Ao contrário do que se possa pensar, a profissão com mais futuro, principalmente em Portugal, é a agricultura. Num país onde a produtividade atinge valores abaixo do nível das águas, os agricultores são os detentores do maior segredo nacional: como ganhar dinheiro fazendo o menos possível, ou mesmo fazendo nenhum. E aparentemente guardam-no bem, uma vez que ninguém, além deles, parece interessado em investir na agricultura.
Que outra profissão exige subsídios do Estado seja porque chove seja porque não chove, seja porque faz frio seja porque faz calor, seja porque produziu a mais seja porque produziu a menos? Que outra profissão é subsidiada para não produzir, ou para produzir menos? Qualquer que seja a razão, quando se fala de agricultura há sempre um bom subsídio para ela.
Os agricultores nacionais são os verdadeiros estandartes do modo de vida nacional: está sempre tudo mal e em crise, nunca há dinheiro para nada, a culpa é sempre do Estado, e venha para cá o “meu” porque não me apetece trabalhar. Tudo isto embrulhado com requintadas acções de marketing onde se bloqueiam estradas, fazem manifestações, e destroem colheitas, sempre com câmaras de televisão à frente. Verdadeiros mestres do engano, e pedinchões à espera de serem desparasitados, estes agricultores tugas.
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
A Razão dos Agricultores
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
A Razão da Prevenção Rodoviária
Sempre que viajo até ao Algarve ou Alentejo não consigo deixar de reparar num cartaz publicitário da Prevenção Rodoviária Portuguesa, e no sentido obscuro que este encerra. Este cartaz faz parte de uma conspiração estatal para solucionar o problema da segurança social portuguesa. É certo que quem olhe distraidamente para ele verá apenas um simples cartaz, destinado a sensibilizar os automobilistas lusitanos; mas uma segunda leitura, com uma ajudinha semiótica, revela-nos algo verdadeiramente tenebroso: a conspiração do Estado.
O cartaz é muito simples numa perspectiva iconográfica: tem um fundo amarelo, e mostra um desenho a preto, de um automóvel a atropelar violentamente um peão, que é cuspido pelo ar, a rodopiar. Até aqui tudo bem, se não fosse assinado pela frase «É melhor parar por aqui»!
Quer isto dizer que qualquer um de nós pode atropelar um peão, desde de que nos fiquemos por ali. Atropelar um gajo está bem, mas o melhor é não nos excitarmos muito e atropelar mais outro, porque nesse caso já não temos o aval da PRP.
Conseguem perceber o verdadeiro alcance deste incentivo? Qual a sua ligação com as políticas de reforma do sistema de segurança social? Passo a explicar: Em Portugal circulam cerca de cinco milhões e meio de veículos motorizados. O país tem dez milhões de habitantes. A maioria dos condutores de veículos motorizados pertence à população activa. Se os condutores seguirem o conselho da PRP e atropelarem violentamente não mais do que um peão, a população nacional passará para metade num ápice. Et voilá, sistema reformado. Estes gajos do Estado são maquiavélicos à brava!
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
Razões Genéticas
Num recente jogo de futebol num estádio português, um homem estava particularmente enervado com a arbitragem. Demonstrava o seu desagrado correndo aos berros pelo corredor da bancada abaixo, até chegar ao corrimão, largava duas ou três bujardas ao fiscal de linha, e voltava para o seu lugar. Parecia um matraquilho daqueles que andavam para cá e para lá, naqueles jogos eléctricos que não tiveram futuro nenhum contra os nossos tradicionais e manuais matraquilhos com jogadores atravessados sadicamente ao meio por uma barra de metal.
Numa destas idas e vindas o homem desequilibrou-se ao pisar no seu próprio cachecol, galgou o corrimão, e caiu da bancada abaixo morrendo de imediato. Sem saber, este homem tornou-se num sério candidato ao Darwin Award, ombreando com todas as alimárias que são responsáveis pela sua própria morte estúpida. Criados em meados dos anos 90, os Darwin Awards premeiam todos os estúpidos que contribuem para melhorar o património genético da espécie humana retirando os seus genes da cadeia de evolução, ou seja, morrendo involuntariamente pelas suas próprias mãos. Embora já tenha sido editado em livro, com algumas das melhores e hilariantes mortes por autoestupidez, o site Darwin Awards ainda é a melhor fonte para quem se quiser candidatar ou manter actualizado sobre os últimos concorrentes ao prémio. Para quem pensa que a estupidez humana é finita, recomendo uma visita a esta pérola de humor negro baseada em factos reais.
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Razões Socráticas
Os acontecimentos dos últimos dias fizeram-me perder a Razão. Não era nada que não estivesse à espera, confesso. Mas olhar para a coisa em directo fez-me levar um choque de realidade que me deixou sem vontade de escrever fosse o que fosse durante 48 horas. Uma espécie de letargia atávica só semelhante a um qualquer professor. Esta espécie de aparvalhamento docente atingiu o seu pico nas declarações de vitória do líder dos socráticos. Bem sei que homem não foi eleito por mérito próprio, bem sei que foi o demérito dos candidatos concorrentes que o levou, numa espécie de Disneylândia bacoca, à maioria absurdamente absoluta. Mas o gajo podia ao menos ter-se esforçado para disfarçar o vácuo existente entre as suas orelhas. O que ouvi foi uma série de bárbaras banalidades que o tipo levava escritas numa folha de papel (nem quero imaginar quando ele tiver que improvisar). Seria de esperar que ao menos alguém lhe escrevesse uma coisita minimamente razoável para um discurso de vitória histórica. Mas quis a história, e o parco QI do indivíduo de olhar bovino, que os 2,5 milhões e meio de desesperados votantes ouvissem um dos discursos mais pobres e vazios da história política portuguesa. “Ganhámos. Tivemos a maioria absoluta. Por isso ganhámos. Conseguimos. Mostramos ser possível. Vou governar com pessoas competentes. Não sei quem são, mas serão competentes”, e assim por diante, num chorrilho de banalidades embrutecidas, que só não são embrutecedoras porque ainda agora começou, e é como já se tivesse visto o filme todo. Um povo que elege absolutamente um manequim foleiro da Rua dos Fanqueiros merece tudo o que lhe possa vir a acontecer. Com toda a Razão!
sábado, fevereiro 19, 2005
sexta-feira, fevereiro 18, 2005
A Razão dos Bruxos
Dantes julgavam-nos sumariamente, amarravam-nos a uma estaca, e acendiam-lhes um fósforo, num devoto exercício de cristianização pelo fogo. Agora dão-lhes espaços publicitários nas revistas e na televisão, convidam-nos para talkshows, e pagam-lhes dezenas de contos só para ouvir o que têm para dizer . Nem todas as profissões se podem gabar de ter sofrido uma reabilitação social tão profunda como os bruxos. O que dantes era bruxedo agora passou a ter estatuto de consulta, e entrou no dia a dia dos portugueses. O bruxo está para os portugueses como o psicanalista está para os americanos: é bem toda a gente ter um. E entre mézinhas e maus olhados os gajos vão facturando e gozando que nem uns perdidos, com os perdidos que diariamente lhes enchem o “consultório” à procura de um sentido para a vida, de um amor que tarda a chegar ou que insiste em partir, à procura de um consolo qualquer que lhes acabe, pelos menos temporariamente, com o angst existencial.
Pergunto-me como é possível alguém acreditar (e pagar!) a charlatões do estilo Linda Reis para “tirar a tusa” (palavras da própria Linda) a alguém, usando para isso umas cuecas usadas pela vítima do suposto feitiço? Não era mais fácil mostrarem-lhe uma fotografia da própria Linda Reis? Ou optar por uma solução mais definitiva tipo Lorena Bobbit?
Pessoalmente acho que profissões que desenvolvem formas de parasitismo social (bruxos, jornalistas, advogados, funcionários públicos, e outros), aproveitando-se da fragilidade dos outros, deveriam ser erradicadas exemplarmente. E nesse sentido considero que a tradicional abordagem cristã para o problema até continha algumas virtudes. Naturalmente que eu preferiria uma solução que metesse somalis, mas os gajos são normalmente supersticiosos...
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
Razões Evolucionistas
Se Darwin tivesse vivido nos dias de hoje e olhasse para os cinco candidatos políticos às eleições portuguesas, a teoria da “sobrevivência do mais apto” nunca teria conhecido a luz do dia. Primeiro porque teria imensa dificuldade em perceber como é que cada um destes 5 inaptos conseguira chegar à liderança dos seus respectivos partidos, tendo que pôr naturalmente em questão a aptidão dos indivíduos que os elegeram a chefes de partido. Depois porque, olhando para os resultados da votação eleitoral (a tal que vem aí no final desta semana) concluiria que, ao eleger um candidato inapto, o povo português demonstrava uma impressionante inaptidão para se apetrechar convenientemente de maneira a levar vantagem (ou pelo menos não ficar em desvantagem) face a outros povos. Observando tudo isto, o mais normal seria que Darwin formulasse a teoria do estupidamente inapto: “os animais que estupidamente se deixam ser liderados por outros animais pobremente apetrechados, merecerão toda a merda que estes últimos farão, e serão dignos de vivenciar dolorosas dores no esfíncter e distúrbios nos movimentos peristálticos, provocados por uma tribo de somalis devidamente untadinhos”.
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Razões Labirínticas
Um rei das ilhas da Babilónia reuniu os seus magos e arquitectos e ordenou-lhes que construíssem um labirinto tão complexo e subtil que poucos se atreviam a entrar nele, e quem tinha coragem para o fazer acabava por irremediavelmente se perder.
Um dia chegou à corte um rei dos árabes, e o rei da Babilónia (para gozar com a simplicidade do seu hóspede) fez com que ele penetrasse no labirinto, onde vagueou humilhado e confuso até ao fim da tarde. Implorou então o socorro divino e acabou por encontrar a saída. Nunca se ouviu dele um único queixume sobre a partida que lhe pregaram, mas disse ao rei da Babilónia que tinha na Arábia um labirinto melhor e que, quisesse Alá, um dia lho daria a conhecer. Depois, regressou ao seu reino, reuniu os seus capitães e alcaides e arrasou os reinos da Babilónia com tão venturosa fortuna que derrubou os seus castelos, dizimou os seus homens e fez do rei seu prisioneiro. Amarrou-o a um camelo veloz e levou-o para o deserto. Cavalgaram durante três dias até que se virou para o seu prisioneiro dizendo-lhe: “Na Babilónia quiseste-me perder num labirinto de bronze e pedra com muitas escadas, portas e muros; agora Alá achou por bem que te mostre o meu, onde não há escadas para subir, nem portas a forçar, nem cansativas galerias a percorrer, nem muros que te impeçam os passos.”
Depois, desatou-lhe as cordas e abandonou-o no meio do deserto, onde acabou por morrer de fome e de sede. A glória esteja com aquele que não morre.
Transcrição livre de um conto de Borges
terça-feira, fevereiro 15, 2005
Razões Geracionais
A única coisa que a geração de 50 queria era esquecer-se da guerra e construir aquilo que tinha sido destruído pelos alucinados da geração anterior. E a coisa parecia simples e exequível. Mais despreocupada, a geração de 60, queria fumar umas ganzas, fornicar que nem martas e pôr em questão a autoridade e o sistema: as doses de LSD baralhavam-lhes a ordem de prioridades a ponto de eles não saberem se também queriam fornicar a autoridade, fumar as martas, e pôr em questão o sexo.
A geração de 70 nunca percebeu em que década é que estava: descambaram nuns baralhados crónicos que ainda hoje se tentam encontrar e deixam toda a gente perdida (vejam-se os exemplos de Sócrates, Santana, Portas e Louçã).
A geração de 80 deixou-se dessas merdas dos estupefacientes alucinogéneos, adoptou os de via nasal, esticou o cabelo com gel, segurou as calças com suspensórios e achou que ia dar um rumo a isto tudo, até que se lixou no crash bolsista de 87. Desapareceram de fininho que nem dinossauros. A geração de 90 criticou as gerações anteriores, mas não fez absolutamente nada que a marcasse como geração: foram uma espécie de híbridos atávicos a quem só faltava falar. A geração de 00 sofre de um estigma de si próprio: que contribuição é que alguém caracterizado por um duplo zero pode dar à sociedade? Não faço a mínima ideia... nem eles.
As minhas esperanças estão com a geração de 10. Estes têm todas as condições para 10pertar, 10envolver, 10cobrir, 10vendar tudo aquilo que os imbecilóides das 4 gerações anteriores não conseguiram. Haja fé.
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
Razões Estupidificantes
Inevitavelmente acabo por apanhar com tempos de antena dos nossos brilhantes partidos políticos em campanha. Normalmente faço zapping para outros canais menos engajados, mas ontem fiquei surpreendido com as razões políticas de um deles.
Sabemos bem que a razão política para a existência de um partido é, em última análise, o “tacho”. Nem vale a pena perdermos muito tempo com isto, porque estaremos certamente todos de acordo. Mas o que é curioso é a embalagem que os partidos dão ao “tacho”, procurando convencer (não sei bem quem) que a sua proposta política é nobre em ideais, e em intenções de transformar esta província desgovernada em qualquer coisa mais parecida com um país. Alguns partidos são menos inteligentes que outros em dar um conteúdo relevante às suas propostas, e a prova disso é o Partido da Nova Democracia.
Se houvesse um prémio para a embalagem política com pior design seriam estes alarves peçonhentos a ganhá-lo. Uns gajos que vêm para os seus tempos de antena dizer que a sua principal preocupação são as mulheres que decidem deixar de trabalhar para ser mães, tentando convencer-me que estas abraçam a maternidade como se de uma profissão se tratasse, exigindo um salário mensal para que estas estejam em casa a desempenhar a sua função de mães só podem estar a achincalhar-me, e a todo o eleitorado.
Estes palermóides desprovidos de ideias arranjaram o pior eixo de campanha que seria possível imaginar. Então agora as mulheres que decidem fazer nenhum e desatam a ter filhos que nem coelhos devem ganhar um salário mensal? Já agora porque não lhes dar uma carteira profissional, como as meretrizes histéricas dos jornalistas? E porque não também um Sindicato das Domésticas com Filhos? Estou a imaginar estas gajas a fazerem greve para serem remuneradas por horas extraordinárias quando estão acordadas até tarde à espera que os filhos voltem da discoteca. Tenham juizinho...
Que os partidos políticos são, principalmente nos dias que correm, verdadeiros baldes de estrume onde a única coisa que muda é a côr do balde, já toda a gente sabe. Mas isso não lhes dá a liberdade de acharem que podem gozar com o eleitorado. Este partido de tias dondocas, sem qualquer talento nem rendimento, merecia mesmo uma tribo de somalis que aparentasse os futuros filhos de todas estas senhoras em campanha eleitoral.
domingo, fevereiro 13, 2005
Razões Judaicas
A história dos judeus tem sido descrita em muitos manuscritos eruditos como "algo que dá sempre merda". Mesmo os recentemente traduzidos pergaminhos do Mar Morto terminam com a palavra "cuidadinho". A ameaça da perseguição não foi compensada com a promessa de uma ocasional e simpática refeição com carne branca. O Novo Judaísmo retirará a ênfase do problema histórico para uma abordagem mais positiva. Até agora, ser os Eleitos só trouxe problemas. No Novo Judaísmo todos os eleitos receberão um pacote no valor de centenas de dólares em descontos em lojas da mesma rede.
Jon Stewart, in Nus de Pessoas Famosas
sexta-feira, fevereiro 11, 2005
A Razão dos Garçons
Ontem estava a jantar num restaurante e não pude deixar de reparar num indivíduo ruidoso e mal disposto que tratava o empregado de mesa de uma forma execrável. Protestava por tudo e por nada, mandava comida para dentro, pedia outro vinho alegando que o que tinham trazido estava estragado, e mais trinta por uma linha que aquela alimária inventava para moer a paciência ao empregado. Este último mantinha uma postura irrepreensível, comportando-se como um mordomo inglês num Titanic a adornar. Imperturbável. A situação toda fez-me pensar que eu não teria perfil para uma profissão daquelas. Só de pensar que ia apanhar com aquelas aventesmas que usam o "oh pxxt pxxt!" para chamar alguém à sua mesa já me tira do sério. Não falando nas barbaridades que estes tipos têm de aguentar diariamente: os gajos que para não baterem nas suas mulheres, vão descarregar os maus fígados nos garçons; as complicadinhas que querem o prato x mas com os acompanhamentos y e z num pratinho à parte, mas sem tocarem um no outro, para não se misturarem; os paizinhos com crianças mal educadas que guincham que nem macacos e cospem tudo num perímetro de 2 metros; os velhotes que levam uma hora a decifrar a ementa enquanto se vão babando para cima da toalha e do prato vazio. Não. Eu definitivamente não teria a paciência de um garçon. Provavelmente teria a mesma atitude do empregado de mesa de ontem à noite: ficaria imperturbável, pegava no bife que ele mandou para trás, e calmamente limparia com ele os bordos da sanita da casa de banho pública mais próxima, antes de o colocar na frigideira para o voltar a servir. Se calhar até foi o que ele fez ontem ao energúmeno. Aquele sorrisinho sacana enquanto o outro comia o bife devia querer significar alguma coisa...
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
A Razão do Ciúme
A 21 de Janeiro passado um homem dizimou a tiro a população da sua aldeia e suicidou-se, tendo deixado viva apenas uma habitante. São Xisto, uma das Aldeias de Portugal e Património Mundial, uma aldeia com 5 habitantes até 20 de Janeiro, passou a ter desde esse dia apenas 1 habitante, que fez as malinhas e abandonou a aldeia no dia seguinte. A razão disto tudo: cíume.
Recuemos umas horas antes do momento fatídico. Tudo parecia calmo na aldeia de 5 habitantes. Apenas 3 casinhas tinham as luzes acesas: o casa do casal Silva, a casa do casal Bastos, e a casa de Abília Pereira. Estes 5 habitantes viviam na aldeia desde sempre, e conviviam como uma verdadeira família, daquelas famílias onde todos se dão bem.
Mas naquele fim de tarde invernoso, Jesuíno Silva, de 60 anos andava mal disposto e desconfiado. Tinha começado a aparecer-lhe um furúnculo na têmpora direita e aquilo para ele só podia significar uma coisa: A Maria Alberta, sua vigorosa mulher com uns belos 64 anos, andava a encorná-lo. Ele não lhe conhecia tendências lésbicas, e o único homem na aldeia para além dele era o vizinho e amigo Felisberto Bastos, de 77 anos, com quem convivera toda a vida. Ali havia marosca, pensava Jesuíno acariciando o furúnculo. Ainda pensou em ter uma conversinha com a mulher do amigo, para tirar dúvidas. Mas quanto mais pensava nisso mais se enervava e, num impulso, pegou na arma desceu a rua, entrou na casa dos vizinhos Bastos e arrumou sumariamente, e sem abrir a boca, a mulher que o cumprimentou à porta e o homem que tentava puxar de uma arma para se defender. Depois regressou a casa, calmamente e em silêncio, aproximou-se da sua mulher e descarregou a sua caçadeira, deixando o último cartucho para si. Sentou-se na cama. Apontou a arma à base do queixo, e salpicou de cinzento e vermelho o tecto do quarto. Fim da história.
O ciúme é dos sentimentos mais destrutivos que conheço. E não vale a pena virem dizer-me que, em pequenas doses, até pode ser saudável. Seja em que formato fôr: dose, meia dose ou num pirezinho, o ciúme é um sentimento negativo e auto-alimentável. Se um dia sentirem ciúmes de alguém recomendo vivamente que visitem um especialista que vos trate da auto-estima, ou participem num corso carnavalesco no sambódromo do Rio de Janeiro, com o mínimo de indumentária possível s.f.f.
Nota: a história é verídica, mas os nomes foram alterados por respeito às vítimas.
terça-feira, fevereiro 08, 2005
Razões Bacoco-Subversivas
Andaram uns comediantes por aí uma noite destas a colar narizes de palhaço nos cartazes dos candidatos a primeiro ministro. Colaram-no no de Santana Lopes. Colaram-no no de Paulo Portas. Colaram-na no de Sócrates. Colaram-no no de Francisco Louçã. Mas curiosamente, no cartaz de Jerónimo de Sousa não tocaram. Ali ficou ele, com a sua trombinha laroca, intocável. Toda a gente achou que aquilo tinha sido obra dos comunistas, claro. Mas seria tudo muito evidente se assim fosse, não?
Existem várias versões para o que aconteceu naquela noite:
- O grupo anarquista que levou a cabo a acção não conseguiu encontrar o único cartaz de campanha do Jerónimo de Sousa.
- O grupo de extrema direita que colou os narizes achou que o Jerónimo já tinha cara de palhaço e desistiu de reforçar esta triste realidade.
- O grupo de donas de casa indignadas que colou os narizes procurou os cartazes de Carvalhas e não os encontrou.
- O grupo de kosovares ilegais enganou-se no número de narizes e colaram tudo antes de chegarem ao único cartaz de Jerónimo de Sousa.
- A tribo de somalis que colou os narizes nutre uma especial afeição especial pelo Jerónimo e por todos aqueles velhotes ex-revolucionários, de próstata titubeante.
Uma destas hipóteses está correcta... mas qual? Eu tenho cá as minhas suspeitas.
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
A Razão da Mediocridade
Anda por aí muita gente desencantada com a qualidade dos nossos políticos, dos seus discursos, e da sua inequívoca e manifesta mediocridade. Sinceramente não percebo a razão deste tipo de sentimento. Afinal de contas uma das principais matérias primas desta novela mexicana chamada Portugal é precisamente a mediocridade. Nunca vi nação europeia gerar tanto medíocre por metro quadrado. E pior: não conheço nenhum país que a estimule e alimente de forma tão consistentemente sistemática, a ponto de ser desviante não alinhar nesta paródia decadente. Os medíocres protegem-se uns aos outros de tudo o que cheire a competência, brilhantismo ou genialidade, e funcionam como um antibiótico intelectual: tudo o que possa perigar a sua condição de medíocre tem que ser paulatinamente erradicado. Esta patologia não é nova - o Estado Novo, por exemplo, aproveitou-se muito bem desta característica nacional e exponencializou a coisa de tal forma que o resultado é aquele que conhecemos nos dias de hoje. Pessoalmente acho que não se deve levar muito a sério aquele conselho de Cavaco Silva que "os competentes deveriam afastar os incompetentes". Acho uma má ideia. Então e depois quem é que ficaria cá para desgovernar esta província? Tenho uma solução melhor para estas aventesmas badalhocas: naturalizem-se espanhóis e vão para lá nivelar a coisa por baixo, como fazem diariamente aqui. Podem voltar cá em férias (mas só nas de carnaval, seus palhaços!).
domingo, fevereiro 06, 2005
sábado, fevereiro 05, 2005
Razões Pouco Originais
Weblogs. Diários na Internet. Esta foi a origem da palavra blog. Houve um artista que se lembrou de dar uma utilidade à sua homepage e começou a escrever o seu dia a dia numa página de internet. Como estávamos na era do voyeurismo, amplificada pelos Big Brothers da vida, a coisa teve sucesso: há sempre alguém a querer coscuvilhar a intimidade de outrém.
A ideia inicial do blog até era original e criativa, mas depois começou a descambar. Começaram a aparecer os gajos e gajos que, na sua adolescência ou nas suas crises conjugais, povoavam o IRC com aquelas conversas construtivas como a merda, e o sentido original do blog alterou-se. Nalguns casos para melhor, mas na maior parte dos casos para pior.
E por cada blog que nos diverte, ou que nos provoca, ou que nos faz pensar, há umas valentes centenas de autênticas bostas sem um único pensamento original, sem uma pontinha de inspiração, tão desinteressantes quanto as pessoas que os escrevem.
Destes últimos que referi, os que não suporto mesmo são aqueles blogs que consistem em colagens de coisas que apanham noutros blogs, ou noutras homepages. São uma espécie de sanguessugas pegajosas que se alimentam da criatividade de outros. Fazem lembrar aquelas pessoas que decoram phrasebooks e opiniões alheias para parecerem mais interessantes. Anões às costas de gigantes. A essas bestas desinspiradas e decalcadas intelectualmente só posso recomendar uma coisa: se gostam de fazer colagens, desliguem o computador, comprem montes de jornais e revistas, peguem numa tesourinha, em cola e cartolina, e brinquem sózinhos. Podem mostrar depois aos vossos amigos, ok? Ao menos esses não serão tão honestos quanto eu a dizer-vos o que é que acham da linda merda que vocês exibem.
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
Razões Distantes
A meio do dia de ontem reparei que não estavam lá, no sítio onde normalmente as apanho. Não liguei, achei que tinham ido dar uma volta e que regressariam mais tarde. Mas não. O tempo passava e nada. Nem sinal delas. Comecei por procurá-las dentro de casa. Vi debaixo da cama, por detrás dos reposteiros, dentro dos armários, na cave. Népia. Liguei a televisão e vi dois palhaços a degladiarem-se, à espera de um polegar levantado no coliseu eleitoral. De certeza absoluta que ali elas não estavam. Acabei por sair de casa e passear no jardim em frente, podia ser que estivessem para ali sentadas num dos bancos a dar de comida aos pombos. Mas nem os pombos lá estavam. Desci a rua e peguei no carro. Conduzi um bom par de horas pela cidade, olhando nervosamente para os lados enquanto, ao mesmo tempo, ligava do telemóvel para as esquadras de polícia e para os hospitais. Até cheguei a ligar para a morgue. Ninguém fazia ideia onde elas andavam. Por uns momentos pareceu-me tê-las visto de relance depois de um cruzamento. Mas não, falso alarme. Já noite dentro acabei por desistir - provavelmente foram de fim de semana mais cedo, pensei. E pensando nisto publiquei o último post da semana, desta vez sem razões.
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
A Razão da Saudade
A saudade, elevada a um nobre sentimento nacional com aspirações mundiais, é uma verdadeira fraude. É a prova de que nós achamos que somos diferentes dos outros só porque arranjamos uma maneira diferente de dizer que sentimos falta, que estamos nostálgicos. Os russos também achavam que eram os “donos” da Nostalgia só porque um cabrão de um realizador chamado de Tarkovski decidiu cristalizar o sentimento num filme onde mostrava (à boa maneira secante de Manoel de Oliveira) um plano de uma janela onde durante 10 minutos consecutivos só chovia lá fora e mais nada se passava. Os povos têm destas merdas. Acham que é tudo deles.
Se querem elevar um sentimento lusitano a património mundial que o façam com a inveja. Esse sim, move a nação toda. A saudade é apenas uma paneleirice inventada por um grupo de gajos que nunca estão satisfeitos com aquilo que têm, e que só arranjam satisfação naquilo que perderam e nunca mais vão ter. Saudade para mim é uma canção da Cesária Évora, e o resto é retórica.
terça-feira, fevereiro 01, 2005
A Razão do Jornalismo
Durante uns tempos o jornalismo pareceu uma profissão nobre, democratizante, e de alguma maneira reguladora de um determinado sentido humanista para a sociedade. Na realidade os jornalistas são umas meretrizes histéricas ao serviço do gajo que paga mais. Assistimos hoje em dia aquilo que de mais básico que o jornalismo tem para oferecer à sociedade: a vulgaridade, a javardice bacoca, a exploração da miséria humana, e o gosto pela audiência. O jornalista transformou-se numa besta vaidosa cuja única razão de existência é o rating televisivo ou venda média em banca. Portanto o que está aqui em causa não é promover o esclarecimento, mas sim enviezar a opinião pública em função do grupo económico que lhes paga a sopa. Tendo isto em mente sou a favor que se peguem em todos os jornalistas deste país e que os ponham a render em Monsanto ou noutras zonas do país onde o putedo possa levar a cabo a sua função de servir de válvula de escape para os males do mundo. A prostituíção devia ser finalmente legalizada, bastando para isso ostentar uma carteira de jornalista (afinal qualquer profissão que tenha uma carteira serve para quê? Para a encher, provavelmente…).
segunda-feira, janeiro 31, 2005
As Razões da Vida
Senhoras e Senhores,
Usem filtro solar. Se eu pudesse dar-vos apenas um conselho para o vosso futuro, seria este: usem filtro solar. Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão cientificamente provados. Os restantes conselhos que aqui darei baseiam-se exclusivamente na minha experiência pessoal. E aqui vão eles:
Desfrutem do poder e da beleza da vossa juventude. Ou melhor, esqueçam, porque só vão compreender o poder e a beleza da vossa juventude, quando estes já tiverem desaparecido. Mas acreditem numa coisa: daqui a vinte anos, vocês vão olhar para as vossas velhas fotografias e compreender, de uma maneira que não compreendem agora, quantas oportunidades tiveram, e o quão verdadeiramente maravilhosos vocês eram.
Atenção: vocês não são hoje tão gordos como imaginam ser.
Não se preocupem com o vosso futuro. Ou, se quiserem, preocupem-se sabendo de antemão que essa preocupação é tão eficaz como tentar resolver uma equação de álgebra enquanto se mastiga pastilha elástica. É quase certo que os problemas que realmente terão importância na vossa vida, serão aqueles que nunca vos passaram pela cabeça, do estilo daqueles problemas que vocês se lembram às 4 da tarde de uma qualquer terça-feira ociosa.
Façam, todos os dias, pelo menos uma coisa que vos assuste. Cantem. Não tratem os sentimentos alheios de uma forma irresponsável. Não tolerem quem trate os vossos sentimentos de forma irresponsável. Relaxem. Não percam tempo com a inveja. Algumas vezes vocês ganham, outras vezes vocês perdem. A corrida é longa, e no final só podem contar com vós próprios.
Lembrem-se bem dos elogios que recebem. Esqueçam os insultos (se conseguirem isto, expliquem-me como se faz).
Guardem as vossas velhas cartas de amor. Atirem fora os vossos velhos extractos bancários. Façam alongamentos. Não se sintam culpados se não souberem muito bem o que pretendem da vida. A maior parte das pessoas interessantes que conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma ideia do que fariam na vida. E algumas das pessoas interessantes de 40 anos que conheço, ainda não sabem.
Comam imensas coisas com cálcio. Sejam gentis com os vossos joelhos: vocês vão sentir falta quando eles deixarem de funcionar.
Talvez vocês se casem, talvez não; talvez tenham filhos, talvez não; talvez se divorciem aos 40, talvez dancem a conga quando fizerem 75 anos de casados. O que quer que façam, não se orgulhem nem se auto-critiquem demasiado. Todas as vossas escolhas têm 50% de hipóteses de dar certo, assim como as escolhas de toda a gente.
Curtam o vosso corpo da melhor maneira que puderem; não tenham medo dele, ou do que as outras pessoas pensem dele – o vosso corpo é o vosso maior instrumento. Dancem, mesmo que o único lugar que tenham para dançar seja a vossa sala de jantar.
Leiam todas as instruções, mesmo que não as sigam. Não leiam revistas de beleza: só vos fazem sentir feios.
Aprendam a conhecer os vossos pais – vocês não fazem ideia as saudades que vão ter quando eles já não estiverem cá. Sejam simpáticos com os vossos irmãos, eles são o vosso maior vínculo com o passado, e aqueles que, no futuro, provavelmente não vos vão deixar pendurados.
Entendam que as amizades chegam e partem, mas que há um punhado precioso delas, que vocês têm que guardar com carinho. Viajem. Aceitem certas verdades universais: os preços vão sempre subir; os políticos serão sempre desonestos; vocês também vão envelhecer. E quando vocês envelhecerem vão fantasiar que, quando eram jovens, os preços eram acessíveis; os políticos eram nobres de espírito; e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeitem os mais velhos.
Não esperem apoio de ninguém. Talvez vocês venham a ter uma reforma choruda. Talvez casem com alguém rico. Mas nunca saberão quando um ou outro podem desaparecer.
Não estraguem muito o vosso cabelo, porque senão quando tiverem 40 vão parecer ter 85. Tenham cuidado com as pessoas que vos dão conselhos, mas sejam pacientes com elas. Conselhos são uma forma de nostalgia. Dar conselhos é uma forma de resgatar o passado que está numa lata de lixo, limpá-lo e esconder as partes feias, reciclando-o por um preço maior do que realmente ele vale.
Mas acreditem em mim quando vos falo do filtro solar.
Mary Schimich, publicado no Chicago Tribune, 1997
sexta-feira, janeiro 28, 2005
A Razão do Sentido de Humor
quinta-feira, janeiro 27, 2005
A Razão dos Nomes
Na sua origem, os nomes tinham um significado e eram atribuídos em função da sua carga significativa, acreditando-se então que esta carga se transportaria para a personalidade da pessoa que o ostentasse. Quem usasse o nome de Elisabete seria uma pessoa extremamente activa, persistente e com grande força de vontade, que alcançaria sempre os objectivos a que se propunha. Os Júlios (que em latim significa “cheios de juventude”) seriam inevitavelmente pessoas de memória prodigiosa, muito organizadas, com um dinamismo contagiante, e assim por diante.
Depois começou também a atribuir-se um nome que evocasse alguém bem sucedido numa área específica: a conquistar, a fundar, a descobrir, a desbastar, a emborcar inúmeros shots de vodka, etc.
Um dia, um casal de inconscientes olhou para a sua criança recém-nascida e procurou na sua cara um nome que lhe fizesse jus. Ao fim da vigésima terceira tentativa decidiram chamar-lhe José: o nome de um corno manso que achou que a sua mulher tinha emprenhado de um anjo. Mas o difícil foi mesmo o apelido: por mais que olhassem para a criança não lhes ocorria nada - a criatura tinha um olhar bovino e totalmente desprovido de inteligência. Então o pai lembrou-se daquele gajo que elaborava que nem um doido (e que nutria uma especial preferência por meninos), e deram-lhe o apelido de Sócrates. Podia ser que se safasse...
quarta-feira, janeiro 26, 2005
A Razão do Remedianço
Se há uma característica predominante na cultura nacional, a par da inveja (ver Razão Feia, a Inveja), é o facto de sermos um povo remediado. Não confundir com desenrascado - desenrascar é arranjar uma solução que resolve perfeitamente um problema para o qual não estávamos apetrechados para resolver. Remediar é arranjar uma solução que sabemos ser precária para resolver um dado problema. Os portugueses falam muito na arte do desenrascanço, chamando a si a sua paternidade, mas na realidade os brasileiros é que são os desenrascados, nós somos apenas uns gajos remediados.
O remediado é um enrascado a tentar safar-se o melhor que puder, com a certeza inicial de que tudo o que consiga obter será sempre insatisfatório.
Na boa tradição nacional os portugueses preparam-se paulatinamente para remediar um governo para este país. O governo será formado por uns gajos remediados que tentarão, mais uma vez, remediar o país com a certeza que por mais que façam, o resultado final será sempre uma merda. Que se lixe, daqui a quatro anos cá estarão outros para remediar o que os próximos fizerem. Entretanto, vamo-nos remediando com o que temos.
terça-feira, janeiro 25, 2005
A Razão do Professor
segunda-feira, janeiro 24, 2005
Razões Abstencionistas
Li há dias num jornal diário nacional as primeiras projecções para as eleições de Fevereiro. Não pude deixar de reparar que estas apontavam para 42% de abstenção. Significa isto que, na altura de escolher os destinos políticos, económicos e sociais deste país, existe 42% da população que se está perfeitamente nas tintas. E depois queixem-se…
Estamos ainda na vigência do 25ºaniversário do 25 de Abril de 1974, altura em que meia dúzia de inspirados capitães se asseguraram que os mamíferos que assentavam arraiais neste país, pudessem escolher livremente os destinos da nação e não estar subjugados a um partido único, a uma única ideologia, a uma única vontade. Antes dos capitães, e durante 48 anos, centenas de portugueses morreram a lutar para que um dia o país pudesse, entre outras coisas, ter a liberdade de votar. E o que aconteceu 25 anos depois? Aparecem 42% de alimárias babosas que afirmam descaradamente que se vão abster.
Já tinha falado anteriormente sobre o quanto me exasperam os indecisos que pululam em qualquer sondagem realizada em território nacional (ver A Razão dos Indecisos), mas os abstencionistas provocam-me um asco indiscrítivel. Estes sacanóides abstencionistas são, na realidade, uns indecisos armados em finos. Não votam porque consideram que nenhuma das propostas políticas existentes contém os requisitos necessários para levar a bom porto este país:
- Porque o candidato A é um demagogo alucinado que muda de ideias, de mulheres, e de membros de governo em cada 15 minutos, não garantindo a estabilidade necessária para iniciar a recuperação do país.
- Porque o candidato B é um invertebrado sem uma única ideia, e de orientação sexual escumbalhada na imprensa estrangeira, que teve a sorte de estar à frente do seu partido quando o Governo andou a alucinar durante os 4 meses que o deixaram desgovernar.
- Porque o candidato C é uma prima dona efeminada e envolvida em escândalos de corrupção e outros, que faz das jogadas palacianas um modo de vida, qual senhorinha com cio à procura de alguém que a cubra.
- Porque o candidato D parece ter saído de um arquivo histórico da RTP, com um discurso que só não é ridículo porque chega a ser divertido como discurso de época.
- Porque o candidato E tem uma cartilha política inspirada no Animal Farm do Orwell, o que constitui um problema para a malta que vive na zona da Covilhã, que virá certamente a tornar-se o Gulag deste país, caso este candidato seja eleito.
sexta-feira, janeiro 21, 2005
A Razão de Waldo
Algures no início dos anos 90, Martin Handford inventou uma maneira de ganhar dinheiro a partir de uma personagem chamada Waldo. Com um ar de geek gay, gorro na cabeça, uns óculos redondos de massa e um pullover às riscas vermelhas, Waldo era um zé ninguém solitário que desaparecia facilmente na multidão. Era exactamente essa a função desta personagem: passar despercebido numa multidão de centenas de outras personagens em varíadissimos ambientes diferentes. Os livros da série «Onde está Waldo?», que levavam quem os lia ao desespero de nunca encontrar o maldito boneco com ar de tótó, venderam que nem ginjas para um dia seguirem o exemplo da personagem e desaparecerem de vez. O anonimato recorrente de Waldo foi substituído pela febre de celebridade, que consiste exactamente em estar bem visível e em todo o lado (assim tipo Cinha Jardim, que até consegue por vezes aparecer na minha cama - não sei como é que a gaja consegue fazer aquilo).
Tal como o Waldo nos seus tempos áureos houve uma série de personagens que desapareceram de fininho do nosso dia a dia, vítimas da mudança dos tempos. De tal modo que apetece perguntar:
- Onde está o José Cid?
- Onde estão as Doce?
- Onde estão os yuppies?
- Onde está a maioria absoluta do PSD?
- Onde está o Pedro Caldeira?
- Onde está a Madalena Iglésias?
- Onde está o Ramalho Eanes?
- Onde está o Mário Mata?
- Onde está Portugal?
- Onde está o Sr. Albano? (este desconfio que esteja a morar com aquela tribo de somalis que eu um dia lhe mandei)
quinta-feira, janeiro 20, 2005
A Razão dos Taxistas
Filósofos da era moderna; psicológos da bandeirada; treinadores sem equipa; analistas políticos motorizados; contadores de histórias; donos de todas as verdades, absolutas ou não, os taxistas são uns gajos especiais.
Por breves instantes são senhores dos destinos das pessoas que lhes entram pelo taxi adentro em direcção a qualquer lado. Na realidade os taxistas não têm clientes, têm audiência. A duração da bandeirada é o seu palco e eles sabem-no. Nós só precisamos de lhes dar o mote: “que tempo do caraças, nunca mais chove” ou “isto está tudo entregue à bicharada”, ou ainda “se estivéssemos no estrangeiro isto levava outro rumo”. Tal como um actor à espera de uma deixa, o taxista vai por ali fora e discorre sobre tudo o que lhe apetece, ajudado pelos nossos “han han” em cada 30 segundos. Já alguma vez um taxista proferiu a frase “eu não sei nada disso”? Claro que não. O taxista faz questão de ter uma opinião sobre tudo, é uma espécie de Pacheco Pereira ou de Nuno Rogeiro de volante na mão, com a vantagem de não termos de entrar no Abrupto ou de ligar a televisão.
Paralelamente a esta capacidade opinativa inata e imparável os taxistas são os verdadeiros heróis do stress: um gajo que consegue estar enfiado dentro de um carro um dia inteiro a conduzir numa cidade cheia de trânsito, e a levar com os diferentes humores dos mamíferos que por lá passam sem se transformar num assassino de massas, é um verdadeiro virtuoso a lidar com o stress.
De vez em quando decido deixar o carro à porta de casa e apanho um taxi para o meu destino. Invariavelmente, depois de lhe dizer para onde quero ir e de me recostar confortavelmente no banco de trás, deixo sair em tom de desabafo: “Isto merecia era outro Salazar!”. As respostas são sempre surpreendentes, e enriquecem qualquer percurso. Da próxima vez que apanharem um taxi, experimentem este desabafo. Não se vão arrepender, garanto-vos.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
Razões Públicas
As empresas públicas e os serviços públicos nacionais andam equívocados. Só pode ser isso. Não me ocorre nenhum país europeu onde o funcionalismo público acha que existe para diariamente fazer um imenso favor aos seus utentes. Curiosamente essa é a postura comercial das empresas e serviços do Estado.
A razão de existência destas empresas e serviços não é, como seria normal deduzir-se, dar emprego a um monte de bandalhos retardados cuja única noção de carreira consiste em subir de letra a letra, estilo abecedário. A verdadeira razão desta incompetência atávica tem como objectivo final a manutenção do status quo, afastando qualquer pessoa que remotamente pense em tornar qualquer processo mais rápido, mais eficaz ou mais útil. Desmotivando o recrutamento de indivíduos competentes, o funcionalismo público assegura a sua sobrevivência mantendo no activo, até começarem a cheirar a podre, aquelas senhoras e senhores que se arrastam penosamente, qual zombies, no interior das repartições públicas por este país fora.
terça-feira, janeiro 18, 2005
Razões Porno-Eróticas
Acho piada à distinção entre o pornográfico e o erótico. Cada vez mais me convenço que a diferença é apenas uma questão de forma: o erótico é um pornógrafo com punhos de renda. O erotismo é a pornografia travestida e apaneleirada que tem como base a sugestão e nunca a evidência.
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Razões Contemporâneas
O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!
sexta-feira, janeiro 14, 2005
Razões Depressivas
Que a malta é o povo mais deprimido do planeta já foi dito no post anterior. Mas agora a coisa parece que vai dar para o torto com a recente descoberta de que o Prozac afinal, para além de alegrar a malta, tem uns efeitos secundários maléficos que conduzem a um comportamento violento e/ou suicida, dependendo dos indivíduos e do facto de terem usado roupa interior apertada enquanto faziam o "tratamento" à base de fluoxetina.
Está tudo explicado. Há uma inequívoca ligação entre esta Razão e a Razão da Condução.
Uma vez que somos os maiores consumidores de anti-depressivos, e que nesta classe terapêutica o que mais vende é o Prozac, então é lícito deduzir que este país deprimido e dopado, que simpaticamente se define como um grupinho de brandos costumes, venha a tornar-se o povo mais violento e suicida do planeta, ombreando orgulhosamente com os sul americanos e os suecos, nestas diferentes categorias. Porrada neles!
quinta-feira, janeiro 13, 2005
A Razão do Futebol
A fechar a nossa trilogia nacional dos F's vem o Futebol, que actualmente é o F mais activo do país (se excluirmos o "foda-se pra isto" que gritamos diariamente quando lemos os jornais ou ligamos a TVI).
A culpa deste F ter um peso indiscritivelmente gigantesco na vida deste país é do tal ditador inteligente e pouco virtuoso referido no post anterior e de um rapaz menos inteligente mas mais virtuoso chamado Eusébio. Estes dois gajos fizeram o país inteiro acreditar que era alguma coisa de jeito, algures em 1966. É claro que nada aconteceu e o país mergulhou mais uma vez numa profunda e melancólica depressão, cantando o Fado, e esperando que num dia nevoeiro surjam 11 gajos com jeitinho nos pés que dêem uma razão de existência a esta nação. Não somos muitos exigentes...contentamo-nos com o ganhar uma finalzinha de futebol para ficarmos aconchegadamente orgulhosos de nós próprios. Enquanto isso não acontece, seja porque os gregos não sabem jogar Futebol, seja porque o Scolari é brasileiro, vamos ficando por aqui deprimidinhos a pensar no grande país que poderíamos ter sido. Viva o Futebol!
quarta-feira, janeiro 12, 2005
A Razão de Fátima
Em segundo lugar na nossa trilogia nacional, coladinha ao Fado, vem Fátima - a prova cabal que somos um país de crentes ingénuos que não aprendemos nada com o tipo que nos fundou (ver Razões Nacionalistas).
Algures em Maio de 1917, num prado verdejante perto de Fátima, três criancinhas apascentavam um rebanho de cabras quando uma delas descobre uma cultura estranha de cogumelos. Comida era coisa que não abundava naqueles tempos - os hipócritas menus vegetarianos da McDonalds estavam a 87 anos de distância - e o menor pastor decidiu guardar uns exemplares para partilhar com as suas irmãs e companheiras de pastoreio, mais tarde nesse dia. Quando comeram os cogumelos ao lanche as coisas começaram a mudar de figura e a assumir contornos surrealistas: as cabras desataram a ficar às cores, flutuando 3,5 cm acima do pasto, cantando "menina estás à janela"; o cão desatou a falar ucraniano recitando as obras completas de Dostoyevski; e uma senhora de branco parecida com a Bárbara Guimarães apareceu em cima de uma árvore, pendurada por um gajo de asas brancas, a balbuciar umas coisas querend0 dar um ar inteligente. O resto da história é do conhecimento público: um ditador inteligente; um povo a querer acreditar em qualquer coisa; e o Santana Lopes mais a Cinha Jardim a liderar uma turba de bandalhos do jet seis, de bordão numa mão e de BMW na outra a fazer peregrinações mediáticas a Fátima. Dos cogumelos nunca mais ninguém ouviu falar. Pudera!
terça-feira, janeiro 11, 2005
A Razão do Fado
Embora a maioria dos portugueses nao lhe liguem peva, Portugal é conhecido no estrangeiro por ser o país do Fado (e por outras coisas pouco dignificantes que não interessam nada para esta Razão). Se pensarmos que a música é uma das mais espontâneas e genuínas formas de expressão de um povo, percebemos a razão porque os portugueses são uns deprimidos crónicos, resignados a um destino a que não podem escapar, o que os torna ainda mais desgraçados. A palavra Fado faz aliás parte do nosso vocabulário diário, ditando inexoravelmente todo o nosso futuro. É como se já soubéssemos o fim de um filme série b antes do primeiro intervalo, e mesmo assim fizéssemos questão de levar com ele.
Mas porque diabo um país inventa uma forma de expressão que consiste na auto-flagelação emocional, glorificando a perda, a saudade (outro conceito nacional), o desgosto e a desgraceira miserável e persistente, perguntarão vocês?
A culpa é das companhias farmacêuticas, digo-vos eu! Algures na nossa história fomos vítimas de um complot maquiavélico das companhias farmacêuticas que se juntaram para criar um mercado-piloto para o lançamento de medicamentos anti-depressivos e ansiolíticos. E assim inventaram o Fado. A coisa resultou, ou não sejam os portugueses o povo que per capita mais consome anti-depressivos neste pequeno, mas agitadinho, planeta.
segunda-feira, janeiro 10, 2005
Razões Humanistas
Este post é uma homenagem pessoal ao actual ministro da educação brasileiro, Cristovam Buarque, que explicou aos americanos num debate numa universidade dos Estados Unidos, o que pensava da internacionalização da Amazónia: uma ideia que surge com alguma insistência do lado americano e que chateia, naturalmente, os brasileiros.
O texto que segue é a resposta de Buarque a um estudante americano que lhe fez a pergunta esperando a resposta de um humanista e não de um brasileiro:
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova Iorque, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa! "
A Razão de Boris
sexta-feira, janeiro 07, 2005
A Razão da Condução
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Razão Comum
Os políticos têm. As autoridades têm. As monopolistas empresas do estado têm. O funcionalismo público tem. Os patrões têm. Os empregados também. As mulheres têm (oh se têm!). Os filhos têm. Os pais têm. Os homens têm. Os universitários têm. Os professores têm. Os colegas de trabalho têm. O governo tem. O Presidente da República também tem. A oposição idem. Os jornalistas têm. Os sindicalistas têm. Muitos bloggers têm (se não todos). Os engenheiros têm, e não pensem que os doutores lhes ficam atrás. Os informáticos têm. Os dirigentes dos clubes de futebol têm muita. Os jogadores de futebol sempre tiveram. Os gajos do Júlio de Matos continuam a ter. As celebridades têm. Os anónimos têm. Os militares têm. Os civis também. Os animais têm. Os vegetais não sabem. Os empregados de mesa têm. Os profissionais liberais têm. Os enfermeiros têm. Os médicos têm mais do que deviam ter. Os advogados são exímios em ter. Os publicitários têm.
Se toda a gente tem, qual é o problema de hoje eu também ter Falta de Razão?
quarta-feira, janeiro 05, 2005
Razões Artísticas
Que rica a vida dos artistas consagrados! Imaginem por exemplo a vida de um pintor consagrado que vende que nem um estúpido: basta-lhe fazer uns riscos aleatórios numa tela e tem imediatamente uma turba de pacóvios, ditos críticos de arte, a tecer inúmeros elogios e críticas ininteligíveis a algo que consideram “um trabalho visionário e despojado que inaugura novos parâmetros no panorama cultural nacional”. Aposto que os gajos se divertem à brava a ler as barbaridades que são escritas em torno de uma salpicadela acidental. E nem me atrevo a imaginar o gozo monumental que têm quando atribuem um preço monstruoso a uma peça igualmente monstruosa que vai inevitavelmente ser comprada por um parvalhão qualquer que acha que está a adquirir uma obra de arte. Este é um privilégio exclusivo desses rapazes consagrados que dizem fazer arte...
Agora imaginemos que roubávamos por instantes esta “aura de graça” a um destes palermas artísticos e o transformávamos num trolha da Picheleira. Um trolha consagrado! Estariam dispostos a pagar estupidamente mais por um alinhamento arbitrário de tijolos na parede da vossa casa? Ah pois é!
terça-feira, janeiro 04, 2005
Razões Estelares
Numa das minhas incursões selvagens pela internet descobri uma seita com ramificações em vários países, entre eles Portugal e Brasil. Esta seita dá-se pelo nome de Comando Estelar, ou Comando Ashtar, e acredita piamente que nós todos somos fruto dos Atlantes, que por sua vez eram extraterrestres em sistema de time-sharing aqui neste planeta. Este grupo de palhaços alucinados acredita que existem por aqui uma série de portais para outros planetas, onde podemos calmamente viajar através deles tipo "vou ali ao terceiro andar e já volto", e alertam para a eminência de um êxodo terrestre para o planeta de origem. Só não sabem a que horas e em que sítio é que a nave estelar vai passar para os recolher.
Já aqui falei de religião e do embrutecimento que esta normalmente causa nos mamíferos aderentes, mas isto para mim é mais grave, porque me parece um cocktail perigoso de crença com stand up comedy. Os gajos reúnem-se regularmente por aí, em Portugal inclusivé, para ouvirem palestras onde lhes transmitem as palavras do Comandante Ashtar, um gajo que nunca ninguém viu, que tem um discurso saído de uma série de ficção ciêntifica de série B, e que segundo dizem não usa roupa interior.
Como existem coisas que considero um insulto à Razão decidi, nas últimas duas semanas, deixar-lhes um comentário diário (que eles também eliminam diariamente) no seu blog brasileiro indicando horários e locais de passagem da carreira das naves estelares, bem como procedimentos a ter em conta quando se viaja para outras galáxias. Sugiro que vocês façam o mesmo, e indiquem a estes cretinóides a maneira mais rápida de bazarem do planeta Terra. Divirtam-se.
segunda-feira, janeiro 03, 2005
A Razão dos Indecisos
Sempre que vejo os resultados de uma sondagem qualquer presto especial atenção aquele último grupo de respostas do “Não Sei/Não Respondo”. E de um modo geral este grupo é representativo, o que demonstra que anda por aí um monte de mamíferos que sabem pouco de qualquer coisa ou que se recusam a responder a uma coisa qualquer. Os primeiros ainda consigo desculpar: a ignorância é da responsabilidade de cada um, e se se é ignorante é porque não se fez um esforço para saber, ou nunca houve essa oportunidade. Ok. Estão desculpados.
Agora os outros javardolas que se predispõem a preencher um questionário, cujo único objectivo é saber a opinião dos inquiridos, e depois se recusam a responder, é que mereciam levar com uma tribo somali pelos glúteos acima. Se não querem responder não sejam inquiridos, suas bestas! É a mesma coisa que aceitar um convite para jantar e depois se recusar a tocar na comida; ou comprar um bilhete de avião para depois se colocar na fila do check in a berrar “Eu não embarco! Eu recuso-me a embarcar!”.
Mas pior que estes cretinóides aparvalhados que enchem as estatísticas nacionais, existe um grupo que me torra completamente a paciência: os indecisos. O indeciso é aquele gajo que nunca sabe exactamente aquilo que quer nem quando quer, nem como quer, nem porque quer. Enfim… um verdadeiro mongo titubeante que, à boa maneira portuguesa, só decide à última da hora.
Portugal é um país de indecisões, e por isso reúne as condições ideais para a proliferação dos indecisos. Agora que estamos à porta (mais uma vez) de eleições, vão começar a aparecer estes bandalhos que só vão decidir se forem coagidos a isso. Lembrei-me por isso de criar um “batalhão decisivo”: rapazes bem constituídos e com um QI ligeiramente superior à nossa polícia de choque, que visitarão os lares dos indecisos promovendo a decisão, usando para isso uns lindos, longos e rijos bastões de baseball que aplicarão sistemática e cirurgicamente nas gengivas de quem tiver dificuldade em tomar uma decisão.
Se quiser ter a certeza se é um indeciso preencha por favor o teste deste post. Se a sua resposta for “d” contacte o número 0810 300 500 e peça para que lhe enviem o batalhão lá a casa. Também fazem domiciliações no escritório. Aos Domingos estão de folga.
sábado, janeiro 01, 2005
A Razão do Eterno Retorno
A maioria destas resoluções, quando não todas, vão caír em saco roto - e nós sabemos disso. Mas enquanto o Janeiro não chega ao fim, é olhar para nós com um ar decidido, como um rolamento a deslizar pela ladeira abaixo. Depois somos envolvidos pela realidade precária da nossa força de vontade, e pelas contingências do nosso dia a dia e vamos, paulatinamente, arranjando boas razões para adiarmos - temporariamente, claro - as nossas bem intencionadas resoluções. A todos aqueles que já fervorosamente decidiram pôr em prática uma série de decisões: boa sorte, faltam 30 dias para o fim do mês, e 364 para o fim do ano. Quem estiver a pensar na ruiva, esqueça. Essa resolução é minha e não tenciono partilhá-la com ninguém.