quarta-feira, janeiro 19, 2005

Razões Públicas

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As empresas públicas e os serviços públicos nacionais andam equívocados. Só pode ser isso. Não me ocorre nenhum país europeu onde o funcionalismo público acha que existe para diariamente fazer um imenso favor aos seus utentes. Curiosamente essa é a postura comercial das empresas e serviços do Estado.
Quantas vezes é que tiveram que esperar eternamente numa fila de um qualquer balcão de atendimento dum serviço público para, chegada a vossa vez, levarem com a má disposição de um funcionário público de ar bovino e cabelo empastado? Vezes demais provavelmente...
Quantas vezes ligaram para a linha de atendimento de uma empresa pública e se sentiram autênticas bolas de ping pong a correr todas as operadoras de um call center manhoso? Vezes incontáveis, suponho.
A razão de existência destas empresas e serviços não é, como seria normal deduzir-se, dar emprego a um monte de bandalhos retardados cuja única noção de carreira consiste em subir de letra a letra, estilo abecedário. A verdadeira razão desta incompetência atávica tem como objectivo final a manutenção do status quo, afastando qualquer pessoa que remotamente pense em tornar qualquer processo mais rápido, mais eficaz ou mais útil. Desmotivando o recrutamento de indivíduos competentes, o funcionalismo público assegura a sua sobrevivência mantendo no activo, até começarem a cheirar a podre, aquelas senhoras e senhores que se arrastam penosamente, qual zombies, no interior das repartições públicas por este país fora.