sexta-feira, abril 29, 2005

A Razão do Blogueiro

blogger
Ontem à noite tive o prazer de ouvir uma das teorias mais originais sobre os bloggers e a blogosfera. Estava a jantar com amigos quando um deles decidiu sabiamente partilhar comigo a sua perspectiva sobre tudo isto. “A blogosfera” dizia ela “é um antro de exibicionistas e voyeurs. Basta irmos à origem do conceito de blog, onde alguém decide expôr a privacidade do seu dia a dia numa página de internet, para percebermos que cada blog é uma extensão virtual da Quinta das Celebridades.”
Enquanto ela falava o meu olhar vagueou pela garrafa de vinho. Imaginei o que aconteceria se lhe espetasse com aquilo na tromba. Imaginei os vidros a estilhaçarem-se à minha frente, em câmara lenta, enquanto ela tombava de costas, para cima da mesa ao lado, onde um casal romântico jantava à luz das velas. Desisti. O vinho era demasiado bom para ser desperdiçado daquela maneira. E ela continuava:
“O blog só é um fenómeno com cada vez mais adeptos porque a televisão despertou o interesse generalizado pelo voyeurismo idiota, de gente que não tem interesse nenhum, e que esconde atrás de um blog as suas vidas vazias e desinspiradas.”
Pensei se seria demasiado inspirado da minha parte pegar na terrina que tinham acabado de trazer para a mesa e despejá-la por cima da minha esclarecida interlocutora. Mas optei apenas por me recostar na cadeira, perguntando-lhe “Mas diz-me lá o que queres dizer com isso dos flashers e dos voyeurs?”
Ela deu um gole na taça de vinho e continuou: “Para mim escrever um diário, ou um poema, ou outra porcaria qualquer na internet é um acto exibicionista. Se não o fosse as pessoas não teriam a necessidade de mostrar aos outros. Do outro lado tens os voyeurs: tens imensos deles sempre a comentar o que está escrito, fora os que só lêem e não dizem nada…”
Pensei mais seriamente no que ela tinha dito. Tinha acabado de ser rotulado de exibicionista e voyeur (também leio uns blogs de vez em quando; também deixo comentários nos blogs dos outros). E então decidi responder-lhe. Levantei-me calmamente, despi a gabardine e fiquei nu, de frente para ela. Agora ela tinha razão: aquilo sim, era exibicionismo puro, e ela uma grandessissima voyeur!