terça-feira, dezembro 13, 2005

A Razão do Presépio

presepio
É sempre nesta altura do ano que inevitavelmente percebo que vivo num presépio povoado de figurinhas de barro, pintadas toscamente, que desempenham ano após ano os mesmos papéis. Em Portugal, tal como num presépio, nunca nada muda. As figurinhas são sempre as mesmas, dispostas nos mesmos sítios e fazem sempre a mesma coisa, ou seja, nada. Estão para ali com um ar petrificado, eternamente imobilizadas em torno de uma cabana com um burro, uma vaca, e um casal de tótós que admira incompreensivelmente uma criança loira estiraçada num berço feito de palhas. Há subjacente a tudo isto, uma expectativa qualquer que nenhuma das figurinhas entende. Uma expectativa de mudança e de melhoria gerada pelo nascimento da criança de cabelos loiros. Mas é uma expectativa cristalizada no próprio presépio. Daqui por um ano a criancinha continuará espojada no seu leito de palhas, rodeada por tótós e gays magos, e tudo continuará na mesma.

1 comentário:

Adrian disse...

A analogia com a chamada de "crise". Tenho de compreender que Portugal já está em "crise" desde que eu era criança; antes de eu ter nascido já estava. O fado e a merda da saudade já atribulavam os portugueses nessa altura. Portugal só foi um país rico no seculo XVI, fora disso estivemos sempre na merda. Parte pela nossa ignorante mentalidade, parte porque somos uma quinta ingovernável, ou seja, Portugal é um pedacinho mais ou menos rectângular que meia dúzia de panascas nao conseguem governar. Eu nunca conheci um caralho dum português que me dissesse que na vida dele algo está bem. Na mentalidade retrógrada dos portugueses tudo está mal. Mas no entanto não param as filha da puta das romarias, dos feriados, das bebedeiras, das férias longas,as reclamações para ter coisas grátis, (despachos do governo para que alguma coisa seja dada, como subsídios para isto e para aquilo) a merda do país não tem productividade nenhuma; além dos comunistas andarem sempre em greve. Os portugueses são um povo masoquista, deprimido, complexado, invejoso e como trabalhadores só não são preguiçosos no estangeiro, se calhar o filho da puta do Mark Twain tinha razão!!!.