terça-feira, abril 05, 2005

A Razão da Tentativa e Erro

tenta&erra
Alentejo. Ano de 1728. Não consigo precisar com exactidão a localidade. O homem tinha à sua frente uma selha de febras de porco e dois valentes pães caseiros que tivera o cuidado prévio de fatiar. Olhava concentrado as febras e o pão há já algum tempo. Pegou em duas febras e colocou-as em cima da mesa, à sua frente. De seguida alcançou três fatias de pão que dispôs cuidadosamente em cima das febras, alinhando uma fatia a seguir à outra. Pensou num nome para aquilo. Arrifana pareceu-lhe bem. Com um ar satisfeito agarrou na arrifana e abocanhou-a generosamente. As febras sujaram-lhe os polegares e encheram-lhe o colo de gordura. Aquilo não podia ser.
Voltou a olhar, concentrado, e recomeçou. Desta vez colocou em cima da mesa uma febra, por cima desta acrescentou uma fatia de pão, e rematou com outra febra, cirurgicamente colocada por cima do pão. A coisa parecia que ia funcionar. Decidiu chamar aquilo de trifana. Bonito nome, pensou. Pegou na trifana e levou-a à boca, mastigando-a entusiasticamente. As duas febras que entalavam a fatia de pão deixaram-lhe as mãos completamente cobertas de gordura. Decididamente também não era aquilo.
Voltou ao início: pegou numa fatia de pão e colocou-a em cima da mesa, depois pegou numa febra e colocou-a rapidamente em cima do pão, cobrindo-a de seguida com uma segunda fatia de pão. Pegou naquilo e voltou a comer. Desta vez nem um pingo de gordura nas suas mãos. Era mesmo aquilo: tinha inventado a roulotte!!