terça-feira, novembro 22, 2005

A Razão da Paciência

paciencia

Tenha paciência mas vai ter que passar para a caixa ao lado porque esta vai fechar. Tenha paciência mas hoje acabaram logo antes do almoço, agora só amanhã. Tenha paciência mas isso não faço – há-de haver quem faça, mas não serei eu certamente. Tenha paciência e dê aí um jeitinho para eu passar. Tenham paciência mas vão ter de pagar mais impostos para o ano que vem.
Ao longo da nossa vida pedem-nos para ter paciência, quase diariamente. A coisa está tão enraízada no nosso discurso do dia a dia que tenho dúvidas se somos um povo bovinamente paciente porque nos martelam com isso todos os dias, ou se nos exigem algo que temos ancestralmente nos nossos lusos genes.
Cá para mim os espanhóis andam, há algumas gerações, a atirar drunfes para os caudais dos rios à saída da fronteira. Estamos todos pachorrentamente dopados e cheios de paciência à conta de doses diárias de soporíferos e ansiolíticos diluídos nas águas castelhanas (fora aqueles que tomamos voluntariamente todos os dias em terras lusitanas). Haja paciência, evitem a água: bebam vinho.