terça-feira, abril 05, 2005

A Razão da Tentativa e Erro

tenta&erra
Alentejo. Ano de 1728. Não consigo precisar com exactidão a localidade. O homem tinha à sua frente uma selha de febras de porco e dois valentes pães caseiros que tivera o cuidado prévio de fatiar. Olhava concentrado as febras e o pão há já algum tempo. Pegou em duas febras e colocou-as em cima da mesa, à sua frente. De seguida alcançou três fatias de pão que dispôs cuidadosamente em cima das febras, alinhando uma fatia a seguir à outra. Pensou num nome para aquilo. Arrifana pareceu-lhe bem. Com um ar satisfeito agarrou na arrifana e abocanhou-a generosamente. As febras sujaram-lhe os polegares e encheram-lhe o colo de gordura. Aquilo não podia ser.
Voltou a olhar, concentrado, e recomeçou. Desta vez colocou em cima da mesa uma febra, por cima desta acrescentou uma fatia de pão, e rematou com outra febra, cirurgicamente colocada por cima do pão. A coisa parecia que ia funcionar. Decidiu chamar aquilo de trifana. Bonito nome, pensou. Pegou na trifana e levou-a à boca, mastigando-a entusiasticamente. As duas febras que entalavam a fatia de pão deixaram-lhe as mãos completamente cobertas de gordura. Decididamente também não era aquilo.
Voltou ao início: pegou numa fatia de pão e colocou-a em cima da mesa, depois pegou numa febra e colocou-a rapidamente em cima do pão, cobrindo-a de seguida com uma segunda fatia de pão. Pegou naquilo e voltou a comer. Desta vez nem um pingo de gordura nas suas mãos. Era mesmo aquilo: tinha inventado a roulotte!!

segunda-feira, abril 04, 2005

A Razão do Destino

destino
A todos os que não consegui enganar, resta-me elogiar-vos a sagacidade e agradecer-vos a persistência. A Razão continua, é o seu destino.

O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma prostituta, ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que o destino não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.

Carlos Ruiz Záfon

sexta-feira, abril 01, 2005

Razão Final

The End
Há uns tempos li não sei onde que a duração média de vida de um blog é de quatro meses. Na altura tinha acabado de criar a Razão e achei que ia postar até ao infinito. Não ia ser apanhado por uma estatística, de certezinha absoluta! E então a coisa começou a acontecer: comecei a sentir uma compulsão danada por “postar”, apetecia-me postar em todo o lado e ficava furioso quando não o conseguia fazer. Violento até. Quando não conseguia postar ia para as ruelas da Cova da Moura para andar à porrada. Era a única coisa que me aliviava a tensão de não poder postar quando me apetecia. Ainda fui parar à choldra umas boas vezes, e acabei por levar com tubos na cabeça, mas era algo que eu estava disposto a aguentar. Depois a malta começou a sair lá de casa. Primeiro a empregada, que se despediu alegando que eu passava o dia a gritar com o computador. Depois a minha irmã, que arranjou a desculpa que se ia casar e bazou, não sem antes me ter dito que só casava mais cedo para sair dali rapidamente porque já não tinha pachorra para me aturar. No mês passado foram os meus pais, depois de eu ter enfiado a cabeça do meu pai na pia mais próxima durante uma discussão sobre a Razão da Mediocridade. Decidiram ir viver para Espanha, os javardolas, como se alguém pudesse ir viver para aquele país de lolitas e cornudos! Finalmente a minha namorada, a semana passada, decidiu que eu me estava a tornar maníaco-depressivo, e que para isso já lhe bastavam os seus pacientes do estágio no Júlio de Matos. Bazou (com a minha colecção de CD’s). A coisa começou mesmo a raiar o absurdo quando os meus amigos deixaram de aparecer, de telefonar, ou de me convidar para sair. Olhei para o calendário e percebi tudo. Estava a atingir os 4 meses de blog, numa casa vazia, decorada de roupa pendurada por todo o lado, caixas com pizzas que já tinham vida própria, e latas de cervejas vazias. Compreendi então a razão daquela estatística estúpida: o blog é um tirano que toma conta da nossa vida ao ponto de já não termos vida, ou pelo menos de nos assemelharmos a amibas despreocupadas com o ecossistema. Por isso mesmo escrevo hoje, 4 meses e 2 dias depois de ter postado pela primeira vez, a minha última Razão. Já contrariei a estatística por 48 horas e agora vou arranjar uma vida. Bem hajam!

quinta-feira, março 31, 2005

Razões Hortículas

horticulas
Estou um bocadinho farto de ouvir tratar a nossa novela mexicana por “jardim à beira-mar plantado”. Na verdade isto não é mais do que uma horta mal cultivada, situada no esfíncter da Europa. Como qualquer horta está povoada por uma variedade considerável de vegetais. O que não faltam por aí são vegetais. Comecemos pelo Chefe de Estado, um tipo ardiloso com uma cabeça em formato de nabo do Entroncamento. Passemos de seguida ao recém eleito governo, que consiste numa arroba de bróculos chefiados por uma banana, que tem como oposição um alqueire de laranjas bolorentas, dióspiros espapaçados e lentilhas ressequidas. O povo, essa amálgama de cabeças de alho chocho, sempre à espera de melhores dias, queixando-se do que tem e do que não tem, esperando que por obra e graça do Espírito Santo tudo resulte numa imensa e produtiva colheita que transforme a horta numa bela plantação.
Na horta impera o conformismo digno das sementeiras que nunca dão fruto, a imaginação do tamanho de uma ervilha, e a vitalidade de uma azeitona deixada a marinar em vinagrete. A horta já há muito que deixou de ser adubada, o que per si não constitui um problema dado que os vegetais residentes já fazem merda suficiente. As ervas daninhas proliferam viçosas, chamando um figo a cada parcela de terra que vão paulatinamente ocupando. Apenas um tipo de vegetais insiste em não singrar nesta horta, e toda a gente é peremptória em afirmar que é graças à sua ausência que as coisas chegaram onde chegaram. Falo-vos obviamente dos tomates. Já os houve, há muito tempo, mas isso foi chão que já deu uvas.

quarta-feira, março 30, 2005

Razão Escondida

escondida
Faz as contas comigo. Se aos teus pais não lhes tivesse dado para a brincadeira naquela noite tu não estarias neste momento a ler este texto. E se os pais deles não se tivessem enrolado naquelas precisas noites, também aqui não estarias. Aliás, se os avós e os bisavós, e todos os outros antes, não o tivessem feito, era pouco provável que estivesses a tentar seguir o meu raciocínio.
Para tu estares aqui a ler o post houve muita gente envolvida. Recua por exemplo 8 gerações e já tens 250 pessoas a enrolar-se para aqui chegares. Se continuares a regredir até ao tempo de Shakespeare vai ter 16.384 antepassados a trocar fluídos em teu favor. Há 20 gerações, o número de pessoas que procriaram em teu proveito ascende a 1.048.576. Cinco gerações antes disso houve pelo menos 33.554.432 homens e mulheres de cujas inspiradas uniões a tua existência depende.
Se recuarmos ao tempo dos lusitanos de Viriato, há 64 gerações, este número de cúmplices aumenta para um milhão de trilião. Aqui é que está o busilis da coisa. Um milhão de trilião é um número mil vezes superior ao número de todas as pessoas que alguma vez habitaram este pequeno planeta.
Significa isto que eu fiz mal as contas? Não. As contas estão feitas para linhagens puras, ou seja, considerando trocas bem sucedidas de fluídos de pessoas de familias diferentes. Assim sendo sabes o que tudo isto significa?
Que para tu hoje chegares aqui houve incestos para caraças!!

Inspirado pela “Breve História de Quase Tudo” de Bill Bryson.
Foto de Walmir Piva

terça-feira, março 29, 2005

A Razão do Achamento

achamento
Os portugueses gostam de se ver como o povo dos descobrimentos. Sempre que se tenta arranjar um símbolo ou um ícone para a nossa nacionalidade, vamos inevitavelmente parar aos descobrimentos, às caravelas, às rosas do mar, ou às cruzes de Cristo. Acho mesmo que o país sonha com um período expansionista que nunca mais conheceu desde a intitulada “Época dos Descobrimentos” onde, como diz o poeta, “demos novos mundos ao mundo”.
Ora isto tem sido o grande equívoco nacional desde há mais de 500 anos. A realidade é que os portugueses descobriram pouquíssima coisa, e acharam quase tudo o que pensaram ter descoberto. Senão vejamos: descobrir é um acto que denota uma intenção de encontrar qualquer coisa com o objectivo de aumentar o conhecimento, seja numa perspectiva individual, seja numa perspectiva mais global, de um povo ou do mundo inteiro. Achar contém a arbitrariedade do acaso. Não há uma predisposição inicial para se achar uma coisa. Acha-se e pronto.
Assim sendo, os portugueses descobriram o caminho marítimo para a Índia, e acharam tudo o resto como consequência desse caminho. Então o Brasil? perguntarão vocês. A realidade é que o Brasil foi achado muito antes daquela que se convencionou ser a data da sua “descoberta”. A malta achava que se saísse a direito de Portugal, como a Terra era redonda, ia ter direitinha à Índia. O raciocínio não estaria errado se não existisse o continente sul americano ali no meio. E assim, sem querer, achámos o Brasil, que mantivemos em segredo até à assinatura do Tratado de Tordesilhas para o podermos reclamar mais tarde.
Descobrindo o caminho marítimo para a Índia, fomos achando tudo aquilo que estava ali no meio. Somos então um povo de valentes achadores durante um período considerável da história humana, período esse que deveríamos doravante designar por “Época do Achamento”.
Os verdadeiros descobridores foram os espanhóis. Esses sim. Esses contribuíram de facto para que o mundo descobrisse as verdadeiras bestas sabujas e sanguinárias que eles são, ao acharem e massacrarem inteiras civilizações para alargar um império de pacotilha, por causa de um metalzinho dourado, e em nome de uma religião que já naquela altura estava obsoleta.

Foto de Webclub

segunda-feira, março 28, 2005

Razões Evidentes

steviewonder

Um conhecido antropólogo apareceu recentemente com uma teoria que o homem e os pássaros partilharam em tempos a mesma origem genética. Para mim isto nunca foi novidade. Bastava olhar para o Stevie Wonder a cantar...

sábado, março 26, 2005

A Razão do Coelhinho da Páscoa

pascoa
Sempre que chega o Domingo de Páscoa lembro-me daquela história mal contada do coelhinho de Páscoa e da sua estranha ligação aos ovos de Páscoa. O que leva um coelho a distribuir ovos pintados? E onde é que o coelho arranja os ovos? E quem os pinta? Tudo mistérios insondáveis…
A história deste roedor está cheia de lacunas por preencher, o que sugere que deverá haver alguma javardice oculta nisto tudo. Na realidade o coelho é um libertino doidivanas, com um seríssimo desvio sexual, que mantém uma relação poligâmica e contranatura com algumas aves. As coelhas não lhe despertam qualquer sentimento libidinoso, e muito menos monogâmico. O coelho enveredou por esta vida porca sem medir as consequências, e quando percebeu que pela lei da natureza nenhum animal estava autorizado a procriar fora da sua espécie, arranjou um esquema que desviasse as atenções alheias da sua vida de alegre e frenético concubinato.
Decidiu assim distribuir gratuitamente as provas da sua virilidade, não sem antes lhes dar um aspecto decorativo e insuspeito. No início começou a distribuir os ovos na época de carnaval, mas não aguentando ver a sua prole esborrachada nas paredes durante as batalhas de foliões, decidiu avançar para a época festiva seguinte, tendo vir parar à Páscoa. Há vidas muito tristes.

sexta-feira, março 25, 2005

A Razão da Criação

deus

Existem por aí uns teólogos equivocados quanto à Criação do Mundo. Dizem eles que Deus criou o mundo em 6 dias:

No primeiro dia atestou a coisa de água e criou o céu. Durante a tarde criou o interruptor e ligou a luz. Depois ficou extasiado a olhar para aquilo: um imenso oceano único e um sol do caraças, e um bronze de fazer inveja à Cinha Jardim.

No segundo dia, depois de uma directa, lembrou-se de criar a noite e substituiu o interruptor por um reóstato, criando um lusco-fusco entre o dia e a noite a que chamou de madrugada e entardecer, respectivamente. Faltava criar a vida nocturna, mas ele deixou isso para mais tarde.

No terceiro dia isto continuava tudo um bocado alagado e então lembrou-se de criar uns espacinhos secos. Surgiram as praias, o campo e as montanhas. Pensou em criar os bares de praia, mas não anotou a tempo no caderninho e acabou por se esquecer.

No quarto dia desatou a vegetar a terra. Foi um vê se te avias de plantas coníferas e outros vegetais. Quando chegou ao nabo a sua imaginação já não estava na sua melhor forma: aquilo já não sabia a nada. E então decidiu acabar o dia por ali.

No quinto dia dedicou-se a salpicar o ceú nocturno de estrelas e constelações. Depois de ter mandado uma topada num lancil e rebentado com uma unha do pé, criou a Lua para iluminar a noite e perceber onde é que punha os pés. Desde esse dia ficou um bocado aluado.

No sexto dia decidiu povoar a terra e os mares com animais. Foi um dia complicado este, que culminou com a cereja no topo do bolo: Adão e Eva, esta última criada à sua imagem.

No sétimo dia os teólogos dizem que Deus não inventou nada e parou por ali. Imenso equívoco. Na realidade foi no sétimo dia que Deus teve a sua criação mais genial. E dedicou todo este dia apenas a uma única criação. A mais difícil, mas a mais inspirada de todas: o Descanso!

Gentinha limitada, os teólogos...

quinta-feira, março 24, 2005

A Razão dos Consultores

consultores

A Economia tem destas coisas chamadas ciclos. Invariavelmente, de 10 em 10 anos, entramos num ciclo desfavorável e instala-se a crise: o investimento cai, os consumidores perdem poder de compra, as falências disparam, e o desemprego cresce. Pessoalmente acho que as crises económicas têm as suas virtudes, são uma espécie de purga do poder instalado, da incompetência acomodada, do laxismo, da corrupção e dos vícios instituídos. Tenho a perfeita noção que a reacção à crise fará nascer novas competências, novos sistemas, e novos vícios que um dia terão que ser erradicados com outra crise. Portanto encaremos a crise como um mal necessário.
O que eu não gosto nas crises é que estas promovem o aparecimento de uma classe de gente que não suporto: os consultores. Estes gajos estão para as crises económicas como os mosquitos estão para as águas paradas, com a desvantagem de não existir um repelente eficaz para estes animais.
Para percebermos a razão da proliferação dos consultores durante os períodos de crise é preciso sabermos como nasce e o que faz um consultor.
Na realidade um consultor é alguém que, depois de ter trabalhado uma série de anos numa determinada área de negócio, se vê no olho da rua por já não acrescentar absolutamente nada ao processo produtivo da sua empresa e, consequentemente, da sua indústria. Enfim, um javardolas incompetente que já não consegue arranjar colocação em lugar nenhum e que inevitavelmente vai ter que desenrascar dinheiro dando conselhos a alguém.
Claro que ainda há aquelas empresas de consultadoria que recruta e forma licenciados no exercício do aconselhamento feito na óptica do senior partner incompetente que um dia fundou aquela empresa, mas esses eu vou considerá-los uns equivocados, sem uma vocação definida, a cometer um erro de juventude.
O que faz então um consultor?
Um amigo meu tem um definição curiosa da actividade do consultor. Diz ele que “um consultor é um tipo que sabe de 2.253 maneira de fazer amor com uma mulher, mas ainda está à espera de conhecer a sua primeira namorada”.
Eu vejo-os mais como umas sanguessugas sem um único pensamento original que recebem avultadas somas de dinheiro para dizerem exactamente aquilo que o conselho de administração que os contrata quer ouvir. Uma espécie de “yes men” vestidos de Armani que garantem que os disparates de gestão cometidos pelas alimárias empresárias deste país têm alguma espécie de legitimidade. Um aval dado por um incompetente a outro incompetente.
Mas também o que esperar de alguém que só desempenha aquela função porque não lhe é reconhecida competência para integrar uma estrutura empresarial? O que vale é que, tal como os mosquitos desaparecem quando começam a caír as primeiras chuvas e a água podre começa a escoar, também os consultores são “escoados” quando a Economia retoma, e os negócios começam a dar dinheiro.

quarta-feira, março 23, 2005

A Razão de Saramago

saramago

No que toca ao José Saramago apresento apreensivos sintomas de bipolaridade. Confesso-o. Gosto da obra do homem, mas não suporto o homem da obra. Acho-o uma alimária arrogante e merecedora, não de uma, mas várias tribos somali que lhe dessem um andar permanentemente diferente. Um gajo que se arma ao fino e decide ir viver para Espanha porque se chateia com as liberdades do regime democrático português, não merece o tempo de antena que este país lhe dá. Compreendo perfeitamente que um gajo quando está mal o melhor que tem a fazer é mudar-se. Ora o Saramago mudou-se para Lanzarote, e fez ele muito bem (milhares de invertebrados seguiram-lhe o exemplo no Verão passado, dando origem à maior praga de gafanhotos que aquela ilha jamais conheceu). Agora o que não acho bem é que este estreptococo continue a mandar bitates sobre o país que decidiu deixar. Podia aprender umas coisitas com os invertebrados do Norte de África que se reuniram com ele em Lanzarote: que eu saiba nenhum dos milhares de gafanhotos expressou aleivosias despropositadas relativamente ao Norte de África
O Estado português tem tido uma atitude provinciana face a este esbirro nobelizado: afinal de contas é o único Nobel literário do país e convém não hostilizá-lo. Eu saberia muito bem o que fazer com ele. Negociava-se com o governo espanhol (com um tal sapateiro) a extradição do senhor para o único sítio onde este ainda faz sentido: o Museu de História Natural de Londres, onde seria etiquetado como o derradeito fóssil do comunismo primário. Ser-lhe-ia permitido continuar a escrever; afinal ainda é a única coisa que o assemelha a um ser humano.

terça-feira, março 22, 2005

Razão Absoluta

emc2

Exactamente há 100 anos atrás um jovem burocrata suíço sem habilitações universitárias que trabalhava em Berna como fiscal técnico de 3ªclasse no registo nacional de patentes publicou uma série de cinco ensaios numa revista alemã de física chamada “Annalen der Physik”. Três desses ensaios acabaram por ficar na história da física: um valeu-lhe o Prémio Nobel e explicava a natureza da luz; outro provou a existência dos átomos (coisa que não era pacífica na altura); e o terceiro ensaio mudou o mundo, pura e simplesmente.
O jovem chamava-se Albert Einstein, um alemão naturalizado suíço para escapar ao serviço militar, e o terceiro ensaio versava sobre a “electrodinâmica dos corpos em movimento”, que daria origem à teoria da relatividade, e revelava a simples e genial equação E=mc², que grosso modo nos diz que existe uma quantidade de energia contida e aprisionada em todas as coisas materiais.
Em homenagem a este rapaz, que não teve hipótese de ser objector de consciência, este blog relança em 2005 a equação de Einstein aplicada à estupidez humana, naquela que se intitula a “Teoria dos Mongos em Circulação”.
Partindo da mesma equação de Einstein (E=mc²) esta teoria demonstra que a estupidez humana é perigosamente exponencial e sem melhorias visíveis, principalmente neste pequeno país.
Entenda-se “E” como “Estupidez”, “m” como “mediocridade”, e “c²” como “cabotinice elevada à sua segunda potência”, e concluir-se-à que a crescente promoção da mediocridade praticada por cabotinos quadrados resulta num profundo estado de estupidez que nivela sempre por baixo qualquer indivíduo, actividade, profissão, investigação ou desempenho. Conclui este blog que nada disto é relativo, e que a estupidez de um povo tende a ser absoluta, como demonstrado na eleição deste mais recente desgoverno, ou nas audiências televisivas da TVI.

segunda-feira, março 21, 2005

Razão Sazonal

primavera

Eis os poléns que nos vão fazer espirrar mais que a conta, e mostrar-nos que exercício gratificante é estarmos vivos. Eis os passarinhos e as abelhinhas, os dias compridos, as florzinhas a desabrochar e os inúmeros tons de verde. Eis as chuvas de Abril, que este ano não me parece que venham a ser mil. Eis o sol mais quentinho, as roupas mais levinhas e reveladoras de um Inverno de excessos. Eis as dietas preparatórias da época balnear, os fins de tarde em tons púrpura, e os azuis brilhantes, claros, escuros, marinhos e turquesas. Eis a minha Estação preferida, a Estação onde nasci, a minha Primavera. Eis a primeira Razão primaveril.
Inspirem fundo. Não respirem. Já está.

sexta-feira, março 18, 2005

Razões Declaradas

cavalo
Casa comigo e eu nunca mais volto a olhar para outro cavalo!
Groucho Marx

quinta-feira, março 17, 2005

Razões de Gosto Pessoal

cristo
Gosto do vosso Cristo.
Não gosto dos vossos cristãos.
São tão diferentes do vosso Cristo.

quarta-feira, março 16, 2005

Razão Existencial

ausente
Não é que eu tenha medo de morrer. Só não me apetecia estar presente quando isso acontecesse.

terça-feira, março 15, 2005

A Razão Analisada

Ra
Analisar o humor é como dissecar uma rã. Interessa a muito pouca gente, e a rã morre no processo.

segunda-feira, março 14, 2005

Razões Educativas

livro
Acho a televisão muito educativa. Sempre que alguém a liga, eu vou para a sala ao lado ler um livro.

sexta-feira, março 11, 2005

Razões Narcisistas

memyself&i
Frequentemente tenho longas conversas comigo próprio, e sou tão inteligente que por vezes não entendo uma palavra do que estou a dizer.

Oscar Wilde

quinta-feira, março 10, 2005

A Razão do Investimento

bizjerk
Deve-se investir num negócio que até um idiota o possa dirigir, porque algum dia um idiota o dirigirá.

Warren Buffet