terça-feira, novembro 15, 2005

A Razão do Ressabiado

Um dos espécimes vulgaris deste país é o ressabiado. Ressabiado, digo eu, é aquele gajo que acha que vale mais do que aquilo que a realidade demonstra e que por causa disso anda permanentemente chateado porque ninguém nunca lhe reconhece aquilo que ele acha que merecia ter. Complicado? Não, se conhecerem uma personagem chamado Saramago – um estreptococo que um dia decidiu que o país era demasiado pequeno para albergar o seu insuflado ego e que por isso se mudou para uma ilha do país vizinho.

O que faz com que Saramago seja um labrego ressabiado? Qualquer indivíduo com coluna vertebral teria tomado a atitude que ele tomou assumindo-a com frontalidade. Quem leu isto sabe que coluna vertebral é algo que escasseia em Saramago e portanto de vez em quando temos de levar com as aleivosias deste estreptococo. A última delas foi o lançamento do seu último livro, pelo que sei uma obra de humor (como se um estreptococo invertebrado soubesse provocar o riso). Saramago decidiu fazer o lançamento do seu último livro no Brasil. Até aqui tudo bem. Vender para um mercado de 259 milhões de potenciais leitores é substancialmente diferente do que vender para um miserável mercado de 10 milhões. O que me chateia profundamente é que esta bosta fez questão de dizer que lhe dava muito prazer de lançar o seu último estertor no Brasil só porque não o fazia em Portugal. Pessoalmente até agradeço que Saramago publique os seus livros na República do Butão, no Uzbequistão, ou inclusivé na Somália. Até agradecia que os seus lançamentos fossem feitos o mais longe possível do meu miserável país. O que não tenho é pachorra para aturar é o seu ressabiamento crónico. Se isto fosse um país de gente séria Saramago nunca mais venderia um único livro à conta desta sua última diarreia ressabiada. Mas como vivemos em Portugal, qualquer cagalhão nobelizado atinge calmamente a 2ªedição.