quinta-feira, maio 05, 2005

A Razão do Queixume

queixa
Na maior parte dos países que conheço o acto de reclamar é algo assertivo. Nesses países as pessoas reclamam e é suposto acontecer alguma coisa. Existem até gabinetes especializados na recepção e gestão das reclamações. Ali, a reclamação é entendida como a denúncia de alguma coisa que não está bem com o intuito de a corrigir. O próprio acto de fazer a reclamação tem uma designação formal, chama-se “apresentar uma queixa” ou “apresentar uma reclamação”.
Em Portugal a reclamação não existe. Os portugueses têm, no entanto, um sucedâneo pobre da reclamação, vulgarmente designado por queixume.
O queixume é uma queixa para a qual não se exige nenhuma solução. É a queixa inconsequente e sem solução à vista. E portanto o objectivo do queixume é podermo-nos queixar e reclamar conformadamente sabendo de antemão que nada irá resultar desse acto. A reclamação está para a dor de cabeça tal como o queixume está para a moínha irritante que não tem intensidade suficiente para nos levar a tomar um comprimido, mas que ainda assim nos vai chateando.
A reclamação é feita de peito cheio, voz grossa, e murro na mesa. O queixume é feito a pedir desculpa, de forma balbuciante e com pézinhos de lã.
Sempre acreditei que o desenvolvimento de um povo é largamente influenciado pela capacidade que esse povo demonstra em autocorrigir-se, e autoaperfeiçoar aspectos que considere merecedores de correcção. A reclamação tem essa virtude de mudar o status quo de um povo. O queixume não. É uma manifestação de impotência e falta de iniciativa. É o “lusitanian way of life” amplificado por duas gerações que não estavam autorizadas a abrir a boca.

quarta-feira, maio 04, 2005

A Razão dos Gambuzinos

gambuzino
A minha primeira caçada aos gambuzinos aconteceu pelos tempos em que eu andava ainda na escola. Convidaram-me e explicaram-me. Até me ofereceram o saco conveniente e necessário.
Excitado, preparei-me em casa. Treinei devidamente, emboscado atrás da porta, a tentar caçar experimentalmente o meu pai, que subia a escada. Pareceu-me que não gostou. Os pais, não é...?
Na noite da caçada, lá fomos. Eu entusiasmado, com a lanterna e o saco apropriado. E também a moca que estava atrás da porta, que à noite há ladrões, foi a justificação que me veio à cabeça no momento. Todos concordaram.
Mas não me venham dizer que não há gambuzinos. Apanhei três. Um deles parece-me que se chamava António André e ficou coxo. Ainda está, creio. Uma fractura excelente, mesmo pela rótula.
Tudo me leva a crer que a caça aos gambuzinos é realmente importante. Temos que apanhá-los. Temos mesmo. Seja lá como for.

terça-feira, maio 03, 2005

A Razão do Stress

stress
Há 230.000 anos atrás habitou neste planeta uma espécie hominídea designada por neanderthal. Pelo nome poderia deduzir-se que era alemão, mas não (se bem que quando olho para os alemães me vem à cabeça o neanderthal), só se chama assim porque o primeiro fóssil deste espécime foi encontrado na região de Neanderthal, perto de Dusseldorf. Os Neanderthais tinham uma vida lixada: vestiam-se com peles de animais, viviam em condições precárias, não tinham canalização, as hipóteses de carreira eram diminutas (principalmente depois de terem chegado os Cromagnons) mas ainda assim os neanderthais não tinham stress. Não existem registos de um neanderthal stressado.
Viriato, um pastor dos Montes Hermínios, que ficou conhecido entre as legiões romanas como o Che Guevara lusitano, fez a vida negra ao Império Romano utilizando um tipo de combate que na altura se chamava “toca e foge” (hoje chama-se “guerrilha”) não se conhecendo quaisquer sintomas de stress. É certo que se enervava de vez em quando, mas nada que uns murros no tampo da mesa não resolvessem.
Afonso Henriques, conhecido por arrear na mãe à grande e à francesa (na bela tradição borgonhesa herdada de seu pai) também não tinha stress. Ao mínimo sintoma de ansiedade montava no seu cavalo e ia fundar. Fundar, naquele tempo, era sinónimo de andar à porrada com os mouros.
O stress é um sintoma que parece ausente da nossa história. Inexplicavelmente. Seria de supôr que embarcar numa casquinha de noz em direcção ao nada durante meses criasse stress; ou defender um império numa altura em que o total da população não excedia o milhão e meio de pessoas: os poucos gajos que ficavam a defender os postos avançados em África, na Índia ou no Brasil contra os ataques dos holandeses, dos espanhóis ou dos corsários ingleses, deveriam ter um bocadinho de stress. Mas não. Stress foi coisa de que nunca se ouviu falar. Por tudo isto é que fico surpreendido que hoje em dia se fique com stress à mínima contrariedade: perdi o autocarro – stress; não consegui apresentar o trabalho a horas – stress; tenho o telefone a tocar de minuto a minuto – stress; tenho uma turma de meninos irrequietos – stress; apetece-me fumar um cigarro no avião – stress; mas que paneleirice é esta? Está tudo com falta de problemas? Querem lá ver que tenho que me stressar?

segunda-feira, maio 02, 2005

A Razão do Efeito Pigmaleão

Labirinto

Há uns anos atrás, numa universidade dos Estados Unidos, testou-se a influência do Efeito Pigmaleão no desenvolvimento dos indivíduos. A cada um dos estudantes que participou no estudo foi dado um rato de laboratório e um labirinto. A ideia era fazer com que os ratos aprendessem a sair do labirinto.
A metade dos estudantes foi dito que o seu rato era estúpido e que teriam que ter paciência, porque provavelmente este iria levar algum tempo até aprender onde é que era a saída. A outra metade dos estudantes foi dito o contrário: estavam na posse de ratos extremamente inteligentes que muito provavelmente iriam achar num ápice a saída do labirinto. Na realidade não havia diferenças entre os ratos, eram todos estúpidos como só um rato pode ser. Mas os estudantes não o sabiam.
Curiosamente os ratos “inteligentes” descobriram rapidamente a saída e aprenderam facilmente o caminho a tomar dentro do labirinto. Os ratos “estúpidos” levaram muito mais tempo quer a descobrir, quer a aprender o caminho. A experiência foi um sucesso, estava provado o Efeito Pigmaleão.
Ora se não existiam diferenças entre os ratos porque é que os supostamente inteligentes foram de facto os mais inteligentes? Porque, segundo diz a teoria, as expectativas e a percepção que temos relativamente a determinadas coisas ou indivíduos, mudam a nossa maneira de nos relacionarmos no sentido de alinharmos a realidade com o modo como a vemos. O que aconteceu foi que os estudantes que tinham os ratos “inteligentes” falavam com eles, estimulavam-nos mais, recompensavam-no com mais frequência, e tinham muito mais paciência para os ensinar que os estudantes que ficaram com os ratos “estúpidos”: já estavam à espera que o rato fosse uma besta e portanto nem os tratavam bem, nem se esforçavam minimamente para lhes ensinar a saída.
Lembrei-me do Efeito Pigmaleão ao ler hoje uma notícia no jornal onde perguntavam aos portugueses quais as suas expectativas para os próximos 12 meses. Para além
daquelas bestas que não sabem e não respondem (9%), só 27% é que acreditam que a sua situação económica vai melhorar. A crise continua. E depois queixem-se…

sábado, abril 30, 2005

sexta-feira, abril 29, 2005

A Razão do Blogueiro

blogger
Ontem à noite tive o prazer de ouvir uma das teorias mais originais sobre os bloggers e a blogosfera. Estava a jantar com amigos quando um deles decidiu sabiamente partilhar comigo a sua perspectiva sobre tudo isto. “A blogosfera” dizia ela “é um antro de exibicionistas e voyeurs. Basta irmos à origem do conceito de blog, onde alguém decide expôr a privacidade do seu dia a dia numa página de internet, para percebermos que cada blog é uma extensão virtual da Quinta das Celebridades.”
Enquanto ela falava o meu olhar vagueou pela garrafa de vinho. Imaginei o que aconteceria se lhe espetasse com aquilo na tromba. Imaginei os vidros a estilhaçarem-se à minha frente, em câmara lenta, enquanto ela tombava de costas, para cima da mesa ao lado, onde um casal romântico jantava à luz das velas. Desisti. O vinho era demasiado bom para ser desperdiçado daquela maneira. E ela continuava:
“O blog só é um fenómeno com cada vez mais adeptos porque a televisão despertou o interesse generalizado pelo voyeurismo idiota, de gente que não tem interesse nenhum, e que esconde atrás de um blog as suas vidas vazias e desinspiradas.”
Pensei se seria demasiado inspirado da minha parte pegar na terrina que tinham acabado de trazer para a mesa e despejá-la por cima da minha esclarecida interlocutora. Mas optei apenas por me recostar na cadeira, perguntando-lhe “Mas diz-me lá o que queres dizer com isso dos flashers e dos voyeurs?”
Ela deu um gole na taça de vinho e continuou: “Para mim escrever um diário, ou um poema, ou outra porcaria qualquer na internet é um acto exibicionista. Se não o fosse as pessoas não teriam a necessidade de mostrar aos outros. Do outro lado tens os voyeurs: tens imensos deles sempre a comentar o que está escrito, fora os que só lêem e não dizem nada…”
Pensei mais seriamente no que ela tinha dito. Tinha acabado de ser rotulado de exibicionista e voyeur (também leio uns blogs de vez em quando; também deixo comentários nos blogs dos outros). E então decidi responder-lhe. Levantei-me calmamente, despi a gabardine e fiquei nu, de frente para ela. Agora ela tinha razão: aquilo sim, era exibicionismo puro, e ela uma grandessissima voyeur!

quinta-feira, abril 28, 2005

A Razão do Relato

relato

O relato desportivo é daquelas coisas que me enervam de sobremaneira. Que raio de profissão é aquela, cujo desempenho consiste em explicar aos outros exactamente aquilo que eles estão a ver? Ver um relato de futebol na televisão é um suplício: se quero ouvir os sons do estádio (que até dão emoção às jogadas, tipo banda sonora dos filmes de terror), tenho inevitavelmente que levar com um ou dois mongos a explicarem-me que o jogador que tem a bola é o fulano de tal, e que a passou para o beltrano de tal, que por sua vez a rematou à baliza de cicrano de tal. Nada que eu não esteja a constatar ao mesmo tempo. E o que dizer de um relato de fórmula 1? Fulano vai à frente de beltrano, beltrano vai mudar de pneus, beltrano mudou de pneus, beltrano está a usar pneus de chuva – tudo informações inéditas que se eles não me dissessem (e se eu não estivesse a olhar para a televisão) nunca iria saber...
Algures na transição da rádio para a televisão, alguém se esqueceu que os relatadores, agora pomposamente chamados de comentadores, perderam a sua razão de ser. São redundantes. Obsoletos. Estupidificantes.
Ter um gajo a dizer-me através de um transistor o que se está a passar num jogo de futebol que eu não estou a ver é uma coisa que me faz algum sentido. O relatador radiofónico, em toda a sua histeria, faz sentido. Agora eu estar a ver um jogo na televisão e ter um gajo a explicar-me o que se está a passar é que não faz sentido nenhum. Porque raio é que existe o relatador televisivo? Será que eles duvidam que os telespectadores estejam a perceber o que se está a passar? Será que se não houvesse um relatador televisivo iríamos chegar ao fim do jogo profundamente baralhados sem saber o que tinha acontecido naqueles 90 minutos? Se o problema é dar emprego a essa gente, o melhor seria mandá-los relatar os acontecimentos da Quinta das Nulidades, naqueles momentos em que eles abocanham as partes baixas uns dos outros, no celeiro. Podia ser que dessem mais emoção ao programa. Ou não...

quarta-feira, abril 27, 2005

A Razão do Feng Shui

yinyang
Depois de ter sido verdadeiramente massacrado por um amigo arquitecto, que insistiu que eu me devia imbuír do espírito de Feng Shui para criar energias positivas numa vida que não me andava a correr lá muito bem, decidi fazer algumas alterações na minha casa, seguindo rigorosamente os seus ensinamentos:
Na entrada pendurei um Ba Gua raso. Não fica lá grande coisa e dá um ar folclórico à entrada mas é suposto ser um catalizador de excelentes energias. Disso e do couro cabeludo que lá deixei por ter pendurado aquela merda muito baixo.
Na maçaneta da porta de entrada pendurei 3 moedas chinesas numa fita vermelha, para atraír “dinheiro auspicioso”. Passam a vida a roubar-me as moedas, e eu passei a ser o melhor cliente da loja dos chinocas na esquina do meu prédio.
Comprei dois cães Fu em porcelana que coloquei do lado de fora da porta, um de cada lado, para guardar a casa. Os vizinhos gostam de lhes mandar uns violentos pontapés.
Instalei um pequeno lago artificial na varanda da casa, onde coloquei 8 peixinhos dourados e um peixinho preto. Era suposto o peixinho preto atraír tudo o que é negativo e indesejável, mas o sacana do peixe desatou a comer os peixes dourados e eu gasto uma fortuna a substituí-los todas as semanas. O peixe preto está tão bem alimentado que a varanda já começou a dar de si.
Nas traseiras da casa, na ponta do lado esquerdo, mandei construír uma cascata ruidosa. A cascata é suposto fazer correr mais dinheiro. E aparentemente funciona: com as indemnizações que os vizinhos me pediram a minha conta bancária parece mesmo um rio a escoar.
Dispus plantas de flor vermelha ao longo do corredor, em grupos de 3, até à porta de entrada. Já escorreguei várias vezes na merda das folhas e na última das quedas deixei de poder virar o pescoço para a direita. O ortopedista diz que é permanente.
Apontei uma luz no lado de fora para a minha porta de entrada de modo a estar iluminada durante a noite. Desde então passo a vida a explicar aos bêbados locais que a minha casa não é um bar de alterne.
Atestei todas as divisões da minha casa com plantas de folhagem verde em formas de moedas. Ainda estou para perceber que porra de efeito é que faz a forma da merda das flores.
Para criar um constante fluxo de energia mudo a minha mobília de sítio todos os dois meses. Um processo cansativo, e que requer muita energia para levar em ombros aquela porcaria toda. À conta disto, os vizinhos do andar de baixo fazem manifestações violentas à porta de minha casa e destroem-me sistematicamente os cães Fu.
Frequentemente limpo os meus armários da roupa, que ofereço à minha empregada ou a instituíções de beneficência. Segundo o Feng Shui manter roupa usada no armário interfere nas energias, tipo “bate na válvula e volta pra trás”. Estou a ficar sem grandes opções de escolha, vou ter de ir aos saldos brevemente.
Deixei de ouvir os Da Weasel e agora só ouço música com sons de floresta, de mar, ou de chuva a caír. Junto-lhe uns pauzinhos de insenso para dar um cheiro relaxante ao ambiente. A polícia já me entrou pela casa adentro algumas vezes julgando tratar-se da sede de uma seita Koreshiana. Pouco falta…
Pintei a minha caixa de correio com flores de cores garridas. Ficou foleiro à brava, mas assim não corro o risco de receber más notícias.
Retirei o espelho do tecto do meu quarto (mas mantive a cama redonda) e acrescentei espelhos em todas as divisões pequenas da casa, para criar uma maior sensação de espaço: confesso que ainda não me habituei a ver-me ao espelho enquanto estou sentado na pia.
Era suposto eu estar em paz e em perfeita harmonia com o que me rodeia, atravessado por uma onda de energia inexplicavelmente tranquilizante, mas não! Estou uma pilha de nervos, a minha casa parece ter sido decorada pelos chineses contorcionistas do Circo Chen, os vizinhos dão-me cabo da cabeça, o peixe negro já parece uma toninha, e a minha vontade é de contratar uma tribo somali feng shungueira que dê um andar diferente ao meu amigo arquitecto. Raizupartam!

terça-feira, abril 26, 2005

A Razão do Caso

caso

Há palavras lixadas no vocabulário nacional. Daquelas que têm tantos sentidos que deixam um estrangeiro esquizofrénico e só são entendidas em contexto pelos nacionais porque na realidade a esquizofrenia faz parte da nossa portugalidade. "Caso" é uma dessas palavras. A aplicação desta palavra em contextos diversos assume significados múltiplos que só os portugueses conseguem descodificar.
“Ter um caso”, por exemplo, implica necessariamente a presença de alguém que partilha esse caso connosco. Para se ter um caso, tem que se ter um caso com alguém. Nunca se pode ter um caso sózinho, ou na pior das hipóteses pode-se, mas teremos simultaneamente de “ser um caso clínico”.
Quando dizemos “um caso sério” já não estamos a falar de relações fortuitas entre pessoas, porque “ter um caso” é algo que, supostamente, não é sério. Se fosse sério não seria um caso. Seria uma relação. Isto significará portanto que qualquer relação é “um caso sério”.
“Não fazer caso” é algo que fazemos sózinhos sem que nos acusem de padecer de qualquer desarranjo mental desviante. Mas é algo que não podemos fazer numa relação sob pena de nos acusarem de falta de atenção. Se tiverem uma relação, sigam este conselho: façam muito caso, mas daquele sério ok? Porque se fôr do outro não terão essa relação por muito tempo. Adiante…
“Estar a trabalhar num caso” não significa estar a arrastar a asa a alguém. Implica desenvolver um profissão normalmente ligada à área jurídica, ou de investigação policial. Se ter um caso é algo que se desenvolve como exercício de lazer, trabalhar num caso implica uma especialização profissional.
O caso também pode ser entendido como causa para um determinado efeito. E aí chama-se “caso para isso”. Por exemplo, um homem descobre que a sua mulher teve “um caso” com o padeiro, fica muito enervado, acha que aquilo é um “caso sério” e fica prontinho para arrear um camaçal de porrada naquele cabrão enfarinhado. É nessa altura que um amigo lhe diz “Oh pá, não é caso para para estares tão enervado, deixa lá as coisas connosco que a gente esta noite rebenta-lhe com a padaria toda”. Se o cornudo “não fizer caso”, alguém no dia seguinte vai “trabalhar no caso” da padaria que implodiu no centro da cidade. E explicar isto tudo a um estrangeiro?

segunda-feira, abril 25, 2005

A Razão da Moda

moda
Não existem razões funcionais para que um automóvel mude de forma constantemente. Obedecendo ao princípio de que a forma está subjugada à função, cada Chrysler era fabricado com um tecto alto, de modo a que se pudesse usar chapéu enquanto se conduzia. Naquele tempo as pessoas finas usavam chapéu. Resistindo à tendência de comercializar automóveis mais rasteirinhos e esguios, o patrão da Chrysler chegou a afirmar que "fabricava carros para as pessoas se sentarem neles, e não para mijarem em cima deles" (sic). A Chrysler quase faliu por ter ficado fora de moda.
A moda, como sabem, é algo que rapidamente fica fora de moda. É uma atracção efémera por um estilo particular, numa altura específica, por um determinado número de pessoas. É uma atracção deliberadamente criada com intuitos comerciais por seres inexplicavelmente perversos, à semelhança daqueles milhares de chineses que decidiram usar aquelas batas Mao Tse Tung do avesso.
Os autores de Recueil de Décorations Intérieures, uma obra escrita durante a Revolução Industrial, queixavam-se que a moda era ditada pela produção em massa agravada por uma obsolescência compulsiva - um efeito atribuído à comercialização selvática a que já nos habituamos. Mais recentemente, numa feira de mobiliário em Milão, um dos participantes anunciou pomposamente o lançamento de um novo modelo de cadeira: "uma cadeira onde nos podemos sentar!" E depois desatou a elaborar "... alusiva de uma forma tipologicamente tradicional, esta cadeira é um objecto hermeticamente concebido como um símbolo profundamente enraízado no nosso passado".
Esta malta droga-se... Mas inequivocamente a moda torna-nos prisioneiros de um estilo e de uma época, numa espécie de vida suspensa tranquilizadora, e sem os sobressaltos de termos que penosamente decidir o que vamos vestir amanhã.

sexta-feira, abril 22, 2005

A Razão do Conclave

conclave
Esta razão vem um bocadinho fora de prazo, mas ainda assim não deixa de ser uma boa razão. Passei a última semana a ouvir falar do conclave dos cardeais do Vaticano sem saber exactamente o que o termo significava. Isto até um amigo italiano me ter explicado a razão do conclave, que vou generosamente, à boa maneira cristã, partilhar convosco.
Há alguns séculos atrás a sucessão do Papa não resultava de um comité de cardeais esclerosados a resvalar para um caixão. Não... o Papa era designado pela nobreza. Os nobres é que decidiam quem ia passear no papamóvel. Como a corrupção era mais que muita, e os reis eram obrigados a pagar uma pipa de massa ao seu candidato (um bocadinho à semelhança do financiamento das campanhas eleitorais hoje em dia), a nobreza decidiu que já não estava para dar de mamar a meninos e decretou que o próximo Papa seria designado pelos seus pares. Os cardeais teriam que chegar a acordo e eleger um deles para gerir os destinos de todas as alminhas perdidas deste mundo. E assim foi: os cardeais deliberaram, deliberaram, deliberaram... e os meses foram passando. Seis meses depois ainda estavam os gajos a deliberar. A nobreza, que já estava farta da inépcia natural da Igreja em tomar decisões por conta própria, decidiu então acelerar o processo. Para fazer com que os cardeais tomassem uma decisão rápida fechou-os
à chave na Capela Sistina e deixou-os por lá a pão e vinho até que tomassem a sua decisão. Milagre dos milagres, quiçá iluminados pela Divina Providência, os cardeais conseguiram, em 48 horas, chegar à conclusão de quem seria o próximo Papa. Estava criado o conclave.

Segundo o Bufas, eu fui enganado pelo italiano, e isto é tudo uma grandessissima e vergonhosa mentira.

quinta-feira, abril 21, 2005

Razão Perspectivada

perspectivada

Embora vejamos o sol nascer a Este e pôr-se a Oeste, sabemos hoje que são os anjos que laboriosamente fazem a terra rodar à volta do sol. Há muito tempo atrás toda a gente achava que era o sol que rodava em torno da Terra. Pessoalmente acho razoável ter-se acreditado que assim o era, uma vez que acordávamos todos os dias com o sol a nascer a Este e, enquanto íamos vivendo as nossas vidinhas, ele passava por cima das nossas cabeças para desaparecer a Oeste.
Enquanto algumas ilusões parecem reais, outras são sentidas como sendo mais reais.
A Terra roda sobre si própria todas as 24 horas à velocidade de 1.000 milhas por hora. E orbita em torno do sol à velocidade de 66.000 milhas por hora. Se juntarem as velocidades de rotação e translacção terão viajado 550 milhas desde que começaram a ler este post. Ou, pondo as coisas em perspectiva, vocês neste momento estão a viajar no espaço à velocidade de 18,5 milhas por segundo: mais rápidos que uma bala. Um bom dia para vocês.

Buckminster Fuller

quarta-feira, abril 20, 2005

A Razão Papável

papavel

Vi há uns dias na SIC os resultados de uma sondagem onde perguntavam aos telespectadores portugueses que nacionalidade é que estes achavam que o novo Papa devia ter. Surpresa das surpresas, a nacionalidade portuguesa foi a escolha de 82% dos telespectadores. Para uma sondagem imbecil temos aqui um resultado idiota. Porque raio existem 18% de inquiridos que não querem um Papa luso? Será porque desconfiam tanto do poder de gestão dos conterrâneos que nem para gerir as alminhas dão uma abébia a um tuga?
Seja como fôr acho que os portugueses são recorrentemente chamados a pronunciar-se sobre tudo e mais alguma coisa. E o pior de tudo é que se pronunciam mesmo, sem pudores, sobre os assuntos mais estúpidos: deverá o primeiro-ministro morar em S.Bento ou continuar a viver na sua casa? Deverá o presidente ingerir na governação do país a seu bel prazer e fazer jogadas políticas manhosas? Deverá o Mourinho vir treinar a selecção portuguesa antes ou depois do desaire do próximo Mundial? Deverá haver um próximo Mundial?
Por mais inconsequente que seja a sondagem, lá estão os portugueses a votar como se não houvesse amanhã, completa e boçalmentemente alheios à quantidade de dinheiro que gastam nos sms de resposta, e cientes que, qualquer que seja a conclusão da sondagem, a sua opinião não servirá para coisa nenhuma.
O que é estranho é não ver este empenho opinativo em situações em que a sua opinião pode mudar o curso das coisas: vejam-se as eleições legislativas e a quantidade de gente que se abstem de ir às urnas, vejam-se as eleições autárquicas com uma abstenção superior às anteriores, e mais grave, vejam-se os referendos nacionais e a fraca participação que estes têm. Na realidade os portugueses não querem sentir-se responsáveis. Votar em sondagens bacocas é porreiro porque dali não há-de vir mal nenhum ao mundo. Votar em coisas que podem mudar o estado das coisas é que não pode ser! Livra! Imaginem que a coisa dá certo? Os portugueses vão queixar-se de quê?

terça-feira, abril 19, 2005

Razão Equivocada

equivocada

Um homem morre e acorda num mundo estranhamente etéreo. Ao passear por ali descobre um velho com uma boazuda curvilínea sentada no seu colo. Lindissima.
"Isto é o paraíso" exclama o homem.
"Não" responde o velho "Isto é o inferno, e eu sou o castigo dela".

segunda-feira, abril 18, 2005

Razão Metafísica

metafisica

Barrem com manteiga uma fatia de pão. Atem a fatia de pão no lombo de um gato, deixando para cima o lado com manteiga. Atirem o gato pela janela. Cairá o gato de pé? Ou cumprir-se-à a Lei de Murphy?

sexta-feira, abril 15, 2005

A Razão da Correspondência em Cadeia

70000461

Há muitos muitos anos atrás, ainda o marketing era um conceito esquisito destinado a dar emprego a uma chusma de inúteis (interessante ver como ainda hoje este conceito não mudou) um empregado dos correios, ao ver que o número de correspondência diminuia a olhos vistos por causa da maior popularidade do telefone, teve uma ideia perversa: escreveu uma cartinha que viria a tornar-se um fenómeno de sucesso, assegurando o emprego de muito carteiro por esse mundo fora. A cartinha dizia, grosso modo, que era portadora de sorte a quem a lia e a enviava para 10 pessoas (incluíndo uma moeda de centavos, para dar um ar credível à coisa). Dizia também que quem não a enviasse iria ter uma incalculável maré de azar. Quem terminasse a cadeia de correspondência estava, em suma, condenado a ser um verme desgraçado para o resto dos seus dias, havendo dúvidas que pudesse, a partir daí, fazer uma vida normal sem utilizar roupa interior . O empregado dos correios foi promovido e altamente recompensado depois de, passados poucos dias do envio da cartinha, se começar a reparar no impacto que esta teve no aumento de correspondência. Ninguém queria cair em desgraça e toda a gente desatou a enviar cartas com moedas de centavos lá dentro.
O e.mail veio acabar com o império da cartinha maravilha. Temporariamente. Não tardou em que aparecessem novas variantes de “e.mails da sorte” que tramavam para o resto da vida quem se atrevesse a romper a cadeia. Ora a cartinha eu ainda percebo a razão da sua existência: os correios precisavam de facturar. O e.mail em cadeia não tem razão de existir, senão a de provar que ainda há papalvos que acreditam em tudo o que lêem. Se alguém tem dúvidas que não vai ser atropelado por um camião de oito rodados, nem que será incapaz de manter uma erecção por mais de 30 segundos, ou que toda a sua família será dizimada por um grupo dissidente de guerrilheiros xiitas, só porque interrompeu uma corrente de e.mails bacocos, fixem uma coisa: não é verdade, não vai acontecer, ok? Acreditem em mim. Relaxem.

quinta-feira, abril 14, 2005

Razões Provincianas

restricao

O Estado legisla contra o tabaco, primeiro colocando umas mensagens intrusivas nos maços de tabaco e em breve proibindo o consumo de tabaco no local de trabalho.
Isto é uma grandessíssima bandalheira, meus senhores! A questão dos avisos nos maços de tabaco é, no mínimo, tendenciosa e ridícula. Se querem alertar o consumidor para os malefícios do tabaco, porquê parar por aí? Até parece que o tabaco é o único bem de consumo que mata. Seguindo este raciocínio didáctico do Estado eu acharia bem que os produtos ostentassem avisos semelhantes aos do tabaco, ocupando cerca de 40% das embalagens. Os automóveis, por exemplo, saíriam de fábrica com avisos em todas as portas: “Conduzir Mata!”, “Se estiver grávida não acelere muito”, “Os transportes públicos podem ajudá-lo a deixar de conduzir”; as garrafas de água, que também podem ser um bem de consumo perigoso, ostentariam enormes avisos de saúde no rótulo: “Beber água em excesso afoga!”; os aviões: “Voar pode Matar”; “A probabilidade de você sobreviver à queda é minúscula”; “Se o Estado quisesse que você voasse tinha-lhe dado asas”; os lápis: "Espetar isto num olho pode causar cegueira e morte dolorosa (por esta ordem)". E assim por diante.
Não fumar no local de trabalho também é uma medida de suprema inteligência. Como tudo pode ser considerado o local de trabalho de alguém, vai chegar a um ponto em que só poderemos fumar em casa. Fumar nas ruas vai deixar de ser possível, uma vez que as ruas são o local de trabalho das prostitutas e dos chuis da ronda. O mais provável, se acendermos um cigarro numa esquina, será levarmos com um polícia a dizer-nos que não podemos fumar num local de ataque.
O Estado português é do mais provinciano que existe no que toca a adoptar medidas europeias. É leonino. Implacável. Eficiente. Pena que não seja implacável e eficiente a implementar medidas que tornem os portugueses mais parecidos aos europeus no que respeita a poder de compra, educação, e segurança social. Onde realmente interessa, o Estado português é perfeitamente incompetente.

quarta-feira, abril 13, 2005

A Razão da Reunião

reunião

Em Portugal, a forma mais prática de não se tomar qualquer decisão é promover uma reunião. Por isso é que o país se arrasta penosamente de crise em crise, afogado em reuniões que justificam o salário de quem as faz, mas que não resolvem absolutamente nada.
Portugal sofre de reunite, um mal que dita que não há urgência que não possa esperar 15 dias, ao ponto de deixar de ser urgência porque se acabou por resolver por si. A razão da reunião é muito simples: é empatar o processo de tomada de decisão a um ponto de já não fazer sentido tomá-la. Na génese do processo está a incapacidade, e a falta de vontade de se tomar a decisão, porque ao fazê-lo poderemos estar a comprometer qualquer coisa no nosso futuro. Assim não corremos o risco de sermos acusados de tomarmos uma má decisão.
E depois a reunião dá uma ideia ilusória de que estamos a trabalhar: fechados numa sala de reuniões a discutir o sexo dos anjos, e a justificar um salário, os portugueses sentem-se úteis, independentemente se no final do dia se chegou a alguma conclusão. Aliás, a conclusão mais obtida em Portugal é que se tem de fazer outra reunião para esclarecer o que ficou por concluir, e assim até ao infinito. Por isso, quando ouço o Sócrates dizer que a primeira medida que tomou quanto à posse ilegal de armas de fogo é fazer uma reunião, fico descansado: vou poder continuar a manter a minha bazuca sem que ninguém me chateie.

terça-feira, abril 12, 2005

A Razão da Tourada

tourada

Quando analisada e descrita sob uma perspectiva turística, a tourada é considerada uma afirmação de virilidade e supremacia física do homem face à besta. Para mim a tourada é a prova cabal que a estupidez e a bestialidade humanas não só não têm limites, como gostam vaidosamente de exibir essa evidência.
Não sou nenhum fundamentalista dos direitos dos animais: gosto do belo bife e da suculenta bifana, e não entro em depressão quando mando abaixo um fondue de carne, mas decididamente não gosto de tourada.
Somos muito lestos a julgar a crueldade humana quando ela é exercida sobre humanos. Montamos verdadeiros espectáculos mediáticos para difundir a sua punição exemplar: aquele que normalmente me vem à cabeça é o julgamento dos nazis em Nüremberg, mas há muitos outros “nürembergers” por aí. No entanto desculpabilizamo-nos à brava quando a nossa crueldade é glorificada, espectacularizada, e aplicada nos animais. Até parece que o facto de termos um cérebro mais desenvolvido nos dá o direito de acharmos que tudo isto nos pertence. A tourada é só um exemplo deste abuso de inquilino. Um exemplo circunscrito a Portugal e Espanha e a mais umas quantas novelas sul-americanas (estou a excluir a tourada com velcro no Norte da Califórnia, porque isso já nem se pode considerar tourada).
Sinto uma compulsão irreprimível de pontapear repetidamente as gengivas de quem me diz que a tourada portuguesa é mais “humana” que a espanhola porque (alegadamente) não matamos o touro. E quando surge a recorrente polémica bacoca dos touros de morte em Barrancos, só me apetece tornar S. Bento numa Pamplona, e fazer uma largada de touros no parlamento. Mais “humana”?? A tourada portuguesa é uma tourada apaneleirada!
Em Espanha os cornos dos touros não são protegidos; se acertarem no toureiro perfuram-no (e muito bem!). Em Portugal os touros são “embolados”, protegem-se os cornos para não ferirem ninguém. Mas que paneleirice é esta? Então não queriam provar a virilidade?
Em Espanha matam-se os touros na arena. Em Portugal não: depois de o sangrarem cobardemente com ferros e bandarilhas, salgam-lhes as feridas (alguém já uma vez colocou sal numa ferida? Experimentem...), e abatem-nos fora dos olhares alheios. E depois vêm dizer-me que é mais “humano” e ficam todos histéricos com os touros de morte de Barrancos...
Eu acho que a manter-se a estupidez da tradição tauromáquica se devia dar uma oportunidade ao touro. Em vez de fazerem as “pegas de caras” quando o touro já perdeu as suas forças, dilacerado e sangrado por aqueles bandalhos rabetas a cavalo, devia fazer-se a “pega” logo no início do espectáculo, quando o touro está fresquinho e vivaço, e ninguém o segura. E devia “desembolar-se” o touro, para a coisa ser a sério. Desconfio que a taxa de mortalidade dos participantes seria tão alta que rapidamente de decretaria o fim da tradição.

O primeiro mamífero que eu colocaria à frente do touro seria a Fátima Lopes, essa javardolas que gosta de animais peludos à boa maneira de Hannibal Lecter. O touro iria certamente ter muito gosto em toureá-la em profundidade, qual somali desenfreado, e sem mãos – só com os chifres. OLÉ!

segunda-feira, abril 11, 2005

A Razão da Improdutividade

produtividade

De tempos a tempos Portugal aparece mencionado numa daquelas estatísticas da comunidade europeia que comparam os índices de produtividade dos Estados Membros. Inevitavelmente ocupamos um lugar cimeiro no pelotão dos mais improdutivos. O que torna os portugueses o povo mais improdutivo da Europa? Será a nossa proximidade do Norte de África? (provavelmente seríamos os mais produtivos do Norte de África!) Será por sermos arraçados de árabes? Ou apenas porque somos uns madraços incorrigíveis?
Eu tenho uma perspectiva bastante clara sobre este défice nacional de produtividade: o problema reside no empresário português, esse mamífero que consiste num enxerto de comerciante de feira com um MBA no levantamento do copo. Por mais esforçado que seja, o trabalhador português não consegue contrariar a chusma de disparates cometidos pelo empresário tuga que lhe paga (até ver) o ordenado. E o que torna o empresário português uma verdadeira pérola da gestão de mercearia? Eis algumas características fundamentais:

O empresário tuga não tem empregados, tem filhos. Os seus colaboradores são tratados como a sua prole – com berraria, chapadas, castigos, e chorudas recompensas. Exige-se portanto um respeitinho que é muito bonito, porque senão dá-se-lhes um par de galhetas e não se facilita aquele chequezinho não declarado no fim do mês.

O tuga empresário não tem objectivos estratégicos mais profundos do que um copo de tintol meio cheio. Parafraseando um empresário tuga que tive o prazer de ouvir uma vez: “a estratégia é não ter estratégia!” (deviam ver a cara de anormal que ele colocou a dizer isto, a esforçar um ar de intelijumência).

Para o tuga empresário os objectivos são metas que escarrapacham aos olhos de toda a gente o quão incompetente ele é na gestão do seu negócio. Portanto é melhor que não se fale muito nisso. Para qualquer empresário tuga o objectivo é ganhar o mais possível, pagar o menos possível, fazendo o menos aconselhável.

O empresário tuga nunca tem lucro. Tem sempre um prejuízo do caraças, nem que para isso que tenha fazer umas lavagenzitas por uns países africanos de nomes impronunciáveis. Ter lucro significa ter que dar dinheiro ao Estado, e isso é considerado contra-natura. “Prefiro cagar um pé todo até ao pescoço” é normalmente a sua postura oficial quanto a esta questão.

O escritório do empresário tuga é a mesa do restaurante por volta das 17:00h, depois dos aperitivos, do petisco, do prato principal regado com um bom tinto, do segundo prato principal acompanhado com outro tinto, do terceiro prato principal com vinho a condizer, das diferentes sobremesas, e de alguns penalties de buísque ou de vagaceira, do charuto da República Dominicana, e de sete cafés. Completamente atafulhado de comida e com uma taxa de alcoolémia que embebeda qualquer ser vivo num perímetro de duzentos metros, o tuga discute negócios nos 10 minutos que antecedem a sua saída ziguezagueante do tasco.

O tuga empresário é fisicamente diminuído: gordo que nem um porco, com a barriga a resvalar-lhe para os joelhos e a suster uma gravata que parece uma rampa de lançamento das suas aleivosias abrutalhadas. Não pratica qualquer tipo de desporto. O colesterol entope-lhe as “beias caragu”. E está permanentemente sujeito a um enfarte que faça surgir o seu sucessor natural: o seu filho retardado, ou outro javardolas aciganado e sem a mínima noção do que é um P&L.

O tuga empresário confunde política de incentivos com entradas-livre no bar de alterne mais próximo. Motivação para ele significa montar um apartamento à São, a sua secretária.

Portanto quando voltarem a ouvir falar da pouca produtividade deste país, não levem a mal os trabalhadores portugueses. Esses coitados não têm culpa dos exemplos que vêm de cima.