quarta-feira, agosto 10, 2005

A Razão dos Amigos

amigos

Amigos. Não conheço a origem etimológica desta palavra, mas sempre que olho para ela sugere-me a junção de duas coisas: «amor» e «migas» - amor aos pedaços. Curiosamente a amizade é mesmo isso, uma forma de amor aos bocados. As amizades não requerem uma manutenção tão continuada como o «amor sem ser aos pedaços». Podemos não ver um amigo durante meses, ou mesmo anos, e magicamente voltar a pegar nas coisas como se o tivéssemos visto no dia anterior. Só as verdadeiras amizades funcionam assim – nada se exige, e tudo se dá, sem qualquer interesse, resistindo furiosamente à passagem do tempo. Façamos a mesma coisa com aquilo que designamos por «amor verdadeiro» (como se por acaso pudesse existir «amor falso») e veremos que ele não resiste com a mesma facilidade.

Falando seriamente, podemos identificar vários tipos de amigos:

Amigos de Infância – não há nada como os primeiros, há quem diga. Mas aquilo que nos une aos 5 anos não é necessário que nos una aos 30. A não ser que continuemos com uma obsessão estranha por legos, ou comboizinhos eléctricos.

Amigos de Escola – faz-me impressão aquela malta cujos únicos amigos são os de escola, aqueles grupinhos ruidosos de malta que se encontra invariavelmente aos fins de semana e em férias com os velhos colegas de curso e continuam a cantar Éférreás aos 40 anos. Será que para estes mamíferos existiu vida para além da escola? Duvido.

Amigos da Onça – malta que teríamos imenso prazer de colocar numa jaula com uma onça esfomeada e com cio. Também são conhecidos por amigos de Peniche. Estes são fáceis de identificar: basta perguntar distraidamente se gostam de Peniche e eles descaem-se.

Amigos de Ocasião – a ocasião faz o ladrão, sabem como é…

Amigos de Copos – enquanto a cirrose não chega até são divertidos de aturar, principalmente quando tentam falar naquelas alturas em que a sua língua parece ganhar vida própria.

Amigos do Peito – malta com muito bom gosto, que nutre uma especial afeição por glândulas mamárias generosamente desenvolvidas. Eu, por exemplo, sou amigo do peito da Pamela Anderson.

Amigos da Treta – não confundir com amigos da teta (uma derivação de amigos do peito). Estes mamíferos só são amigos deles próprios, e às vezes nem isso…

Amigos do Alheio – malta de expedientes duvidosos com fins lucrativos imediatos. Qualquer semelhança entre estes e os amigos da alheira é mera coincidência.

Amigos Coloridos – há-os de todas as cores. Gosto particularmente dos fucsia. Mas admito que existam outras cores igualmente interessantes.

Amigos dos Amigos – se alguém porventura pensar que um amigo de um seu amigo seu amigo é, ou é estúpido ou está a precisar de conhecer uma tribo de amigos somalis.

Caso tenha um amigo que cumpra pelo menos 3 destas tipologias, aceite um conselho: compre um cão (daqueles mauzinhos).