira, março 14, 2005

Razões Educativas

livro
Acho a televisão muito educativa. Sempre que alguém a liga, eu vou para a sala ao lado ler um livro.

sexta-feira, março 11, 2005

Razões Narcisistas

memyself&i
Frequentemente tenho longas conversas comigo próprio, e sou tão inteligente que por vezes não entendo uma palavra do que estou a dizer.

Oscar Wilde

quinta-feira, março 10, 2005

A Razão do Investimento

bizjerk
Deve-se investir num negócio que até um idiota o possa dirigir, porque algum dia um idiota o dirigirá.

Warren Buffet

quarta-feira, março 09, 2005

A Razão do Chefe

boss
Não me vejas como teu chefe. Vê-me como um colega de trabalho que tem sempre razão.

Bob Thaves

terça-feira, março 08, 2005

Razões Recíprocas

gato
Os gatos olham-nos com superioridade.
Os cães olham-nos com docilidade.
Só os porcos nos olham como iguais.

Winston Churchill

segunda-feira, março 07, 2005

A Razão do Dôdô

dodo
Para salvar os bisontes, a melhor coisa que podemos fazer é comê-los. Os animais que o ser humano come não se extinguem. É por isso que temos mais galinhas do que águias neste país.

Harold Danz

sexta-feira, março 04, 2005

Razão Interrompida

interrompida
A Razão vai deixar-vos. Não no sentido estrito do termo, claro (já estava a vislumbrar aí uns sorrisos cínicos nas caras de alguns professores leitores – desenganem-se queridos). A Razão vai deixar-vos até à Primavera porque vai recarregar baterias para um país mais quente. Ouvi dizer que se metermos as pilhas ao sol elas recarregam, e portanto vou experimentar.
Prófes, Jornalistas, Funcionários Públicos, Políticos, Advogados, Publicitários, e outras alimárias quejandas: descansem também. Dou-vos 15 diazitos.
Mais tarde, a 21 de Março, regressarei com os meus somalis que nem um polén lixado para vos entrar pelas narinas adentro, causar-vos algumas comichões e provocar-vos alguns espirros. Preparem os anti-estamínicos. Vão precisar deles.
Até à Primavera irão encontrar aqui outras Razões que não as minhas. Razões alheias. Mas ainda assim Razões para vos irem entretendo.
Agora se não se importam vou ali fazer o check-in, porque já estão a chamar para o vôo da Somália. Bem hajam!

quinta-feira, março 03, 2005

Razão Balnear

bebes
Os bébés não precisam de férias, mas ainda assim vejo imensos deles quando vou à praia. Costumo ir perto deles e perguntar-lhes: "O que estás aqui a fazer pá? Tu que nunca trabalhaste um único dia na tua vida!"

quarta-feira, março 02, 2005

A Razão do Aviador

aviador
Há uns dias fui alvo de um “pequeno poder” num balcão de check-in. Uma alimária de um empregado da TAP embirrou comigo por qualquer razão (até pensei que fosse um professor no desemprego que me tinha reconhecido) e obrigou-me a esvaziar a minha mala de cabine até esta perfazer o peso regulamentar admitido pela TAP. A coisa deu direito a uma reclamação por escrito ao competente CEO brasileiro da TAP e culminou com um pedido formal de desculpa do senhor, um repreensão (dizem eles) ao empregadeco empertigado, e uma borla em classe executiva numa das minhas próximas viagens.
Toda esta maçada desnecessária fez-me lembrar que nesta nossa telenovela mexicana o conceito de serviço é uma coisa tão remota como conseguirmos tomar um duche com a Monica Belucci. Em Portugal confunde-se serviço com servilismo, e portanto quando alguém presta um serviço a outrém, deixa bem claro que está ali para nos prestar um favor, e que só o fará se não o chatearmos muito e se fôr com a nossa cara. De quando em quando aparece um, como este infeliz da TAP, que gosta de mostrar que tem um qualquer poder magicamente conferido pela farda, pela espessura do balcão, ou pela etiqueta que ostenta na lapela.
Se existe uma palavra que confere o verdadeiro sentido de serviço em Portugal é “aviar”. Aqui não se servem os clientes, aviam-se. E logo, os indivíduos que desempenham esta função são os aviadores. Encontram-se normalmente atrás de um balcão, exibem a fronha nº32 (que significa “olha-me este agora quer que eu o sirva... tá bem abelha. Eu já te avio.”), arqueiam as sobrancelhas na vã tentativa de mostrar alguma superioridade, e colocam a voz num tom grave, arrastando as palavras em sinal de aborrecimento.
Estes javardolas sem brevet infestam repartições públicas, call centers, balcões de atendimento ao público, e aviam que nem uns leões! A arte lusitana do aviador só é diária e persistentemente exercida por uma única razão: porque nós deixamos...

terça-feira, março 01, 2005

A Razão do Mal o Menos

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“Do Mal o Menos” devia estar inscrito a ouro na nossa bandeira nacional (na parte verde para se ver melhor). Se há expressão que dita a mais íntima ambição do povo português desde que o Viriato andou a atirar calhaus do alto dos Montes Hermínios é a “do mal o menos”. Com um mote destes não é surpresa nenhuma que tenhamos chegado onde estamos hoje.
Esta foi a motivação de Afonso Henriques quando mandou um par de chapadas à mãe: se está ali um pedaço de terra que não interessa a ninguém, do mal o menos, afiambro-me a ele e chamo-lhe o pomposo nome de reino.
Foi o mote dos Descobrimentos (eu prefiro chamá-los Achamentos, mas deixo isso para uma Razão que há-de vir): se os espanhóis são o nosso tampão para a Europa, e qualquer tentativa de abrir caminho até aos feudos franceses está repleto de porrada com azeite quente à mistura, do mal o menos, faço-me ao mar e vou ali achar qualquer coisinha.
Foi a palavra de ordem de Dom Sebastião: já que me tenho que armar em parvo e não é politicamente correcto andar à porrada com os primos castelhanos, do mal o menos, vou aliviar a testosterona para Alcácer Quibir.
Foi o lema do gajo que se pirou para o Brasil com toda a corte quando se apercebeu que o Napoleão vinha tomar conta da loja: já que vou ter que experimentar o último modelo de guilhotina, do mal o menos, vou bronzear a minha corte para os trópicos.
Foi o mote do ditadorzinho cabotino e inteligente: já que transformei o país numa ostra ridícula e fechada ao progresso, do mal o menos, vou ali às colónias fingir que isto é uma metrópole do caraças.
É curioso como o “ do mal o menos” impeliu os gajos sempre em direcção ao mar, não é? Adiante...
Os capitães de Abril também adoptaram esta postura: já que nos pirámos dos quartéis sem autorização, e com este armamento pesado e obsoleto, do mal o menos, vamos tomar o poder porque voltar para trás é capaz de dar merda.
E assim por diante até há duas semanas atrás, quando o eleitorado teve que escolher entre o nada e o coisa nenhuma, do mal o menos, escolheu o coisa nenhuma.
Ponha-se a merda do mote na bandeira de uma vez por todas!

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

A Razão dos Óscares

oscars

Procurando premiar os artistas que se destacaram nesta nossa telenovela mexicana chamada Portugal, eis os Óscares da Razão:

Melhor Argumentista – Jorge Sampaio
Escreveu o melhor enredo novelesco do último ano, conseguindo enganar todos sobre as suas reais intenções, até os debilóides membros do seu miserável partido.

Melhor Realizador – Durão Barroso
Realizou o melhor film noir que a direita portuguesa alguma vez conheceu desde 1974. Recém-chegado a Bruxelas, quis criar uma sequela europeia da coisa, mas foi travado a tempo pelos Estúdios da Comunidade Europeia. Ainda assim tem um papel de destaque a nível nacional.

Melhor Actor Principal – Carlos Cruz
É impressionante como conseguiu manter a pose e um discurso coerente de inocência quando já toda a gente percebeu que está a actuar (e bem!). Podes parar meu, toma lá o Óscar.

Melhor Actor Secundário – José Castel Branco
Prisioneiro da sua própria caricatura, criou um personagem tão aberrante que tornou Quinta das Nulidades um freak show ao nível dos nossos amigos americanos.

Melhor Actriz Principal – Ana Afonso
Ninguém esquecerá o papel de púdica inocente que desempenhou no mais famoso freak show nacional. Naturalmente que teve uma ajuda da equipa de produção do programa, que cortou as partes onde esta abocanhava generosamente partes íntimas de outro concorrente. Depois do programa acabar, percebeu-se o quão boa actriz (e atrás) tinha sido.

Melhor Actriz Secundária – Manuela Moura Guedes
Ganhou este galardão com a sua performance na noite eleitoral interpretando, aos pulinhos, o papel de uma galdéria excitada, com pretensões intelectuais.

Melhor Banda Sonora Original – Hino de Campanha de Santana Lopes
O menino guerreiro, coitadinho e chorão, arrasou por terra o concorrente mais directo e já premiado em Hollywood, o “Gladiador”.

Melhores Efeitos Especiais – Operação Nariz Vermelho
Estão ainda por descobrir os comediantes que colaram narizes vermelhos nos cartazes de alguns dirigentes políticos em campanha, embora tudo aponte para que tivesse sido uma tribo somalis chefiada por Jerónimo de Sousa.

Melhor Filme de Animação – O Desgoverno Constitucional de Santana Lopes
Apesar de ter sido uma curta metragem, foi uma animação do caraças! Durante 4 meses o país mais pareceu uma cambada de looney tunes desatinados e desgovernados.

Prémio de Carreira – Pinto da Costa
Apesar de tudo e mais um par de botas, o homem continua lá firme e hirto que nem uma barra de ferro, sem um pinguinho de ferrugem.

A Razão congratula todos os premiados e informa todos os candidatos que para o ano há mais. Bem hajam!

domingo, fevereiro 27, 2005

Razões Injustas

metades
Metade do mundo é formada por pessoas que têm alguma coisa para dizer e não podem, e a outra metade por pessoas que não têm nada para dizer, mas podem.

Robert Frost

sábado, fevereiro 26, 2005

Razões de Fé

deus

- Que me importam a mim os vossos campos! Que me importam os vossos animais e os vossos filhos! – berrou o padre – Viveis, todos vós, uma vida material e sórdida. Ignorais o que seja o luxo!... Esse luxo, ofereço-vo-lo eu: ofereço-vos Deus... Mas Deus não gosta da chuva... Deus não gosta do sanfeno. Deus não quer saber do vosso chão, nem das vossas chãs aventuras. Deus, é uma almofada de brocado de oiro, é um diamante engastado no sol, é as sotainas de seda, é as peúgas bordadas, os colares e os anéis, o inútil, o maravilhoso, as custódias eléctricas... Não, não choverá!

- Queremos chuva – berrou o camponês, desta vez sustentado pela multidão, que desatou a trovejar como um céu tempestuoso.

- Voltem para as vossas quintas! – mugiu a múltipla voz do padre. – Voltem para as vossas quintas! Deus é a volúpia do supérfluo. E vós só pensais no necessário. Sois indivíduos perdidos, a Seus olhos.
E continuou – Não há-de chover! Deus não é um ser utilitário. Deus é um presente festivo, um dom gratuito, uma barra de platina, uma imagem artística, uma guloseima requintada. Deus está a mais. Deus não é a favor, nem contra. Deus é um extra! Deus é um luxo!

Boris Vian, in “O Arranca Corações”, 1953

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

A Razão dos Agricultores

agricultura
Ao contrário do que se possa pensar, a profissão com mais futuro, principalmente em Portugal, é a agricultura. Num país onde a produtividade atinge valores abaixo do nível das águas, os agricultores são os detentores do maior segredo nacional: como ganhar dinheiro fazendo o menos possível, ou mesmo fazendo nenhum. E aparentemente guardam-no bem, uma vez que ninguém, além deles, parece interessado em investir na agricultura.
Que outra profissão exige subsídios do Estado seja porque chove seja porque não chove, seja porque faz frio seja porque faz calor, seja porque produziu a mais seja porque produziu a menos? Que outra profissão é subsidiada para não produzir, ou para produzir menos? Qualquer que seja a razão, quando se fala de agricultura há sempre um bom subsídio para ela.
Os agricultores nacionais são os verdadeiros estandartes do modo de vida nacional: está sempre tudo mal e em crise, nunca há dinheiro para nada, a culpa é sempre do Estado, e venha para cá o “meu” porque não me apetece trabalhar. Tudo isto embrulhado com requintadas acções de marketing onde se bloqueiam estradas, fazem manifestações, e destroem colheitas, sempre com câmaras de televisão à frente. Verdadeiros mestres do engano, e pedinchões à espera de serem desparasitados, estes agricultores tugas.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

A Razão da Prevenção Rodoviária

prp
Sempre que viajo até ao Algarve ou Alentejo não consigo deixar de reparar num cartaz publicitário da Prevenção Rodoviária Portuguesa, e no sentido obscuro que este encerra. Este cartaz faz parte de uma conspiração estatal para solucionar o problema da segurança social portuguesa. É certo que quem olhe distraidamente para ele verá apenas um simples cartaz, destinado a sensibilizar os automobilistas lusitanos; mas uma segunda leitura, com uma ajudinha semiótica, revela-nos algo verdadeiramente tenebroso: a conspiração do Estado.
O cartaz é muito simples numa perspectiva iconográfica: tem um fundo amarelo, e mostra um desenho a preto, de um automóvel a atropelar violentamente um peão, que é cuspido pelo ar, a rodopiar. Até aqui tudo bem, se não fosse assinado pela frase «É melhor parar por aqui»!
Quer isto dizer que qualquer um de nós pode atropelar um peão, desde de que nos fiquemos por ali. Atropelar um gajo está bem, mas o melhor é não nos excitarmos muito e atropelar mais outro, porque nesse caso já não temos o aval da PRP.
Conseguem perceber o verdadeiro alcance deste incentivo? Qual a sua ligação com as políticas de reforma do sistema de segurança social? Passo a explicar: Em Portugal circulam cerca de cinco milhões e meio de veículos motorizados. O país tem dez milhões de habitantes. A maioria dos condutores de veículos motorizados pertence à população activa. Se os condutores seguirem o conselho da PRP e atropelarem violentamente não mais do que um peão, a população nacional passará para metade num ápice. Et voilá, sistema reformado. Estes gajos do Estado são maquiavélicos à brava!

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Razões Genéticas

genetix
Num recente jogo de futebol num estádio português, um homem estava particularmente enervado com a arbitragem. Demonstrava o seu desagrado correndo aos berros pelo corredor da bancada abaixo, até chegar ao corrimão, largava duas ou três bujardas ao fiscal de linha, e voltava para o seu lugar. Parecia um matraquilho daqueles que andavam para cá e para lá, naqueles jogos eléctricos que não tiveram futuro nenhum contra os nossos tradicionais e manuais matraquilhos com jogadores atravessados sadicamente ao meio por uma barra de metal.
Numa destas idas e vindas o homem desequilibrou-se ao pisar no seu próprio cachecol, galgou o corrimão, e caiu da bancada abaixo morrendo de imediato. Sem saber, este homem tornou-se num sério candidato ao Darwin Award, ombreando com todas as alimárias que são responsáveis pela sua própria morte estúpida. Criados em meados dos anos 90, os Darwin Awards premeiam todos os estúpidos que contribuem para melhorar o património genético da espécie humana retirando os seus genes da cadeia de evolução, ou seja, morrendo involuntariamente pelas suas próprias mãos. Embora já tenha sido editado em livro, com algumas das melhores e hilariantes mortes por autoestupidez, o site Darwin Awards ainda é a melhor fonte para quem se quiser candidatar ou manter actualizado sobre os últimos concorrentes ao prémio. Para quem pensa que a estupidez humana é finita, recomendo uma visita a esta pérola de humor negro baseada em factos reais.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Razões Socráticas

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Os acontecimentos dos últimos dias fizeram-me perder a Razão. Não era nada que não estivesse à espera, confesso. Mas olhar para a coisa em directo fez-me levar um choque de realidade que me deixou sem vontade de escrever fosse o que fosse durante 48 horas. Uma espécie de letargia atávica só semelhante a um qualquer professor. Esta espécie de aparvalhamento docente atingiu o seu pico nas declarações de vitória do líder dos socráticos. Bem sei que homem não foi eleito por mérito próprio, bem sei que foi o demérito dos candidatos concorrentes que o levou, numa espécie de Disneylândia bacoca, à maioria absurdamente absoluta. Mas o gajo podia ao menos ter-se esforçado para disfarçar o vácuo existente entre as suas orelhas. O que ouvi foi uma série de bárbaras banalidades que o tipo levava escritas numa folha de papel (nem quero imaginar quando ele tiver que improvisar). Seria de esperar que ao menos alguém lhe escrevesse uma coisita minimamente razoável para um discurso de vitória histórica. Mas quis a história, e o parco QI do indivíduo de olhar bovino, que os 2,5 milhões e meio de desesperados votantes ouvissem um dos discursos mais pobres e vazios da história política portuguesa. “Ganhámos. Tivemos a maioria absoluta. Por isso ganhámos. Conseguimos. Mostramos ser possível. Vou governar com pessoas competentes. Não sei quem são, mas serão competentes”, e assim por diante, num chorrilho de banalidades embrutecidas, que só não são embrutecedoras porque ainda agora começou, e é como já se tivesse visto o filme todo. Um povo que elege absolutamente um manequim foleiro da Rua dos Fanqueiros merece tudo o que lhe possa vir a acontecer. Com toda a Razão!

sábado, fevereiro 19, 2005

Razões Esclarecedoras

sucking pasta
Porque toda a gente quer viver à custa do governo, o governo acaba por viver à custa de toda a gente.

Max Weber

Razões Virtuosas

violino
O poder é como o violino: toma-se com a esquerda e toca-se com a direita. E vice-versa se estivermos num país de canhotos.

Razões Tipológicas

gota4
Há três tipos de governo: o que faz acontecer, o que assiste acontecer, e o que nem sabe o que está a acontecer. Os portugueses preparam-me para eleger o último. Paz às suas almas.

Razões Higiénicas

DeGaulle
A política é uma coisa séria demais para ser deixada nas mãos dos políticos.

Charles de Gaulle (este palermóide tinha a mania que era mais esperto que os outros. Franceses...)

Razões Profissionais

politica
Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga do mundo. Hoje, vejo que ela é muito parecida com a primeira.

Razões Governamentais

governo
Qualquer governo é composto por dois grupos: um formado por gente incapaz e o outro formado por gente capaz de tudo.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

A Razão dos Bruxos

bruxos
Dantes julgavam-nos sumariamente, amarravam-nos a uma estaca, e acendiam-lhes um fósforo, num devoto exercício de cristianização pelo fogo. Agora dão-lhes espaços publicitários nas revistas e na televisão, convidam-nos para talkshows, e pagam-lhes dezenas de contos só para ouvir o que têm para dizer . Nem todas as profissões se podem gabar de ter sofrido uma reabilitação social tão profunda como os bruxos. O que dantes era bruxedo agora passou a ter estatuto de consulta, e entrou no dia a dia dos portugueses. O bruxo está para os portugueses como o psicanalista está para os americanos: é bem toda a gente ter um. E entre mézinhas e maus olhados os gajos vão facturando e gozando que nem uns perdidos, com os perdidos que diariamente lhes enchem o “consultório” à procura de um sentido para a vida, de um amor que tarda a chegar ou que insiste em partir, à procura de um consolo qualquer que lhes acabe, pelos menos temporariamente, com o angst existencial.
Pergunto-me como é possível alguém acreditar (e pagar!) a charlatões do estilo Linda Reis para “tirar a tusa” (palavras da própria Linda) a alguém, usando para isso umas cuecas usadas pela vítima do suposto feitiço? Não era mais fácil mostrarem-lhe uma fotografia da própria Linda Reis? Ou optar por uma solução mais definitiva tipo Lorena Bobbit?
Pessoalmente acho que profissões que desenvolvem formas de parasitismo social (bruxos, jornalistas, advogados, funcionários públicos, e outros), aproveitando-se da fragilidade dos outros, deveriam ser erradicadas exemplarmente. E nesse sentido considero que a tradicional abordagem cristã para o problema até continha algumas virtudes. Naturalmente que eu preferiria uma solução que metesse somalis, mas os gajos são normalmente supersticiosos...

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Razões Evolucionistas

darwin

Apesar da consternação que a coisa gerou na altura, Darwin tinha razão quando afirmou que o homem descendia do macaco – basta olhar à nossa volta na rua para a fronha de alguns mamíferos para se dissipar qualquer sombra de dúvida sobre esta questão. Onde Darwin se espetou ao comprido foi na teoria da “sobrevivência do mais apto”. Para quem já se esqueceu disto, Darwin dizia, grosso modo, que os animais com maior capacidade de adaptação ao seu meio ambiente eram aqueles que acabavam por sobreviver, desenvolvendo aptidões específicas que lhes permitia levar vantagem sobre os outros animais. Uma espécie de upgrade genético, sem a necessidade de pagar seja o que fôr ao Bill Gates.
Se Darwin tivesse vivido nos dias de hoje e olhasse para os cinco candidatos políticos às eleições portuguesas, a teoria da “sobrevivência do mais apto” nunca teria conhecido a luz do dia. Primeiro porque teria imensa dificuldade em perceber como é que cada um destes 5 inaptos conseguira chegar à liderança dos seus respectivos partidos, tendo que pôr naturalmente em questão a aptidão dos indivíduos que os elegeram a chefes de partido. Depois porque, olhando para os resultados da votação eleitoral (a tal que vem aí no final desta semana) concluiria que, ao eleger um candidato inapto, o povo português demonstrava uma impressionante inaptidão para se apetrechar convenientemente de maneira a levar vantagem (ou pelo menos não ficar em desvantagem) face a outros povos. Observando tudo isto, o mais normal seria que Darwin formulasse a teoria do estupidamente inapto: “os animais que estupidamente se deixam ser liderados por outros animais pobremente apetrechados, merecerão toda a merda que estes últimos farão, e serão dignos de vivenciar dolorosas dores no esfíncter e distúrbios nos movimentos peristálticos, provocados por uma tribo de somalis devidamente untadinhos”.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Razões Labirínticas

labirinto
Um rei das ilhas da Babilónia reuniu os seus magos e arquitectos e ordenou-lhes que construíssem um labirinto tão complexo e subtil que poucos se atreviam a entrar nele, e quem tinha coragem para o fazer acabava por irremediavelmente se perder.
Um dia chegou à corte um rei dos árabes, e o rei da Babilónia (para gozar com a simplicidade do seu hóspede) fez com que ele penetrasse no labirinto, onde vagueou humilhado e confuso até ao fim da tarde. Implorou então o socorro divino e acabou por encontrar a saída. Nunca se ouviu dele um único queixume sobre a partida que lhe pregaram, mas disse ao rei da Babilónia que tinha na Arábia um labirinto melhor e que, quisesse Alá, um dia lho daria a conhecer. Depois, regressou ao seu reino, reuniu os seus capitães e alcaides e arrasou os reinos da Babilónia com tão venturosa fortuna que derrubou os seus castelos, dizimou os seus homens e fez do rei seu prisioneiro. Amarrou-o a um camelo veloz e levou-o para o deserto. Cavalgaram durante três dias até que se virou para o seu prisioneiro dizendo-lhe: “Na Babilónia quiseste-me perder num labirinto de bronze e pedra com muitas escadas, portas e muros; agora Alá achou por bem que te mostre o meu, onde não há escadas para subir, nem portas a forçar, nem cansativas galerias a percorrer, nem muros que te impeçam os passos.”
Depois, desatou-lhe as cordas e abandonou-o no meio do deserto, onde acabou por morrer de fome e de sede. A glória esteja com aquele que não morre.

Transcrição livre de um conto de Borges

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Razões Geracionais

geracionais
A única coisa que a geração de 50 queria era esquecer-se da guerra e construir aquilo que tinha sido destruído pelos alucinados da geração anterior. E a coisa parecia simples e exequível. Mais despreocupada, a geração de 60, queria fumar umas ganzas, fornicar que nem martas e pôr em questão a autoridade e o sistema: as doses de LSD baralhavam-lhes a ordem de prioridades a ponto de eles não saberem se também queriam fornicar a autoridade, fumar as martas, e pôr em questão o sexo.
A geração de 70 nunca percebeu em que década é que estava: descambaram nuns baralhados crónicos que ainda hoje se tentam encontrar e deixam toda a gente perdida (vejam-se os exemplos de Sócrates, Santana, Portas e Louçã).
A geração de 80 deixou-se dessas merdas dos estupefacientes alucinogéneos, adoptou os de via nasal, esticou o cabelo com gel, segurou as calças com suspensórios e achou que ia dar um rumo a isto tudo, até que se lixou no crash bolsista de 87. Desapareceram de fininho que nem dinossauros. A geração de 90 criticou as gerações anteriores, mas não fez absolutamente nada que a marcasse como geração: foram uma espécie de híbridos atávicos a quem só faltava falar. A geração de 00 sofre de um estigma de si próprio: que contribuição é que alguém caracterizado por um duplo zero pode dar à sociedade? Não faço a mínima ideia... nem eles.

As minhas esperanças estão com a geração de 10. Estes têm todas as condições para 10pertar, 10envolver, 10cobrir, 10vendar tudo aquilo que os imbecilóides das 4 gerações anteriores não conseguiram. Haja fé.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Razões Estupidificantes

eleitoralistas
Inevitavelmente acabo por apanhar com tempos de antena dos nossos brilhantes partidos políticos em campanha. Normalmente faço zapping para outros canais menos engajados, mas ontem fiquei surpreendido com as razões políticas de um deles.
Sabemos bem que a razão política para a existência de um partido é, em última análise, o “tacho”. Nem vale a pena perdermos muito tempo com isto, porque estaremos certamente todos de acordo. Mas o que é curioso é a embalagem que os partidos dão ao “tacho”, procurando convencer (não sei bem quem) que a sua proposta política é nobre em ideais, e em intenções de transformar esta província desgovernada em qualquer coisa mais parecida com um país. Alguns partidos são menos inteligentes que outros em dar um conteúdo relevante às suas propostas, e a prova disso é o Partido da Nova Democracia.
Se houvesse um prémio para a embalagem política com pior design seriam estes alarves peçonhentos a ganhá-lo. Uns gajos que vêm para os seus tempos de antena dizer que a sua principal preocupação são as mulheres que decidem deixar de trabalhar para ser mães, tentando convencer-me que estas abraçam a maternidade como se de uma profissão se tratasse, exigindo um salário mensal para que estas estejam em casa a desempenhar a sua função de mães só podem estar a achincalhar-me, e a todo o eleitorado.
Estes palermóides desprovidos de ideias arranjaram o pior eixo de campanha que seria possível imaginar. Então agora as mulheres que decidem fazer nenhum e desatam a ter filhos que nem coelhos devem ganhar um salário mensal? Já agora porque não lhes dar uma carteira profissional, como as meretrizes histéricas dos jornalistas? E porque não também um Sindicato das Domésticas com Filhos? Estou a imaginar estas gajas a fazerem greve para serem remuneradas por horas extraordinárias quando estão acordadas até tarde à espera que os filhos voltem da discoteca. Tenham juizinho...
Que os partidos políticos são, principalmente nos dias que correm, verdadeiros baldes de estrume onde a única coisa que muda é a côr do balde, já toda a gente sabe. Mas isso não lhes dá a liberdade de acharem que podem gozar com o eleitorado. Este partido de tias dondocas, sem qualquer talento nem rendimento, merecia mesmo uma tribo de somalis que aparentasse os futuros filhos de todas estas senhoras em campanha eleitoral.

domingo, fevereiro 13, 2005

Razões Judaicas

judaismo
A história dos judeus tem sido descrita em muitos manuscritos eruditos como "algo que dá sempre merda". Mesmo os recentemente traduzidos pergaminhos do Mar Morto terminam com a palavra "cuidadinho". A ameaça da perseguição não foi compensada com a promessa de uma ocasional e simpática refeição com carne branca. O Novo Judaísmo retirará a ênfase do problema histórico para uma abordagem mais positiva. Até agora, ser os Eleitos só trouxe problemas. No Novo Judaísmo todos os eleitos receberão um pacote no valor de centenas de dólares em descontos em lojas da mesma rede.

Jon Stewart, in Nus de Pessoas Famosas

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

A Razão dos Garçons

garcon
Ontem estava a jantar num restaurante e não pude deixar de reparar num indivíduo ruidoso e mal disposto que tratava o empregado de mesa de uma forma execrável. Protestava por tudo e por nada, mandava comida para dentro, pedia outro vinho alegando que o que tinham trazido estava estragado, e mais trinta por uma linha que aquela alimária inventava para moer a paciência ao empregado. Este último mantinha uma postura irrepreensível, comportando-se como um mordomo inglês num Titanic a adornar. Imperturbável. A situação toda fez-me pensar que eu não teria perfil para uma profissão daquelas. Só de pensar que ia apanhar com aquelas aventesmas que usam o "oh pxxt pxxt!" para chamar alguém à sua mesa já me tira do sério. Não falando nas barbaridades que estes tipos têm de aguentar diariamente: os gajos que para não baterem nas suas mulheres, vão descarregar os maus fígados nos garçons; as complicadinhas que querem o prato x mas com os acompanhamentos y e z num pratinho à parte, mas sem tocarem um no outro, para não se misturarem; os paizinhos com crianças mal educadas que guincham que nem macacos e cospem tudo num perímetro de 2 metros; os velhotes que levam uma hora a decifrar a ementa enquanto se vão babando para cima da toalha e do prato vazio. Não. Eu definitivamente não teria a paciência de um garçon. Provavelmente teria a mesma atitude do empregado de mesa de ontem à noite: ficaria imperturbável, pegava no bife que ele mandou para trás, e calmamente limparia com ele os bordos da sanita da casa de banho pública mais próxima, antes de o colocar na frigideira para o voltar a servir. Se calhar até foi o que ele fez ontem ao energúmeno. Aquele sorrisinho sacana enquanto o outro comia o bife devia querer significar alguma coisa...

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Razão de Oportunidade

QI
Quando o vosso Q.I. baixar aos 30, vendam!

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

A Razão do Ciúme

ciumes
A 21 de Janeiro passado um homem dizimou a tiro a população da sua aldeia e suicidou-se, tendo deixado viva apenas uma habitante. São Xisto, uma das Aldeias de Portugal e Património Mundial, uma aldeia com 5 habitantes até 20 de Janeiro, passou a ter desde esse dia apenas 1 habitante, que fez as malinhas e abandonou a aldeia no dia seguinte. A razão disto tudo: cíume.
Recuemos umas horas antes do momento fatídico. Tudo parecia calmo na aldeia de 5 habitantes. Apenas 3 casinhas tinham as luzes acesas: o casa do casal Silva, a casa do casal Bastos, e a casa de Abília Pereira. Estes 5 habitantes viviam na aldeia desde sempre, e conviviam como uma verdadeira família, daquelas famílias onde todos se dão bem.
Mas naquele fim de tarde invernoso, Jesuíno Silva, de 60 anos andava mal disposto e desconfiado. Tinha começado a aparecer-lhe um furúnculo na têmpora direita e aquilo para ele só podia significar uma coisa: A Maria Alberta, sua vigorosa mulher com uns belos 64 anos, andava a encorná-lo. Ele não lhe conhecia tendências lésbicas, e o único homem na aldeia para além dele era o vizinho e amigo Felisberto Bastos, de 77 anos, com quem convivera toda a vida. Ali havia marosca, pensava Jesuíno acariciando o furúnculo. Ainda pensou em ter uma conversinha com a mulher do amigo, para tirar dúvidas. Mas quanto mais pensava nisso mais se enervava e, num impulso, pegou na arma desceu a rua, entrou na casa dos vizinhos Bastos e arrumou sumariamente, e sem abrir a boca, a mulher que o cumprimentou à porta e o homem que tentava puxar de uma arma para se defender. Depois regressou a casa, calmamente e em silêncio, aproximou-se da sua mulher e descarregou a sua caçadeira, deixando o último cartucho para si. Sentou-se na cama. Apontou a arma à base do queixo, e salpicou de cinzento e vermelho o tecto do quarto. Fim da história.

O ciúme é dos sentimentos mais destrutivos que conheço. E não vale a pena virem dizer-me que, em pequenas doses, até pode ser saudável. Seja em que formato fôr: dose, meia dose ou num pirezinho, o ciúme é um sentimento negativo e auto-alimentável. Se um dia sentirem ciúmes de alguém recomendo vivamente que visitem um especialista que vos trate da auto-estima, ou participem num corso carnavalesco no sambódromo do Rio de Janeiro, com o mínimo de indumentária possível s.f.f.

Nota: a história é verídica, mas os nomes foram alterados por respeito às vítimas.

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Razões Bacoco-Subversivas

politico
Andaram uns comediantes por aí uma noite destas a colar narizes de palhaço nos cartazes dos candidatos a primeiro ministro. Colaram-no no de Santana Lopes. Colaram-no no de Paulo Portas. Colaram-na no de Sócrates. Colaram-no no de Francisco Louçã. Mas curiosamente, no cartaz de Jerónimo de Sousa não tocaram. Ali ficou ele, com a sua trombinha laroca, intocável. Toda a gente achou que aquilo tinha sido obra dos comunistas, claro. Mas seria tudo muito evidente se assim fosse, não?
Existem várias versões para o que aconteceu naquela noite:
- O grupo anarquista que levou a cabo a acção não conseguiu encontrar o único cartaz de campanha do Jerónimo de Sousa.
- O grupo de extrema direita que colou os narizes achou que o Jerónimo já tinha cara de palhaço e desistiu de reforçar esta triste realidade.
- O grupo de donas de casa indignadas que colou os narizes procurou os cartazes de Carvalhas e não os encontrou.
- O grupo de kosovares ilegais enganou-se no número de narizes e colaram tudo antes de chegarem ao único cartaz de Jerónimo de Sousa.
- A tribo de somalis que colou os narizes nutre uma especial afeição especial pelo Jerónimo e por todos aqueles velhotes ex-revolucionários, de próstata titubeante.

Uma destas hipóteses está correcta... mas qual? Eu tenho cá as minhas suspeitas.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

A Razão da Mediocridade

mediocres
Anda por aí muita gente desencantada com a qualidade dos nossos políticos, dos seus discursos, e da sua inequívoca e manifesta mediocridade. Sinceramente não percebo a razão deste tipo de sentimento. Afinal de contas uma das principais matérias primas desta novela mexicana chamada Portugal é precisamente a mediocridade. Nunca vi nação europeia gerar tanto medíocre por metro quadrado. E pior: não conheço nenhum país que a estimule e alimente de forma tão consistentemente sistemática, a ponto de ser desviante não alinhar nesta paródia decadente. Os medíocres protegem-se uns aos outros de tudo o que cheire a competência, brilhantismo ou genialidade, e funcionam como um antibiótico intelectual: tudo o que possa perigar a sua condição de medíocre tem que ser paulatinamente erradicado. Esta patologia não é nova - o Estado Novo, por exemplo, aproveitou-se muito bem desta característica nacional e exponencializou a coisa de tal forma que o resultado é aquele que conhecemos nos dias de hoje. Pessoalmente acho que não se deve levar muito a sério aquele conselho de Cavaco Silva que "os competentes deveriam afastar os incompetentes". Acho uma má ideia. Então e depois quem é que ficaria cá para desgovernar esta província? Tenho uma solução melhor para estas aventesmas badalhocas: naturalizem-se espanhóis e vão para lá nivelar a coisa por baixo, como fazem diariamente aqui. Podem voltar cá em férias (mas só nas de carnaval, seus palhaços!).

domingo, fevereiro 06, 2005

Razão de Força Maior

grafiti
Em rio cheio de piranhas, o jacaré nada de costas.

sábado, fevereiro 05, 2005

Razões Pouco Originais

chupistas
Weblogs. Diários na Internet. Esta foi a origem da palavra blog. Houve um artista que se lembrou de dar uma utilidade à sua homepage e começou a escrever o seu dia a dia numa página de internet. Como estávamos na era do voyeurismo, amplificada pelos Big Brothers da vida, a coisa teve sucesso: há sempre alguém a querer coscuvilhar a intimidade de outrém.
A ideia inicial do blog até era original e criativa, mas depois começou a descambar. Começaram a aparecer os gajos e gajos que, na sua adolescência ou nas suas crises conjugais, povoavam o IRC com aquelas conversas construtivas como a merda, e o sentido original do blog alterou-se. Nalguns casos para melhor, mas na maior parte dos casos para pior.
E por cada blog que nos diverte, ou que nos provoca, ou que nos faz pensar, há umas valentes centenas de autênticas bostas sem um único pensamento original, sem uma pontinha de inspiração, tão desinteressantes quanto as pessoas que os escrevem.
Destes últimos que referi, os que não suporto mesmo são aqueles blogs que consistem em colagens de coisas que apanham noutros blogs, ou noutras homepages. São uma espécie de sanguessugas pegajosas que se alimentam da criatividade de outros. Fazem lembrar aquelas pessoas que decoram phrasebooks e opiniões alheias para parecerem mais interessantes. Anões às costas de gigantes. A essas bestas desinspiradas e decalcadas intelectualmente só posso recomendar uma coisa: se gostam de fazer colagens, desliguem o computador, comprem montes de jornais e revistas, peguem numa tesourinha, em cola e cartolina, e brinquem sózinhos. Podem mostrar depois aos vossos amigos, ok? Ao menos esses não serão tão honestos quanto eu a dizer-vos o que é que acham da linda merda que vocês exibem.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Razões Distantes

serach1
A meio do dia de ontem reparei que não estavam lá, no sítio onde normalmente as apanho. Não liguei, achei que tinham ido dar uma volta e que regressariam mais tarde. Mas não. O tempo passava e nada. Nem sinal delas. Comecei por procurá-las dentro de casa. Vi debaixo da cama, por detrás dos reposteiros, dentro dos armários, na cave. Népia. Liguei a televisão e vi dois palhaços a degladiarem-se, à espera de um polegar levantado no coliseu eleitoral. De certeza absoluta que ali elas não estavam. Acabei por sair de casa e passear no jardim em frente, podia ser que estivessem para ali sentadas num dos bancos a dar de comida aos pombos. Mas nem os pombos lá estavam. Desci a rua e peguei no carro. Conduzi um bom par de horas pela cidade, olhando nervosamente para os lados enquanto, ao mesmo tempo, ligava do telemóvel para as esquadras de polícia e para os hospitais. Até cheguei a ligar para a morgue. Ninguém fazia ideia onde elas andavam. Por uns momentos pareceu-me tê-las visto de relance depois de um cruzamento. Mas não, falso alarme. Já noite dentro acabei por desistir - provavelmente foram de fim de semana mais cedo, pensei. E pensando nisto publiquei o último post da semana, desta vez sem razões.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

A Razão da Bissexualidade

biss
Ser bissexual aumenta as probabilidades de se conseguir um engate aos sábados à noite.

Woody Allen

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

A Razão da Saudade

saudade
Há quem ache que se há por aí uma coisinha que deviam elevar a património da humanidade, não é Marvão (um dos candidatos) nem o Fado (outro dos candidatos e sujeito de uma das Razões anteriores), mas a Saudade. Esta é, na opinião de muitos e sem sombra de dúvida um património nacional que devia pertencer ao mundo. Naturalmente que este é um raciocínio de pura retórica nacionalista. Quem somos nós para franchisar o significado de uma palavra? Uns palermas armados em exclusivistas que pensamos que lá porque inventámos uma palavra que significa um sentimento, temos o direito e o topete de achar que o significado é nosso? Desenganem-se amiguinhos. Então vocês acham que só os portugueses é que percebem o que é sentir falta de alguém, de um momento, de algo que experienciámos um dia e que muito dificilmente voltaremos a experienciar? Tenham juízo…
A saudade, elevada a um nobre sentimento nacional com aspirações mundiais, é uma verdadeira fraude. É a prova de que nós achamos que somos diferentes dos outros só porque arranjamos uma maneira diferente de dizer que sentimos falta, que estamos nostálgicos. Os russos também achavam que eram os “donos” da Nostalgia só porque um cabrão de um realizador chamado de Tarkovski decidiu cristalizar o sentimento num filme onde mostrava (à boa maneira secante de Manoel de Oliveira) um plano de uma janela onde durante 10 minutos consecutivos só chovia lá fora e mais nada se passava. Os povos têm destas merdas. Acham que é tudo deles.
Se querem elevar um sentimento lusitano a património mundial que o façam com a inveja. Esse sim, move a nação toda. A saudade é apenas uma paneleirice inventada por um grupo de gajos que nunca estão satisfeitos com aquilo que têm, e que só arranjam satisfação naquilo que perderam e nunca mais vão ter. Saudade para mim é uma canção da Cesária Évora, e o resto é retórica.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

A Razão do Jornalismo

reporter
Muitos de vós acham que nutro um ódio muito especial pelos professores, esses javardolas sem um único pensamento original. Devo dizer-vos que não é verdade. Se há por aí uma profissão que me causa engulhos diários e me predispõe para o assassínio de massas é o jornalismo.
Durante uns tempos o jornalismo pareceu uma profissão nobre, democratizante, e de alguma maneira reguladora de um determinado sentido humanista para a sociedade. Na realidade os jornalistas são umas meretrizes histéricas ao serviço do gajo que paga mais. Assistimos hoje em dia aquilo que de mais básico que o jornalismo tem para oferecer à sociedade: a vulgaridade, a javardice bacoca, a exploração da miséria humana, e o gosto pela audiência. O jornalista transformou-se numa besta vaidosa cuja única razão de existência é o rating televisivo ou venda média em banca. Portanto o que está aqui em causa não é promover o esclarecimento, mas sim enviezar a opinião pública em função do grupo económico que lhes paga a sopa. Tendo isto em mente sou a favor que se peguem em todos os jornalistas deste país e que os ponham a render em Monsanto ou noutras zonas do país onde o putedo possa levar a cabo a sua função de servir de válvula de escape para os males do mundo. A prostituíção devia ser finalmente legalizada, bastando para isso ostentar uma carteira de jornalista (afinal qualquer profissão que tenha uma carteira serve para quê? Para a encher, provavelmente…).